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Santa Cruz define samba-enredo para o Carnaval 2024

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A Santa Cruz escolheu no último sábado seu samba-enredo para o Carnaval 2024. A escola levará para a Avenida o enredo “As bruxas estão soltas”, desenvolvido pelo carnavalesco Cid Carvalho. A obra vencedora da parceria de M. Glacê, Ditão, Charuto, M. Borboleta, Marquinho Bombeiro, Igor, Mathias, Eduardo Sítio Eu e Ela, Mel e Fernando de Lima. A festa da final teve um grande show dos segmentos sob a direção do coreógrafo e diretor artístico, David Lima, revivendo antigos carnavais.

Essa magia me arrepiou
À Santa Cruz enfeitiçou
Soltando as bruxas vou pra avenida
A Zona Oeste tá feliz da vida

Energias ancestrais
Se espalham e vibram
Com o poder que a terra atrai
4 elementos mostram a força da mulher
Tem as ciganas, sacerdotisas
As curandeiras, seus rituais
As trevas medievais

Sem vassoura na mão, mas com samba no pé Bruxaria ou não, tem que ter fé
Não ao machismo vou decretar
Pode aplaudir senão feitiço eu vou jogar

Mexe o caldeirão
Poção do amor tá preparada
Chega de perseguição
Escolha é pra ser respeitada
Vem celebrar as tradições
Enfeitiçando corações
Sim, é pra valer, a resistência vai vencer Deusas que deram a vida por nós Sempre lutando, desatando os nós
Vou cantar numa só voz

Parceria de Robinho vence disputa de samba da Acadêmicos de Jacarepaguá

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A Acadêmicos de Jacarepaguá escolheu o seu samba-enredo para o carnaval de 2024. Em uma disputa acirrada, a agremiação cantará a obra dos compositores Robinho, Dimas Mello, Licio Pádua, Marcinha, Cláudio Gladiador, Madalena e Márcio Sá embalando o enredo “Quem tem sua capa, escapa!”.

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Foto: Divulgação

“Mais uma vez tivemos uma grande disputa em nossa agremiação e o samba que ganhou nos conduzirá ao título da série prata rumo à Marquês de Sapucaí. Já iniciamos os trabalhos de protótipos e a nossa escola virá para brigar por essa vaga. A partir de agora esse é o hino que iremos defender”, revelou a Presidente Fernanda Mello

A Acadêmicos de Jacarepaguá será a décima segunda escola a desfilar, no sábado das campeãs, dia 17 de fevereiro, pela Série Prata. A agremiação tem como enredo “Quem tem sua capa, escapa!”, dos carnavalescos George Giordano e Raphael Nascimento.

BATE FORTE O MEU ATABAQUE
QUE INVADE A NOITE ATÉ O AMANHECER
ME PROTEJA EM SUA CAPA
TRANCA RUA NA ENCRUZILHADA, LAROYÊ!
DEU MEIA NOITE O GALO JÁ CANTOU
TOCAM OS SINOS JÁ É MADRUGADA
CARREGA SEU PUNHAL E UM TRIDENTE
FIEL AMIGO PELA SUA ESTRADA
QUANDO PASSAR NA ENCRUZA
NÃO ESQUEÇA DE OLHAR PRA TRÁZ
RESPEITE O DONO DA RUA
SIGA SEU CAMINHO EM PAZ

O CÉU HOJE ESTÁ MAIS ESCURO
TAMBORES VÃO LHE ANUNCIAR
É SEU TRANCA RUA DAS ALMAS
NA ACADÊMICOS DE JACAREPAGUÁ
(LAROYÊ EMOJUBÁ!)

SANTO ANTÔNIO DE BATALHA
FAZ DE MIM BATALHADOR
QUANDO QUEIMARAM A MULHER NA FOGUEIRA
A SUA JUSTIÇA SE FEZ VERDADEIRA
A ELA NAS CINZAS, ELE SE JUNTOU
MARIA MULAMBO CAMINHA AO SEU LADO
E NAQUELA NOITE ELE GARGALHOU
SACERDOTE DE CRISTO
FOI ANJO, FOI PADRE NA INQUISIÇÃO
TIRAVA DOS RICOS E DAVA AOS POBRES
NOBRE ERA SUA MISSÃO

ELE É DA RUA, ELE É DA RUA É
QUEM TEM SUA CAPA ESCAPA
SÓ CONFIAR E TER FÉ

FIRMA PONTO OGAN, CHAMA O POVO DE RUA
VOU ATÉ DE MANHÃ, SAUDAR TRANCA RUA
QUEM É DA GIRA SABE O PODER QUE ELE TEM
NÃO TEMA ELE SEU MOÇO, ELE SÓ QUER O SEU BEM

Mestre Higor não está mais na Tatuapé

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Nesta segunda-feira, mestre Higor Silva e Acadêmicos do Tatuapé anunciaram o rompimento para o próximo carnaval. Inicialmente, o diretor anunciou a saída em suas redes sociais e, após, a escola confirmou. Além de deixar a “Qualidade Especial”, Higor também desfalca a diretoria da agremiação, onde participava do quadro dos cinco presidentes.

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Foto: Fábio Martins/CARNAVALESCO

Agora, o Tatuapé corre para solucionar um substituto, pois os ensaios de quadra visando o próximo desfile já começaram.

Pixulé exalta trabalho no Tuiuti para o Carnaval 2024: ‘me sinto como se eu estivesse no quintal da minha casa’

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De volta ao Grupo Especial, o intérprete Pixulé terá a responsabilidade de comandar o carro de som do Paraíso no próximo desfile. Nos últimos carnavais, o cantor desfilou pela Série Ouro como voz principal de Cubango e Unidos de Bangu. Sua última passagem pela elite do carnaval carioca foi em 2014 com o Império da Tijuca. O artista revelou como seu estilo “bateu” com a essência da escola.

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Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO

“Essa chegada ao Tuiuti representa tudo, a gente retornar ao Grupo Especial, primeiramente agradecer ao presidente Thor, ele abriu as portas para mim, e representa tudo na minha carreira, eu não tenho palavras para expressar a minha felicidade de estar de volta ao Grupo Especial e ainda por cima no Tuiuti. Ou seja , eu estou no “paraíso”. Eu me sinto envaidecido , eu sinto uma leveza, eu me sinto como se eu estivesse no quintal da minha casa, como se estivesse no meu sofá sentado com o pé em cima da mesa”.

Pixulé elogiou bastante a obra do Tuiuti para 2024, entendendo que as comparações com o carnaval de 2018 representam mais motivação e responsabilidade.

“Em 2017 quando eu cheguei na Unidos de Padre Miguel, eu já cheguei com um baita samba. Me deram um baita samba, me deram Ossain, e o samba ganhou vários prêmios. Eu estou debutando aqui no Tuiuti, e logo de cara me deram um baita samba, um baita presente para eu cantar na Avenida. Então eu estou muito feliz de estar no Tuiuti, mas também de ganhar esse belíssimo presente que é esse samba enredo maravilhoso de Claudio Russo e companhia. Mas não tem pressão, tem uma motivação maior, aquele momento que você fica todo emotivo, e a responsabilidade, afinal de contas, é o Tuiuti”.

Dedê Marinho é a nova musa da Unidos de Padre Miguel

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Em uma noite de puro esplendor e ritmo, a Unidos de Padre Miguel anunciou a sua nova musa para o Carnaval 2024. Durante a emocionante final de samba da agremiação, Dedê Marinho, foi aclamada como a escolhida para representar o Boi Vermelho na avenida. A nova musa vai brilhar no carnaval com a fantasia sendo inteiramente custeada pela escola.

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Dedê teve seu talento reconhecido durante o concurso da Corte do Carnaval Carioca, onde sua presença deslumbrante e seu charme cativaram os presentes e a levaram ao título de Musa da UPM. A diretora de Carnaval, Lara Mara, expressou sua alegria e confiança na nova Musa:

“Dedê Marinho é uma jovem talentosa que encanta com sua presença e paixão pelo samba. Ela personifica a energia e a alegria que a Unidos de Padre Miguel levará para o Carnaval 2024”.

Visivelmente emocionada com a aclamação, a nova musa agradeceu à escola e à comunidade de Padre Miguel por essa oportunidade única em sua vida. “Estou honrada em representar a Unidos de Padre Miguel no Carnaval. Vou dedicar todo o meu coração e talento a essa missão e prometo brilhar com muito amor e dedicação”.

Estrela do 3º Milênio lança samba-enredo para o Carnaval 2024

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O samba-enredo do próximo desfile da Milênio, com o tema “Vovó Cici conta e o Grajaú canta: o mito da criação”, foi criado por Rodrigo Shumacker, Darlan Alves, Pitty de Menezes e Cláudio Mattos. Eles foram convidados pela diretoria para essa tarefa e gravaram a obra em duas etapas nos estúdios Nenos, para a gravação dos naipes da bateria Pegada da Coruja, sob a coordenação do mestre Vitor Velloso.

Os intérpretes oficiais Grazzi Brasil e Darlan gravaram o samba na Sala Boldrini, com a participação do time de canto composto por Raquel Tobias, Serginho Maciel, Buiu Muleke Travesso, Tuca Maia, Núbia Olliveira (Nega Núbia) e Delei Martins, além dos convidados Raphael Raspada e Tamy Uchôa, sob a direção musical de Rodrigo Shumacker.

Desde 2020, a diretoria de carnaval e o departamento de Harmonia envolvem a comunidade na avaliação da letra e melodia do samba através de um treino de canto. O diretor de carnaval, Carlos Pires, explica que essa ação é a avaliação final do samba, e Wilson Olímpio da Costa, Japa, acrescenta que ajuda a identificar aspectos importantes na execução do canto.

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Foto: Divulgação

Silvão Leite, fundador e presidente, expressou sua felicidade com o novo projeto e prometeu trabalhar arduamente para apresentar um espetáculo incrível na Avenida. “Foi incrível ver a comunidade cantando, sambando, curtindo demais esse samba que trouxe uma energia diferente para o nosso povo que se jogou de corpo e alma. Estou muito feliz com esse novo projeto e vamos trabalhar muito para apresentar um lindo espetáculo na Avenida”.

Lançamento do samba-enredo

Como a composição foi feita por uma parceria convidada, a diretoria decidiu inovar e lançou um clipe antes da apresentação oficial na quadra. O clipe traz diversas referências do enredo para que todos possam identificar os elementos e personagens do mito da criação do mundo presentes na letra do samba. Murilo Lobo, carnavalesco e idealizador do enredo, falou sobre a inspiração que o trabalho trouxe para a concepção do espetáculo de Carnaval.

“Idealizamos um clipe com muitas referências do enredo para que todos possam identificar o que traz a letra do samba com elementos e personagens do mito da criação do mundo. Esperamos que todo mundo curta muito esse trabalho que vem nos inspirando a cada etapa da concepção desse espetáculo único que é o Carnaval”

Vila Isabel promove concurso de samba de quadra com entrada franca

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A Unidos de Vila Isabel inicia nesta quarta-feira o Concurso de Samba de Quadra 2023. O evento acontecerá todas as quartas-feiras do mês de setembro, com entrada franca, e contará com a tradicional Roda de Banjo após as apresentações.

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Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Ao todo, foram 25 obras inscritas, criadas por compositores da agremiação: “Esse concurso é um resgate imensurável de nossa história. É uma valorização não só da memória da ala, mas também dos nossos atuais poetas, que abraçaram o projeto”, comemorou o presidente da ala de compositores, Thales Nunes.

A quadra da azul e branca do bairro de Noel fica no Boulevard 28 de Setembro, 382, em Vila Isabel.

Concurso de Samba de Quadra com Roda de Banjo
Datas: 13, 20 e 27 de setembro (quartas-feiras);
Horário: a partir das 21h30;
Local: quadra da Vila Isabel – Boulevard 28 de Setembro, 382.
Entrada franca

Império Serrano celebra os 65 anos de Arlindo Cruz com grandes nomes do samba e do pagode

A próxima quarta-feira será extremamente especial. A partir das 17h, o Império Serrano realizará uma grande homenagem a um dos seus maiores poetas: Arlindo Cruz, que vai completar 65 anos. A festa irá recordar os seus maiores sucessos do “Sambista Perfeito” nas vozes de nomes consagrados do samba e do pagode.

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Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO

Dentre os artistas confirmados estão os cantores Arlindinho, Julio Sereno, Dhema, Karinah e os grupos Pique Novo, Molejo, Clareou e Família Macabu. Os ingressos estão à venda através da plataforma Sympla (https://shre.ink/2YyA) com o preço promocional de R$ 10,00.

Esta será mais uma homenagem do Império Serrano a Arlindo Cruz neste ano. No último Carnaval, o Império Serrano levou para a Sapucaí o enredo “Lugares de Arlindo”, passeando pela carreira musical do artista, suas inspirações e religiosidade, num desfile cheio de emoção.

O evento “Império Serrano canta Arlindo Cruz – 65 anos” vai ocorrer na quadra da escola, na Av. Ministro Edgard Romero, nº 114, em Madureira, Zona Norte do Rio.

Serviço
Império Serrano canta Arlindo Cruz – 65 anos
Data: 13 de setembro
Horário de início: 17h
Endereço: Av. Ministro Edgard Romero, nº 114 – Madureira, Rio de Janeiro.
Atrações: Arlindinho, Julio Sereno, Dhema, Karinah, Clareou, Pique Novo e Família Macabu
Valor do ingresso: R$ 10,00
Vendas online: https://www.sympla.com.br/evento/imperio-canta-arlindo-cruz-13-de-setembro/2132101

Público no ‘The Town’ teve aula de samba em espaço voltado para a divulgação do Rio

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E quem disse que não pode ter samba na Cidade da Música? Assim, o carnaval tomou conta do espaço da Riotur no The Town, que lotou São Paulo durante as duas últimas semanas. A Corte Real do Carnaval 2024, recém-eleita através do maior Concurso já feito pela Riotur, marcou presença e animou quem passava pela aula, comandada por Carlinhos do Salgueiro.

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Fotos: Divulgação/Riotur

“Suei! Que gostoso também ter o samba aqui no The Town e poder pegar um pouquinho de Rio de Janeiro. Pra quem adora o Carnaval, como eu, é uma alegria ter esse espaço pra fazer a gente esquentar pra melhor época do ano”, conta Maria Sueli, de 56 anos, que fez parte da aula com a filha, Giovana, de 12 anos.

Acostumado a trabalhar com públicos variados e em situações inusitadas, o professor e coreógrafo ressaltou o interesse do público em tentar alguns passos.

“Foi maravilhoso. As pessoas vinham pra cá, já conheciam e mostravam samba nos pés. Depois do sucesso do Concurso para a Corte, tivemos uma visibilidade maior à imagem do samba, sobretudo em um festival com tantos ritmos. É sempre importante ter a base mãe, que é o samba, um ritmo que rege o Brasil, como palco para todos os estilos”, destaca Carlinhos do Salgueiro.

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O estande da cidade, na Rota 85, registrou um grande movimento de turistas nacionais e internacionais em busca de mais informações sobre o Rio e puderam ainda conferir o telão tridimensional com peças 3D, desenvolvidas pelo designer Felipe Reich.

Nos intervalos das aulas de samba, o espaço, que teve o verde como destaque, ressaltando as belezas naturais da cidade, mantinha o ritmo sob o comando do DJ Túlio com o melhor da música carioca.

A primeira edição do festival, que é mais uma cria bem-sucedida do Rock in Rio, teve seis dias de programação, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, entre os dias 1 e 10 de setembro.

Leandro Vieira na Bienal do Livro: ‘Fui uma criança educada por escola de samba’

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A Bienal Internacional do Livro de 2023 abriu o espaço do Café Literário para o escritor e pesquisador Luis Antonio Simas, como mediador, transformar o evento em uma mesa de bar. Na sexta-feira, os convidados de Simas foram o professor e escritor Luiz Rufino, a cozinheira e sócia do bar Da Gema Luiza Souza e o carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense Leandro Vieira. Durante uma hora de conversa, os quatro falaram sobre festa, comida, rua e carnaval tendo como ponto de partida o subúrbio carioca.

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Foto: Matheus Vinícius/Site CARNAVALESCO

“Esta mesa é composta, primeiro, por gente que pratica a cidade do Rio de Janeiro em uma perspectiva que é muito curiosa. Eu nem reparei a princípio, mas somos quatro pessoas ligadas à cidade e que vivem, trabalham e constroem suas vidas na Zona Norte do Rio de Janeiro. É uma mesa que representa a Zona Norte.”, apresentou Luis Antonio Simas.
Para introduzir o tema do papel formador das escolas de samba, o mediador citou a influência dos sambas de enredo na sua educação. Simas cita “Os sertões”, da Em cima da Hora de 1976, “Macunaíma”, da Portela de 1975, e outros baseadas na Literatura e na História.

“Eu fui uma criança educada por escola de samba. Por que eu digo isso? A primeira vez que eu ouvi falar da Guerra de Canudos não foi em sala de aula. A primeira vez foi quando ouvi o samba de enredo da Em cima da hora de 1976. A primeira vez que eu ouvi falar do Quilombo de Quariterê de Tereza de Benguela não foi em um livro didático, não foi em sala de aula. Foi em um carnaval da Unidos do Viradouro. A primeira vez que eu ouvi falar da peleja do caboclo Mitavaí contra o monstro do Macobeba não foi em uma aula de Literatura. Foi em um desfile da Unidos da Tijuca. Antes de ler Lima Barreto, a Unidos da Tijuca já tinha me contado a história da vida do Lima Barreto. Antes de ler Macunaíma, a Portela tinha ensinado para mim a sua história e a Portela me garantiu o primeiro e um dos raros 10 na prova de Português. Ao invés do livro, eu usei o samba para fazer a prova e me dei bem. De certa maneira, a escola de maneira é um fenômeno múltiplo, artístico, de ancestralidade. Nunca é demais lembrar que escola de samba é uma construção de sociabilidade das comunidades afro-cariocas do pós-abolição”, argumento Simas.

Leandro Vieira, atual carnavalesco campeão pela Imperatriz, refletiu sobre sua carreira desde a Caprichosos até hoje, o papel das escolas de samba e o impacto da criação suburbana em sua obra durante o Café Literário. O carnavalesco também comentou sobre a escassez e a necessidade de ser criativo.

“Primeiro eu queria falar da falta do entendimento das pessoas do papel da escola de samba, do entendimento da escola de samba como um lugar de pensar o país. De pensar o país através do texto, através do corpo, a partir de quem veste a fantasia, de quem se apresenta dançando e de quem se apresenta tocando. É uma pena que o Brasil não tenha compreendido tanto tempo depois o poder dos corpos que dançam, o poder dos corpos que se fantasiam e o poder dos corpos que traduzem um pensamento. Eu sempre que posso trago essa reflexão, porque cada um de nós podemos aqui, para o próximo Carnaval, apresentar o desfile de uma escola de samba e o povo que vai para rua de uma outra maneira que não a maneira espetacular, televisiva e exclusivamente festiva. É preciso entender que uma comunidade que traduz um pensamento pós-abolição de homens e mulheres pretos e pretas que se reúnem para dialogar com a sociedade de uma maneira mais ampla não pode ser pensado como exclusiva e meramente uma festa. Essa festa é uma festa que pode mais e sempre pôde mais. Ela foi o caminho para negociação de pautas populares para o reconhecimento de comunidades. Há tantas comunidades que são representadas e se agigantam a partir das escolas de samba que as representam”, expressou Leandro Vieira.

O carnavalesco complementou o seu pensamento apontando o potencial intelectual das agremiações. “Busquem entender a escola de samba como um organismo tão consciente, tão intelectual quanto qualquer outra atividade comumente associada à intelectualidade. As pessoas falam de teatro como uma atividade como atividade intelectual, mas não falam de escola de samba como uma atividade intelectual da mesma forma. Porque escola de samba é corpo e as pessoas não conseguem entender um corpo que samba, o corpo de uma passista que samba, de uma baiana que gira, como a intelectualidade do corpo”, disse Leandro Vieira.

O carnavalesco nasceu no bairro da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, seu formou na Escola de Belas Artes da UFRJ e decidiu levar a estética suburbana para os desfiles das escolas de samba. Além da Caprichosos de Pilares, em 2015, e da Imperatriz Leopoldinense, em 2020, 2023 e 2024, ele construiu seis carnavais pela Estação Primeira de Mangueira, em que foi campeão duas vezes, e foi vencedor da Série Ouro também pelo Império Serrano em 2022.

“Eu gosto da escola de samba porque sou um homem do subúrbio. O gosto que tenho, o artista que sou é um artista forjado nas ruas do subúrbio, pela música do subúrbio, pela comida do subúrbio, pelas minhas tias suburbanas, pelos meus primos e primas suburbanos, pelo território que vivo ainda hoje. Eu não seria o artista que sou, eu não produziria a visualidade que produzo e não teria os argumentos que tenho para fazer o carnaval que apresento, se eu não fosse um homem desse meio. E a única coisa que eu fiz ao longo de dez carnavais foi tratar o subúrbio com visualidade. O desfile da Mangueira de 2017 é uma devoção à moda suburbana. O desfile do Império Serrano sobre o Besouro foi uma construção à moda suburbana. O Lampião da Imperatriz é à moda suburbana. Foi no subúrbio que eu conheci o meu país. O que eu tenho feito nos meus carnavais é fazer valer imagens que continuam frescas e vivas na minha memória. Quem assiste um desfile meu, seja para o Império, seja para a Mangueira, seja para Caprichosos ou agora para Imperatriz Leopoldinense, assiste um pedaço do subúrbio que desfila, assiste um pedaço de cores suburbanas que desfilam. O subúrbio é a imagem que está na minha retina há 40 anos”, explicou Leandro.

Luis Antonio Simas pergunta ao carnavalesco da Imperatriz sobre inventividade a partir da escassez no carnaval e Vieira explica como criar beleza a partir disso.

“Essa ideia de lidar com a escassez e ainda assim gozar a vida eu acho que é de todos nós. Todos nós somos insatisfeitos com aquilo que nos traz infelicidade. É do humano não se conformar com aquilo que é ruim. No carnaval, é uma questão de não se conformar em produzir algo ruim, com a possibilidade de fazer algo que seja inferior. Diante das dificuldades para um artista, para alguém ligado à produção visual, é preciso buscar caminhos para produzir beleza e satisfação. É isso que eu faço ao longo do meu trabalho, é um pouco disso que fiz ao longo das dificuldades que foram aparecendo para a produção estética”, argumenta o artista.

A esta fala, o mediador Simas acrescenta um comentário sobre o erro de se pensar que não se pode festejar mesmo na pobreza.

“O Beto Sem Braço dizia que quem espanta a miséria é a festa. Isso é interessante. As pessoas têm uma certa ideia, que eu acho perigosa, preconceituosa, que a festa é um sinônimo de alienação. E não é sinônimo de alienação. A boa comida, o prazer de servir as pessoas, até a tradição dos grandes gurufins, essas celebrações são interessantes. Essa ideia de transgredir a nossa precária produção pela invenção de mundos novos na culinária, nas rodas de capoeira, no fenômeno educativo, na saia da baiana que gira, tudo isso se fundamenta na construção de sociabilidade que ocorre, essencialmente, na rua”.

Em suas considerações finais, Leandro Vieira fala sobre criar e celebrar mesmo nos momentos difíceis. “Essa ideia de fazer sorrindo o que a maioria das pessoas fazem aborrecidas eu acho que tem a ver com um aprendizado que a vida nos impõe. Quando o Simas fala sobre festa enquanto alienação, eu lembro de uma vez conversei com Milton Cunha sobre as pessoas durante a pandemia que falavam ‘não sei quantas pessoas mortas e vocês falando de carnaval’, ‘o desemprego e vocês falando de carnaval’, ‘a situação do país como está’. As pessoas têm a falsa impressão de que nós fazemos carnaval porque a vida vai bem e, na verdade, ninguém nunca fez carnaval porque a vida é boa, senão estaríamos sempre adiando o carnaval com a expectativa da vida boa. Nós fazemos o carnaval porque a vida não é boa. Nós fazemos carnaval porque cremos e sabemos diariamente que a vida não é boa. A vida da maior parte dos brasileiros é marcada pela escassez. E nós fazemos carnaval, nos alegramos por determinadas situações porque nós somos inconformados. Nós fazemos carnaval, produzimos beleza, comemos, dançamos, brincamos porque somos inconformados por um sistema que muitas vezes nos oprime e nos coloca em posições que a gente não se conforma. E, por sermos inconformados, insistimos na festa com a expectativa de que ela nos alegre e ocupe os lugares daquilo que nós não temos”, concluiu Leandro Vieira.