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Beija-Flor apresenta desenhos de fantasias para lideranças de segmentos

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A Beija-Flor de Nilópolis reuniu os representantes dos principais segmentos na quadra, na noite de segunda-feira, para um momento especial: mostrar os desenhos dos figurinos para o Carnaval 2024. Estiveram presentes diretores de harmonia, de bateria, musas e destaques.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Beija-Flor

“Esse primeiro contato das lideranças com as fantasias, mesmo ainda na ilustração, é fundamental para que todos os segmentos tenham uma ideia do que vem por aí. Estamos ansiosos agora para apresentar os protótipos à comunidade”, destacou o carnavalesco João Vitor Araújo.

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A azul e branca será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro, com o enredo “Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila”, que contará a história de Benedito dos Santos, um importante personagem da cultura alagoana, fundador do Cavaleiro dos Montes, um dos blocos de rua mais tradicionais de Maceió.

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Atualmente, a agremiação está na fase de disputa de samba-enredo, onde 10 obras permanecem com chances. A próxima etapa acontecerá no dia 17 de agosto.

Paraíso do Tuiuti prepara grande festa para lançamento do samba-enredo na sexta-feira

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A azul e amarelo de São Cristóvão inicia os ensaios para o próximo Carnaval nesta sexta-feira, 4. A partir das 22h, a quadra do Paraíso do Tuiuti irá receber a Imperatriz Leopoldinense para o lançamento oficial do samba-enredo de 2024. Haverá apresentações de todos os segmentos da atual campeã do Grupo Especial do Rio. Os ingressos custam R$ 20 e podem ser adquiridos pelo telefone (21) 97398-1021.

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“Vamos fazer uma grande festa para começarmos com o pé direito nossa temporada para o desfile de 2024. Já estamos com todos os quesitos completos e agora é ensaiar para garantirmos as notas máximas. Será também o primeiro contato do público com nosso samba-enredo”, disse o presidente Renato Thor.

No ano que vem, o Paraíso do Tuiuti desfila com o enredo “Glória ao Almirante Negro!”, do carnavalesco Jack Vasconcelos. O tema é uma homenagem a vida e história de João Cândido, marinheiro brasileiro que se empenhou na luta contra os maus-tratos, a má alimentação e as chibatas sofridas pelos colegas. O Tuiuti será a quinta escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval.

Serviço:
Lançamento do samba-enredo do Paraíso do Tuiuti para 2024 com Imperatriz Leopoldinense
Data: Sexta-feira, dia 4 de agosto
Horário: a partir das 22h
Endereço: Campo de São Cristóvão, nº 33, em São Cristóvão – RJ
Entrada: R$ 20

Machismo e o preconceito com a cultura popular são temas presentes no documentário sobre Rosa Magalhães

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O Teatro da Biblioteca Parque do Rio de Janeiro recebeu, na última segunda-feira, uma sessão única e exclusiva do documentário “Rosa – A narradora de outros Brasis”, de Valmir Moratelli, em parceria com Libário Nogueira. O filme, que foi premiado na 2ª edição do Festival de Cinema de Vassouras, acompanha a trajetória da carnavalesca Rosa Magalhães em seu último trabalho até aqui, à frente da Paraíso do Tuiuti em 2023. Temas como o machismo e o preconceito com a cultura popular estão presentes na obra, que intercala falas da própria homenageada com depoimentos de quem conviveu com ela e imagens de desfiles que marcaram a carreira da artista.

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Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o diretor e roteirista do documentário, Valmir Moratelli, explicou de onde veio a ideia de produzir um longa dedicado a Rosa Magalhães. Ele também narrou todo o processo até o projeto ganhar vida nas telas.

“A gente já tinha feito um filme intitulado de ‘Prateados’, sobre pessoas idosas, e de alguma forma estávamos procurando uma personagem que pudesse falar sobre outros temas. Sempre buscamos em nossas produções dar visibilidade a grupos que são geralmente esquecidos durante o ano e o carnaval acaba entrando nisso também. Querendo ou não, a grande maioria das pessoas não conhecem os bastidores do que é o Carnaval. E, para quem conhece e quem trabalha com isso, sabe que a figura da Rosa é única. A ideia de falar sobre ela propriamente surgiu quando eu estava assistindo o filme sobre o Joãozinho Trinta. Eu fiquei pensando quem hoje seria a pessoa que poderia representar isso tudo. Eu mandei esse filme para o Libário e disse que a gente tinha que buscar uma personagem assim. Quando eu fiz isso, eu meio que já sabia quem que seria, que representaria tudo isso no Carnaval hoje, e era a Rosa Magalhães. Ele na mesma hora topou e embarcamos nessa ideia”, disse Moratelli.

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Valmir Moratelli e Libário Nogueira são os diretores do filme

“A partir daí, a gente foi atrás da Rosa e tentou convencê-la durante uma semana. Fiquei ligando direto, perturbando, e o Fábio Fabato teve um papel importante para que conseguimos um sim. Ele, como amigo da Rosa, fez essa ponte, apresentou a gente a ela. O engraçado é que quando fomos na casa dela apenas para poder conhecer, fazer uma visita técnica, já levamos câmera, equipamento, e começamos a gravar o filme. Saímos de lá encantados”, completou.

Também diretor do filme, Libário Nogueira detalhou ao site CARNAVALESCO sobre a mensagem que o filme busca deixar no público. De acordo com ele, a principal é a importância de ser enaltecer as manifestações culturais tipicamente brasileiras, em especial as de origem mais popular.

“Nossa maior intenção é realmente trazer essa valorização do que é arte popular brasileira. Como é mencionado no próprio filme, o próprio brasileiro não conhece a arte que tem, o poder que o carnaval possui. Então, a primeira instância é mostrar para o povo brasileiro o que nós temos, e muitas vezes desconhecemos. Em seguida, potencializar isso cada vez mais para o mundo”, garantiu.

Libário exaltou que a obra abre espaço para refletir sobre o papel da mulher na sociedade. “No nosso filme, a gente descobre como uma mulher que resistiu por mais de 40 anos na Sapucaí acaba inspirando outras mulheres em todos os setores. Rosa é resistência, é mulher que acredita em si e inspira outras mulheres. Acredito que é uma das principais mensagens que a gente traz ao público, de uma forma mais ampla”, comentou.

Logo após a sessão, o público presente pode conferir um bate-papo com os diretores do documentário. O jornalista Fábio Fabato e o carnavalesco e comentarista Milton Cunha foram os dois convidados especiais dessa roda de conversa, ambos amigos próximos de Rosa Magalhães, além de estudiosos do trabalho realizado ao longo de décadas pela artista.

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Jornalista Fábio Fabato

“Trata-se da artista em atividade, porque eu a considero ainda assim, mais completa do Carnaval. Quando morrem Fernando Pinto e Arlindo Rodrigues em 1987, quase que no mesmo mês, a festa fica carente de um representante do barroco e outro do estilo indianista. A Rosa Magalhães acaba abraçando esses dois conceitos. Apesar de já ter um título em 1982, é a partir da década de 1990 que ela decola, justamente incorporando esses dois elementos, o do Arlindo e o do Fernando. Uma mulher, em um ambiente absolutamente masculino, muito machista, que representa a força feminina, da arte feminina, e que é a grande professora de todos. Então, eu fico muito emocionado. Acho que a gente tem que louvar a sétima arte de Carnaval, sobretudo quando exalta personagens como a Rosa. E fazer isso com ela em vida é algo ainda mais fantástico, necessário, fundamental, igual o enredo de escola de samba. Eu acho que Rosa tem que ser enredo um dia, de preferência da Imperatriz Leopoldinense, em vida, ou seja, desfilando. Nós temos que celebrar os nossos valores. Em um país que tem um falso compromisso com a memória, que não abraça, é importante a gente contar grandes histórias. E ela como uma grande contadora de histórias, nada melhor do que ter a história dela sendo contada”, avaliou Fabato em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO.

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Comentarista Milton Cunha

“Ela é uma deusa, porque ela compreende o alcance cultural que possuí, mas ao mesmo tempo se coloca dizendo: ‘Olha, gente, eu sou a perfumaria e o samba é o poderoso, a comunidade’. Então, eu acho que ela tem uma visão esclarecida da importância do povo dentro da estrutura. E fazer um filme sobre ela, é jogar os conteúdos de Carnaval que estão em livros impressos nesse audiovisual. Na minha visão, cada vez mais essa indústria vai começar a avançar nos documentários e nas ficções sobre os sambistas. Tomara que o filme premiado dela seja inspirador para que o cinema, a televisão, se dedique a isso. E que bom ter início com uma mulher que é tão emblemática, que tem tanto a dizer sobre a cultura do nosso país, e tudo isso de uma forma muito direta, muito clara. Por exemplo, quando ela pega os camelos que eram chiquérrimos, mas que não tinham o balanço do nosso sertão, ela está dizendo que nós sambistas temos a ginga e que esse outro povo tem um balanço lá deles, mas que não serve para a gente. Dessa forma, ter o filme sobre Rosa é mostrar o gingado da nossa deusa, a deusa magalha”, relatou Milton Cunha, também em conversa ao site CARNAVALESCO.

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Além de Fabato e Milton, diversos nomes ligados ao Carnaval carioca e a Rosa Magalhães estiveram presentes no evento de exibição do documentário, organizado pelo site CARNAVALESCO. Entre as figuras ilustres, estavam o atual diretor executivo da Unidos do Viradouro, Marcelinho Calil, e a presidente da Imperatriz Leopoldinense, Cátia Drumond.

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Diretor executivo da Unidos do Viradouro, Marcelinho Calil

“Todo mundo chama a Rosa de professora e não é atoa. Ela realmente marcou época, conseguiu apresentar na Marquês de Sapucaí carnavais memoráveis. Então, a gente que já tem no país tanta dificuldade em reverenciar os nossos ídolos, é muito importante poder homenagear Rosa Magalhães. Uma mulher, uma artista, que de fato sempre foi a frente do seu tempo e contribuiu absurdamente para a festa, de forma material e principalmente imaterial. Infelizmente, não tive a oportunidade de trabalhar com a Rosa, mas não poderia deixar de estar aqui para aplaudi-la”, declarou Marcelinho Calil.

“A Rosa é a essência da Imperatriz, do Carnaval como um todo. É a mestra, a professora, que ensinou muito desses novatos que estão aí em atividade. É alguém que a gente sente falta. Não ter a Rosa, agora no Carnaval de 2024, vai ser um impacto muito grande. Quem trabalhou, quem conhece, vai sentir essa ausência”, pontuou Cátia Drumond.

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Presidente da Imperatriz Leopoldinense, Cátia Drumond

A presidente da Imperatriz ainda falou sobre a relação pessoal dela com Rosa Magalhães. Antes de assumir o comando da agremiação, Cátia Drumond passou por diferentes funções dentro do barracão, como almoxarife e chefe do setor de compras, tendo atuado por muito anos ao lado da carnavalesca.

“Tive o prazer de trabalhar com ela. Eu ainda aprendendo no barracão, engatinhando, pude ter essa convívio e tirar diversas lições. A Rosa, ali nos anos de 1990, foi a grande campeã da Marquês de Sapucaí. E ela sempre teve muita boa vontade de ensinar a gente. Recentemente, em 2022, tive a felicidade de voltar a trabalhar com ela, mas agora comigo já no posto de presidente da Imperatriz. Depois desse reencontro, só confirmei o quão sensacional a Rosa é. Ela é grande. Falar da Rosa é até difícil, pois posso ficar uma noite inteira e não vou conseguir acabar. É uma pessoa especial, que engrandeceu muito a minha vida e a de qualquer gresilense. Todo mundo é Rosa Magalhães”, afirmou.

‘Não imaginava que fosse conseguir voltar a fazer as coisas que amo’, desabafa passista da Grande Rio que teve braço amputado

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A trancista Alessandra dos Santos Silva, passista da Acadêmicos do Grande Rio, virou notícia ao ter parte do braço esquerdo amputado durante uma cirurgia para retirar miomas no útero. O caso gerou comoção pública e desencadeou uma onda de solidariedade, até mesmo com a criação de uma vaquinha para ajudar Alessandra. A tricolor de Duque de Caxias não ficou de fora da corrente de apoio e decidiu doar uma prótese. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, a passista falou sobre a doação e o suporte que está recebendo por parte da agremiação.

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Foto: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

“Tenho que agradecer muito a direção da Grande Rio pelo gesto, pois todos sabem que uma prótese não é barata. Muito pelo contrário, aliás. Serei eternamente grata a todos os envolvidos, a família Grande Rio, por esse ato de carinho de fazer essa doação. Já fui fazer algumas medidas e foi muito legal ver, experimentar a prótese. É algo que não vai me devolver o membro, mas que irá me ajudar muito em questão de poder fazer as coisas dentro de casa, do dia a dia. Além disso, é muito importante esteticamente. Toda mulher é vaidosa e eu como passista não sou exceção”, afirmou Alessandra.

Após sentir dores e ter sangramentos, a passista realizou uma bateria de exames em agosto de 2002 e descobriu a existência de miomas. Seis meses depois, Alessandra deu entrada no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, para realizar a cirurgia de retirada. No entanto, houve complicações durante o procedimento que acarretaram na remoção completa do útero.

A situação se agravou no pós-operatório e devido a uma necrose no braço foi necessária a amputação. Outros problemas de saúde foram encontrados durante a revisão da cirurgia e Alessandra foi novamente internada. A alta hospitalar só viria um mês depois, em abril. Com o psicológico abalado, a trancista precisou passar por um processo de aceitação e adaptação. Atualmente, ela se diz contente com os resultados que vem obtendo.

“Está sendo maravilhoso esse momento atual, ainda mais tendo em vista toda a situação que vivi no hospital, pensando que a vida acabou, que não teria continuidade, que eu não poderia mais fazer nada. Eu estava sem planos, sem sonhos. De repente, me deparo voltando para quadra para ensaiar, dançando quadrilha… Assim, eu nem consigo acreditar que estou fazendo isso tudo. Não imaginava que fosse conseguir voltar a fazer essas coisas, que são algumas das que mais amo”, relatou Alessandra.

“Só tenho que agradecer mesmo a Deus pela vida. E para as pessoas que estão enfrentando qualquer dificuldade ou estão passando por uma situação parecida com a minha, não desistam dos seus sonhos e não percam as esperanças. Fé e força de vontade ajudam muito nas horas mais críticas. A vida está aí para ser vivida e temos que aproveitá-la ao máximo dentro das nossas possibilidades”, complementou.

Há quase 20 anos, Alessandra integra a Shock do Painho. A quadrilha de salão, originária de Duque de Caxias, foi uma das que se apresentaram na Cidade do Samba durante a festa julina promovida pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). Apesar de não ter obtido o primeiro lugar no concurso, o conjunto faturou um prêmio de R$ 10 mil por ter chegado a final. Na conversa com o site CARNAVALESCO, a passista comentou sobre a experiência de se apresentar com o grupo no arraiá.

“Só tenho o quê parabenizar pela iniciativa de ter um evento como esse na Cidade do Samba, a estrutura que foi montada e a organização em si. A premiação que foi proporcionada para as quadrilhas vai ajudar muito esses conjuntos. Quem faz quadrilha sem patrocínio tem muitos gastos, a minha é um exemplo disso. Fazemos o que podemos e o que não podemos para conseguir ir para rua. Só quem passa por isso sabe o quão difícil é. Então, uma premiação dessas já vai ajudar bastante. E não só no caso da Shock do Painho, mas de todas de uma forma geral”, pontuou.

Devido as questões de saúde, Alessandra ficou de fora do desfile da Grande Rio em 2023, algo que não pretende repetir no ano que vem. Agora que está retomando a sua vida normal, ela não esconde a empolgação, além da ansiedade, por poder voltar a pisar no Sambódromo defendendo a tricolor de Caxias.

“Não desfilei este ano por conta da minha internação, mas 2024 estarei na Marquês de Sapucaí junto da Grande Rio nem que eu tenha que pegar um helicóptero e descer no meio da pista! Vou desfilar e espero ajudar a trazer o campeonato novamente para Caxias, pois quando a nossa comunidade coloca o pé na Avenida é de verdade mesmo, é para poder vir quebrando tudo. Então, vamos continuar com garra, com força, com o canto que é uma das principais armas que temos, para alcançar esse título. Quero voltar sendo campeã novamente!”, assegurou a passista.

Em 2024, a Grande Rio será a quarta escola a se apresentar no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro. A agremiação irá em busca do segundo título de sua história no Grupo Especial com o enredo “Nosso destino é ser onça”, assinado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.

De volta a Unidos da Tijuca, Lucinha Nobre comemora posição de desfile: ‘Melhor de domingo’

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Pelo segundo ano consecutivo, a Unidos da Tijuca irá desfilar no domingo de Carnaval. Desta vez, a amarelo ouro e azul pavão vai ser a quinta agremiação a cruzar a Marquês de Sapucaí. Após o sorteio que determinou a ordem das apresentações em 2024, o site CARNAVALESCO conversou com a porta-bandeira Lucinha Nobre, que está de volta à escola após mais de uma década, e ela comentou sobre essa posição.

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Foto: Isabelly Luz/CARNAVALESCO

“Eu acho que a melhor posição de domingo é a quinta escola a desfilar. A energia da Sapucaí está boa, as pessoas estão lá, todo mundo ainda está feliz ali, naquela expectativa… Já que a gente caiu domingo, eu estava torcendo para ser a quinta escola. Então, eu estou muito contente”, avaliou Lucinha.

A última vez que a Unidos da Tijuca desfilou como quinta escola de domingo foi no Carnaval de 2005. Na época, após surpreender no ano anterior com o trabalho realizado pelo então estreante no Grupo Especial Paulo Barros, a passagem da escola era bastante aguardada pelo público e essas expectativas não foram em vão. Com mais um show de criatividade e inovações do carnavalesco, a agremiação repetiu o vice-campeonato com o enredo “Entrou por um lado, saiu pelo outro… E quem quiser que invente outro!”, que abordava as cidades e reinos do imaginário humano. Uma curiosidade é que, na ocasião, Lucinha era a responsável por conduzir o primeiro pavilhão tijucano.

“Estou na expectativa de fazer em 2024 um dos meus melhores desfiles. Sempre tive muita sorte na Tijuca, o auge da minha carreira foi aqui. Estou fazendo parceria com um mestre sala incrível, com uma energia boa, em uma escola que eu amo. Está tudo certo!”, assegurou.

Por estar em uma posição de desfile ímpar, a Unidos da Tijuca irá se concentrar nos Correios em 2024, lado preferido por muitas escolas justamente por oferecer menos dificuldades logísticas que o Balança Mas Não Cai. Ao ser questionada sobre o assunto, Lucinha relatou, no entanto, não fazer muita distinção entre os dois lados.

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“Concentrar nos Correios ou no Balança não muda nada no meu caso. Tanto faz para um lado ou para o outro. Eu acho que o mais importante nisso é a energia estar muito boa. Você entrar em quinta posição é excelente e eu estou muito feliz”, pontuou.

Sobre os preparativos para o Carnaval de 2024, Lucinha Nobre relatou já estar mantendo uma rotina de ensaios com o mestre-sala Matheus André. Ela se mostrou satisfeita com os resultados que a dupla está obtendo nos treinos até aqui e elogiou o novo parceiro de dança.

“A gente está trabalhando muito. Eu e o Matheus não tivemos férias. Terminou o Carnaval de 2023 e uma semana depois da quarta-feira de cinzas, na outra quarta-feira, já estávamos ensaiando. E assim a gente vai até o desfile de 2024. Posso dizer que estou apaixonada pelo que estamos construindo. Matheus é pirueteiro, tem uma energia muito boa, é um jovem mestre-sala, do jeito que eu gosto”, declarou Lucinha.

Na sua primeira passagem pela Unidos da Tijuca, a porta-bandeira permaneceu por oito carnavais, de 2002 a 2009, defendendo o primeiro pavilhão da amarelo ouro e azul pavão. Neste período, a relação dela com o presidente da agremiação, Fernando Horta, se tornou bastante próxima, algo que foi fundamental para o retorno depois de quase 15 anos.

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“Quando acabou o Carnaval de 2023, eu achei tanta coisa ruim, fiquei muito triste. Mas, a partir do momento que Fernando Horta me ligou e trouxe o Matheus para dançar comigo, as coisas mudaram na minha vida. Estar de volta debaixo das asas do Fernando Horta é muito bom, ele é como se fosse um pai para mim. Eu perdi o meu pai em 2008 e a minha maior referência neste sentido, depois do meu, sempre foi o Fernando Horta. Mesmo quando eu não estava na Tijuca! Este retorno é como se eu tivesse voltando para casa, para os braços da minha família”, afirmou a porta-bandeira.

Representantes do carnaval concorrem a vagas no Conselho Municipal de Cultura do Rio de Janeiro

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Está ocorrendo o processo de escolha dos candidatos da Sociedade Civil para o Conselho Municipal de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro, que é uma instância de representação na Gestão Pública da Cultura no Município. Órgão colegiado deliberativo e consultivo, integrante da estrutura básica da Secretaria Municipal de Cultura, com composição paritária entre Poder Público e Sociedade Civil, se constitui no principal espaço de participação social institucionalizada, de caráter permanente, na estrutura do Sistema Municipal de Cultura.

Entre os dias 18 e 23 de julho ocorreram as etapas regionais, referentes as cinco áreas de planejamento em que a cidade do Rio de Janeiro está dividida, os candidatos e candidatas nesta etapa eram dos bairros, territórios e comunidades da região, o objetivo é garantir a que todas as grandes áreas estejam representadas na segunda fase, agora correspondendo a todo o município, realizada de forma virtual, para se habilitar como eleitor, é necessário clicar no link: https://eleicaocmpcrio.com.br/ e fazer a inscrição é necessário inserir documento de identidade e comprovante de residência, as inscrições vão até o dia 31 de julho e a votação ocorre nos dias 4 e 5 de agosto, sexta e sábado respectivamente.

Conheça o mapa geral da cidade e quem são os representantes das escolas de samba na Eleição do Conselho Municipal de Cultura do Rio de Janeiro.

Audiovisual, comunicação e novas mídias – AP4
Vinicius Moraes
Baiano de nascimento, carioca de alma, mangueirense apaixonado, frequentador assíduo dos ensaios do Palácio do Samba, componente da Ala de Comunidade, Vinicius é produtor audiovisual, designer, empresário.
Para se inscrever na cadeira de audiovisual e votar em Vinicius clique no link: https://eleicaocmpcrio.com.br/

Carnaval
Gabriella Neves – AP1
Nascida, criada e vivendo em Morro de Mangueira, Gabriella é neta do lendário Hélio Turco maior compositor de sambas-enredo de Mangueira, e seu presidente de honra recentemente falecido. Neves é bacharel em direito, começou a desfilar com um ano de idade, atualmente é passista de Mangueira.

Para se inscrever na cadeira de carnaval e votar em Gabriella Neves clique no link: https://eleicaocmpcrio.com.br/

Cultura popular e artesanato
Carol Souza – AP2
Bacharel em direito, graduanda em pedagogia, educadora popular, ativista social e cultural em defesa das favelas, é presidenta da Favela.Ong que realiza diversas ações pelas comunidades do Rio.
Nascida no Morro do Borel é mangueirense apaixonada

Para se inscrever na cadeira de cultura popular e artesanato e votar em Carol Souza clique no link: https://eleicaocmpcrio.com.br/

Dança
Evelyn Bastos – AP1
Rainha de Bateria de Mangueira, com dez anos de mais absoluto e irretocável reinado colocado em defesa dos oprimidos, educadora física, graduanda em história, é atual presidenta da Mangueira do Amanhã escola de samba mirim fundada em 1987 pela cantora Alcione.

Para se inscrever na cadeira de dança e votar em Evelyn Bastos clique no link: https://eleicaocmpcrio.com.br/

Economia criativa e empreendedorismo cultural
Vitor Art – AP1
Um dos jovens talentos de Mangueira, Vitor Art desfilou na escola mirim pela primeira vez com 6 anos, foi ritmista da Bateria e instrumentalista da Orquestra Adro Brasileira. Atualmente é músico, cantor, compositor, produtor musical, já tendo sido Mestre de Bateria, sendo atual Diretor Musical de Mangueira.

Para se inscrever na cadeira de dança e votar em Evelyn Bastos clique no link: https://eleicaocmpcrio.com.br/

Identidade afro
Claudiene Esteves – AP1
Uma das mais famosas e populares Rainhas de Bateria que Mangueira já teve, Claudiene é pedagoga, ocupa o cargo de Musa além de ser atual Vice-Presidente Social da agremiação.

Para se inscrever na cadeira de identidade afro e votar em Claudiene Esteves clique no link: https://eleicaocmpcrio.com.br/

Infância, cultural material e imaterial e memória
Guesinha – AP1
Filha de Dona Neuma e neta de Saturnino Gonçalves, fundador e primeiro presidente da escola. Márcia Silva Machado, a Guesinha é umas das figuras mais populares de Mangueira, sendo conhecida pelo seu bom humor e aparência física com a mãe. Recém alçada ao posto de baluarte, possui toda uma vida de dedicação a verde e rosa.

Para se inscrever na cadeira de infância, juventude e idoso e votar em Guesinha clique no link: https://eleicaocmpcrio.com.br/

Selma Couto – AP2
Presidenta de Ala, atua com projetos sociais de crianças há mais de trinta anos, voluntária da Mangueira do Amanhã.

Patrimônio cultural material, imaterial e memória
Paulo Ramos – AP1
Filho de um dos mais importantes personagens da Estação Primeira, seu pai, Zé Ramos, é um dos fundadores da Ala de Compositores, Paulo Ramos, escreveu a sua própria, Vice-Presidente Social, por mais de dez anos realizou diversos projetos, na década de 60, como amigo de Hélio Oiticica foi um dos construtores das pontes que aproximaram o Morro do asfalto.

Para se inscrever na cadeira de patrimônio cultural material, imaterial e memória e votar em Paulo Ramos clique no link: https://eleicaocmpcrio.com.br/

Jorge Silveira e Leonardo Antan revelam curiosidades da ‘Brasiléia Desvairada’ da Mocidade Alegre para 2024

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Após conquistar o 11º título da elite do carnaval paulsitano, a Mocidade Alegre decidiu por apostar na mesma fórmula de sucesso do enredo de 2023, que uniu uma história original e inovadora a um tipo de enredo ao qual a escola costuma se dar muito bem. A equipe do site CARNAVALESCO conversou com o carnavalesco Jorge Silveira e o enredista Leonardo Antan, que explicou a origem da proposta do tema (“Brasiléia Desvairada: A busca de Mário de Andrade por um país”) para o desfile em que a Morada do Samba buscará o bicampeonato consecutivo.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

“Foi muito difícil pensar algo para depois do Yasuke, dar essa ideia de continuidade. Tivemos a ideia de cultura, que é muito diferente do Yasuke. Tentamos alguns caminhos antes do Mario, apresentamos algumas ideias para a escola. Eram ideias, de alguma maneira, muito parecidas com coisas que a escola já havia feito, e a escola nos pediu algo diferente. Acho que o Yasuke trouxe esse verniz de unir o trabalho do Jorge com o trabalho da Mocidade Alegre, e dar uma cara ao mesmo tempo familiar e diferente. Acho que a junção disso foi um grande acerto. A partir disso, nos motivamos a pensar o que seria isso, o diferente, mais familiar para a Mocidade Alegre, e fomos descobrindo essas coincidências de ser uma escola que já pensou muito São Paulo e brasilidade. Chegamos na figura de Mário de Andrade, que me acompanha há muito tempo, sempre me despertou interesse por ser esse desbravador e construtor da cultura brasileira. É isso que une o meu trabalho com o Jorge, um ponto de convergência muito importante e que agora estamos acompanhados de Mário, somos quase um trisal nesse sentido, pensando esse assunto”, contou Leonardo.

Busca de Mário de Andrade por um país

A importância da obra de Mário de Andrade é incalculável para as mais diferentes áreas. O objetivo do enredo da Mocidade Alegre, de acordo com Jorge Silveira, é focar no trabalho que inspirou registros como os apresentados no livro “Turista Aprendiz”, concluído em 1943.

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“Especialmente o foco que vamos dar ao trabalho é o foco no olhar do Mário sobre o próprio Brasil. Vamos caminhar pela interpretação do Mário nessa trajetória de descoberta desse Brasil profundo, esse Brasil distante da capital. Vamos passear necessariamente por aquilo que é mais autêntico, genuíno e original da nossa cultura, das nossas manifestações, da alegria do nosso povo. Esses símbolos, essas imagens que compõem o nosso imaginário sobre a diversidade brasileira são a matéria-prima que eu vou transformar em fantasias e alegorias. Esse caldo intelectual todo o Léo traz com toda a pesquisa dele, com todo conteúdo e a formatação das ideias. A maneira como ele conseguiu ler a viagem do Mário e traduzi-la de uma forma que me entregue um material rico o suficiente para gerar as imagens. Tem uma coisa que eu gosto muito de trabalhar com o Léo e temos uma facilidade muito grande, que deu muito certo no Yasuke, é a geração de imagens. O carnaval é uma festa audiovisual, e precisamos ser claros na transmissão da nossa informação, é uma obrigação nossa levar esse conteúdo. Esse carnaval tem um papel educativo muito importante, de educar a nossa visão sobre a nossa própria matriz cultural. Quanto mais claro formos, mais direto e mais didáticos, eu acho que isso contribui para que a leitura do carnaval seja boa. Mário deixou um farto material de referências para que possamos nos guiar”, explicou Jorge.

Busca pelas origens do samba paulista

A parte final do desfile será dedicada ao trabalho de Mário de Andrade em busca de conhecer as origens do samba paulista, no chamado samba rural. Leonardo Antan destaca a importância de se falar a respeito das raízes do carnaval de São Paulo.

“Essa parte para nós foi uma parte muito querida nesse enredo, porque é algo que cabe pensar aqui no carnaval de São Paulo. Estamos pensando o carnaval de São Paulo, o carnaval dessa cidade e o samba dessa cidade. Para nós é muito importante pensar o samba que se desenvolveu em São Paulo. O samba em São Paulo tem uma matriz rítmica diferente do samba do Rio. São origens distintas. A origem do samba paulistano foi definida pelo Mario de Andrade como “samba rural paulista”. Ele tem um texto, que é da década de 1930, em que ele foi a Pirapora do Bom Jesus, que é esse berço de encontro de ex-escravizados e de negros nesse período do início do século XX e que criaram essa matriz rítmica do samba de São Paulo. Terminamos o nosso enredo relembrando e festejando simbolicamente a festa de Bom Jesus de Pirapora como essa matriz. É uma cidade hoje tocando a herdeira dessa tradição do samba de Pirapora. Mário, como essa figura que peregrinou não só Brasil, mas peregrinou também dentro do estado de São Paulo. Terminamos fazendo essa brincadeira, de que depois de passear o Brasil inteiro, ele passeou aqui mais pertinho para pesquisar e pensar o samba rural paulista. Falamos muito sobre a casa da Tia Ciata, sobre esse espaço do samba carioca que é fundamental, mas esquecemos que aqui em São Paulo tem uma outra matriz. É a contribuição de outras pessoas, de Madrinha Eunice e toda essa galera que vinha de Pirapora e que fundou os primeiros grupos carnavalescos aqui em São Paulo”, declarou o enredista.

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Jorge Silveira é um carnavalesco carioca cujo talento é reconhecido no eixo Rio-São Paulo. Questionado sobre alguma curiosidade que se destacou ao longo dessa pesquisa sobre as origens do samba paulista, o artista revelou que para 2024 o foco de sua atenção está mais próximo com a ponta oeste da Via Dutra. Para Jorge, o sentimento de desfilar em ambos os carnavais não tem distinção.

“Isso dá um podcast! Mas assim, muitas vezes me fazem essa pergunta porque eu sou talvez um dos que mais faz fluência entre Rio e São Paulo. Eu brinco dizendo que eu fiz cinco carnavais no Rio, cinco carnavais em São Paulo, mas farei o 11º invertendo a tabela para São Paulo, então estou mais paulistano que carioca. Claro que existem tecnicamente diferenças, maneiras de fazer diferentes, tem sonoridade diferente, tradição diferente, mas no fundo o sentimento é o mesmo. Quando toca aquela sirene, o sentimento lá na curva da Sapucaí ou quando entra no Anhembi é a mesmíssima coisa, porque bate no coração da gente com muita forte. O jeito de fazer é diferente, tem peculiaridade, mas sentimento é o mesmo, é o que nos une enquanto brasileiros. Eu tento enxergar mais o que nos une do efetivamente aquilo que nos separa”, destacou o carnavalesco.

Brasiléia Desvairada de Fernando Pinto

A escolha de “Brasiléia Desvairada” para o título do enredo causa uma inevitável comparação com o nome do enredo campeão da escola de samba Estácio de Sá em 1992 “Paulicéia Desvairada – 70 anos de Modernismo”. Questionado se esse e outros desfiles serviram de base para dar nome ao carnaval de 2024 da Mocidade Alegre, Leonardo Antan conta, porém, que a referência é anterior a essa, de um projeto que nunca vira a luz de um dos maiores nomes da história do carnaval brasileiro.

“Tem uma lista! Um ponto muito em comum do nosso trabalho é que somos malucos por carnaval. Para fazer esse enredo, assistimos uns cinco desfiles juntos. Ficamos na casa do Jorge assistindo desfiles, uma coisa chatíssima (risos). Assistimos o Paulicéia, assistimos Villa-Lobos do Renato Lage, que acho que é um desfile parecido de alguma medida também da época do nosso enredo, de dois pensadores do Brasil. Trazemos a ideia da Paulicéia muito mais para o trabalho do Mario que para o desfile da Estácio. Entender que a Paulicéia era pequena, que a Brasiléia era algo que ele precisava se deter mais abrangentemente. E o título tem uma brincadeira também com Fernando Pinto, que tinha um enredo chamado “Brasiléia Desvairada” que ele nunca desenvolveu, que ele disse em entrevista. A “Brasiléia Desvairada” aparece no final de “Tropicália Maravilha”, desfile de 1980 da Mocidade Independente de Padre Miguel, então para nós traz um aroma de Fernando Pinto nessa brincadeira, nessa salada que o desfile representa para a gente”, concluiu.

‘Mancha Verde de esperança!’ Com emoção em anúncio, escola define samba para o Carnaval 2024

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Por Gustavo Lima e Lucas Sampaio

A Mancha Verde definiu na noite do último sábado o seu samba-enredo para o Carnaval 2024. O evento foi acompanhado com o seu tradicional ‘arraiá’ de festa julina, e nem mesmo o grande frio de São Paulo afastou o componente da escola para acompanhar a disputa. A decisão foi composta por três sambas (3, 5 e 7). O primeiro a se apresentar foi o da dupla Edinho Gomes e Gilson Bernini e, após, foi a vez do time de Bruno Rodrigues e cia. Para fechar, a parceria de Lico Monteiro e cia foi a última a subir no palco e venceu a disputa. A agremiação será a sexta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval.

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Fotos: Gustavo Lima e Lucas Sampaio

Com forte discurso do presidente Paulo Serdan e entrega do pavilhão do enredo para o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, o intérprete Fredy Vianna deu a voz do samba e os compositores fizeram a festa no palco, onde levaram um grande troféu como premiação pela vitória.

Os responsáveis pelo hino da Mancha para 2024 são: Lico Monteiro, Tinga, Marcelo Lepiane, Leandro Thomaz, Richard Valença, Jeferson Oliveira, Telmo Augusto, João Perigo, Lucas Macedo, Ailson Picanço, Rodrigo Peu, David Gonçalves, Tiago Caldeira e Paulo Sergio

História da obra

Um dos sambas do Carnaval de 2022 e que deu o título para a agremiação é fruto desta parceria. O compositor bicampeão pela escola, Leandro Thomaz, descreveu o sentimento em sair vencedor nesta noite. “É a nossa terceira final consecutiva e o nosso segundo samba na Mancha Verde. É só gratidão pela aposta da escola no nosso trabalho. A Mancha faz parte da nossa história como parceria, porque o jeito em que vivemos a pandemia em 2020 na tela do computador e depois no Anhembi em 2020, foi simplesmente mágico. Foi o meu primeiro ano e de cara a escola acreditou na nossa poesia. Foi a famosa ‘água de benzer’, fiquei muito feliz e lembro como se fosse ontem a arquibancada vibrando com a gente. Isso só nos motivou. Então, estar aqui nessa terceira final consecutiva e vencer, é só uma confirmação da parceria. Uma união de ideias e energias. Que bom que a gente conseguiu retratar o que o André pensou, e principalmente o presidente Serdan que trabalha muito e está sempre no ‘front’ pela escola”. É uma parceria grande que exalta e trabalha em conjunto em prol da Mancha Verde”, disse.

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Leandro ainda disse que, como a parceria é entre São Paulo e Rio de Janeiro, algumas reuniões ocorreram pela internet com o objetivo de colocar a obra em prática. “Foi quase que uma feitura híbrida. A gente fez alguns encontros presenciais, mas sempre trocando pelo Whatsapp, porque é uma parceira Rio e São. Porque como eu falei, fizemos o melhor pela Mancha Verde. Também, por estarmos juntos por quatro anos, nos entendemos uns aos outros. A parte que eu mais é a segunda. Fala justamente da vida do homem no campo”, completou.

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Presidente comenta enredo e hino

O presidente Paulo Serdan, tem papel fundamental em tudo quanto é escolha dentro da Mancha Verde. É um mandatário ativo, toma a linha de frente, tem ideias de desfile, coloca em prática e, desta vez, não está sendo diferente. Assim como em 2023, onde ele levou o “Xaxado” de tema, no próximo Carnaval, Serdan mostrou a ideia do agro para o carnavalesco André Machado desenvolver e, por enquanto, tem dado tudo certo no projeto. “A ideia do enredo surgiu de uma amiga minha conversando comigo. Vendo essa polarização, onde as pessoas estão denegrindo o agro, querer colocar na sarjeta é um pecado. Tem o seu lado ruim, mas isso não pode acontecer. A gente fez uma viagem para Pato de Minas para conhecer a Fundação Brasil Amor e tivemos uma aula absurda do que é ser apaixonado pelo que faz. Não é só dinheiro. A gente saiu de lá podendo fazer mais dois enredos. A nossa vontade é essa, não queremos ficar apontando o lado ruim do agro. Se estamos alimentados, vamos ao mercado, compramos frutas, tanto faz. Ninguém quer saber como acontece. Quando começa-se toda especulação em cima das coisas ruins, que tem em todo lugar, até dentro da minha entidade, eu não posso ser esse cara que vai apontar. A gente quis olhar esse outro lado e acertamos. Foi uma ideia mais ou menos minha e que tem dado muito certo”, explicou o presidente.

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O dirigente também é quem comanda as reuniões com o objetivo de escolher os sambas e transmite opiniões muito claras sobre o sistema. Pelo o que dá a entender, será desse jeito por um bom tempo. “Foi um ano bem gostoso de fazer as eliminatórias. Na verdade, foi o melhor. A gente tinha grandes sambas e foi curtindo. Cada ano que passa o nosso pessoal está gostando da nossa forma de escolher. Vem todos os setores da escola: comissão de frente, harmonia, diretor da ala das baianas, ala da comunidade, pessoal das fantasias e é uma média de 32 pessoas a cada noite de reunião”, declarou.

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A mudança no quesito será feita, mas segundo o presidente, a sinopse foi entregue já pensando nessas questões. “Quando entregamos a sinopse, já fizemos pensando no novo regulamento, mas tem coisas que a gente não tem que ouvir agora para ver se a harmonia de cordas está encaixada ou não. Mas aí é uma parte deles, mas graças a Deus a gente tem um time excelente e escolhe o que se sente melhor cantando e dá nas mãos deles para consertar. Sobre a letra, esse samba não vai mexer em nada na letra. No Carnaval passado a gente já tinha mexido em alguma coisa antes de chegar na final, mas todos estavam absurdamente dentro”,

Se adequar ao samba

Fredy Vianna, intérprete oficial, falou sobre o samba-enredo. O cantor é experiente e está indo para o seu décimo primeiro Carnaval defendendo a Mancha Verde. Vianna parabenizou a escolha da escola “A Mancha tem um método de escola muito coerente. Nós vamos eliminando sambas cantando aqui fazendo dinâmicas imaginando como seria a voz da comunidade. No meu modo de ver é um grande samba, bonito. Claro que quando termina uma eliminatória a gente tem que lapidar e jogar na voz do intérprete, na minha região, mas no geral é um samba belo e diferenciado que a Mancha vai levar para a avenida”, declarou.

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É sabido que o carro de som será julgado a partir de 2024 e é uma novidade para todos os intérpretes. De acordo com Fredy, vale atenção máxima e o estudo do samba será muito importante para contribuir nessa nova regra. “A gente não pode vacilar. Vai ter várias pegadinhas nisso. A gente vai estudar todo o samba para não ter nenhum tipo de falha. Por exemplo, uma ‘cacofonia’ não pode acontecer. Também não podemos deixar escapar de formar uma outra palavra e dar um entendimento errado. Tem um lance de contracanto que a minha ala musical é acostumada a fazer e no próximo ano tem que tomar cuidado. Temos que deixar o samba cada vez mais solto para o jurado não ‘canetar’ a gente”, finalizou.

Sistema de escolha

Paolo Bianchi, diretor de carnaval, falou da importância de como a Mancha tem optado por fazer suas definições. Segundo o diretor, o canto interno é primordial para a decisão dos sambas que vão para as finais.

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“Esse sistema tem sido benéfico porque passamos alguns anos atrás por processos difíceis de escolha. Aprendemos a ouvir a opinião de todos. Entendemos que o samba no CD e no palco tem um efeito, e quando você canta ele quase 25 dias seguidos é outro. Viemos todos os dias na semana praticamente, salvo algumas exceções. Cantamos o samba, sentimos o samba. Experimentamos eles várias vezes e dá para sentir se irá funcionar. Muitos sambas funcionam bem no CD e no palco, mas na avenida ele não funciona. É um processo bom tecnicamente e bom para o clima da escola. Não temos aquela disputa, não permitimos que a própria diretoria entre em uma ‘vibe’ de discussão, vamos harmonizando e sentindo. Fazemos ali na sala uma última reunião para tomar a decisão junto com o presidente, e acho que é o quinto ou sexto ano que a gente tem o anúncio ali, e você não tem frustração. Mesmo aqueles que tinham preferência por outro samba, e respeitamos isso, saem dali felizes. É muito importante para o clima da escola. Daqui pra frente começou o carnaval de verdade, e a diretoria tem que se encaminhar para esse lado. Esse samba cresceu durante o mês de audição que fizemos. Ele retrata muito fortemente o nosso enredo, e tem um ‘swing’ que me agrada muito. A harmonia e a melodia dele me agradavam muito. Juntou as duas coisas, tanto o conteúdo de enredo quanto a melodia, ela é bem diferenciada do que vínhamos trazendo nos últimos sambas”, explicou.

Primeiros passos para o bailado

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcelo Silva e Adriana Gomes, opinaram sobre a obra. Obviamente tal escolha reflete em todos os segmentos, mas vale uma atenção especial no quesito de mestre-sala e porta-bandeira, visto que a chance de mudança é muito grande. Embora a dupla não tenha mencionado tanto, vale destacar a importância da coreografia enfatizada por ambos. “Eu acho que é a etapa mais complicada. Depois da escolha do enredo é a escolha do samba-enredo, porque ele se torna vital para tudo que irá acontecer até o dia do desfile. É o desenvolvimento com a bateria, com o time de canto, e para a nossa coreografia e da comissão de frente. Acho que a escolha foi grandiosa e difícil porque temos grandes compositores de samba-enredo no carnaval, e quando eles escolhem fazer um samba na Mancha Verde é uma honra. Acho que devemos respeitar todos que dedicaram seu tempo para fazer suas letras e melodias para a escola. Foi uma festa bonita, e acredito que teremos um grande hino para o Carnaval. Até lá seremos muito felizes, podem ter certeza, diz a porta-bandeira, Adriana.

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“O trabalho que a Mancha Verde faz desde o início, com as audições, acho muito importante. Todos participam, representantes de todos os segmentos. Eu confio na minha escola e em todos que participaram das audições. Acho que em qualquer final de samba-enredo todos os sambas tem condições de ir para a Avenida, mas ela foi feita para perceber os detalhes de cada um em relação ao que a escola está preparando para apresentar na Avenida, como irá desfilar. Seja qual fosse o samba que ganhasse, seria um samba com condições para ir para a Avenida. Os três sambas tinham condições, porém no dia da final essa audição tem que ir além da audição. Imaginar o desfile, o que irá acontecer na Avenida, como será a ordem de apresentação do enredo, e é assim que se chega na decisão. Eu confio na minha comunidade, é um samba bonito e vamos com ele. Agora é a nossa audição, minha e da Adriana, para incorporarmos essa audição na nossa dança”, completou o mestre-sala, Marcelo.

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Escolha certa

André Machado, carnavalesco vice-campeão, ganhou um grande voto de confiança e está indo para o seu segundo ano de Mancha Verde. O profissional também é convocado para ouvir os sambas concorrentes. Machado foi mais um que elogiou a condução de eliminatórias da agremiação e concordou totalmente com a escolha do hino para 2024.

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“O processo de escolha de samba aqui da Mancha é diferente de tudo que já vi, e eu acho muito assertivo. A Mancha convoca todos os diretores para ficarem um mês praticamente trancados dentro de uma sala ouvindo todos os sambas. As duas primeiras semanas ouvindo os sambas através do CD e as duas últimas semanas que antecedem a final a gente vem pra cá para cantar. Primeiro começamos a cantar três passagens de cada samba e por últimos ficamos 15 minutos cantando os três sambas, para podermos avaliar aqueles que são realmente bons para cantar e desenvolver na Avenida. Diferente de todas as outras escolas, o processo gera amizade e união entre os diretores, porque estamos aqui todos os dias para escolher o melhor. Durante essa escolha, uma coisa que eu acredito muito é que estamos em torno de uma mesa, comendo juntos, repartindo o pão. Isso acaba aproximando, criando laços afetivos dentro da diretoria. Não existe rivalidade. Não vou escolher um samba só porque eu quero, vou escolher um que agrade a todos, e isso foi do início ao fim. Os três sambas que foram para a final eles mereciam porque foram os sambas que essa galera escolheu, e hoje o samba campeão foi da mesma forma. Graças a Deus a Mancha foi muito assertiva. É um samba que irá contar de uma maneira muito bacana o nosso enredo, de uma leitura muito fácil. Um samba que eu acredito muito que é escrito de uma forma poética, um tipo de samba que eu gosto e que eu aprendi a gostar. Se tudo der certo, a Mancha tem tudo para ser campeã do Carnaval. Quando você tem um samba que conta bem a história e permite o componente cantar evoluir é meio caminho andado para o campeonato”, opinou.

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Mancha Verde: samba-enredo para o Carnaval 2024

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Compositores: Lico Monteiro, Tinga, Marcelo Lepiane, Leandro Thomaz, Richard Valença, Jeferson Oliveira, Telmo Augusto, João Perigo, Lucas Macedo, Ailson Picanço, Rodrigo Peu, David Gonçalves, Tiago Caldeira e Paulo Sergio

Ocô, sua flauta anunciou
A colheita verdejou… Na terra
Regou a missão de Olorum
Junto à forja do senhor da guerra
Vai o legado… No balanço desse mar
Solo sagrado germinou a plantação
Ê, caiana levada pro cais
A força dos cafezais
Vem da fé que ergueu essa nação

Escorre à enxada o suor que vem do povo
Em cada grão a liberdade na raiz

Escorre à enxada o suor que vem do povo
Traz na semente o futuro do país

Brasil onde mora o verde
Brasil, teu celeiro partilha
Coragem na busca de um sonho
À mesa o amor da família
Orvalho que toca a viola
Dá o tom pro matuto versar
Levando aos céus
As bênçãos dessa noite de luar
Se as lágrimas molham a terra
Eu faço um samba em oração
Meu São José, nos dê a tua proteção!

Antes do galo cantar
Da flor do campo nascer
Vem semear a nossa eterna aliança
E da semente, o amor
A nossa gente plantou:
Mancha Verde de esperança!