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Cabeça da escola impressiona, mas Uirapuru da Mooca estoura tempo em desfile

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Por Will Ferreira e fotos de Fábio Martins

O começo do desfile da Uirapuru da Mooca em 2024 foi arrebatador. Com uma comissão de frente bastante criativa e um abre-alas bastante bonito, a agremiação impressionou quem estava observando a apresentação. O final, entretanto, foi cruel: o tempo-limite de cinquenta minutos para concluir a exibição foi estourado em dezesseis segundos – e, pelo regulamento, faz com que a agremiação perca três décimos em obrigatoriedades, de acordo com o regulamento. Fazendo uma homenagem a uma ilustríssima coirmã carioca, a agremiação defendeu o enredo “Da Estrela Guia Que Brilha No Céu, Vem Aí a Mocidade Independente de Padre Miguel”, sendo a quinta a se apresentar no Grupo de Acesso II da folia paulistana neste sábado.

Comissão de Frente

Um dos grandes mistérios do Grupo de Acesso II era a fantasia da comissão de frente da escola que homenagearia a Mocidade Independente de Padre Miguel. Aladdin? Escafandristas? A revelação da surpresa foi a memória dos títulos da instituição, com algumas comissões de frente históricas da escola do Rio de Janeiro, como os escafandristas de “Chuê Chuá, As Águas Vão Rolar” (1991), os robôs de “Ziriguidum 2001, Um Carnaval Nas Estrelas (1985) e o Aladdin de “As Mil e Uma Noites de Uma Mocidade Pra Lá de Marrakesh” (2017). Além, é claro, de fazer menção a um momento histórico da Zona Oeste carioca, o segmento, coreografado por Giovanna Lacerda, fazia coreografias marcando o samba em um único ato. Sem tripés, todas as figuras se apresentavam e um personagem vestido como Castor de Andrade sambava e até abria espacates na passarela.

Uirapuru et Castor

Mestre-Sala e Porta-Bandeira 

De ótima exibição no ensaio técnico da escola da Zona Leste, Anderson Guedes e Pâmela Yuri, mais uma vez, tiveram boa exibição nos quatro módulos de jurados. O casal, com giros mais cadenciados, buscou a segurança e a correção ao bailar. Na segunda cabine, entretanto, Anderson demorou alguns instantes para desfraldar o pavilhão oferecido por Pâmela. Vale destacar a fantasia utilizada por eles, que remetia ao Independente Futebol Clube, equipe amadora que foi a inspiração tanto para o nome quanto para a histórica parte estética da instituição – já que tinha listras alviverdes na vertical e uma estrela solitária no símbolo. Na roupa, também havia espaço para algumas bolas de futebol, deixando a associação ainda mais evidente.

Uirapuru et PrimeiroCasal

Enredo

O já citado primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira veio homenageando a origem da Mocidade Independente, ligada a um time de futebol da Zona Oeste carioca. A fundação da agremiação, no terreiro de Tia Chica, também foi exaltada. Desfiles históricos (e não necessariamente campeões, como é o caso de “Beijim, Beijim, bye bye Brasil”, de 1988) também foram lembrados da agremiação. A “Não Existe Mais Quente”, bateria da instituição carioca, também foi homenageada pelos próprios ritmistas na fantasia “Homenagem ao Saudoso Mestre André e ao herdeiro de Coé”, relembrando dois históricos mestres do segmento – e, indiretamente, citando Dudu, atual comandante do “coração” da Mocidade. No fim, a Uirapuru fez um misto entre referências a desfiles históricos e exaltações, com a cronologia sendo utilizada para contar a fundação da instituição homenageada.

Uirapuru et 3

Alegorias

Os dois carros da agremiação foram, certamente, alguns dos grandes destaques da agremiação. O primeiro, “Aos Braços do Cristo Redentor Brilha a Estrela Guia de Padre Miguel”, como o próprio nome dizia, trazia uma imensa escultura do ponto turístico carioca e uma iluminação inteira verde; majoritariamente prateado, a alegoria remetia à estética do histórico “Ziriguidum 2001, Um Carnaval Nas Estrelas), de 1985. Na parte mais abaixo da alegoria, uma série de fotos de grandes baluartes da agremiação – como Tião Miquimba, Ney Vianna, Elza Soares, Mestre Coé e Castor de Andrade. Já o segundo fazia um mix de dois desfiles quase que diametralmente diferente: “Como Era Verde Meu Xingu” (1983) e “Namastê: A Estrela Que Habita Em Mim Saúda a Que Existe Em Você (2017). Apesar dos desfiles bastante distintos, o efeito visual foi bastante interessante. Não foram notados erros de execução nem de acabamento.

Uirapuru et 1

Fantasias

Ao longo de todo o desfile, um padrão foi percebido em relação às fantasias: as partes que cobriam o corpo e as pernas eram mais simples, tal qual roupas, nas mais diversas cores. O luxo aparecia nos costeiros, sempre remetendo a algo relacionado à agremiação carioca – seja algo histórico, seja em relação a um desfile marcante.

Harmonia

Assim como acontece em muitas coirmãs, a cabeça (ou seja, os primeiros segmentos) não teve desempenho adequado no canto. A surpresa veio após o carro abre-alas: as alas seguintes também não cantaram a contento, prejudicando o quesito. A situação melhorou bastante no terceiro setor, já que, sem exceção, todos os componentes cantaram em bom volume o samba da agremiação.

Uirapuru et InterpreteAndreRicardo

Samba-enredo

Se o desfile trouxe várias referências a desfiles históricos da Mocidade Independente, o refrão dava o tom da homenagem: “A mão da bomba fez chuê chuá/Nas viradas dessa vida, descobriram o Brasil/São mil e uma noites de ziriguidum/Padre Miguel, Uirapuru” – fazendo menções a grandes exibições da coirmã carioca. A primeira estrofe inteira foca no sentimento e na fundação da agremiação, o refrão do meio exalta a Não Existe Mais Quente e a segunda parte do samba-enredo volta a fazer menções a outros desfiles da escola carioca. No misto entre referências e cronologia, a exaltação a exibições históricas saiu-se em maioria numérica. André Ricardo, intérprete da agremiação, teve atuação bastante interessante, sustentando o samba composto por André Ricardo, Tchelo, Diego Nicolau, Digo Sá, Maradona, Márcio André, Turko, Rafa do Cavaco, Fábio e Beto Colorado.

Uirapuru et AbreAlas

Evolução

Certamente, um dos grandes calcanhares de Aquiles da escola da Zona Leste foi tal quesito. A escola, que optou pela compactação e por um andamento mais moroso, teve alguma dificuldade com o segundo carro, que teve caminhada com alguns solavancos – sobretudo na parte final da passarela. E, por conta de tal situação, a agremiação estourou o tempo-limite de 50 minutos em dezesseis segundos – o que, se seguido o regulamento, acarretará perda de décimos.

Uirapuru et 7

Outros destaques

Quando a escola começou a se apresentar no Setor E (o último do Anhembi), diversos refletores se apagaram. Na corte de bateria, três destaques: Acassia Nascimento (rainha), Sheila Neves (musa) e Tati Reis (madrinha).

Freddy Ferreira analisa a bateria da Vila Isabel no ensaio técnico na Sapucaí

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Um excelente ensaio técnico da bateria da Unidos de Vila Isabel, comandada por mestre Macaco Branco. Uma conjunção sonora preciosa foi obtida, graças ao equilíbrio musical e a boa equalização de timbres. Bossas altamente casadas com a obra da Vila mostraram uma bateria “Swingueira de Noel” com ritmo da Vila clássico, mesmo com arranjos com certa sofisticação.

analise bateria vila
Foto: Vitor Melo/Divulgação Rio Carnaval

A parte de trás do ritmo da Vila contou com sua tradicional afinação de marcações mais pesada, com uma boa distinção entre os timbres. Marcadores de primeira e segunda pulsaram de forma firme, mas com profunda precisão. Os surdos de terceira foram responsáveis pelo balanço e estiveram irrepreensíveis. Uma ala de repiques ressonante e coesa, auxiliou no complemento dos médios. Que ainda contou com um trabalho bastante eficiente das caixas retas, tocadas embaixo. Tudo isso destacado pelo sublime naipe de tarol, com sua genuína e bem executada batida com toque de partido alto.

Na cabeça da bateria da Vila, um naipe de cuícas bem seguro tocou de modo equilibrado. Uma ala de chocalhos com boa técnica musical se exibiu de modo interligado a um naipe de tamborins de altíssimo valor sonoro. Os tamborins da Vila Isabel, graças a um trabalho enxuto e um desenho rítmico funcional, tocaram de modo uníssono por toda a pista.

Bossas com musicalidade bastante integrada ao belo samba-enredo reeditado deram certo frescor a sua execução. Dando ares de modernidade, arranjos musicais contemporâneos ajudaram a impulsionar a obra da azul e branca do bairro de Noel. Tal fato, inclusive, ajudou certamente componentes na evolução, já que as paradinhas possuíam sonoridade envolvente e dançante. Destaque para a execução privilegiada de surdos, caixas e taróis nas bossas. Sempre demonstrando precisão e educação.

Um excelente ensaio técnico da bateria da Vila, dirigida por mestre Macaco Branco. Um trabalho pautado pela boa educação musical dos ritmistas, que tiraram som das peças sem colocar força a mais nos instrumentos. Isso impactou positivamente numa sonoridade enxuta, equilibrada e com uma fluência plena entre os mais diversos naipes. A “Swingueira” volta para o bairro de Noel feliz e orgulhosa, por estar pronta para realizar mais um grande desfile.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Beija-Flor no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ótimo ensaio técnico da bateria “Soberana” da Beija Flor de Nilópolis, comandada pelos mestres Rodney e Plínio. Uma conjunção sonora com fluência plena entre os naipes foi obtida, graças ao equilíbrio musical e uma equalização de timbres completamente diferenciada.

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Foto: Vitor Melo/Divulgação Rio Carnaval

Uma bateria “Soberana” com uma afinação de surdos privilegiada foi percebida. O bom balanço dos surdos de terceira ficou em evidência na cozinha da bateria da Beija. Marcadores de primeira e segunda foram firmes, além de precisos ao longo de todo o cortejo. Um naipe de repiques acima da média tocou de forma coesa. Tudo complementado por uma trabalho consistente das caixas de guerra, complementando os médios com eficiência. Vale destacar o brilho da sonoridade metálica provocada pelas frigideiras, que desfilam junto ao peso.

Na parte da frente do ritmo, uma ala de cuícas segura demonstrou virtude sonora. Um naipe de chocalhos de boa técnica tocou interligado a uma ala de tamborins que executou um desenho rítmico simples, mas absolutamente eficaz. Tamborins e chocalhos, juntos, elevaram a qualidade musical das peças leves da cabeça da bateria da Beija Flor.

Um leque de bossas bastante integrado à música nilopolitana foi exibido de maneira praticamente impecável. É possível dizer que os arranjos, explosivos e dançantes, impulsionaram tanto o samba, quanto os componentes da azul e branca da Baixada. Bossas que se aproveitaram das nuances melódicas do samba da Deusa da Passarela para consolidar o ritmo. O destaque musical ficou para a envolvente bossa do refrão do meio, que com duas partes de bom gosto apresentou uma sonoridade diferenciada.

Uma ótima apresentação da bateria “Soberana” da Beija Flor no ensaio técnico, dirigida pelos mestres Rodney e Plínio. Uma bateria bem equilibrada e equalizada, com uma musicalidade profunda, graças à bossas com integração plena com o samba-enredo da escola. Conseguiu unir bom ritmo e uma concepção moderna, além de consistente de paradinhas. Uma bateria da Beija Flor de Nilópolis pronta para um grande desfile, em busca da sonhada nota máxima

Freddy Ferreira analisa a bateria da Grande Rio no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria da Grande Rio, comandada por mestre Fafá. Um ritmo de bastante equilíbrio, onde se destacaram a educação musical dos ritmistas, além de uma equalização de timbres que permitiu a fluência plena entre os mais variados naipes. Uma conjunção sonora acima da média foi obtida.

analise bateria grio
Foto: Vitor Melo/Divulgação Rio Carnaval

Uma bateria da Grande Rio com uma bela afinação de surdos foi notada. Os marcadores de primeira e segunda mostraram uma educação musical refinada, enquanto garantiam um pulsar eficiente e preciso. Destaque para a maceta dos surdos de primeira, maiores em diâmetro, que teve origem na bateria da Vai Vai e casou bastante com a sonoridade do ritmo de Caxias. O balanço dos surdos de terceira esteve em evidência, contribuindo no swing da bateria. Repiques coesos e retos adicionaram valor sonoro à cozinha da bateria, assim como um naipe de caixas com boa ressonância serviu de base para a parte de trás do ritmo.

Na cabeça da bateria, uma ala de cuícas segura ajudou na sonoridade da parte da frente do ritmo, junto de um naipe de agogôs com uma musicalidade diferenciada, que executou um desenho rítmico simples, mas eficaz. Um bom naipe de tamborins tocou uma convenção rítmica funcional de forma integrada e entrelaçada a uma ala de chocalhos de alto valor técnico. É possível dizer que o entrosamento entre tamborins e chocalhos foi um dos pontos altos do grande trabalho envolvendo as peças leves.

Bossas profundamente ligadas ao melodioso samba da agremiação se mostraram corretas, impulsionando componentes em canto e dança, além das execuções privilegiadas por toda a pista. Um leque de paradinhas com bastante esmero musical, que contribuiu destacando um trabalho que tem por base a manutenção de um bom ritmo. A equalização diferenciada também auxiliou os arranjos musicais, principalmente nos que destacavam as afinações de surdos distintas.

Uma apresentação muito boa da bateria da Grande Rio, dirigida por mestre Fafá. Um ensaio técnico que exibiu uma bateria pronta para o desfile oficial e que vai batalhar pela volta da almejada nota máxima. Um ritmo enxuto, equilibrado e muito bem equalizado da tricolor de Caxias. Major Fafá, seus diretores e ritmistas têm motivos de sobra para voltarem felizes para Duque de Caxias, além de confiantes num grande desfile da bateria da Grande Rio.

Fotos: desfile da Uirapuru da Mooca no Carnaval 2024

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Desempenho da ala musical se destaca em homenagem do Amizade Zona Leste ao baluarte Eduardo Basílio

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Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins

O Amizade Zona Leste realizou na noite de sábado seu desfile no Sambódromo do Anhembi. Com destaque para a atuação da ala musical, que se comunicou muito bem com a bateria, a agremiação teve vários problemas de atuação, em especial da comissão de frente. O Trevo de São Matheus foi a quarta escola a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2, fechando os portões aos 50 minutos, o máximo previsto pelo regulamento.

Comissão de Frente

A comissão de frente intitulada “Rosas de Ouro 1971/2024” se apresentou dividida em três atos com a presença de um tripé, onde os anos mencionados aparecem. No primeiro, um grupo de dançarinos com trajes de gala em azul executou uma performance em referência a antigos desfiles. O tripé, com formato de uma casa e aberturas na frente e atrás, faz a função de um portal para os tempos atuais, de onde saem passistas vestidos de rosa. O terceiro ato envolveu uma atuação conjunta dos dois grupos.

Amizade et Comissao

Ao longo dos quatro módulos em que foram observados, o primeiro grupo de dançarinos apresentou diversas inconsistências em seus movimentos, com falta de sincronia na apresentação da escola. Um dos dançarinos sempre chegava atrasado, destoando consideravelmente dos demais. O terceiro ato ocorria praticamente na sua íntegra fora do campo de visão dos jurados, pouco contribuindo para o repertório.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal do Amizade, formado por João Lucas e Maria Cristina, desfilou com fantasias representando a “Flor Dourada”, que é o símbolo da escola de samba Rosas de Ouro. Nos dois primeiros módulos, a atuação da porta-bandeira foi devagar, gerando inconsistências na sincronia de seus movimentos com os do mestre-sala em várias oportunidades. O problema observado foi corrigido nos dois últimos módulos, com o João Lucas adequando seu ritmo ao da guardiã do pavilhão.

Amizade et PrimeiroCasal

Enredo

O enredo do Amizade Zona Leste em 2024 foi “Eduardo Basílio, um Mar de Rosas de Ouro. Do Quilombo da Brasilândia para o Mundo”, assinado por uma Comissão de Carnaval, é em homenagem a um dos grandes baluartes do carnaval de São Paulo. Eduardo Basílio foi um dos fundadores da escola de samba Rosas de Ouro, além de ter sido o primeiro presidente da Liga-SP, Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo. Sua gestão na Roseira foi marcada especialmente pelos projetos sociais direcionados à comunidade da região onde a agremiação foi fundada, um dos motivos pelo qual o Rosas ficou conhecido como o “Quilombo da Brasilândia”.

Amizade et 16

Foi preciso esforço para compreender a história contada pelo enredo ao longo das alas, que não eram claras em seu significado. Com exceção do segundo carro, todos os demais elementos pareciam não se conectar com clareza ao enredo, o que pode gerar problemas ao julgamento da escola.

Alegorias

O Amizade se apresentou com dois carros alegóricos. O abre-alas foi nomeado como “15 de maio. Feliz aniversário!”, data do aniversário de Eduardo Basílio e que, durante sua gestão à frente do Rosas de Ouro, era marcada como o dia do anúncio dos enredos da escola. O segundo carro, intitulado “Quilombo da Brasilândia”, representando o enraizamento da Roseira dentro da comunidade da região noroeste de São Paulo.

Amizade et 3

O carro abre-alas, com a presença de uma estrutura central em referência a um bolo de aniversário, contava com a presença de telões nas laterais, mas continha diversos problemas de acabamento, com tecidos esticados visíveis por toda a alegoria. Uma escultura na parte superior não contribuía de maneira significativa para a compreensão do carro. A segunda alegoria contou com bom acabamento e representou de maneira adequada a referência ao qual seu nome faz.

Amizade et AbreAlas

Fantasias

As fantasias do Amizade Zona Leste vieram no geral representando os marcos da vida de Eduardo Basílio ao longo de sua gestão à frente do Rosas de Ouro. O segundo casal e as alas finais representavam a saudade deixada pelo baluarte e o desfile ocorrido em 2005, “Mar de Rosas”, que apesar de não ter ganho o carnaval, foi um dos mais marcantes da história da Roseira.

Amizade et 21

O conjunto de fantasias era no geral de difícil compreensão, procurando fazer referências simples e diretas ao que seus nomes indicavam, pouco se atentando para a harmonização com os demais elementos do desfile. A ala 4 contava com várias fantasias com problemas de acabamento, além de chapéus sendo sustentados pelos desfilantes com dificuldade, como a ala das Baianas.

Harmonia

O Amizade apostou em utilizar-se de apagões em diferentes pontos da pista para provar a força do canto da comunidade, mas tal tática evidenciou as várias inconsistências do canto. Nesses momentos, as alas embolavam seus cantos. Fora disso, muita discrição no canto em geral, com exceção da ala 9, que próxima à bateria na parte final do desfile, demonstrava mais empolgação ao clamar o samba da escola.

Amizade et InterpretesAdautoEliezer

Samba-enredo

Assinado pelo consagrado compositor Thiago Meiners e defendido na Avenida pelos intérpretes Adauto Jr. e Eliezer PQP, o samba do Amizade possui uma letra curta, mas que sintetiza de forma poética e linear a proposta do enredo da escola.

A atuação da ala musical foi o destaque do desfile, em especial combinada com a bateria “Batucada do Amizade”, formando bom conjunto nos momentos em que arriscaram os apagões. O samba é de fácil compreensão, o que ajudou a compensar as dificuldades de leitura que os quesitos plásticos ofereciam.

Amizade et 19

Evolução

­O início da escola contou com considerável lentidão, gerando a necessidade da escola acelerar um pouco o passo ao longo da Avenida para conseguir fechar os portões aos exatos 50 minutos, o máximo que o regulamento permite. As alas, porém, vieram compactas e não houve inconsistências gerais de separação entre elas e os demais elementos do desfile enquanto foram observadas.

Outros Destaques

Amizade et AngelinaRosas

A presidente do Rosas de Ouro e filha de Eduardo Basílio, Angelina Basílio, desfilou à frente da escola e levantou o público enquanto passou pela Avenida, chamando atenção de todos para o desfile da escola. A bateria “Batucada do Amizade” teve grande desempenho, contribuindo positivamente para o desempenho da ala musical.

Fotos: desfile da Amizade Zona Leste no Carnaval 2024

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Imperatriz da Paulicéia tem início de desfile vibrante, mas peca em acabamento de escultura do segundo carro

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Por Eduardo Frois e fotos de Fábio Martins

Terceira escola a se apresentar nesta noite de desfiles do Grupo de Acesso II do Carnaval São Paulo, a Imperatriz da Paulicéia fez uma vibrante apresentação. A exibição da comissão de frente e o desempenho da bateria foram os destaques da escola, porém o capricho estético das alegorias acabou comprometido por uma escultura do segundo carro que passou sem a metade de seu braço esquerdo. Com o enredo “Maracatu – Bendito é o seu rito”, a Azul e Branco da Zona Leste encerrou sua passagem pelo Anhembi aos 46 minutos.

Comissão de Frente

Coreografados por Diogo Ferraz, os quinze integrantes da comissão de frente da Imperatriz vieram divididos em três grupos: cinco homens, cinco mulheres e cinco membros da corte do maracatu. Dentro do enredo, a fantasia dos bailarinos representava a “Nação Imperatriz”.

A apresentação do grupo foi extremamente dinâmica, vibrante e bem sincronizada em seus movimentos. Entre os integrantes da corte do maracatu, além do rei e da rainha, vieram dois portas-estandarte e a “Dama do Paço”, que carregava consigo uma boneca.

Pauliceia et Comissao1

O segmento utilizou muito bem todo o espaço da avenida para representar a cultura do maracatu, intercalando o lado do sambódromo para qual iriam se apresentar. No trecho do samba-enredo que diz “Abram alas pro meu estandarte passar” o integrante com o estandarte da “Nação Imperatriz” avançava e exibia o adereço de mão para os jurados e o público.

Mestre-sala e Porta-bandeira 

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Ronaldo Ferreira e Leila Cruz, apresentou o pavilhão da Imperatriz da Paulicéia com muita desenvoltura e segurança. Com um bailado sincronizado através do olhar, a dupla mostrou alegria ao riscar o chão da passarela do samba paulista.

Pauliceia et PrimeiroCasal

Durante a coreografia o casal chegou a fazer uma sutil referência ao toque dos tambores do maracatu. A fantasia de Ronaldo e Leila possuía as cores azul e dourado, repleta de penas azuis na saia da porta bandeira e no costeiro do meste-sala. A passagem da dupla ocorreu sem contratempos que comprometessem a dança.

Enredo

Inspirados pela cultura do maracatu, a comissão de carnaval da Imperatriz, formada por Wagner Miranda, o Bimbo, Deuseni Ignotti e Clayton Kaomi (in memorian), trouxe ao sambódromo do Anhembi um pouco deste tradicional festejo pernambucano. A escola escolheu focar o seu enredo nos ritos do maracatu nação, que também é conhecido como baque virado.

Pauliceia et 14

O setor inicial da agremiação da Zona Leste fez referência aos desfile das agremiações do maracatu na cidade de Recife, colorindo toda a passarela. Após o primeiro carro, as alas seguintes foram baseadas nas antigas tradições de cortejos de coroação dos reis e rainhas do Congo.

A “Noite dos Tambores Silenciosos” foi representada no segundo e último setor da Imperatriz da Paulicéia, em que a escola fez uma visita ao Recife Antigo e a toda a sua ancestralidade negra. Trata-se de um ritual ecumênico que ocorre na noite da segunda-feira de carnaval.

Pauliceia et Baianas

Após o desfile dos maracatus, essas agremiações se reúnem no Pátio do Terço, em Recife, onde juntos cessam as batidas dos tambores para louvarem a Virgem do Rosário, padroeira dos negros, e fazerem orações na língua iorubá para saudar os ancestrais africanos escravizados durante o período colonial.

Alegorias

O luxuoso carro abre-alas da Imperatriz causou um impacto positivo na abertura do desfile da escola. A alegoria azul e dourada recebeu o nome de “Meu maracatu com as bençãos de Dona Santa”. Além do letreiro com o nome da escola, o carro trazia esculturas de bonecas pretas, cabeças de elefante e uma enorme coroa giratória no topo. Destaque para o cuidado que eles tiveram com a iluminação, realçando a beleza da alegoria.

Pauliceia et 18

Já o segundo carro, chamado de “A noite dos tambores silenciosos”, não conseguiu o mesmo efeito por conta do braço quebrado de umas das esculturas superiores, que representavam a liberdade do negro. A alegoria que trazia Iansã na parte frontal passou pelo Anhembi danificada, comprometendo o padrão visual estético da Imperatriz que era apresentado até então.

Pauliceia et 3

Fantasias

A Imperatriz da Paulicéia trouxe um elegante conjunto de fantasias ao longo das suas dez alas. A primeira delas, após a elegante velha guarda , veio simbolizando o recife antigo, com trajes coloridos que traziam na parte de trás da roupa a bandeira e a arquitetura de Pernambuco.

Pauliceia et 15

A ala das baianas desfilou com uma indumentária predominantemente azul bebê, com as senhoras carregando nos braços bonecas com a mesma fantasia que elas, proporcionando um belo efeito na avenida. A roupa delas transmitia uma sensação de leveza ao girar na passarela.

O uso de adereços de mão foi uma constante nas alas da Imperatriz. A ala 4 – Baque Virado, em tons de azul branco e grená, trouxe seus integrantes segurando tambores. A ala 7 – “Encontro de Maracatus” veio nas cores de um dia ensolarado, vermelho e amarelo, enquanto a ala 8 – “A lua alumia”, passou em cores azul e roxo, que remetiam a noite. Ambas traziam estandartes mão.

Harmonia

Pauliceia et InterpreteTigana

A comunidade da Zona Leste mostrou na pista de desfiles toda a potência da Imperatriz da Paulicéia. Os cerca de 700 componentes cantaram o samba da escola com intensidade, sobretudo nos dois refrões do samba-enredo. Uma das alas que apresentaram um canto vigoroso e constante durante a avenida foi a 6, que representou os primeiros terreiros de candomblé. Seus integrantes mostraram empolgação ao entoar o hino da escola para o carnaval 2024. Mérito também do belo entrosamento entre o carro de som e a bateria.

Samba-enredo

O samba-enredo da Imperatriz da Paulicéia teve um desempenho satisfatório durante o desfile, especialmente por conta do belo trabalho realizado pela ala musical. O intérprete Tiganá contribuiu bastante para impulsionar o canto da comunidade da Zona Leste, incentivando os componentes a manter o canto na avenida. A obra foi composta por André Ricardo, Cauê Ricci e Caio Ricci.

Evolução

Pauliceia et 17

A Azul e Branco da Gamelinha evoluiu de forma correta e coesa ao longo de toda a sua passagem pela pista do Anhembi, sem apresentar buracos ou alas emboladas. O desfile manteve-se no mesmo andamento até o final, sem a necessidade de que os componentes acelerassem o passo para passar dentro do tempo.

Outros Destaques

Pauliceia et MestraRafa

Outro grande destaque da Imperatriz da Pauliceia foi a exibição da bateria, liderada pela mestra Rafaella Rocha. Mestra Rafa que é a única mulher a comandar uma bateria que desfila no sambódromo do Anhembi. Os integrantes vieram trajados de ogã. A Rainha de bateria Ariê veio com uma luxuosa fantasia de penas vermelhas.

Fotos: desfile da Imperatriz da Paulicéia no Carnaval 2024

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Alegorias altas chamam atenção no desfile da Unidos de São Lucas

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Por Will Ferreira e fotos de Fábio Martins

Segunda escola a desfilar no Grupo de Acesso II neste sábado, a Unidos de São Lucas, claramente, mostrou poder de investimento e ótima capacidade de realizar carros alegóricos bastante imponentes e belos. Também chamou atenção o samba-enredo, dos mais aclamados de todo o carnaval paulistano, e a evolução do casal de mestre-sala e porta-bandeira – que, pouco a pouco ao longo do ciclo carnavalesco, melhoraram e tiveram exibição bastante segura. O canto da agremiação, entretanto, foi irregular (e abaixo no segundo setor) e o tripé da comissão de frente tinha ao menos uma rodinha aparente. O desfile para defender o enredo “O Canto das Três Raças… o grito de alforria do trabalhador!” durou 58 minutos.

Comissão de frente

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Coreografada por Paula Andari e intitulada “O Anúncio do Lamento Imortal”, os componentes interagiam com o público e com o tripé em diversas oportunidades, chamando o pessoal para cantar. O segmento era composto por diversos bailarinos vestidos como araras, com um belo esplendor (chapéu) e roupas que variavam entre azuis, verdes e amarelas. O tripé, que simulava um navio, tinha um outro componente, fantasiado como explorador; e tinha detalhes como caveiras – dando a entender que os portugueses, em especial, agiam como piratas na época da chegada ao país. Não houve grande interação entre quem estava no chão e o tripé em si – que, por sinal, tinha pelo menos uma das rodinhas bastante aparente.

Mestre-sala e Porta-bandeira

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Após um primeiro ensaio técnico de pouco brilho e uma segunda apresentação com muita evolução, Erick Sorriso e Victória Devonne completaram uma Jornada do Herói própria. Com atuação bastante segura e em franca evolução, ambos não tiveram erros técnicos em nem um dos quatro módulos, optando pela segurança em todo o trajeto. Vale destacar o belíssimo figurino de ambos, com vários adornos indígenas – ela com um misto de cores, ele com predominância do vermelho e do azul.

Enredo

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A proposta da agremiação é falar das lutas dos trabalhadores por direitos, justiças e condições melhores para desenvolver a própria labuta. A exaltação a cada um deles foi inspirada na música “O Canto das Três Raças”, imortalizada na voz de Clara Nunes – e a canção, por sinal, foi importante para permear o fio condutor de toda a apresentação. Nos primeiros segmentos, os exaltados serão os povos originários (com direito ao carro abre-alas e ao primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira); depois, chegou a vez dos afrodescendentes; por fim, os povos europeus (que também exploraram) são citados. A última das onze alas, chamada “Grito Coletivo de Alforria” dava o tom para tudo que a escola queria passar ao público: depois de toda a luta, era chegada a hora de se livrar de toda e qualquer amarra. A linha cronológica da temática foi muito bem apresentada ao longo de todo o desfile.

Alegorias

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Chamou atenção a altura dos carros alegóricos da vermelho, preto e branco da Zona Leste. O abre-alas, intitulado “Essa Terra Tem Dono!”, bastante alto, representava o Brasil na época da chegada dos europeus, com muito verde e índios – e esculturas bastante bonitas e bem acabadas. Já o segundo, “Fortaleza de Zumbi”, representava todo o Quilombo dos Palmares – com diversos escravos fugidos e que era reconhecido pela maneira bastante eficiente de trabalho internamente.

Fantasias

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Na cabeça da escola já era possível ver que o conjunto de fantasias estava bastante belo. As araras da comissão de frente, utilizando fitas e um belo esplendor, deixaram isso claro; a ala seguinte, “Os Invasores Portugueses”, tinha vários navios com velas e a cruz de malta lusitana. Ao longo de todo o desfile, as fantasias permaneceram em ótimo estado de conservação no geral – e, também, se mantiveram com belo efeito estético. Como erro, a reportagem notou, apenas, que uma das correntes de uma das pedras dos guardiões do casal de mestre-sala e porta-bandeira estava presa na pedra, e não colada – como todas as demais

Harmonia

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Tido como um dos melhores sambas do Grupo de Acesso II (e, por que não, de todo o carnaval paulistano), a escola teve canto irregular no desfile como um todo. A cabeça da agremiação tinha bom canto, com destaque para a já citada ala “Os Invasores Portugueses”. Após o carro abre-alas, entretanto, o volume da escola diminuía sensivelmente. E, depois da segunda alegoria, os componentes voltavam a cantar em bom tom.

Samba-enredo

saolucas24 desfile 19

Como dito anteriormente, a canção da Unidos de São Lucas foi muito celebrada desde quando foi apresentada à comunidade e ao público – e, além da inspiração, não havia cacofonia ou excesso de repetições silábicas na obra de Well Pereira, Cacá Camargo, Osmar Menato, Henrique Hoffmann, Kátia Rodrigues, Luiz Jacaré, Bruno Pasqual e Paulinho Valença. Se o desfile optou por mostrar grupos de trabalhadores, a canção ilustrava alguns atos marcantes na história – como a Inconfidência Mineira e a construção e queda do Quilombo dos Palmares. O único momento no qual o samba-enredo trazia alguma referência ao clássico de Clara Nunes foi o verso “Ôôôôô… o grito do povo marcado de dor”. Também vale ressaltar Tuca Maia, intérprete da escola, que estava fantasiado de bombeiro e tentava chamar o público para cantar com a agremiação.

Evolução

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De maneira bastante uniforme, a escola progrediu ao longo do Anhembi sem qualquer tipo de sobressalto. Um dos poucos pontos negativos nesse quesito foi o recuo da bateria: em um movimento simples, indo à direita quando o carro abre-alas ainda estava na metade do espaço do box, a agremiação ficou cerca de dois minutos para completar o movimento. A agremiação optou por paralisar toda a escola enquanto a ação era feita, e a ala posterior, “Jesuítas – Exploração e Opressão”, foi pouco célere para ocupar todo o espaço.

Outros destaques

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Mostrando muito entrosamento com a agremiação, a corte de bateria teve três destaques nas cores da agremiação. Pepita, madrinha da Bateria USL, estava de branco; Pamela Lino, a musa, estava de preta, e Juliana Fenix, a rainha, veio de vermelho.