Com alas cheias, poucas musas, comunidade apaixonada e presença da comissão de frente, a Mocidade Independente de Padre Miguel fez um marcante ensaio de rua no último sábado, duas semanas após ter estreado nos ensaios técnicos do Sambódromo. A escola, que abrirá o último dia de desfiles do Grupo Especial em 2025, com o enredo “Voltando para o Futuro – Não há limites para sonhar”, mostrou evolução e maior preparo para o desfile oficial na avenida. Ao longo da noite, foram distribuídos adesivos da campanha “Feminicídio Zero; Nenhuma violência contra mulher deve ser tolerada”, lançada pelo Governo Federal, em parceria com a Liesa, por meio do Ministério das Mulheres, para promover um carnaval mais seguro para as mulheres.
A comissão de frente esteve impecável. Foi o ponto mais alto do ensaio. Os bailarinos estão bem ensaiados e reproduzindo em perfeita sincronia a coreografia de Marcelo Misailidis, que estava presente, os coordenando. Foi a ala que mais atraiu olhares da plateia, que parava para gravar e tirar fotos dos rapazes.
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo e Bruna, fez uma apresentação bonita, com cautela e pausas para seguir as diretrizes da coreógrafa Ana Paula Lessa.
Harmonia
Desde que o intérprete Zé Paulo Sierra começou a cantar o samba-enredo deste ano, ele foi acompanhado em alto tom pelos componentes da escola e pelos torcedores que estavam lá para assistir o ensaio, demonstrando ser um bom condutor. Com status de celebridade, o cantor é muito querido dentro da comunidade que integra pelo segundo ano consecutivo.
“Estou muito feliz! Acredito que temos trabalhado intensamente após um ano extremamente positivo em relação ao samba-enredo, particularmente por conta do caju. A Mocidade abraçou com entusiasmo a luta pelo samba junto à comunidade, estão todos cantando bastante. Já cantei em outras escolas, no entanto, esta é singular. Ao atravessar aquela passarela no ensaio técnico da Sapucaí e ver a festa que o povo promove, sinto uma renovação de ânimo e novas metas surgem. É imensamente gratificante ter o carinho das pessoas. Sou eternamente grato a Deus por me colocar aqui. Sinto que tenho muito a retribuir à comunidade da Mocidade Independente de Padre Miguel, e farei isso com muito trabalho, dedicação e gratidão”.
Samba
É inegável o quanto o samba-enredo já virou um hino na boca do Independente. Com um dos refrões mais chicletes da temporada, junto a ótima condução de Zé Paulo e uma bateria sincronizada, o público gritou forte os versos “O céu vai clarear, iluminar a Zona Oeste da cidade! E Deus vai desfilar, pra ver o mago recriar a Mocidade”.
Evolução
A Mocidade, assim como sua xará de São Paulo, veio bastante alegre. A expressão “para cima” pode definir a passagem da Estrela Guia pelas ruas de Padre Miguel. A agremiação andou em um bom tempo, sem buracos ou embolações, e com as alas cheias de componentes animados do início ao fim. O diretor Mauro Amorim é um dos grandes responsáveis por essa boa evolução. Super animado e confiante no bom desempenho da escola, ele passou toda a sua empolgação para os integrantes de cada ala, os incentivando a manter a energia sempre lá em cima. Ele se joga no meio das pessoas sem medo de ser feliz! Ao CARNAVALESCO, confessou ter muito orgulho do trabalho feito.
“Em uma análise geral, eu, toda a diretoria e a comunidade sabemos que esse foi mais um bom ensaio. Estamos satisfeitos. O nosso chão forte nos motiva. Sabemos que ainda temos alguns ajustes para fazer, e até o último momento iremos ajustar tudo o que entendermos que merece um pouquinho mais de atenção, mas hoje já mostramos que estamos preparados para a avenida. Temos a plena consciência disso”, comentou ele, ao fim do ensaio.
Sobre a Sapucaí, ele garante que veremos “a mesma escola vibrante e pulsante” dos ensaios, em um desfile que promete ser “lindo, emocionante e inovador”.
“Ainda temos mais três ensaios aqui na Guilherme da Silveira. Acredito que ainda há alguns pontos para ajustar, mas isso é válido, pois o que realmente importa é chegarmos 100% no dia da apresentação. Não adianta estarmos perfeitos agora; tudo o que fazemos aqui, envolvendo a harmonia com o Capoeira, o Sandro e a direção de carnaval com o Mauro, assim como a avaliação do carro de som, é fundamental. Estamos ajustando cada detalhe, e acho que este ensaio técnico foi muito proveitoso, ele nos proporcionou uma visão do que podemos aprimorar” complementou o intérprete Zé Paulo.
Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins (Colaboraram Naomi Prado, Lucas Sampaio, Nabor Salvagnini e Will Ferreira)
Encerrando mais um sábado de sete ensaios técnicos, o Camisa Verde e Branco finalizou a sua temporada de três treinos disponíveis. Todo o ciclo foi bastante positivo e a escola pode tirar bastante proveito para se aperfeiçoar para o desfile. Especificamente neste último ensaio no Anhembi, a bateria juntamente a criativa comissão de frente se destacaram. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Everson Sena e Lyssandra Grooters realizaram mais um ensaio que mostrou a regularidade da dupla formada para este carnaval e, por isso, vale a menção. O Trevo da Barra Funda será a última escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, tendo como enredo “O tempo não para! Cazuza – o poeta vive”.
“É aquilo que eu sempre falo: às vezes, não dá para gente ter uma noção muito boa. Eu, particularmente, não consigo ter uma noção: eu venho com a comissão, então não dá para entender o que está acontecendo no fundo da escola, por exemplo. Porém, em relação aos demais ensaios, a escola seguia cantando e a escola estava compacta. A gente conseguiu entregar tudo o que a gente fez nesse processo. Eu acredito que a escola está numa crescente: do primeiro para o segundo até esse terceiro ensaio. Eu acho que a escola progrediu tanto em canto, quanto em evolução e organização. Mas a gente só consegue avaliar de fato depois, quando eu vejo os vídeos, quando eu pego as súmulas dos jurados – a gente coloca jurado para julgar os ensaios técnicos. Só aí a gente consegue ter um termômetro”, avaliou o vice-presidente e diretor de carnaval, João Victor Ferro.
Comissão de frente
Coreografada por Luiz Romero, desta vez a ala optou por desfilar com a camisa da escola, pois nos outros dois ensaios os componentes foram para a pista trajados com roupas aleatórias no estilo do rock. A dança foi realizada em dois atos, repetindo o que foi feito nos outros ensaios: No primeiro, os bailarinos exaltam o pequeno ‘Cazuzinha’, que circulava toda a pista, fazia gestos, os demais componentes realizavam acrobacias com ele e o levantavam no verso “O poeta não morreu”. É basicamente uma passagem do samba dedicada ao Cazuza criança.
Após, na segunda passagem do samba, a dança deu mais ênfase ao tripé, onde de lá saía o Cazuza jovem ou adulto com a faixa escrita “Campeão 1988” – O curioso é que em outrora saía dali a bandeira do Brasil. A ver o que realmente será no desfile oficial.
Mestre-sala e Porta-bandeira
É mais do que claro que o casal Everson Sena e Lyssandra Grooters priorizou a coreografia dentro do samba. Foi assim especialmente nos últimos dois ensaios, e conseguiram realizar tal feito. A sincronia da dupla, que foi formada neste ciclo carnavalesco, está forte e novamente foi um dos destaques do ensaio. Por sinal, é uma coreografia bastante criativa, tendo uma alta sincronia no ritmo do samba.
Lyssandra não escondeu a felicidade, e disse que este ensaio foi para coroar o trabalho feito em todos os outros. “Nós estamos muito felizes com o trabalho que estamos executando, particularmente o Everson. Estamos trabalhando desde julho, quando assumimos no Camisa Verde e Branco essa responsabilidade, que é uma escola de peso. Eu, particularmente, nunca tinha dançado em uma escola tão pesada como o Camisa. Eu estou muito feliz, é um marco também na minha carreira, para o meu currículo é ótimo. No nosso ensaio de hoje nós consagramos tudo que viemos alinhando no primeiro e no segundo, e agora conseguimos finalmente colocar o que vai para a pista. Nós estamos muito satisfeitos, estamos situando o máximo para conseguir essa nota para o Camisa e é isso. É trabalho, é suor, é amor pelo samba, é amor pelo Camisa e amor pela nossa arte”, comentou a porta-bandeira.
Everson enalteceu a parceria formada para este carnaval e falou que a dança dos dois casou muito. “Eu sinceramente estou muito feliz e satisfeito mesmo, vendo um Camisa muito mais técnico, um Camisa muito organizado. O nosso andamento está indo muito bem, está perfeito dentro do que nós precisamos. Eu acredito muito que, se nós viermos, que eu acredito que vamos vir no desfile com esse andamento, com a maneira que a escola está entrando tranquila e entregando tudo ali embaixo do regulamento, nós temos grandes chances de estar entre as cinco. Eu acho que, como a Liz falou, nós viemos fazendo um trabalho desde junho e aí é uma coisa que são estilos diferentes, dança diferente. Nós estamos em uma construção e mesmo com essa construção estamos muito felizes porque casou. Conseguimos entregar o que ela tinha de melhor, o que eu tenho de melhor e conseguimos construir o nosso melhor. Isso é muito bacana e dentro de um desafio onde são renovados todos os jurados do carnaval de São Paulo, com tantas mudanças dentro do regulamento, eu acho que saímos desse último ensaio técnico geral vitoriosos. Eu estou muito feliz e grato a Deus por isso”, completou o mestre-sala.
Harmonia
No dia 25/01 foi destacado que o canto prevaleceu no segundo ensaio. Desde que subiu o Camisa Verde e Branco escolheu dois grandes sambas e conta muito com a força da sua comunidade. Este ensaio também foi marcado por um grande empenho nesse quesito. É outra agremiação que vem levantando as arquibancadas com as bossas da “Furiosa” e, logicamente, isso influi diretamente no ânimo dos componentes. Mais uma vez a harmonia do Trevo da Barra Funda fez sucesso. Agora foi com a caixa de som do Anhembi. Sendo assim, é um quesito que a direção de carnaval pode contar.
João Ferro destacou que há segurança em alguns quesitos, mas sente que ainda pode melhorar, citando o canto. “Eu sinto alguns quesitos do Camisa muito seguros. A comissão de frente, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, a bateria… eles estão fazendo um trabalho exaustivo. Eu sinto a escola muito segura, na verdade. E eu procuro a cereça do bolo, que é essa explosão da comunidade. A escola está cantando? Está cantando. Mas eu acredito que sempre pode melhorar mais. É um trabalho que a gente está fazendo de forma incansável, que é progredir mais nos quesitos Harmonia e Evolução. É soltar a escola de forma organizada para fazer a escola acontecer”, afirmou.
Evolução
Aparentemente, nos ensaios de quadra e reuniões, a orientação para os componentes, lideranças e harmonias, é fazer a escola desfilar solta. Bem como nos outros ensaios, a evolução foi leve e descontraída. Não há coreografias dentro do samba, apenas o feito das palmas levantadas ao alto nos últimos versos: “A Barra Funda mostra sua cara/Relembrando o seu apogeu/Declama em lindos versos/O poeta não morreu”.
Uma observação é que para dar os 55 minutos necessários mínimos para o fechamento dos portões, as lideranças tiveram que segurar os últimos componentes, diminuindo consideravelmente o andamento no final do ensaio.
Samba
O samba-enredo do Camisa novamente funcionou na pista e na arquibancada. Desta vez, uma cantora fez a introdução na largada, cantando um sucesso de Cazuza. O intérprete Igor Vianna mostrou grande entrosamento com o mestre Jeyson Ferro, principalmente dentro de várias bossas realizadas no treino e, também, na introdução, onde a ala musical canta um trecho da música “Pro dia nascer feliz”, para assim embalar a obra do desfile.
Igor Vianna falou sobre o trabalho com a sua ala musical e destacou a evolução. “O carro de som está evoluindo gradativamente, se apegando mais ao samba, se conhecendo mais e foi uma escadinha ao meu ver. Um trabalho melhor que o outro e agora vamos acertar alguns detalhes dentro da nossa quadra, junto à nossa comunidade para chegar ao destino e fazer o melhor”, declarou.
Outros destaques
A bateria “Furiosa”, comandada pelo mestre Jeyson, com a sua tradicional batida de caixa, executou várias bossas corretas que deram um gás maior para o samba.
Jeyson falou sobre isso. ‘’Gostei do andamento da bateria, da execução das bossas, porém ainda temos 20 dias e dá para melhorar. Lógico que tem umas coisinhas que mudamos na nossa estratégia das bossas de fazer para os jurados. Executando em uma cabine e depois em outra… Deixando cinco bossas livres para a Monumental’’, disse.
Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins (Colaboraram Naomi Prado, Lucas Sampaio, Nabor Salvagnini e Will Ferreira)
A Barroca Zona Sul manteve o desempenho no seu último ensaio técnico, na noite do último sábado, no Anhembi, do que tinha apresentado no treino de 25 de janeiro. Naquela oportunidade, o CARNAVALESCO classificou como um sucesso coletivo, o que também aconteceu neste sábado no Anhembi, mas tendo um destaque principal para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Lenita e Marquinhos. O canto da comunidade somado à resposta do público também ficou em evidência, fora a bateria “Tudo Nosso”, que trabalhou nesses três ensaios para impressionar, além do ritmo imposto dentro da obra.
A agremiação do Jabaquara terá como tema “Os nove oruns de Iansã”, assinado pelo carnavalesco Pedro Magoo, sendo a segunda agremiação da sexta-feira de carnaval.
‘’O ensaio trabalhoso. Nós passamos com mais de 1.200 pessoas na avenida, ensaio espetacular para o Barroca Zona Sul, todos nós sabemos que um grande espetáculo, o Barroca vem seguindo com o máximo de aperfeiçoamento em cada ensaio, trazendo todos os nossos trabalhos de reuniões incansáveis, noites de cálculo e estratégia para que o espetáculo seja feliz, como vocês puderam ver hoje na arquibancada o pessoal cantando o nosso samba. Hoje a gente fez mais um show como sempre’’, avaliou o integrante da direção de harmonia, Jairo Araújo.
Comissão de frente
Coreografada por Chris Brasil, a comissão da Barroca revelou mais alguns segredos neste último ensaio da verde e rosa. Os ‘tubos alegóricos’, no segundo treino foram apenas carregados pelos bailarinos. Desta vez, o objeto foi para a passarela de um formato maior e os componentes interagiam mais e entravam dentro. As vestimentas também permitiram maiores teatros, como um vestido que escondia o rosto dos bailarinos em determinados momentos.
A comissão de frente conta com uma personagem central representando Iansã, onde ela é enaltecida quase que todo o tempo do ato. Um tripé com cinco mulheres vestidas de rosas, aparentemente também representando entidades de matriz africanas vinham logo atrás de todo o teatro. Após os três ensaios da Barroca Zona Sul, conclui-se que a comissão de frente da verde e rosa de Jabaquara talvez seja a mais complexa de decifrar, além de que, provavelmente, há muitas surpresas reservadas para o desfile oficial.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Foi o grande destaque do ensaio. Marquinhos e Lenita levitaram na pista. Se em outra oportunidade eles tiveram certas dificuldades como no treino passado ou alguns ajustes, neste ensaio foi ótimo. A marcação dos passos dentro do samba, a coreografia, o sorriso e, sobretudo, a alegria de estar pisando no Anhembi. Era nítida a força que eles transmitiam para o público. Todas as vezes que estendiam o pavilhão, arrancavam inúmeros aplausos. Se o nível deste treino for levado para o desfile oficial, as chances de sucesso são grandes. E o melhor de tudo que foi no último ensaio da escola, o que mostra uma maior sincronia cada vez mais perto do grande dia.
Lenita se diz totalmente satisfeita e classifica o ensaio como excelente, apesar de sempre buscar a melhora. ‘’Análise no nosso ponto é que cada dia está melhorando. Não podemos falar nunca que é perfeito, porque eu acho que a dança é contínua, é movimento, cada dia é buscando melhorar. Foi um ensaio excelente, estamos realizando o ensaio de hoje, no decorrer desses dois outros ensaios que tivemos, melhoramos ainda mais e está tendo os ensaios específicos, estamos aqui de segunda a segunda contribuindo ainda mais com a nossa dança e vai ser um trabalho muito bonito. E a análise é essa, que foi boa, que foi produtiva, mas sempre tem coisa para trabalhar e buscar ainda trazer o melhor no dia do desfile’’, afirmou.
Marquinhos segue a linha de raciocínio da porta-bandeira. ”É bom que estamos nos sentindo cada vez mais à vontade, cada ano, cada montagem de pista que fizemos, cada coreografia, o ponto de ficar à vontade de uma forma natural estamos nos divertindo’’, completou.
Harmonia
O samba caiu nas graças da comunidade e da arquibancada. Cada vez que o público respondia, contagiava ainda mais os componentes. O nível de canto dos desfilantes se manteve o mesmo do último ensaio, que foi acima da média. Novamente o refrão principal e o semi-refrão (“Akoro mina dewá”), são as partes mais cantadas. As bossas da bateria “Tudo Nosso”, do mestre Fernando Negão levantaram a arquibancada, provocando uma reação imediata para o samba ser ainda mais entoado.
Jairo Araújo, da comissão de harmonia, enalteceu o canto da escola. ‘’Mantivemos o canto, graças a Deus. A escola está cada vez cantando mais, nós corrigimos uma ala ou outra, que estava batendo uma palma, fazendo uma coisinha. Nós cortamos isso para chegar mais próximo do que vai ser feito no dia’’, contou.
Evolução
Assim como nos ensaios anteriores, a escola desfilou leve e sorridente. Contente com o desempenho na pista, os componentes dançavam de um lado para o outro nas suas fileiras compactas. Porém, houve um grande espaçamento dentro da comissão de frente entre o tripé que vinha logo atrás e os outros dançarinos que estavam à frente. A escola deve se atentar a isso. Não há certeza de que haverá tolerância para buraco dentro da comissão de frente, mas de acordo com o manual do julgador de 2024, não cita nada que a ala seja isenta a isso. Também não cita que a comissão de frente pode abrir espaços de 12 grades nela própria, pois foi isso que ocorreu.
Samba
Outra grande atuação dos intérpretes Cris Santos e Dodô Ananias, mostrando que as apostas para substituir o renomado Pixulé deram mais do que certo. O samba-enredo, como citado acima, caiu nas graças de todos e é um dos ‘xodós’ do carnaval paulistano. A Barroca faz de tudo para a arquibancada chegar junto no canto, o que eleva o patamar da obra.
“A evolução que tivemos foi muito grande. A avenida com o som ligado já dá uma diferença gigantesca no trabalho, tanto na ala musical quanto nas cordas. A comunidade vai cantar mais porque ela vai escutar a ala musical e escutar ela mesma. Foi uma evolução muito boa e agora é aguardar o desfile, acertar detalhes que sempre tem que acertar, mas são coisas nossas, temos sempre que fazer o melhor, não só para o desfile, mas para a comunidade, para a arquibancada, e para o espetáculo que é o carnaval”, disse o intérprete Cris Santos.
“A cada ensaio, a cada dia que passa a evolução é constante. Nos nossos ensaios de quadra e de rua e principalmente no ensaio de hoje que foi nosso terceiro e último técnico, a evolução não só dentro da comunidade dos desfilantes, mas também na arquibancada, a resposta do público com o samba é excepcional e eu acredito que o povo junto com a comunidade criou uma sinergia excelente para a gente chegar no êxito final”, completou Dodô Ananias.
Outros destaques
A bateria “Tudo Nosso”, comandada por Fernando Negão, está dando shows à parte. Leques nos chocalhos e fumaças em frente ao setor monumental são destaques para levar o público ao delírio. O povo gosta de inovação e, além de tocar, a batucada está mostrando coisas diferentes.
Analisando o ciclo dos ensaios técnico, o mestre aprova o empenho de todos e se diz orgulhoso “Eu saio bastante satisfeito, bastante orgulhoso porque a galera se empenhou muito, ensaiou muito. Foi muito desgaste, mudamos a bossa algumas vezes para ver se melhorava, para encaixar uma melhor no samba e graças a Deus hoje eu digo que estou satisfeito com a minha bateria”, declarou.
Fernando Negão ainda diz que ajustes sempre serão feitos, mas o que foi apresentado no ensaio é realmente o que será feito na avenida. “Eu sempre digo que nós temos sempre o que ajustar. Um detalhezinho ou outro, uma escapada, uma passada, uma falta de atenção. Mas o que nós apresentamos hoje foi 90% do que vai acontecer no nosso desfile”, completou.
A poucas semanas do desfile deste ano, a Imperatriz Leopoldinense, atual vice-campeã do Carnaval carioca, se despede neste domingo da sua temporada de ensaios de rua. A partir das 16h, a Rainha de Ramos estará pela última vez antes do Carnaval 2025 na Rua Euclides Faria, em Ramos, Zona da Leopoldina do Rio, com a participação de toda a sua comunidade e segmentos, além do grande público da região e de turistas que acompanham a escola.
Com ensaios realizados desde novembro, a verde, branco e dourado agora se prepara para os dois ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí, que irão se realizar nos dias 15/02 e 23/02. A escola também continuará com seus ensaios de quadra às sextas, que irão seguir normalmente até a véspera da abertura oficial da folia.
A presidente da Imperatriz, Catia Drumond, destacou a qualidade dos ensaios da escola na rua e afirma que a agremiação virá com força total já nos ensaios técnicos.
“A Imperatriz foi uma das primeiras escolas a ir para rua ainda no ano passado, então o nosso planejamento está sendo concluído com excelência. Porque quem quer ser campeão tem que começar a ensaiar antes e ir até a última data possível. E a cada ensaio de rua fica nítida a vontade da nossa comunidade de vencer. Toda semana a escola tem uma evolução melhor. Há quem diga que a escola já está pronta, mas mesmo assim vamos continuar cantando mais, ensaio após ensaio. E quem for à Sapucaí nos ensaios técnicos, e é claro, no desfile, vai ver a força da nossa escola. Com as bençãos de Oxalá, tudo será perfeito”, afirmou a presidente.
No Carnaval 2025, a Imperatriz Leopoldinense tentará o seu 10º campeonato com o enredo “ÓMI TÚTÚ AO OLÚFON- Água fresca para o Senhor de Ifón”, do carnavalesco Leandro Vieira, sendo a segunda a escola a desfilar, no domingo, 02 de março.
A programação completa da reta final de ensaios está disponível nas redes sociais da escola.
SERVIÇO:
Último ensaio de Rua do G.R.E.S Imperatriz Leopoldinense em 2025
Data: 09/02/2025
Endereço: Rua Euclides Faria, Ramos
Horário: 16h
Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins (Colaboraram Naomi Prado, Lucas Sampaio, Nabor Salvagnini e Will Ferreira)
Abrindo o quarteto do Grupo Especial que ensaiou neste sábado, no Sambódromo do Anhembi, o Águia de Ouro realizou o seu treino com a instrução do presidente Sidnei Carrioulo para ‘brincar com responsabilidade’. Sendo assim, foi visto alas compactas e um forte canto da comunidade, como é de costume pelas bandas da Pompeia. A bateria “Batucada da Pompeia”, dando ótima sustentação ao samba e fazendo a bossa do baião, localizada no refrão do meio, também foi destaque. O entrosamento dos intérpretes Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto, que já vem de longos anos, merece um adendo.
Abrindo o sábado de carnaval, o Águia de Ouro tem como enredo “Em Retalhos de Cetim, a Água de Ouro do jeito que a vida quer”, assinado pelo carnavalesco André Machado.
Comissão de frente
A ala, comandada pelo coreógrafo Ruy Oliveira, prezou pela organização dos componentes. Claro que pode haver surpresas no dia do desfile oficial ou no próximo ensaio que a agremiação terá, mas o fato é que não foi revelada tanta coisa, bem como no primeiro treino. A dança consistia em alinhamentos e trocas de lugares dos bailarinos da ala para preencher o espaço. A parte mais criativa estava no tripé, onde tinha um componente representando o tema do enredo Benito di Paula. Este homem também descia e evoluía pela pista, acenando e interagindo com o público – Pode ser uma das estratégias de saudação, visto que é um item obrigatório para conquistar a nota.
Mestre-sala e Porta-bandeira
João Camargo e Monalisa Bueno tiveram um contratempo no ensaio. Na frente do segundo módulo, um forte vento bateu e o pavilhão acabou enrolando no mastro, porém a porta-bandeira conseguiu fazer a manobra para corrigir de forma muito rápida. Tirando tal falha, o desempenho da dupla mais uma vez foi seguro e mostram cada vez mais estar evoluindo como parceiros. A coreografia dentro do samba está aperfeiçoada e, especialmente a Monalisa, tem uma forma muito particular de executar os seus giros, colocando velocidade durante todo o percurso da avenida, até mesmo fora dos módulos.
“Ensaio técnico realmente é ensaio técnico. Esse último ensaio foi realmente para consagrar tudo o que a gente vem trabalhando. Há de fato uma coesão de parceria, uma oportunidade que a gente teve de mostrar o nosso trabalho ao longo desses meses e aqui na pista hoje a gente conseguiu. Com esse vento, a Monalisa foi guerreira, com uma dificuldade enorme de controlar esse pavilhão e ela com muita maestria e eu ali com certeza dando todo o apoio que ela merece. Acredito que o carnaval é a melhor festa, a maior manifestação popular e é uma troca muito linda de amor, de parceria, de respeito e de integridade. Estamos satisfeitos, tenho certeza que no dia 1º de março, a gente convida todos vocês a assistir o nosso desfile com certeza prestigiar o nosso trabalho, vai ser impecável”, disse o mestre-sala João Camargo.
“O João sempre fala e agora eu estou pegando essa fala dele. A nossa sinergia, essa energia que a gente coloca na nossa dança, isso é muito positivo. E de verdade, de coração, eu não vejo nenhum ponto para melhorar, até porque falta pouco tempo para o desfile e agora já foram os dois treinos, vamos para o jogo”, completou a porta-bandeira.
Harmonia
É clichê analisar o canto da comunidade da Pompeia e sempre enaltecer. É a principal característica da agremiação da Zona Oeste de São Paulo. Mais uma vez os componentes da escola deram o nome cantando para Benito di Paula. É um samba-enredo que permite verificar o alto volume do canto, visto que as vogais da obra, quase a todo instante, são jogadas para cima. A condução da dupla de cantores Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto junto ao carro de som ajuda para o sucesso do quesito. A parte mais nítida do canto se localiza no refrão principal– principalmente na última “Meu amigo Charlie Brown”, sendo acompanhada de palmas.
A diretora de carnaval, Jacqueline Meira, enalteceu o canto da comunidade. “O canto da escola, que sempre voltamos para casa com o coração aliviado, com o coração grato, que a escola é maravilhosa, os componentes são incríveis e a escola vem cantando, vem se divertindo, curtindo muito esse processo todo. Acho que de tudo isso o que fica é isso mesmo, o amor e a alegria da nossa comunidade”, comentou.
Evolução
O andamento da escola, diferente do último ensaio, seguiu como sempre é visto do Águia de Ouro nos últimos anos. Alas e fileiras compactas entre si com uma evolução reta, sem a tal dança para o lado e para o outro ou o ‘zigue-zague’. Vale destacar que a Pompeia está apostando bastante em alas coreografadas. Já dentro das alas comuns não há coreografias, sendo somente o balançar dos braços de um lado para o outro no refrão do meio.
No ensaio passado, houve um clarão entre a bateria e a ala das ciganas, que fica a frente da “Batucada da Pompeia”. Isso aconteceu na entrada do recuo. Entretanto, neste treino, foi corrigido e nenhum buraco foi visto.
Apesar disso, Jacqueline declarou que pediu para os componentes brincarem no ensaio e enalteceu a evolução. “Nós combinamos que hoje íamos brincar, já corrigimos as falhas que tínhamos para corrigir. Nós viemos trabalhando muito ainda na quadra, então falamos: ‘óh pessoal, é nosso último treino! Vamos tirar uma onda, vamos curtir, vamos nos divertir!’. Nosso carnaval é muito feliz, então hoje o pessoal veio, claro que ainda com a responsabilidade, mas se divertindo bastante. “Acho que nós viemos com uma evolução bem redonda, apesar de termos deixado as pessoas muito à vontade. A lição de casa foi executada sem que nós fizéssemos esforço”, disse.
Samba
De fato é um dos sambas mais criticados do carnaval de São Paulo, mas como citado anteriormente, a comunidade está fazendo acontecer. E o que se vê do Águia de Ouro nos últimos anos é isso: Eles querem que funcione. Por exemplo, a dupla Douglinhas e Serginho do Porto reduziram os cacos, como fazia em anos anteriores. Pode ser uma estratégia para apenas o samba-enredo ser a estrela dentro da avenida.
Mas nem tudo é burocrático. No carro de som havia um sanfoneiro que era perceptível nas caixas de som do Anhembi em alguns momentos.
“Sou suspeito de falar dessa gente. Eu adore. Acho que hoje conseguimos extravasar um pouco mais, foi responsabilidade, mas não foi tanta assim. Acho que deu para se divertir um pouco. O samba é 50% do jogo. Quando tem um bom samba, a escola tudo acontece de melhor, todos os setores funcionam bem. Acho que o astral melhorou, estava mais solto hoje”, disse Douglinhas Aguiar.
“Hoje foi bem legal, porque já tinha um som todo na avenida, deu para sentir o que vai ser o desfile. O samba é fácil, ele rende. O Águia de Ouro está de parabéns. Carnaval é energia e graças a Deus a nossa energia está sendo positiva, temos um samba maravilhoso, fácil de assimilar. Isso ajuda muito no desfile de uma escola de samba. Vamos aguardar agora o dia do desfile. Estaremos aqui com o nosso homenageado e o nosso amigo Xande de Pilares que também que vai vir cantando com a gente”, completou Serginho do Porto.
Outros destaques
A bateria “Batucada da Pompeia”, de mestre Juca, deu uma ótima sustentação ao samba e brincou com a bossa do baião, localizada no refrão do meio, onde cita Luiz Gonzaga. A rainha de bateria, Renata Spalicci esbanjou sorrisos á frente da sua batucada. A escola levou tripés embalados logo após a comissão de frente. A ver o que será no dia do desfile.
Por Will Ferreira e fotos de Fábio Martins (Colaboraram Naomi Prado, Lucas Sampaio, Nabor Salvagnini e Gustavo Lima)
A Mancha Verde, definitivamente, entrou no espírito do enredo “Bahia, da Fé ao Profano”, que será o quarto a desfilar na sexta-feira de carnaval (28 de fevereiro). Com vários componentes com as pinturais corporais típicas da Timbalada (histórica banda formada em 1991 por Carlinhos Brown que popularizou o timbau, também conhecido como atabaque) desenhadas e até mesmo passistas fantasiadas tal qual Carla Perez e Débora Brasil, do Gera Samba (banda que deu origem ao É o Tchan!), a agremiação novamente teve um canto bastante forte e uniforme (algo bastante comum na agremiação da Zona Oeste, diga-se) no segundo ensaio técnico da Mais Querida, realizado neste sábado (08 de fevereiro), no Anhembi. Na cronometragem da instituição, o tempo do segundo ensaio foi de 67 minutos – e essa questão será abordada ao longo do texto em, ao menos, dois quesitos.
É claro que, em um ensaio técnico, é possível sentir muito mais sobre a preparação de uma escola de samba para o desfile. O CARNAVALESCO esteve presente na apresentação da Mancha Verde e conta como ela foi realizada.
Comissão de Frente
Se, no primeiro ensaio técnico, realizado no último domingo, a apresentação deixava mais dúvidas que certezas, os coreografados por Wender Lustosa e Marcos dos Santos foram bem mais ousados neste sábado. A começar pelos trajes: os homens estavam com camisas do Olodum, gorros nas mesmas cores do movimento e com pinturais tribais do Timbalada e gorros nas cores; enquanto as mulheres estavam vestidas com roupas em tons majoritariamente vermelhos – algo que, no sincretimos, remete a Iansã. Um dos homens, porém, em diversos momentos da coreografia e por conta da expressão dele, parecia não entender o que os demais integrantes do setor estavam fazendo – eles faziam rituais baianos, como um jogo de capoeira. Conforme a coreografia vai avançando, porém, o integrante deslocado vai se sentindo mais à vontade. Vale destacar, também, que o espaço destinado ao tripé estava preenchido pela já famosa escultura de Iemanjá.
Se a apresentação foi impactante, aqui começam as particularidades da Mancha Verde com o cronômetro. Embora a coreografia estivesse muito bem executada pelos componentes, eles aparentavam não avançar com muita velocidade. A comissão de frente chegou à parte da passarela paralela ao box do recuo da bateria com 25 minutos – ou seja, o primeiro setor da agremiação levou cerca de 38% do tempo de um desfile para ultrapassar por completo quatro dos dez setores do Anhembi.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Adriana Gomes é sempre um destaque da Mancha Verde – e não apenas pela dupla com Marcelo Silva. Na Concentração, ela estava sambando e interagindo com quem estava próximo à frente da Puro Balanço, bateria da escola, por exemplo. Na pista, ambos, novamente, encantaram. Com uma comunicação com o público singular, sendo muito apupados na Monumental, ambos executaram todas as obrigatoriedades do quesito com eficiência e o entrosamento mais do que natural da dupla. Se, na primeira apresentação da Alviverde, ela veio fantasiada de Iemanjá, os papéis se inverteram no segundo: Marcelo aparentava estar fantasiado de pai-de-santo, inteiramente de branco (tal qual a companheira de quesito), com o chapéu característico e um espelho.
O ótimo desempenho também foi avaliado pela dupla: “Eu e a Adriana, nós falamos em outras entrevistas que temos muitos significados importantes além de trazer o campeonato para a escola, com a responsabilidade da escola. Temos outros significados que queremos fazer um desfile para mostrar isso que vem desde 2023, 2024 com a minha ausência e muitas coisas que aconteceram no percorrer de 2024. Nós saímos emocionados porque estivemos trabalhando muito, mas muito mesmo para que seja um desfile maravilhoso. O ensaio de hoje a Adriana vai falar, mas eu não tenho o que falar, foi perfeito. Pequenos pontos que na hora acertamos, eu acho que essa sincronia, esse trabalho que eu tenho com a Adriana, de repente não era para ter saído aquilo, mas na hora os dois consertaram e saiu até uma coisa nova. Eu estou me lembrando muito bem disso, que os dois fizeram essas coisas novas juntos. Eu fiquei emocionado também por isso. Nós nos entendemos e eu fico feliz por isso”, comentou Marcelo.
Adriana falou em nota máxima: “A cada ensaio queremos nos aprimorar mais, queremos melhorar mais aquilo que achamos que está bom, mas que queremos melhorar. Nós colocamos alguns elementos daquilo que apresentamos semana passada e deu certo. Quando saímos felizes, emocionados, um olhando para o outro com o rosto marejado de felicidade é porque estamos trabalhando demais. Nós já conversamos sobre isso, viemos de alguns carnavais muito complicados no quesito mestre-sala e porta-bandeira não somente na nota, no percurso mesmo tivemos alguns percalços, mas eu sou muito confiante, eu acredito demais sempre. O nosso trabalho é para fazer 40 pontos, ele é pra fazer 40. Eles que resolvam”, disparou.
Nada, é claro, que não possa melhorar: “Sempre. Até antes de pisar a faixa amarela no dia do desfile, com certeza vai ter alguma coisinha que vamos ajeitar, sempre tem algo para se ajeitar. Estamos bem hoje, felizes pelo contexto todo criado da dança de mestre-sala e porta-bandeira, que hoje deu muito certo. Agora, sempre há pequenos pontos. Inclusive durante o percurso na avenida no desfile, foi o que aconteceu aqui hoje. Tivemos pequenos defeitos, mas que foram consertados diante da nossa sincronia, de um olhar para o outro e entender o que vai fazer. Fazer junto é o que faz dar tão certo”, destacou Marcelo. Adriana concordou: “Acho que a nossa dança é sempre uma evolução. Nós ensaiamos uma coisa, mas o percurso é completamente diferente daquilo que pensamos. Nós queremos que ele seja o mais perfeito sempre, mas às vezes tem um apontamento da direção de harmonia que precisa que nós façamos alguma coisa para ajudar a evolução da escola, vamos mudando no meio do percurso aquilo que pensamos e sempre dá muito certo”, refletiu.
Harmonia
Se é contestado por muitos, o samba, novamente, funcionou na avenida. A cadência da Puro Balanço, comandada pelos mestres Cabral e Viny, certamente ajudou em tal aspecto (e os no mínimo quatro apagões realizados no último verso do refrão de cabeça, “Mancha Guerreira”), tal qual o carro de som comandado por Fredy Viana. Se é difícil destacar uma única ala graças à uniformidade do canto manchista, vale ressaltar a força dos integrantes que compõem Batucada do Fundão.
Uma boa Harmonia, como se sabe, costuma começar no esquenta. E a Mancha Verde entendeu isso como poucas agremiações. Pela ordem, foram executados a Exaltação à Puro Balanço (em introdução tocante de Tami Uchoa, do carro de som da agremiação); “Da pré-história aos transgênicos: Mato Grosso, Uma Mancha Verde no coração do Brasil” (samba-enredo de 2005 reeditado em 2016); “Oxente! Sou xaxado, sou Nordeste, sou Brasil” (samba-enredo de 2023); “Pelas mãos do mensageiro do axé a lição de Odu Obará: a humildade” (samba-enredo de 2012) e o hino da agremiação na sequência. No discurso, Paulo Rogério de Aquino, o Paulo Serdan, presidente da agremiação, destacou a força do primeiro ensaio técnico e pediu para que todos se imaginassem na noite do desfile oficial. Ele também destacou que o segundo ensaio “era de verdade” – o primeiro ensaio manchista, tradicionalmente, é utilizado como descompressão. Logo depois, entra a bela introdução do samba oficial de 2025 (“Ô ô ô, eu vou descendo o Pelô/Ô ô ô, eu vou descendo a ladeira/Ô ô ô, Puro Balanço chegou/Ô ô ô, é a Mancha Verde Guerreira”), no ritmo de axé music.
A visão do intérprete da agremiação é semelhante à observada pela reportagem: “O ponto de destaque é a comunidade, eles estão cantando como ninguém e eles estão de parabéns. O presidente também, ele tem a escola na mão – portanto, é outro ponto positivo, já que ele sabe a importância de mostrar para o componente o que ele precisa fazer. Agora, o que tem para acertar, eu tenho que ver pela TV. Eu fico aqui no carro de som, não tem como, eu não vejo a escola no todo… mas eu vi a escola sorrindo, feliz, cantando. Isso, para mim, é o que vale”, destacou Fredy.
Ele, por sinal, se derreteu pelos profissionais que o acompanham: “Em relação ao carro de som, eu sou totalmente apaixonado por eles. Eles são profissionais exemplares, de primeiro escalão. Eu só agradeço a Deus por tê-los ao meu lado: o que eu peço, eles executam com propriedade”, disse.
Evolução
O estranhamento da reportagem visto no primeiro ensaio técnico no momento em que a bateria entrou no recuo foi completamente dissipado: na segunda apresentação no Anhembi, a Mancha Verde teve uma entrada no box bastante segura e leve, sem sobressalto algum e com muita fluidez. Fluída, por sinal, foi a dança dos componentes, que novamente curtiram o tempo desfrutado na passarela. Mas, como dito anteriormente, o quesito deixou algumas dúvidas. A primeira delas está na velocidade com que a Comissão de Frente executou a coreografia. Mesmo quando já era nítido que a instituição, se estivesse em um dia de desfile, precisaria acelerar o passo, a escola, aparentemente, optou por deixar o componente à vontade. Se a agremiação contabilizou o ensaio técnico em 67 minutos, a reportagem acompanhou o cronômetro do Anhembi até 69 minutos sem indicação de que a contagem estava encerrada.
Na visão de Paolo Bianchi, diretor de carnaval da agremiação, há explicações para o ocorrido com o cronômetro – mesmo com o bom nível técnico da apresentação: “A escola estava um pouco maior, tinha mais gente. Tem algumas coisas que, na chuva, não conseguimos ver direito. Combinamos de fazer o ensaio como se fosse um desfile e a Harmonia foi bem, a escola cantou bastante. A evolução não teve nenhum problema, eu fico lá no fundo coordenando. Aqui na frente também não teve. Estamos caminhando, para chegar pronto no dia 28. Tudo que combinamos deu certo. Tinha algumas situações, como as quase 300 pessoas que deveriam estar em cima do carro e estavam no chão – mas até ali funcionou. Foi tranquilo, estamos super felizes em relação ao ensaio em relação ao passado, que foi mais relaxado e na chuva. Consideramos que fizemos um ensaio legal, evoluímos um pouco”, comentou.
Samba
Na avenida, descobre-se uma característica que a canção possui e, talvez, quem tenha ouvido apenas versões preliminares e/ou a do CD não conheçam: a cadência. Com andamento bastante suingado executado pela “Puro Balanço”, a canção ganha força e torna-se facilmente cantado e brincado. Novamente, é importante destacar o quanto os mestre Cabral e Viny, os ritmistas e o carro de som comandado por Fredy Viana colaboram para que a obra tenha rendimento tão bom no Anhembi.
Mestre Viny, por sinal, destacou o trabalho realizado pelos comandantes dos ritmistas: “É superinteressante a evolução que a bateria está tendo ensaio a ensaio. Nós não estamos desesperados com o resultado, estamos subindo degrau a degrau e o processo está sendo gradativo, está sendo bem gratificante. Acho que a bateria está evoluindo bem e lá na quadra, quando nós chegarmos, vamos conversar com os diretores, porque lá na frente nós não escutamos tudo, e vamos fazer uma análise mais assertiva do que aconteceu na pista”, comentou.
O ritmista-mor aproveitou para falar sobre os ensinamentos que a exibição na chuva trouxe: “Com certeza. A bateria precisa estar preparada para qualquer adversidade, seja chuva, chuva fina, garoa, chuva forte, granizo. A escola tem que passar na pista e temos que estar preparados. Temos que estar com sorriso no rosto, temos que entregar para a escola o que ela precisa, que é uma pulsação, uma energia absurda e é isso que tentamos entregar todos os dias. Quando viemos para a pista, todos os dias na quadra, com a mesma entrega, com a mesma energia”, disse.
Já Cabral destacou a o trabalho e a resiliência da Puro Balanço após o temporal do último domingo: “O que achamos de mais importante é a energia da bateria, que isso conta muito. Só no dia a dia nós sabemos o quanto todo mundo está trabalhando. A galera fica um pouco cansada, mas o desempenho da energia foi muito bom. Tem uns detalhes que temos que ver ainda porque como o Viny falou vamos conversar com os diretores para ver se aconteceu alguma coisinha, algum errinho que temos que corrigir. Essa semana, no ensaio técnico de domingo, porque de sábado não tivemos como corrigir nada porque não teve ensaio devido à chuva, na terça-feira, os instrumentos todos molhados, tivemos que abrir tudo, e na quinta-feira, que teve aquele temporal, não conseguimos ensaiar, o único ensaio que tivemos depois do primeiro ensaio técnico foi esse. Agora, na terça-feira, nós vamos corrigir algumas coisas que estávamos para corrigir o ensaio passado. Mas é isso, nós somos muito chatos, para ver pontos positivos nos ensaios técnicos é difícil, eu sou muito chato. Tudo bem, o ensaio foi muito bom, mas eu sou muito chato. Eu nunca estou satisfeito porque trabalhamos demais e continuamos trabalhando”, prometeu.
Fredy também falou sobre a canção executada por ele: “É um samba muito leve, é um samba com palavras fáceis, com repetições. O refrão do meio repete uma melodia várias vezes, então o povo pega com muita facilidade. Acredito que foi muito positivo para uma escola de samba que quer desfilar de uma forma leve, é o que a Mancha está fazendo”, finalizou.
Outros Destaques
À frente da bateria, Duda Serdan, princesa da Puro Balanço. E, ao lado dela, destaque para o Manchão (mascote da agremiação) de pelúcia, com um tambor e contas ao longo do corpo – mostrando o quanto a escola está, de fato, no ritmo do enredo.
Por Alberto João e fotos de Allan Duffes (Colaboaram Luiz Gustavo, Gabriel Radicetti, Raphael Lacerda, Guibsom Romão, Matheus Morais, Matheus Vinícius e Rhyan de Meira)
Em um dia de exposição apoteótica da bateria da Vila Isabel, na noite do último no sabado, na Marquês de Sapucaí, mestre Macaco Branco e a “Swingueira de Noel” mostraram na pista porque estão no hall dos melhores do carnaval. A escola do bairro de Noel teve também como destaques a exibição elegante do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho e Cris, o cuidado na apresentação da comissão de frente, e, principalmente, a alegria dos componentes que compraram a ideia do enredo e se divertiram assombrando o público no Sambódromo. Este ano, a Vila Isabel traz para a Sapucaí o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece”, sobre o fantasmagórico mundo do terror e das sombras, com assinatura do carnavalesco Paulo Barros.
“O ensaio hoje foi maravilhoso! Se o desfile fosse hoje, a gente teria feito um bom trabalho pAra ajudar a nossa escola em busca desse título, Tão sonhado. A gente tem que voltar a ganhar títulos, porque a Vila Isabel é uma escola grande. É uma escola com uma comunidade maravilhosa, com uma comunidade de verdade, que é o povo do samba. Hoje o som não é o do dia do desfile. Então, claro que tem algumas coisas em termos de sonoridade que vão melhorar, até porque no dia do desfile vai ter sonoridade na avenida toda. Mas foi um canto coeso, a bateria da Vila veio alegre, todas as bossas cravadinhas, exatamente perfeitas, tudo no andamento e sem oscilação. Hoje, a gente já fez tudo que a gente vai usar no desfile”, explicou mestre Macaco Branco.
Comissão de Frente
A comissão de frente, dos coreógrafos Marcio Jahu e Alex Neoral, caprichou no figurino e na exibição. Ponto alto na hora que aparecia Gael, filho de mestre Macaco Branco e da musa Dandara. A performance foi a mesma realizada no minidesfile na Cidade do Samba. Projetando o enredo e toda capacidade da dupla de coreógrafos, além do carnavalesco Paulo Barros, a expectativa está alta demais para apresentação no dia do desfile oficial. Ainda no ensaio técnico, na Sapucaí, o grupo interagia com o tripe, inclusive, o pequeno Gael.
Mestre-sala e Porta-bandeira
A dupla da Vila Isabel é muito entrosada e dança com fluidez. Com liberdade para executarem o que sabem, ou seja, sem apetrechos nas fantasias, como infelizmente aconteceu no desfile de 2024, Marcinho e Cris, bailam com perfeição pela pista. A elegância é visível. O quesito traz muita segurança para escola. Além dos movimentos executados com extrema habilidade, a sinergia entre eles é o ponto alto de cada apresentação. Dançaram demais! Muita sincronia e vigor.
“Foi ótimo. A gente está dançando para o público essa coreografia pela segunda vez, então o feedback que a gente vai ter nos próximos dias vai nos guiar um pouco mais, mas a princípio, essa é a nossa coreografia oficial. Nós estávamos um pouco tensos, obviamente, para apresentar e, de fato, sentir essa energia daqui, mas graças a Deus deu tudo certo. Estamos trabalhando muito, diariamente, em vários momentos do dia, às vezes. Então, a gente está bem empenhado para trazer essa nota 10 para escola”, comentou o mestre-sala.
“A gente vem fazendo o nosso ensaio de rua, estávamos com duas coreografias, mas vínhamos sempre apresentando a coreografia de quadra. Então, essa é a segunda vez que a gente está fazendo essa coreografia. Mas acredito que tudo que foi proposto foi feito. O vento em algum momento nas cabines de dois jurados resolveu entrar no meu caminho, mas eu bati de frente com ele, pois ensaio é para isso e a gente já está ansioso por segundo. Essa coreografia é a oficial, nada de surpresas, nada de diferente, uma dança gostosa, uma dança leve, uma dança tradicional, que é isso que eu acho que o público e o torcedor esperam”, completou a porta-bandeira.
A tão questionada obra para o Carnaval 2025 rendeu no canto dos componentes. Infelizmente, o início foi complicado, mas por zero culpa da escola. O carro de som atrapalhou e Tinga teve que repetir o esquenta. O fato esfriou o treino. Assim, após as alas iniciais, ainda impactadas pelo problema técnico do som, os integrantes mostraram, como vem acontecendo nos ensaios de rua no Boulevard 28 de Setembro, uma harmonia marcada por toda alegria do “Povo do Samba”. Importante ressaltar o trabalho cuidadoso dos “harmonias” o tempo inteiro incentivando o canto dos desfilantes. O carro de som oferece todo o suporte para o intérprete, que mais uma vez, segura e conduz com intensidade sua escola de coração.
“Ensaio maravilhoso, a escola tá muito feliz com nosso enredo, esse samba. Um samba leve, alegre, tenho certeza que fará um sucesso danado na avenida. E com o ensaio com teste de som será ainda melhor, pois todo mundo se escuta, a comunidade consegue acompanhar melhor o samba, mas foi um ensaio positivo, a Vila tá feliz e vamos fazer um grande desfile, vamos assombrar essa Sapucaí”, afirmou o intérprete Tinga.
No verso “silêncio” a iluminação do Sambódromo interagia com a comunidade. Toda pista ficava escutura e o público delirava com a performance da Vila Isabel. O samba é de autoria de Raoni Ventapane, Ricardo Mendonça, Dedé Aguiar, Guilherme Karraz, Miguel Dibo e Gigi da Estiva. Pode ser criticado, o que é normal, mas é fundamental também entender que pela comunidade e pelo enredo a obra atende todos os requisitos.
Evolução
A Vila Isabel deu aula de Evolução na Avenida. Os componentes se divertiram o tempo inteiro. Muita alegria e descontração. Totalmente dentro da proposta do enredo e do samba. Uma apresentação de manual do quesito. O diretor de carnaval, Moisés Carvalho, estão de parabéns pelo trabalho que estão desenvolvendo nesta temporada. Vale destacar que muitos integrantes desfilaram maquiados e criaram um clima de terror pela pista.
“O que a gente fez nesse primeiro ensaio, é o que a gente vem fazendo na 28 de Setembro. A escola evoluindo, cantando, brincando. Era essa a nossa proposta. Fazendo o samba acontecer como vem acontecendo. E é isso que a gente vai fazer no próximo ensaio dia 22, que com certeza, será melhor ainda, porque com o som de hoje a gente foi um pouco prejudicado em função do carro de som. Mas com certeza no próximo ensaio iremos estar com o teste de som e luz da avenida. E daremos um sacode. Em resumo, a gente sempre acha que tem que ser melhor, isso aí é uma discussão diária nas nossas reuniões. Se a gente for bom, semana que vem a gente tem que ser melhor ainda. E a gente vai brigar, é isso que a gente vai discutir durante a semana, para que na quarta-feira que vem a gente esteja cantando mais, evoluindo mais, com um entrosamento melhor ainda do que vem acontecendo com o carro de som e com a bateria. Mas quero parabenizar a harmonia hoje, que trabalhou incansavelmente em função do som, não deixou a escola cair em momento nenhum, a escola evoluiu muito, brincou muito. Isso é fruto de um trabalho que a gente vem fazendo durante alguns meses”, analisou Moisés Carvalho, diretor de carnaval.
Outros Destaques
A rainha de bateria, Sabrina Sato, esbanjou carisma pela Avenida. É impressionante a fora que a artista consegue dialogar com o público. O tempo inteiro! Experiente no posto, ela sabe os exatos momentos de participar e ajudar no ensaio. É realmente uma atração.
Ponto fora da curva é o excessivo número de musas na Vila Isabel. Não tem necessidade! As meninas de comunidade são impecáveis, como Dandara Oliveira, porém, outras não acrescentam para a Evolução e poderiam muito bem desfilar em alegorias.
Por Luiz Gustavo e fotos de Allan Duffes (Colaboaram Gabriel Radicetti, Raphael Lacerda, Guibsom Romão, Matheus Morais, Matheus Vinícius e Rhyan de Meira)
A Grande Rio confirmou, na noite do último ensaio, encerrando mais um dia de ensaios técnicos, na Marquês de Sapucaí, todas as suas credenciais para realizar um desfile potente no dia oficial. Com um samba que é um dos destaques da safra, candidato a melhor do ano, a escola brincou na avenida e mostrou uma organização de manual, com ótima evolução e um canto presente em todas as suas alas, driblando um problema com o gerador do carro de som que deixou a abertura da escola basicamente sem referência do samba e bateria sendo tocados em outro ponto da avenida. Mesmo com esse desafio, a Tricolor de Duque de Caxias não deixou o entusiasmo esmorecer e matou no peito a responsabilidade de segurar o canto até o fim, e fez com facilidade.
Um ensaio que teve uma brilhante apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira Daniel e Taciana, que crescem o nível a cada ano, mostrando segurança de veteranos. Com o enredo “Pororocas Parawaras: As Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós”, desenvolvido pela dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad, a agremiação tentará o seu segundo título na elite do carnaval Carioca, e mostrou neste treino que a preparação vem sendo feita com muita qualidade. O diretor de carnaval, Thiago Monteiro, declarou ao CARNAVALESCO o que achou do ensaio técnico.
“Estou muito feliz com a comunidade. Apesar da questão do som que é uma fatalidade que pode acontecer com qualquer escola, inclusive no dia do teste de som, e se acontecer o regulamento diz que temos que seguir, não podemos fugir da raia, enfrentamos a situação e a escola foi gigante. A Grande Rio mostrou que é escola de comunidade, de chão forte, correspondeu, segurou, o público segurou junto com a escola. Eu sempre tiro boas lições do que acontece conosco, então saio extremamente feliz desse ensaio”.
Comissão de Frente
Hélio e Beth Bejani trouxeram uma comissão bem colorida, principalmente na roupa das mulheres. Ágil, bem coreografada, extremamente sincronizada, e com ótima teatralização por parte da componente principal que realizava cada passo da coreografia com muita expressividade. O uso do tripé acrescentou ao ato final da comissão, embora a coreografia no chão já fosse de ótimo nível. Um belo impacto inicial no ensaio da Grande Rio.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Daniel Werneck e Taciana Couto flutuaram na Sapucaí. Um ensaio irretocável nas quatro cabines, de um casal que figura na prateleira de cima no quesito. Uma sincronia em todos os movimentos realizados, muita agilidade e ocupação perfeita do espaço dedicado à apresentação. Um desempenho sem retoques, que impressionou e confirmou a forte abertura da agremiação de Duque de Caxias.
“O canto da escola veio impulsionando a gente, o trabalho em conjunto com a nossa comissão é um trabalho incrível, hoje a gente veio aí fazendo o que a gente vai trazer no dia do desfile, claro que sempre a gente adiciona alguma coisa, faz alguns ajustes. Hoje foi importante para testar com o andamento da comissão, o andamento da escola. Mas basicamente o grosso da coreografia está aí, foi ótimo poder fazer esse teste hoje, vamos ter mais uma oportunidade, mas acredito que tem tudo para dar certo. Estou muito feliz”, disse a porta-bandeira.
“Foi ótimo o nosso primeiro ensaio técnico. Acho que a gente ainda precisa ajustar alguma coisa, porque sempre fica pendente algumas coisas para ser ajustado, mas eu digo que a gente passou bem. Eu acho que a Grande Rio conseguiu dar o recado dela. Mas a nossa coreografia é essa, acontece de que em cima da hora eu sempre mudo a coreografia. Eu invento alguma coisa, mesmo faltando três dias, e a Taciana embarca nessa loucura minha também, ela também traz ideias e isso é bacana, porque eu acho que isso é a troca do casal, estar aberto sempre e em constante mudança”, completou o mestre-sala.
Harmonia
Com som, sem som, a tricolor entoou o seu excelente samba durante todo o ensaio. Um samba bom facilita o trabalho da escola e a Grande Rio soube tirar muito proveito disso. Absolutamente todas as alas tinham o samba na boca, e cantavam com alegria e leveza, o que envolveu o público e obteve boa resposta do mesmo.
As primeiras alas enfrentaram o problema do som e em alguns momentos não tinham absolutamente nenhuma referência do trecho que estava sendo cantado, mas contaram com a ajuda do público presente e mantiveram o canto forte, essa sintonia entre público e componentes esquentou mais o ensaio da Grande Rio e com as alas mais próximas da bateria o samba chegou ao seu ápice em matéria de recepção pela harmonia da escola. O carimbó rolou forte na Marquês de Sapucaí.
“A Grande Rio cantou muito, muito. Mostrou porque eles queriam cantar tanto esse samba na avenida. Porque eles queriam muito cantar. Mesmo com alguns problemas técnicos, não fizeram com que a escola caísse. O rendimento do canto em momento nenhum caiu. Eu estou muito feliz com o rendimento da minha escola. Estou muito feliz com a recepção que a Sapucaí nos deu. Foi uma recepção muito calorosa, cantando muito samba. Não tinha só camarote, não tinha só frisa, estava todo mundo cantando. A gente estava precisando muito chegar na Sapucaí para sentir essa emoção, esse clima. Então, graças a Deus, a gente estava muito bem preparado para qualquer problema que acontecesse. Então o foco é manter o nível de excelência, de canto, da escola, bateria. O Fafá e o nosso carro do som, ambos excelentes. Então vamos manter o nível de excelência para que seja dia 23 e no dia 4 de março tão bom quanto foi hoje. O Fafá é um irmão para a vida que eu tenho, o Fafá me emocionou muito no início do desfile, te amo Fafá, tu é meu irmão”, disse o emocionado intérprete Evandro Malandro.
Evolução
A Grande Rio veio com um contingente em bom número, e organizou esse volume de componentes com perfeição, conquistando uma evolução vibrante, dançante e muito organizada. A escola não tinha espaços entre suas alas, passou pela avenida muito compacta, e mesmo com um número alto de musas não travou ou bagunçou sua evolução pela pista.
As alas coreografadas em sua maior parte evoluíram com desenvoltura e no ritmo das alas soltas, ajudando a manter o excelente andamento que a agremiação de Caxias teve em seu ensaio. A escola terminou seu ensaio brincando na parte final do sambódromo. Alegria e disciplina unidas em mais um quesito de ótimo desempenho.
Samba
O elogiado samba da Grande Rio se provou na avenida com uma grande apresentação. Apesar de ser mais um quesito diretamente atingido pelo problema no carro de som, todas as qualidades de uma das obras mais elogiadas da safra foram vistas e ouvidas na Sapucaí. Uma melodia extremamente envolvente que varia entre trechos mais graves e momentos em que o samba sobe bastante como no refrão principal e no trecho “E foi assim, suas espadas têm as ervas da jurema”, e uma letra inspiradíssima.
Já não bastassem as valências do samba em si, a bateria de mestre Fafá e o intérprete Evandro Malandro tiveram uma atuação de gala, num casamento de voz e andamento perfeitos, realçando ainda mais a força e qualidade do samba composto por Mestre Damasceno, Ailson Picanço, Davison Jaime, Tay Coelho e Marcelo Moraes. A Grande Rio possui uma harmonia musical do mais alto gabarito, e com um samba de tamanha qualidade formou um conjunto primoroso, visto neste ensaio.
Outros Destaques
As diversas musas da escola agitaram o público da Sapucaí, destaque para as nortistas Alane Dias e Isabelle Nogueira, ex-participantes do Big Brother Brasil. A rainha de bateria, Paolla Oliveira, participou ativamente do ensaio, principalmente, nas apresentações para cabine de julgadores, quando a atriz interagia com mestre Fafá e com meninas tocando curimbó.
A abertura da escola teve impacto. Um enorme bandeirão foi estendido na pista de desfiles. Além disso, motoqueiros soltaram fumaça nas cores da Tricolor (verde, vermelho e branco) por todo o Sambaódromo.
Segundo o colunista do CARNAVALESCO, Freddy Ferreira, a bateria da Grande Rio mostrou “um ritmo marcado por equilíbrio musical e uma equalização de timbres simplesmente impressionante”.
“Eu não tenho que avaliar. A avaliação começa quando a gente teve um problema técnico com o som. Ficou notório. A gente teve que ir na raça. Quero parabenizar o carro de som e a bateria. A única coisa que eu posso fazer nesse momento é esse. Não sei se foi bom, não sei se foi ruim. Mas, eu estou bem chateado. A gente trabalha muito, e se dedica muito para poder chegar aqui e acontecer um problema desse. É inadmissível! Agora, é aguardar o que vai ser dito”, comentou mestre Fafá.
Por Guibsom Romão e fotos de Allan Duffes (Colaboaram Gabriel Radicetti, Raphael Lacerda, Luiz Augusto, Matheus Morais, Matheus Vinícius e Rhyan de Meira)
Com um carro de som impecável, uma comissão de frente impactante e uma harmonia bem trabalhada, a Portela fez bonito em seu ensaio técnico na Sapucaí. Sob a regência de Gilsinho, o canto forte da comunidade embalou a avenida, enquanto a coreografia e os elementos visuais reforçaram a força do enredo sobre Milton Nascimento. A centenária de Oswaldo Cruz e Madureira mostrou coesão na evolução e reforçou sua candidatura ao título de 2025, fechando a noite com a energia característica de quem sabe a grandiosidade que carrega.
Sendo a segunda escola a ensaiar na noite de sábado, a Portela vem com o enredo ‘Cantar Será Buscar o Caminho que Vai dar no Sol’, desenvolvido pelos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga. A expectativa é de um desfile emocionante na terça-feira de Carnaval.
“A Portela é uma oração. Se eu falasse que a gente veio cantar samba hoje também estaria certo, mas eu prefiro dizer que a gente veio orar. Sabe por quê? Por causa do manto azul, por causa da águia, por causa do Milton Nascimento e porque todos os portelenses hoje não fizeram um ensaio, se alguém disser que a gente fez ensaio aqui estará errado. Os portelenses vieram orar, vieram celebrar a passagem da sua escola. Claro que a técnica é importante, ela é crucial, vital, mas se diante de tudo você não conseguir se emocionar pra emocionar, ser feliz para rir felicidade, vai fazer outra coisa. A Portela veio fazer carnaval, e carnaval é isso, felicidade multiplica felicidade”, analisou Junior Schall, diretor de carnaval.
Comissão de Frente
Sob as coordenações dos coreógrafos Leo Senna e Kelly Siqueira, os componentes da comissão se apresentaram com uma roupa em tons de azuis e detalhes dourados, transmitindo a sofisticação e grandeza do homenageado. A coreografia, executada com precisão diante das quatro cabines de jurados, foi cuidadosamente planejada para representar a trajetória de Milton Nascimento. Alguns guarda-chuvas foram utilizados durante a apresentação, os guarda-chuvas de cor azul simbolizavam a ditadura militar que o Brasil sofreu e eram substituídos por guarda-chuvas com girassóis desenhados, remetendo a vinda de melhores tempos.
No fim da apresentação e seu ponto alto, a mesma cadeira utilizada anteriormente por Milton Nascimento nos eventos da escola, entra no meio da apresentação e a placa que a cantora Esperanza Spalding, com quem Milton concorria ao Grammy, usou para demarcar a ausência de Milton na plateia da premiação, é colocada em cima da cadeira e uma faixa com a palavra “Respeito” é aberta a cima da cadeira. Esse ato foi uma manifestação da escola a respeito do desrespeito que a premiação teve com o seu homenageado, que teve um lugar na plateia principal da premiação negado.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Marlon Lamar e Squel Jorgea entraram muito bem para se apresentarem nas cabines de julgadores. Apresentando a coreografia oficial, o casal deixou transparecer o encantamento mútuo entre eles, em alguns momentos eles se assemelhavam a um casal apaixonado. Foi uma coreografia muito delicada. Mesmo com o vento forte tentando atrapalhar a condução da bandeira nos primeiros módulos, Squel demonstrou de maneira firme o domínio sob seu mastro e tirou de letra. Foi perceptível um levíssimo descompasso que o casal apresentou no que se refere ao ritmo de bailado individual. Além desse leve descompasso, é notável que o casal, mesmo em grande forma, ainda tem potencial para voar mais alto. Uma execução de coreografia mais aguerrida, com explosões e o ritmo levemente acelerado, é capaz de fazer o casal brilhar muito mais do que já brilha.
“Saiu tudo como o ensaiado, como o programado. Quando chegamos aqui olhei pro Marlon e perguntei se queria bater a coreografia, olhar o video, ele só falou pra gente entrar na avenida e fazer o que a gente sabe, então fomos. Agora é curtir esse bom ensaio, bater a coreografia, dia 22 estaremos aqui de volta, é trabalhar, trabalhar e trabalhar até o desfile oficial que a gente não para nessa reta final”, citou Squel.
“A gente está muito confiante, chegamos aqui, nos olhamos e ‘bora? vamos’, quando a coreografia tá no corpo, óbvio que vamos assistir o vídeo da apresentação de hoje e sempre tem algo pra corrigir, mas serve pra melhorar a coreografia, não para mudar a coreografia, ela já está na gente. E estamos muito felizes, sabemos que será um desfile emocionante aos moldes da Portela, como a escola mostrou aqui, brilha Milton Nascimento”, completou Marlon.
Harmonia e Samba
Gilsinho e seu carro de som foram pontos altos do ensaio. Porém, quanto mais longe a ala estava do carro de som e da bateria, o seu canto aparecia um pouco mais cadenciado, não baixo, mas num ritmo mais para baixo. Ao contrário das alas próximas do intérprete ou do mestre Nilo que bradavam o samba em um tom mais aguerrido. Gilsinho mostrou pleno domínio do samba que defenderá na avenida, passando a sensação de que se ele quiser, dá para brincar ainda mais com o microfone, já que o samba e o andamento permitem.
A escola cantou muito e bem alto, até o fim da Sapucaí os portelenses desfilaram com o samba na ponta da língua e evoluindo de maneira precisa. O uso do caco “eu acredito”, por parte dos componentes, no meio da repetição da frase “Quem acredita na vida não deixa de amar” puxava a escola para cima. O samba passou bem pela avenida, o possível dentro de suas limitações.
“Foi um bom ensaio. Até onde a gente pôde ver, a escola estava cantando muito bem, estava todo mundo cantando, todo mundo animado, a bateria foi sensacional, ritmo purinho, do início ao fim, o carro de som sustentando o samba do início ao fim, e a comunidade cantando muito, então acho que foi muito, muito proveitoso. Agora vamos ajustar mais algumas coisas para o segundo ensaio e fazer melhor ainda. Ajustar mais algumas coisas de canto, mais coisas para a escola cantar. Achei que a escola cantou muito bem, mas eu tenho certeza que a Portela pode cantar muito mais, então vamos forçar o canto para a escola cantar um pouco mais alto, cantar um pouco mais firme, não que não tenha sido, foi ótimo, mas a gente pode melhorar, sempre pode”, disse Gilsinho.
Evolução
A escola conseguiu manter a coesão na evolução, sem atropelos, estagnação ou buracos, mesmo com muitas alas coreografadas e teatrais, o que pode ser um desafio. No entanto, será interessante observar se essa fluidez se mantém no desfile oficial, quando há mais elementos cenográficos e pressão do julgamento.
O mesmo tripé utilizado no Dia Nacional do Samba na Cidade do Samba, foi utilizado neste ensaio técnico, com a presença de Tia Surica e Carlos Reis em cima do elemento cenográfico e a águia mascarada no meio. Foi a comprovação de que nos ensaios de rua a evolução funciona muito bem na Portela.
Outros destaques
A atriz Gabz, protagonista de ‘Mania de Você’, desfilou à frente de uma ala e não conteve a emoção. Cria de Irajá, ela estava em casa com a centenária de Oswaldo Cruz e Madureira. O uso de girassóis pelos componentes continuam causando um efeito visual interessante para as apresentações da escola, causando uma curiosidade em saber como a escola irá usar o amarelo no seu desfile.
A rainha de bateria, Bianca Monteiro, esbanjou simpatia e muito samba no pé. Ela interagiou o tempo inteiro com o público presente na Avenida. Segundo o nosso colunista, Freddy Ferreira, a bataria teve “uma apresentação segura durante o percurso garantiu o bom ritmo da Majestade do Samba, além de paradinhas bem vinculadas ao samba da azul e branca de Oswaldo Cruz.
“Foi muito bom. As bolsas já estavam sendo feitas lá em Madureira, mas hoje viemos aqui para tocar e colocar o andamento. E a bateria segurou o andamento. Os jurados estão batendo muito nisso na nova formação. Então o andamento foi correto e teve sustentação. A bateria está muito boa, mas estou sempre cobrando. Hoje não teve nada de errado. Só vimos que foi no andamento. E, devido a distância da escola que estava muito grande, eu não fiquei arriscando muitas bossas. No dia do desfile, logicamente, com o som na avenida inteira, eu vou fazer mais bossas”, revelou mestre Nilo Sérgio.