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Band abre alas para o desfile das escolas de samba da Série Ouro

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Após renovar o contrato por mais três anos, a Band segue como a emissora detentora dos direitos de transmissão dos desfiles da Série Ouro do Rio de Janeiro, reforçando o compromisso com o Carnaval e valorizando as escolas com uma cobertura ampla e jornalística do espetáculo, na Marquês de Sapucaí.

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Foto: Divulgação/Band

Para registrar cada detalhe das apresentações, serão usadas 29 câmeras e dois drones, com seis equipes de reportagem espalhadas em pontos estratégicos da avenida.

Na sexta-feira, 13, e no sábado, 14, as transmissões terão início às 20h30, para o público do Rio de Janeiro, e à 1h para todo o Brasil. A apresentação será de JP Vergueiro, com comentários de Aydano André Motta, Bruno Chateaubriand e Rafaela Bastos, além dos comentários técnicos de Gustavo Mostof. Amin Khader, mais uma vez, acompanha de perto o público no setor 1.

Novidade no elenco: Flora Cruz

Reforçando o time da Band, Flora Cruz, filha do cantor e compositor Arlindo Cruz, vai entrevistar componentes das escolas de samba na concentração. “A chegada da Flora Cruz ao elenco reforça o nosso compromisso de olhar para o maior espetáculo da Terra com respeito à história, às pessoas e às vozes que fazem essa festa ser o que ela é. E esse mesmo espírito está presente na homenagem que o Troféu Band Folia presta este ano à Leci Brandão, uma artista fundamental para a cultura brasileira. São escolhas que traduzem o carinho e a responsabilidade da Band com o Carnaval”, afirma André Marini, diretor-geral da Band Rio.

Apuração das notas

Pelo segundo ano consecutivo, a apuração das notas será realizada na quinta-feira (19), com transmissão exclusiva da Band. Durante o evento, o público vai conhecer a escola campeã da Série Ouro, que garante vaga no Grupo Especial em 2027.

Troféu Band Folia: homenagem à Leci Brandão

Finalizando o calendário do Carnaval, o Troféu Band Folia premia, no dia 23 de fevereiro, nove quesitos: enredo, comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, intérprete, samba-enredo, bateria, ala de passistas, esquenta e melhor escola. Os vencedores são escolhidos por meio de um QR Code disponibilizado na tela da Band durante os desfiles.

O júri da Band também vai nomear o destaque do ano. Este ano, o troféu vai homenagear a cantora e compositora Leci Brandão, enredo da Unidos de Bangu.

Nas rádios BandNews FM e Band FM

A cobertura da Série Ouro se estende ainda ao rádio e ao digital. A BandNews FM Rio acompanha todos os desfiles pelo dial 90.3, com apresentação de Bruno Filippo, Carlos Andreazza e Christiano Pinho. Christiano Pinho e Bruno Filippo também comandam a cobertura do Grupo Especial e das apurações, ao lado de Vinicius Dônola.

No digital

No YouTube, Band TV Rio, BandNews FM Rio e Band Folia transmitem os desfiles da Série Ouro do Carnaval. Já o Grupo Especial também pode ser acompanhado pelo canal da BandNews FM Rio. Nas redes sociais do grupo (@bandtvrio, @bandnewsfmrio e @bandfmrio), a cobertura em tempo real dos desfiles também é realizada.

Desfiles à beira do colapso: Governo do Estado não paga subvenção das séries Ouro, Prata e Bronze para o Carnaval 2026

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Faltam apenas três dias para o início dos desfiles da Série Ouro e cinco para o início das apresentações da Série Prata e depois da Bronze do Carnaval do Rio de Janeiro, e um fato gravíssimo expõe, mais uma vez, o abismo entre o discurso oficial e a realidade vivida pelas escolas de samba: o Governo do Estado do Rio de Janeiro ainda não pagou a subvenção destinada às agremiações.

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Foto: Philippe Lima/Divulgação Governo do Estado

Não estamos falando de luxo. Não estamos falando de excessos. Estamos falando do mínimo necessário para que escolas do povo consigam colocar seus desfiles na avenida. Atrasar, ou simplesmente não pagar, esse recurso às vésperas do carnaval é um absurdo, um desrespeito institucional e uma ameaça real à realização dos desfiles de 2026.

As escolas de samba da Série Ouro, Prata e Bronze não sobrevivem sem a subvenção pública. São agremiações comunitárias, formadas por trabalhadores, famílias inteiras, gente que faz carnaval por paixão, pertencimento e resistência cultural. Abandoná-las é virar as costas para a própria essência do carnaval carioca.

É preciso chamar o nome do responsável: o Governo Cláudio Castro. Historicamente, sempre se colocou como aliado das escolas de samba, sempre discursou sobre a importância do carnaval como motor cultural, social e econômico do Rio de Janeiro. Estranhamente, neste ano, sumiu da camada mais popular do samba. Sumiu justamente onde o carnaval é mais frágil, mais vulnerável e mais dependente do poder público.

E como se não bastasse a falta de pagamento, as escolas já convivem com uma realidade cruel: a ausência de barracões, a falta de estrutura mínima de trabalho, improvisos constantes e custos cada vez mais altos. É um carnaval feito na raça, no sacrifício, no limite. Cobrar excelência dessas agremiações enquanto se nega o básico é hipocrisia institucionalizada.

Em desfiles cada vez mais disputados, técnicos, rigorosos e competitivos, é inadmissível que o poder público trate essas escolas com tamanho descaso. Não existe planejamento possível sem previsibilidade financeira. Não existe carnaval forte sem respeito às suas bases.

É urgente que o Governo do Estado reveja completamente sua política de subvenções. O pagamento precisa ser previsível, organizado e iniciado em julho, com depósitos mensais. Isso não é gasto: é investimento. Um modelo assim barateia o carnaval, evita desperdícios, melhora a qualidade dos desfiles e, principalmente, gera emprego e renda durante o ano inteiro, e não apenas às vésperas da festa.

O carnaval não nasce em fevereiro. Ele é construído todos os dias, nos barracões improvisados, nas quadras, nas comunidades. Quando o Estado falha, quem paga a conta é o povo do samba.

Se escolas não desfilarem, se houver prejuízos irreparáveis, se o carnaval popular for enfraquecido, a responsabilidade será clara e direta. O poder público não pode abandonar quem sustenta a maior manifestação cultural do país.

O relógio está correndo. O silêncio do governo é ensurdecedor. E o risco, agora, é real.

Carnaval de Vitória 2026: Andaraí encerra os desfiles com leveza e celebra 80 anos no Sambão do Povo

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Um encerramento leve, colorido e feliz. Foi isso que a Andaraí proporcionou ao público do Sambão do Povo ao contar seus 80 anos de história no enredo “02/12/1946”, do carnavalesco Alex Santiago.

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O dia já estava claro quando a escola do bairro Santa Martha entrou na pista, vindo após duas favoritas. Se o objetivo era se manter no grupo, a escola não deve ter dificuldades.

A apresentação foi segura no chão, com fantasias de bom nível e alegorias um pouco abaixo.

O incendiário Emerson Dias garantiu vibração aos componentes e ao público que ainda permanecia no Sambão do Povo, bem acompanhado por uma bateria pesada que embalou o bom samba de Lourival das Neves e parceiros. O refrão final foi cantado por todos.

Um destaque especial para o jovem casal de mestre-sala e porta-bandeira, Sylvio e Yasmim, ambos adolescentes. Dançaram lindamente e arrancaram aplausos e gritos da plateia. O futuro estava ali.

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Carnaval de Vitória 2026: Visual refinado coloca Chegou o Que Faltava entre as protagonistas

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A tricolor da Grande Goiabeiras manteve o altíssimo nível de desfile no Sambão do Povo com o enredo “Ori – sua cabeça é seu guia”, do carnavalesco estreante Roberto Monteiro, que tem longa experiência como figurinista em grandes escolas cariocas, como Salgueiro e Viradouro.

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Fotos: Eugênio Leal/CARNAVALESCO

A parte visual da Chegou o Que Faltava foi o ponto de destaque. A paleta de cores utilizada pelo carnavalesco impressionou pelo bom gosto e pela unidade. Fantasias e carros alegóricos compunham um mesmo cenário a cada setor. Figurinos arrojados, formas originais e carros que também fugiram das formas habituais — cada um inserido em uma única cena — escaparam do lugar-comum.

A compactação dos componentes dentro das alas e entre elas foi um diferencial em um Carnaval no qual as escolas, em geral, se permitem distâncias maiores entre os figurantes. Bem ensaiada, a comissão de frente deu a impressão de que ali não “chegou o que faltava”, ou seja, um momento de ápice.

Nos demais quesitos, a escola passou de forma correta e deve perder poucos décimos. Briga em cima.

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Carnaval de Vitória 2026: Boa Vista faz desfile de alto nível e se coloca como favorita ao título

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A Independente de Boa Vista fez um grande desfile no Sambão do Povo e deixou a pista como a maior favorita ao título até então. A escola de Cariacica cantou “João Bananeira”, personagem do folclore da cidade ligado à cultura do congado.

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Fotos: Eugênio Leal/CARNAVALESCO

O carnavalesco Cahê Rodrigues arrematou o desfile que comemorou os cinquenta anos da Boa Vista com uma homenagem à padroeira do Espírito Santo, Nossa Senhora da Penha.

Da comissão de frente à última alegoria, a escola apresentou um visual com alto grau de detalhamento, harmonia estética e coesão com o enredo. Uma aula de Carnaval.

Tudo isso foi bem acompanhado pelos quesitos mestre-sala e porta-bandeira e bateria, que apresentou um naipe de tamborins afinadíssimo. Conduzido com correção pelo intérprete e presidente Emerson Xumbrega, o samba de Diego Nicolau e Gigi da Estiva atendeu ao enredo e à harmonia, além de ser bem cantado pelos componentes, em um cortejo que apresentou a melhor evolução do Carnaval capixaba até o momento de sua apresentação.

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Carnaval de Vitória 2026: Unidos de Piedade supera apagão e faz desfile marcado pela força musical

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A “mais querida” de Vitória viveu uma situação inusitada em seu desfile. Aos 15 minutos, com a comissão de frente se aproximando do segundo módulo de julgamento, uma queda parcial de energia desligou parte das caixas de som. Conforme prevê o regulamento, o desfile foi interrompido completamente.

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Fotos: Eugênio Leal/CARNAVALESCO

A Unidos de Piedade ficou cerca de meia hora parada na pista até que o problema fosse resolvido. Em seguida, continuou de onde havia parado.

Desde o início, a escola contou com a participação do público, que cantava o refrão do samba em homenagem ao baluarte da agremiação, Edson Papo Furado, a plenos pulmões. A parte musical foi o ponto alto do desfile, com grande apresentação do intérprete Kléber Simpatia e de seu carro de som, ao lado da excelente bateria de Mestre Juninho da Puxeta. O samba funcionou muito bem para o desfile.

A comissão de frente encenou o homenageado na infância e depois adulto, coroando-o rei. Coreografia bem executada no chão, mas sem um momento de impacto.

O casal formado por Vinícius e Amanda conseguiu superar o desafio que tem sido o primeiro módulo para todas as escolas, por conta da corrente de vento, e brilhou no segundo módulo.

O enredo foi desenvolvido com clareza pelo carnavalesco Vanderson Cesar, mas ficou nítido que a escola não tinha recursos para fazer alegorias e fantasias no mesmo nível das principais concorrentes.

O homenageado fechou o desfile, proporcionando um momento de emoção para uma arquibancada que respondeu com vibração e alegria.

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Carnaval de Vitória 2026: Com enredo sobre São Mateus, Rosas de Ouro impacta na abertura da segunda noite em Vitória

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A escola do município de Serra abriu a segunda noite do Grupo Especial de Vitória com um desfile para impactar o Carnaval capixaba. Com o enredo “Cricaré das Origens – Brasil que nasce em São Mateus”, contando a história da cidade do norte do estado, a segunda mais antiga do país.

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Fotos: Eugênio Leal/CARNAVALESCO

Terceira colocada no Grupo de Acesso no ano passado, a escola só subiu porque o Grupo Especial aumentou o número de agremiações. E honrou a oportunidade com uma apresentação potente, alegre e colorida. Surpreendente.

A comissão de frente de Anderson veio simples, sem elemento cênico, e com a transformação de uma das componentes ao longo da coreografia. Não causou impacto.

O primeiro casal, Mariana e Matheus, sofreu com o vento na primeira cabine, e a bandeira ameaçou enrolar três vezes — problema que não se repetiu no segundo módulo.

A bateria fez várias bossas, mas, como algumas outras, sofreu na execução de instrumentos como tamborim e caixa.

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A empolgação dos componentes esteve presente em todas as muitas alas da escola, evidenciando a ambição de cada um deles de afirmar a Rosas de Ouro no Grupo Especial. O samba-enredo ajudou nisso, com trechos muito bons de melodia, especialmente nos refrãos.

Samba que foi muito bem cantado por Letícia Jesus e Arthur Kadratz.

O visual da escola, colorido, manteve muito bom nível em alas e alegorias, evidenciando o trabalho do carnavalesco Robson Goulart.

Desfile de gente grande.

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Rosas de Ouro pode perder décimos por atraso na entrega da pasta de jurados no Carnaval 2026

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Atual campeã do carnaval de São Paulo, segundo informações da CNN Brasil, a Rosas de Ouro não cumpriu o prazo regulamentar para a entrega da pasta de jurados referente ao Carnaval 2026. O material deveria ter sido protocolado até as 23h59 da última segunda-feira, o que não aconteceu, conforme informado pela emissora.

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O descumprimento do prazo foi comunicado oficialmente pelo presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP), Renato Remondini, em mensagem enviada aos presidentes das outras 13 escolas do Grupo Especial. No comunicado, a Liga concedeu um novo prazo para a entrega do documento, estabelecendo o limite até as 14h desta terça-feira.

A entrega fora do prazo deverá ser analisada e deliberada pelos presidentes das demais agremiações do Grupo Especial. Até o momento, a Rosas de Ouro não se manifestou oficialmente sobre o atraso, assim como a própria Liga-SP.

‘Mestra, você me fez amar a festa!’: O canto nostálgico do Salgueiro em homenagem a Rosa Magalhães

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O verso do refrão foi cantado com toda força nos fins de semana de ensaio técnico na Sapucaí, bem como nas noites de quinta-feira, na Rua Maxwell, nas últimas semanas. A homenagem à professora Rosa Magalhães neste ano mexe com os corações dos apaixonados por escola de samba e, em especial, dos salgueirenses, lugar onde Rosa iniciou a carreira, em 1971, e garantiu 3º lugar e vice-campeonato, respectivamente, em 1990 e 1991. Em conversa com o CARNAVALESCO, os componentes do Torrão Amado abrem o coração e compartilham a emoção e as memórias que o samba evoca ao saudar a mestra.

A homenagem a Rosa Magalhães escancara o impacto do legado da professora em todas as gerações. A jovem Vitória Campos, de 25 anos, compartilha a emoção com o samba, que consegue gerar nostalgia no coração salgueirense a cada nota.

Vitoria Campos Salgueiro.HEIC
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO

“Eu, pessoalmente, gosto muito dos sambas antigos, principalmente do Salgueiro. Nesse samba, usaram uma estrutura para poder relembrar algo que eu adoro. Poder homenagear a Rosa e ainda lembrar da pegada antiga, para mim, é ótimo. O refrão pega muito, os pré-refrões pegam muito. Fico totalmente extasiada”, disse.

Além do Salgueiro, o legado como professora também marcou Vitória. Formada em Arquitetura, a jovem lembra os carnavais e artes de Rosa expostos na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde lecionava Cenografia e Indumentária.

“Eu frequentei muito a Escola de Belas Artes e lá eles têm uma área superprodutiva artística, onde há muitas cenas de desfiles dela, dos carros alegóricos. Quando eu olhei a comissão de frente no ensaio, eu falei: ‘eu já vi essas bruxas’. São memórias de estudo mesmo que eu acabei tendo. Eu fui vendo dentro da academia como ela, no lugar em que era professora”, compartilhou.

O samba deste ano emociona também quem viveu carnavais de Rosa Magalhães na pele. Eduardo Nascente, da Velha Guarda, em seus 40 anos de Salgueiro, teve a honra de desfilar nos dois carnavais de Rosa pela escola. Em 1990, em “Sou Amigo do Rei”, desfilou como um Rei de França em ala e, em 1991, com “Me Masso se Não Passo pela Rua do Ouvidor”, desfilou como passista. Eduardo relembra o luxo que a carnavalesca trouxe para a escola já em seu primeiro ano e que espera reviver hoje, 36 anos depois.

Eduardo Nascente Salgueiro.HEIC
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO

“Salgueiro estava meio assim no carnaval, sobe e desce, de primeiro para o segundo grupo. Contratamos a Rosa, e a Rosa montou a escola no luxo, como Joãozinho Trinta fazia na Beija-Flor. E nós alcançamos o terceiro lugar. Foi de arregalar os olhos o luxo que o Salgueiro apresentou. Este ano, a emoção será por conta do desfile que o Salgueiro vai apresentar. Embora muita gente esteja dizendo que a Rosa só fez dois carnavais no Salgueiro, foram dois carnavais fabulosos. São essas duas histórias que vão ser contadas por nós na avenida. O carnaval é democrático, é a mistura das escolas. O que ela fez pela Imperatriz, pela Vila e pelo Império Serrano — por onde passou — ela deixou legado, história, um belíssimo carnaval”, relembrou.

Para o ex-passista, o samba deste ano embalará a escola com alegria e levantará o público ao reviver as criações de Rosa no Salgueiro e relembrar seus principais carnavais nas coirmãs.

“A parte do samba é animação, é a evolução da escola. É um samba alegre, leve, fácil de decorar. A gente está contando que o público cante pelo menos o refrão, o arrastão que deve vir atrás do Salgueiro, pois o Salgueiro é o último. O samba é para empolgar, para a escola evoluir, cantar e alcançar essa décima estrela que nós andamos atrás há um tempão. Este ano, Papai do Céu e Rosa Magalhães vão ajudar a estrela a brilhar”, disse.

Para a salgueirense e professora aposentada Fátima Machado, assim como Rosa, fala da emoção que o refrão “Mestra, você me fez amar a festa” evoca.

Fatima Machado e Paulinha filha e mascote do Salgueiro
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO

“O Salgueiro abraçou o samba, a comunidade abraçou o samba e a Rosa Magalhães, que é a sua referência do carnaval. O samba está lindo, fácil de cantar. Na Sapucaí, todo mundo está cantando”, disse.

Com 50 anos de história no Torrão Amado, Nilda Salgueiro, presidente da ala de compositores, também viveu a “Rua do Ouvidor” de Rosa na escola. Considerando a mestra um ídolo pelo trabalho, ensinamentos e força feminina, Nilda aposta no resgate à memória de Rosa como trunfo na busca da décima estrela, com um samba “estilo Salgueiro”.

Hilda Salgueiro.HEIC
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO

“É como se fosse uma viagem que o Salgueiro vai mostrar: o que ela fez em relação aos enredos, o que apresentou em outras escolas e na nossa. Eu fico bem emocionada, até porque o samba é bem suave, fala dela, das coisas que ela fez. E quando a gente fala em ‘mestra’, ela realmente foi a grande professora da nossa época. Todo mundo que está por aqui agora estudou com ela, ela deu aula, aprendeu com ela. Isso é muito importante para nós. Tomara que o Salgueiro entre com muita luz, com muita sorte, que consiga a nossa décima estrela, como o nosso samba fala. É a última escola do último dia, não tem mais nada depois do Salgueiro. Com um samba pra cima, muito animado, estilo salgueirense, eu acho que vai arrastar a galera”, disse.

Beija-Flor transforma a Sapucaí em canto de ancestralidade, resistência e emoção

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O segundo ensaio técnico da Beija-Flor de Nilópolis, realizado na noite do último domingo (8), na Marquês de Sapucaí, foi muito mais do que um simples teste de som, evolução e harmonia. Foi um verdadeiro ritual coletivo de emoção, memória e pertencimento. Embalada pelo samba-enredo para o Carnaval 2026, que homenageia o Bembé do Mercado, a comunidade nilopolitana transformou a avenida em um espaço de celebração da ancestralidade, fazendo cada componente cantar do fundo da alma, em um coro que arrepiou quem acompanhava de perto. Em meio a esse clima intenso, o CARNAVALESCO ouviu vozes que traduzem o impacto profundo que o samba vem provocando dentro e fora da escola.

Carlos Alexandre, personal trainer de 38 anos, destacou a força simbólica do enredo e a importância histórica do Bembé como expressão de liberdade e identidade.

Carlos Alexandre personal trainner 38 anos
Foto: Ana Julia Agra / CARNAVALESCO
Carlos Alexandre personal trainner 38 anos
Foto: Ana Julia Agra / CARNAVALESCO

“Primeiramente, a ancestralidade. Desde a libertação dos escravos, começou com a ideia de uma festa, mas, na verdade, foi um grito dos escravos em relação à libertação, e até hoje o Bembé existe por conta disso. Antigamente, os escravos faziam essa festa escondidos, mas, com a libertação, conseguiram dar o seu grito. É uma forma de expressão do povo negro: ‘nós estamos libertos, agora a gente pode fazer isso’. Para mim, é um orgulho. Não é só uma festa, é a origem da festa, falar da nossa ancestralidade. Não é só o Bembé, é algo maior, algo que nos move”, afirmou.

A mesma vibração foi sentida por Sol Mota, servidora pública de 40 anos, que definiu o samba como um retrato sensível da cultura afro-brasileira e da própria essência da Beija-Flor.

Sol Mota e Ellen Oliveira
Foto: Ana Julia Agra / CARNAVALESCO

“Esse samba mexe comigo porque fala principalmente da sensibilidade da cultura afro-brasileira, vindo da Bahia. Então, o Bembé é a Beija-Flor na Avenida. A rua ocupamos por direito”, declarou, reforçando o sentimento de pertencimento e de afirmação cultural que ecoa a cada verso entoado na Passarela do Samba.

Para Ellen Oliveira, jornalista de 31 anos e praticante de religião de matriz africana, o impacto do samba vai além da emoção pessoal e alcança uma dimensão histórica e social.

“Para mim, que sou praticante de religião afro, acho importante que seja mostrado na maior festa cultural do planeta. Uma manifestação que não só resgata, mas também cultiva a raiz dessa cultura afro e da ancestralidade, que é o que move a escola de samba. Nós somos movidos pela ancestralidade. O Bembé é como festejar essa ancestralidade, porque, se nós estamos aqui, é em função desses muitos pretos que lutaram, que resistiram, e acho que, principalmente, é a memória”, afirmou.

Ellen também ressaltou o papel do carnaval como instrumento de preservação histórica em um país marcado pelo apagamento cultural.

“O Brasil, infelizmente, tem um processo de cultivo da memória muito complicado, então deixar isso registrado aqui na Avenida é também uma forma de cultivar uma memória que, às vezes, é perdida, que não se vê nas escolas. Tem essa importância de a gente levar do nosso carnaval para o mundo”, completou, evidenciando o alcance simbólico e educativo do desfile da Beija-Flor.

Ao longo do ensaio, ficou evidente que o samba de 2026 já cumpriu uma de suas missões mais nobres: tocar profundamente cada componente e transformar a Sapucaí em um espaço de pertencimento, orgulho e celebração coletiva. A Beija-Flor mostrou que não canta apenas para disputar um título, mas para manter viva a memória, honrar seus ancestrais e reafirmar, em cada passo, a potência da cultura afro-brasileira.