O Arranco do Engenho de Dentro deu a largada rumo ao Carnaval 2027 no último domingo com o lançamento oficial do enredo “Olodum: a Força do Tambor Que Ecoa nas Ladeiras de Salvador”. O evento reuniu os segmentos da escola, contou com roda de samba e transformou a quadra em um pedaço do Pelourinho, embalado pelas cores verde, vermelho e amarelo do bloco afro baiano. A festa começou com apresentações dos segmentos da agremiação. Antes da revelação do enredo, os intérpretes relembraram grandes clássicos do Carnaval da Bahia e do axé, além de músicas que exaltam a cultura baiana. Coube aos cantores Pamela Falcão e Rodrigo Tinoco anunciar oficialmente o tema, lendo um texto que encerrou a expectativa da comunidade. Na sequência, o Arranco coloriu o Engenho de Dentro e levou para o público a atmosfera das ladeiras de Salvador.
A presidente Tatiana Santos revelou ao CARNAVALESCO que a escolha pelo Olodum aconteceu logo nas primeiras conversas com o carnavalesco Driko Rodrigues e destacou as conexões entre a história do bloco afro e a trajetória recente da escola.
“A gente fechou o nosso carnavalesco, e o primeiro enredo que o Driko me apresentou foi o do Olodum. Quando começamos a pesquisa e ele foi apresentando o projeto, percebemos que muita coisa se encaixava com a história do Arranco. Não só pelos projetos sociais que o Olodum desenvolve, assim como o Arranco também tem essa visão, mas também pela história da primeira mulher mestre de bateria do Olodum. No Arranco, no ano passado, tivemos a primeira mulher mestre de bateria a pisar na Marquês de Sapucaí. Essa coincidência foi o ponto que fez a gente dizer: ‘É esse enredo’. É o som do tambor, é a batida do Olodum entrando no coração do Arranco. Assim como a Laísa vai representar o Olodum na Avenida, mostrando esse toque tão marcante, nós vamos contar toda a história do Olodum no desfile”, afirmou.
A dirigente também fez um balanço da evolução da escola nos últimos carnavais e demonstrou confiança no trabalho que está sendo desenvolvido para o próximo desfile.
“2026 foi mais um passo. Desde 2023, o Arranco vem se superando a cada ano. O Carnaval de 2025 foi um marco muito grande para nós, e quem conhece a história da escola sabe que ela vem crescendo continuamente. Para 2027, esperem o Arranco. Vamos entrar para brigar. Estamos preparando um carnaval que vai impressionar, com uma plástica maravilhosa e um projeto muito bonito. É a continuidade do trabalho que fizemos em 2025, quando realizamos um carnaval brilhante, e tenho certeza de que, em 2027, vamos evoluir ainda mais e dar trabalho”, afirmou.
Tatiana também confirmou que o samba-enredo será escolhido por meio de disputa entre compositores. “Não será encomenda, será disputa. A final já está marcada para o dia 18 de setembro. O calendário com entrega da sinopse, tira-dúvidas e todas as datas já está sendo divulgado nas redes da escola. Os compositores podem chegar porque teremos disputa de samba”, revelou.
Autor da proposta escolhida, o carnavalesco Driko Rodrigues contou que a inspiração surgiu de forma inesperada, durante um momento de descontração, ao ouvir um dos maiores sucessos do Olodum.
“Foi uma situação até meio curiosa. Eu estava tomando banho, coloquei umas músicas aleatórias no YouTube e chegou ‘Faraó – Divindade do Egito’. Eu nunca tinha parado para prestar atenção na letra. Quando ouvi com atenção, fui pesquisar e descobri a grandeza da mensagem que existia por trás daquela composição. Depois comecei a pesquisar uma música atrás da outra do Olodum, conhecer o projeto social, a origem do nome, e dali nasceu um grande enredo”, contou.
Segundo o carnavalesco, a identificação entre as trajetórias do Olodum e do Arranco fortaleceu ainda mais a escolha. “São histórias que se cruzam. De um lado, negros que se reúnem e criam o bloco Olodum; do outro, negros que criam o Bloco Arranco. Um se transforma em um dos maiores blocos afros do Brasil, e o outro se torna essa grande escola de samba. Existe uma conexão muito forte entre essas histórias”, explicou.
Driko revelou ainda que apresentou outras possibilidades de enredo antes da definição. “Todo carnavalesco tem uma caixinha de enredos. Quando apresentei os projetos, levei três ou quatro opções. A presidente olhou para esse e falou: ‘É esse’. E daí seguimos em frente”, contou.
Para o desfile de 2027, o artista pretende imprimir sua marca sem perder a essência do homenageado. “Quero fazer a escola crescer e imprimir a minha identidade, mas, principalmente, a identidade do Olodum. Quero que, do início ao fim do desfile, independentemente da ala, as pessoas enxerguem o Olodum presente na Avenida. Também pensei em um enredo afro, mas de leitura fácil, para que o público olhe e se identifique imediatamente”, afirmou.
Responsável pelo desenvolvimento do texto do enredo, o enredista Artur Amaro explicou que retornou ao Arranco após um convite da presidente Tatiana Santos e destacou a parceria construída com Driko Rodrigues.
“A ideia do enredo é do Driko. Eu tinha saído da escola por algumas questões pessoais, e a presidente Tatiana me ligou dizendo que sentia falta da minha presença porque acreditava que a proposta tinha tudo a ver comigo. Conseguimos ajustar as agendas, e o desenvolvimento aconteceu de forma muito prática. O Driko é uma pessoa muito aberta para conversar e ouvir. Ele chegou com uma ideia e algumas referências, eu apresentei sugestões para o desenvolvimento, e ele aceitou todas com muita tranquilidade. Acredito que as pessoas vão se emocionar muito, mas também vão dançar bastante com o que verão na Avenida”, explicou.
Artur também falou sobre o sentimento de voltar rapidamente à escola. “Foi entender que o Arranco é uma casa para mim e que aqui sou tratado como filho. Em muitos lugares, quando você sai, a vida simplesmente segue. Aqui foi diferente. Eu saí mantendo uma ótima relação com a presidência, com a comunicação e com todos os segmentos. Eles acharam que valia a pena entrar em contato para tentar conciliar minha agenda, já que tive muitos compromissos no primeiro semestre por causa do doutorado. Fizemos muitas reuniões on-line, algo de que nem gosto tanto porque prefiro o contato presencial, mas conseguimos fazer acontecer da melhor maneira. Esse enredo tem a cara do Arranco, representa uma virada de chave na história da escola, mas sem esquecer quem somos enquanto família e o que queremos transmitir para a comunidade”, afirmou.
Para concluir, o enredista antecipou que o público viverá o enredo durante toda a temporada. “As pessoas podem esperar um enredo que será comunicado ao longo de toda a temporada em parceria com a comunicação da escola. A comunidade vai viver e experimentar esse enredo o tempo inteiro. Podem esperar um grande espetáculo na apresentação do enredo, na final de samba, em ensaios de rua muito animados e totalmente ligados à temática, além de muitas surpresas nas redes sociais da escola para que todos conheçam ainda mais essa história”, concluiu.
A Unidos do Viradouro promoveu, no úlitmo sábado, em sua quadra, em Niterói, o evento “Viradouro de Mãos Dadas”. A iniciativa, gratuita e voltada para a comunidade, fez parte do ciclo de celebrações pelos 80 anos de fundação da escola, em parceria com o Instituto Viradouro e com o apoio da Prefeitura de Niterói, por meio das secretarias de Saúde; Direitos Humanos; Inovação, Ciência e Tecnologia; e Promoção da Igualdade Racial.
A ação, que atendeu centenas de pessoas, ofereceu diversos atendimentos nas áreas de saúde e prevenção, como testes rápidos para ISTs, HIV, sífilis e hepatites B e C; vacinação contra influenza; aferição de pressão arterial e glicemia; além de fisioterapia. Na área de cidadania, direitos e acolhimento, houve marcação para emissão da carteira de identidade, assessoria jurídica e psicológica, assistência social, letramento racial e educação social. Também foram ofertados cursos gratuitos na área de tecnologia.
“Quando dizemos que a Viradouro é uma família, é exatamente a isso que nos referimos. É um lugar onde as pessoas são acolhidas, criam laços, encontram oportunidades e passam a fazer parte de uma história construída coletivamente. Ver esse trabalho consolidado justamente no ano em que celebramos os 80 anos da nossa escola é a certeza de que estamos honrando o passado enquanto construímos um futuro cada vez mais forte para a Viradouro”, afirmou Marcelo Calil, presidente de honra.
Ao longo dos próximos meses, a Viradouro promoverá outras atividades comemorativas, entre elas uma festa literária, uma mostra cultural e uma corrida de rua.
“A Viradouro vem fortalecendo sua atuação institucional e ampliando o trabalho desenvolvido junto à comunidade. O projeto dos 80 anos nasceu dentro desse propósito, para que essa celebração não se limite à data de aniversário, mas se estenda ao longo de todo o ano, reafirmando que uma escola de samba é muito mais do que competição: é um instrumento de transformação social, arte, cultura e cidadania”, concluiu Alex Fab, vice-presidente e diretor de carnaval.
A irreverência clementiana está de volta! A escola de samba, que fez história na Marquês de Sapucaí exaltando temas divertidos, escolheu “Crialogia – gambiarra à brasileira” como enredo para o próximo desfile. A proposta traduz a gambiarra – criatividade como ferramenta de sobrevivência brasileira em linguagem de carnaval. A explanação da sinopse para os compositores ocorre na próxima quinta-feira. Inspirada em duas obras literárias da autora acadêmica Sabrina Sedlmayer – “Jacuba é Gambiarra” (2017) e “Quem não tem Cão, Caça com Gato: Estudando a Gambiarra” (2024), o projeto da carnavalesca Annik Salmon e desenvolvido em parceria com a enredista Bianca Behrends, é um convite para sentir, refletir e apreciar uma degustação de brasilidade.
“Para além das definições e significados atribuídos à expressão, essa gambiarra de alma clementiana vai abordar a criatividade enquanto combustível e ferramenta propulsora de sobrevivência do povo brasileiro, agregando um olhar histórico, cultural, antropológico e social, com uma estética leve, lúdica, autêntica e irreverente. Isso representa exatamente a identidade da São Clemente!”, afirma Annik Salmon.
“No título do enredo, trazemos a invenção da palavra “Crialogia” com o objetivo de ilustrar o que acontece quando as ideias em ebulição revolucionam o pensamento, e uma explosão de criatividade resulta em criação”, define a enredista Bianca Behrends.
De volta à Marquês de Sapucaí, a São Clemente vai ser a primeira a desfilar na sexta-feira de Carnaval, no dia 5 de fevereiro de 2027.
A Liga-SP divulgou o calendário dos ensaios técnicos para o Carnaval de São Paulo 2027. A temporada terá início no dia 19 de dezembro de 2026, antecipando a preparação das escolas de samba em razão do calendário mais cedo dos desfiles no próximo ano. A programação oficial do Anhembi será realizada até 24 de janeiro de 2027, reunindo as 32 agremiações filiadas à entidade. A grade, no entanto, está sujeita a alterações, que serão comunicadas oficialmente pela Liga-SP em seus canais. Vale lembrar que, em 2027, os desfiles acontecerão entre os dias 30 de janeiro e 7 de fevereiro, com o Grupo de Acesso 2 abrindo a programação já no dia 30 de janeiro.
Entre os dias 19 de dezembro e 24 de janeiro, as escolas dos grupos Especial, de Acesso 1 e de Acesso 2 passarão pela pista do sambódromo do Anhembi para ajustar detalhes importantes do desfile, como evolução, harmonia, canto da comunidade, posicionamento de alas e logística operacional.
Os desfiles das escolas de samba de São Paulo acontecerão nos dias 30 de janeiro, 5, 6 e 7 de fevereiro de 2027, no sambódromo do Anhembi. O Desfile das Campeãs está marcado para o dia 13 de fevereiro.
19 de dezembro de 2026 (sábado)
18h25 – Unidos de Santa Bárbara
19h20 – X-9 Paulistana
20h15 – Unidos de São Lucas
21h10 – Unidos de Vila Maria
22h10 – Nenê de Vila Matilde
23h05 – Unidos do Peruche
0h00 – Brinco da Marquesa
8 de janeiro de 2027 (sexta-feira)
20h30 – Imperatriz da Pauliceia
21h30 – Mancha Verde
22h30 – Primeira da Cidade Líder
9 de janeiro de 2027 (sábado)
17h30 – Dom Bosco de Itaquera
18h35 – Colorado do Brás
19h40 – Império de Casa Verde
20h45 – Mocidade Alegre
21h50 – Gaviões da Fiel
22h55 – Barroca Zona Sul
0h00 – Rosas de Ouro
10 de janeiro de 2027 (domingo)
17h30 – Águia de Ouro
18h35 – Acadêmicos do Tucuruvi
19h40 – Vai-Vai
20h45 – Independente Tricolor
21h45 – Camisa 12
15 de janeiro de 2027 (sexta-feira)
20h30 – Torcida Jovem
21h30 – X-9 Paulistana
22h30 – Imperador do Ipiranga
16 de janeiro de 2027 (sábado)
17h30 – Unidos de Vila Maria
18h30 – Independente Tricolor
19h40 – Mancha Verde
20h45 – Estrela do Terceiro Milênio
21h50 – Tom Maior
22h55 – Rosas de Ouro
0h00 – Camisa Verde e Branco
17 de janeiro de 2027 (domingo)
17h30 – Pérola Negra
18h35 – Acadêmicos do Tatuapé
19h40 – Dragões da Real
20h45 – Mocidade Unida da Mooca
21h50 – Morro da Casa Verde
22 de janeiro de 2027 (sexta-feira)
20h30 – Dom Bosco de Itaquera
21h30 – Vai-Vai
22h35 – Camisa Verde e Branco
23 de janeiro de 2027 (sábado)
17h30 – Águia de Ouro
18h35 – Acadêmicos do Tucuruvi
19h40 – Império de Casa Verde
20h45 – Mocidade Alegre
21h50 – Gaviões da Fiel
22h55 – Barroca Zona Sul
0h00 – Mocidade Unida da Mooca
24 de janeiro de 2027 (domingo)
17h30 – Colorado do Brás
18h35 – Acadêmicos do Tatuapé
19h40 – Dragões da Real
20h45 – Tom Maior
21h50 – Estrela do Terceiro Milênio
O domingo que começou com tempo aberto e viu a neblina consumir o céu do Jabaquara conforme a noite chegava reservou o lançamento de mais um samba-enredo do Grupo Especial de São Paulo. Na Arena Neguinha, o Barroca Zona Sul, terceira escola a desfilar na sexta-feira de Carnaval, revelou a obra composta por Thiago Meiners, Claudio Mattos, Sukata, Morganti, Fernando Negão, Daniel, Leonardo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, André Braga, Wilson Mineiro, Herval Neto, Daniel Rizzo e Tubino Valencio para o enredo “Elekô Obá Xirê – A Força da Mulher Que Não se Curva”, assinado por Pedro Alexandre, popularmente conhecido como Magoo. Sempre presente em datas importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO conversou com figuras importantes para o Barroca Zona Sul no evento de fundamental importância para o ciclo do desfile de 2027.
De 2017 para cá, a mesma parceria compõe os sambas-enredo do Barroca Zona Sul. Um dos integrantes mais conhecidos do grupo é Thiago Meiners (que, inclusive, foi chamado por Ewerton Sampaio, popularmente conhecido como Cebolinha, para falar à comunidade da escola). Ele destacou que a dinâmica de trabalho foi muito semelhante a dos últimos anos, que rendeu o Estrela do Carnaval (concedido e organizado pelo CARNAVALESCO) de melhor samba-enredo de 2025 para a agremiação: “Foi a mesma maneira de trabalhar que a parceria teve em relação aos últimos sambas. Não só na trilogia das mulheres de Xangô: de Tereza de Benguela em diante, é a mesma maneira de trabalhar. Todos os departamentos participam: bateria, Direção de Carnaval, Direção de Harmonia, intérprete, Direção Musical… todo mundo trabalha junto. Como eu falei nas outras vezes, a gente tem um estilo próprio que o Barroca gosta de desfilar, um estilo de samba que o Barroca já está acostumado. A gente sempre tenta manter essa linha (obviamente que não igual, não fazer sambas iguais, mas com as mesmas características) e não muda nada, é a mesma maneira de trabalhar sempre”, comentou.
Se a dinâmica foi semelhante, existem diversos pontos que separa a canção de 2027 das obras de 2026 e 2025, anos nos quais a escola fez uma trilogia sobre as mulheres de Xangô: “O enredo de Obá não é um enredo que foca só na orixá, como foi o enredo do ano passado; e não é um enredo que conta uma história, um itan, como foi o de Iansã. Ele tem uma diferenciação com relação aos outros enredos que puxa mais para esse lado social, o lado da mulher preta, da valorização. É uma mensagem para todas as mulheres se sentirem representadas pela força da orixá. E, sim, ele vai para esse lado. É um diferencial, porque muita gente falou que o Barroca vem com três enredos iguais, mas não é a mesma coisa: cada enredo tem a sua particularidade e a sua mensagem”, destacou o compositor.
Mais que integrante da parceria, Meiners também foi um confesso aprendiz sobre a temática a ser abordada pelo Barroca em 2027: “Num primeiro momento, o que mais me chamou atenção é a diferença dos enredos. A gente está falando de três orixás diferentes e é óbvio que tem algumas características parecidas na hora de você definir o conceito de cada orixá, mas são histórias diferentes, são momentos diferentes. A parte que mais mexeu com a gente foi falar da mulher preta, de exaltação à mulher preta. A gente também não conhecia muito sobre Obá, já tem alguns enredos que já citaram Iansã e Oxum em alguns momentos, e Obá não. Eu, particularmente, não conhecia praticamente nada sobre essa orixá. O Magoo é um cara que deixa a gente muito à vontade, dificilmente ele vai interferir e falar para não colocar algo porque não está no meu enredo: se ele acha que é uma ideia legal, que faz parte de todo o contexto, ele sempre dá um jeito de justificar e manter porque essa ideia é legal. Trabalhar com o Magoo é muito fácil, é um cara que é muito inteligente e em nenhum momento ele podou a gente em nenhum sentido”, comentou, elogiando o carnavalesco da agremiação.
Do papel à prática
Outro dos compositores ouvido pelo CARNAVALESCO foi Fernando Negão, que também é mestre da “Tudo Nosso”, bateria verde e rosa. O ritmista-mor destacou que o processo tem, ao menos, duas etapas bem definidas: “A gente divide toda essa dinâmica. O Thiago é um dos outros compositores. Ele já manda o esqueleto do samba e a gente vai adaptando do jeito que a escola gosta, do jeito que a bateria se encaixa. Todo mundo vai se organizando e se adaptando ao samba”, explicou.
Já antecipando a manutenção de um instrumento na Tudo Nosso, Negão elogiou a identificação de Meiners com o Barroca: “A divisão rítmica não é difícil, porque o Thiago já entendeu mais ou menos a linhagem da escola. Ele procura sempre adaptar o samba à linha que nossa bateria tem. A gente está trabalhando bastante aqui os tambores. Um naipe que a gente já colocou no último ano, e decidimos continuar por conta do tema afro e religioso. Daremos bastante atenção neles e eles vão fazer a diferença na bateria”, prometeu.
Escola unida
Outros nomes importantes da agremiação também, de alguma maneira, colaboram com a composição. Magoo, por exemplo, prefere focar na adequação da obra ao que será exibido no Anhembi: “Esse é o quarto ano que estou trabalhando com a escola e a gente tem um entrosamento com essa parceria. Fazem o samba e a gente tem uma Comissão de Carnaval; o presidente, o vice, os diretores de carnaval. Daí, damos a nossa opinião do que achamos melhor aqui, muda ali e tal. A gente vai mexendo no samba até chegar na versão que vai para a avenida. Os diretores de carnaval, o presidente, o vice-presidente, o mestre de bateria que faz e participa bastante. Eu vou mais na parte de enredo: isso está fora do enredo; isto está dentro. É um entrosamento muito bom e que está dando certo”, comemorou.
Já Angélica Barbosa, integrante da Comissão de Carnaval da escola, retomou o começo do trabalho para explicar o trabalho que coube aos integrantes de tal grupo: “Cada um dá uma opinião dentro de uma temática e aí começamos a ver e analisar o que seria melhor para nossa comunidade. A gente sempre faz essa troca de ideias. Só que esse ano, especificamente, nós já tínhamos esse enredo na proposta, porque a ideia seria falar de Iansã, de Oxum e depois de Obá. Já sabíamos que era Obá, só que a gente não sabia ainda qual seria a linha de pensamento que a gente ia trabalhar. Nessa construção que a gente faria de Obá, cada um deu a sua opinião, e esse ano foi dessa forma”, disse.
Cebolinha, por sua vez, não escondeu que dialogou bastante com o compositor sobre a obra: “A gente tem uma parceria muito forte com essa parceria, principalmente com o Thiago Meiners. A gente passa umas madrugadas trocando um papo, viu? Eu dou umas opiniões, a gente coloca impressões… acerta a letra aqui, acerta ali, muda o tom aqui e ali. E o Thiago é um cara muito prestativo: toda hora está mexendo, muitas vezes eu peço algo e ele fala para deixar com ele. Ele é o pilar da questão do samba-enredo, mas nós dois trocamos várias informações”, confessou.
Felicidade estampada
Responsáveis por interpretar o samba-enredo do Barroca pelo segundo ano consecutivo, Dodô Ananias e Rafael Tinguinha não escondiam o alto grau de satisfação com a obra.
O primeiro citado no parágrafo anterior iniciou: “O samba e as encomendas do Barroca já são feitas pelo Thiago Meiners, em parceria, há muito tempo. Vêm praticamente pronto. A gente muda uma coisinha ou outra, que são pequenos detalhes para voz, pensando no povo. A gente alinha o samba pensando no julgamento. Hoje, em São Paulo, a gente tem um julgamento um pouco mais burocrático do que em outras praças. A gente ajusta o samba pensando no julgamento, em não sermos despontuados. Mas é ‘sambaço’ atrás de ‘sambaço’. A parceria é muito boa, e a sintonia deles com a escola é gigante, comprovada com o passar dos anos e a quantidade de sambas que já têm e são bem comentados. Acho que a gente tem mais um grande samba para o Carnaval com um potencial muito grande. A gente vai trabalhar bastante!”, prometeu.
Fotos: Will Ferreira e Pedro Ribeiro/CARNAVALESCO
Tinguinha foi pela mesma linha: “Essa é a receita que o Thiago traz para a gente! Porque a gente não espera um samba ruim, sempre esperamos bons sambas do Thiago, que é um grande compositor. Quando vem para a gente, vem praticamente pronto. Como o Dodô falou, a gente só dá aquele pitaco de tom. Vamos abaixar, vamos aumentar o tom, vamos mexer uma notinha aqui, uma notinha ali, ficar confortável aqui para cantar daquele jeito aqui ou ali: vamos ajustando. Tudo em prol da comunidade e da nossa escola”, refletiu.
Preferências
Cada um dos ouvidos pela reportagem do CARNAVALESCO elencou partes favoritas da canção que foi executada pela primeira vez neste domingo. Como compositor, Meiners deu uma informação bastante interessante sobre a obra: “Minha parte favorita é o refrão de cabeça. Foi a primeira coisa que ficou pronta de fato, que a gente falou que não poderia mudar. Mexemos no resto e não mexemos no refrão de cabeça. Fizemos a adaptação de tom, adequamos ao regulamento… mas o que a gente em nenhum momento cogitou mexer foi no refrão de cabeça pela mensagem que ele traz. É um refrão que, diferentemente do samba do ano passado, é em tom maior, que o povo gosta mais de cantar. É um samba que mescla momentos mais densos, como o de Oxum, mas também momentos mais abertos, mais explosivos, como o samba de Iansã. Esse samba é uma mescla dos dois”, refletiu.
Sempre sucinto, Negão elencou outro trecho: “A parte que eu mais gosto do samba é o refrão do meio. Acho que é tem bastante balanço”, comentou.
Magoo destacou o quanto a obra está em sintonia com a orixá: “Eu gosto bastante do refrão, mas a segunda parte do samba me pega bastante. A segunda do samba é uma coisa bem para frente e bem para cima, que no final já puxa para o refrão. É uma coisa bem guerreira. Obá é guerreira! Vem aquela coisa bem forte. A gente fez um ensaio aqui na sexta-feira de canto com a comunidade e apenas mulheres da escola. O samba fluiu bem e deixou a gente empolgado”, comemorou.
O presidente do Barroca foi outro que ficou empolgado com a potência da música: “Minha parte favorita é a do refrão de cabeça. Deixa acontecer, o mundo inteiro do samba vai entender. Tem uma parte num ponto que vocês vão entender, que também já é característica da escola. A gente fez dois ensaios específicos aqui com a bateria e com a Ala Musical que deu um gás que até me surpreendeu”, disse. Vale destacar que Cebolinha, nas entrelinhas, citou os falsos refrões que os sambas-enredo de 2025 e 2026 também tinham. A diferença é que os dos anos anteriores tinham falsos refrões de dois versos, enquanto o de 2027 tem dois versos logo após o refrão de cabeça que se repetem antes de iniciar a primeira estrofe de fato.
Tinguinha valorizou não apenas a voz, como também a expressão corporal para elencar o verso predileto: “Essa parte do ‘obayê’ é a minha favorita. A gente abre os braços e canta a plenos pulmões. Eu acho que essa parte emociona demais”, disse.
Dodô concordou com o parceiro de carro de som, mas abriu também para outro trecho: “Eu tenho duas! A cabeça do samba ‘das folhas de palmeira, vem cantar para a mãe Obá’ e a parte ‘Obayê, revolução em forma de mulher’”, citou.
Por fim, Angélica falou sobre o espírito da agremiação, sem necessariamente citar uma parte da canção: “O que eu mais gostei foi valorizar essa parte da Obá guerreira. Porque conta a história de Obá desde da sua origem. Não só da parte que ela se tornou orixá, mas da parte da luta, da trajetória dela até se tornar orixá. Acho que essa parte de falar de como ela foi guerreira, persistente e uma mulher de luta, isso se compara com a nossa comunidade; isso faz a gente ter esse pertencimento maior com o enredo”, finalizou.
A noite fria do domingo paulistano não afastou a comunidade do Águia de Ouro da festa julina da escola, realizada na sede da agremiação, localizada na Av. Presidente Castelo Branco. Com um clima extremamente agradável, aparentemente a comunidade da Pompeia e todos os seus segmentos deixaram de lado o resultado do último carnaval e estão fortemente empenhados na busca pela volta ao Grupo Especial. Dentro da festança, a agremiação aproveitou para iniciar o seu trabalho junto à comunidade. Fato é que um discurso dentro da escola é unânime: voltar à elite do carnaval paulistano.
Primeiramente, as fantasias foram reveladas em um conjunto executado pelo carnavalesco estreante Leandro Barboza e, após, veio o momento aguardado. O samba-enredo, totalmente nordestino, foi anunciado nas vozes dos intermináveis Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto. De primeira, houve uma grande aprovação da comunidade, com destaque para a “Batucada da Pompeia”, liderada por mestre Moleza, que já mostrou total entrosamento com a obra.
Nos últimos anos, a agremiação realizou eliminatórias internas, mas, desta vez, optou por encomendar o samba-enredo. A parceria que compôs a trilha sonora que irá embalar a comunidade azul, dourada e branca foi supercampeã no Carnaval 2026: Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Lucas Donato, Marcos Vinicius, Chico Maia, Gui Cruz, Fábio Gonçalves, Salgado Luz, Leandro Flecha, Wagner Forte e Cabide.
“A escola deu total liberdade para a gente poder fazer uma coisa dançante, festiva, e eu acho que a gente acertou. O Águia de Ouro tem um grande samba”, disse Aquiles da Vila ao CARNAVALESCO.
“Concordo. Agradecer também à escola, que deu a oportunidade para a gente fazer o samba por encomenda. No passado, a gente venceu a disputa, e este ano, no Acesso, a gente ficou responsável por fazer o samba junto com a ala musical. É importante falar que a ala musical participou bastante. O samba é alegre, é popular, é regional, tem musicalidade e é para cima, como tem que ser o desfile do Acesso”, declarou Biel.
Componentes felizes, e eles são o termômetro
Contente neste domingo, o presidente Sidnei Carrioulo celebrou a qualidade da obra e das fantasias apresentadas. De acordo com o gestor, a reação da comunidade foi positiva, e essa é a base dele para acreditar.
“Eu estou feliz, porque a plástica das fantasias ficou muito legal. O samba também empurra a escola para a frente, que exige da gente. E, para mim, o mais importante é a reação dos componentes. Eles são o meu termômetro. Estão felizes tanto com as fantasias quanto com o samba. Isso nos dá tranquilidade e faz a gente acreditar em um bom desfile”.
Como citado, o Águia de Ouro, nos últimos anos, escolhia os seus sambas-enredo por meio de eliminatórias internas. Agora, para o Carnaval 2027, encomendou a obra à renomada parceria encabeçada por Aquiles da Vila, que vem sendo campeã em várias agremiações. O mandatário revelou que queria uma música com as características da escola.
“A verdade é que samba não tem mistério: ou você acerta, ou não acerta. Quando não acerta, às vezes é melhor fazer outro do que ficar tentando consertar. A gente também tem uma preocupação muito grande de fazer um samba que tenha a cara da escola. Não adianta ser um samba bonito se, quando você ouve, parece que é de outra escola. Por isso, a gente trabalha bastante em cima dele, até que fique com a nossa identidade”.
Samba com intuito popular e grandioso trabalho do carnavalesco
Rogério Figueira, o Tigues, contou que a ideia foi fazer um samba popular para a escola cantar forte, algo que já é tradição na Pompeia. O diretor também revelou que o Águia de Ouro deu liberdade aos compositores, mas fez algumas ponderações para adequar a letra aos critérios de julgamento.
“É um samba muito fácil de cantar. Acho que isso era importante, principalmente pela comunidade que a gente tem aqui, que canta demais. A ideia foi fazer um samba popular, com uma linguagem simples, palavras acessíveis e de fácil assimilação. Tenho certeza de que será um samba que vai acontecer bastante na Avenida. Os compositores tiveram total liberdade para trabalhar. Claro que a gente sempre faz algumas observações e dá opiniões pensando no interesse da escola e nos critérios de julgamento, para evitar qualquer problema mais à frente. Depois que o samba ficou pronto, conversamos bastante sobre alguns detalhes, mas, por ser uma encomenda, eles acertaram logo na primeira versão”.
Tigues, que trabalha com Leandro há muito tempo, rasgou elogios ao trabalho feito pelo carnavalesco.
“Nós somos fãs do trabalho do Leandro. Ele trouxe uma temática nordestina com uma abordagem diferente, mais luxuosa, com fantasias volumosas e de grande impacto visual. Temos certeza de que estamos no caminho certo. Se Deus quiser, esse trabalho vai nos colocar de volta no Grupo Especial, que é o lugar onde o Águia de Ouro sempre merece estar”.
Responsabilidade e gratidão dos compositores
Aquiles da Vila falou da responsabilidade que é fazer um samba encomendado, ainda mais no Águia de Ouro, onde vários setores participam da criação.
“Acho que a responsabilidade é maior, porque, quando você vai para uma disputa de quadra, seja de CD ou qualquer disputa de samba, você faz aquilo em que realmente acredita e se reúne com a sua parceria. Agora, quando é uma encomenda, especialmente aqui no Águia de Ouro, fazendo meio que a quatro mãos, o carnavalesco, a escola, a ala musical e o mestre de bateria participam. É uma responsabilidade absurda. É um processo diferente. Tudo tem uma certa responsabilidade, mas esse lance da encomenda, especialmente aqui no Águia de Ouro, é bem específico”.
Biel, outro membro da parceria, detalhou como foram as reuniões e disse que espera que o resultado agrade a todo o povo do samba e à comunidade da Pompeia.
“A gente se encontrou, acredito, três vezes para finalizar tudo: todos os compositores, a ala musical e o mestre de bateria. Teve uma explanação do carnavalesco e do enredista também, desenvolvendo o enredo para a gente, falando da montagem e do roteiro de desfile da escola. E a gente foi seguindo as orientações deles, mas colocando as nossas características como compositores também. Acho que o resultado ficou satisfatório e vai agradar, acredito, não só à escola, mas ao povo do carnaval em geral”.
Questionados sobre as partes favoritas do samba, os dois concordaram que o refrão de cabeça vai fazer o público dançar.
“Tem os trechos alegres que eu gosto, tem os trechos de reflexão que eu curto. Mas eu acho que, no fim, o que vai fazer o povo dançar mesmo é o refrão de cabeça. Acho que é ali o grande mote da festança”.
“É isso. Também, para mim, é o refrão principal. ‘Isso aqui tá muito bom, tá bom demais’. É o que vai pegar”, finalizou Biel.
Samba de qualidade: facilidade de criar bossas
O regente da “Batucada da Pompeia”, mestre Moleza, contou que contribuiu para o samba durante algumas audições. De acordo com ele, dentro de um clima leve, todos saíram satisfeitos com o resultado.
“Participei por meio de algumas audições. Eles iam apresentando as ideias, sempre em um clima bem descontraído e leve, que os compositores proporcionaram junto com a escola. A gente ficou muito animado desde o primeiro encontro. A melodia é empolgante e as ideias começaram a surgir naturalmente. Estamos muito felizes”.
De acordo com o mestre, as bossas estavam sendo ensaiadas mesmo sem os ritmistas conhecerem o samba. Ele optou por uma forma diferente de trabalhar desta vez.
“A gente sempre procura trazer desafios para os ritmistas, tirando-os da famosa zona de conforto. Mesmo sem eles conhecerem o samba, já estavam participando do processo. Foi um trabalho bem fechado. Em outros anos, o samba vazava cedo. Desta vez, ele já estava pronto havia mais de um mês e só vazou há poucos dias. Nós já levamos essas ideias para os ensaios por meio de contagens, sem que eles soubessem o samba. O objetivo era justamente criar esse desafio. Hoje foi uma surpresa para causar impacto em quem estava assistindo e também para que eles percebessem que eram capazes de executar tudo aquilo”.
Logo no lançamento, a “Batucada da Pompeia” soltou três bossas de cara. Isso mostra o grau de preparação e o alto nível da bateria. O arranjo do baião nos últimos versos do samba foi o destaque.
“Quando você ensaia primeiro sem o samba, trabalha no grau máximo de dificuldade. Depois, quando coloca a melodia, tudo fica mais fácil. No processo inverso, muitas vezes o músico associa o arranjo apenas àquela palavra ou àquela melodia. Ensaiando antes, ele consegue executar de forma muito mais natural. Então, a gente sai feliz com o resultado. A bateria está feliz, e isso é importantíssimo. Começar um trabalho com todo mundo animado, querendo cantar e fazer acontecer, faz toda a diferença. Agora é trabalhar até o Carnaval”.
Elogiando a obra, Moleza disse que a bateria deve apenas acompanhá-la. “Não é aquele samba em que a orquestra tem que fazer algo diferente para fazê-lo crescer. Esse samba nos proporcionou muitas ideias rapidamente. Existem sambas em que a gente precisa criar uma bossa para levantar a obra. Neste caso, é diferente: a bossa precisa acompanhar o samba, porque ele já traz naturalmente uma intenção de arranjo. Há sambas mais desafiadores, em que você fica pensando no que fazer. Neste, a bateria vai tocar respeitando a melodia e incorporando ritmos nordestinos, mas com uma roupagem mais moderna. Esse é o desafio da nossa diretoria de bateria. Xote e baião já foram utilizados por outras escolas, mas queremos apresentar tudo isso com a nossa identidade, com a nossa característica e com uma proposta bem musical”.
Promessa de um carnaval de Grupo Especial
O estreante carnavalesco Leandro Barboza comentou que o Águia de Ouro irá para a Avenida com um desfile de Grupo Especial. Esse é o maior desejo, principalmente da diretoria, que vem dando todo o suporte, mesmo com a verba menor do Grupo de Acesso.
“O nível da escola me surpreendeu. O presidente e a diretora de carnaval, Jacqueline, me proporcionaram um nível muito alto de fantasias. Desde a primeira conversa, eles disseram que fariam um carnaval de Grupo Especial, e estão cumprindo o que prometeram. Hoje já estou reproduzindo as fantasias e o nível não caiu. Isso nos dá a garantia de que o Águia de Ouro vai colocar na Avenida exatamente o que estamos apresentando aqui. É um desfile no Grupo de Acesso, onde a verba é sempre menor. Mesmo assim, a diretoria prometeu manter o mesmo nível de grandiosidade do Águia de Ouro”.
Segundo o artista, o presidente está empolgado e quer muito um carnaval grandioso, dando todo o suporte de trabalho. “A primeira palavra do presidente foi: ‘Leandro, quero um carnaval de Grupo Especial’. É isso que estamos fazendo. Claro, com os pés no chão, mas desenvolvendo um projeto de nível especial, com muito trabalho e dedicação. Estamos correndo atrás de materiais para viabilizar tudo, e o presidente está mantendo aquilo que prometeu lá no começo”.
De acordo com Leandro, o samba casou perfeitamente com o que ele preparou para os pilotos apresentados na última noite. É exatamente o que acontecerá na Avenida, o que deixou o carnavalesco muito feliz.
“Para ficar tudo melhor, o samba completa perfeitamente esse enredo. A gente participou junto com os compositores, tivemos algumas reuniões e é uma obra completa. O que você está escutando, você vai estar vendo na Avenida. Isso é muito importante, porque deixa a escola com a confiança de estar trabalhando todos os quesitos de forma correta”.
Confiantes para o desfile
Extremamente confiante, a nova porta-bandeira oficial, Nathalia Guimarães, cravou que este será o hino da volta da Pompeia à elite do carnaval paulistano.
“É um samba que vai marcar o retorno do Águia de Ouro ao Grupo Especial. Na minha opinião, é o melhor samba da escola que eu já ouvi. Gostei muito. É um samba alegre, contagiante e com uma energia enorme. Acho que é exatamente dessa alegria que a nossa comunidade precisa para entrar forte na Avenida e voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído”.
Com uma análise entre razão e emoção, o mestre-sala Alex Malbec disse: “É um grande samba. Eu trabalho com música e sou apaixonado por isso. Desde a primeira vez que o ouvi, ele me conquistou em todos os os sentidos: pela letra, pela melodia e pelas intenções musicais. Acredito que esse samba vai nos favorecer muito. Ele traz leveza, permite um desfile mais solto e cria oportunidades para interagir mais com o público. Além de ser um samba de excelência, também renova o ambiente dentro da escola. Estamos no Grupo de Acesso apenas de passagem, e acredito que esse samba será um dos principais elementos para nos ajudar a voltar ao nosso lugar, que é o Grupo Especial”.
Dupla de cantores contente com a obra
O intérprete Serginho do Porto elogiou o samba, principalmente a sua melodia. O cantor, que é extremamente identificado com a comunidade da Pompeia, está empolgado com a volta ao Grupo Especial.
“É um samba que não cai e não cansa. Essa foi a ideia dos compositores. Eles formaram essa grande obra para que a gente desfile no Carnaval de 2027. É um samba leve, é um samba chiclete, em que os dois refrãos todo mundo vai cantar. Então, isso, para o desfile de uma escola de samba, é excelente. A gente já tem 80% de um desfile maravilhoso, que é o nosso samba-enredo”.
Douglinhas Aguiar revelou que, dentro da obra, participou apenas de ajustes de melodia, mas a letra ficou exclusivamente com a parceria de compositores.
“A gente não participou diretamente da composição. Eles trouxeram para nós o samba já pronto. A única coisa que a gente fez foi dar aquela remodelada, ajustes normais, junto com eles. E aí acaba chegando a esse resultado final maravilhoso”.
O mestre Moleza soltou várias bossas na apresentação, e isso não foi combinado com a ala musical. Porém, todo o trabalho da Batucada da Pompeia foi elogiado por Serginho do Porto.
“Surpreendeu a gente. Mas foi até legal, porque é o primeiro dia, para a gente ver tudo isso que tem, poder sentir e ajeitar dentro do samba, do jeito que a gente vai cantar. Quando nós fomos gravar o clipe, a energia com essa bateria tocando foi uma loucura. Acho que umas coisinhas a gente vai enxugar, botar no lugar, e vai ficar maravilhoso”.
A esperança de Douglinhas Aguiar é a volta ao Grupo Especial e ver a comunidade cantando forte o samba-enredo. “É porque hoje está todo mundo dizendo: ‘Tem um bom samba, as fantasias são bonitas’. Agora, a gente vai pedir aos deuses do carnaval que, no domingo de carnaval, concedam a nossa volta ao Grupo Especial. Só eles podem conceder isso. E a nossa comunidade também. Todo mundo cantando, com o samba na ponta da língua”.
O mini Círio de Nossa Senhora de Nazaré reuniu a família do samba em uma celebração marcada pela fé e pela preservação de um legado que atravessa gerações. Na tarde do último sábado, a quadra da Imperatriz Leopoldinense recebeu centenas de devotos para um dos momentos mais emocionantes, reafirmando uma devoção iniciada por Luizinho Drumond e mantida como um dos pilares da verde, branca e dourada, dirigida hoje pela presidente Cátia Drumond.
A procissão percorreu o caminho até a quadra conduzindo a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, acompanhada pela presidente Cátia Drumond, pelo vice-presidente João Drumond, pelo cardeal Dom Orani Tempesta e por inúmeros fiéis. Em seguida, a celebração transformou-se em uma missa repleta de orações, cânticos, homenagens e bênçãos, encerrada com a coroação de Nossa Senhora de Nazaré e a bênção aos 12 pavilhões das escolas do Grupo Especial, representados pelos respectivos casais de mestre-sala e porta-bandeira.
A ligação da Imperatriz com Nossa Senhora de Nazaré vai além da religiosidade. A devoção sempre fez parte da identidade da escola e ganhou a Avenida em diferentes momentos da história, como no desfile de 2013, eternizando o carinho pela maior manifestação religiosa do Pará. Emocionada, Cátia Drumond relembrou ao CARNAVALESCO a origem dessa tradição dentro da própria família e destacou o compromisso de manter viva a devoção herdada de Luizinho Drumond.
“É muita emoção falar sobre isso. Eu fui criada pelo meu pai, que sempre foi um homem de muita fé e profundamente devoto de Nossa Senhora de Nazaré. Desde pequena acompanho essa devoção e também vivi momentos inesquecíveis em Belém do Pará. No ano passado, consegui levar meus filhos para conhecerem de perto o Círio, e eles puderam ver a maior festa de fé do mundo, um lugar onde todas as pessoas estão reunidas apenas para agradecer. Hoje, eu peço que Nossa Senhora continue nos abençoando, proteja todas as escolas de samba, especialmente as do Grupo Especial, para que cada pavilhão faça um grande carnaval, mas, acima de tudo, que essa devoção nunca deixe de existir dentro da Imperatriz”, declarou.
A emoção também tomou conta de João Drumond. Ao recordar o avô, o vice-presidente precisou interromper as palavras algumas vezes para conter as lágrimas ao falar da herança espiritual deixada para toda a família.
“Eu fui testemunha do amor que meu avô tinha por Nossa Senhora de Nazaré. As finais de samba da Imperatriz sempre aconteciam depois do Círio porque, acontecesse o que acontecesse, naquele fim de semana ele estaria em Belém. Neste mês, completaram-se seis anos da partida dele, e é impossível não lembrar desse legado que deixou para todos nós. Sou muito grato por poder dar continuidade a essa tradição, agradeço à minha mãe por conduzir nossa família com tanto carinho e peço que Nossa Senhora continue intercedendo por nós, dando força e caminhando sempre à nossa frente”, comentou, visivelmente emocionado.
O clima de devoção também foi destacado pelo intérprete oficial Pitty de Menezes, que definiu a celebração como um reencontro entre a fé e o carnaval.
“A Imperatriz sempre foi uma escola muito religiosa. Já levou Nossa Senhora de Nazaré para a Avenida e mantém essa devoção viva até hoje. Luizinho Drumond era um grande devoto, a presidente Cátia também é, e eu compartilho dessa fé. Poder viver esse momento dentro da nossa quadra, com a imagem de Nossa Senhora presente, representa amor, gratidão e esperança. Hoje foi um dia de agradecer por todas as bênçãos recebidas, pela saúde, pela proteção da escola e de todos nós. Também foi um reencontro do carnaval, porque várias escolas trouxeram seus pavilhões para celebrar juntas uma única fé. É um momento que vai permanecer para sempre na memória de todo imperiano”, afirmou.
Quem também viveu um momento especial foi o novo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Miranda e Bruna Santos, que fará a estreia defendendo o pavilhão da Imperatriz no Carnaval 2027. Para ambos, a celebração reforçou o sentimento de pertencimento logo nos primeiros passos dentro da escola.
“Desde que chegamos à Imperatriz, percebemos que encontramos uma família movida pela fé. Isso me trouxe tranquilidade e felicidade, porque também sou uma pessoa muito religiosa. Hoje me emocionei durante toda a celebração. Foi uma missa linda, um Círio muito especial, e é emocionante fazer parte de uma escola que cultiva essa devoção com tanto carinho”, disse Bruna Santos.
Matheus Miranda reforçou que esse acolhimento já faz parte da identidade construída pela escola. “Faço das palavras da Bruna as minhas. A Imperatriz realmente é uma família. Desde que chegamos, sentimos o cuidado, o acolhimento, o respeito pela fé e pelas pessoas. Tudo isso fortalece ainda mais a nossa caminhada e nos faz sentir que estamos sendo constantemente abençoados. É um sentimento muito especial fazer parte dessa história”, concluiu.
Muito além de uma cerimônia religiosa, o mini Círio reafirmou aquilo que a Imperatriz Leopoldinense preserva há décadas: a certeza de que o carnaval também é feito de devoção e gratidão. Em cada oração, em cada pavilhão abençoado e em cada olhar emocionado, a escola renovou um compromisso que nasceu com Luizinho Drumond e continua vivo na família gresilense. Enquanto o samba prepara mais um desfile para a Marquês de Sapucaí, a fé permanece conduzindo os passos de uma comunidade que faz de Nossa Senhora de Nazaré um dos maiores símbolos de sua história.
Em Assembleia Geral realizada na manhã deste domingo, em sua quadra, em Madureira, o Império Serrano elegeu Paula Maria como sua nova presidente para o triênio 2026-2029. Candidata única, ela encabeçou a chapa “Avisa aos navegantes que o Império vem aí”, que tem o cantor Jorginho do Império como presidente de honra. Aclamada pelos associados, Paula Maria terá a missão de conduzir o Reizinho de Madureira na busca pelo retorno ao Grupo Especial. Ao seu lado, estarão Leonardo Silva, como vice-presidente de Carnaval; Alexandre Lima, como vice-presidente financeiro; Ana Santos, como vice-presidente social; e Paulo Dias, vice-presidente cultural.
Em seu discurso de posse, a nova presidente defendeu a união da comunidade imperiana e destacou que o momento é de somar forças em torno de um único objetivo: recolocar o Império Serrano no lugar de destaque que sua história merece.
“O Império Serrano sempre foi grande pela força da sua comunidade. Agora é hora de deixarmos as diferenças de lado, caminharmos juntos e trabalharmos pelo mesmo sonho. Vamos construir um grande Carnaval, lutar pelo título da Série Ouro e devolver o Império ao Grupo Especial, que é o seu lugar. Já temos um enredo que representa essa vontade de fazer diferente e, em breve, vamos apresentá-lo para toda a nossa comunidade”, disse Paula.
Emocionado, Jorginho do Império também destacou a importância da união para o futuro da escola. O novo presidente de honra afirmou que há muito tempo não via a quadra tão cheia em uma Assembleia Geral e classificou o momento como um sinal da força da comunidade imperiana.
“Hoje eu vi o Império Serrano que aprendi a amar. Ver essa quadra cheia de imperianos mostra que ainda existe esperança e vontade de fazer a nossa escola voltar a vencer. O Império só será forte se estivermos unidos. Tenho certeza de que, com essa diretoria e com a participação da comunidade, vamos escrever um novo capítulo da nossa história”, destacou Jorginho.
Em 2027, o Império Serrano será a sexta escola a desfilar no sábado, 6 de fevereiro, pela Série Ouro, na Marquês de Sapucaí.
Retornando ao Anhembi, a Unidos de Santa Bárbara anunciou o samba-enredo para o Carnaval 2027. Vice-campeã do Grupo Especial de Bairros da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP) em 2026, a agremiação terá como enredo “Laroyê Pombo Gira! Salve a Força da Mulher”, assinado pelo carnavalesco Jair Souza. A canção será cantada pela dupla de intérpretes da agremiação, Elci Souza e Jorginho Soares. O intérprete também é um dos autores da obra, juntamente com André Ricardo e Edivaldo Gonçalves.
A agremiação do Itaim Paulista abrirá os desfiles do Grupo de Acesso II, no dia 30 de janeiro. A Unidos de Santa Bárbara, por sinal, será a primeira a desfilar no Anhembi de maneira oficial no ano de 2027. O ano marcará, também, o retorno da escola ao Anhembi, onde não desfilava desde 2023 – quando, com o desfile de “Kosi Ewe – Salve as Folhas. Sem folhas não tem orixás”, ficou na décima primeira colocação.
A Tom Maior, escola do Grupo Especial de São Paulo, lançou o samba-enredo para o Carnaval 2027 nas redes sociais da agremiação. Com o enredo “Eu Sou o Pão da Vida”, assinado por Flávio Campello, a obra tem composição de Turko, Rafa do Cavaco, Silas Augusto, Zé Paulo Sierra, Fabio Souza e Claudio Russo. A vermelho e amarelo da Zona Oeste será a quarta escola a desfilar no sábado de Carnaval (06 de fevereiro). Confira a canção no Youtube e no Instagram da Tom Maior: