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Comissão de frente impactante e samba clássico marcam desfile da Mancha Verde

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A Mancha Verde foi, no último domingo, a quarta escola a desfilar pelo Grupo de Acesso I do Carnaval de São Paulo em 2026. Com o enredo “Pelas mãos do mensageiro do Axé, a lição de Odú Obará: a humildade”, assinado por Rodrigo Meiners, a Mais Querida apresentou um desfile marcado por uma comissão de frente impactante e pelo retorno triunfal ao Anhembi de um samba clássico. Os portões da Passarela do Samba foram fechados após 59 minutos de cortejo.

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A Mancha Verde é uma escola de elite que só está no Acesso I por um desvio proporcionado pelo acaso. No Anhembi, a escola resolveu fazer uma apresentação digna de Grupo Especial, e em boa parte dos quesitos fez um desfile dentro do que se esperava. Mas alguns problemas observados na Avenida podem não tornar o desejado retorno tão fácil assim, considerando o alto nível previsto para a disputa em 2026.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Marcos Kazan e Wender Luciano, a comissão de frente da Mancha apresentou o “Panteão dos Orixás – Olorum revela os caminhos”. Em meio a um mundo tomado pelo desequilíbrio espiritual, Exu transmite a um babalorixá, por meio do jogo de búzios, os saberes sagrados, assumindo a missão de levar à Terra as lições de Olorum. Outros orixás se fazem presentes na dança do quesito, como Xangô, Oxum e Obaluaê, representando os ensinamentos dos quais o babalorixá deverá transmitir para o mundo.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A coreografia é de uma sensibilidade marcante, e a caracterização dos personagens e do elemento alegórico enriqueceram a apresentação do quesito, que na Avenida foi um dos melhores apresentados pela escola.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

A Mancha Verde trouxe para 2026 uma nova formação para o quesito. A veterana Adriana Gomes, com mais de dez anos de escola, passou definitivamente a formar dupla com Thiago Bispo, com o qual dançou em 2024 após uma substituição de última hora do ex-mestre-sala Marcelo Silva por motivos de saúde. Ambos estavam vestidos com fantasias representando os “Saberes ancestrais iorubá”.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O casal teve uma apresentação inconstante em alguns dos módulos. A fantasia de Adriana, apesar de bela, era volumosa e aparentava ser pesada. Seus movimentos ao cumprir as obrigatoriedades pareciam mais lentos que o esperado, e o vento presente no Anhembi causou ainda mais empecilhos à sua dança. No primeiro e no quarto módulos, Thiago demonstrou dificuldades de adaptação ao ritmo da porta-bandeira, o que pode comprometer a avaliação geral do quesito.

ENREDO

“Pelas mãos do mensageiro do Axé, a lição de Odú Obará: a humildade” é uma reedição do enredo levado ao Anhembi no Carnaval de 2012 pela Mancha Verde, que contou com um samba aclamado como um dos melhores da história da escola. A narrativa de 2026 buscou retornar ao passado para iluminar o presente. A agremiação revisitou a mensagem não como uma repetição, mas como um clamor, voltando à Avenida como mensageira do tempo, revelando que aquilo que não foi aprendido será cobrado, trazendo novamente, através do samba, a lição de Odu-Obará de que a prosperidade provém da humildade.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Com uma nova narrativa, na Avenida vimos a busca de um babalorixá por respostas que expliquem como salvar um mundo a caminho da destruição. É a partir do jogo de búzios que a lenda de Odu-Obará é apresentada: um guerreiro, nomeado senhor do destino por Orunmilá, mas que ao contrário dos demais aceitou com humildade um presente na forma de abóboras dado a ele a aos demais Odús, que esperavam receber tesouros. Ao se alimentar das abóboras, todas deixadas pelos demais para Obará, ele se surpreendeu: elas estavam recheadas das riquezas ansiadas.

Fica o registro do ensinamento cultural, que na Avenida foi perfeitamente representado na nova formatação proposta pela Mancha Verde. Um dos melhores enredos do Carnaval de 2026.

ALEGORIAS

A Mancha Verde levou para o Anhembi um conjunto formado por três carros alegóricos. São eles: o Abre-alas, “Ifá e o jogo de búzios”, que representou o momento em que o babalorixá começa a receber as lições do mundo espiritual. O Carro 2, “Odu-Obará – A riqueza na lição da humildade”, retratou a lenda citada no enredo. O Carro 3, “Mundo utópico do Supremo Criador”, trouxe uma representação do que poderíamos esperar de um mundo onde o babalorixá obtém êxito na missão de transmitir à humanidade os ensinamentos ancestrais.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Um conjunto alegórico com volumetria digna de uma das potências recentes do Grupo Especial, que sofreu um rebaixamento que ainda gera discussões, e que não apenas foi belo como representou muito bem toda a proposta narrativa do enredo. Mas alguns problemas observados no acabamento podem causar prejuízos na avaliação da escola.

FANTASIAS

O conjunto de fantasias da Mancha representou na Avenida uma forma mais aprofundada da leitura do enredo, fazendo das alegorias uma síntese narrativa de cada setor. Na pista, as fantasias retrataram elementos semelhantes aos já citados, mas com mais referências mencionadas. Esteticamente impecável, e conseguiu também ser funcional na forma de leveza para os componentes evoluírem na pista. Um quesito muito seguro do desfile da escola.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

HARMONIA

Não é preciso falar muito do desempenho de uma comunidade na Avenida com um samba que a comunidade não se cansa de cantar na quadra há mais de uma década. A Mancha Verde cantou a plenos pulmões do início ao fim, contribuindo para fazer do desfile um espetáculo performático.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

EVOLUÇÃO

A Mancha começou seu desfile de fato somente após três minutos depois da abertura dos portões. O cortejo foi correto em boa parte do tempo, mas ocorreram duas observações possíveis. O espaço aberto pelo recuo da bateria demorou a ser preenchido, e na parte final da apresentação, a escola começou a acelerar um pouco o passo diante do módulo três, provocando a abertura de um buraco à frente do terceiro carro alegórico.

SAMBA-ENREDO

O samba da Mancha Verde é assinado por Armênio Poesia, Chanel Rigolon e o próprio intérprete Fredy Vianna. Curiosamente, 2012, quando o samba passou na Avenida pela primeira vez, foi o ano de estreia do cantor na escola, emplacando logo na estreia um dos sambas mais queridos da comunidade.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

No retorno ao Anhembi, a obra novamente foi clamada fervorosamente pela comunidade, e Fredy conseguiu provar o porquê fez história há 14 anos. A leitura do samba no conjunto visual ficou bem encaixada, fazendo do quesito mais um porto seguro para a escola na apuração.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Puro Balanço”, comandada pelos mestres Cabral e Viny, honraram o legado do histórico samba da Mancha Verde e conduziram o andamento do desfile de forma primorosa.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Entre homem e bicho, nasce o enredo: abre-alas da Imperatriz Leopoldinense revela a estética camaleônica de Ney Matogrosso

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O abre-alas mergulha a Sapucaí em uma selva fantástica, onde troncos, sombras e camaleões cercam a figura central de Ney Matogrosso como um ser híbrido: homem, bicho e entidade estética ao mesmo tempo.

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Detalhes do abre-alas da Imperatriz
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

A alegoria sintetiza o coração do enredo “Camaleônico”. Não se trata apenas de contar a trajetória de um artista, mas de assumir sua filosofia: a metamorfose como identidade. O corpo que muda, que provoca, que recusa rótulos fixos e transforma a própria existência em linguagem.

Ali, entre natureza e fantasia, a Imperatriz estabelece o pacto visual do desfile: tradição pode ser transgressão, e o corpo pode ser manifesto.

Lucas Maia de 32 anos
Lucas Maia, de 32 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Lucas Maia, de 32 anos, social media e no segundo ano na escola, enxergou no abre-alas um gesto político e afetivo.

“Eu, como uma pessoa LGBT, acho mais do que significativo desfilar esse tema na minha escola do coração representando o Ney, que foi fruto de liberdade e luta na ditadura. Estar no abre-alas já chegou causando essa imagem de viver a vida sem tabu. Vamos viver do jeito que quisermos, um verdadeiro camaleônico.”

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Hiago Soares, de 25 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Para Hiago Soares, de 25 anos, estudante de jornalismo e estreante na verde e branco, a homenagem tem dimensão pessoal.

“Foi muito incrível e bonito abrir o desfile com a figura do Ney Matogrosso. Meu nome é com H porque meu pai disse que eu seria um homem com H maiúsculo. E eu sou, um homem gay com H. Quando soube que a Imperatriz viria com essa homenagem, não pensei duas vezes. Eu sou um pássaro mulher, igual à minha ala. A Imperatriz deixou como recado a espontaneidade, a liberdade e a diversão”, pontuou.

Marcos Vinicius Pinheiro 34 anos
Marcos Vinícius Pinheiro, 34 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Já Marcos Vinícius Pinheiro, de 34 anos, farmacêutico e há dois anos na escola, destaca o impacto narrativo da alegoria.

“Magnífica a abertura da escola na avenida, o sonho virou realidade. O abre-alas levou a mensagem de uma caixinha onde estava tudo preso e agora está explorando o mundo, se libertou, algo bem farofônico. Nosso desfile foi para o mundo enxergar que precisa de paz, diversidade e muito amor. O restante a gente vai batalhar”, comentou.

De ‘Certinha’ à ‘Safadinha’ de Ramos: a Imperatriz Leopoldinense libera corpo na Sapucaí

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Historicamente conhecida pelo rigor estético e técnico que lhe rendeu o apelido de “Certinha de Ramos”, a Imperatriz Leopoldinense vive, em 2026, uma transformação simbólica que ultrapassa a fantasia e alcança o corpo de seus componentes.

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De Certinha para Safadinha de Ramos, Imperatriz muda comportamento. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

No desfile em homenagem a Ney Matogrosso, a escola abraçou a liberdade estética, a fluidez do movimento e a expressão corporal como linguagem de identidade e transgressão.

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Fantasias leves, vazadas e sensuais que expõem colo, braços e pernas, alteram a forma de brincar o Carnaval e permitem maior mobilidade na Avenida. O corpo deixa de ser contido e passa a ser território de expressão.

É nesse contexto que surge, entre os próprios componentes, um novo apelido: “Safadinha de Ramos”.

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Jessica Rodrigues. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Jessica Rodrigues, 26 anos, historiadora e há dois anos na escola, enxerga o desfile como um marco de ruptura.

“O desfile de 2026 veio para quebrar o tabu sobre sermos tão certinhos. Agora estamos mais como ‘Aparecidinha de Ramos’, para quebrar tudo na avenida. Esse samba transformou a comunidade, trouxe componentes que se sentem representados pelo enredo e isso nos faz crescer e evoluir, buscando temas que saiam da bolha, mas que estão totalmente presentes no dia a dia da sociedade”.

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Guilherme. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Para Guilherme Figueiredo, 33 anos, professor de geografia e estreante na verde e branco, a mudança faz parte de um processo natural de reinvenção:

“Acredito que a cara da escola vai mudando com o passar dos anos e com quem passa por ela. Não existem identidades fixas. A proposta da Imperatriz é justamente reforçar essa mudança, aliando isso ao Ney Matogrosso, que é um artista mutável. Camaleônico não é só o Ney — hoje é a Imperatriz também”.

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Vanderlei. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

A liberdade proposta pelo enredo também é sentida fisicamente. Vanderlei Gamalho, 49 anos, bancário e há 36 anos na escola, percebeu a diferença na própria experiência de desfile.

“Esse ano fala sobre liberdade de expressão e senti que a fantasia veio mais leve, mais amostrada. Isso permite que a gente se jogue com tudo na avenida. O tema deixa explícito que todo mundo é igual, não existe ninguém diferente. Vamos viver a vida sem preconceito”, disse.

Se antes a disciplina era a marca registrada da Imperatriz, agora a escola mostra que pode ser rigorosa e ousada ao mesmo tempo. A transformação não é abandono de identidade, mas ampliação dela.

Ao homenagear Ney Matogrosso, artista que fez do corpo uma bandeira da liberdade, a Imperatriz Leopoldinense assume que tradição e transgressão podem caminhar juntas.

 

Na Avenida, a “Certinha” revela sua face camaleônica. E quando o samba embala fantasias fluidas e corpos livres, Ramos descobre que liberdade também é método, e acima de tudo, espetáculo.

Sidnei Carriuolo fala sobre desfile do Águia de Ouro e parceria com cervejaria

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O Águia de Ouro entrou no último sábado no Anhembi apresentando o enredo “Mokum Amsterdã: O voo da Águia à cidade libertária”, retratando a liberdade da capital holandesa. O enredo atraiu o interesse da cervejaria Amstel, fundada no século 19 na cidade tema do desfile e batizada com o nome do principal rio de Amsterdã, fechando um patrocínio que ajudou no projeto de carnaval da agremiação.

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O presidente Sidnei Carriuolo falou sobre a parceria.

“O enredo surgiu primeiro, eles se interessaram pela maneira como o Louzada explanou a ideia, a liberdade, as premissas da cidade e nos procuraram para fechar a parceria. Foram várias conversas até finalizarmos. Não tiveram influência no enredo, esse tipo de patrocínio é normal no carnaval, ajuda, não é algo ruim”, declarou Sidnei.

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O presidente não deu detalhes sobre os valores envolvidos nesta parceria, mas ressaltou que foi uma ajuda importante para a escola finalizar o seu carnaval.

“Falar da própria escola sempre faz a gente puxar para a nossa sardinha, mas o trabalho foi bem feito, deixamos a escola pronta, organizada, montada na avenida” , afirmou.

Jesuíta Barbosa se emociona ao dividir alegoria com Ney Matogrosso na Imperatriz Leopoldinense

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Na concentração da Imperatriz, pouco antes de cruzar a Sapucaí com o enredo “Camaleônico”, que homenageia Ney Matogrosso, o ator Jesuíta Barbosa comentou a emoção de viver um dos momentos mais especiais de sua carreira: dividir o mesmo carro alegórico com o artista que interpretou no cinema.

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Jesuíta Barbosa no desfile da Imperatriz Leopoldinense
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A imagem dos dois juntos na alegoria representou o encontro entre gerações. De um lado, o artista que revolucionou a música brasileira com estética, ousadia e liberdade. Do outro, o ator que apresentou essa história a um novo público. A cinebiografia Homem com H, lançada no ano passado, trouxe Jesuíta interpretando Ney Matogrosso e foi um sucesso entre o público jovem.

Sobre a responsabilidade de apresentar o artista a toda uma nova geração, Jesuíta confessou que não se vê como responsável por carregar seu legado, mas como alguém que teve a honra de reverenciá-lo nas telonas.

“Mesmo estando aqui ao lado dele nessa homenagem linda, não acho que eu sou merecedor de carregar o seu prestígio, pois não sei tudo o que ele sabe. É tudo dele e para ele. Mas fico muito feliz com o reconhecimento, principalmente porque o filme que a gente fez foi para ele e para o Brasil, porque o Brasil merece ver coisa boa, e o nosso cinema é muito rico. A beleza da estética que ele construiu durante a vida toda dele merece ser vista por muitas gerações ainda”, afirmou ele, emocionado.

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FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Segundo o ator, o desfile representa uma consagração da trajetória artística construída por Ney ao longo de décadas. E ele confia no poder da Imperatriz para contar essa história.

“Agora, na Avenida iremos, consagrar sua grandeza. E eu acho que o Brasil vai ver uma evolução muito bonita da escola”, comentou.

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Ney Matogrosso no desfile da Imperatriz

Se no cinema Jesuíta incorporou a intensidade cênica de Ney com maestria, no Sambódromo ele deixou a emoção falar mais alto ao descrever o nervosismo de estar prestes a desfilar ao lado do próprio homenageado, mesmo apesar da intimidade que ganhou com o cantor nos últimos anos.

“Eu estou nervoso e falei para ele que eu estava. Ele ficou surpreso e disse que não está nervoso, não. Ele está bem, mas eu estou muito ansioso. Isso vai ser gigante!”, revelou, sorrindo e animado.

Quesitos fazem balanço do desfile do Império de Casa Verde

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O Império de Casa Verde foi a primeira escola a desfilar no sábado de carnaval pelo Grupo Especial de São Paulo. Com o enredo “Império dos Balangandãs – Joias Negras Afro-Brasileiras”, assinado pelo carnavalesco Leandro Barboza, a azul e branca da Zona Norte levou para a Avenida um desfile técnico, marcado por força estética e canto da comunidade.

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À frente da comissão de frente, o coreógrafo Sérgio Cardoso avaliou os desafios enfrentados na Avenida, especialmente com a nova disposição das cabines de jurados.

“Esse ano essas cabines estavam numa posição totalmente diferente do que a gente costuma, bem próximas, além de tudo o campo de visão deles diminuiu bastante, porque é bem mais baixo. Então a gente teve que mudar algumas estratégias. A minha sorte é que meu samba é curto. Então eu tenho duas passagens pra fazer toda a história que a gente vem. É, quatro minutos, então foi tranquilo. Mas, assim, essas duas cabines muito próximas, e a parada do recuo da bateria, calhou bem no meio das duas. Ou seja, a gente estava sendo avaliado de frente e de costas. Mas bora, acho que esse é o jogo e a gente tem que cada vez mais. Se aperfeiçoar diante das regras. Para mim a execução foi tudo ok. Agora vamos ver o olhar do jurado”, disse.

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O mestre-sala Patrick Vicente também destacou o caráter técnico do desfile e o entrosamento com a porta-bandeira Sofia ao longo da apresentação.

“Foi um desfile bem técnico, a gente tem treinado desde maio, um trabalho árduo, mas eu achei muito bom o andamento. Deu para priorizar tanto a comissão, tanto o casal também, que veio logo em seguida. E eu e a Sofia, saímos daqui feliz de ver o nosso rendimento. Executamos todos os movimentos que a gente vem ensaiando. Agora esperar o resultado e, se Deus quiser, a gente será abençoado da melhor forma possível”, concluiu.

Sobre as mudanças na posição das cabines, Patrick ressaltou o desafio físico e emocional para manter a intensidade da apresentação.

“Sobre as cabines próximas, a intensidade tem que manter a mesma, que já é um seguido do outro, para gente é só a questão de prender a respiração por um minuto, recuperar todo o fôlego, todo o ar e já iniciar novamente na outra cabine mas isso foi bem desafiador, eu acho que para todos os casais de São Paulo, é uma coisa muito nova”, falou.

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No carro de som, os intérpretes Tinga e Tiago Nascimento celebraram o desempenho da escola e a resposta positiva da comunidade durante o desfile.

“Foi muito bom, a gente está feliz demais. Viemos e cumprimos, então a gente está esperando o resultado. Fizemos um grande desfile e a gente sempre espera a melhor colocação para levar o nosso Império ao nosso sonho, que é sempre ser campeão do Carnaval”, disse Tinga.

“Acho que foi muito bom. A comunidade cantou e está feliz, está alegre. O público respondeu. Acho que o nosso trabalho alcançou o objetivo. O enredo foi fundamental, enredo e samba bom é meio caminho andado. Então a gente está feliz demais com tudo. E, se Deus quiser, é Império na cabeça”, analisou Tiago.

Carnavalesco da Tom Maior detalha enredo que transforma Uberaba em símbolo do Espiritismo

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A escola de samba Tom Maior levou para a avenida um enredo que reverencia Uberaba a partir de uma carta espiritual psicografada por Chico Xavier. O médium, nascido em Pedro Leopoldo, mas consagrado em Uberaba, se coloca como instrumento para dar voz à cidade que marcou sua trajetória. Essa narrativa é revisitada por meio do olhar do carnavalesco Flávio Campello, 48, que apresentou na avenida cores em fantasias e alegorias vibrantes para simbolizar a ancestralidade, a história e o progresso do município, transformado em símbolo do Espiritismo no Brasil, onde Chico desenvolveu sua mediunidade e encerrou sua jornada.

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Para que o entendimento de todo o enredo na avenida fosse notado por quem estava também nas arquibancadas ou como telespectador na TV, Flávio comenta que todos os pensamentos foram voltados para um desfile didático e que pudesse ter uma homenagem clara, assim tomou como base uma foto territorial

“A inspiração veio de uma foto de satélite que vi da cidade de Uberaba. Vi a quantidade de rios que existiam ali naquela região, era algo surreal, chegava a brilhar nesse mapa”, explicou Flávio.

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O carro abre-alas, intitulado “Das Águas Emana o Perfume! – A Terra das Águas Claras e Berço de Gigantes”, sintetiza o primeiro setor do desfile ao destacar as origens de Uberaba. A alegoria exalta a ancestralidade indígena, os dinossauros que habitaram a região e a força vital das águas que moldaram o território. Esculturas de peixes e figuras híbridas simbolizam a interdependência entre natureza e vida. Elementos trazidos pelo carnavalesco foram calculados para retratar especificidades do enredo.

“Queria abrir com essa inspiração para poder retratar até a etimologia do nome da cidade, porque Uberaba vem da palavra ‘Iberabe’, que significa terra das águas brilhantes, terra das águas cristalinas. E essa abertura que quis, através da ala que veio na frente do carro, mais a ala que vem atrás do carro, que são nossas baianas, também o nosso casal, abrindo alas para essas cores sensacionais. Acho que foi um grande trunfo na manga, foi perfeito”, exaltou o carnavalesco.

Já a terceira alegoria, “O Futuro Chegou! – Nos Caminhos para a Industrialização”, retrata a transformação econômica de Uberaba, usando engrenagens e estruturas metálicas; tons terrosos compõem o cenário que simboliza a chegada das indústrias e a força do trabalho coletivo.

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“Era tentar buscar todo esse misticismo, todo esse sincretismo em torno de Chico Xavier, através da espiritualidade. Por isso que a gente trouxe a Índia, por isso que a gente trouxe essa industrialização com uma cara mais vintage, porque a gente queria retratar aquilo que o Chico colocava nas suas cartas, inclusive contando a história da cidade. Foi mais ou menos essa referência que nós tivemos para construir esse projeto”, comentou Flávio, que quis reafirmar nas alegorias a vocação progressista do município, associando inovação e esforço humano à construção de seu futuro.

Sobre as expectativas para a escola, Flávio diz sair da avenida já com vontade e acreditando que possa voltar no sábado para o desfile das campeãs.

“Foi um desfile marcado pela emoção, porque muitos sentimentos explodiram dentro dos nossos corações ao longo desse ano todo, com a perda do nosso saudoso Gilsinho, que foi o primeiro sentimento que a gente teve, aquele vazio imediato. Mas o Leozinho veio para preencher esse vazio; hoje, ele representou muitíssimo bem a escola e o Gilsinho. Tenho certeza de que faremos história na terça-feira, com um resultado incrível e o possível primeiro título da escola”, finalizou o artista.

‘Minha batalha enquanto presidente é essa’, diz presidente Solange sobre enredo da Mocidade

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A Mocidade Alegre foi a terceira escola a desfilar no sábado de carnaval pelo Grupo Especial de São Paulo. Com o enredo “Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra”, assinado pelo carnavalesco Caio Araújo, a agremiação apresentou um desfile técnico e luxuoso, com harmonia e evolução excepcionais na Avenida.

Após a apresentação, a presidente Solange celebrou a emoção de ver o projeto ganhar vida e destacou o empenho coletivo para cumprir o que foi planejado ao longo do ano.

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“Uma super emoção. Feliz a beça. O importante é a gente conseguir passar, trazer tudo direitinho, dentro do compacto, dentro de tudo. Eu espero que todo mundo tenha visto o que muita gente viu e que os jurados principalmente, mas eu estou muito feliz. A gente trabalha muito, batalha para caramba”, disse.

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Solange também ressaltou o compromisso da escola com a ancestralidade e afirmou ter orgulho da identidade construída pela Mocidade ao longo de sua trajetória.

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“A Mocidade é uma das escolas que, apesar de eles falarem que a direção é branca, é uma escola que fala mais de ancestralidade do que muitas outras. E isso eu tenho muito orgulho, de preservação, de identidade, de pertencimento, de fazer acontecer, porque a minha batalha quanto presidente de uma escola de samba é essa”, concluiu.

Por fim, a presidente fez questão de agradecer à comunidade, destacando a entrega nos ensaios e a dedicação que, segundo ela, refletiram diretamente no resultado apresentado no Sambódromo.

“Para a comunidade eu só tenho agradecimentos e gratidão, só mesmo, porque eles se esforçaram, eles se entregaram, eles fizeram muita coisa legal e eu acho que eles ensaiaram demais. E aqui deu resultado, deu certo. Agora a cabeça de jurado a gente não sabe, temos que esperar”, falou.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Niteroi no desfile oficial no Carnaval 2026

Um bom desfile da bateria da Acadêmicos de Niterói, na estreia de mestre Branco Ribeiro na escola e no grupo especial. Um ritmo com um andamento mais quente e bossas pautadas pela melodia do samba e por pressão sonora dos surdos foi apresentado.

Na cabeça da bateria da Niterói, uma ala de cuícas sólida auxiliou no preenchimento da sonoridade das peças leves. Um naipe de chocalhos de boa qualidade técnica tocou junto de uma ala de tamborins de virtude coletiva, apresentando entrosamento. O casamento musical entre chocalhos e tamborins deu brilho sonoro à parte da frente do ritmo. O conceito escolhido para o desenho rítmico foi pautar a batida através da simplicidade, o que mostrou extrema funcionalidade, resultando num trabalho musical destacado de ambos os naipes em conjunto.

Na parte de trás do ritmo da “Cadência de Niterói”, uma boa afinação de surdos foi percebida, dando potência sonora ao peso dos graves. Surdos de terceira com bom balanço deram seu recado tanto fazendo ritmo, quanto na exigência musical envolvendo as bossas. Repiques com boa levada tocaram juntos de um naipe de caixas com bom volume.

Bossas que se aproveitavam das variações melódicas da obra para consolidar seu ritmo foram exibidas. Arranjos que proporcionaram bom impacto relativo à pressão sonora, graças à afinação de surdos. Outro recurso técnico bem utilizado foi a escolha criativa das timbragens distintas ficarem em evidência nos arranjos, dando dinamismo sonoro à proposição musical. Merece exaltação musical a sonoridade dos surdos de terceira nas paradinhas.

Uma boa apresentação da bateria da Niterói, dirigida por mestre Branco Ribeiro. Um ritmo com andamento mais acelerado foi exibido junto de impacto sonoro de bossas, devido a afinação das marcações. A apresentação na última cabine contou com ovação popular, sendo sobretudo uma exibição energética, evidenciando o bom trabalho da “Cadência de Niterói” na abertura dos desfiles do grupo especial.

Forte canto e comissão de frente impactante são destaques no desfile da Tucuruvi

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Neste domingo de Carnaval, a Tucuruvi realizou seu desfile oficial com o enredo “Anti-herói Brasil”, assinado pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves. O grande destaque foi o canto da comunidade, que se entregou no Anhembi para defender com força o possível acesso do Zaca ao Grupo Especial. Também merece menção a criatividade da comissão de frente, liderada por Renan Banov, que apresentou uma coreografia impactante logo no início do desfile.

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A escola encerrou sua apresentação com 58 minutos.

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COMISSÃO DE FRENTE

Liderada por Renan Banov, a comissão de frente desfilou com o título “Nosso corpo é página viva”. A coreografia foi impactante e apresentou uma personagem central que encenava o sofrimento, representando as dificuldades enfrentadas por quem vive à margem da elite brasileira. Parte dos componentes utilizava fantasias confeccionadas com sacos de lixo, reforçando a proposta estética e simbólica do enredo.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Em determinado momento, ao se agacharem em posições previamente marcadas, os bailarinos ficavam completamente cobertos, criando um efeito visual forte e coerente com a narrativa apresentada. O conjunto conseguiu traduzir com precisão, por meio das expressões e movimentos, o significado do tema.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O casal Luan Caliel e Beatriz Teixeira representou “Caminhos anti-heroicos” com uma atuação segura. Executaram os movimentos obrigatórios com qualidade, destacando-se o mestre-sala nos jogos de pernas e a porta-bandeira nos giros bem sincronizados, realizados com intensidade tanto no sentido horário quanto no anti-horário.

HARMONIA

O canto da escola foi um dos pontos altos do desfile. A comunidade do Zaca mostrou evolução em relação ao ensaio técnico, quando havia deixado a desejar. Desta vez, todos os versos foram entoados com clareza e o samba fluiu do início ao fim. A comunidade desfilou leve e confiante, sustentando a energia da apresentação.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

ENREDO

“Anti-herói Brasil”, desenvolvido por Nicolas Gonçalves, trouxe uma abordagem crítica ao exaltar personagens cotidianos que se tornam heróis na própria sobrevivência. O enredo valorizou trabalhadores do chamado “corre” diário, como os motoboys, além de retratar figuras marginalizadas pela sociedade, como moradores de rua.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Para materializar essa narrativa, o carnavalesco optou por utilizar materiais simples e pouco requintados, uma escolha ousada para o padrão estético do Carnaval de São Paulo. Ainda assim, a mensagem foi transmitida de forma clara e coerente ao longo do desfile.

EVOLUÇÃO

As alas evoluíram de maneira organizada, preenchendo corretamente os espaços na pista. A exceção foi a ala das baianas, que apresentou abertura entre as componentes, embora esse aspecto não seja considerado no manual de julgamento.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

No conjunto, a escola evoluiu com leveza, permitindo que os componentes cantassem e dançassem livremente, sem a formação de buracos. Houve apenas pequena dificuldade na compactação entre algumas alegorias e as alas que vinham à frente, mas nada que comprometesse o desfile ou causasse divisão perceptível na escola.

SAMBA

Interpretado por Hudson Luiz, o samba foi bem defendido na avenida. O intérprete tem um estilo marcante e assumiu a condução da obra com personalidade. Houve interação com a comunidade e com o público das arquibancadas, embora o foco tenha permanecido na sustentação da ala musical. As vozes femininas também se destacaram ao longo da apresentação.

O trecho “Jeitinho brasileiro de sobreviver” foi especialmente forte, ecoando com intensidade na comunidade em sintonia com o carro de som, sintetizando a essência do enredo.

FANTASIAS

A concepção estética proposta por Nicolas Gonçalves foi ousada e coerente com o tema. O uso de papelão, sacolas e materiais que remetem à pobreza e à vida nas ruas pode ter dividido opiniões, mas dialogou diretamente com a proposta narrativa. O desfile trouxe referências visuais a “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, da Beija-Flor de Nilópolis, apresentado em 1989.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Destacou-se a ala com fantasias de sacos de lixo portando tridentes de Exu, reforçando o simbolismo do enredo.

ALEGORIAS

O abre-alas apresentou o setor “Enugbarijó e a sabedoria das encruzilhadas”. A alegoria trazia uma escultura de Exu cuspindo papéis picados, em referência à ideia da boca que tudo consome. O carro enfrentou um problema estrutural no lado direito, quando uma parte se quebrou e precisou ser retirada. A equipe agiu rapidamente, levando o elemento para o recuo da bateria e evitando maiores prejuízos visuais.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A segunda alegoria representou “Macunaíma S/A – A indústria do anti-herói”, aprofundando a crítica social proposta pelo enredo.

Encerrando o desfile, o último carro, intitulado “Seja marginal, seja herói!”, trouxe esculturas de Exu no topo, além de pipas e fios formando a bandeira do Brasil. Mais uma vez, a opção por materiais simples reforçou a estética do anti-herói. Destaque para a presença de motoqueiros na alegoria, em sintonia com o trecho do samba que exalta o “corre” cotidiano.

OUTROS DESTAQUES

A Bateria do Zaca, comandada pelo mestre Serginho, desfilou representando a “Malandragem brasileira”. Executou bossas com precisão e garantiu o andamento adequado do samba-enredo, sustentando a energia da escola ao longo da avenida.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP