Estreante na Marquês de Sapucaí, a União de Maricá realizará disputa de samba com uma premiação de R$ 75 mil para a parceria vencedora. O concurso está previsto para ser realizado no início de setembro, em quatro fases, com final marcada para o dia 29 de setembro.

Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o diretor de carnaval Wilsinho Alves deu detalhes da disputa. “Será em quatro semanas, começando no início de setembro e – final no dia 22 de setembro”.

Para o intérprete Matheus Gaúcho, que fará parceria com Nino do Milênio no carnaval de 2024, o samba estreante precisa mexer com o emocional tanto de quem desfila quanto de quem assiste nas arquibancadas da Passarela do Samba.

“Muita garra, emoção e mexer com o componente e a arquibancada. Acho que o samba que emociona e faz o componente cantar e vibrar é o combustível para a gente ter um grande samba na Sapucaí”, disse Gaúcho.

O intérprete também comentou sobre a chegada de Nino do Milênio. Gaúcho e Nino dividirão o comando do microfone da União de Maricá. Para o cantor, a expectativa é de uma parceria que resulte em um grande trabalho de estreia no Sambódromo.

“O Nino foi muito bem recebido aqui na escola e teremos a festa de apresentação. Assim como trabalhamos com o Ito em 2022 e 2023, qualquer componente que vier será muito bem-vindo na nossa escola. Com o Nino do Milênio não será diferente. A expectativa é a melhor possível, porque estamos cantando com um grande cantor. Para mim o Nino é um dos grandes cantores da atualidade. Se Deus quiser, iremos fazer um grande trabalho”, comentou.

Para Tadeuzinho, a chegada da escola na Marquês de Sapucaí representa um sonho e o resultado de um trabalho que começou a ser construído ainda em 2015. Ele garante que Maricá se prepara para levar um grande carnaval à Avenida.

“Representa não só para mim, mas para toda a comunidade de Maricá um dever cumprido. Nós viemos da Intendente Magalhães buscando o nosso sonho, que era a Sapucaí. Representa que o trabalho foi bem feito e que a comunidade abraçou a escola. A União de Maricá está compacta e com um excelente enredo, assim como um excelente samba que tivemos em 2023. O nosso objetivo é chegar na Sapucaí com muito entusiasmo, orgulho e raça”, afirmou o gestor.

O presidente também ressaltou que a ideia da agremiação não só mostrar força, mas fazer um belo desfile. “Para as duas coisas: mostrar força e fazer bonito. Por isso nós reforçamos o nosso time com vários segmentos renomados. Não tenho dúvida que com esse enredo apresentado iremos fazer bonito na Marquês de Sapucaí”.

Estreia acompanhada de reforços

A agremiação de Maricá reforçou o time que comandará os principais segmentos da escola. Além da chegada do diretor de carnaval Wilsinho Alves, do intérprete Nino do Milênio e do carnavalesco André Rodrigues, chegam na União de Maricá o coreógrafo Patrick Carvalho, Junior Cabeça no comando da harmonia  e o casal de mestre-sala e porta-bandeira Fabrício Pires e Giovanna Justo.

Apesar de toda experiência no carnaval, o casal de mestre-sala e porta-bandeira disse que o papel deles se somarão a todo trabalho e organização da escola de samba. A dupla elogiou a estruturação da agremiação.

“Acredito que não é eu ou o Fabrício trazer (experiência). A escola tem um projeto muito bonito, onde nós vamos apenas nos juntar para realizar esse belíssimo carnaval que a Maricá pretende fazer. Eu vim ver o projeto, antes de tudo, e vi que eles são muito experientes. Estamos aqui apenas para agarrar mais uma oportunidade de Fabrício e Giovanna com a gente fazendo sucesso junto com a escola. Acredito que a Maricá vai fazer um belíssimo carnaval. É uma coletividade”, contou a porta-bandeira.

“Primeira coisa que devo pontuar é que a organização da escola me impressionou muito. A gente já tem uma estrada longa, mas chegamos na Maricá com vontade. Uma escola organizada, que está se preparando aos poucos, mas que vocês puderam ver que ela tem tudo para fazer um trabalho maravilhoso. Estão dando todo o suporte que o casal precisa. Estamos começando a produzir um trabalho bem bacana para coroar mais uma vez os 40 pontos”, enfatizou o mestre-sala.

Para atender a demanda de um desfile do tamanho da Série Ouro, Maricá reformou um barracão localizado em frente ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), na Zona Portuária da cidade do Rio. Segundo Wilsinho, o espaço agora contará com vestiários e ambiente para os trabalhadores.

“Construímos um barracão do zero. A gente pegou um barracão sem nenhuma condição de uso, telhado que chovia mais dentro do que fora. Fizemos uma obra magnífica e com espaços para o trabalhador, com banheiros adequados, vestiário, administração. É um espaço que não é o maior do mundo, mas é adequado para a União de Maricá fazer o seu carnaval”, contou o diretor de carnaval.

Velhos amigos

Wilsinho contou que trabalhou pela primeira vez com André Rodrigues em 2010, na Vila Isabel, quando o carnavalesco ainda era assistente de Alex de Souza. De lá para cá, foi construída uma relação profissional e pessoal de muito respeito. O diretor revelou que destacou ao carnavalesco dois pontos para o carnaval da Maricá: o olhar social e o fundamento de escola de samba.

“Já fizemos muito carnaval juntos, mas nunca com o André como carnavalesco. Eu vi o crescimento do André como pessoa, como artista. É meu amigo particular. Fico feliz de poder estar trocando essa ideia com ele e dele poder estar desenvolvendo na Maricá suas ideias na plenitude. O que eu tinha pedido para ele é que o enredo conversasse com dois caminhos diferentes: o caminho social, que ele já persegue e não abre mão; o outro é que tivesse fundamento de escola de samba. Que a gente homenageie, de alguma maneira, o sambista”, revelou.

Para ele, a proposta do enredo é ideal para que a escola de samba possa competir na Série Ouro com grandes agremiações. “Estamos chegando agora e disputando com o Império Serrano, que tem nove títulos, Estácio de Sá e outras diversas escolas que estiveram no Especial há pouquíssimo tempo. Para a gente chegar e competir com eles, precisamos mostrar que também temos fundamento de escola de samba. Acredito que essa homenagem aos compositores é perfeita, porque casou a parte social e a homenagem aos compositores que nos brindam com grandes obras”.

Um dos nomes mais antigos na Maricá, mestre Paulinho Steves comentou sobre a emoção de estrear com a agremiação na Marquês de Sapucaí após uma longa jornada na Intendente Magalhães.

“Eu venho praticamente desde o início da escola. Não consigo nem imaginar a gente brigando com o Império Serrano, Estácio, escolas que já foram campeãs do Grupo Especial. Ver a União de Maricá nesse mesmo patamar na Sapucaí é uma honra que não consigo nem descrever”, comentou o mestre da “Maricadência”.

Filho do mestre Esteves, que comandou a bateria da Estácio de Sá, Paulinho vê o pai como inspiração para comandar a bateria de Maricá na Passarela do Samba. “Acho que praticamente tento ser ele a todo momento, porque eu tenho meu pai como meu herói. Eu ver o meu pai na época que era mestre do Estácio chegava a brilhar meus olhos. Agora eu ter ele ao meu lado, me apresentando, é fora do comum. É um prazer enorme ter um mestre como ele ao meu lado”.