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Unidos de Padre Miguel faz ensaio irretocável e mostra que não precisa de milagre para o título da Série Ouro

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Por Luiz Gustavo Thomaz, Guibsom Romão, Maria Clara, Matheus Morais e fotos de Nelson Malfacini

A Unidos de Padre Miguel pisou na Marques de Sapucaí, na noite do último sábado, encerrando a temporada de ensaios técnicos da série Ouro como se estivesse no desfile oficial. Uma energia absurda, um canto visceral do início ao fim e todos os quesitos passando de forma impecável. O que se viu foi um ensaio de uma escola que se mostra preparada para seu objetivo tão almejado, subir para o grupo Especial. Entre tudo que esteve no mais alto nível, destaque para o chão da escola que beirou a perfeição, e um samba que se mostrou muito forte. A Unidos colocará à prova todas essas credenciais no sábado de carnaval, dia 10 de fevereiro, sendo a quinta escola a desfilar, com o enredo “O Redentor do Sertão”.

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Harmonia

A escola só apresentou pontos positivos, mas a harmonia foi o destaque máximo da escola. Um canto fantástico, quase uníssono, durante todo o tempo em que a agremiação da Vila Vintém esteve na avenida. O samba em sua totalidade na ponta da língua dos componentes, sendo entoado com extrema vibração em todas as alas. Os refrãos são sempre um ponto de explosão, principalmente, o de cabeça que era cantado com clamor pelos componentes, mas não houve dissonância nos outros trechos do samba. A escola teve quase uma passada sem a voz dos intérpretes por conta de um problema no carro de som e os desfilantes seguraram no gogó com força. Destaque também para os diretores de harmonia cantando com muita euforia. Foi um desempenho de impressionar.

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Evolução

Outro ponto impecável do ensaio. A escola esteve extremamente organizada, mesclando entusiasmo com disciplina, sem abrir buracos ou espaçamentos dentro das alas. Evoluiu em ótimo ritmo, sem atropelos e sem lentidão, e contagiando quem assistiu ao ensaio. Uma sintonia fina entre direção de harmonia e componentes que a escola busca repetir em seu desfile oficial.

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“Fantástico! Se o samba não funcionasse não vinha tanta gente atrás da escola aí como vocês viram agora. A gente fala ‘é a última escola’, mas se for a última escola e não agradar ninguém não vem. E aí veio a Sapucaí inteira fazendo essa corrente com a gente. Maravilhoso cara, estou satisfeito demais. A gente está trabalhando muito. Muito, muito, muito… E também todos ligados em corrente fervorosa para que seja vindo esse milagre para a gente. Bateria e carro de som são uma coisa só aqui. Aliás, bateria e carro de som são uma coisa só em termos musicais, são uma coisa só em qualquer lugar, mas tem lugares que não tem uma grande afinidade então, às vezes não dá certo. Mas, graças a Deus, a padim Cicero Romão, a Xangô, a Oxum, a todo orixá, aqui funciona muito bem, até porque o meu relacionamento com o Dinho (mestre de bateria da UPM) é de muita proximidade. A gente tem muita proximidade um pelo outro, nos tratamos como familiares, somos primos, a gente se trata como primos, tem muitos anos que a gente tem vontade de trabalhar um com o outro, então o momento chegou e a gente simplesmente colocou isso em prática e está aí, o resultado é esse. Muito bacana”, disse o intérprete.

Samba-enredo

Um dos destaques da safra da série Ouro, o samba da parceria composta por Claudio Russo, Richard Valença, Thiago Vaz, W.Correa, Orlando Ambrósio, Miguel Dibo, Lico Monteiro e Cabeça do Ajax mostrou todas as suas qualidades nesta noite. Uma melodia envolvente e com ótimas variações, jogando o canto do componente pra cima e uma letra que funciona como uma prece pertinente ao enredo sem ser cansativa, o que ficou claro no ensaio. O samba iniciou com uma pressão fortíssima e terminou no mesmo nível. Bruno Ribas em seu segundo ano na agremiação encaixou como uma luva na escola e com este samba especificamente.

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“Nós só fizemos o que a gente tem feito dentro da comunidade. Agora, a gente vai procurar ver os vídeos. Detectar algumas coisas e tentar acertar no dia do desfile. Por isso que a gente botou um drone aí para a gente ver por cima. E a gente vê o errado, a gente vai tentar acertar no último ensaio do dia 2 para chegar aqui forte. A escola está 95% pronta. Vamos desfilar com 1900 componentes”, contou Cícero Costa, diretor de carnaval.

Mestre-sala e Porta-bandeira

A Unidos de Padre Miguel tem quesitos consolidados há bastante tempo. O casal formado por Vinicius e Jessica é um deles, e mostraram o entrosamento de quem forma o casal principal da escola há dez anos. Muito queridos pela comunidade, eles foram bastante aplaudidos durante a apresentação, que foi de ótimo nível. O casal somou coreografias ligadas à letra do samba e feitas com um bom entrosamento, com giros e uma dança de bastante agilidade por parte de ambos.

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“Foi ótimo. Mas a gente sempre tem um negócio para melhorar. Sempre tem. Nós somos muito perfeccionistas. E exigentes com a gente mesmo. Sempre vai falar que sempre tem um pouquinho para melhorar. A gente sempre procura esses detalhezinhos para a gente poder trabalhar em cima, porque um detalhe sempre é importante. Toda apresentação no contexto é importante. Um braço, um olhar, uma perna, um giro, tudo, a postura é sempre importante. A gente sempre procura essas pequenas coisinhas para a gente melhorar sempre. Só o que eu tenho a falar é que a coreografia de hoje foi a oficial. Não posso dar spoiler de fantasia, não. Isso vocês verão aqui e vai ser apresentado no dia. Mas a fantasia deixa surpresa para vocês, aguardem”, disse a porta-bandeira.

“O ensaio técnico foi ótimo. Nós, graças a Deus, conseguimos realizar tudo aquilo que propusemos a fazer. Mas é aquilo, é sempre buscando a evolução. Nunca está ótimo. A gente vai continuar treinando, intensificando, ver como é que foi hoje para poder melhorar no dia 10. Além do que a minha porta-bandeira falou, creio que a energia, dosar em algum momento, explorar mais a energia em outros, que é primordial”, completou o mestre-sala.

Comissão de frente

Outro quesito seguro da escola. David Lima também completa dez anos como coreógrafo da comissão e apresentou neste ensaio uma coreografia bem teatralizada, terminando com padre Ciço abençoando duas fiéis com bandeiras erguidas da agremiação, como concedendo o milagre que a escola pede em seu samba, e que mostrou todas as possibilidades de alcançá-lo após este excelente ensaio.

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“Olha, foi muito positivo, nós conseguimos fazer em todas as cabines os 80% que eu trouxe hoje. Os 20% a gente está concluindo no barracão, que é o tripé, o elemento cenográfico, que é a surpresa que faz parte. Nós somos com 16, tem uma mágica, porque tem uma surpresa aí. Não vou dar muito spoiler,ela é uma comissão muito religiosa, ela é uma comissão forte, que eu tenho certeza que desse início, eu não posso falar muito, vai ser lindo na avenida. As pessoas vão ficar emocionadas. E nós vamos entrar e atingir o que o carnavalesco me pediu. Tenho certeza, porque ele está muito feliz nos ensaios, então está dando certo”, garantiu o coreógrafo.

Outros destaques

A bateria do experiente mestre Dinho teve mais um desempenho redondo na Sapucaí. Também chamou atenção a beleza e simpatia da rainha Thalita Zampirolli, em seu segundo ano reinando à frente da bateria.

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“Para mim foi perfeito, porque a gente já está ensaiando um bom tempo. Infelizmente, o som aqui não ajuda muito, e a gente como tem uma bateria grande, às vezes acontece algum atropelosinho aqui e ali, mas não é por conta da bateria, é por conta do som e fica muito ruim. Temos uma fantasia muito legal. Não posso falar muito”, fez mistério o mestre Dinho.

Comissão de frente e bateria se destacam em ensaio técnico da Ponte, que apresenta problemas em harmonia

Por Rafael Soares, Guibsom Romão, Maria Clara, Matheus Morais e fotos de Nelson Malfacini

A Unidos da Ponte foi a segunda escola da Série Ouro a realizar seu ensaio técnico na noite deste sábado, na Marquês de Sapucaí. A agremiação de São João de Meriti teve um bom começo de treino, com uma ótima apresentação da comissão de frente, com movimentos fortes e boa sincronia, e um seguro desempenho do casal de mestre-sala e porta-bandeira. O samba-enredo, um dos melhores do grupo, apesar de difícil, foi muito bem conduzido pelo time de cantores da escola, comandado por Kleber Simpatia, e pela excelente atuação da bateria de mestre Branco Ribeiro, com um andamento adotado muito propício e com bossas de alta musicalidade e nível técnico. A evolução foi correta, sem nenhum sobressalto. Porém, a harmonia da azul e branco não correspondeu à altura. O volume de canto deixou a desejar em boa parte do ensaio, onde basicamente apenas o refrão principal era ouvido com mais intensidade.

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A Ponte será a oitava e última escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, dia 9 de fevereiro, com o enredo “Tendendém – O axé do epô pupá”, de autoria do carnavalesco Renato Esteves, que contará a história do dendê, desde sua origem mítica nas terras africanas até sua chegada ao Brasil por meio da diáspora.

Comissão de frente

Comandado pela coreógrafa Deia Rocha, o grupo se apresentou com 15 mulheres. Elas estavam usando roupas douradas, com saias que davam um belo efeito nos giros. Uma das integrantes tinha maior destaque e usava roupa vermelha, representando uma orixá. A dança se mostrou bastante forte, com movimentos intensos e muito bem sincronizados. Uma apresentação bem no estilo afro, casando com o enredo. Ao final, as bailarinas se reuniam ao redor da personagem central, que pegava um bastão de fumaça vermelha, dando um toque especial no número.

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“Para a gente, foi melhor do que a gente imaginava. A gente conseguiu fazer tudo o que a gente queria. As meninas sentiram um gostinho do que vai ser daqui a duas semanas. Foi incrível. A gente vem com um tripé. Ele auxilia nas coisas que a gente vai fazer, por isso que a gente está trazendo. É pequenininho ali, mas a gente vai trazer sim. Surpresa, transformação e muita força, força, com certeza”, contou a coreógrafa.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Emanuel Lima e Thainara Matias, mostrou uma dança muito segura e tradicional. Apostando bastante nos giros, os dois tiveram muita sincronia nos movimentos, que aconteceram com leveza. Foram poucos passos coreografados de acordo com o samba. As interações entre eles foram doces e bonitas.

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“A gente fez a coreografia oficial, acho que tudo que a gente planejou até então deu certo. Agora a gente vai ver os vídeos, porque não é a mesma coisa ensaiar e no dia do ensaio técnico alguma coisa muda, que a gente consegue ver coisas que a gente não vê no dia a dia. Vamos analisar várias vezes para ver se é isso mesmo que a gente vai trazer. Acho que é uma coisa é a questão da centralização, algo que a gente precisa trabalhar, mas que para gente foi muito bom, pelo que a gente conversou com a nossa ensaiadora, a gente conseguiu estar bastante no centro, mas é algo que a gente tem uma preocupação de ter que lembrar de fazer”, comentou a porta-bandeira.

“A gente até está muito feliz. Nós vamos ver os vídeos agora pra avaliar. Mas assim, foi um ensaio técnico super positivo para gente. A energia foi muito boa. Tanto de fora, o que é muito importante para gente. Sentir essa energia de fora”, completou o mestre-sala.

Samba-enredo

A obra musical da Unidos da Ponte é considerada uma das melhores da Série Ouro. Ela possui uma letra muito forte, que conta bem a história do enredo, embora com termos um tanto difíceis. A melodia é valente e tem boas variações. O desempenho do samba foi impulsionado pela atuação do carro de som e da bateria, mas os componentes da agremiação não acompanharam o nível. Portanto, o rendimento geral pode melhorar.

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Harmonia

Quesito que deixou a desejar no treino da Ponte deste sábado. O volume total de canto foi de razoável para baixo, com apenas algum destaque para o refrão principal. Várias alas passaram com pessoas sem cantar ou entoando só alguns trechos. Talvez a letra difícil tenha complicado a harmonia da escola, que precisa evoluir. O desempenho do carro de som foi ótimo, principalmente do cantor oficial Kleber Simpatia, que deu uma aula de interpretação, com sua distinta voz e animação. Os cantores de apoio deram uma bela contribuição, mostrando bom entrosamento.

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“Nós estamos ainda no calor da emoção. Mas o ensaio técnico é para ajustar. Eu espero que algumas partes se ajustem. Vamos avaliar para ver como é que foi. Se for para acertar alguma coisa, são detalhes. Eu nem vou falar nada que possa melhorar, porque a minha parte musical é a parte da emoção. Eu não vi nada errado, mas pode ter acontecido. O entrosamento com a bateria é excepcional. Já estávamos com esse caminho já traçado desde do início, quando começamos a trabalhar o samba junto com a bateria. Não tem jeito, as coisas vão se encaixando, vão se encaixando até chegar aqui. A minha visão é que foi maravilhoso”, afirmou o intérprete.

Evolução

A Unidos da Ponte teve um bom desempenho em sua evolução, de forma geral. O ritmo na pista se mostrou constante, sem lentidão ou correria. Nenhum buraco foi aberto entre suas alas. Um ponto que pode melhorar é a animação e espontaneidade dos desfilantes. Muitos passaram arrastando pé ou brincando pouco.

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“O ensaio foi bom. A escola veio e mostrou para o que veio. A comunidade veio com bastante garra, a escola cantando. Ponto alto é a ala das passistas, que ano passado não teve fantasias, esse ano a gente está dando uma investida melhor na ala de passistas. As fantasias já estão prontas. Já começamos a entregar, já temos sete alas entregues, todas as fantasias prontas. E 90% do nosso barracão está pronto. Vamos puxar mais um pouquinho o canto. Por mais que isso tenha sido muito bom, mas é sempre bom melhorar”, disse Gabriel Macedo, diretor de carnaval.

Outros destaques

A atuação da bateria de mestre Branco Ribeiro foi ótima no ensaio técnico da Ponte. Os ritmistas mostraram muita firmeza no toque dos instrumentos. O ritmo que foi adotado se mostrou muito adequado para a execução do samba. Um grande número de bossas foi apresentado ao longo da avenida, com bastante musicalidade e muito bem encaixadas na obra. Todas muito criativas e funcionais.

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“Estou extasiado. De verdade, superou todas as minhas expectativas, mas a gente vem trabalhando há um bom tempo, diferente dos outros anos que a gente tinha uma dificuldade de conseguir ensaiar a bateria, esse ano a gente conseguiu iniciar esse trampo mais cedo. E o resultado disso foi obviamente melhor do que nos outros anos e infinitamente melhor do que eu esperava. Eu acredito que no que a gente tem como proposta a apresentar está tudo bem legal, tudo bem encaixadinho. Eu acho que a questão de detalhe da atenção mesmo de um ritmista ou outro no momento da execução desses recursos, mas de resto está tudo bem. Acho que hoje a gente tem um timbal aí que também vai contribuir, somar bastante com a sonoridade da nossa bateria. A gente até já trouxe um spoiler nos nossos instrumentos ali, que é uma pintura ritualística, a bateria vem caracterizada de Iaô. É uma fantasia grande, volumosa, tem pintura, é um trabalho diferente para a gente”, revelou o mestre.

Em Cima da Hora faz ensaio técnico na Sapucaí com problema de canto dos componentes em noite da bateria

Por Luiz Gustavo Thomaz, Guibsom Romão, Maria Clara, Matheus Morais e fotos de Nelson Malfacini

A Em Cima da Hora abriu a última noite de ensaios da série Ouro mostrando que precisa
melhorar muito o canto dos seus componentes para fazer um bom papel no desfile oficial. A azul e branco de Cavalcante não teve um canto forte em basicamente nenhuma ala, várias passaram praticamente mudas, outras cantavam apenas a partir do trecho “não é mole não, não é mole não….”. Foi de longe o destaque negativo de um ensaio que apresentou qualidades, como a boa apresentação do casal Marcinho Souza e Winnie Lopes, uma comissão de frente bem ensaiada e principalmente a firme bateria comandada pelo mestre Léo Capoeira. A escola será a segunda agremiação a desfilar no sábado de carnaval, dia 10 de fevereiro, apresentando o enredo “A Nossa Luta Continua!”.

“Foi muito proveitoso. Acho que o ensaio apareceu aí para gente poder errar, acertar. E tenho certeza que nós conseguimos fazer o que a gente tinha em mente. Foi bastante exitoso para gente, o pessoal cantando. Claro que a gente tem a consertar e a melhorar para o dia fazer o melhor possível para a Em Cima da Hora. Mas já notei algumas coisas que a gente pode ajeitar durante a semana agora, no próximo ensaio, nos dois próximos ensaios antes do desfile. Vamos com 2.100 componentes, cinco alegorias no total, que é um carro acoplado e um tripé”, revelou Gustavo Barros, diretor de carnaval.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Marcinho e Winnie fizeram uma apresentação muito segura, de movimentos bem
coordenados, precisão e boa dança. Winnie chamou a atenção pela elegância nos seus
passos, postura corporal impecável e bonito bailado, bem acompanhada pelo vigor e
firmeza de Marcinho. Um belo momento do ensaio da Em Cima de Hora.

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“Foi bacana. A gente tem uma coisa ali ou outra para acertar ainda para poder limpar e encaixar certinho. Vamos afinar. A fantasia é linda demais. Eu estou apaixonada demais. O carnavalesco deu um presente para gente, ele perguntou para gente tudo, todos os detalhes, a fantasia foi montada com a gente, não foi nada que ele tirou da cabeça dele e falou vai vestir. Tudo que eu fui dando de ideia ele foi encaixando”, garantiu a porta-bandeira.

“É gratificante. A gente está ensaiando o trabalho de um ano inteiro. E hoje foi o nosso pontapé inicial para o nosso desfile. Eu vi que tem algumas coisas que a gente vai acertar, alguns detalhes, mas o básico é isso aí. A gente vai surpreender”, completou o mestre-sala.

Comissão de Frente

A comissão coreografada por Luciana Yegros trouxe 14 componentes vestidos de operários,
representando uma rebelião dos trabalhadores em prol da liberdade. Uma coreografia
simples, porém muito bem realizada e bem teatralizada, com uma boa sincronia entre os
componentes, sobretudo na parte final da coreografia quando um dos trabalhadores
resistente à greve é convencido pelos demais componentes. Um interessante esquenta para a apresentação oficial.

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“Nossa, eu estou muito feliz, porque vocês não têm ideia dos bastidores. Trazer essa rapaziada aqui para a avenida, que não é um naipe de bailarinos, são pessoas das mais diversas profissões, mas apaixonadas pelo carnaval. Compraram a ideia, se doaram, é muito ensaio, é muito treino. A gente veio a semana inteira aqui com chuva, ensaiamos e eu estou muito feliz com o resultado. Não tenho tripé. Vou inovar sem tripé, já que está todo mundo colocando tripé. Tudo acontece em tempo real, tem trucagem, tem efeitos, sim. Mas tudo em tempo real para o público assistir. E não escondidinho. O trabalho é três vezes maior”, citou a coreógrafa.

Samba-enredo

O samba composto por Richard Valença, Lucas Macedo, Aldir Senna, Orlando Ambrósio,
Serginho Rocco, Luis Caxias, Marquinho Bombeiro, Julio Cesar e Marcio Lêleko teve um
desempenho correto no ensaio técnico. Apesar de não ter gerado um canto satisfatório dos
componentes, foi bem conduzido pelo carro de som liderado por Rafael Tinguinha,
estreante na escola. Um samba que transmite o enredo de forma direta, com uma letra de
fácil assimilação. O ótimo desempenho da bateria comandada por Léo Capoeira também
sustentou bem a obra.

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“Eu encontro muita gente falando que é um dos melhores sambas do Acesso. A energia hoje foi muito positiva. A avaliação minha é muito positiva. A gente fez um excelente ensaio. Algumas coisas para acertar, mas até o desfile. A gente vai fazer um grande desfile e botar para quebrar na Marquês. A gente precisa melhorar é ficar mais um pouco com a força da comunidade. Cantar um pouco para poder chegar junto, cantar junto, evoluir junto. E tem a situação do som também que hoje deu ruim. Mas eu acredito que nada disso vai atrapalhar no dia”, afirmou o intérprete.

Evolução

A azul e branco teve uma evolução regular, sem mostrar grande empolgação mas
tecnicamente sem falhas mais evidentes. Manteve um ritmo constante no passar de suas
alas, demonstrando boa organização.

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Harmonia

O ponto negativo do ensaio. Um canto nulo na maior parte de apresentação, com
trechos do samba passando batidos pelos componentes, que só esboçavam alguma precisão no canto entre o trecho “não é mole não…” e o refrão de cabeça na sequência, mesmo assim apenas em algumas alas. Outras passaram mudas, chamando a atenção pela falta de tentativa de ao menos tentar cantar a letra do samba. O quesito que a Em Cima da Hora precisa trabalhar com afinco nas duas semanas restantes até o desfile oficial.

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Outros Destaques

Mestre Léo Capoeira mostrando sua competência habitual em mais um bom desempenho
da bateria da Em Cima da Hora. Bossas bem executadas e manutenção no ritmo durante
todo o ensaio. Uma bossa parava os instrumentos e chamava o canto da escola, que acabou não acontecendo. A ala de passistas vestida de gari de uma forma estilizada foi uma boa sacada.

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“Eu sou muito perfeccionista sempre, eu sou muito difícil, as coisas para poderem estar como eu quero tem que ser tudo nos mínimos detalhes. Sou muito grato por esse povo que chegou aqui hoje, tenho muito carinho, muita satisfação, só tenho a agradecer, sou grato demais. A gente sabe que precisa melhorar sempre. Ano passado, a gente conseguiu a nota máxima que é o objetivo e esse ano a gente tem que estar no mesmo nível ou até a mais para conseguir novamente. Hoje ainda faltou um pouquinho, vamos dizer assim uns 90% hoje. Falta ainda uns 10% para a gente poder chegar bem. Agora são uns detalhezinhos”, comentou o mestre de bateria.

Fotos: ensaio técnico da Unidos de Padre Miguel na Sapucaí

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Fotos: ensaio técnico da Inocentes de Belford Roxo na Sapucaí

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Fotos: ensaio técnico da Unidos da Ponte na Sapucaí

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Freddy Ferreira analisa a bateria da Unidos de Padre Miguel no ensaio técnico

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Um ótimo ensaio da bateria “Guerreiros” da Unidos de Padre Miguel, comandada por mestre Dinho. Um ritmo equilibrado e fluído, graças ao andamento confortável e uma diferenciada afinação de surdos.

A cozinha da bateria da UPM contou com uma afinação privilegiada de surdos, além de marcadores de primeira e segunda bastante precisos durante o ensaio. Os surdos de terceira deram um balanço envolvente à parte de trás do ritmo. Repiques coesos e integrados preencheram a sonoridade dos médios, junto de caixas de guerra profundamente ressonantes. Na bateria “Guerreiros” ainda tinham ritmistas tocando frigideiras, que contribuíram com a musicalidade da parte traseira do ritmo.

Na parte da frente da bateria, um naipe de tamborins de altíssimo nível técnico executou um desenho rítmico pautado pela belo samba-enredo da Unidos. Tocando de forma interligada aos tamborins, uma ala de chocalhos extremamente acima da média mostrou valor sonoro. Complementando as peças leves, cuícas seguras se exibiram acompanhados de uma ala de agogôs funcional. O trabalho musical da cabeça da bateria esteve a altura do belo desempenho da parte traseira do ritmo da bateria “Guerreiros”.

Bossas profundamente ligadas as variações melódicas da obra da UPM mostraram um casamento musical simplesmente fabuloso. O caminho conceitual foi dar ao samba do Boi Vermelho exatamente o que pede a canção, fazendo com que a fluência dos arranjos fosse praticamente intuitiva. Ao invés da complexidade, a escolha foi extrair o máximo possível da sonoridade com escolhas simples, mas que se mostraram muito funcionais. Paradinhas que acrescentaram nordestinidade atrelaram culturalmente o enredo sobre Padre Ciço à sonoridade da Unidos.

Um ensaio técnico que mostrou uma bateria da UPM dirigida por mestre Dinho praticamente pronta para o desfile oficial. Um treino que garantiu uma execução de bossas com bastante segurança dos ritmistas, que nitidamente bem ensaiados, garantiram um toque privilegiado em paradinhas por toda a pista.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Inocentes de Belford Roxo no ensaio técnico

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Um bom ensaio da bateria “Cadência da Baixada” da Inocentes de Belford Roxo, no retorno de mestre Washington Paz a agremiação. Um ritmo com andamento confortável e bem equilibrado foi notado.

Mestre Washington, entrando no clima do enredo, dirigiu o ritmo vestido de vendedor de sorvete na praia. Sandálias, bermudão e um sombreiro, trajado como um autêntico camelô praiano carioca, distribuindo picolés pela Avenida.

A parte de trás do ritmo contou com uma boa afinação de surdos, assim como com marcadores de primeira e segunda eficientes. Os surdos de terceira ficaram responsáveis pelo balanço da cozinha da bateria da Inocentes. Uma ala de repiques correta auxiliou no preenchimento da sonoridade dos médios, assim como caixas ressonantes também contribuíram com a musicalidade.

Na cabeça da bateria “Cadência da Baixada”, um naipe de tamborins funcional executou um desenho rítmico simples, baseado na melodia do samba da escola de Belford Roxo. Uma ala de chocalhos com bom volume ajudou junto com cuícas seguras na parte da frente do ritmo.

As bossas da bateria da Inocentes eram todas baseadas nas variações melódicas do samba da escola, utilizando sobretudo tapas ritmados. Como se a sonoridade pedida pela obra da agremiação fosse musicalmente atendida por um ritmo que buscou nuances para se consolidar. Vale ter atenção na execução da bossa mais difícil, a do refrão do meio. Talvez simplificar, tirando o floreio na segunda passada facilite as coisas e deixe o arranjo mais fluído. É possível dizer que as execuções das bossas foram melhorando gradativamente, conforme o ensaio ocorria.

Um bom treino da bateria “Cadência da Baixada”, dirigida por mestre Washington Paz. As execuções de bossas foram melhorando conforme passava o ensaio e os ritmistas se sentiam mais seguros. O único fato a lamentar fica para uma quantidade acima do normal de blusas de apoio nas laterais da bateria, que prejudicava a circulação de quem buscava trabalhar, o que costuma ser incomum no grupo de Acesso. Vale o alerta, já que nas vezes que aglomerava gente atrapalhava inclusive a movimentação dos marcadores com os surdos. Uma bateria da Inocentes que mostrou que se encontra num bom caminho, cada vez mais pronta para seu desfile oficial.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Unidos da Ponte no ensaio técnico

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Um ensaio técnico muito bom da bateria da Unidos da Ponte, sob o comando de mestre Branco Ribeiro. Destaque para o equilíbrio presente entre as peças, assim como a boa fluência entre os mais diversos naipes, permitida pela afinação de surdos extremamente diferenciada.

Uma bateria “Ritmo Meritiense” que se exibiu com uma afinação de surdos acima da média. Os marcadores de primeira e segunda foram precisos e firmes durante o cortejo. O balanço dos surdos de terceira esteve consistente, dando bom molho aos graves. Já nos naipes médios, repiques coesos tocaram de modo integrado à caixas de guerra sólidas e ressonantes.

Na cabeça da bateria da Ponte, um naipe de tamborins de alta qualidade técnica executou uma convenção rítmica que pontuava de maneira eficiente as nuances melódicas do belo samba-enredo da escola de São João de Meriti. Uma ala de chocalhos correta ajudou no complemento da sonoridade das peças leves, junto de cuícas sólidas e agogôs funcionais.

Bossas com uma musicalidade irrepreensível foram executadas de maneira funcional, por todos os naipes. Culturalmente é possível dizer que houve um bom gosto musical que garantiu uma sonoridade plenamente vinculada a baianidade, presente no enredo sobre o Dendê. A criação conceitual diferenciada ajudou a driblar a questão de apresentar um ritmo mais próximo da vertente africana, sem deixar de produzir um ritmo de nítido destaque. Menção honrosa para os surdos, que estiveram impecáveis nos arranjos.

A bateria “Ritmo Meritiense” da Unidos da Ponte fez um grande ensaio técnico, comandada por mestre Branco Ribeiro. Êxito musical absoluto do conceito criativo de bossas escolhido, dando ênfase mais a baianidade que a questão afro, posssibilitando uma sonoridade de amplo destaque. Um ritmo que se pautou pelo equilíbrio musical e a boa fluência entre as mais diversas peças.