A cantora Negra Li foi apresentada à comunidade do Bixiga, em São Paulo, neste domingo, como a nova madrinha de bateria da tradicional escola de samba paulistana. Para 2024, o Vai-Vai terá o enredo “Capítulo 4, Versículo 3 – Da Rua e do Povo, o Hip Hop: Um Manifesto Paulistano”, mostrando a rua como espaço em constante disputa pela arte na cidade de São Paulo. Assim sendo, Negra Li, como uma potente representante do rap e da cultura hip hop, não só estará à frente da bateria, como traz o DNA deste movimento para a avenida.
Negra Li, nome artístico de Liliane de Carvalho, é uma cantora, compositora e atriz brasileira. Nascida na Vila Brasilândia, periferia de São Paulo, sempre teve o sonho de ser artista. Aos 15 anos se matriculou em aulas de teatro e um ano depois, descobriu a paixão pela música. Gravou sua primeira música profissional foi em 1999. De lá pra cá são mais de 20 anos de carreira, na música e nos palcos, com participações em séries, novelas e gravações com nomes referência no cenário musical.
Recentemente, sua música “Vai Dar Certo (Vai na Fé)” foi tema da bem sucedida novela de mesmo nome, na Rede Globo, o que comprova seu talento e sensibilidade para falar de temas cotidianos, sempre ressaltando o empoderamento da mulher negra e valorizando a ancestralidade que a trouxe até aqui.
“Estar no Vai-Vai é um presente que se soma à uma fase de conquistas e celebrações. Poder representar a quebrada, o rap e a mulher preta é de uma responsabilidade enorme, mas também uma grande honra. Não tenho a menor dúvida que o desfile será inesquecível”, comenta ela.
Na madrugada deste domingo, o Camisa Verde e Branco definiu o seu samba para o Carnaval 2024. O dia estava amanhecendo na Fábrica do Samba quando a presidente Érica Ferro discursou já com as palavras na letra da obra. Não era novidade que o samba de número 3 estava nos braços da comunidade e era o total favorito no mundo carnavalesco. É uma letra em que nos primeiros versos a melodia remete aos anos áureos da agremiação. O refrão principal é ‘chiclete’ e tem bastante significado. Faz menção a promessa do tema ao orixá Oxóssi, onde caso a escola um dia voltasse ao Especial, viraria enredo. Também tem-se a frase “Que Deus perdoe quem não é Camisa”. Isso diz bastante do que é a comunidade da Barra Funda, além de fazer uma alusão à regata “Que Deus perdoe essas pessoas ruins”, usada por Adriano Imperador em um jogo de futebol. A parceria vencedora é composta por: Fabiano Sorriso, Marcos Vinicius, Márcio André, Diogo Corso, Aquiles da Vila, Salgado Luz, Chanel Rigolon, André Cabeça, Tomageski e Biel. De Oxóssi a Adriano Imperador, o enredo é intitulado como “Adenla – O Imperador nas terras do rei”.
Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO
Hino da comunidade
A presidente da agremiação, Érica Ferro, elogiou significativamente a safra de obras recebidas e, também, ouviu o favoritismo soberano da comunidade que foi citado antes. “Graças a Deus foi um processo tranquilo, o Camisa teve sambas muito bons, foi difícil escolher, mas a comunidade abraçou esse samba do Fabiano Sorriso de uma tal maneira que não tinha como escolher outro samba. Esse hino que vamos levar para a avenida 2024 é perfeito”, disse.
Além disso, a mandatária disse que o Camisa Verde e Branco nunca deixará de fazer eliminatórias, visto que a comunidade gosta do sistema de escolha. “A nossa comunidade está acostumada com as eliminatórias né? Nosso povo gosta das eliminatórias, então o Camisa nunca vai deixar de fazer eliminatórias”, completou.
Declaração dos compositores
O renomado compositor paulistano, Aquiles da Vila, que já compôs em inúmeras escolas, fez o samba pela primeira vez no Camisa Verde e Branco e saiu vitorioso. O escritor descreveu a sensação. “Eu vi o Camisa pela primeira vez na Avenida Tiradentes. Meu pai falou para mim assim: ‘agora vem uma escola diferente, preste atenção’. Dali para frente tudo mudou na minha vida. Todo mundo tem essa escola no coração. Uma honra ser um dos compositores para zelar por esse manto onde nunca deveria ter saído. Obrigado por tudo”, comentou.
É fato que a figura de Adriano Imperador foi bastante criticada dentro de um enredo misturado com orixá, mas Aquiles foi na contramão. O compositor amenizou e, na opinião do próprio, é um grande tema. “Foram momentos maravilhosos. Foi o carro chefe do ano. Eu fiz um texto em maio falando que seria um ‘enredaço’ e todo mundo falou ‘poxa, mas o Adriano Imperador’. Eu falei para não julgarem. Reservamos isso para grandes momentos e assim foi. Refletir tudo isso na música é muito feliz”, declarou.
O ‘Trevo da Barra Funda’ subiu para o Grupo Especial após ficar 10 anos no Grupo de Acesso. Aquiles disse que é uma honra ter a sua obra representando essa volta. “Eu jamais imaginei uma coisa dessa. A gente acompanhou essa situação difícil do Camisa no Acesso. Vamos até o fim com a escola agora. É o primeiro ano que ganho agora. Que momento. Axé, Barra Funda.”, finalizou.
Outro compositor que compõe a parceria, Tomageski descreveu a emoção de vencer. “É uma sensação maravilhosa vencer um samba em uma escola tão gigante. Um quilombo do samba paulistano. Nessa retomada do Camisa para o Grupo Especial, nada melhor do que ganhar um samba. É um prazer enorme. Espero que o Camisa fique muitos anos no Especial, que é o seu primeiro lugar. “A gente teve tanto encontros presenciais como na internet até a obra ficar pronta e fazer a gravação no estúdio. É a segunda vez que eu participo do concurso e é a primeira vitória”, contou.
Bateria afinada
O mestre de bateria da “Furiosa”, Jeyson Ferro, brincou de ser cantor no anúncio. O diretor falou sobre o feito e, também, da escolha da obra. “Cantei o samba no palco lá, dei uma de intérprete. Mas eu sabia cantar todos os sambas, gravei o samba 7, samba 8, precisamos estudar os sambas antes que dá. O samba que der a gente sobe no palco e canta, tira uma onda, graças a Deus, então cantamos. Em cima do que você falou, deu esse samba do Fabiano, bom para a escola, chegamos em um acordo que era esse samba, agora vamos trabalhar duro, com força, encaixar as bossas no samba, para que tudo dê certo na avenida”, declarou.
Jeyson disse que na próxima quarta-feira já tem ensaio e algumas coisas prontas nas questões de bossas e arranjos. “Já estamos pensando um monte de coisa, foi o que falei, qualquer um dos quatro que desse, já temos as coisas prontas, não que seja tudo pronto. Geralmente colocamos uma ou duas coisas no decorrer do trabalho até o carnaval, sempre tiramos uma coisinha, colocamos outra aqui. Mas já tem coisa para quarta-feira que vem estar ensaiando”, completou.
Entendimento do enredo e importância das eliminatórias
Responsável pelo enredo, o carnavalesco Renan Ribeiro, falou da repercussão negativa do tema, mas elogiou o entendimento dos compositores. “Foi satisfatório pelo simples fato de que a gente teve grandes sambas, uma safra excelente, e é satisfatório saber que o enredo foi bem entendido, compreendido, apesar do lançamento ter sido muito hostilizado, o enredo. Os compositores entenderam realmente o que significava. E o Camisa Verde e Branco cumpriu a lição de casa, a obrigação de uma escola tradicional, que é fazer um grande samba. Tínhamos pelo menos três ou quatro sambas favoritos que dividiam a escola, até hoje, na final, estava muito dividido. Então para mim como carnavalesco, o processo foi prazeroso, é duro por um lado de você, no nosso caso hoje, escolhemos o samba que vai ser o hino de 2024, mas tivemos que deixar aqui na final, três sambas para trás também de uma qualidade absurda. Então, tendo uma safra deste tamanho, nesta proporção que o Camisa teve, torna o processo de eliminatórias prazeroso, pelo nível de qualidade, dolorido por deixar as outras obras de fora”, afirmou.
O artista, que é bastante ativo dentro da escola, falou da importância que tem um sistema de eliminatórias. “Eliminatórias tem dois pontos muito importante, o primeiro ponto é manter vivo a tradição da escola de samba, é manter vivo a tradição dos compositores, a prática da composição na escola. E o processo eliminatório é importante para que a gente veja a escola cantar, escutar ao vivo dentro da escola, o povo reagindo, a bateria tocar o samba, isso diferencia muito o processo, e torna mais próximo do que iremos ver no desfile. E aí acaba talvez, deixando, nossa escolha mais assertiva”, completou.
Volta com ‘sambaço’
O intérprete oficial, Igor Vianna, foi outro que elogiou a safra recebida. O cantor também enalteceu o retorno para o Trevo. “É um samba forte que o Camisa precisava. Uma final difícil com quatros sambas grandiosos que condiz com a altura do Camisa. A diretoria fez a escolha certa. Se a diretoria falasse para eu cantar o ‘atirei o pau no gato’, eu cantaria. Mas foi o samba que a comunidade escolheu. O meu retorno para o Camisa foi simplesmente maravilhoso, e ainda com uma obra dessa, não tem explicação”, contou.
Vianna falou sobre a qualidade da sua ala musical e, além disso, o intérprete contou como vai se dividir entre Unidos do Bangu e Camisa Verde e Branco. “A minha ala musical, primeiramente, é de amigos. Já tenho há muito tempo aqui em São Paulo e eles resolveram aceitar o convite para trabalhar comigo, aceitaram a conversa que tivemos com a presidente e a gente está muito feliz com o nosso trabalho. O Camisa hoje é um dos meus privilégios. A Bangu eu também faço disso, mas o Camisa é a escola onde eu resolvi fazer o meu trabalho no Carnaval 2024 e a gente está muito feliz”, completou.
A mperatriz Leopoldinense, atual campeã do Grupo Especial do Rio, abre neste domingo a sua temporada dos sambas concorrentes para o Carnaval de 2024. O diretor executivo da agremiação, João Drumond, conversou com o site CARNAVALESCO e falou dos projetos da Verde e Branco.
O que significa pisar na quadra hoje como campeão no início da disputa de samba?
“A realização de um sonho. Cresci ouvindo as histórias de uma Imperatriz vencedora, e fazer parte da reestruturação e ajudar de alguma forma a colocar a Imperatriz no lugar que ela merece vai ser sempre um motivo de muito orgulho”.
Qual sua análise até agora da safra da escola?
“A safra de sambas de 2024 é razão de muita alegria e responsabilidade. Sem dúvida alguma é a melhor safra de sambas da Imperatriz desde que a gestão da presidente Cátia assumiu. Temos grandes obras e agora temos que analisar friamente o desempenho das obras na quadra e pautar a escolha aos seguintes fatores: qualidade musical e encaixe junto ao enredo desenvolvido pela escola”.
A escola reabre a quadra hoje. O que foi feito?
“Uma reestruturação de alguns espaços da quadra como a boutique, que agora poderá atender com mais conforto os nossos componentes. Outra novidade é a criação de uma sala de troféus para que a comunidade possa ter em evidência as glórias da nossa escola que são motivos de muito orgulho para todos nós Leopoldinenses. Além disso, criamos também uma sala de aula voltada para um projeto social na área da informática, que iremos dar início agora no segundo semestre de 2023. Por fim, a pintura da quadra foi renovada, e a escola adquiriu ventiladores para ajudar a amenizar os efeitos das noites de calor durante a preparação para o Carnaval 2024”.
O que pensam em fazer na quadra no pós-desfiles?
“A quadra precisa estar aberta para a comunidade o ano todo. Quando não estamos tendo ensaios, precisamos ter ações que tragam a comunidade e a sociedade de uma maneira geral para dentro da escola de samba. Projetos sociais, eventos de entretenimento e intervenções como palestras acontecem, e acontecerão o ano todo”.
Qual é o tamanho da responsabilidade de fazer carnaval para ser bi que não acontece desde 2008?
“Não encaro isso como uma responsabilidade, acredito ser uma oportunidade de quebrar mais um tabu. A Imperatriz tem como objetivo superar o carnaval campeão de 2023. Tenho certeza que fazendo isso, estaremos fortes na briga por mais um campeonato”.
A sinopse foi curta. O que você pensa desse modelo?
“Eu acredito que a sinopse cumpriu o seu papel da maneira que esperavamos desde o início, propiciando grandes obras que serão levadas para a disputa de samba da Imperatriz. Não acredito na rotulação de sinopse curta ou grande. A sinopse tem que ser boa. Existem boas sinopses maiores, e boas menores, como a nossa. O mais importante é a mensagem, e essa precisa ser compreendida por todos. O carnaval é uma festa popular. Acredito que a Imperatriz tenha um enredo pautado na essência popular do carnaval”.
Sobre disputa de samba o que você acha que pode melhorar nos próximos anos?
“Existem alguns modelos que vem sendo colocados em prática por algumas escolas e que podem trazer benefícios em um futuro próximo. Nós na Imperatriz já reduzimos a extensão da disputa, para facilitar e viabilizar a mesma economicamente para todas as parcerias, visto que a disputa de samba passou a observar um fator complicador que é o econômico. A disputa precisa ser democrática e dar oportunidade para todos aqueles que desejam ter a sua obra no concurso. Creio que o futuro precisa ser cada vez mais pautado na criatividade por parte das escolas para facilitar a presença de todas as parcerias e elevar o nível da disputa dessa forma”.
Vai transmitir todas eliminatórias? Qual a importância desse canal?
“A princípio a escola iria transmitir todas as eliminatórias. Porém, temos alguns ajustes de logística na quadra da escola para ajustarmos até o início da eliminatória. Hoje, posso afirmar que a escola irá transmitir as etapas finais da disputa e está trabalhando para ajustar a sua logística para transmitirmos também as etapas iniciais”.
A escola aumentou a relação com o Complexo como isso se reflete nas atividades da escola em relação ao carnaval e ao número de componentes?
“Sem dúvida é um fator determinante, que influencia muito no carnaval da Imperatriz. A Imperatriz pode ter tudo, mas se não puder contar com a força da sua comunidade, nada é possível. A comunidade da Imperatriz é um diferencial. Impulsionada pelo Complexo do Alemão, a Imperatriz tem sido elogiada cada vez mais por sua evolução nos ensaios e também durante seus desfiles. Não tenho dúvida alguma que foi o fator principal para termos conquistado um título após 22 anos”.
O que você ainda planeja no social da escola nos próximos meses e anos?
“O meu sonho é a ampliação de tudo o que é feito na escola e a criação de muitos outros projetos. A Imperatriz precisa ter associado à escola um braço voltado 24h apenas para o âmbito social. Está no planejamento da escola a criação de projetos esportivos, educacionais, culturais e que promovam a cidadania. Ainda pretendemos e vamos desenvolver ainda mais projetos que já estão em andamento, como o Ballet da Rainha”.
A Superliga Carnavalesca do Brasil iniciou no último sábado a gravação dos sambas-enredo das séries Prata e Bronze para o Carnaval 2024. A previsão é que os 57 sambas sejam gravados e produzidos até o final de novembro, tendo seu lançamento em dezembro.
Fotos: Divulgação/Superliga
Tendo como foco o planejamento prévio e, consequentemente, visando a otimização do tempo para as escolas, as gravações ocorrerão simultaneamente, sendo a Série Prata sob comando de Leonardo Bessa e, a Série Bronze, sob responsabilidade de Rafael Prates.
O diretor de carnaval da entidade, Dionísio Luiz, falou sobre o planejamento estratégico das gravações, fazendo uma exaltação à parceria com os dois profissionais:
“Começamos as gravações dos sambas hoje e o resultado não poderia ter sido melhor. Montamos, junto às escolas, um planejamento prévio, com bastante tempo para elas se prepararem, pois, assim, além de dar mais tempo para as agremiações explorarem seu samba da melhor forma possível, minimizamos as possíveis falhas. O Leonardo e o Rafael são profissionais reconhecidos por sua excelência na produção dos álbuns e também entraram de cabeça no projeto. O resultado final das gravações tem tudo pra ser o maior de todos os tempos”.
O Salgueiro emocionou sua comunidade, no último sábado, ao revelar seu novo quadro de casais de mestre-sala e porta-bandeira para o próximo desfile. Pelo décimo primeiro ano consecutivo, Sidclei Santos e Marcella Alves liderarão com maestria o primeiro pavilhão da Academia.
Fotos de Ewerton Pereira/Divulgação Salgueiro
O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira será composto por Leonardo Moreira e Barbara Mylena, ambos provenientes da escola mirim Aprendizes do Salgueiro. O terceiro casal terá Leonam Seabra, também formado na base do Aprendizes do Salgueiro, que se une a Beatriz Paula, que passou pela Lins Imperial, Imperatriz Leopoldinense e Botafogo Samba Clube. Ela foi aluna do projeto “Lapidando Talentos”, idealizado pelo primeiro casal da Academia, Sidclei e Marcella Alves.
Leonardo Moreira e Barbara MylenaLeonam Seabra e Beatriz Paula
A Unidos do Viradouro realizou, na noite do último sábado, a primeira eliminatória em chave única do concurso de samba-enredo para o Carnaval de 2024. Como parte da série “Eliminatórias”, a reportagem do site CARNAVALESCO esteve presente e acompanhou essa nova fase da competição promovida pela vermelha e branca de Niterói. Ao todo, oito obras se apresentaram e uma delas será cortada. O anúncio das que seguem no páreo será feito na próxima segunda feira, às 18h, nas redes sociais da agremiação. Já a etapa seguinte da disputa ocorrerá no sábado que vem, dia 09 de setembro.
Foto: Wagner Rodrigues/Divulgação Viradouro
No ano que vem, a Viradouro será a sexta e última escola a passar pelo Sambódromo da Marquês de Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, encerrando os desfiles do Grupo Especial. A agremiação irá em busca do terceiro título de campeã da folia carioca com o enredo “Arroboboi, Dangbé”, sobre a energia do culto ao vodum serpente, que será desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon.
Parceria de Thalita Santos: O primeiro samba a se apresentar foi o composto por Thalita Santos, André Ramos, Gustavo Huber, Leandro Henrique, Marcello Pereira, Tchaca Arruda e Soares, com a participação de Nina Rosa. O intérprete Rodrigo Brites foi quem teve a missão de conduzir a obra. A torcida, apesar de pequena, mostrou animação. Ornamentados com bandeiras e balões nas cores da escola, assim como com bastões de luzes coloridas, eles cantaram e pularam ao longo de toda apresentação. Os momentos de maior canto foram nos refrões, especialmente o principal, que trazia os versos “Arroboboi, arroboboi/Sete cores no meu manto encarnado/Minha caixa é de guerra, é a ponte pro sagrado/No roncar do tambor, Viradouro, alafiou/No roncar do tambor, Viradouro, alafiou”. Outro ponto de destaque no samba foi trecho de subida para o refrão principal, com os versos “No toque do adarrum, na imagem de Doné/A serpente é fundamento, é de jeje o candomblé”.
Parceria de Dudu Nobre: A obra assinada por Dudu Nobre, Samir Trindade, Victor Rangel, Deiny Leite, Valtinho Botafogo, Fabrício Sena, Felipe Sena e Jeferson Oliveira foi a segunda a se apresentar. Os responsáveis por defender o samba na quadra foram a dupla de intérpretes formada por Igor Sorriso e Guto, que tiveram uma boa performance. A obra melodiosa e aguerrida teve um rendimento alto ao longo de toda a apresentação, tendo o seu momento de catarse durante o refrão principal, em especial no verso “Se me desafiar… É Guerra”, cantando duas vezes. Nele, era possível observar as pessoas entoando o samba a plenos pulmões. Aliás, com direito a bandeiras estampadas com o pavilhão da agremiação, os torcedores presentes na quadra fizeram bonito e contagiaram quem estava no local. Tanto que foi possível observar segmentos da escola cantarolando o samba.
Parceria de Renan Gêmeo: O samba de autoria dos compositores Renan Gêmeo, Raphael Richaid, Rodrigo Gêmeo, Bebeto Maneiro, Paulo Cesar Portugal, Marcelo Adnet, Bello, Silvio Mesquita, Carlinhos Viradouro e Ricardo Neves foi o terceiro na ordem de apresentações. A obra foi defendida por um time de cantores encabeçado por Gilsinho, mas que também contava com outros nomes conhecidos como Nino do Milênio e Daniel Silva. Com bandeiras coloridas, a torcida demonstrou bastante empolgação. O canto mais forte ocorria durante os refrões, enquanto no restante do samba era possível observar diversos torcedores sem entoar a obra. O restante da quadra também reagiu apenas de maneira tímida ao samba. Vale mencionar que, além dos refrões, o trecho com os versos “Agô dilê mahim á Dan issu Dan” se sobressaiu positivamente.
Parceria de Igor Leal: A quarta obra a se apresentar nessa eliminatória foi a de autoria de Igor Leal, Gustavo Clarão, Inácio Rios, Márcio André, Arlindinho Cruz, Diogo Nogueira, Igor Federal, Rubinho, Vaguinho e Vitor Lajas, com as participações especiais de Márcio André Filho e Daniel Katar. Os intérpretes Evandro Malandro e Freddy Viana, da Acadêmicos do Grande Rio e da Mancha Verde, foram os condutores do samba. A obra começou a apresentação de maneira mais acelerada, mas depois se estabilizou em um ritmo menos frenético, porém mantendo uma pegada “para cima”. Quanto aos torcedores, ornamentados com bandeiras nas cores da agremiação, eles deram um show na quadra. Com direito a coreografias, cantaram e pularam o tempo inteiro. Em relação a obra, um dos pontos altos foi o refrão principal. Também vale chamar atenção para o início da primeira estrofe do samba, cuja os versos “Arroboboi!/Eu disse: Arroboboi, Dangbé/Alafiou… Alafiou!/Jorra o sangue pra Serpente/Viradouro incorporou” são de fácil assimilação e com uma variação melódica interessante.
Parceria de Lucas Macedo: O quinto samba a passar pelo palco da Unidos do Viradouro nessa eliminatória foi o da parceria de Lucas Macedo, Diego Nicolau, Richard Valença, João Perigo, Cadu Cardoso, Marquinhos Paloma, Orlando, Ambrósio, Lico Monteiro e Silas Augusto. O intérprete Zé Paulo Sierra, que no último Carnaval encerrou uma passagem de uma década pela vermelha e branca de Niterói, é quem defendeu a obra. Apesar do ritmo acelerado, o samba conseguiu manter as variações melódicas. A torcida veio com bandeiras diversas nas cores da escola, além de bexigas vermelhas. Eles cantaram e sambaram ao longo de toda a apresentação. Os momentos de explosão ocorreram no refrão principal, especialmente no trecho “Ô deixa girar/Arroboboi, dangbé”, que era entoado a plenos pulmões até por segmentos da própria vermelha e branca de Niterói.
Parceria de Claudio Mattos: Dando sequência para as apresentações, o sexto samba foi assinado Claudio Mattos, Claudio Russo, Julio Alves, Thiago Meiners, Manolo, Anderson Lemos, Vinicius Xavier, Celino Dias, Bertolo e Marco Moreno. A obra teve a condução de uma dupla de intérpretes de peso, os premiados Tinga e Pitty de Menezes, vozes oficiais da Unidos de Vila Isabel e da Imperatriz Leopoldinense respectivamente, que fizeram um show à parte. Além deles, a torcida também fez bonito. Ornamentados com bandeiras nas cores da Viradouro e bexigas coloridas, eles cantaram, pularam e até fizeram coreografias casadas com trechos da letra. Quanto ao samba em si, o destaque ficou para o trecho que antecede o refrão principal. Os versos “Ê alafiou, ê alafiá, é o ninho da serpente/Jamais tente afrontar/Ê alafiou, ê alafiá, é o ninho da serpente/Preparado pra lutar” foram berrados pelos torcedores da parceria e contagiaram o restante dos presentes na quadra.
Parceria de Mocotó: A sétima obra a passar pelo palco da Unidos do Viradouro foi a da parceria de Mocotó, Peralta, Alexandre Fernandes, Andre Quintanilha, Bira do Canto, Rodrigo Deja, Reinaldo Guimarães, Ronilson, Henrique Vianna e Luiz Mata, com participação especial de André Diniz. O intérprete oficial do Acadêmicos do Salgueiro, Emerson Dias, foi quem defendeu o samba e demonstrou segurança ao conduzi-lo. O cantor estava tão confortável que até mesmo arriscou alguns passos de dança e adotou como caco o chiado de um chocalho de cobra. Sobre a torcida, eles vieram com bastões de luzes pisca-pisca coloridas e, em alguns momentos da apresentação, fizeram movimentos sincronizados, dando um belo efeito visual. Apesar da animação por parte dos torcedores, o canto teve altos e baixos. O destaque ficou para o refrão principal, com os versos “O toque do adarrum bate no couro/Ressoa no tambor da Viradouro/Na dança dos voduns, é feiticeiro/E abençoa o mundo, grande terreiro”.
Parceria de Diego Thekking: Encerrando essa eliminatória, o oitavo e último samba a se apresentar foi o composto por Diego Thekking, Roberto Doria, Claudinho Manhães, Adilson Couto, Thyaguinho Reis, Silvio Henrique, André Couto, Dr Diogo Valente, Thiago Dal Bello e Jandré. Defendida pelo intérprete Thiago Acácio, a obra apostou em um andamento mais cadenciado, que evidenciasse os desenhos melódicos. Mesmo que não tenha arrastado, o samba acabou não empolgando. Até a torcida da própria parceria, que trouxe bandeiras nas cores vermelha e branca, só cantou com mais força os refrões, especialmente o principal, com os versos “ Vejo a luz no Odu Iká, o caminho/Que conduz o meu andar, não tô sozinho/Quando o aguidavi do ogã vibrar no couro/Vai começar o InakiDan da Viradouro”. O curioso é que o destaque dessa apresentação terminou sendo a performance artística realizada por um grupo de mulheres que vieram fazendo alusão às guerreiras de Daomé.
Originalmente marcada para o dia 25 de agosto, a final do samba-enredo dos Gaviões da Fiel foi remarcada por conta do luto. No fim de semana anterior, sete integrantes da torcida organizada de mesmo nome morreram após um acidente na rodovia Fernão Dias. O concurso aconteceu na última sexta-feira, em uma data extremamente convidativa: o aniversário do Sport Club Corinthians Paulista, instituição que uniu os torcedores e fizeram com que ele se tornasse uma das grandes potências do esporte brasileiro.
O Corinthians, querendo ou não, está presente em tudo que envolve os Gaviões da Fiel. E isso ficou evidente no evento citado, com cobertura do CARNAVALESCO: a quadra, localizada no Bom Retiro, Centro de São Paulo, teve um telão para que componentes assistissem o duelo entre os times masters do Timão e do Real Madrid. Após shows, roda de samba, esquenta da bateria, o hino do Corinthians e mais alguns sambas-enredo e alusivos, enfim os sambas começaram a se apresentar.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
O primeiro deles foi o samba quatro, composto por Nando do Cavaco, Bruno Jaú, André Filosofia, Vitor Blanco, Valêncio Gonn e Grego. Depois, veio o Samba Um, escrito por Grandão, Sukata, Guga Pacheco, Claudio Mattos, Juliano, Souza da Cuíca e Japa Ovelha JB. Por fim, chegou a vez do Samba Dez, obra de José Rifai, Biro Mascarenhas, Chris Xavier, Jorginho Vini, Beto Rica e Maurição Guinê.
Gol não: campeão
O escolhido foi o Samba Quatro, o segundo a se apresentar. E os componentes deixaram clara a satisfação ao vencer a eliminatória. “Essa emoção é a mesma coisa de o Corinthians ganhar um título. É o meu terceiro samba que eu ganho aqui apesar dos problemas e de pessoas que não aceitam a nossa vitória, mas vamos respeitar ele. É um sentimento de quem perde. O nosso sentimento de quem ganha é maior que o deles”, comentou Sukata.
Sem tirar peso algum das próprias costas, Japa Ovelha foi enfático. “É uma sensação inexplicável ver toda a torcida cantando o nosso samba. Já sabíamos que éramos os favoritos, estávamos tensos e agora não temos palavras para explicar”, destacou.
Aproveitando para emendar para com a longevidade da parceria, Sukata destacou que o “entrosamento” entre os compositores está bom. “É uma coisa emocionante. Você chega a chorar, como foi no ano do Ronaldo, em 2014, no ‘Basta’, em 2022 na junção. É um negócio legal e muito emocionante. A gente tem uma parceria que estamos juntos há uns cinco anos. Muda um ou outro, mas a base é sempre a mesma. As pessoas que vem com a gente acreditam no nosso trabalho”.
Japa Ovelha concorda – e acredita que o tempo de trabalho juntos deixa tudo ainda mais simples. “Somos uma parceria de alguns anos, ganhamos há dois anos atrás, voltamos a ganhar agora, cada um tem a sua responsabilidade dentro do que vai fazer”, comentou.
Aprovações
Como normalmente acontece em escolas de samba, a canção foi elogiada por diversos segmentos da escola. Sem entrar em muitos detalhes, Ernesto Teixeira, intérprete dos Gaviões, depois de conhecido como vencedor, passou a ser “Eu entendo que todos os intérpretes trabalham da mesma forma. Nesse concurso de samba-enredo, nós temos que nos envolver, participando como autor ou não – e, como intérprete, totalmente. Temos que acompanhar todas as músicas, independentemente até do gosto que possamos ter. Na final, estava atrás do palco cantando os três sambas, pegando o clima e o espírito do carnaval de 2024”, afirmou.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira da “Torcida Que Samba” também aprovou a escolha. “Gostei, com certeza! Casou perfeitamente com a proposta do enredo. Acho que, com esse samba, os Gaviões prometem ainda mais”, comentou Gabriela Mondjian – que foi seguida por Wagner Lima. “É isso! A porta-bandeira fala e a gente obedece. Tirando a brincadeira, o samba casou com o enredo e com a proposta que queremos levar para a avenida. É um hino bacana para colocarmos nossa força na avenida com ele”, destacaram.
Uma das principais escolhas pela canção, Marcelo Temporini, um dos diretores de carnaval dos Gaviões resumiu: “Sim, gostamos do samba escolhido. Qualquer um dos três que estava na final, para nós, qualquer um que fosse escolhido teria seu mérito. Mas, o melhor para os Gaviões no momento, foi o samba um”, comentou.
Por fim, Julio Poloni, um dos carnavalescos da agremiação, destacou a ligação de melodia e história a ser contada no Anhembi. “O samba que os Gaviões escolheram retrata de forma maravilhosa o nosso enredo. Desde o início a gente queria um samba que não só narrasse o enredo, mas que fosse capaz de chamar o público para fazer essa grande viagem fantástica e lúdica que é o nosso enredo. É uma viagem que nós vamos criar. O que a gente queria era um samba que fosse capaz de arrebatar as pessoas para isso. E acho que conseguimos”, afirmou.
Voz da experiência
Mais longevo intérprete do carnaval paulistano (e sempre dos Gaviões), Ernesto Teixeira desconversou quanto perguntado sobre a receptividade da Torcida Que Samba em relação à canção – sem, antes, tentar explicar a situação. “Nessa hora, você nem consegue captar muita coisa. O pessoal já cansado, cada samba se apresentou por mais de meia hora… agora, é ir para o nosso primeiro ensaio, no dia quinze de setembro, para sentir efetivamente como o trabalho vai começar a ser desenvolvido”, disse.
Outro comentário que chamou atenção (agora, pela humildade) foi ao responder sobre se um dos motivos pelos quais é um dos grandes intérpretes da história do carnaval paulistano, ele preferiu olhar para os pares: “Eu entendo que todos os intérpretes trabalham da mesma forma. Nesse concurso de samba-enredo, temos que nos envolver, participando como autor ou não – e, como intérprete, completamente. Temos que acompanhar todas as músicas, independentemente daquele gosto que possamos ter. Na final, estava atrás do palco cantando os três sambas e pegando o clima, pegando o espírito para o carnaval 2024”, vislumbrou.
Olhando para o futuro
Com o samba-enredo já definido, nada mais natural que começar a pensar no futuro. Foi o que fez Julio Poloni: “Consigo imaginar o samba inteiro na avenida. Isso vai ficar bem nítido. Têm algumas partes especiais, mas prefiro soltar aos poucos. Eu estou aqui em três carnavais e estou vendo uma coisa totalmente diferente dos últimos anos. Não é segredo pra ninguém que enfrentou diversas dificuldades que impactaram no carnaval da escola, mas esse ano estamos com mais foco, especialistas na área e eu acho que estamos trabalhando com outra situação. Está nos permitindo fazer um carnaval competitivo”, disse.
Pensando menos no samba-enredo e mais na escola como um todo, Temporini deu datas para a comunidade se programar. “Quanto ao planejamento, estamos com os pilotos das fantasias prontos e vamos apresentar para os nossos componentes no dia 07 de setembro. Agora, os próximos passos são seguir com a fantasias no ateliê, graças a Deus estamos adiantados nesse ano. Os Gaviões da Fiel têm gestão, trabalhamos não um ano para fazer um carnaval, trabalhamos três anos para fazer um carnaval agora. Os dois primeiros anos viemos para nos manter e, agora, vamos fazer um carnaval de verdade”, finalizou.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira não fica atrás quando o assunto é planejamento e pensamento no futuro. “Na verdade, já temos um esboço da coreografia, só estávamos esperando a escolha do samba para casar os últimos ajustes. Podemos falar que o nosso trabalho está bem adiantado nesse ponto, estávamos esperando apenas o samba para dar continuidade”, destacou Gabriela. Já Wagner buscou ser mais lúdico. “É como se fosse um Lego, um quebra-cabeça. Um depende do outro, uma peça depende do outra. A gente já tinha a coreografia e sabemos o que faremos na avenida. Mas precisávamos de uma peça fundamental, o samba-enredo para levar para a pista – e, assim, encerrar o nosso trabalho”, pontuou, relembrando que ambos já estão ensaiando duas vezes por semana e, com o samba-enredo definido, irão para três encontros semanais.
De dentro para fora
Muitos se perguntam como uma escola de samba escolhe uma canção – e isso muda de agremiação para agremiação. Temporini explicou como todo o processo feito: “O samba está totalmente dentro do enredo, é importante destacar isso. Ele foi escolhido da seguinte forma: vem o voto da bateria, outro voto do carnavalesco e um da direção de carnaval – que é composta por onze pessoas. Aí, foi levantado quem gostou de cada um dos sambas. A maior votação foi no Samba Um – e, juntando com o carnavalesco e a bateria, ele venceu”, afirmou.
Por fim, Sukata observou uma movimentação especial no momento em que a canção escrita porá ele foi a favorita “Acho que a torcida maior não é a nossa e sim a quadra. É a comunidade e o canto. Sem saber, sem entregar uma letra e sem fazer nada. Qualquer torcida é contratada, mas o vale é a comunidade e hoje o que aconteceu foi isso”.
A comunidade da “Vila Mais Famosa” conheceu nessa sexta-feira o hino que guiará a Unidos de Vila Maria na luta pelo seu retorno ao Grupo Especial no Carnaval 2024. Em final marcada pelo peso das torcidas que compareceram à quadra da Vila diante de quatro obras de peso, o samba escolhido para defender o enredo “Forjados na Luta, Guiados na Coragem e Sincretizados na Fé: a Vila Canta Ogum!” foi o de número 08, composto por Véia, Roberto Garcia, Martins, Zeca do Cavaco, Matheuzinho, Maradona e Dão. A equipe do site CARNAVALESCO conversou com diferentes segmentos da agremiação sobre o resultado do concurso.
União de grandes nomes em busca do melhor samba
Verdadeiros poetas do samba paulistano, Dão e Maradona disputaram vários concursos em anos anteriores pela escola como adversários, mas para 2024 se uniram na mesma parceria. Os compositores falaram do sentimento de ganhar o concurso da Vila Maria.
Cria da escola e um dos responsáveis pela obra mais bem-sucedida da Vila, do desfile terceiro colocado de 2008, Dão não escondeu o orgulho de ter mais uma vez o samba escolhido pela agremiação. “É o quinto samba que eu ganho na escola. O sentimento de quem é cria da escola, de quem é formado na escola, cresceu nessa escola, é um sentimento muito grande. Ganhei um samba dentro da minha casa, fazendo samba para meu povo, e nós tivemos muito cuidado de fazer esse samba nos detalhes. Melodia, letra, colocação, ponde poderíamos chegar ou não. A felicidade é muito grande, porque temos a família da gente que nos acompanha negócio. É muito feliz ganhar um samba na Vila Maria”, declarou.
Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO
Multicampeão por várias escolas, Maradona fez questão de exaltar a força e a importância da Vila mais famosa. “Para mim a Vila Maria se não é a maior potência do carnaval é uma das. Existiam anos que tínhamos aqui dentista, manicure, pedicure, cabeleireiro, tinha aula de computação. Tem praticamente uma vila olímpica no fundo da quadra, com um campo maravilhoso. Eu sou um apaixonado pela cultura, e quando falamos de cultura, de samba, nós representamos essa cultura. Essa representatividade da Vila Maria, eu peço a Deus, a Ogum e a São Jorge para que proteja sempre essa escola para que ela mantenha e tenha mais força ainda para mais energia ainda para essa comunidade da Zona Norte. Faz parte a gente não ter um espaço para poder levar os filhos, para jogar uma bola, para pessoas como uma da minha família que não tem condições de pagar um corte de cabelo ou uma aula de computação. Quem não sabe mexer com computador não chegar a lugar nenhum. A escola ofereceu tudo isso. Talvez hoje ela não está oferecendo, mas a gente reza e torce para que ela volte aos tempos áureos dela. Que essa vitória, com esse enredo forte que é Ogum, faça trazer essa energia positiva novamente para a escola. A escola é uma escola de Grupo Especial, que briga pelo título. Aconteceu de cair esse ano, mas vão levantar a cabeça e vão subir novamente, eu tenho certeza absoluta disso. É uma escola que tem um comando firme, pela sua diretoria, pela sua presidência, mas aconteceu, falhas acontecem. Mas estamos aqui, firmes e fortes, e fizemos um samba maravilhoso”, disse.
Dão celebrou a escolha da Vila Maria pela escolha do enredo para o Carnaval 2024, e contou como os compositores trabalharam para conceber uma obra que se adequasse às características da escola. “A nossa escola sempre seguiu um pensamento sobre fazer um samba afro pensando não ser o perfil da escola. Mas esse ano a escola achou que tinha que fazer esse perfil de samba, e procuramos fazer uma coisa que não ficasse muito fundada nem para um lado e nem para o outro. Procuramos trabalhar em cima do sincretismo. Vamos falar dos Oguns, que é o tema da escola, e a escola pediu para trabalharmos um pouco essa parte do sincretismo religioso. Procuramos fazer a parte de Ogum, depois pegamos a parte de São Jorge, para que a comunidade pudesse cantar um samba sem muita influência nem de um lado e nem de outro. Tivemos uma dificuldade grande para trabalhar letra e melodia, e acho que a Vila Maria vai com um baita samba para a Avenida”, explicou.
Maradona detalhou quais foram os caminhos escolhidos pela parceria para conceber o samba que melhor se adequasse ao momento da escola. “Fizemos três reuniões, a terceira foi para lapidar o samba, e optamos por fazer um samba com uma letra mais popular. Poderíamos rebuscar mais a letra e a melodia, mas pensando em um jogo rápido, olhando um para o outro, chegamos a uma conclusão de que o menos era mais. Fizemos uma melodia e uma letra mais reta, mais simples e que tenha força, e o samba é forte. O samba tem um comunicado que vai até o componente mais rápido. Não é tanta poesia quanto costumamos usar, mas para chegar no coração daquela que tá lá em cima é muito mais fácil do que no daquela que tá aqui embaixo. Essa que tá aqui embaixo você tem que ser mais direto, mais simples, porque o menos é mais. Eu tenho certeza que a Vila Maria vai conquistar seu lugar novamente no Grupo Especial, e eu vou ficar muito feliz”, concluiu.
Bateria surpreende com bossas para cada samba concorrente
Líder da bateria “Cadência da Vila”, mestre Moleza explicou como ocorreu a escolha do samba vencedor e contou a estratégia que terá para conduzir o ritmo da obra.
“É uma banca de jurados, de pessoas bem competentes. Uma mescla de diretores, músicos e produtores. É uma escolha bem democrática, com lisura, e acho que quando escolhemos o samba ele se torna o melhor. Era o melhor para muita gente, não era o melhor para alguns e tinha algum detalhe para outras pessoas, mas a partir do momento que ele ganhou ele precisa ser o melhor. Ele pode ter, se necessário, ter um ajuste de letra ou de melodia, e cabe a gente, e eu tenho essa responsabilidade também de deixar ele, que já é um grande samba, um samba muito forte e muito mais competitivo do que ele já é. Como vou fazer isso? Através dos arranjos que a bateria vai fazer, através das dinâmicas que a gente vai colocar para exaltar algumas partes do samba e deixar ele melhor ainda do que já é. Eu gosto de um desafio, a minha carreira é pautada nisso, pela inovação, criatividade e sair da zona de conforto. O que eu posso dizer de antemão é que esperem um grande trabalho e um grande samba na Avenida e com grande desempenho da bateria da Vila Maria”, disse o mestre.
Para Moleza, algumas características da composição campeã foram fundamentais para fazer dela a escolhida pelo júri da Vila Maria.
“A leveza, o dinamismo do samba. É a primeira vez depois de muito tempo que a escola traz um enredo afro, então essa transição de temas favoreceu esse samba por ele ser um samba dinâmico, mais voltado para a cara da escola. Não é aquele samba denso, pesado, em tom menor, mais lamentado. Acho que a opção pela maioria que estava no júri foi essa”, opinou.
Que a “Cadência da Vila” é uma das mais renomadas baterias do carnaval de São Paulo isso ninguém discorda. Mas para a final de samba da Vila Maria deste ano os comandados do mestre Moleza trouxeram uma inovação, e cada um dos sambas finalistas recebeu três bossas feitas especialmente para eles. As torcidas foram surpreendidas com a novidade, que contribuiu para a grandiosidade do evento. O mestre afirmou que algo parecido já ocorreu no passado, mas com as características dessa final é inédito.
“Nós fizemos em um ano, acho que 2016 ou 2017, mas nós relembramos bossas que tínhamos de outros carnavais e adaptamos aos sambas. Agora esse ano foi totalmente diferente, são bossas novas já com a intenção afro, com o toque do adarrum, com outros toques para Ogum que viemos ensaiando já nas oficinas e colocamos nos quatro sambas concorrentes. Eu não tenho registros, então com certeza é a primeira vez e vem a calhar no que eu falei. É a força, é a garra, com a característica da bateria que é de inovar e sair da zona de conforto, fazendo cada vez melhor. E foi legal porque a galera comprou a ideia. Eu saio daqui feliz pelo meu povo e pela entrega, que eles estão fechados comigo e com a escola”, concluiu.
Foco no trabalho
Para o Diretor de Carnaval da Vila Maria, Queijo, o foco da escola está todo dedicado ao trabalho de alcançar o objetivo maior de retornar ao Grupo Especial. Exaltou o samba escolhido pela escola e projetou os próximos passos da comunidade da Zona Norte.
“Na minha opinião o samba campeão da Vila Maria para o Carnaval 2024 é um samba de melodia forte, com uma letra completa dentro da sinopse. Existe um grupo de jurados onde falamos de todo tipo de avaliação e chegamos nessa decisão. Vamos trabalhar de acordo com o nosso objetivo, que sempre foi o trabalho. Vamos trabalhar, cantar, dançar e mostrar a energia da Vila Maria”, declarou.
Após cinco etapas e um mês de competição, o concurso para eleger a Rainha do Carnaval do Rio de Janeiro de 2024 chegou ao fim nessa sexta-feira. A microempreendedora Gabriella Mendes Medeiros, de 20 anos, candidata da Mocidade Independente de Padre Miguel, foi quem se sagrou vencedora da disputa e conquistou a coroa maior. A segunda colocação ficou com a dançarina Bruna dos Santos Gomes de Menezes, de 18 anos, representante da Estação Primeira de Mangueira; enquanto a esteticista Ana Carolina de Souza, de 33 anos, da Unidos de Bangu, terminou em terceiro lugar. Com isso, as duas também irão integrar a Corte da folia carioca no ano que vem, ocupando os postos de primeira e segunda Princesa, respectivamente. Logo após o anúncio do resultado, a reportagem do site CARNAVALESCO conversou com Bruna e Ana Carolina sobre a emoção de conquistar uma das vagas.
“Estou em êxtase ainda. Muito feliz, extremamente grata, honrada em estar na Corte, independente de ser segunda Princesa, primeira Princesa ou Rainha. Claro que almejamos muito a coroa maior, mas estou feliz com a vitória da minha amiga Gabi Mendes e de poder estar com ela. Me sinto realizada, muito feliz mesmo, e espero que tenhamos um ótimo reinado. Que possamos levar muita alegria, muita verdade e também o que a gente tem de melhor para dar, que é o nosso samba no pé”, afirmou Bruna.
Bruna dos Santos Gomes de Menezes, de 18 anos, representante da Estação Primeira de Mangueira
“Quando eu cheguei neste palco, eu já me senti uma rainha. Foram 106 meninas maravilhosas trazendo um pouco da sua história, da nossa categoria passista, sambistas profissionais, e a sua bandeira. Muitas escolas que não eram tão conhecidas, hoje puderam mostrar quem são. Então, por tudo isso, já me sinto lisonjeada. Independente da coroa, estar fazendo parte da Corte e podendo representar todas essas meninas que passaram aqui e também deixaram sua história, cada uma com sua particularidade, é algo incrível”, declarou Ana Carolina.
Esteticista Ana Carolina de Souza, de 33 anos, da Unidos de Bangu
Bruna dos Santos, também conhecida pelo apelido carinhoso de Bruneca, iniciou a trajetória na folia em 2015, na Mangueira do Amanhã. Posteriormente, ela chegou ao posto de primeira princesa da agremiação mirim, até fazer a estreia na ala de passistas da escola mãe, a Mangueira, em 2023. Agora como a mais nova integrante da Corte do Carnaval, a jovem fez questão de enaltecer a representatividade dessa composição da realeza momesca para o ano que vem, na qual todos os membros são oriundos de comunidades de escolas de samba.
“Me faltam palavras para descrever o que isso representa. É algo de extrema importância para nós, passistas, estarmos neste palco. Só de participar já é extremamente importante. Acredito que a gente esperou muito tempo para isso acontecer, que é uma Corte totalmente de passistas, de sambistas de verdade. Então, estou muito feliz com essa nova roupagem que a Riotur implementou de fazer esse concurso voltado para as passistas, para as meninas de comunidade mesmo, de dar essa oportunidade para todas. Até as que não estão na Corte, acredito que tenham sido ajudadas por esse modelo, afinal ganharam visibilidade. Além disso, fez as outras acreditarem que realmente elas podem, como eu posso e sou a primeira Princesa hoje”, avaliou.
Conhecida pelo nome artístico de Carol Padilha, a nova segunda Princesa da folia carioca desfila há 11 anos na Unidos de Bangu. Na vermelha e branca, ela já atuou em diferentes funções, indo desde integrante da comissão de frente até o posto de musa. Sendo a única representante na Corte Real vinda de uma agremiação da Série Ouro, a beldade exaltou a importância de se olhar mais para as escolas de fora do Grupo Especial e para os sambistas que lá estão.
“Sempre teclei bastante nesse botãozinho, porque é muito importante a visibilidade e o valor dessas escolas, dos profissionais que ali trabalham. Hoje, consegui atingir esse reconhecimento que é estar na Corte representando a Unidos de Bangu, que é da Série Ouro. Quantas outras pessoas talentosas tem ali e nas demais escolas que não desfilam no Especial, mas que estão escondidas? Nós podemos ver isso aqui no decorrer do concurso, em que tivemos diversas meninas maravilhosas vindas de escolas da Série Ouro, Prata, Bronze, além dos blocos. Então, é fantástico, me sinto honrada por poder representar essas meninas que, assim como eu, vieram da Série Ouro e das outras categorias”, assegurou.
Além da faixa e da coroa de Princesas do Carnaval, Bruna e Ana Carolina também faturaram um prêmio em dinheiro no valor de R$ 32.500. Já Gabriella Mendes, eleita Rainha da folia carioca, embolsou a quantia de R$ 45.500.
A Cidade do Samba foi palco, na noite dessa sexta-feira, da grande final do concurso que definiu a Corte do Carnaval do Rio de Janeiro de 2024. Além da disputa feminina, houve ainda a eleição do novo Rei Momo. O grande vitorioso foi o comerciante Caio César Dutra da Silva, de 27 anos, representante da Estação Primeira de Mangueira. Ele superou, ao todo, outros 24 postulantes ao posto, quatro deles na final. Tendo iniciado a trajetória na folia carioca ainda criança, na São Clemente, Kaio Mackenzie, como assina artisticamente, chegou em 2009 na verde e rosa, sendo passista da agremiação desde 2016. Atualmente, ele ainda ocupa o cargo de coordenador dos passistas na Caprichosos de Pilares. Após o resultado e a coroação, Kaio conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO sobre o sentimento da vitória.
“É uma honra e uma alegria muito grande. Durante a semifinal e a final, ao longo desse processo de disputa, sempre procurei deixar claro que eu estava neste palco pelo amor e pela gratidão que tinha ao Carnaval. E sempre que me dou ao Carnaval, ele me traz algo de positivo. Essa vitória aqui é mais um exemplo. Prometo um reinado de muita entrega, de muita felicidade, de muita alegria. Estou em êxtase, muito feliz em poder representar o Carnaval que eu sempre amei, que eu vivi, nasci e me criei, além de estar representando essa cidade maravilhosa. Pretendo levar o samba, o Carnaval e o Rio de Janeiro para o mundo inteiro, se possível”, afirmou.
Ainda no bate-papo com a reportagem, Kaio Mackenzie relatou qual seu maior objetivo como Rei Momo. De acordo com ele, o principal desejo é usar o posto para dar mais visibilidade e levantar a bandeira dos passistas.
“O meu sonho como Rei Momo é trazer mais essa valorização para os passistas. Apesar de sermos mais respeitados hoje em dia, ainda precisamos batalhar muito para conseguir atingir o que nos é de direito. O meu desejo é que os passistas, de fato, fiquem sempre no topo”, declarou.
Com a eleição, Kaio Mackenzie levou para casa, além da faixa e da coroa, um prêmio de R$45.000. O segundo colocado na competição, o professor de dança e estudante João Vitor Tavares Frazão Araujo, de 18 anos, representante da Rosas de Ouro, ficou com o título de Vice-Rei Momo e faturou uma quantia de R$ 8.000.