O pavilhão do Arranco do Engenho de Dentro viajou no espaço-tempo em três quadros pintados pela história, com o enredo “Nise: reimaginação da Loucura” em homenagem à Nise da Silveira, uma extraordinária mulher brasileira e mundialmente reconhecida pelo papel revolucionário que desempenhou no campo da saúde mental. O abre alas representou a batalha no centro psiquiátrico do Engenho de Dentro trazendo como a Nise introduziu na psiquiatria a arte e o afeto contra o brutal e caótico maquinário tecnológico usado no tratamento dos internos.
“Antes de mais nada, estar aqui para mim já representa muito. Eu sou um grande fã do Carnaval e é a primeira vez que eu estou desfilando. Eu sou criado no Meier desde sempre, então vizinho do Engenho de Dentro e grande parte da minha vida, eu passei ali pelo Instituto Nise da Silveira, que é o antigo hospital psiquiátrico. Então, é uma história que mexe muito comigo. E conhecer também todo o trabalho da Nise, o que sempre despertou o interesse por conta de estar ali, presente, naquele espaço. E então, assim, poder estar aqui a primeira vez na avenida e também contando essa história que ainda faz parte da minha criação desse desenvolvimento ali na Zona Norte, no ritmo do Meier, em Engenho de Dentro, é sensacional. E o amor é a maior terapia que a gente pode dar. Eu tenho um caso de demência na minha família com uma pessoa bem próxima e a gente sabe como é realmente uma luta envolvida no dia a dia e as demonstrações de amor são o que parece que trazem aquela pessoa de volta ali para você com a total sanidade, então é lindo”, compartilhou Igor Estolano, de 27 anos.
Enrico Gomes Moraes, de 28 anos, contou sobre a importância desse enredo que representou a luta de sua mãe, que trabalha e luta por essa causa. Ele veio representando todo esse amor que sua mãe carrega: “Esse tema de tratar sobre a Nise da Silveira, por exemplo, é muita coisa para mim, porque minha mãe trabalha com pessoas que são especiais, pessoas que têm alguns transtornos psiquiátricos, pessoas que têm síndrome de down, enfim, tudo que abrange essa esfera do campo da saúde. E minha mãe, ela sai todo ano na loucura que é um dos blocos de carnaval lá do Engenho de Dentro, então, desfilar para mim hoje aqui é muito especial. Primeiro que minha mãe, ela não consegue vir, eu chamei ela, mas ela não consegue vir porque ela tem problemas de mobilidade e falou, desfila por mim lá, me representa também, porque esse é um enredo que me toca muito e tem todo esse simbolismo de levar o que minha mãe tem não só como profissão, mas também como bandeira da vida dela, que é inclusão, que é o que a Nise da Silveira sempre tratou, a inclusão das pessoas que sempre foram excluídas pela sociedade.”
“É inexplicável a sensação de estar desfilando no Arranco esse ano com esse tema que é acolhedor, incrível e tem tanto a dizer, tem tanto a colher, ensinar para a gente: samba, amor e saúde mental que a gente está precisando. Então, vir nessa escola com esse tema, com essas pessoas e ver uma escola tão comprometida com a comunidade é o que faz tudo ficar ainda mais incrível. E o amor salva é, acho que é fundamental, o amor é o que a gente precisa, o amor é o que a gente vê nas pessoas que estão aqui desde sei lá quando organizando esse carnaval para ver a gente sorrindo, para ver cada detalhe sendo feito, então não tem palavras assim que isso não é outra coisa, isso não é nada se não amor”, pontuou Isabel Pinheiro, de 25 anos.


O Arranco do Engenho de Dentro prestou homenagem a Nise da Silveira, uma mulher extraordinária brasileira mundialmente reconhecida por seu papel revolucionário no campo da saúde mental. O terceiro carro, intitulado “Reimaginar o Insano Universo”, representou o delírio de Momo, que personifica o desejo de reimaginar a loucura e transformar a realidade através da pintura. Essa representação destaca a importância do trabalho de Nise da Silveira na valorização da expressão artística como ferramenta terapêutica na saúde mental.
“É, esse carro representa a loucura suburbana, que é um bloco carnavalesco que sai toda quinta-feira antes do carnaval lá do hospital Nise da Silveira, onde ficavam os antigos loucos, os internados, eles ficavam lá e esse bloco se formou inicialmente com os pacientes. Hoje não, hoje toda a comunidade participa, os moradores, gente de muito longe vem pra participar do loucura suburbana, e é maravilhoso, homenagear a Nise, é muito importante para, principalmente para quem trabalha na psiquiatria ou conhece alguém que tem problemas mentais, psiquiátricos, é muito importante porque ela trouxe uma nova visão para psiquiatria, para o tratamento dos pacientes, olha, é maravilhoso esse enredo”, comentou Adriana Viter Vilarinho de 54 anos.
A Em Cima da hora prestou uma homenagem aos trabalhadores brasileiros, criticando novas e velhas relações trabalhistas do Brasil e do mundo, a agremiação trouxe acontecimentos históricos que envolvem os trabalhadores do mundo todo.
Logo no primeiro setor, um velho e conhecido paradoxo é trazido, chamado “A luta entre o homem, o tempo e a máquina”, o carro abre-alas, chamado “Revoluções Industriais – O Capitalismo X O Proletariado”, trazia na sua frente crânios dourados que, no lugar dos olhos, tinham ferragens. Além de esculturas douradas de operários que se assemelhavam a robôs, havia um grande pêndulo, girando por 360º, que parecia uma ferramenta chave fixa que em cada ponta tinha uma pessoa vestida de trabalhador.
Taiana Fernandes, de 32 anos, apresentou a sua fantasia e o que ela representava.
Para a atriz Ana Cleide Cardoso, de 55 anos, o carnaval é um nítido exemplo do quanto o trabalhador é invisibilizado:










Kátia Santana, de cinquenta e um anos, que vem desfilando pela primeira vez no Sereno, comentou sobre a fantasia que ela veio trajando junto com outros componentes, e também um pouco sobre a alegoria: “A fantasia representa os filhos de Gandhy, e a gente tá nesse carro representando, além disso, toda a Bahia, o Olodum também. Já a alegoria tá bem bonita. Tá de acordo, bem de acordo com o enredo, e de acordo com a escola, as possibilidades da escola”.





