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Evelyn Bastos revoluciona o carnaval ao ser empossada diretora cultural, planeja parcerias com escolas públicas e trazer crianças do desfile mirim para a Liesa

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Evelyn Bastos, conhecida por sua trajetória marcante à frente da bateria da Mangueira e como ícone do carnaval carioca, assumiu um novo desafio como diretora Cultural da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Mulher negra e representante de uma família com profunda ligação com a Verde e Rosa, ela traz consigo uma visão transformadora para o cenário carnavalesco. Neste cargo inédito para mulheres, em 40 anos de história da Liesa, Evelyn planeja não apenas trazer inovação cultural, mas também promover a equidade de gênero, proporcionar oportunidades de educação e renovação para aqueles envolvidos no samba, do início ao fim do ciclo carnavalesco.

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Foto: Maria Clara Marcelo/Site CARNAVALESCO

“Para mim ser diretora cultural representa um momento transformador e fico muito feliz, muito lisonjeada, muito honrada de fazer parte desse pontapé para a equidade de gênero que a gente tanto busca, que a gente tanto vem falando, e para a gente é sempre mais custoso, é um sacrifício maior. Como eu disse que a gente precisa provar cinco vezes mais, a gente precisa fazer dez vezes mais e muitas vezes é exaustivo, é cansativo. Essa imagem da mulher guerreira, da mulher negra que ela é guerreira, isso cansa porque a gente precisa de oportunidades, a gente precisa de portas abertas, a gente precisa de gente que acredite no nosso saber, que acredite no nosso saber acadêmico e que acredite que as mulheres negras consigam estruturar e pensar carnaval e pensar na administração para tantas outras pessoas. É muito interessante a gente ver que esses corpos pretos que estão na cozinha alimentando as pessoas do samba, que estão cuidando das suas famílias, que estão vestindo a família inteira e cuidando, são os corpos também que pensam, que estruturam um lugar que sempre foi de homens e de homens brancos. É um processo revolucionário que a gente está vivendo e isso deve ser muito falado, muito valorizado, porque a gente muda a perspectiva de outros lugares, de outros ambientes, porque se o maior espetáculo da Terra, se a administração do maior espetáculo da Terra tem presença de mulheres negras, qualquer outro lugar pode ter também”, comentou Evelyn.

Pela primeira vez em 40 anos da história da Liga Independente das Escolas de Samba, mulheres vão ocupar cargos executivos, e na entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, Evelyn revelou a importância desse momento para o mundo do carnaval: “É um pontapé inicial. É uma porta que se abre e a gente correu para entrar. A gente aproveitou essa oportunidade e falou que é a nossa chance de poder estar aqui dentro e de poder passar o saber feminino. E quando a gente fala de saber feminino, a gente não fala só das nossas áreas, a gente está falando dos nossos afetos. O afeto feminino é diferenciado, o olhar feminino é diferenciado, é um olhar diferente do olhar masculino. Poder ter esse diálogo agora com os dois gêneros dentro da casa, com certeza a gente já vai ver um carnaval transformado. A gente está conversando agora, vai sentar, se reunir, para tentar resolver todos os problemas e ao mesmo tempo manter o que é bom. Isso vai gerar algumas discussões, mas isso é necessário. Eu acredito que a diversidade hoje da Liga é justamente para gerar esse debate. Porque a gente só consegue evoluir, construir, consertar, melhorar e avançar com o debate”.

Evelyn compartilhou como foi o processo para ser convidada para o cargo e seus pensamentos sobre esse momento: “Primeiro, quando o Gabriel me convidou eu falei: ‘nossa, sério?’, porque para mim, me pegou de surpresa, porque é muito novo, é algo assim que eu não imaginaria. É um presidente trazer para dentro, eu que sou rainha de bateria, eu estou a todo momento enfatizando a minha sensualidade, eu estou a todo momento fazendo no meu corpo um ato político e dançando. É um corpo que dança, é um corpo que expressa a arte ancestral com dança. E ao mesmo tempo sempre me coloquei nesse lugar que para muitos é um paradoxo, mas que para mim é progresso. Para mim é um reconhecimento poder usar a minha sensualidade, abusar da minha sensualidade conduzida por Iabá, por Oxum na minha vida enquanto rainha de bateria e ao mesmo tempo explorar esse saber intelectual acadêmico que eu busquei e que a minha família quis muito que eu trouxesse para dentro porque eu seria a primeira, e eu gosto de ser a primeira. Nessa gestão não tem uma mulher negra, tem três, é revolucionário, e é a minha palavra preferida, sempre foi revolução. Em todos os lugares que estiverem propostos a revolucionar é um lugar que eu vou olhar como um lugar que é meu também”.

Evelyn mencionou seus planos iniciais e ao longo do mandato, destacando um projeto educativo como sua principal proposta. Ela enfatizou o desejo de trazer a educação como um instrumento de impacto social e transformação para as pessoas envolvidas no samba, desde aqueles que constroem o carnaval até os que o vivenciam durante todo o ano. Expressou seu compromisso em tornar o carnaval mais acessível e amado genuinamente, especialmente, entre os jovens, buscando criar um sentimento de pertencimento nas comunidades, incentivando o envolvimento desde a infância. Explicou que seu projeto educativo não se limita apenas aos jovens, adolescentes e crianças, mas também visa alcançar todas as pessoas que, em algum momento da vida, tiveram que interromper sua educação formal para trabalhar e sustentar suas famílias. Ela reconheceu a importância de proporcionar oportunidades de aprendizado e renovação para aqueles que constroem o carnaval, tanto dentro quanto fora da indústria carnavalesca, permitindo que eles possam abrir novos caminhos em suas vidas pessoais e profissionais.

“Meu primeiro projeto é de cunho educativo, trazer a educação como impacto social, como transformação social das pessoas que fazem samba, dos corpos que fazem samba que constroem a festa carnaval durante todo o ano, durante todo o processo e que curtem o carnaval na Marquês de Sapucaí dentro das suas limitações. Mas penso num processo educativo, não só com as crianças, mas com os adolescentes que eu estou tratando também com muito carinho porque eu quero cada vez mais tornar esse carnaval mais jovem e com um amor genuíno dentro dos seus territórios, dentro das suas localidades, nas suas favelas, no subúrbio como eu já falei aqui. Eu quero que as crianças nasçam e em algum momento elas tenham o seu time de futebol e também tenham a sua escola de samba porque ela ouviu o batuque, porque ela esteve dentro de uma quadra de escola de samba e sentiu e se energizou. Mas para que a gente tenha isso nas crianças a gente precisa fazer com que elas se sintam pertencentes desse movimento e tudo que envolve criança é mais delicado porque a gente precisa usar meios pedagógicos para isso. Eu estou tratando com muito carinho isso, mas quando eu falo de cunho educativo, de premissa educativa, eu estou falando não só dos jovens e dos adolescentes, das crianças, eu estou falando também de todas as pessoas que em algum momento da vida precisaram largar um processo educativo para poder trabalhar e sustentar suas famílias. Essas pessoas que constroem carnaval, a indústria carnaval também merece uma oportunidade de se enxergar num processo de educação, de se renovar e de se sentir com novas possibilidades para que elas possam abrir novas portas, não só dentro do carnaval, mas como fora dele também”, mencionou Evelyn.

A nova diretora cultural pretende apresentar esse conteúdo de forma especial, valorizando o acervo valioso e a história do samba. Ela está formando uma equipe, principalmente, composta por mulheres, para trabalhar nesse projeto. O objetivo é garantir que o carnaval seja visto de maneira especial, para que o passado sirva como uma ferramenta de aprendizado para o futuro: “Eu estou trazendo um pessoal para trabalhar comigo, a maioria mulheres, e a gente tem um acervo muito valioso, que merece muito ser contemplado, que merece muito ser visto por todas as pessoas que amam a história do samba. A gente tem um projeto de fazer com que as pessoas vejam esse carnaval de forma muito especial, para que o passado seja uma eterna ferramenta de aprendizado para o futuro. E com certeza eu vou fazer muitos storys, vou estar na rede apresentando muitas coisas, muitas novidades para vocês, trazendo não só as coisas bonitas, mas também alguns problemas que a gente também resolve junto, porque esse diálogo respeitoso dentro das redes sociais é primordial para que a gente faça um bom trabalho”.

Império Serrano celebra São Jorge com carreata no domingo

Um dos festejos mais aguardados pelos sambistas está marcado para o próximo domingo. A partir das 10h, o Império Serrano realizará a 53ª edição da sua tradicional carreata em homenagem a São Jorge, seu padrinho e padroeiro. Ela vai sair da quadra da escola, em Madureira, percorrendo diversos bairros da Zona Norte, com muita alegria e samba.

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Foto: Pedro Siqueira/Divulgação Império Serrano

No roteiro, após passar pelas ruas de Madureira, a carreata segue até a Igreja Matriz de São Jorge, em Quintino. Em seguida, ela se dirige para o Bar Clube da Esquina e, logo depois, para o Centro Espírita Caminheiros da Verdade, ambos no Engenho de Dentro. A quarta parada será em Ramos, na Rua Euclides Faria com Teixeira Franco, para um encontro repleto de samba com a Imperatriz Leopoldinense.

Na sequência, o cortejo vai retornar ao bairro de Madureira, subindo o Morro da Serrinha para o show dos segmentos do Reizinho de Madureira e mais homenagens ao Santo Guerreiro. Já no final da tarde, a carreata regressa à quadra do Império Serrano, na Avenida Edgard Romero – 114, e encerra o domingo de festejos especiais em louvação ao padroeiro.

Segundo o presidente Flávio França, a carreata de São Jorge é um momento de comunhão entre os imperianos. Ele destacou que o santo está entranhado na cultura carioca, presente em diversos espaços, especialmente na Serrinha, o berço do Império Serrano.

“A força que a carreata de São Jorge tem hoje é similar ao encontro entre culturas e o diálogo com a fé, que bem representa o Rio de Janeiro. É um caldeirão cultural. Que Jorge nasce da fé não há dúvidas, mas é no reduto da Serrinha que ele faz a sua morada. São Jorge é o nosso protetor”, disse Flávio, que completou:

“São Jorge é um santo que está presente desde os clubes às quadras de escolas de samba, balcões de botequins, inspira tatuagens, camisas, grafites, toalhas de rosto, pulseiras, medalhas de ouro, cordões e anéis. Ele trafega pelos trilhos dos trens suburbanos, povoa o imaginário das luas cheias e derrota os perrengues daqueles que matam, diariamente, os dragões cotidianos para sobreviver, que não medem esforços para celebrar a presença da fé, seja na igreja, no terreiro da Serrinha ou na Marquês de Sapucaí. A carreata é um ato político imperiano, de resistência, de confraternização, comunhão e sintetiza tudo o que disse”, destacou o presidente imperiano.

Através dos seus parceiros, o Império Serrano também vai disponibilizar ônibus para os segmentos e torcedores. Na carreata, o Departamento Comunitário da escola estará recebendo doações de alimentos não perecíveis para serem destinados às pessoas com vulnerabilidade social na Serrinha.

Importante

Na parada no Centro Espírita Caminheiros da Verdade, algumas normas foram estabelecidas para a entrada na instituição. Os presentes não vão poder entrar usando short, saia curta, roupas transparentes, boné ou com qualquer tipo de bebida alcoólica.

Serviço:
53ª carreata de São Jorge
Data: 28 de abril
Horário de início: 15h
Saída: Av. Ministro Edgard Romero, nº 114 – Madureira, Rio de Janeiro
Evento gratuito

Luto! Morre Anderson Leonardo, do Molejo

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Faleceu nesta sexta-feira o sambista Anderson Leonardo, aos 51 anos. Ele era do grupo Molejo. Ele lutava contra um câncer. Veja abaixo o pronunciamento do grupo.

anderson

“Nosso guerreiro ANDERSON LEONARDO lutou bravamente, mas infelizmente foi vencido pelo câncer, mas será sempre lembrado por toda família, amigos e sua imensa legião de fãs, por sua genialidade, força e pelo amor aos palcos e ao MOLEJO. Sua presença e alegria era uma luz que iluminava a vida de todos ao seu redor, e sua falta será profundamente sentida e jamais esquecida, nós te amamos”.

Perfil (Jornal O DIA)

Anderson Leonardo nasceu em 1972 no Rio de Janeiro. Filho do veterano produtor musical Bira Haway, um dos mais importantes do samba e do pagode, o cantor e compositor se aproximou da música ainda criança. Em entrevista ao jornal “MEIA HORA”, em 2021, contou que a família e o bairro onde morava foram decisivos para o seu envolvimento com a arte.

Em 1986, ainda bem garoto, esteve em um momento antológico da TV brasileira: o especial de fim de ano de Roberto Carlos, na Globo. Naquele ano, foi um dos convidados de honra do programa, que contou, ainda, com Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Almir Guineto e os membros do Fundo de Quintal (Arlindo Cruz, Sombrinha, Bira, Ubirany e Cleber Augusto), todos começando a “estourar” nacionalmente com o pagode. Em imagens disponíveis no YouTube, Anderson aparece bem ao lado de Roberto Carlos o tempo todo.

Em mais de 30 anos de carreira, o artista ficou conhecido como vocalista, além de ser o responsável pelo cavaquinho, do grupo Molejo, que alcançou fama nos anos 1990 com sucessos como “Cilada”, “Caçamba”, “Brincadeira de Criança” e “Dança da Vassoura”. Seu carisma e irreverência ajudaram a criar uma grande identificação junto ao público. Dividia a a liderança do grupo, considerado um dos mais importantes do samba e do pagode, com o músico Andrezinho, filho do lendário mestre André, ícone da Mocidade Independente e criador da “paradinha” da bateria nos desfiles de Carnaval.

O sucesso do grupo era tão grande que virou tema de escola de samba: “No Palco da Alegria, Molejo É Rei Nesta Folia”. O enredo foi apresentado em 1999 pelo Império da Tijuca, agremiação do Morro da Formiga, no grupo de Acesso.
Até a primeira década dos anos 2000, o Molejo era presença constante em programas populares da TV aberta, principalmente nas atrações comandadas por Xuxa, Faustão, Gugu Liberato, Raul Gil, Gilberto Barros e Jorge Perlingeiro, sempre lançando novos álbuns e hits.

No Rio, Anderson e os demais integrantes do Molejo se apresentaram em todos os grandes bares e casas de show, principalmente nas zonas Norte e Oeste, além da Baixada, Niterói e São Gonçalo. Além da música, o artista apareceu nas telas do cinema, quando fez uma participação no filme “Contravenção”, em 2021. O longa retrata a o submundo do jogo do bicho e das máquinas caça-níqueis no Rio.

Gabriel David revela, em coletiva na Liesa, planos iniciais para o Carnaval 2025 e antecipação de datas, como o sorteio da ordem dos desfiles

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Recém-empossado presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, concedeu entrevista coletiva, na manhã desta sexta-feira, na sede da Liga, no Centro do Rio. Ele revelou planos iniciais para o Carnaval 2025, inclusive, de definir todo o regulamento do Grupo Especial 2025, com possíveis mudanças ou não, antes do sorteio da ordem dos desfiles do ano que vem. Aliás, o sorteio será antecipado e está marcado para o dia 23 de maio, na Cidade do Samba, com entregada gratuita, através de doação de 1kg de alimento não perecível, em horário que ainda será determinado e informado pela Liga. O dirigente explicou que o objetivo da nova Liesa é antecipar em pelo menos um mês todo o processo do pré-carnaval.

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Foto: Site CARNAVALESCO

“A gente tem que como objetivo de antecipar todo ciclo de carnaval em pleno menos um mês. E qual motivo dessa antecipação? Quando a gente chega no período de lançamento dos sambas-enredos, somos os únicos loucos no planeta Terra, que trabalham as músicas com apenas dois meses. Se tivermos um tempo padrão, tenho certeza que vamos ter resultados ainda melhores para escolas de samba. Assim, as escolhas dos sambas vão ser antecipadas em um mês, as gravações também, e, consequentemente, o lançamento das obras no mais tardar na primeira semana de novembro. Aí, teremos três meses completos para trabalharmos todos os sambas nas plataformas digitais”.

Hugo Júnior é o novo presidente da Liga-RJ

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Hugo Júnior, ex-presidente da Acadêmicos de Niterói, assume um novo desafio, a partir de hoje irá comandar a Liga-RJ, responsável pelas agremiações da Série Ouro, que desfilam na sexta e sábado de carnaval.

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Foto: Divulgação/Liga-RJ

Hugo foi aclamado por presidentes das agremiações da Série Ouro, que estiveram presentes na plenária realizada na noite desta quinta-feira, na sede da instituição.

Criado no mundo do samba, Hugo tem longa trajetória no carnaval e nos dois últimos anos foi presidente da Acadêmicos de Niterói.

“Primeiramente, gostaria de agradecer a cada presidente pela confiança em meu nome. Sempre lutei pelo melhor onde passei e não faltará esforço e dedicação pela Série Ouro. Sei das dificuldades das agremiações e com certeza lutarei para termos um carnaval cada vez mais digno. Cada agremiação é peça fundamental para esse espetáculo e a Série Ouro brilhará cada vez mais”, destaca o atual presidente que cumprirá o mandato de quatro anos.

Conheça o enredo da Mangueira para o Carnaval 2025

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A Estação Primeira de Mangueira definiu e divulgou nesta quinta-feira seu enredo para o Carnaval de 2025. Com o título “À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões”, a Verde e Rosa levará para Marquês de Sapucaí no próximo ano uma narrativa baseada na historicidade preta de forte cunho social, conectando passado e presente pelas vivências cotidianas. Junto do tema, a agremiação também divulgou a logo para seu próximo carnaval.

logo enredo mangueira2025

Idealizado pelo carnavalesco Sidnei França, o enredo do Mangueira vai explorar as pesquisas que buscam desde os registros de milhões de escravizados, um resgate e uma valorização dos saberes e fazeres banto no Brasil até a construção de um cotidiano carioca a partir de suas violências e prazeres que traz à tona um olhar sobre as experimentações das camadas populares e invisibilizadas nas práticas socioculturais da cidade.

”O entendimento da nossa terra revela a verdade sobre corpos assolados pelo apagamento de sua identidade preta. A alma carioca, atrevida por essência e banhada da ancestralidade bantu, é forjada por tantas dores e paixões, carregando na memória a cruel violência, mas também as experiências revolucionárias de liberdade, que nos ensinam a desafiar a morte, celebrar a vida e fazer carnaval!”, destaca França.

O anúncio contou com várias ações na cidade, nas redes sociais da escola, nos meios de imprensa. Até o presente momento, a maior parte das agremiações do Grupo Especial que divulgaram seus enredos estão apostando em temáticas afro para o carnaval 2025.

Wallace Palhares deixa presidência da Liga-RJ e celebra dois mandatos no comando da Série Ouro

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Wallace Palhares deixa nesta quinta-feira a presidência da Liga-RJ, que comanda os desfiles da Série Ouro, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. O dirigente conversou com o site CARNAVALESCO, fez um balanço da gestão e falou do futuro.

Os presidentes e fundadores da Liga-RJ vão escolher mais tarde o novo presidente. Um dos mais cotados a ocupar o cargo é Hugo Júnior, que era o presidente da Acadêmicos de Niterói até o Carnaval 2024. Veja abaixo o papo com Wallhace Palhares.

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Foto: Diego Mendes/Divulgação Liga-RJ

Qual seu balanço dos dois mandatos na Liga-RJ?

“Balanço positivo em tudo que tange o fortalecimento das escolas em relação a apoio financeiro. Tivemos um aumento considerável nos editais, abertura para captação de novos recursos, através da transmissão da Band, diálogo mais sólido com a Prefeitura do Rio e venda no digital dos ingressos para os desfiles, que possibilitou um alcance maior, reduzindo bastante os ingressos na mão dos cambistas, que impactava no preenchimento das arquibancadas nos dois dias de espetáculos”.

Qual foi o momento mais difícil e qual foi o melhor momento?

“O momento mais difícil foi o acidente da menina em 2022 (na área da dispersão), em seguida a pandemia, que trouxe atrasos, já que as escolas já estavam com muitas dificuldades após a gestão Crivella (ex-prefeito). Superar tudo isso foi sacrificante. Os melhores momentos foram as superações de cada obstáculo que aparecia pela frente”.

Qual é o legado que você deixa para a próxima gestão?

“O legado é a Série Ouro ter porta aberta principalmente com Governo do Estado, através de um apoio inédito que veio através da Funarj, além do projeto aprovado e já em andamento da Cidade do Samba 2”.

A Cidade do Samba 2 é o que você mais sonha para a Série Ouro? Ou tem algo que você sonha ver também?

“Além da Cidade do Samba 2 ser um sonho ter ela já ocupada pelas escolas da Série Ouro, seria também um sonho das escolas terem o apoio do Governo Federal, nossos profissionais precisam de condições dignas”.

Você não vai ficar fora do carnaval, o que pretende fazer?

“Não ficarei fora, mas estarei por aí (risos) pertenço a um grupo onde o trabalho não pára, estaremos brigando sempre pela justiça com as escolas menos favorecidas”.

Confira a sinopse do enredo da Em Cima da Hora para o Carnaval 2025

A Em Cima da Hora apresenta o enredo para o Carnaval 2025: “Ópera dos Terreiros – O Canto do Encanto da Alma Brasileira”! Ópera de Aldo Brizzi e Jorge Portugal. Confira a sinopse.

ENREDO: ÓPERA DOS TERREIROS – O CANTO DO ENCANTO DA ALMA BRASILEIRA

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A realidade pungente em nosso país a respeito do preconceito racial, é ainda uma ferida intensamente viva, expondo o que há de mais desumano e irracional na humanidade, e por consequência, corrobora na desigualdade, no ódio e na intolerância. Tão dura e cruel realidade não conseguiu apagar por completo a ascendência e a identidade dos povos que foram sequestrados de sua terra, separados da sua gente, da sua família e de tudo mais que os dignificavam. E, ainda que aportando nestas terras como escravizados, buscaram construir meios e formas de permanecerem ligados a sua origem, a sua essência, transcendendo à dor e ao sofrimento, em nome da sua verdadeira ancestralidade.

Reconstruir uma genealogia cultural que mantivesse ligações com sua terra natal ainda é tarefa que perdura desde a longa travessia entre a África e o Brasil. Mesmo à revelia das dores e limitações que os envolveram, eles assim o fizeram. Cantaram seus cantos de fé, dançaram para seus santos, irmanaram-se, lutaram por liberdade, assentaram seus terreiros, criaram ritmos e laços de irmandade, construíram pontes através da arte e da cultura, buscaram seus espaços, firmaram seu ponto, fizeram-se luz onde havia ignorância e fé a quem temesse por justiça.

Trazer para o palco do carnaval o enredo sobre a Ópera dos Terreiros é fazer jus a toda jornada do povo preto, partindo da primazia do pertencimento e da ancestralidade, que ganham novas formas de demonstração e que vão conquistando novos espaços e palcos através da arte, como o canto erudito e operístico. Isso enaltece os distintos povos que para cá vieram para além dos Bantos e Nagôs. E reforça as infinitas possibilidades de que o negro, com sua cultura, pode chegar a lugares inimagináveis no Brasil e no mundo.

A Ópera dos Terreiros é o ponto de partida para uma reconexão ancestral pelo prisma da cultura e da fé, genuinamente alicerçada em Salvador, na Bahia de todos os santos, casa primeira, terra primeira fora do seu habitat. Com toda a resistência e com todo o axé, construíram o seu espaço de pertencimento, seus costumes e sua forma de ser no mundo. Com sua identidade e empoderamento preto, fazem-se presentes, tornando protagonistas em todos os terreiros em que vier a pisar, gestando, assim como representado na ópera, os filhos seus, um Brasil do futuro. Um novo Brasil. Um Brasil novo!

Salve o canto negro para além da dor e do sofrimento!
Abram-se os caminhos para o canto negro passar!

Justificativa

O carnaval e as escolas de samba possuem entre muitas funções o papel de mantenedoras e produtoras de cultura. E sua cultura é negra por essência. Sua matriz é africana e porque não dizer, baiana também.

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Em Cima da Hora traz para o seu carnaval a Ópera dos Terreiros, obra pertencente ao roll de espetáculos do Núcleo de Ópera da Bahia, instituição que promove a representação da cultura negra em sua ancestralidade dando o protagonismo aos seus atores/cantores, contribuindo para o descortinar de histórias que guardam signos sagrados e transmitem a essência de um povo.

A união entre o erudito e o popular não é em si uma novidade, mas rara de se vê quando a ênfase se dá na negritude, a africanidade, na construção do saber cultural do negro em todos os espaços. Soma-se a esse fator a importante contribuição dos povos pretos à formação cultural do Brasil, com suas religiões, costumes, língua, saberes e personalidades.

Adentrar o universo operístico sob a luz da Ópera do Terreiros é considerar o que veio antes, desde a diáspora africana, sua resistência, a manutenção dos saberes e das coisas transcendentais que abriram caminhos e aos poucos ganharam espaços até então impossíveis de se alcançar. Reverenciamos, assim, todos os que construíram, lutaram e se dignificaram na transmissão dos saberes, tornando possível o alastramento dessa negritude fortificada no Brasil, mais precisamente, em Salvador. Onde a África é mais baiana. Onde a identidade molda e determina o ser negro.

É função cultural e ancestral abrir caminhos, lançar luz e ampliar os horizontes para que esta obra alcance ainda mais terreiros pelo mundo afora, como já vem conquistando. Emocionando a quem a vê e a quem a ouve, transmutando a realidade que se esperava em nome de um futuro cada vez mais justo e livre como sempre deveria ter sido.

SINOPSE

Cena 1

Brasil, Fruto do amor dos filhos da antiga África

Que cantado em ária, rememora seu passado
Tornando latente o desejo de um futuro melhor.
Brasil, vive a recontar inúmeras histórias pelas ruas e ladeiras de Salvador
Nos portais da cidade quem o ouve, transporta-se para os portais do Benim
Seguem rumo a uma nova terra num completo desconhecido
Navegam pelo impetuoso mar de Olokun
Revivendo tormentos que destruíram sonhos, aflorando muitos medos
Onde naufragaram inúmeras histórias, restando apenas esperança.
Mas hoje, Brasil não veio contar sobre a dor
Mesmo latente e ainda presente
Ele veio contar sobre os povos trazidos da terra mãe
Resgatando todos aqueles que assumiram o compromisso de perpetuar sua história
Suas raízes e seus ancestrais.
Aqueles que trouxeram os signos que permeiam o seu sagrado e sua identidade
E que chegando à baía que aportaram primeiro, onde todos os santos os receberam
Guardaram consigo os mistérios, os encantamentos e seus saberes transcendentais.

Cena 2

Água de cheiro. Banho de arruda. Axé em templo sagrado
Terreiros firmados, há séculos são avistados e visitados
É canto, é dança, é fundamento
Ao sabor das memórias que percorreram o oceano que os separou.
Vem de Jeje, Ketu, Banto e Nagô
Na roça que bate o ponto
Maxicongo é Bate Folha de Congo e Angola.
Sejam inquices, voduns ou entidades, filhos de todos os santos
Se espalham, multiplicam e renovam sua ancestralidade
Desde a Casa Branca ao Gantois
Entre ladeiras, encruzas e matas
É o sagrado assentado e firmado, legado da nossa história.
É tempo de bater cabeça, tomar a benção e se curar.
Salve as mães baianas que iniciadas iaôs um dia foram
Salve todas elas que abençoam toda gente com seu banho de fé.
Mulheres que foram resistência e se tornaram essenciais.
Matriarcas! Mães de santo! Fonte dos saberes e dos cultos!
O elo na gira perfeita que no tempo se sente o que não se vê.

Cena 3

Na energia que emana a vibração, o Maculelê é a batida que ressoa no tempo
Tocando o passado no nascer de novos ritmos
Faz surgir samba de roda no Recôncavo, reconvexo no alcance que se tem
Na batida do tambor, ogãs dão o tom
Capoeira é sinônimo de luta ao toque do berimbau
Que encanta a quem o ouve e o vê
E vai Brasil, banhado no axé de outrora
Vem mostrar que o canto desta cidade também é seu.
Ao saírem dos terreiros emanando todo o seu axé
Blocos afro e de afoxés tomam as ruas com sua sonoridade
A sacudir, a abalar, fluindo a baianidade que faz sua gira no carnaval.
Num ato de resistência, em busca de sua essência
Brasil sobe a ladeira do Curuzu
E se põe a ecoar por toda a cidade que “a coisa mais linda de se vê é o Ilê Aiyê”
No Muzenza e no Malê Debalê se renovam a negritude
Como num levante a determinar seus espaços em nome da liberdade.
Pelo ritmo do afoxé dos filhos da paz, Salvador ganhou as telas e os livros
É festa de preto. É toque preto timbaleiro que sacode o mundo inteiro
E traz cacique afro metalizado, afrofuturismo invadindo a tradição.
Olodum, o quilombo dos ritmos sincopados
Contam histórias que não se podia contar sobre muitos lugares
Negro era rei e também divindade. Negro era o Faraó.
– Eu falei, Faraó!
Seu esquema mitológico ecoou nos quatro cantos do mundo
Coroando com turbantes os súditos de Tutankhamon
Signos mantenedores de uma ancestralidade viva! Transcendental.
No Cortejo Afro, Brasil se viu representado
Eis a Bahia que povo branco se rendeu…
Alicerçado e fortalecido pelos que vieram primeiro
Brasil, em sua “Roma Negra”, valoriza seus saberes, comungando de todas as artes
Transvestido de sua história que determina tudo o que foi e o que virá
Alimentando a todos com sua genuína identidade
Na capital que é patrimônio ancestral e que o mundo vem conhecer
Pelourinho se transforma em cartão postal
Quilombo que se materializa, força que sintetiza a luta secular por liberdade.

Cena 4

Vem chegando a negritude que dá a volta no mundo e vê o mundo girar.
Onde o amor é sempre azul
Infinito como o mar de Olokun.

Esta é a terra que o canto negro tem vez e voz. Mas que continua a lutar.
Sua ópera negra, entidade que fortalece um laço universal de união
Fomenta a negritude cultural na cidade mais africana além de África.
Nesta ópera principal, Brasil é o fruto do amor
Banto é Nkosi, Oxum é Nagô
Entre cantos e encantos, eles se enamoram em meio a conflitos
Exu abre os caminhos e rearruma os seus propósitos
Iansã faz o vento dançar pro amor acontecer
A senhora do tempo ensina que destino é coisa certa, não se pode mudar.
O amor que é banto se vai, a morte o encontrou
A filha de Oxum que fica, lamenta sua dor
Em seu canto, tal qual uma prece, sente nova vida chegar
Seu filho Brasil está prestes a nascer.
Sua trajetória se torna estandarte em prol da negritude
No panteão negro que se reconstruiu ao longo de toda sua história
Nos laços que se firmaram entre os terreiros que viraram ópera
E a ópera que se tornou terreiro também!!
Com o renovar de consciência ganhando forma
Sendo a liberdade sua fonte de inspiração
Alcança novos portos, adentrando ou rompendo outros portais
Onde o povo preto é o protagonista e se mantém ancestral
Para além dos que um dia foram tratados como senzala
E transcende a tudo o que um dia lhe fora negado
Mas que agora vem encantar o mundo
Com sua arte, sua raça, seu canto e sua cor.
E vai o Brasil
Cantando em ária sua ancestralidade
Como fruto do amor dos filhos da Antiga e da “nova” África
Rememorando seu passado, na construção de um mundo melhor!

Argumento: Anderclébio Macêdo e Rodrigo Almeida
Texto e pesquisa: Anderclébio Macêdo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMADO, Jorge. Bahia de Todos-os-Santos: guia de ruas e mistérios de Salvador/Jorge Amado: posfácio de Paloma Amado. – IªEd.-São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
BARBIERI, Renato. Atlântico Negro, na rota dos orixás. 2018. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=7m0Ifj0YfAQ >. Acesso em: 29 mar. 2024.
DIAS, Guilherme Soares. Salvador é a Meca negra: todo negro precisa ir pelo menos uma vez. Carta Capital. 2018. Disponível em:< https://www.cartacapital.com.br/blogs/guia-negro/salvador-e-a-meca-negra-todo-negro-precisa-ir-pelo-menos-uma-vez/ >. Acesso em: 25 mar. De 2024

GONÇALVES, Luiza. Do Benin a Salvador: onde a herança africana se manifesta nos baianos. Jornal Correio. 2023. Disponível em:< https://www.correio24horas.com.br/minha-bahia/a-africa-e-um-corpo-que-pulsa-na-bahia-1123 >. Acesso em: 25 mar. 2024.

LOPES, Nei. Dicionário escolar afro-brasileiro. São Paulo: Selo Negro Edições, 2006.
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Zé Paulo sobre a Mocidade 2025: ‘patamar muito maior do que foi desse ano’

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Durante o aniversário do Tuiuti, no início de abril, o CARNAVALESCO conversou com Zé Paulo Sierra, intérprete da Mocidade, que fez balanço do Carnaval de 2024, o primeiro na Mocidade, falou sobre o samba do caju, e o uso da internet e das plataformas digitais de música como alternativas para divulgação de sambas-enredo.

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Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO

Ao falar do Carnaval de 2024, Zé Paulo citou o resgate que a Mocidade realizou em si e no mundo do samba, apesar do décimo lugar, e que para 2025 os preparativos já estão ocorrendo, com o retorno de Renato Lage, por exemplo:

“Acho que dentro da nossa proposta a gente levou o que a gente queria. Julgamento a gente sabe que o jurado tem uma visão diferente mesmo do que rola, então é consequência do trabalho, faz parte. É claro que a gente tem que melhorar, não tem ninguém satisfeito com o décimo lugar, mas é um resgate também. Acho que a Mocidade conseguiu resgatar muita coisa esse ano, não só de fora para dentro, mas de dentro para fora também. Acho que com a chegado do Renato Lage agora, do Misailidis, do Mauro, que vem agregar ainda mais a um time, não desmerecendo quem saiu que são profissionais maravilhosos também, mas eu acho que a chegada dessas pessoas tem tudo para trazer a Mocidade para um patamar muito maior do que foi desse ano, mas o balanço é muito positivo. Acho que dentro da proposta que a gente quer apresentar de alegria, de trazer o povo para perto, acho que a gente conseguiu”.

O cantor contou também sobre a recepção e a popularidade que o samba da Mocidade teve neste carnaval, virando um verdadeiro hit, e aproveitou para falar do uso de plataformas de música para ajudar na divulgação e consumo do gênero futuramente:

“Eu acho que esse foi um dos resgaste, resgatar o gênero. A pouco tempo a Imperatriz agora também estava viral no Spotify com o samba ao vivo. Então, eu acho que isso é muito importante para o gênero. Acho que algumas pessoas levaram isso para um lado de ego e acabaram batendo no samba da Mocidade sem pensar no futuro do carnaval, do gênero. Então, acho que tudo que fortalece o gênero samba-enredo e o carnaval tem que ser comemorado pelo sambista. A gente entende a disputa, tudo que acontece, mas acho que a gente tem que ver o lado bom das coisas que acontecem para o carnaval, esquecer um pouco as vezes a disputa e ver o que é bom para o carnaval, o que é salutar para o carnaval. Acho que essa coisa do samba da Mocidade ter furado a bolha, como eles dizem, ter viralizado, é importante não só para a Mocidade, foi muito importante para a gente porque a gente estava ali no meio do círculo, mas foi muito importante para o gênero. E eu hoje fico muito feliz de ver a Imperatriz também no mesmo processo com o samba ao vivo ter sido viral em uma semana fora do carnaval”.

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Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO

Zé Paulo comentou sobre o caminho do streaming, do Spotify, e das outras plataformas de áudio, como o lugar em que o gênero samba-enredo pode ter esse ‘respiro’: “Eu acho que a gente já deu o start esse ano, acho que as pessoas vão ficar mais ligadas nos sambas ano que vem, para o próximo carnaval. Acho também que a Liesa deve investir nisso, em um marketing agressivo junto com as escolas de samba, já vem fazendo, mas acho que tem que priorizar o seu produto”.

Ele então comentou sobre a valorização que o espetáculo como um todo deve ter por parte da organização e dos dirigentes:

“O carnaval, ele é audiovisual, eu acho ainda que as escolas prezam muito mais pelo visual do que pelo áudio. Com o visual você desfila, sem o áudio você não desfila. Bateria e samba-enredo são muito importantes, 50% de um desfile na minha concepção. Se você parar para pensar, vai ter gente achando que é muito mais. Então, se o visual tem sido uma coisa que tem sido massificado pelas escolas de samba e pela Liesa, nada mais justo que o áudio tenha esse favorecimento também. Uma passagem de som com mais tranquilidade, como a gente faz com a passagem de luz. Fica duas semanas montada, a luz, porque não se criar uma estratégia para ficar montado o som também duas semanas antes. ‘Ah, tem custo…’. Tem investimento. Para o espetáculo fortalecer e a gente ter um produto de ainda mais qualidade é preciso investimento. É um caminho novo a ser seguido, mas eu acho que a gente está pelo menos já trilhando esse caminho, já tem o start. E eu espero que no próximo ano, no carnaval de 2025, a gente tenha não só o samba da Mocidade, mas também outros sambas viralizados, isso é importante para o carnaval”.

O intérprete então comentou sobre seu primeiro ano como a voz da Mocidade, e como foi um bom começo dele na escola, em que já havia ganhado uma disputa de samba anteriormente, e que tem uma forte tradição musical com intérpretes marcantes:

“Eu já tinha um contato muito grande com a comunidade, já ganhei um samba lá em 2016, estava todo ano lá em disputa de samba, eu sei que é diferente, mas era um namoro antigo. Em 2016 eu quase fui para lá ser cantor, acabou não rolando, mas tudo tem hora certa. Acho que eu cheguei em um momento bom para a escola, em um momento bom para mim também, foi uma mudança de chave mesmo, até de visual, as pessoas me olham na rua e falam: ‘olha o cara do caju aí’. Ficou marcado isso, é um bom começo, mas é só o começo, já vamos para mais um ano, espero fazer história aqui não só cantando grandes sambas, mas também conquistando títulos como Ney Vianna, Paulinho Mocidade, Wander Pires, que são os cantores campeões da escola, quero entrar para essa galeria também”.

Por fim, Zé Paulo comentou sobre o futuro da escola com o casal Lage assumindo como carnavalescos, e o que esperar da escola daqui em diante:

“O Renato e a Márcia têm o DNA da escola. Fizeram grandes carnavais, se eu não me engano ganharam três ou quatro. Carnavais emblemáticos cantando a história da própria escola, com enredos usando e abusando de tecnologia. Acho que tem muito esse DNA. Mocidade é uma escola mesmo de vanguarda, de ser pioneira nas coisas, acho que vem coisa boa aí. Não acredito em enredos irreverentes, o carnaval precisa, mas como tem o julgamento e a gente não foi bem julgado no quesito, não acredito que a gente vai ter enredo irreverente esse ano. Em nenhum dos grupos, não só no Especial, porque a nota acaba gerando uma tendência, mas acho que a Mocidade vai ter um enredo com o DNA de Mocidade, porque o casal já assina esse DNA. A expectativa é muito boa para um carnaval gigantesco, grande como a Mocidade merece, como a comunidade merece”.

Unidos de Padre Miguel apresenta equipe e inaugura nova boutique na quadra

Foi com a casa cheia e muito samba que a Unidos de Padre Miguel celebrou o seu padroeiro, São Jorge, na tarde da última terça. Em seu primeiro evento após o campeonato na Marquês de Sapucaí, a escola da Vila Vintém preparou uma linda festa para receber sua comunidade e personalidades do carnaval.

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Fotos: Diego Mendes/Divulgação

A festa teve início às 08h com a celebração de uma linda missa em homenagem ao Santo Guerreiro, uma deliciosa feijoada foi servida ao público que também conferiu o som dos meninos do grupo Pega Black e do grupo sensação das rodas de samba carioca, Samba de Caboclo, logo depois, a direção da escola apresentou ao público a equipe que irá compor o elenco na estreia do Boi Vermelho no Grupo Especial em 2025.

Com um discurso acalorado, a diretora de Carnaval, Lara Mara falou sobre o trabalho da escola para o próximo ano.

“Estou muito feliz e confiante que faremos uma estreia linda no Grupo Especial. Optamos em manter basicamente a mesma equipe pois confiamos nesses profissionais que estão com a gente há tantos anos. Louzada e Lobato chegam para somar com o nosso trabalho. Temos uma equipe forte, temos planejamento e tenho certeza de que faremos um grande carnaval, o maior carnaval da história da Unidos de Padre Miguel. Deixar de lutar, jamais, e, com todo respeito às coirmãs, aguardem a Unidos em 2025”, disse.

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Lara também anunciou que o concurso para eleger a nova rainha da bateria Guerreiros está em fase de finalização e será divulgado em breve pela agremiação.

“Meninas já comecem a se organizar, montem suas torcidas, pois em breve anunciaremos as inscrições e todas as regras do concurso. Nada mais justo ter com a gente uma menina escolhida por nossa comunidade para reinar à frente da bateria. Estamos resgatando nossa essência, valorizando e dando oportunidade para as meninas da nossa comunidade”, afirmou.

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Após o discurso, a festa seguiu com a apresentação dos segmentos do Boi Vermelho. A novidade do dia foi a inauguração da nova boutique dentro da quadra. Toda reformulada, o novo espaço oferece uma variedade de produtos oficiais da escola da Vila Vintém, desde bonés, leques, copos, casacos, canetas, camisas, conjuntos, entre outros produtos .