Início Site Página 2

Beija-Flor 2027: leia a sinopse do enredo

Enredo – Zeneida: O Sopro do Pó de Louro

beijaflor logo 27

“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e toda a sua falange.”

Ao soprar o pó de louro, eu abro caminhos. Quando cada partícula da folha alcança a brisa do vento, ela limpa o que pesa, afasta o negativo e evoca a abundância. Trago comigo esse ensinamento antigo, que fortalece meu espírito, clareia meus pensamentos e guia meus passos e, portanto, passo adiante para quem um dia possa precisar. A natureza sempre oferece a mão para quem recorre a ela.

Sabe, moço, gosto de pensar que nenhuma folha cai da árvore sem que exista um motivo, sem que o invisível permita. E toda a minha vida foi assim. Hoje, consigo compreender que tudo teve uma razão e um porquê, dos momentos mais difíceis aos mais felizes da minha vida, e acredito nisso porque sinto que sempre fui guiada e protegida pelas forças da floresta, pelas energias dos meus caruanas e, entre eles, um que ocupa um lugar especial no meu coração: o caruana Beija-Flor, a força que reserva o cuidado a todos os que vêm destinados a ser pajé.

É verdade que ele me acompanha desde meu nascimento, mas vai fazer quase trinta anos de uma data que jamais saiu da minha cabeça. Ela mora no mais nobre espaço da minha memória. Sob suas asas, o Beija-Flor me levou a conhecer o seu maravilhoso e soberano ninho, que estava tão distante de mim no corpo, mas tão próximo no espírito. Lá, diante das voltas perfeitas do Girador, ser criador, compreendi os desígnios da lua, equilibrei os três reinos da terra – vegetal, animal e mineral – e participei do renascimento de uma nação inteira. Mas o que eu ainda não sabia, moço, é que naquele instante não era apenas uma comunidade que se transformava. Era eu também. Dali em diante, todos compreenderam e vivenciaram a abertura de um portal para um novo mundo: o mundo místico dos Caruanas, morada dos seres encantados que me guiam, dançam ao meu redor e alimentam a força que me mantém de pé, a coragem que me atravessa e a certeza que reafirmo todos os dias com orgulho: eu sou Zeneida Lima, a última pajé do Marajó do povo Sakaka.

É engraçado lembrar, sabe, moço, que, quando eu era gitinha, me chamavam de Pajerama, aquela que vem pra ser pajé. Eu não entendia muito bem o que isso queria dizer, mas entendia que vim ao mundo de maneira singular. Muito antes de eu abrir os olhos para a vida, meus ancestrais já trilhavam caminhos de luta, coragem e protagonismo. Eu nasci de uma linhagem de gente que aprendeu a permanecer.

Pelo lado de papai, corre em meu sangue a bravura de Maria Mineira Naê, a Agotime do clã de Daomé, mulher de força imensa, cuja história de resistência atravessa o tempo e ainda hoje me ensina a não baixar a cabeça diante da vida. Mas foi pela parte materna que me ocorreu o saber profundo das ervas, dos rios, da floresta e dos encantados. Meu avô, pajé conhecedor dos segredos da floresta, de um povo originário da Ilha do Marajó, me deixou de herança o entendimento das coisas da terra. Minha existência, portanto, se dá a partir dessa confluência de mundos, onde a ancestralidade é presença viva que me guia e me sustenta.

Tem coisa que a gente escolhe pra vida, mas tem coisa que a vida escolhe pra gente. Tem coisa que é um encontro agendado pela ancestralidade. E, portanto, moço, tem alguma maneira de fugir daquilo que já está traçado? Não tem.

Meu chamado começou antes mesmo de eu chegar aqui. Meu choro ecoava ainda no ventre de minha mãe, como se minha voz já conhecesse os mistérios que me aguardavam. Borboletas azuis rondavam seu ventre como um prenúncio de que a natureza já me esperava. Já enxames me cercavam como guardiões de um chamado impossível de negar. Eu sou a continuidade de um saber antigo que vive, respira e se manifesta através de mim. Entre o medo e o encantamento, fui sendo moldada pelas águas que me escolheram, compreendendo, aos poucos, que minha existência era ponte entre mundos. Assim, ainda menina, reconheci minha missão como parte do caminho que me foi traçado.

Levada, como a correnteza de um igarapé, nasci em Soure, no coração do Marajó, onde a água conversa com a terra e o céu parece repousar sobre os rios. Demorou algumas luas até que o ultimato se revelasse. Há chamados que não surgem de uma vez, eles vêm chegando devagar, como a brisa que atravessa a mata e sussurra sem ruído. Mas devagar também se chega, moço, e meu chamado chegou.

Um dia senti meu corpo enfraquecer de repente. Uma ventania me atravessou por dentro, como se o mundo espiritual tivesse decidido me tocar de uma só vez. O ar se tornou pesado, o tempo pareceu suspenso e, então, mundiada, eu os vi: três seres de pele azul incandescente surgiram diante de mim. Tinham forma humana, mas não pertenciam a este mundo. Eles tinham cara de peixe, só vendo.

Quando recusei o que me ofereciam, fui castigada e, por dezessete dias, desapareci. Ao retornar, envolta de galhos e cipós, o que mais espantava a todos era o meu corpo todo marcado. Mais pra frente fui entender que aquilo era a flecha de Anhanga sobre mim. Anhanga é força antiga. É ele quem protege a natureza e pune aqueles que desrespeitam seus mistérios. Ao mesmo tempo em que guarda, também castiga. E o meu castigo tinha motivo: ainda não havia iniciado a missão que me trouxe pra esse mundo. Eu ainda não estava assentada pajé. Anhanga me cobrou. Me chamou pela dor para que eu compreendesse quem eu era.

Não podendo fugir daquilo que já estava traçado, foi Mestre Mundico quem me ensinou os fundamentos da pajelança. O mistério da encantaria só é passado de pajé para pajé. Com ele, aprendi a traduzir o que a natureza fala, aprendi a escutar o vento e a decifrar o silêncio da mata. Passei a interpretar o banzeiro, o balé das marés e a influência da lua, entendi o segredo de todas as folhas e compreendi o que a jandaia canta no alto da palmeira, bem como o que o sabiá tem a dizer com seu gorjeio. Foi Mundico quem trouxe meus ancestrais indígenas para ensinar os segredos da cura a partir das folhas e explicar toda a abundância que a natureza tem, que muitas vezes passa despercebida pelo entendimento do homem.

Nesta jornada, que durou mais de um ano, recebi minhas cordas, elementos fundamentais para um pajé, e conheci o mestre e contramestre delas, meu guardião, o Caruana Norato Antônio, que se apresenta na forma de uma cobra. Mundico me entregou ainda meus três maracás, instrumentos sagrados que conduzem o ritmo, abrem os caminhos do transe e afastam as energias ruins. Com seu som, firmo a ligação entre o terreno e o espiritual. Enfim, ao concluir meu aprendizado, cumpriu-se o destino da pajerama: estava assentada pajé.

Se, por um lado, ainda era menina, com apenas 12 anos, por outro tornava-me uma mulher forte do Norte, forjada nas terras encantadas do Pará, onde o açaí alimenta o corpo, o carimbó embala a alma e os rios ensinam a resistência de seu povo. Assim, segui pronta para encarar a vida de peito aberto.

O que eu ainda não sabia tão bem, moço, era o quanto pode ser pesada a realidade de uma mulher com dons que ultrapassam o pequeno entendimento de muitos. Afirmo que é muito mais fácil compreender a natureza e todos os seus mistérios. Passei por muita coisa, moço, só Deus sabe. Só vendo.

Cheguei a ter a casa rodeada por toda uma população que me perseguia e, como herdeiros da Inquisição, me tomaram como bruxa. Mas não titubeei, não dei um passo para trás e nem sucumbi. Não reneguei minha verdade e, pra ser sincera, nem os condeno, nem guardo mágoa, nem rancor. Ocupar esse espaço é a melhor maneira de responder a todos que me julgaram. Ódio é uma bagagem pesada demais para se carregar. Gosto de uma frase que um grande amigo, que entende o jogo da vida, me diz sempre: “fazer o bem é mais difícil que fazer o mal”.

Portanto, me mantive de pé e de cabeça erguida. Amparada pelos meus caruanas e pela Mãe Nazaré, que nunca soltou minha mão e nem há de soltar. Encontrei na fé a coragem e o abrigo para seguir em frente e vencer. Olhe em volta, moço, a natureza nos dá a poesia que é preciso pra viver e ver a beleza da vida, ainda que em meio a contratempos e injustiças. Eu gosto de cantar pra agradecer a vida, canto para afastar o mal e canto para não esmorecer.

Cantar também é reza, é um jeito de me manter firme e, sendo firme, serei fortaleza para os que precisam de mim. Serei forte para seguir criando o que vem na minha cabeça, como as notas de um órgão que me inspiram a desenhar, compor, pintar, costurar, escrever e cumprir todas as outras missões que tenho, sempre com dignidade e força. Como se fosse tudo um filme, onde, no final, a caminhada toda valerá a pena. Cantar me mantém viva, é a forma de jogar pro mundo todas as mensagens que ainda tenho que dizer. Cantar é minha forma de conversar com Nazaré. E eu sei que ela me ouve. Quando vejo o sorriso das minhas crianças no Marajó, eu não tenho dúvida nenhuma.

Moço, eu sou mãe de muitos, mas Nazinha é mãe de todos. Sei que ela, junto dos meus caruanas, me ajuda a manter em pé o que hoje é o meu maior sonho realizado: o Instituto Caruanas da Ilha do Marajó, o lugar onde reafirmo minha promessa de criança: que nenhum outro gitinho da Ilha deveria conhecer abusos, explorações ou falta de educação.

É nessa enorme escola-floresta que eu semeio meus conhecimentos e partilho com minhas crianças os saberes para construírem novas perspectivas de futuro. Quero que elas cresçam sabendo que pertencem a um lugar sagrado e que pobreza nenhuma pode determinar o seu espaço. Quero que elas tenham acesso à cultura, à educação e à preservação da nossa memória e da nossa terra. Quero que conheçam e mantenham a nossa cerâmica, que respeitem a grande mãe natureza e que tenham como lema: “se Deus me deu, vou preservar”.

Quando vejo meus pequenos uniformizados, alimentados, em sala de aula, lendo um livro e compreendendo a importância da floresta, moço, eu entendo todas as perseguições e injustiças. Eu entendo toda a minha missão e, não nego, faria tudo de novo. Tudo.

Olha, vou ser sincera, moço: “para muitos, eu não passo de um caso de paranormalidade. Talvez assunto para psicólogos. Já eu, me vejo tão somente como uma pajé, alguém que lutou e ainda luta para manter íntegra a sua fé e seus princípios, apesar de todos os abalos violentos que a vida trouxe. Venci a inveja, a maledicência e o julgamento, e tive meu saber reconhecido porque aprendi a navegar entre mundos que muitos não compreendem. Venci porque permaneci”.

E vou permanecer pra sempre, porque, quando meu corpo virar memória, não se enganem, eu ainda estou aqui. Me procurem na maior árvore que encontrarem na minha escola. Estarei ali, fazendo sombra para minhas crianças e para todos aqueles que precisarem de abrigo. E, se ainda me cabe um recado para a posteridade, moço, quando o mundo insistir no desequilíbrio, acredite em mim: sopre o pó de louro. Ele é pai d’égua. Ele não costuma falhar.

Liga RJ renova com Macaco Branco para produção do álbum da Série Ouro 2027

0
albumligarj
Foto: Divulgação/Liga-RJ

Pelo sexto ano consecutivo, a Liga RJ seguirá apostando na experiência e na qualidade musical de Macaco Branco para comandar a produção do álbum oficial dos sambas de enredo da Série Ouro. A renovação foi acertada nesta semana, durante reunião realizada na sede da entidade, no Centro do Rio, entre o presidente Deo Pessoa, o diretor de carnaval Moacyr Barreto e o produtor musical. O planejamento para o projeto de 2027 já começa antecipado, impulsionado pelo calendário do próximo Carnaval, que acontecerá no início de fevereiro.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Responsável pela produção do álbum da Série Ouro desde o Carnaval 2022, Macaco Branco acumula elogios de sambistas, compositores e dirigentes pelo cuidado musical empregado no projeto ao longo dos últimos anos. As gravações estão previstas para começar na segunda quinzena de setembro, dentro de um cronograma que possa garantir que o álbum seja lançado e disponibilizado nas plataformas digitais mais cedo.

A permanência de Macaco Branco também representa a continuidade de uma identidade musical construída ao longo das últimas temporadas. O produtor destacou a felicidade em seguir à frente do trabalho e ressaltou o compromisso em unir inovação e respeito à tradição do samba-enredo.

“É um prazer imenso poder estar à frente da produção do álbum da Liga RJ. Para mim, é uma honra dar continuidade a esse trabalho, agora também com a chegada do presidente Deo Pessoa. Fico honrado porque isso mostra que o trabalho vem sendo satisfatório. A nossa ideia é sempre trazer coisas novas, mas sem perder a essência do samba de enredo tradicional. Queremos fazer um álbum que fique marcado na lembrança e na memória afetiva de todos os sambistas”, afirmou.

Com o Carnaval de 2027 marcado para o início de fevereiro, a Liga RJ decidiu antecipar todo o planejamento do álbum oficial. A medida busca ampliar o período de divulgação dos sambas e permitir que o produto chegue mais cedo às escolas, comunidades e plataformas digitais. A estratégia também reforça a importância do álbum como ferramenta de promoção da Série Ouro, valorizando músicos e compositores.

“Este ano teremos um cronograma um pouco mais adiantado, até porque o Carnaval será no início de fevereiro. A nossa intenção é lançar o álbum o quanto antes, para disponibilizá-lo rapidamente nas plataformas digitais e fazer com que ele chegue aos sambistas o mais cedo possível”, destacou Macaco Branco.

Além da renovação, o produtor fez questão de exaltar a equipe envolvida no projeto e agradecer pela oportunidade de seguir conduzindo um trabalho que se tornou referência no Carnaval. Segundo ele, a dedicação coletiva é um dos pilares para o sucesso alcançado ano após ano pelo álbum da Série Ouro.

“Para mim, é um prazer imenso estar mais um ano à frente desse trabalho, junto com toda a minha equipe, que se dedica muito ao projeto. Só tenho a agradecer a Deus e aos orixás por me darem vida e saúde para continuar fazendo aquilo que eu amo”, completou.

Em 2027, os desfiles da Série Ouro serão nos dias 5 e 6 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí.

David Lima é o novo coreógrafo da comissão de frente da Botafogo Samba Clube para o Carnaval 2027

0
botafogo david
Foto: Divulgação/Botafogo Samba Clube

A Botafogo Samba Clube anunciou nesta quarta-feira a contratação de David Lima como novo coreógrafo da comissão de frente para o Carnaval 2027. O profissional chega para integrar a equipe da escola. Em 2026, comandou o segmento no Paraíso do Tuiuti, no Grupo Especial.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Durante sua trajetória, passou por importantes escolas de dança, entre elas Jaime Arôxa e Carlota Portella, além de realizar cursos de extensão voltados para comissão de frente. No carnaval, atuou também em agremiações como Unidos de Padre Miguel, por onde ficou por mais de uma década e foi campeão da Série Ouro em 2024, Acadêmicos de Santa Cruz e São Clemente. David celebrou a chegada na escola alvinegra:

“Estou vivendo um começo lindo na Botafogo Samba Clube. Estou muito emocionado e agradecido. Tenho certeza que será um carnaval incrível e farei o meu melhor para levar nossa escola ao topo”, destacou David Lima.

Coreógrafo, diretor artístico, ator, bailarino, professor e produtor cultural, David Lima é formado em Educação Física pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, além de possuir pós-graduação em Dança pela Universidade Estácio e em História da Arte e Artes Visuais pela Universidade Veiga de Almeida. Ao longo da carreira, desenvolveu pesquisas ligadas à direção cênica, composição coreográfica e estética do espetáculo, construindo uma identidade artística voltada para a valorização da cultura popular e da estética contemporânea.

A Botafogo Samba Clube será a oitava escola a desfilar no dia 6 de fevereiro de 2027, pela Série Ouro, com o enredo “Basta! Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim”.

Amor e gratidão! Sidclei e Marcella recebem Estrela do Carnaval 2026

0
estrela 2026 97
Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

O Carnaval de 2026 foi o último em que Sidclei Santos e Marcella Alves dançaram juntos como primeiro casal. Depois da folia, cada um seguiu seu caminho: ele permaneceu no Acadêmicos do Salgueiro, ela foi para a Unidos da Viradouro. Antes de se separarem na avenida, os dois deixaram uma marca: o prêmio de Melhor Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira do Grupo Especial, conquistado pelo desfile do Salgueiro em homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães.

No palco, Sidclei foi direto ao coração. “Cada prêmio que a gente conquistou junto foi fruto de muito trabalho, muito esforço e dedicação. Não foi nada sozinho”, disse, antes de se virar para a parceira que seguirá outro rumo: “Marcella, quero te agradecer por tudo.”

Marcella subiu ao palco emocionada e falou com a clareza de quem fez as pazes com o tempo. Para ela, um grande casal de mestre-sala e porta-bandeira só existe com uma grande equipe ao redor. “São noites sem dormir, abrir mão de estar com a família, ensaios, treinos, muita dedicação. Eu tenho certeza de que tanto eu quanto o Sid fizemos isso intensamente ao longo desses anos”, declarou. E encerrou com a generosidade de quem carrega consigo o afeto construído na avenida: “Nós seremos grandes amigos e irmãos para o resto da vida”.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Pixulé emociona, Jéssica faz história e Vila Isabel celebra criatividade no Estrela do Carnaval

0
estrela 2026 116
Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

A festa do Estrela do Carnaval Palácio dos Cristais 2026 reservou momentos inesquecíveis na quadra da Tijuca. Um deles foi o de Pixulé, intérprete do Paraíso do Tuiuti, que conquistou a premiação de Melhor Intérprete com uma apresentação que virou celebração coletiva. A festa da escola de São Cristóvão foi completada pela bateria da escola, a “SuperSom”, comandada pelo Mestre Marcão, que também subiu ao palco para receber o prêmio de Melhor Bateria do Grupo Especial. A rainha Mayara Lima também venceu na categoria Melhor Rainha.

Quando Pixulé puxou o samba de 2026, a quadra inteira cantou junto, caprichando no coro “Canta Tuiuti”. “Estou muito feliz. Ser ovacionado pelos sambistas, por vocês da imprensa e pelo público em geral é uma felicidade imensa. O samba que chegou desacreditado e hoje todo mundo canta”, disse o cantor.

Se Pixulé celebrava um reencontro com o reconhecimento, Jéssica Martin vivia uma estreia que já virou marco. A intérprete da Beija-Flor, que faz dupla com Nino do Milênio, conquistou o prêmio de Revelação no seu primeiro ano à frente do microfone da escola de Nilópolis. Uma estreia que não é pouca coisa: ela assumiu o posto deixado pelo lendário Neguinho da Beija-Flor, que carregou o microfone nilopolitano por 50 anos. A premiação reconheceu que a passagem foi feita à altura.

estrela 2026 132

A sensação, ela disse, foi de realização, mas também de responsabilidade. “Não é somente um prêmio, é a realização de um sonho e de me sentir capaz de estar nesse lugar de fala de mulheres sambistas, que correm atrás todos os dias”, declarou Jéssica. A intenção é abrir caminho. “Quero permanecer e que outras mulheres também estejam nesse lugar”, disse.

Jéssica não estava sozinha nessa conversa. Em outra parte da quadra, outro prêmio, outra mulher e a mesma luta. A Vila Isabel conquistou o troféu de Originalidade com o tamborim quadrado, instrumento recriado a partir dos quadros de Heitor dos Prazeres. A ideia nasceu dois anos antes de o enredo ser lançado, quando Talita Santos, professora de tamborim e integrante da bateria, visitou uma exposição do pintor no CCBB e aquela imagem não saiu mais da cabeça. Ela levou a proposta ao Mestre Macaco, que abraçou a ideia. “Em tempos de só coisas novas e tecnologia, resgatar o nosso passado também é valioso. A gente não esperava ser premiado. Foi para fazer uma homenagem”, disse Talita, que aproveitou para destacar o gesto raro do mestre: “Muitas mulheres são invisibilizadas. Ele é um cara diferenciado”.

O segundo reconhecimento da Vila Isabel na noite veio na categoria Samba-Enredo, coroando a composição de André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho. Para Diniz, a emoção começou antes mesmo do desfile, quando o samba tocou pela primeira vez na internet e a resposta do mundo do samba foi imediata. “Assim que o samba bateu pela primeira vez na internet, foi uma emoção. Foi tudo mágico, da primeira vez que o samba aconteceu até o desfile”, disse o compositor, que agradeceu o acolhimento da comunidade e de toda a equipe do CARNAVALESCO.

estrela 2026 126

Viradouro campeã e UPM poderosa: premiação do Estrela do Carnaval vira festa das escolas

0

A quadra da Unidos da Tijuca virou palco de história no último domingo. Em clima de festa, homenagem e muita emoção, foram entregues os prêmios do Estrela do Carnaval Palácio dos Cristais 2026, e duas escolas comemoraram em grande estilo: a Viradouro, atual campeã do Grupo Especial, e a Unidos de Padre Miguel, 3ª colocada da Série Ouro. Cada uma conquistou quatro categorias e foi para casa com a certeza de ter feito carnavais inesquecíveis.

estrela 2026 158
Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

A escola de Niterói encerrou a noite do jeito que sabe: com emoção, técnica e muito samba no pé. Trouxe de volta os momentos mais marcantes do desfile catártico “Pra cima, Ciça!”, inclusive o pequeno Vitor Gabriel, que voltou ao papel de Ciça criança à frente do leão articulado, símbolo da Estácio de Sá, escola do coração do homenageado. A Comissão de Frente, assinada por Priscilla Mota e Rodrigo Negri, vencedores da categoria, reviveu seu encanto, e Wander Pires puxou sambas como “Viradouro de alma lavada”, “Dangbé” e “Malunguinho” até chegar ao samba campeão de 2026, que arrancou canto apaixonado de toda a quadra.

Mestre Ciça, enredo vivo e coroado neste carnaval, acompanhou a festa desde cedo, recebendo o carinho de cada sambista que passou por ele. No intervalo, ainda deu uma espiada no jogo do Vasco, seu time de coração, contra o Bragantino, pelo Campeonato Brasileiro. A derrota por 3 a 0 pesou menos do que as conquistas da noite. Na festa, ele era só alegria.

estrela 2026 154

“É um momento único que estou vivendo. Eu não sabia que ia tomar essa proporção toda. Ganhou o samba, ganhou o sambista. Por isso, essa emoção toda foi muito bacana. É um momento maravilhoso esse que estou vivendo”, disse Ciça, com a voz de quem sabe o que é receber uma das maiores homenagens que podem ser feitas.

O carnavalesco Tarcísio Zanon, vencedor da categoria, foi direto ao ponto ao definir o que foi fazer de Ciça um enredo: “Uma declaração de amor ao Carnaval, ao sambista, àqueles que fazem a festa”. Uma declaração de amor que rendeu o terceiro campeonato da Viradouro em seis anos. Para o presidente Marcelinho Calil, não há segredo, só trabalho: “É uma escola que trabalha muito, que se preocupa com o seu próprio barracão. E o principal: amor pelo samba”.

estrela 2026 159

Unidos de Padre Miguel faz apresentação avassaladora

Em outro momento da premiação, o Boi Vermelho da Vila Vintém fez o chão tremer. A Unidos de Padre Miguel comemorou a conquista das categorias Bateria, Harmonia, Rainha e Desfile do Ano da Série Ouro, embalada pelos sambas “Ossain, o poder da cura”, “Redentor do Sertão”, “Egbê Iyá Nassô” e “Kunhã-Eté”.

estrela 2026 70

À frente da bateria “Guerreiros”, mestre Laion celebrou o bicampeonato na premiação com a maturidade de quem sabe enfrentar os desafios de montar uma bateria na Série Ouro e já avisou: quer o hat-trick no Estrela do Carnaval. “Receber essa premiação pela segunda vez é muito especial. Prometo me empenhar ao máximo para o terceiro”, declarou.

A presidente Lara Mara também recebeu homenagem pelo trabalho à frente da escola e dedicou tudo à avó, Deise Mara, presidente de honra da agremiação, morta em março de 2026. “Hoje sou presidente da Unidos, amanhã posso não ser mais, mas vou morrer sambista. Tudo o que puder fazer pelo samba e pela minha escola estarei fazendo, porque esse é o grande propósito que tenho de vida”, disse.

estrela 2026 58

Portela 2027: leia a sinopse do enredo

portela logo27

Mestre Monarco,

Escrevo esta carta de amor como quem abre as janelas de uma antiga casa da infância e deixa o vento da memória entrar. Um vento manso, que atravessa os quintais onde você cresceu, as calçadas onde o samba era rei, as rodas onde a panela fumegava na mesa e o cavaquinho nunca descansava. É o vento que traz o cheiro da comida simples, da rua molhada, da madrugada que só termina quando o samba decide. Hoje, quero lembrar de você com o respeito que tua história inspira e com o carinho que tua presença sempre despertou.

Você fez poesia ao nos contar as histórias dos teus tempos de menino, coisas belas da vida, tempos que não voltam mais: pegar “laranja no pé” pelos sítios de Nova Iguaçu, soltar pipa nos dias quentes da Baixada; em casa, o compasso matinal incessante do bater das roupas no tanque. Animada pelo som do rádio de pilha, tua mãe ganhava o sustento, enquanto a música encantava a alma daquele menino, que seria mestre e poeta. Foi desse tempo feliz que nasceu o apelido que virou nome, marca, destino. O personagem “Monaco”, um mágico dos gibis da época, que, por brincadeira dos amigos, acabou batizando o artista que o mundo aprenderia a chamar de Monarco.

O tempo correu e te trouxe para o meu lado, no solo sagrado de Oswaldo Cruz. A vida pedia coragem, e você foi à luta. E, quando o trabalho dava trégua, o cabo de vassoura virava um estandarte. Ali, menino-homem, você já dançava com o futuro, ensaiando os passos da tua paixão. Na feira, o teu grito vendendo peixe já trazia a cadência do samba animando a freguesia.

As letras e partituras começaram a brotar da tua alma como flores em um jardim de primavera. Versos puros, cercados pelo voo leve de borboletas coloridas, ganharam vida. Você cantou a ilusão de uma “Vida de Rainha” e chorou a saudade dobrada num “Lenço” esquecido. Mas o destino te reservava a consagração. Quando dedilhou o teu amado cavaquinho – extensão do teu corpo, cúmplice de tantas madrugadas – e soltou os versos de “Coração em Desalinho”, o mundo se rendeu. A dor virou hino. O amor virou eternidade.

Mestre, tua estrela brilhava em todos os cantos. Minha ala de compositores te recebeu de braços abertos. Você caminhava pela quadra como quem caminha pela própria casa. E era mesmo. A Portela era sua sala, sua varanda, seu quintal, seu templo. E nós, seus filhos de samba, aprendemos a te ouvir como quem escuta um conselho que salva. É assim que você chega até nós: no sopro manso da lembrança, no passo tranquilo de quem sempre soube o próprio caminho, na elegância de linho, terno alinhado, pisante branco e chapéu panamá. Você não precisava anunciar que era mestre. Era um farol sereno que iluminava sem ofuscar. A Velha Guarda te abraçou como guardião – e ali você ensinou que tradição é raiz. Hoje, devolvo esse ensinamento com ternura e fervor, inspirada nas flores que recebi da tua história.

Sua luz também iluminou outros terreiros: vestiu o manto do “Boi Vermelho” e se sagrou campeão de samba-enredo na Unidos de Padre Miguel. No Jacarezinho, te coroaram “Coringa”, porque você era isso: versátil, genial, imprevisível como a própria poesia.

Mas teu coração, Mestre, batia forte pelas coisas simples e bonitas da vida. Batia pelo pavilhão do teu América Futebol Clube, o eterno “sangue” que você defendia com paixão. Batia na esperança bem-humorada de fazer uma “fezinha” na loteria, sonhando com a sorte que a vida já tinha te dado em forma de dom. E, acima de tudo, batia de amor por Olinda – o amor da tua vida, a companheira eterna, com quem você celebrou o sagrado matrimônio dentro da minha quadra, sob a bênção do meu chão azul e branco. E sua fé sempre foi teu norte. Quantas vezes teus pés caminharam em direção à Igreja de Santo Antônio, no subúrbio, buscando a luz que guiava teus passos elegantes e teu terno impecável? E é essa mesma religiosidade que hoje nos une no mistério mais profundo da nossa existência.

Como bem dizia um dos meus fundadores, “a Portela nasceu da graça do Espírito Santo”. Essa essência divina e portelense se manifesta agora em sua plenitude. Convocamos nesse momento o Divino Espírito Santo e os padroeiros Nossa Senhora da Conceição e São Sebastião! Que toda a religiosidade e a ancestralidade portelense se unam em uma só prece, um só clamor, para erguer na Sapucaí um magnífico monumento. Um monumento de som, cor e poesia para eternizar você que foi, é, e sempre será um dos meus maiores baluartes.

Monarco, seus versos repousam nas flores do meu jardim. São aquarelas que o tempo pintou com cuidado. São estradas de vida que levam sempre ao mesmo destino: o manto azul e branco. Sua paixão tingiu-se dessas cores – e tingiu a minha história junto. Hoje, sua voz ecoa entre as estrelas. Mas não se engane, Mestre: ela continua aqui, firme, viva, necessária. Vibra no couro do surdo, no repique que chama, no cavaco que responde, no coro que agradece. Mora no coração de cada portelense que aprendeu a me amar através de você.

E é por isso que escrevo esta carta, com toda a força da minha águia altaneira, para te dizer que você é o meu enredo. Vou transformar tua vida em canto, tua memória em poesia, tua dignidade em desfile. Em 2027, vou te levar pela Avenida como você sempre me levou pela vida. Abrirei as asas para te acolher. Vestirei o manto azul e branco em tua homenagem. Cantarei teus versos, tua serenidade, tua elegância, tua raiz, tua história. Mostrarei ao mundo que vivo em cada passo seu.

E, quando a águia surgir no alto, iluminada, altaneira, majestosa, ela não estará apenas abrindo o desfile. Ela te levará pela Avenida, Mestre. Como sempre fez. Como sempre fará. Enquanto o rio correr em nossas veias e a procissão do samba abençoar a festa do divino Carnaval.

Agora é a alegria de te abraçar mais uma vez. O Mestre Monarco de todos os tempos. Saudades. No livro da minha história, há conquistas a valer – e tantas foram escritas no teu caminhar. Se eu for falar de ti, hoje não vou terminar.

Obrigada, Monarco. Com amor, respeito e eterna gratidão, Tua Portela.

Autores da Sinopse: Simone Martins, Isabel Azevedo e Paulo Barros.

Enredo: Paulo Barros.

Mauro Xuxa retorna ao Peruche com reedição de samba histórico e promessa de desfile emocionante

0

 

peruche enredo
Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

A Unidos do Peruche lançou o seu enredo para o Carnaval 2027 em evento realizado na quadra da escola, localizada na Rua Samaritá. A agremiação da Zona Norte irá abordar o tema “Filhos de Mãe Preta”, assinado pelo carnavalesco Mauro Xuxa, que retorna à escola. O enredo trata-se de uma reedição do carnaval de 1988. O samba é afro e exalta a negritude. O conceito parte da ideia de que todos os negros têm uma mãe preta e, em meio à onda de reedições no carnaval de São Paulo, o Peruche será mais uma escola a embarcar nessa jornada. O carnavalesco Mauro Xuxa e o presidente Maurílio Diaz conversaram com o CARNAVALESCO e falaram sobre a escolha do enredo da escola.

Reedição com nova abordagem e um retorno aliado ao sentimento

O carnavalesco Mauro Xuxa exaltou a narrativa que a Filial do Samba levará para o Anhembi no Carnaval 2027. “São muitos sambas, enredos e desfiles que se tornaram históricos para o Peruche, fazem parte da história da escola e mexem com o emocional do perucheano. Para escolher, não parece, mas é difícil, porque todos tiveram o seu contexto de emoção. Existiam vários fatores para saber qual seria levado para a avenida. Dentre esses, eu dei o aval junto com toda a diretoria que estava na mesa. ‘Filhos de Mãe Preta’ tem um clamor, principalmente quando fala sobre ancestralidade e igualdade. É um enredo que mexe muito não só com o Peruche, mas com todo o movimento que segue atual até hoje, principalmente se tratando da Mãe Preta, desde aquelas que ajudaram no crescimento lá na ancestralidade até a Mãe Preta maior, que é a Mãe África. Houve todo esse enlace de um movimento, e o samba nem precisa de comentários: é uma obra maravilhosa e emocionante. O perucheano vai estar muito emocionado e cantando forte na avenida”, disse.

peruche carnavalesco
Carnavalesco Mauro Xuxa

De acordo com o artista, será um desfile diferente do que foi em 1988, pois agora tudo é menor, especialmente no Acesso II, que desfila com dois setores. “Vai ser uma nova adaptação. Até porque, em 1988, houve muito clamor pelos 100 anos da liberdade. Agora, a gente vai trazer esse clamor dentro da igualdade, porque o samba não fala somente dos 100 anos da liberdade, mas também sobre igualdade. O nosso desfile virá com uma nova roupagem, obviamente, mas mantendo todo o clamor e a garra que existiram em 1988”, afirmou.

Mauro Xuxa realizou trabalhos no Peruche em alguns anos, mas saiu em 2024. Agora, retorna para assinar o desfile de 2027. O profissional falou sobre a sua volta. “Tem hora que a gente precisa encerrar um ciclo para depois retornar com nova ideologia e nova energia. Era uma nova etapa que eu estava vivendo e acabei recebendo o convite para retornar. A princípio, fiquei em dúvida por causa dessa nova fase, pois estou dando aula na Faculdade Zumbi dos Palmares. Mas o coração falou mais alto e eu tive que retornar”, comentou.

peruche enredo3

União perucheana e escolha certeira

O presidente Maurílio Silva comentou sobre a reedição que a escola apresentará no Anhembi, no dia 30 de janeiro, e revelou que o samba-enredo foi fator determinante para a escolha. “Nós sentamos com a diretoria de Carnaval e conversamos com o Xuxa. O Peruche já vinha há algum tempo pensando em uma reedição. E aí surgiu a questão: como escolher essa reedição? A gente levantou os melhores sambas da escola, e o de 1988 estava entre eles. A vontade é trazer isso para os dias de hoje. Os sambas das décadas de 1980 e 1990 foram grandes, e ‘Filhos de Mãe Preta’ foi o que mais conseguimos adequar ao momento e à situação do Peruche”, declarou.

peruche presidente

Segundo o dirigente, o carnavalesco Mauro Xuxa ainda está estudando profundamente o tema. A intenção é manter a essência de 1988, mas com uma nova abordagem adaptada aos dias atuais. “O Xuxa está estudando bem o enredo, com carinho. Ele está verificando o que pode fazer e como pode fazer para não perder a essência de 1988. Naquela época, eram grandes desfiles, com muitas pessoas e muitas alas, e hoje a gente não consegue encaixar isso da mesma forma. Então, é preciso ter feeling, e ele está vendo isso muito bem. Está estudando para ver como conseguimos encaixar tudo dentro dos dias atuais, ala por ala, para sair um carnaval bonito, como o Peruche merece”, afirmou.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

É o primeiro ano de Maurílio na presidência da Unidos do Peruche. Ele assume após Alessandro Zoio renunciar ao cargo no final de março. De forma positiva, o mandatário afirmou que a escola está unida e engajada no projeto. “Estou há 17 anos no Peruche. Sou um jovenzinho aqui. São sete anos na diretoria executiva e os outros à frente da ala das Baianas. Hoje, assumir a responsabilidade de comandar uma escola que caminha para 71 anos é algo muito grande. É um peso que talvez eu nem tivesse dimensão do quanto sentiria. Mas acho que hoje eu conheço tudo o que acontece, sei de todas as necessidades da escola, e isso facilita um pouco o meu trabalho. Tenho certeza de que, com a ajuda de toda a comunidade, ficou muito claro para mim que todos estão abraçando esse projeto. Percebi o sorriso de cada um e o desejo de que tudo funcione. E eu sei que vai funcionar, porque, quando há união, amor e parceria, o trabalho traz bons resultados”, concluiu.

peruche enredo4 peruche enredo2

Herança no samba: Pai e filho dividem palco pela primeira vez no Estrela do Carnaval

estrela 2026 52
Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

O abraço entre pai e filho no palco do Estrela do Carnaval Palácio dos Cristais 2026 selou um momento especial para a família Art’Samba. Pela primeira vez, Marquinho Art’Samba e Art’Samba Jr. dividiram o microfone na quadra da Unidos da Tijuca. Em casa, o intérprete oficial do Pavão não conteve a emoção e subiu ao palco durante a apresentação do Império Serrano, escola na qual o filho é cantor de apoio, e os dois cantaram sambas clássicos do Reizinho de Madureira.

Marquinho Art’Samba falou sobre a satisfação de se encontrar com o filho no palco de uma escola de samba pela primeira vez. “Subi no palco porque não aguentei (a emoção). Só de ver ele cantar, para mim, é a maior satisfação. E dentro da minha casa”, revelou.

A cena retrata algo que vinha sendo construído sem alardes. Art’Samba Jr. cresceu observando o pai e, depois que o sonho de se tornar jogador de futebol ficou para trás, a escolha foi certeira. “Eu falei: quero ser igual a meu pai. Ele sempre foi minha referência como homem, como pessoa”, contou o filho.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

estrela 2026 51

Para Marquinho, ver o filho trilhando o mesmo caminho tem um peso que vai além do carnaval. “Primeiro a gente quer formar o homem, a pessoa do bem. Isso para mim já é tudo como pai. E agora ver meu filho, que tá começando a trilhar o mesmo caminho, para mim é tudo”.

Só que o cantor não poupa o filho das realidades da profissão. A conversa entre eles também passa pelos desafios do ofício. “Eu falei para ele: é um caminho muito árduo para você trilhar”, ponderou Marquinho. “O bom é que ele está trilhando o caminho dele ali sozinho”, disse.

O filho ouve, mas retruca com carinho. “Ele acha que não, mas ele está sempre me apoiando, sempre me ajudando”, disse Art’Samba Jr. “Eu sonhei por esse momento, eu esperei muito por esse momento”.

Quem viu os dois cantando juntos no palco viu mais do que uma apresentação. Viu a transmissão de uma herança familiar do samba e a promessa, quase dita em voz alta por Marquinho, de que esse não seria o último encontro no ofício entre os dois. “Daqui a pouco ele vai cantar com o papai, se Deus quiser”.

Jorge Silveira destaca reencontro do Salgueiro com grandes narrativas

salgueiro logo27

O Acadêmicos do Salgueiro apresentou detalhes de seu enredo para o Carnaval 2027 e revelou a proposta de revisitar a trajetória de Xica da Silva sob uma nova perspectiva. A escola irá explorar as fronteiras entre a figura histórica e o imaginário popular construído ao redor da personagem, símbolo de transgressão, liberdade e resistência feminina.

Para o carnavalesco Jorge Silveira, o desfile representa também um reencontro da agremiação com narrativas marcantes de sua trajetória.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

“Hoje o Salgueiro terá a oportunidade de revisitar a história de uma de suas personagens mais importantes e ressignificá-la. Com a descoberta do testamento de Francisca da Silva, vamos conhecer a mulher por trás do mito construído. É o Salgueiro se reencontrando com suas grandes narrativas, colocando em destaque a negritude, ancestralidade e resistência cultural”, afirmou o artista.

Segundo a escola, a proposta será apresentar Xica da Silva a partir do arquétipo das pombas-giras, entidade ligada às encruzilhadas, à força feminina, à irreverência e à quebra de padrões sociais. O desfile pretende estabelecer um paralelo entre a trajetória da personagem e essa potência simbólica presente no imaginário afro-brasileiro.

A leitura do Salgueiro busca ampliar o olhar sobre Francisca da Silva, resgatando a mulher por trás da figura folclorizada ao longo do tempo e reforçando temas ligados à ancestralidade negra e à resistência cultural.