A Imperatriz Leopoldinense reinaugura sua quadra de ensaios no próximo domingo, a partir das 13h, com feijoada e apresentação dos sambas concorrentes para o Carnaval de 2024. Todos os camarotes e as mesas já foram vendidos e restam apenas entradas de pista. Com expectativa de grande público, a escola dá mais um passo importante rumo ao próximo desfile.
“Estamos bastante felizes com essa reestruturação que a Imperatriz vive. Ano passado, conseguimos mudar de barracão e praticamente construir um novo. Agora, nossa quadra, que na verdade é a segunda casa dos nossos componentes, também foi reformada. Será um grande domingo”, comemora a presidente da Imperatriz, Cátia Drumond.
Outro ponto alto do evento é o início das eliminatórias de samba-enredo. Das 10 obras inscritas, oito se classificarão para a próxima fase, que será realizada no dia 15 de setembro.
“A safra é muito boa e já sabemos que a Imperatriz terá um grande samba no próximo Carnaval. Agora é perceber como cada uma dessas composições se comporta com o ‘calor’ de uma apresentação ao vivo. Será uma linda e difícil disputa”, opina a presidente.
Em 2024, a Imperatriz Leopoldinense será a sexta e última escola a desfilar no domingo de Carnaval. A agremiação busca o bicampeonato com o enredo “Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda”, do carnavalesco Leandro Vieira.
Serviço:
Data: 03.09 (próximo domingo)
Local: Rua Professor Lacé, 235, Ramos – Quadra de Ensaios LPD
Horário: a partir das 13h
Ingressos: https://acesse.one/t58sO
Concorrendo pela primeira vez e caçula na competição, o jovem João Vitor Tavares Frazão Araujo, 18 anos, professor de dança e estudante, é um dos cinco finalistas do concurso que vai coroar o Rei Momo do carnaval de 2024. Representando a Rosa de Ouro na disputa, começou no mundo do samba aos sete anos de idade, quando desfilou na ala das crianças. Atualmente, ele é muso da agremiação de Oswaldo Cruz. Após passar para a última etapa do concurso, o candidato à corte do carnaval carioca conversou com o site CARNAVALESCO e respondeu uma série de perguntas.
A grande final do concurso que vai definir o próximo Rei Momo acontece no dia 1º de setembro, a partir das 20 horas, na Cidade do Samba com entrada gratuita. A majestade do carnaval de 2024 vai receber um prêmio de R$ 45 mil. O segundo colocado será eleito vice-Rei Momo e receberá uma quantia de R$ 8 mil.
Fotos: Alexandre Macieira e Luciola Villela/Riotur
CARNAVALESCO: Para você, o que representa chegar na final do concurso?
João Vitor: “Representa toda uma dignidade de um passista que luta em busca de seu sonho em busca de defender a sua bandeira, que é o samba, o riscado e a malandragem do passista. Foi o que eu vim representando nessa semifinal e foi isso que me levou à final desse concurso. Para mim, representa toda a luta e força de vontade de chegar até aqui. Chegar tão novo no concurso do Rei Momo do carnaval é mostrar para todos os meninos que sonham que nós podemos sim, conseguimos sim. Ser um espelho para eles, porque hoje sou eu, mas amanhã pode ser outro menino, daqui pra frente podem ser outros meninos. Isso é o legado que eu quero deixar: mostrar para eles que independente de idade, se a gente tem postura e dignidade de conseguir chegar aonde quer, a gente vai à luta. É essa mensagem que eu quero deixar pras pessoas. Não importa a idade. Importa a postura, a dignidade, a compreensão e a consciência. Tudo isso importa bastante”.
CARNAVALESCO: Coroado como Rei Momo, o que você planeja levar para o Carnaval?
João Vitor: “Eu tenho um projeto que atualmente está parado. É o projeto ‘Fazendo o bem sem olhar a quem’ onde eu ajudo moradores de rua. Eu comecei nesse projeto com treze anos de idade e uma das coisas que eu vou investir será neste projeto. Arcar com todos os custos do concurso também. Está sempre representando a corte da melhor maneira, sempre bem arrumado, compostura de um rei. Essas são as minhas metas se eu ganhar o concurso de Rei Momo do carnaval de 2024”.
CARNAVALESCO: Como você vai se preparar para a final?
João Vitor: “Estou me preparando bastante, preparando a minha oratória também. Estou trabalhando com dois professores incríveis, e com bastante treino com a minha mestra Nilce Fran e meu mestre Emanuel Lima. A minha preparação vai ser durante toda semana e incansavelmente, porque eu quero trazer essa coroa pra Oswaldo Cruz – que é onde eu nasci e a gente precisa dessa coroa lá, dessa representatividade”.
CARNAVALESCO: Caso ganhe, o que você vai fazer com o prêmio de R$ 45 mil?
João Vitor: “Uma das coisas que eu vou investir é no meu projeto, além de ajudar a minha escola, porque querendo ou não é uma escola que precisa de ajuda. A gente era da Série Prata da Intendente Magalhães mas, descemos para a Série Bronze. É uma escola com história, com dignidade, que vai à luta e tem uma presidente guerreira – que luta pra colocar um Carnaval na rua. Poder ajudar a minha escola a voltar ao lugar que ela nunca deveria ter saído vai ser muito importante”.
A Mocidade Alegre definiu no último domingo o samba-enredo para o Carnaval 2024. A escola, que recebeu a final com quatro obras, escolheu o samba 10 como campeão. Com a quadra lotada, todas as torcidas fizeram muita festa e mostraram forte canto nas apresentações, mas o vencedor, que subiu no palco por último, deu um show à parte. A impressão é que a comunidade inteira da ‘Morada’ abraçou a obra e carregou até a vitória. A presidente Solange Cruz anunciou o samba fazendo alguns agradecimentos e, logo após, cantou o primeiro verso do refrão para o intérprete Igor Sorriso dar continuidade junto com a sua ala musical. É uma samba-enredo com característica melódica jogada no alto. Refrões e versos explosivos que não tem como deixar ninguém parado, principalmente o principal, tendo rimas fáceis que, com certeza, causam a facilidade no canto. Fazem parte da parceria os seguintes compositores: Biro Biro, Turko, Gui Cruz, Rafa do Cavaco, Minuetto, João Osasco, Imperial, Maradona, Portuga, Fabio Souza, Daniel Katar e Vitor Gabriel.
Felicidade com o resultado
A presidente Solange Cruz mostrou total contentamento com a escolha feita pela agremiação. “Eu estou muito feliz. Foi o que a escola queria. A gente tem um trabalho muito árduo e é muito ruim fazer duas eliminatórias. Somos acostumados a fazer mais e sou amante disso, mas é uma coisa que não dá mais para fazer tanto. O processo de escolha é totalmente diferente, tem que prestar atenção não só na torcida. Nós temos de ver o que o samba está dizendo ou não. A gente tem uma votação interna quinta-feira aqui onde a ala musical canta os sambas e tem a votação”, explicou.
Solange frisou que sempre que a Mocidade define os seus sambas, há mudanças para se adequar ao que a escola quer. E desta vez não será diferente. A partir desta segunda-feira, a agremiação já irá trabalhar em cima dessas alterações. “Toda vez que ganha um samba a gente faz ajustes. Quando entram os sambas para a final, o departamento cultural já começa a analisar. É natural. Hoje mudou o critério de julgamento, a gente tem que acompanhar. Tem aquela coisa de rima rica, rima pobre, enfim, tem várias coisinhas que a gente tem que se atentar”, comentou.
Fotos de Fábio Martins/CARNAVALESCO
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Não era novidade para ninguém que a parceria vencedora tinha grande favoritismo. Perguntada sobre a questão de definição, a mandatária explicou que isso foi deixado de lado e tudo foi escolhido exatamente no dia da final. “Na realidade eu não faço esse tipo de situação. A escola tem que participar. Não tem essa de ‘a presidente decidiu e está decidido’. Eu dependo deles para entrar na avenida. Nunca foi assim e nem será. Nós somos uma escola de samba e eu só sou porta-voz dela. A comunidade tem peso grande nessa escolha, inclusive na votação”, completou.
Uma nova vitória
O compositor Imperial, que é ‘multicampeão’ na Mocidade Alegre, contou a sensação de vencer mais um samba na agremiação. Para ele, o sentimento de vencer na escola do coração é diferente. “Eu falo que ganhar na escola do coração é como se fosse o primeiro. Esse foi o meu oitavo na história. Mas parece o primeiro. Parece que eu voltei lá em 2002 para a disputa do Carnaval de 2003. É tudo muito intenso. Eu falo que aqui é onde eu me tornei compositor, aprendi a fazer versos, criar melodia. Foi tudo nesse chão. Então quando a gente ganha é como se encontrasse com aquela criança e adolescente que fui algum dia”, contou.
O escritor falou que a parceria é de longa data e tudo é muito ‘brigado’, pois existem muitos torcedores da Mocidade Alegre dentro dela. Isso faz com que tenha algumas discussões. “Na verdade, nós fizemos cerca de seis encontros para esse samba. Foi tudo muito tranquilo. É claro que acaba sendo bem brigado, porque têm muitos torcedores da Mocidade, assim como eu. Metade deles são da escola. Todo mundo quer linha a linha a melhor letra e melodia e isso acaba tendo algumas discussões, mas sempre voltado para o melhor. Acho que a gente acertou”, afirmou.
Sobre o favoritismo nas eliminatórias, Imperial pregou cautela e enalteceu a sua própria parceria, e também disse que foram muito felizes na elaboração da melodia do samba. “Eu acho que deve ser muito ao enredo. É muito elaborado. Pede muito detalhismo e eu creio que conseguimos encontrar um caminho muito bom. Principalmente, uma coisa que a gente explorou e foi debate nosso, foi o fato de que, quando entrasse nas partes das regiões do Brasil, trazer esse regionalismo para a melodia. Tentamos trazer isso na parte do jangadeiro e quando fala do Nordeste e Amazônia no ‘baque virado’ e congada. Fomos muito felizes. Conseguimos traduzir em melodia aquilo que a letra tinha de cada região”, completou.
Trio do triunfo
Os compositores Gui Cruz e os famosos renomados gêmeos Rodolfo e Rodrigo Minuetto, conversaram juntos com o CARNAVALESCO. Diferente de Imperial, que falou da parte técnica do samba, o trio quis optar pelo emocional e o sentimento da vitória. “Uma disputa muito difícil, Mocidade Alegre tem uma das maiores disputas de samba-enredo do carnaval de São Paulo e do Brasil. A gente se envolve muito, emocionalmente, de trabalho, é muita gente envolvida, conseguimos graças a Deus construir uma grande família que trabalha em prol da Mocidade Alegre. Pois estamos muitos anos de samba, muitos anos juntos, fizemos uma conta hoje, na parceria, os únicos sambas dos últimos anos, que não tinham compositores, se não me engano era 2007. Então de 2003 para cá, a nossa parceria tem representantes no samba campeão da Mocidade Alegre. Para a gente só por isso, já tem um teor a mais de emoção, pois realmente nos envolvemos, choramos, brigamos, amamos, fazemos tudo que dá para fazer. Pois a Mocidade Alegre é a emoção da nossa vida, sem dúvida nenhuma”, disse Gui.
Emocionado e agradecido, Rodrigo completa: “Meu Deus do céu, essa rapaziada maravilhosa, eu e meu irmão (Rodolfo Minuetto) estamos de volta para a parceria. No ano passado não estivemos juntos. Voltamos, e estou muito feliz. Estamos juntos, felicidade, ganhamos mais um samba na Mocidade, é a mesma emoção desde o primeiro ano que pisamos no palco da Mocidade em 2012. Muito feliz, não tenho nem palavras para agradecer”, declarou.
Para finalizar, o irmão Rodolfo disse que a importância da quadra se faz necessária sempre em uma eliminatória de escola de samba. “Não tenho nem mais e nem menos para colocar o que a galera falou. O trabalho não só da construção do samba, como da gravação. Acho que o mais importante que as escolas de samba precisam resgatar, está se perdendo, claro que não sabemos os formatos. A disputa do samba-enredo é cara, mas a quadra é importante para a disputa. Aqui mostra a diferença. Às vezes no CD é uma coisa, mas na quadra você sente a energia de verdade do samba, tocando com a bateria, com a quantidade de galera e você sente de verdade o que vai ser na avenida. E é isso que deixo o recado, que as escolas de samba voltem a fazer a disputa de samba de uma forma diferente, não sei como ainda, mas que faça na quadra e o povo sente a energia”, acrescentou.
Reforço para o desfile
Para o carnavalesco Jorge Silveira, a obra escolhida foi analisada positivamente desde a primeira audição e, segundo o próprio, ajuda bastante a entender o tema da agremiação. “É um momento especial, porque é a oportunidade de escolher o hino que vai nos conduzir. Desde a primeira oportunidade a gente sentia que podia crescer na quadra e de fato foi o que aconteceu. Ele nos ajuda muito a traduzir o enredo. Ele vem carregado de celebração e de responsabilidade, porque a gente entra no Carnaval competindo com 14 escolas, que são as 13, além da própria Mocidade Alegre”, disse.
Mário de Andrade é uma figura ligada a cidade de São Paulo e a ideia de Jorge é colocar o escritor viajando pelo Brasil. Segundo o artista, o samba representa muito bem o que a figura principal do enredo quer. “Ele me ajuda muito a partir de agora a mostrar para o público qual Brasil é esse de Mário de Andrade que a gente vai apresentar. Vamos falar basicamente da experiência dele passeando pelo território nacional e como ele coletou as vivências naturais do nosso país”, afirmou.
O profissional também deu a sua opinião sobre o processo de escolha. Contou da democracia que a escola tem e a unanimidade entre os votos. “Sobre o peso do carnavalesco, a Mocidade Alegre é muito democrática. Quem decide o samba é a direção de carnaval, carnavalesco, carro de som, mestre de bateria. Todo mundo se reúne e chega a um consenso para ver o que é melhor. Esse ano foi até fácil. Uma votação unânime. E agora é trabalhar”, finalizou.
Características e mudanças
O diretor de carnaval, Júnior Dentista, falou sobre as características do samba, como ele é para cima e a estratégia de escolher pela posição do desfile. “É um samba para cima. A Mocidade é campeã, nos colocamos no topo. Isso é difícil e para se manter é pior ainda. A gente vem com um samba mais cadenciado nos últimos anos. Nós somos a terceira escola a desfilar no sábado e queria mais explosão, pegada e esse samba tem um refrão de meio muito bom, uma segunda parte inteligentíssima, a primeira é uma poesia, a comunidade gostou e vamos trabalhar para ser bicampeão”, declarou.
Júnior confirmou a posição dada pela presidente e disse que vão mudar algumas palavras para ajustar, visto que o julgamento é bastante rigoroso. “Amanhã nós já temos reunião para corrigir palavras de erro, conjugação. Hoje o critério de julgamento é muito criterioso. Essa semana inteira nós vamos fazer ajustes necessários para ir ao estúdio gravar na semana que vem”, completou.
Início dos ensaios
O diretor de bateria da ‘Ritmo Puro’, mestre Sombra, opinou sobre o samba e também falou da importância dos ajustes que irão ocorrer. “Escolhemos uma ótima obra mais uma vez. Agora vamos para os ajustes necessários que a gente sempre faz e vamos trabalhar. É um samba bom, valente e vamos encaixar o que podemos da bateria para honrar uma escola que acabou de ser a campeã. Não parece, mas o tempo é curto. Teremos ensaios de bateria às quartas e domingo é o geral com a comunidade e time de canto”, contou.
Samba com a cara da escola
Igor Sorriso, intérprete oficial da agremiação, disse que é um samba com a cara da Mocidade Alegre e pode fazer a escola levar outro caneco para casa. “A Mocidade Alegre é uma escola de samba que gosta de disputa, de concurso de samba-enredo, e ficamos felizes de ver a quadra cheia e o povo feliz. Foi uma escolha satisfatória, um samba com DNA da Mocidade Alegre, que tem a sua alegria, a sua emoção. É um samba que pode conduzir bem nosso caminho para o bicampeonato”, afirmou.
O cantor falou da importância que é ensaiar, encaixar com a bateria e carro de som. Segundo a voz oficial, o trabalho começa nesta segunda. “Foi o primeiro contato cantando ele como hino oficial, claro que faremos alguns ajustes, sempre é válido a gente buscar fazer a obra se encaixar com bateria, time de canto, então vamos trabalhar isso sim. Vamos dormir hoje, fugir do frio, e amanhã já retoma esse trabalho aí, rumo ao carnaval”, completou.
O Paraíso do Tuiuti inicia no dia 4 de setembro as inscrições para os interessados em desfilar nas alas da escola. O cadastramento será feito sempre às segundas, a partir das 19h, na quadra da agremiação. Os primeiros 500 inscritos irão pagar apenas R$ 50 na taxa de matrícula, já com direito a camisa do enredo e carteirinha. Os interessados devem levar documentos básicos, como RG, CPF, e uma foto 3×4.
Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO
Logo após o cadastro, a partir das 21h, a agremiação realiza os ensaios de canto com o samba do Carnaval 2024. Os tradicionais ensaios de rua da azul e amarela começam em outubro.
No próximo ano, o Tuiuti vai desfilar com enredo “Glória ao Almirante Negro!”, uma homenagem ao João Cândido, marinheiro brasileiro que atuou na liderança da Revolta da Chibata. A escola será a quinta a desfilar na segunda-feira de Carnaval.
A quadra do Tuiuti fica no Campo de São Cristóvão, 33, no bairro de São Cristóvão.
A próxima edição da Feijoada da Viradouro, no domingo que vem, 3 de setembro, terá como convidada a Acadêmicos do Grande Rio. O encontro das agremiações na quadra da Vermelha e Branca, em Niterói, terá shows das duas escolas com seus principais segmentos, entre eles as baterias dos mestres Ciça e Fafá, e os intérpretes Wander Pires e Evandro Malandro. Na programação musical, estão incluídos também DJ Natinho Negrada e o grupo Remandiola.
Foto: Divulgação
O evento começa às 14h e a entrada é franca. O prato de feijoada, servido até as 17h, custa R$ 25. Informações sobre reservas de mesas e camarotes podem ser obtidas através do telefone (21) 2828-0658. A quadra da Viradouro fica na Avenida do Contorno, 16, no Barreto. A classificação etária é 6 anos, com menores acompanhados por responsáveis.
Feijoada da Viradouro com presença da Grande Rio
Data: 03/09
Horário: 14h
Endereço: Avenida do Contorno, 16, Barreto, Niterói
Entrada franca
Prato de feijoada (servido até 17h): R$25
Informações e reservas de mesas e camarotes – (21) 2828-0658
Classificação etária: 06 anos, com menores acompanhados por responsáveis.
O Império Serrano finalizou mais uma etapa fundamental no processo de construção do Carnaval 2024, quando vai buscar o título da Série Ouro e o retorno ao Grupo Especial. Sob o comando do carnavalesco Alex de Souza, a escola concluiu a confecção dos protótipos do enredo “Ilú-ọba Ọ̀yọ́: a gira dos ancestrais” e vai seguir para a reprodução das fantasias. O artista, que assina pelo segundo o desfile do Reizinho de Madureira, garantiu que o projeto cromático será completamente diferente do que já foi visto na escola.
Foto: Emerson Pereira/Divulgação Império Serrano
“Terminamos mais uma etapa do carnaval de 2024, encerrando os protótipos. Ano passado, disse que nós teríamos mil tons de verde. Desta vez, por causa do enredo, naturalmente, o Império virá muito colorido, com cada cor representando uma entidade, um orixá. A gente vai ver uma escola totalmente diferente, não só do ano passado, como da história mais recente. Vai ser um desfile de muita energia, vibração e muito colorido porque a gente pretende encerrar a Série Ouro com chave de ouro”, garantiu Alex.
O diretor de carnaval Jeferson Carlos frisou que as fantasias do Império Serrano serão leves, destacando que todo o trabalho vem sendo realizado dentro do planejamento estipulado pela escola.
“O protótipo é um processo muito importante na confecção do nosso Carnaval. Conseguimos fazer tudo dentro do prazo estabelecido e tenho certeza que os imperianos irão adorar as nossas fantasias, que estão leves e coloridas. Acho que o nosso desfile promete bastante e vamos seguir o passo a passo, com tudo dentro do cronograma”, ressaltou o diretor.
Em 2024, o Império Serrano será a 8ª escola a desfilar no segundo dia de desfiles da Série Ouro, em 10 de fevereiro, sábado, na Marquês de Sapucaí, fazendo uma grande louvação aos orixás em forma de xirê.
Foi realizado no último sábado a segunda e última noite do mini desfile das escolas de samba do Grupo Especial de Vitória. As agremiações Pega No Samba, Chegou O Que Faltava, Unidos da Piedade e Jucutuquara desfilaram debaixo de chuva, que mudou de intensidade várias vezes ao longo da noite. Porém, o pé d’água não desanimou os foliões que vibravam a cada nova escola na avenida.
Mais uma vez as agremiações mostraram que não estavam para brincadeira. Levaram o mini desfile a sério e trouxeram para a pista fantasias luxuosas, coreografias sofisticadas e ideias inovadoras. Erros de evolução foram notados em grande parte das apresentações, mas isso não alterou a percepção positiva do público. Confira o desempenho de cada agremiação por ordem de apresentação.
Pega No Samba
A Locomotiva, presidida por Dannilo Amon, abriu a segunda noite de mini desfiles de um jeito diferente: a bateria. A agremiação conta com o trabalho do carnavalesco Orlando Júnior e apresentou o enredo “Pérolas do deserto”. Pela ironia do destino, a escola trouxe chuva para a avenida. Investindo em alas coreografadas bem definidas e sincronizadas, a Pega No Samba mostrou porque merece estar no Grupo Especial e que veio para ficar.
Fotos: Toninho Ribeiro/CARNAVALESCO
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A comissão de frente, do coreógrafo Mauro Marques, fez uma performance dinâmica e de passos complexos. Chamou a atenção do público. O 1º casal de mestre sala e porta bandeira, Max Dutra e Grasielly Cardoso, desfilaram em grande estilo. A ala das baianas estavam com fantasias simples, mas apostaram na animação para deixar o espetáculo ainda mais bonito. Os destaques luxuosos da Locomotiva também se tornaram pontos altos no desfile.
Chegou O Que Faltava
A escola de Goiabeiras mostrou que vai brigar firmemente pelo título em 2024. Presidida por Rafael Cavalieri, a Chegou O Que Faltava apresentou o enredo “Bravo! Abram-se as cortinas. O Glória em cena” que homenageia o Centro Cultural Sesc Glória, símbolo da cultura capixaba. Apostando em fantasias luxuosas, a agremiação levou para a avenida todas as alas fantasiadas e, quase todas elas, coreografadas.
Fotos: Toninho Ribeiro/CARNAVALESCO
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A comissão de frente do coreógrafo e carnavalesco Jorge Mayko trouxe passos sofisticados e dinâmicos. O carro pede passagem continha uma coroa dourada, símbolo da escola, em movimento. O 1º casal de mestre sala e porta bandeira, Kleyson Faria e Amanda Ribeiro, cativou o público. As baianas mais animadas da noite foram da Chegou, que não escondiam a satisfação de estarem de volta na avenida. A Rainha de Bateria Jamila Alvarenga esbanjou carisma vestida de azul pastel da cabeça aos pés. Para finalizar, a escola trouxe a banda de congo Panela de Barro, de Goiabeiras/Vitória, comunidade da agremiação.
Unidos da Piedade
A Mais Querida, presidida por Jocelino Junior, abriu o desfile com um espetáculo da bateria que deixou todos no Tancredão boquiabertos. Por meio das ideias do carnavalesco Wagner Gonçalves, a Unidos da Piedade apresentou o enredo “Quilombo Piedade”, que resgata a história dos ancestrais dos moradores da comunidade. Um dos pontos fortes notados no desfile foi as fantasias e coreografias características da cultura afro.
Fotos: Toninho Ribeiro/CARNAVALESCO
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Outro destaque importante foi a presença de Maísa Mariene, filha do presidente da agremiação, que com apenas 8 anos de idade esbanjou carisma, muito samba no pé e chamou a atenção de todos presentes. A comissão de frente do coreógrafo George Falcão deu um show na avenida, ocupando todo o espaço com movimentos cheios de expressividade e significados. Alguns problemas na evolução puderam ser notados, causando buracos na pista. A Piedade também fez um movimento diferente durante o desfile. Após o recuo da bateria, a escola trouxe os ritmistas de volta à avenida antes da última ala passar.
Jucutuquara
Última escola a se apresentar no mini desfile, a Jucutuquara, presidida por Rogério Sarmento, trouxe o enredo “Gassho caminhos de sabedoria”. Contando com o trabalho do carnavalesco Osvaldo Garcia, a agremiação abriu a apresentação com o mascote oficial e símbolo do pavilhão: a coruja. O samba-enredo de refrão fácil caiu nas graças do público, que no meio do desfile, já sabia cantar “Naquela montanha emana a paz / Tão bem que me faz, caminho de luz / Jucutuquara és o bem querer / Razão do meu viver”.
Fotos: Toninho Ribeiro/CARNAVALESCO
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A comissão de frente do coreógrafo Patrick Alochio surpreendeu a todos com tamanha excelência. Passos sincronizados, dinâmicos e interessantes tomaram conta da avenida. A Rainha de Bateria Schyrley Moura, vestida de laranja, se aproximou do público e fez a galera vibrar. No 1º casal de mestre sala e porta bandeira, Weskley Blank e Alana Marques, houve estreia. Pela primeira vez, o casal desfilou pela Jucutuquara. As fantasias em geral foram simples, mas a animação dos sambistas em estar de volta na avenida gerou boas energias durante todo o desfile.
A Dragões da Real realizou na noite do úlitmo sábado o evento de final de samba-enredo para escolher o hino que irá embalar a escola no Carnaval 2024. Entretanto, não houve nenhuma definição entre as duas obras que estavam na disputa. O presidente Renato Remondini (Tomate), fez vários agradecimentos e, quando o intérprete Renê Sobral soltou o grito de guerra, o microfone novamente foi passado ao mandatário, que enfim anunciou uma junção entre os sambas 2 e 3. Porém, a agremiação ainda não tem um hino certo. Destas duas obras, se fará um novo samba que será divulgado em breve. Foi uma disputa bastante intensa na “Caverna do Dragão”. Ambas as parcerias levaram muitos torcedores, bandeiras e bexigas. Há de se ressaltar a apresentação do samba 3, que foi bastante ousada. Houve encenações de personagens sambistas com coroas, uma ‘baiana rainha’ sentada em um trono no meio da quadra e um dançarino simbolizando Exú, que executava danças típicas do continente africano. Os compositores do Samba 2 são: Igor Federal, Vaguinho, Mike Cândido, Afonsinho BV, Luizinho Ramos e Hélber Medeiros. A parceria do Samba 3 é composta por: Thiago SP, Renne Campos, Rodrigo Atração, Darlan Alves, Jairo Cruz, Marcelo Adnet e Tigrão.
Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO
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Empate entre jurados e decisão conjunta ao presidente
O presidente Renato Remondini (Tomate), falou que foi uma eliminatória complicada desde o início e que foi muito difícil eliminar os sambas durante as semanas. Além disso, houve um empate na comissão julgadora e, segundo o próprio, não quis dar o voto de minerva, e sim achou o justo optar pela junção. “Foi como a Dragões sempre cuida de tudo na sua trajetória, com respeito e muito carinho, compromisso. Compromisso com a nossa escola, foi uma eliminatória difícil, deixar cinco sambas já foi difícil, eliminar três na semana passada foi terrível. E hoje quando fomos para a sala, recebi os votos de todos, vi que deu empate e não achei justo desempatar. Ia ser desrespeitoso com a minha comissão de julgadores, e por que não juntar? A gente teve a campeã ano passado que teve junção. A Mocidade Alegre foi campeã do carnaval com junção de samba. E a gente ouve o pessoal falando tanto do refrão de um, do outro, parte de um e do outro. Então assim, neste momento, graças a Deus temos um maestro dentro da escola que é o Jorge Freitas, tem um mestre de bateria absurdo que é o Klemen e um intérprete, Renê é um cantor. Perguntei na hora, e agora, o que eu faço? E todas as pessoas da questão de melodia, da ala musical, enredo, Rogério, Jorge, René, Klemen e Márcio Santana começaram a se pronunciar, e o René logo de cara falou ‘vamos juntar e vamos ter o maior samba da nossa história’. E aí os outros também foram a favor, falei vamos embora e Deus sabe o que faz”, contou.
Não é a primeira vez que a escola opta por juntar. No ano de 2010 também houve essa escolha. Entretanto, para o presidente, desta vez será diferente. Tomate deu um pequeno spoiler, dizendo que a obra será composta pela metade dos sambas. “A outra foi em 2010, mas a outra, tinham dois sambas muito bons, só que um tinha o refrão absurdo de maravilhoso, e o outro era um samba totalmente completo dentro do enredo. Acabamos juntando, só que da outra vez foi uma parte bem grande de um samba, e uma parte pequena de um outro. Mas funcionou, ficamos empatados em segundo lugar neste ano, não subimos para o Grupo Especial, pois perdemos no critério desempate. Então acho que cada história é uma história, estamos preparados, a ideia já dando o spoiler para vocês, é ter uma junção de samba meio a meio mesmo. Vai ser o refrão de cabeça e a primeira de um samba, refrão do meio e a segunda do outro samba. E aí vamos ajustar só a questão para ter esse casamento perfeito, mas com Jorge, Klemen e Renê vamos tirar isso de letra”, completou.
Sentimento de vencer
O compositor do samba 2, Hélber Medeiros, falou sobre o sentimento de colocar o nome da parceria na história da Dragões da Real. “Primeiramente tenho que falar que é uma satisfação grande do samba 2, da nossa parceria, fazer parte desta grande final da Dragões da Real. Nós cravamos nosso nome aqui, não pela primeira vez, pois já estivemos aqui. Outros sambas lá atrás, depois de muitos anos, é uma satisfação enorme fazer parte desta grande festa. E desta junção dos dois grandes sambas, quem tem a ganhar é a Dragões da Real, fazendo essa grande festa na avenida e pode contar com a gente aí, fazendo essa grande ‘África de mamaê’, de ‘kizomba’, vai ser coroado e com certeza a Dragões será coroada”, declarou.
Hélber contou uma história que teve com o compositor parceiro Vaguinho, onde quase foi para o lixo a letra foi para o lixo e, então, se juntaram com outros dois amigos para sacramentar a obra. “Tem uma história legal deste samba 2. Esse samba começou pelo Vaguinho, nosso parceiro, ele simplesmente, tinha uma parceria e acabamos mudando essa parceria, e o Vaguinho saiu da parceria. Ele disse: ‘Helber, tenho outro samba e não vou entrar’. Ele ia jogar simplesmente esse samba no lixo. E falei assim ‘não Vaguinho, vou acreditar em você e vou chamar dois amigos meu’, que era o Mike e o Luizinho, ele chamou Afonsinho, colocamos a caneta, coisa de quinze dias antes de entregar o samba, conversamos, sentamos e falamos ‘vamos pensar na África, vamos ver a África’. Fizemos o samba simplesmente pensando em diversos dizeres da África, essa negritude, essa África guerreira, começamos e terminamos o samba em praticamente um dia. Mas tudo isso veio partindo do Vaguinho e ele queria jogar no lixo, não deixamos, pelo amor de Deus, não joga isso no lixo, e concretizamos o sonho de ser campeão”, completou.
O compositor citado acima, também conversou com o CARNAVALESCO e enalteceu a junção. O escritor elogiou a obra que estava em disputa e afirmou que sairá um grande samba. “Surpresa foi para todos ver a reação do público. Já aconteceu em 1990 na Unidos da Tijuca e foi uma grata junção. Eu acredito que aqui vai acontecer a mesma coisa. Ninguém esperava, ninguém sabia. Foi merecida para os dois lados. A gente estava comentando que o samba do Thiago SP era uma grande obra e a escola resolveu premiar os dois. Isso é bacana. Quando o presidente disse que houve respeito para com os dois e eu estou imensamente feliz. É o segundo samba que eu venço na Dragões. O primeiro foi praticamente há 20 anos atrás. Eu me considero vencedor por unir com uma grande obra e quem sabe trazer o caneco para a escola”, contou.
Vaguinho ainda deu detalhes de como funcionou a composição da letra. O compositor disse que se tornará um samba ainda melhor. “Quando a gente pegou a sinopse e deu uma lida, eu adoro África. Comecei a fazer a cabeça do samba e mostrei para o Igor Federal. Ele disse ‘samba maravilhoso, arrepiou’. Mas havia essa situação de uma parceria estar chegando, os meninos já haviam chegado há alguns anos, eles dominam a situação musical e é legal isso. Eu estava precisando de uma parceria coesa. Já tinha o Igor, que é um letrista fantástico e a hora que eu mostrei, olhou a primeira e nem precisou mexer. Fiquei lisonjeado. Ele pegou a segunda parte que foi feita pelo Hélber, Luizinho, Afonsinho e transformou em um samba maravilhoso. Eu não sei como vai funcionar essa junção, mas tenho certeza que esse samba já era bom e agora vai se tornar fantástico”, finalizou.
Obra da comunidade
Jairo Cruz, compositor do samba 3, disse ao CARNAVALESCO que o fruto da junção pode acarretar no melhor samba do Carnaval de São Paulo. “São duas obras muito boas onde a comunidade abraçou. Eu acredito que vai sair um grande samba. Eu já falava que seria o samba do Carnaval de São Paulo e vamos em frente. Com certeza, nós que amamos a Dragões, vamos fazer isso acontecer”, declarou.
Como dito anteriormente, foi uma apresentação muito forte da parceria. De acordo com Jairo, isso foi feito devido ao fato de ser o primeiro enredo afro da história da Dragões da Real, e que serve também para mostrar que a escola pode fazer tudo o que quiser. “A ideia é mostrar que a Dragões sabe tratar tudo com respeito. A ideia do Exú era realmente para pedir a bênção e licença que é o tema que nós dominamos. Já a ideia da rainha, muita gente não sabe, mas ela é uma babalorixá. Também queríamos uma bênção dela para levar em frente essa grande obra dessa obra que conquistou a comunidade”, contou.
O time venceu o ano de 2023, onde a escola homenageou João Pessoa. Aquela vitória foi unânime. Além de ter sido campeões em outras oportunidades. Jairo contou o sentimento de como é ganhar duas vezes seguidas. “Ganhar o samba na sua escola é indescritível. Estou muito honrado de a galera ter abraçado e a diretoria ter entendido que é uma ótima obra e espero nos próximos anos a gente possa ganhar mais e mais”, completou.
Complemento entre as obras
O diretor de carnaval da agremiação, Márcio Santana, contou um detalhe importante. Ele disse que ouviu de um integrante da comunidade que uma obra era popular dos componentes e a outra era técnica e, por isso, segundo o profissional, ambas se complementam. “A junção de dois sambas tem que ser vista como complemento. Eu ouvi algo hoje de um membro da comunidade que me disse que a gente tem duas grandes obras, onde uma caminha pela emoção da comunidade e a outra pela técnica, mas as duas já se mostravam complementarem ao enredo. Quando você tem duas preciosidades como essa, nada mais justo do que juntar e tirar o melhor das duas composições. A gente sempre estudou muito as duas obras que vão para final, mas de verdade, a Dragões é uma escola muito franca e sincera com a sua comunidade. A escolha aqui se dá de maneira muito franca e sincera até para nós. Houve efetivamente um empate e o presidente tem o voto de minerva. Ele tem esse voto ou pode jogar para a parte técnica para avaliação. Dentro da avaliação técnica, o melhor foi a junção e fazer uma obra muito grande com a ajuda dos compositores”, explicou.
O fato é que todos vão ansiosos para a final de samba-enredo com a ansiedade de saber o resultado final e sair com a trilha-sonora na ponta da língua. Porém, Márcio disse que será tudo feito com calma e ainda é muito cedo para definir uma previsão de data para colocar a nova obra em prática. “É precipitado a gente falar que vai usar isso ou aquilo. É muito bom a gente ver duas parcerias felizes como a gente viu no palco. Nós precisamos da unidade das duas parcerias para finalizar uma composição maravilhosa para 2024”, completou.
Samba é música
O carnavalesco da Dragões da Real, Jorge Freitas, partiu de outro princípio e já falou sobre a linha melódica. De acordo com o artista, todos os nove sambas apresentados no decorrer das eliminatórias estavam dentro do enredo, mas a música é que cativou a comissão julgadora para fazer tal escolha. “Todas as nove obras que foram apresentadas estavam dentro do nosso enredo. A parte melódica é que estava sendo diferenciada. O samba é música e as duas músicas cativaram a comissão julgadora. Mas a gente tem que lembrar que nós vamos escolher uma obra que vai ser avaliada dentro de um concurso onde pessoas estarão nos julgando. Temos que analisar isso também. A Dragões sempre vem com sambas bons, que sempre cativam o público e a comunidade. É isso que a gente quer e propõe para essa junção. É uma obra em que o componente vai fazer o melhor desfile de sua história”, disse.
Em toda a sua carreira como carnavalesco, é a primeira junção de sambas que Jorge Freitas participa. Porém, o profissional exaltou a seriedade da agremiação. “Nunca aconteceu comigo, mas a Dragões da Real é uma escola muito correta e muito séria. Então quando optou-se por isso, é que houve um respeito muito grande com todas as obras que passaram. Eu faço essa avaliação de que esse vai ser o melhor caminho para um desfile muito forte da Dragões da Real”, comentou.
Novidade de trabalho
O intérprete oficial, Renê Sobral, falou que vai ajudar da melhor maneira possível como intérprete na forma de pegar as partes de um e de outro samba. “Então, gostei muito dos dois sambas que a escola deixou para a final. Realmente estava balançado e a comunidade também vi que o povo cantou bem um e o outro. Eram dois bons sambas e a minha parte agora junto com a escola, vamos sentar e vou colaborar para trabalhar o que nós vamos juntar. O que está bom de um, o que está está mais ou menos, o que foi bom do outro que fez que a escola votasse e empatou.vam Nós vamos pegar as duas partes boas e fazer um só. Agora é sentar, ver a parte de interpretação, o que na junção para ficar bonito, um samba legal para a comunidade poder cantar na avenida”, contou.
Renê exaltou a forma como a Dragões lida com as eliminatórias, dizendo que é diferente das outras escolas em que passou. “Aqui é uma escola que nunca vi assim, a imparcialidade na votação, disputa, é bem legal, isso deixa muito feliz, que você no final, o pessoal aceitando o resultado e todo mundo bem, feliz, não tem briga ou confusão. Então assim, é uma disputa muito legal, e cada com sua obra, se apresenta de uma forma que comece a receber o samba, olha, esse samba aqui, tal, e neste caso, nós recebemos os dois sambas finalistas, tivemos várias obras muito boas. Para escolher os dois foi um pouco difícil. Mas recebemos os dois finalistas e deu essa junção que foi uma surpresa para a escola, pois a Dragões só juntou um samba. Desde que estou aqui nunca juntou samba, sempre dá um samba. Sempre arruma alguma coisinha que dá para limpar, mas estou pegando pela primeira vez. Em outras escolas já trabalhei com junções”, disse.
Estudo aperfeiçoado na bateria
O diretor de bateria da ‘Ritmo que Incendeia’, mestre Klemen, disse que o resultado foi o melhor possível e agora o objetivo é deixar a obra com a cara da escola. “Foi o melhor resultado que a gente poderia ter. Eu acho que os dois sambas seriam bons, mas teria que mudar algumas coisinhas. Optamos por ajudar para ficar perfeito e deixar com a nossa cara. Dragões da Real, ‘lugar de gente feliz’ e vamos trabalhar’”.
O mestre contou que já vem estudando bastante devido ao enredo. “Eu já estou estudando bastante. É uma África realeza. Com essa junção temos partes afros. Palavras como ‘laroyê’ e tudo mais. Agora é dar tempo ao tempo, deixar a escola fluir naturalmente para eu ver o que está pedindo. Eu nunca vou fazer uma coisa a parte na bateria, jogar e ficar uma coisa ‘frankstyle’. Agora é ver o que vai dar, juntar com os meus diretores de bateria para criar bossas, arranjos e passagens”, explicou.
A maior festa popular do planeta esteve presente no “Show do Século”, do DJ Alok, que conseguiu reunir o samba e a música eletrônica durante a apresentação que ocorreu na noite do último sábado, na praia de Copacabana. Com a parceria de Pretinho da Serrinha e das baterias das 12 escolas do Grupo Especial do carnaval carioca, o artista levou para o palco cerca de 120 ritmistas, além dos casais de mestre-sala e porta-bandeira. O evento celebrou o centenário do Hotel Copacabana Palace. Com um palco 360° em formato de pirâmide, o show teve cerca de um milhão de pessoas presentes – segundo os organizadores.
A música “Drum Machine”, que uniu a música eletrônica com a percussão, abriu a apresentação dos 120 ritmistas do Grupo Especial. Em seguida, uma adaptação de “É Hoje”, samba-enredo da União da Ilha do Governador em 1982, caiu nas graças do público. Nela, os 12 casais de mestre-sala e porta-bandeira do Grupo Especial, além do casal da Ilha – Thiaguinho Mendonça e Amanda Poblete – se apresentaram por cerca de dois minutos. Mesmo com a chuva intensa durante a apresentação, o samba no pé e a alegria típica dos carnavalescos ganharam destaque.
Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO e Reprodução de TV
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“Quando eu fui convidado para fazer esse show, queria de alguma forma encontrar um caminho para me conectar culturalmente com o Rio de Janeiro. E a melhor forma de fazer isso é através da música. Me uni ao Pretinho da Serrinha e as 12 escolas de samba do Grupo Especial. Hoje a gente tem aqui 120 ritmistas na base da pirâmide e fizemos duas colaborações juntos”, disse Alok no início da apresentação dos sambistas.
Um dos mestres de bateria presentes no evento, Fafá, da Acadêmicos do Grande Rio, contou como foi a preparação do grupo para o show e disse que Alok soube entender o papel de representatividade do samba. Ele também destacou a importância de ter o carnaval presente no show de um dos artistas mais ouvidos do mundo.
“A gente trabalhou em conjunto no estúdio, gravamos – até para poder ficar mais fácil para a aprendizagem da galera. A gente teve contato com ele (Alok) no estúdio. É uma pessoa extremamente simples e que soube entender o que é o samba e sua representatividade. Buscou trabalhar em conjunto com a gente. Estar e dividir palco com um artista do quilate dele só engrandece, cada vez mais, o nosso carnaval. Mostra que nós somos resistência e que a nossa cultura é algo que vai abrilhantar o ritmo que for – eletrônica, pop, reggae. Foi uma experiência incrível. Acredito que só engrandece o currículo do carnaval carioca e o currículo das escolas de samba e baterias – quem imaginou poder ter 12 mestres trabalhando juntos para um cara só. Foi gratificante”, disse mestre Fafá.
O mestre de bateria comentou o que achou da apresentação e enfatizou a importância de Pretinho da Serrinha no projeto e do diretor do evento, o produtor Abel Gomes.
“Acredito que antes de falar do Alok, temos que falar do Abel, que foi o responsável por montar toda essa estrutura. Não podemos esquecer do Pretinho da Serrinha, que trabalhou, junto com os mestres de bateria, as duas músicas. É uma honra poder estar em um espetáculo tão gigante como esse. A apresentação foi algo incrível e teve uma energia surreal. Estar ali com 11 companheiros de trabalho e de luta foi uma emoção muito grande. Poder ajudar a produzir um espetáculo dessa magnitude, para milhares de pessoas, foi muito gratificante”, disse o mestre de bateria da Acadêmicos do Grande Rio.
Público aprova o carnaval na festa em Copacabana
Junção aprovada até mesmo pelos turistas. Lucas Bortolazzi, DJ e estudante de 23 anos, percorreu de ônibus, com nove familiares, quase 500 km para chegar ao Rio. Eles vieram de Simonésia, em Minas Gerais, somente para acompanhar o show. Para ele, a parceria entre o samba e a música eletrônica deu muito certo.
Lucas Bortolazzi, DJ e estudante de 23 anos, percorreu de ônibus, com nove familiares, quase 500 km para chegar ao Rio. Eles vieram de Simonésia, em Minas Gerais, somente para acompanhar o show. Para ele, a parceria entre o samba e a música eletrônica deu muito certo
“Por ser especialmente no Rio de Janeiro achei que combinou demais. É difícil achar um DJ que combine as duas, mas o Alok conseguiu – ainda mais porque se juntou com mais de 120 integrantes das escolas de samba. Ele conseguiu fazer a junção muito bem. O palco me surpreendeu, não achei que seria isso tudo. É o primeiro show do Alok que venho. Saí de Minas só para assistir”, afirmou Lucas.
Lucas contou que a cidade de Simonésia também tem desfiles de carnaval. Tradição local há 30 anos, o evento arrasta multidões todos os anos. O mineiro comentou a importância de valorizar a cultura regional em um show tão grande como o do Alok.
“Lá na minha cidade tem carnaval e, apesar de ser menor, é referência na região inteira. Acredito que é 100% importante (valorização), porque o Brasil vem do samba – principalmente em uma cidade como o Rio, que já foi capital do país”, comentou.
Nascido em São Paulo, mas morador do Rio de Janeiro desde 2009, Lucas Chacon, 34 anos, professor de educação física, disse que a parceria feita pelos sambistas e Alok une a cultura brasileira com a música eletrônica. Segundo ele, a proposta apresentada pelo artista vai deixar as pessoas com sede de conhecimento.
Nascido em São Paulo, mas morador do Rio de Janeiro desde 2009, Lucas Chacon, 34 anos, professor de educação física, disse que a parceria feita pelos sambistas e Alok une a cultura brasileira com a música eletrônica
“O show foi fantástico, ainda mais com ele trazendo o carnaval e o samba, que são a cara do Rio de Janeiro. Isso tudo gera uma empatia do público. Foi fantástico, ainda mais por esse momento com chuva que ninguém esperava. A junção com o samba foi muito boa, porque só aproximou ainda mais o lado brasileiro e carioca com a música eletrônica. Dá uma proximidade e desmistifica o que é o eletrônico e o samba – que são muita coisa. O palco foi fantástico, a pirâmide é algo genial. O que ele trouxe vai deixar muita gente curiosa e com sede de conhecimento. Isso que ele está fazendo é trazer cultura através da música”, declarou Chacon.
Corinthiano desde pequeno, Chacon acompanhava os desfiles da Gaviões da Fiel em São Paulo. Quando chegou ao Rio, se identificou com a Beija-Flor de Nilópolis e virou torcedor. Para ele, não há uma identidade mais forte para o Rio de Janeiro que não seja o carnaval.
“Já vi em São Paulo e no Rio de Janeiro, acompanhei alguns ensaios da Vila Isabel e Grande Rio e fui em algumas escolas. Nunca desfilei, mas é uma meta. Eu achei muito legal, principalmente porque ele vem falando que o futuro é ancestral. Ele havia falado que estava tentando encontrar uma forma de se aproximar do público carioca. E não teve nada melhor do que isso. O samba é a cara do Rio”, afirmou.
Quem é sambista raiz também aproveitou o show. Eli Candido, 46 anos, professora e portelense, disse que colocar o carnaval em um evento como o show do Alok é importante para levar a cultura do samba às novas gerações.
Eli Candido, 46 anos, professora e portelense, disse que colocar o carnaval em um evento como o show do Alok é importante para levar a cultura do samba às novas gerações
“A apresentação foi muito legal. Nota mil para o Alok e para a organização. É muito importante. No último dia 22, por exemplo, comemoramos o Dia do Folclore. A gente vê que cada vez mais essas culturas de músicas, das danças e festas estão ficando esquecidas. Acho que as novas gerações não estão acompanhando tanto. É bom trazer para as novas gerações. A iniciativa foi muito boa”, comentou Eli.