
O mini Círio de Nossa Senhora de Nazaré reuniu a família do samba em uma celebração marcada pela fé e pela preservação de um legado que atravessa gerações. Na tarde do último sábado, a quadra da Imperatriz Leopoldinense recebeu centenas de devotos para um dos momentos mais emocionantes, reafirmando uma devoção iniciada por Luizinho Drumond e mantida como um dos pilares da verde, branca e dourada, dirigida hoje pela presidente Cátia Drumond.
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A procissão percorreu o caminho até a quadra conduzindo a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, acompanhada pela presidente Cátia Drumond, pelo vice-presidente João Drumond, pelo cardeal Dom Orani Tempesta e por inúmeros fiéis. Em seguida, a celebração transformou-se em uma missa repleta de orações, cânticos, homenagens e bênçãos, encerrada com a coroação de Nossa Senhora de Nazaré e a bênção aos 12 pavilhões das escolas do Grupo Especial, representados pelos respectivos casais de mestre-sala e porta-bandeira.

A ligação da Imperatriz com Nossa Senhora de Nazaré vai além da religiosidade. A devoção sempre fez parte da identidade da escola e ganhou a Avenida em diferentes momentos da história, como no desfile de 2013, eternizando o carinho pela maior manifestação religiosa do Pará. Emocionada, Cátia Drumond relembrou ao CARNAVALESCO a origem dessa tradição dentro da própria família e destacou o compromisso de manter viva a devoção herdada de Luizinho Drumond.
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“É muita emoção falar sobre isso. Eu fui criada pelo meu pai, que sempre foi um homem de muita fé e profundamente devoto de Nossa Senhora de Nazaré. Desde pequena acompanho essa devoção e também vivi momentos inesquecíveis em Belém do Pará. No ano passado, consegui levar meus filhos para conhecerem de perto o Círio, e eles puderam ver a maior festa de fé do mundo, um lugar onde todas as pessoas estão reunidas apenas para agradecer. Hoje, eu peço que Nossa Senhora continue nos abençoando, proteja todas as escolas de samba, especialmente as do Grupo Especial, para que cada pavilhão faça um grande carnaval, mas, acima de tudo, que essa devoção nunca deixe de existir dentro da Imperatriz”, declarou.

A emoção também tomou conta de João Drumond. Ao recordar o avô, o vice-presidente precisou interromper as palavras algumas vezes para conter as lágrimas ao falar da herança espiritual deixada para toda a família.
“Eu fui testemunha do amor que meu avô tinha por Nossa Senhora de Nazaré. As finais de samba da Imperatriz sempre aconteciam depois do Círio porque, acontecesse o que acontecesse, naquele fim de semana ele estaria em Belém. Neste mês, completaram-se seis anos da partida dele, e é impossível não lembrar desse legado que deixou para todos nós. Sou muito grato por poder dar continuidade a essa tradição, agradeço à minha mãe por conduzir nossa família com tanto carinho e peço que Nossa Senhora continue intercedendo por nós, dando força e caminhando sempre à nossa frente”, comentou, visivelmente emocionado.

O clima de devoção também foi destacado pelo intérprete oficial Pitty de Menezes, que definiu a celebração como um reencontro entre a fé e o carnaval.
“A Imperatriz sempre foi uma escola muito religiosa. Já levou Nossa Senhora de Nazaré para a Avenida e mantém essa devoção viva até hoje. Luizinho Drumond era um grande devoto, a presidente Cátia também é, e eu compartilho dessa fé. Poder viver esse momento dentro da nossa quadra, com a imagem de Nossa Senhora presente, representa amor, gratidão e esperança. Hoje foi um dia de agradecer por todas as bênçãos recebidas, pela saúde, pela proteção da escola e de todos nós. Também foi um reencontro do carnaval, porque várias escolas trouxeram seus pavilhões para celebrar juntas uma única fé. É um momento que vai permanecer para sempre na memória de todo imperiano”, afirmou.

Quem também viveu um momento especial foi o novo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Miranda e Bruna Santos, que fará a estreia defendendo o pavilhão da Imperatriz no Carnaval 2027. Para ambos, a celebração reforçou o sentimento de pertencimento logo nos primeiros passos dentro da escola.
“Desde que chegamos à Imperatriz, percebemos que encontramos uma família movida pela fé. Isso me trouxe tranquilidade e felicidade, porque também sou uma pessoa muito religiosa. Hoje me emocionei durante toda a celebração. Foi uma missa linda, um Círio muito especial, e é emocionante fazer parte de uma escola que cultiva essa devoção com tanto carinho”, disse Bruna Santos.

Matheus Miranda reforçou que esse acolhimento já faz parte da identidade construída pela escola. “Faço das palavras da Bruna as minhas. A Imperatriz realmente é uma família. Desde que chegamos, sentimos o cuidado, o acolhimento, o respeito pela fé e pelas pessoas. Tudo isso fortalece ainda mais a nossa caminhada e nos faz sentir que estamos sendo constantemente abençoados. É um sentimento muito especial fazer parte dessa história”, concluiu.
Muito além de uma cerimônia religiosa, o mini Círio reafirmou aquilo que a Imperatriz Leopoldinense preserva há décadas: a certeza de que o carnaval também é feito de devoção e gratidão. Em cada oração, em cada pavilhão abençoado e em cada olhar emocionado, a escola renovou um compromisso que nasceu com Luizinho Drumond e continua vivo na família gresilense. Enquanto o samba prepara mais um desfile para a Marquês de Sapucaí, a fé permanece conduzindo os passos de uma comunidade que faz de Nossa Senhora de Nazaré um dos maiores símbolos de sua história.
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