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Parou geral! Vai-Vai lota as ruas do Bixiga e escolhe samba para o Carnaval 2026

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Por Naomi Prado e Will Ferreira

O domingo (14 de setembro) frio na Bela Vista, Centro de São Paulo, teve muita agitação popular e cultural no meio da rua. Instituição mais conhecida do histórico e boêmio bairro, o Vai-Vai realizou a final da eliminatória de samba-enredo da Saracura e elegeu o samba 06 do concurso, de autoria de Danni Almeida, Vagner Almeida, Marcinho Zona Sul, Anderson Bueno, Thiago de Xangô, Mário Lúcio, Luciano Bicudo, João 10, Xavier, Cris Viana e Tião, para embalar o enredo “Em cartaz: A saga vencedora de um povo heróico no apogeu da vedete da Paulicéia”, desenvolvido por uma Comissão de Carnaval. A agremiação será a sexta a se apresentar na sexta-feira de carnaval (13 de fevereiro), no Grupo Especial da cidade.

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Fotos: Naomi Prado e Will Ferreira/CARNAVALESCO

Sempre presente em eventos importantes para escolas de samba, o CARNAVALESCO esteve presente na final da eliminatória alvinegra, realizada na rua Rui Barbosa, no coração do Bixiga (região boêmia que não existe mais de maneira oficial nos mapas da cidade de São Paulo e é sempre exaltado pela agremiação., sendo absorvido pelo bairro da Bela Vista), e entrevistou alguns nomes para o desenvolvimento do desfile vaivaiense em 2026.

Retornado às conquistas

Um dos compositores campeões da eliminatória da agremiação, Marcinho Zona Sul resumiu o sentimento de muitos da parceria vencedora: “Cada vitória tem um gosto diferente. Essa já é a minha quarta vitória na escola, mas esse ano, especialmente, o nosso samba foi aclamado pela comunidade. Tem um gostinho diferente, porque a comunidade do Vai-Vai está precisando dessa energia e dessa união”, destacou.

Era perceptível o quanto o samba em questão, de fato, tinha a preferência da comunidade – ele foi o mais cantado enquanto se apresentava e teve boa recepção do público tão logo foi anunciado enquanto campeão, por exemplo. Em redes sociais e aplicativos de mensagens, muitos também falavam sobre a preferência por tal obra.

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Marcinho, por sinal, foi o campeão das eliminatórias internas do Vai-Vai também nos anos de 2024 (“Capítulo 4, Versículo 3 – Da Rua e do Povo, o Hip Hop: Um Manifesto Paulista”), 2014 (“Nas chamas da Vai-Vai, 50 anos de Paulínia”) e 2006 (“São Vicente aqui começou o Brasil”).

Também na parceria vencedora em 2026 e 2024, Danni Almeida, outro compositor, começou a entrevista com a reportagem destacando um ponto de partida que trouxe algumas questões para os poetas: “Nós ficamos com uma dúvida no início: se iria ser um samba mais geográfico, sobre a cidade em si. Apesar disso, fomos para outras vertentes: falamos da luta do povo, da cidade e do pessoal que construiu a cidade”, destacou.

Danni aproveitou para elogiar a equipe responsável pela produção do desfile: “Acredito que é um enredo bem interessante e posso atestar a qualidade da sinopse. Foi tranquilo para escrevemos: nos encontramos umas três vezes e já fechamos a melodia junto com bastante parte da letra. Conversamos com a Comissão de Carnaval para ver se a gente estava no caminho certo e fomos felizes”, comemorou.

A equipe em si

Vale destacar que a Comissão de Carnaval do Vai-Vai para 2026 é composta por quatro nomes: Marcus Tibechrani, Tati Gregório, Renato Anveres e Gleuson Pinheiro. Em entrevista para o CARNAVALESCO no evento ”Carnaval de São Paulo como patrimônio: cidade, política, sociedade”, o último citado destacou a função de cada um deles no projeto: “A Tati é a enredista do Vai-Vai, assim como ela era nos carnavais anteriores, é uma continuação do trabalho – logo, a responsabilidade é dela nessa narrativa em questão. Eu e o Renato Anveres somos os responsáveis pelas alegorias – ele já era participava da direção de barracão, já tinha uma função de cuidar da realização, sobretudo, das estruturas dos carros alegóricos. Eu estou entrando para ser o responsável pelo projeto, desenvolvimento e todo o trabalho que se refere às alegorias, especificamente. Por fim, Marcus Tibechrani, o Marcão, cuida das fantasias. Essa é a divisão atual do trabalho”, detalhou.

Enredista aprova samba

Citada pelo companheiro de Comissão de Carnaval, Tati Gregório “Nós estamos muito felizes com as obras apresentadas! Percebemos que as parcerias conseguiram captar a mensagem da sinopse e a mensagem do enredo – em especial, é claro, o samba campeão”, pontuou.

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A diversidade de finalista também foi comemorada pela profissional: “A gente teve, apesar de diferentes, sambas que condizem muito com o enredo, que condizem muito com a sinopse e que tem a cara do Vai-Vai. Viemos para uma final com três sambas muito bons, com três sambas de qualidade. Estamos muito felizes com o resultado desse processo de samba-enredo”, disse.

Mudanças

Em entrevista, Clarício Gonçalves, presidente do Vai-Vai, começou reafirmando o quanto a eliminatória teve alto nível: “Eu posso dizer que, dentro dessas três obras, eu agradeço primeiro a todos os compositores que fizeram alguma canção. É lógico que, dessas obras ficaram três – e, graças a Deus, todas elas estavam dentro do contexto, dentro da sinopse – e é claro que o samba campeão teve um destaque extra”, afirmou.

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Pouco depois, ele fez menção a uma novidade em uma escola quase centenária: “Quem decidiu, pela primeira vez, foram os nossos jurados: é um modelo diferente, cada um representando a nossa comunidade. E, esse ano, teve um diferencial: nós ouvimos todas as alas e todo mundo opinou em relação ao samba que tem preferência. Eu acredito e digo com certeza: a voz do povo é a voz de Deus. Tenho certeza que a nossa escola foi a melhor”, comentou.

Perguntado sobre mais detalhes dessa ‘primeira vez’, o mandatário vaivaiense foi mais detalhista: “Nesta nova dinâmica que fizemos nesse ano, votaram pessoas de cada setor da escola. O diferencial que tivemos é fazer com que todos os diretores de alas e diretores de departamentos, que são lideranças, consultassem o seu grupo e vissem qual samba foi de sua preferência. Eles fizeram uma votação entre eles que, depois, foi ouvida por meio do voto de um jurado na nossa apuração final. É lógico que, dentro desse contexto, a comissão de carnaval, junto com os jurados, fez uma análise para verificar se todas as canções estavam dentro da sinopse. Depois dessa dinâmica, tenho certeza que venceu a melhor canção”, explicou.

Números para ratificar

Luiz Felipe, intérprete da Saracura, foi mais um a destacar o quanto gostou das obras finalistas e do samba campeão, mas utilizou alguns dados para se basear: “Recebemos quinze sambas, desses quinze ficaram cinco e, desses cinco, passaram os três melhores. Nossa safra de samba-enredo foi boa – melhor que o do ano anterior, diga-se. A nossa intenção é sempre essa. Estamos com três obras de nível Vai-Vai. Mas, como dizia Beth Carvalho: samba-enredo só ganha um”, finalizou.

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Mais que a final

Desde a metade da tarde de domingo até o meio da noite, o Vai-Vai deu uma mostra do quanto pode mudar completamente a rotina do Centro de São Paulo. O evento foi inteiramente realizado na rua Rui Barbosa, espaço dominado por restaurantes e bares. O público, é claro, curioso, começou a tomar todo o local – tornando a festa ainda mais popular.

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A primeira atração foi o pagode da ala dos compositores do Vai-Vai, seguidos pelo esquenta da bateria e com shows de segmentos – como casais de mestre-sala e porta-bandeira, destaques e comissão de frente, sempre embalados pelo sem fim de sambas-enredo e sambas-exaltação históricos da Saracura.

Também houve tempo para Rosiane Pinheiro, nova madrinha da Pegada de Macaco, bateria da agremiação, ser apresentada à comunidade; bem como para todos os presentes se despedirem de “O Xamã Devorado y A Deglutição Bacante de Quem Ousou Sonhar Desordem”, samba vaivaiense de 2025; e para a troca do pavilhão de enredo acontecer.

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Portela chega à semifinal com sambas consistentes e reafirma força de sua disputa no Carnaval 2026

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A Portela realizou, no último domingo, mais uma eliminatória de sambas-enredo para o Carnaval 2026, agora com todos os concorrentes em uma única chave. Quinze obras se apresentaram na quadra da azul e branco, defendendo o enredo “O Mistério do Príncipe de Bará: A Oração do Negrinho e a Ressurreição de sua Coroa sob o Céu Aberto do Rio Grande”. Os sambas classificados serão anunciados na segunda-feira. O CARNAVALESCO apresenta a seguir a análise das apresentações.

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Parceria de Hebinho: O samba de Hebinho, Sheila Marques, Luizinho Du Kavaco, Matheus, Marcelo Vai Vai e Regina Silva teve Leonardo Bessa como intérprete principal. A obra apresentou um desempenho regular, bem conduzido por Bessa. O refrão de cabeça se destacou com os versos “voa, Negrinho, farol do meu caminho, rei Neguinho, você não está sozinho, Portela, pastoriando a minha história, voa alto, minha águia, faz a ronda da vitória”. A missão de abrir a disputa foi cumprida com correção.

Parceria de Nei Brito: A parceria de Nei Brito, Gadelha da Portela, Ricardo Pinto, Robertinho Sorriso, Valtemir Brandão, Le Gaúcho e Douglas Chocolate apresentou um samba de rendimento irregular. O refrão de cabeça “batuqueiro, no cruzeiro do Bará, vou cantar Alupagema, pra saudar meu orixá, no embalo do Ylu, o manto azul revela, abre os caminhos pro desfile da Portela” passou sem grande impacto. No entanto, outros trechos tiveram melhor sustentação, como o refrão central “amor a Lalumpaô, agô mojubá, hoje é dia de xirê, tem batuque pra Bará, tocam tambores até de manhã, Kaô, Xangô, Abau, Xapanã”.

Parceria de Valtinho Botafogo: O samba de Valtinho Botafogo, Raphael Gravino, Gabriel Simões, Braga, Cacau Oliveira, Miguel Cunha e Dona Madalena foi defendido por Zé Paulo e Pitty de Menezes. A apresentação mostrou força e qualidade musical. O refrão de cabeça “Aê oni Bará, aê babá Lodê, a Portela reunida carregada no dendê, sob o céu do Rio Grande tem reza pra abençoar, o príncipe herdeiro da coroa de Bará” pulsou forte na quadra. A melodia bem conectada em todas as partes manteve consistência, apesar de poucas variações. A parte final, com os versos “enquanto houver um pastoreio, a chama não apagará, não há demanda que o povo preto não possa enfrentar”, também se destacou.

Parceria de Luiz Carlos Máximo: O samba da parceria de Luiz Carlos Máximo, Manu da Cuíca, Buchecha, Belle Lopes, Ximeninho, Regis e Heitor César teve Marquinho Art Samba como intérprete. A obra trouxe trechos gingados, característicos da parceria, principalmente na primeira parte. A segunda, mais dolente, apresentou bons versos como “foi aí que o Bará, entre as quinas do quintal, apontou pro piá a coroa ancestral, tua hora chegou, Negrinho, de ser coroado”. O refrão central teve alguma dificuldade de sustentação, mas o de cabeça funcionou bem: “chegou minha águia batuqueira, gaúcha, sim, senhor, negritude não tem fronteira, é nação de mil bandeiras que a Portela incorporou”. No geral, foi uma boa apresentação.

Parceria de Luis Caffé: A obra de Luis Caffé, Guilherme Baptista, Flavinho Bento, Rayni Agatha, Vinicius Santos, Ornellas Junior e Rafael Santos contou com Daniel Silva no microfone principal, contribuindo para uma apresentação competente. O samba, de boa melodia, foi valorizado pelo excelente desempenho do intérprete. O refrão central “a chave erguida, raiz assentada, as torres indicam a encruzilhada, Porto Alegre a ser fundamentado, Laroyê, Babá, Alupo, Bará do mercado” se destacou, assim como a parte final “coroa seu menino em cavalgada, no toque das nações em axé, ecoam os ilus na madrugada, pro nosso povo então louvar de pé”.

Parceria de César Antunes: O samba de César Antunes, Miguelzinho PQD, Artur Mangia, Ruan Lucena, Renan Siqueira, Krys Show e Norma Portela foi defendido por Rodrigo Tinoco. A apresentação se apoiou nos dois refrãos da obra, ambos bem recebidos, especialmente o de cabeça: “eu sou Portela, deixa clarear, a luz da realeza resplandece em meu gongá, leve as amarras do racismo pra longe de mim, o recomeço não terá fim”. O refrão central “ajudá guerreiro, negro curandeiro, neste sul afro-brasileiro, bendito seja alupô, ori coroado, assentei meu terreiro no chão sagrado” também obteve bom rendimento, garantindo à obra um desempenho sólido.

Parceria de Mattos: O samba da parceria de Mattos, Wagner Alves, Naldo, Paulo Formigão, Anna Moura, Rogério Lobo e Araguaci teve Tem Tem Jr. como intérprete. A apresentação foi muito consistente, destacando-se já no refrão de cabeça, de melodia dolente: “sou batuqueiro, avenida é terreiro, o meu samba é oração, canta forte, Portela, a coroar a resistência que emana desse chão”. A obra, em tom maior, apresentou variações bonitas, como no refrão central “Alupô Bará, Alupô ao grande mensageiro, pra trazer à luz quem devemos exaltar, faz galopar, Neguinho do Pastoreio”. Outro bom momento foi o início da segunda parte: “hoje vai ter xirê, pra agradecer, em sua lembrança, povo gaúcho mais forte com a negritude, herança”.

Parceria de Toninho Geraes: O samba de Toninho Geraes, Eli Penteado, Paulo César Feital, Alexandre Fernandes, Victor do Chapéu, Juca e Juninho Luang foi interpretado por Tinga. Com sua força e vibração habituais, o cantor potencializou a obra, especialmente no refrão de cabeça “acende a vela pro pedido acontecer, acende a chama no olhar de um erê, na luta por igualdade reencontrar a história, avante portelense pra vitória”. O refrão central, mais melodioso, também manteve firmeza: “Caô, salve os herdeiros de Xangô, dos oprimidos e bastardos, bastião da fé do povo que o branco negou”. Foi uma apresentação muito boa, que reforçou as credenciais do samba.

Parceria de Rafael Gigante: A obra de Rafael Gigante, Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Bira, Hélio Porto e Neyzinho do Cavaco teve Wander Pires como voz principal. O intérprete, como de costume, brilhou no palco e valorizou os pontos fortes do samba, em especial o refrão de cabeça “Sou Portela de Bará, águia de Exú, meu samba é raiz, batuque do sul, a história de Custódio nos ensina, o Brasil é mais preto que se imagina”. A primeira parte também teve impacto, com os versos “agô n’ilê n’ilê madagô (oi agô), gira na roda do tempo, gira, dissipa a névoa branca da maldade, Negrinho do Pastoreio, hoje é sua a majestade”. No entanto, houve queda de sustentação em alguns trechos, principalmente na transição melódica da segunda parte para o refrão principal. Apesar disso, foi uma boa apresentação.

Parceria de Daiane Molet: O samba de Daiane Molet, Anderson Xilico, Chico Professor, Fagner Presidente, Fred Feijó, Maninho Veiga e Marcele Salles teve Renan Ludwig como intérprete e realizou uma boa apresentação. A segunda parte, muito bem construída, guiou o desempenho da obra com versos como “no pago onde o minuano assovia, troveja o couro no afago da mão preta”. O refrão de cabeça “majestade da minha vida, traz axé e vai na ginga, façanha com seu manto branco e azul, batuqueira bota a cara na avenida, é gente preta do Rio Grande do Sul” também foi destaque.

Parceria de Cecília Cruz: A parceria de Cecília Cruz, Claudio Cruz, Luciano Fogaça, Fabinho Gomes, Gêmeos, Osmar Fernandes e Julio Pagé teve Pixulé na defesa do samba. Com uma melodia ousada e arranjos pouco convencionais, a obra rendeu muito bem na quadra, sendo agradável de ouvir. O refrão de cabeça “meu batuque tem xirê pro santo rodar, do Rio Grande a Madureira, Portela, pisa forte e tira o véu, o axé que vem do sul vai de azul até o céu” funcionou com qualidade. O samba manteve consistência, com belas variações melódicas, como no início da segunda parte: “Cabinda, ijexá, Oyó, Jeje e Nagô, no Guaíba o sopapo ecoou”. Outra excelente apresentação.

Parceria de Mariene de Castro: A obra de Mariene de Castro, Lico Monteiro, Leandro Thomaz, Laura Romero, Binho Teixeira e Salgado foi conduzida por Freddy Vianna. O samba apresentou grande fluidez, rendendo com facilidade. O refrão central “canta nação ijexá, toque de Jejê Nagô, Bará adê, Bará adê, na encruza do tambor, herança de Oyó e Cabinda, onde assentei meu axé, Exú janala fun malé” teve ótimo rendimento, assim como o refrão de cabeça “Exú me guia pra que eu possa caminhar, Bará me guia pra que eu possa caminhar, é dia de coroação, Portela, Laroyê menino de Sakpatá”. Uma melodia de fácil assimilação sustentou a excelente apresentação.

Parceria de Noca da Portela: A parceria de Noca da Portela, Samir Trindade, Brian Ramos, JP Figueira, Leandro Custódio, Marcão da Gráfica e Ricardo Castanheira trouxe Wantuir como voz principal. A apresentação foi vibrante, destacada pela sequência do refrão de cabeça “nosso príncipe é negro, e sua gente macumbeira, guia meu povo, luz de Madureira, rezo pra voltar, Babá sentinela, Oranian ensinou o que é Portela (sou Portela)” e pelo bis “Onibará ê seja nossa voz, Lalupo Bará Exú”, que deu explosão ao samba. A letra também merece elogios, com versos como “Palha que dança, sol de África, o herói, sua herança é mandinga dos pampas, rei dos pobres e feitiços, tinha o olhar da caridade, entre damas e vadios, lutou por dignidade, a voz da liberdade”. Mais uma das grandes apresentações da noite.

Parceria de Claudinho DVD: O samba de Claudinho DVD, Nei Negrone, Farid da Portela, Dinho PQD, Marcelo Tricolor, Rodrigo França e Marcelo Vieira foi defendido por Clóvis Pê. A melodia bem estruturada teve trechos swingados, como no bis “adague adague aê Exú bi Lanã”. O refrão de cabeça “Sakpatá ajudá a curar o mundo, das mazelas dos escuros, a negra coroação, Sakpatá ajudá a curar o mundo, em Madureira todo negro é irmão” teve bom rendimento, garantindo uma apresentação de bom nível.

Parceria de Marcello Luz: A obra de Marcello Luz, Fred Lima, Chicão do Cavaco, Robinho da Portela, Márcio Lopes, Fagundinho e Licio Pádua foi interpretada por Evandro Malandro. Encerrando a noite, a parceria apresentou um samba de rendimento irregular, alternando momentos de queda e de maior sustentação. O refrão de cabeça “negro é raiz e faz história, é resistência, luta, força e fé, Rio Grande do Sul, o Pampa volta a brilhar, com a Portela e os mistérios do Pará” foi um dos pontos altos. Já a segunda parte teve desempenho inferior.

Três sambas, uma paixão: semifinal da Mocidade projeta final eletrizante

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No último domingo, a Mocidade Independente de Padre Miguel realizou a semifinal de seu samba-enredo para o Carnaval 2026. Cinco composições foram apresentadas na voz do intérprete oficial da escola, Igor Vianna, com duas eliminações. As parcerias de Franco Cava e de Santana deixaram a disputa, enquanto as demais avançaram para a final, que acontece no próximo sábado, na quadra da Avenida Brasil. Os sambas classificados receberam aprovação semelhante por parte da torcida presente, com todas as passadas consistentes. Confira abaixo a análise do CARNAVALESCO sobre o desempenho de cada obra classificada.

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Parceria de Jefinho Rodrigues: O samba de Jefinho Rodrigues, Diego Nicolau, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Richard Valença, Orlando Ambrósio, Renan Diniz, Lauro Silva, Cleiton Roberto e Cabeça do Ajax abriu a noite da semifinal mostrando porque chegou como um dos favoritos. A apresentação mobilizou a comunidade, que respondeu com um canto forte em versos como “Mocidade êêê…” e “se joga comigo, no céu, no mar, na rua, na Vila Vintém”. As alusões às músicas de Rita Lee seguem como ponto alto, trazendo identificação imediata do público. Desde as eliminatórias, a obra se destaca por manter trechos de fácil assimilação, já na ponta da língua da torcida.

Parceria de Paulinho Mocidade: A obra de Paulinho Mocidade, Sandra Sá, Gabriel Teixeira, Lico Monteiro, Gabriel Simões, Rodrigo Feiju, Tamyres Alves, Christiane e Trivella conquistou boa aceitação, principalmente entre setores tradicionais da escola, como a ala das baianas. A melodia busca unir o rock da homenageada ao samba, além de rechear a letra de referências marcantes. O refrão “eu não sou puta, nem sou freira, Santa profana, a padroeira, desculpe o auê, ardente o querer, agora só falta você” foi um dos momentos mais fortes da noite, cantado em coro por grande parte da quadra. A performance credencia a parceria como candidata de peso à grande final.

Parceria de Paulo César Feital: A composição de Paulo César Feital, Dudu Nobre, Claudio Russo, Alex Saraiça, Denilson do Rozário, Carlinhos da Chácara, Julio Alves, Marcelo Casa Nossa, Anderson Lemos e Leo Peres apresentou versos que evocam a irreverência e a poesia de Rita Lee: “é som obsceno que beira a loucura, um tanto divino, metade animal, num frasco pequeno: veneno e doçura, beber bossa nova é viver carnaval”. A apresentação contou ainda com uma intérprete caracterizada como Rita, que performou e envolveu o público com presença cênica marcante. O refrão “por toda menina da Vila Vintém, na luta pela liberdade, independente não teme ninguém” ganhou força, principalmente entre os mais jovens, com destaque para a participação vibrante das mulheres. O resultado reforça a disputa acirrada que a Mocidade levará para a final.

Paraíso do Tuiuti 2026: ouça a versão oficial do samba

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Autores: Cláudio Russo, Gustavo Clarão e Luiz Antonio Simas

Meu padrinho me falou
Cada um tem seu ori
O destino é professor
A raiz é Lucumi
Ifá, retira dessa flor os seus espinhos
Revela meu odu e seus caminhos
Com os ikins de Orunmilá
Me dê seu irê para vida
Olodumarê, criador
Espalhou axé e amor
No ilê dos orixás
E o negro iniciado no segredo
Do reino de Olokun fez sua trilha
Rompendo os grilhões de morte e medo
Foi o primeiro babalaô da ilha

Babá Moforibale, Babá moforibale
Orunmilá taladê, Babá moforibale

Eleguá
é o dono do poder
moenda não pode mais moer
põe fogo na cana

Eleguá
Tem mandinga e dendê
hoje o coro vai comer
nas barbas de Havana

Ah! o ânimo de ser do baticum
Com a lâmina sagrada de Ogum
E a sina de quem ama o idefá
Ah! a rama do Caribe se expandiu
No verde e amarelo do Brasil
Nas cordas do opelé e no oponifá
Derruba os muros quem sabe asfaltar
Caminhos abertos na mão de Ifá
Que o mundo entenda
O ebó vence a dor
Sentado à esteira de um babalaô

Ibarabô, agô Lonã
Olukumi
Iboru Iboya Ibosheshe
Canta Tuiuti!

Vídeo: anúncio do samba campeão da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2026

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Vídeo: anúncio do samba campeão da Unidos de Padre Miguel para o Carnaval 2026

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Com o enredo ‘Encruzas’, Nenê de Vila Matilde apresenta pilotos das fantasias para o Carnaval 2026

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Com o enredo Encruzas, a Nenê de Vila Matilde realizou, em sua quadra, na noite do último sábado, a apresentação dos pilotos das fantasias que levará à avenida no Carnaval 2026. O evento contou com participações especiais e marcou um momento simbólico para a comunidade matildense. A condução da cerimônia ficou a cargo de Patrícia Liberato. Além disso, o intérprete oficial da escola de samba Vai-Vai, Luiz Felipe, se apresentou entoando sambas emblemáticos de sua escola. Ao final, a campeã do carnaval, Rosas de Ouro, também marcou presença, levando sua comunidade, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, além de sua bateria.

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Fotos: Thiago Gustavo/Divulgação Nenê

Durante a festividade, a azul e branca da Zona Leste apresentou as primeiras imagens das fantasias que levará à avenida no próximo carnaval. O enredo “ENCRUZAS: Nenê de Corpo e Alma no Coração de São Paulo” está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Danilo Dantas, responsável por todos os detalhes do projeto. A escola será a quinta a desfilar no domingo de carnaval, pelo Grupo de Acesso 1.

O CARNAVALESCO realizou a cobertura do evento e entrevistou Danilo Dantas sobre o processo de criação do enredo que dará vida à Nenê de Vila Matilde em 2026. O artista afirmou que todas as fantasias têm importância, mas algumas prometem tocar mais forte o coração da comunidade matildense.

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“Eu, particularmente, gosto de todas as fantasias, não tem uma que eu goste mais ou menos, mas acredito que as primeiras alas mexerão mais com os matildenses. As alas contam sobre a relação da Nenê com o Centro da cidade, a relação da Nenê com a São João e também têm uma coisa legal, que são nossas passistas e a nossa bateria, que falam dessa religiosidade do enredo e da espiritualidade que acontece nas encruzas”, relatou.

Dedicação e atenção aos detalhes

Danilo destacou a entrega pessoal que teve em cada criação dos protótipos. “Este ano, todas as fantasias eu desenhei. Todas eu pude trabalhar detalhe por detalhe, minuciosamente. A que mais me chama a atenção é a da Ala Ronda, que tem uma tonalidade de cor diferente e uma leitura bacana do enredo. Mas, como falei anteriormente, eu gosto de todas as fantasias. Foram criadas com muita dedicação”, disse.

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Samba-enredo em sintonia com o projeto oficial

Segundo o carnavalesco, o samba escolhido para 2026 se encaixou perfeitamente no projeto visual. “O samba escolhido é o que mais casava com a nossa proposta, sem a gente precisar mexer nos figurinos, na montagem da escola. Enfim, é a trilha sonora do nosso enredo. Então, é o samba que mais casou com a proposta plástica e com a proposta de sinopse que nós criamos”, afirmou.

Relação das fantasias com os setores da escola

De acordo com Danilo, o projeto conta com três alegorias com estéticas distintas, mas conectadas ao enredo.

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“O primeiro setor fala de São Paulo na década de 50, mais romântica e ligada ao início da Nenê e do samba no Centro. A segunda alegoria trata da São Paulo musical, que, a partir da Ipiranga com a São João, ganhou visibilidade nacional e mundial. Já o terceiro setor fala do Carnaval de São Paulo, exaltado ao longo da história e hoje pelo enredo da Nenê”, explicou.

Desafio de desenvolver um enredo não autoral

O carnavalesco aponta que o desafio principal foi transformar uma ideia que nasceu da presidência da escola em um projeto que representasse toda a comunidade.

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“O enredo surgiu com a sugestão da presidência. O maior desafio foi tentar tirar da cabeça de outras pessoas e entender o que elas pensavam e queriam. Normalmente, sempre fui eu quem sugeri os enredos; este ano, o caminho foi inverso. No final, acredito que vai agradar a comunidade porque o enredo fala de Nenê, fala de São Paulo, fala de religiosidade e mostra o quanto a Nenê é diversa. Em 2025 falamos sobre o Nordeste e festas populares, agora falaremos de São Paulo. A comunidade se entende quando fala de São Paulo e quando envolve religiosidade”, concluiu.

Veja algumas imagens do evento – Fotos: Thiago Gustavo/Divulgação Nenê

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Salgueiro vive noite de grandes apresentações na reta final da disputa de samba

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O Acadêmicos do Salgueiro realizou, na noite do último sábado, mais uma etapa das eliminatórias de samba-enredo para o Carnaval 2026. O enredo “A delirante jornada carnavalesca da Professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, assinado pelo enredista Leonardo Antan e pelo carnavalesco Jorge Silveira, homenageia a carnavalesca Rosa Magalhães. O resultado desta etapa será divulgado na próxima segunda-feira pelas redes sociais da escola. A final acontecerá no dia 27 de setembro. Confira abaixo a análise do CARNAVALESCO.

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Foto: @yrgusmao/Divulgação Salgueiro

Parceria de Xande de Pilares: A obra de Xande de Pilares, Fred Camacho, Betinho de Pilares, Renato Galante, Miguel Dibo, Jorginho Via 13, Jefferson Oliveira, Jassa, João Diniz e W. Corrêa teve a voz inconfundível de Evandro Malandro e Charles Silva, em grande fase no comando do palco. O samba conta com um ótimo alusivo, que ajuda a impulsionar o início da apresentação. A atual parceria campeã aposta em um verso de efeito no refrão principal como trunfo para ir longe na disputa: “Eu sou Salgueiro e fim de papo”. É um verso que dialoga diretamente com a comunidade salgueirense. O refrão principal teve um desempenho muito bom em todas as passadas. Outro destaque da apresentação foi o verso “Achei o jegue que estava escondido na história”, no qual os próprios compositores se empolgam no palco. A torcida, uma das maiores da noite, marcou presença e começou a cantar mesmo antes de a apresentação começar. Foi uma performance vibrante da parceria de Xande de Pilares, que abriu bem a noite de disputa na Silva Telles.

Parceria de Marcelo Adnet: O sempre talentoso Wander Pires foi o intérprete da obra dos compositores Marcelo Adnet, Gustavo Albuquerque, Babby do Cavaco, André Capá, Bruno Zullo, Marcelinho Simon, Rafael Castilho, Luizinho do Méier, Igor Marinho e Fabiano Paiva. A torcida foi uma das que mais cantaram durante toda a apresentação. O samba, que teve um excelente rendimento na noite deste sábado, possui uma fluidez melódica notável e foge do habitual. Um exemplo é o trecho: “O seu samba é de maré/ Que abre caminhos, força de mulher/ Encontra o destino em delírio profundo/ No arrastão da esquina do mundo”, que prepara o terreno para um refrão de meio excelente: “Vem provar minha cachaça/ Puxa o banco e vem prosear/ Nesses bares da Ouvidor/ Tem paticumbum! Um brinde à minha flo…”.

Parceria de Bernardo Nobre: A obra de Bernardo Nobre, João Moreira, John Bahiense, André de Souza, Jorge Silva, Alfredo Poeta e Vitor Lajas foi muito bem conduzida pelos intérpretes Igor Vianna e Chicão. A torcida fez a sua parte, cantando bem o samba. A parceria mostrou por que está entre os seis sambas restantes da Academia, ao realizar uma apresentação de qualidade nesta noite. Vale ressaltar que o samba não caiu nesses 15 minutos e que a dupla de intérpretes estava bastante entrosada. O grande destaque foi a chamada para o refrão de cabeça: “Salgueiro/ A herdeira da revolução/ Presta sua homenagem/ Filha desse chão/ Salgueiro/ Sob as bênçãos de seu guardião/ Eterniza teu legado/ Mestra desse chão”.

Parceria de Marcelo Motta: A obra de Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenorio, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico foi conduzida pelos grandes intérpretes Tinga e Pitty de Menezes. O samba contou com uma torcida vibrante e apaixonada. A parceria mudou a melodia na cabeça do samba, subindo algumas notas, o que resultou em excelente efeito. O rendimento do refrão principal foi alto, sendo um dos grandes destaques: “Ô lelê! Eis a flor dos amanhãs/ A décima estrela brilha em Rosa Magalhães/ Onde o samba é primavera, que floresce em fevereiro/ Nem melhor, nem pior, Salgueiro”. A variação melódica no verso “Enfim, desabrocha em Vieira, Tarcísio, João” evidencia parte da riqueza melódica que a obra possui. Além disso, a letra é inspirada, com destaque para toda a primeira parte do samba. Foi uma grande apresentação da parceria.

Parceria de Moisés Santiago: A quinta parceria da noite teve a assinatura dos poetas Moisés Santiago, Pedrinho da Flor, Gilmar L. Silva, Leonardo Gallo, Orlando Ambrósio, Zeca do Cavaco, Alexandre Cabeça, Bruno Dallari e Marquinho Bombeiro D’Miranda. Ito Melodia, Tem-Tem Jr. e Tuninho Júnior incendiaram a quadra. A torcida compareceu em grande número e cantou alto até o fim. O refrão principal foi um sacode dentro da quadra: “Balança a roseira! Ferve o caldeirão!/ Avenida inteira, marejada de emoção/ Lá vem Salgueiro no perfume das manhãs/ Raiz de Rosa Magalhães!”. O refrão de meio também teve ótimo desempenho: “Bumbumpaticumbum no reizinho glorioso/ Dançando no arraiá da princesa de Noel/ Em lindos ramos desabrocha esse país/ Na Leopoldina… Imperatriz!”. Foi uma apresentação de grande destaque da parceria, que vem colecionando performances fortes.

Parceria de Rafa Hecht: A obra de Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabrício Sena, Deiny Leite, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira e Deco foi a última deste sábado. Preto Joia foi a grande atração da parceria no palco e, mesmo com o passar dos anos, a voz potente do histórico intérprete impressionou. A torcida fez um barulho danado, cantando o samba em sua totalidade antes mesmo do início da apresentação. Além de Preto Joia, Leonardo Bessa também conduziu a obra com competência. O samba, que traz uma leitura profunda do enredo, aposta na poesia com uma leveza que remete à nostalgia. Isso fica evidente já na cabeça do samba: “Eu viajei nos rococós da ilusão/ Arte que me inspirou/ Reencontrei, no mundo de imaginação/ Memórias que você criou”. O segundo refrão teve excelente desempenho: “Que ti-ti-ti é esse pelo mundo a me levar?/ Naveguei sem sair do meu lugar/ Aportei no dia 22 de abril/ À sombra de um pau-brasil”. Outro grande destaque da apresentação foi o verso carregado de sensibilidade: “Mestra, você me fez amar a festa”. Foi mais uma grande performance, fechando em alto nível a noite salgueirense.

Vitória da parceria de Thiago Vaz define samba-enredo da Unidos de Padre Miguel 2026

Por Carolina Freitas e Rhyan de Meira

A parceria de Thiago Vaz, Jefinho Rodrigues, W.Correa, Richard Valença, Miguel Dibo e Cabeça do Ajax venceu a disputa de samba-enredo da Unidos de Padre Miguel para o Carnaval 2026. O resultado saiu depois das 6h deste domingo. A vermelho e branco da Vila Vintém levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Kunhã eté – O sopro sagrado da Jurema”, desenvolvido pelo carnavalesco Lucas Milato, que homenageia a guerreira indígena Clara Camarão, símbolo de coragem, liderança e resistência feminina no Brasil colonial. * OUÇA AQUI O SAMBA CAMPEÃO

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Foto: S1 Comunicação/Divulgação UPM

“A emoção da vitória é indescritível. Eu nasci aqui em frente, e é onde eu comecei no samba. Aqui é onde eu aprendi a amar o samba. E esse é o sexto samba que eu ganho aqui, mas é uma emoção única. Não tem como descrever. O enredo é muito bom, maravilhoso. E pode ter certeza que a Unidos de Padre Miguel pode pegar uma força máxima com esse samba para voltar para o Grupo Especial. Em duas reuniões nós fizemos o samba e a parceria logo se tornou muito conectada, foi maravilhosa. E a comunidade toda cantando meu samba é a coisa mais gostosa desse mundo. Não tem dinheiro, não tem nada que pague isso”, comentou o compositor Jefinho Rodrigues.

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“A sensação é indescritível. O enredo traz muita cultura, mas também muita emoção. Ele traz a história que a escola passou no ano passado, mas também apresenta uma história muito bonita. A gente está muito feliz, tenho certeza de que esse samba vai representar muito bem a Unidos de Padre Miguel. Estamos completando três campeonatos, estamos comemorando o tricampeonato”, revelou o compositor Thiago Vaz.

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“A Unidos de Padre Miguel é oriunda do bairro onde eu moro, da favela onde eu moro, a sensação de vencer aqui vai ser sempre especial. Tenho uma história na escola. A Unidos de Padre Miguel vem conquistando amantes do samba, estudando nos últimos anos, e vencer aqui, depois de um desfile tão injustiçado, com um samba que é essa resposta que a Unidos quer dar na avenida, é muito especial. Assinando, são três vitórias, mas tem outras também. É a minha terceira vitória seguida aqui, assinando. Quero agradecer especialmente ao meu parceiro Cabeça do Ajax, que mais uma vez venceu comigo na escola. Foi ele quem me trouxe para o samba-enredo, esse cara me fez ser compositor”, afirmou o compositor Richard Valença.

Lucas Milato explica a concepção do enredo

O carnavalesco Lucas Milato detalha como surgiu o enredo e a importância de Clara Camarão para a escola. “Foi um carnaval muito especial para a gente. Era um sonho da escola realizar esse desfile no grupo especial. Infelizmente, o resultado final não foi o que a gente esperava, mas a Unidos é uma escola muito guerreira. A Unidos é uma escola que não desiste, ela não abaixa a cabeça e é isso que a gente está fazendo para a 26. Vamos realizar novamente um carnaval grandioso para, se Deus quiser, retornarmos para o lugar de onde não deveríamos ter saído, mas principalmente para presentear a nossa comunidade com um desfile grandioso, que é o que eles merecem, que é o que eles esperam da gente”.

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Ele ressalta ainda a relação familiar com a escola: “Eu acho que a Unidos já é, por si só, uma escola muito familiar, uma escola que abraça os profissionais e os segmentos, e com o tempo a gente vai intensificando essa relação. E isso faz toda a diferença. Hoje eu tenho uma relação familiar com a Unidos Padre Miguel, e isso faz toda a diferença no trabalho. É muito gostoso e especial para mim ter esse laço”.

E explica a escolha do tema: “O enredo surgiu de uma necessidade que a gente tinha de continuar essa pegada de exaltar mulheres e de falar sobre elas, e acima de tudo trazer cultura para a nossa comunidade e para o povo do samba. Clara Camarão é uma mulher guerreira de muita força, que ainda não tem o reconhecimento devido, por isso, a gente pode falar que a Padre Miguel, enquanto instituição, tem esse dever de dar voz e protagonismo não só a mulheres, mas a personagens que não são tão conhecidos ainda e que possuem histórias incríveis”.

Bruno Ribas sobre o legado do samba

O intérprete Bruno Ribas destaca a importância do samba no pós-carnaval e o trabalho em equipe. “O desfile de 2025 ainda representa muito… Apesar de tudo, para mim o saldo foi muito positivo. Não para mim particularmente, mas para a UPM. Hoje a escola tem mais respeito ainda no carnaval. E além de tudo, acontece uma coisa inédita: o samba, ele acontece depois do carnaval. Até hoje, está rendendo frutos e está aí mostrando que a escola tem muita capacidade”.

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Ele completa falando sobre a equipe: “Na verdade, essa equipe já existia aqui. Eu só complementei mais duas pessoas e toquei o projeto, que eram meus amigos antes de eu chegar aqui”.

Cícero Costa fala sobre a preparação para 2026

O diretor de carnaval, Cícero Costa, detalha a organização e o planejamento da escola para o próximo desfile. “Acho que, à essa altura, a escola está bem coesa e com o pezinho no chão. Ela sabe que tem que fazer aquele trabalho de formiguinha para tentar voltar ao Grupo Especial, respeitando as co-irmãs do Grupo de Acesso”.

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Ele reforça a estrutura da escola: “O que a gente tem mostrado através dos anos. É uma escola grande, imponente, que faz carnaval para o público ver e admirar”.

E sobre a quantidade de componentes: “A escola vai vir com 1.700 componentes. De 1.700 a 1.800, que acho que é o número limite para o Grupo de Acesso”.

Mestre Laion antecipa a bateria de 2026

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O mestre da bateria, Laion, fala sobre a musicalidade e os instrumentos que vão guiar a comunidade. “Acho que fomos injustiçados. Pelo tamanho da escola e pelo carnaval que colocamos na avenida, merecíamos a oportunidade de permanência. Para 2026, o principal instrumento da bateria serão os maracás, que representam os povos originários”.

Marcinho e Cris destacam a dedicação da dança

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho e Cris, comenta como vai se preparar para 2026 e a entrega à comunidade.

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“Acho que tudo na vida é aprendizado. Muitas coisas ficaram de lição. Eu tenho certeza de que a gente fez o máximo que pôde, dentro das condições que tivemos. Agora é virar a página. Não estamos mais pensando em 2025, estamos olhando para 2026 e para frente. Vamos vir com suporte, carinho, respeito e a admiração de toda a comunidade para o nosso trabalho, para o que a gente representa. Estamos muito felizes na Unidos de Padre Miguel e vamos com tudo para 2026. Para a gente, não tem diferença: a entrega é total. Tenho certeza de que aqui na Unidos vou viver o carnaval mais incrível da minha vida”, comentou a porta-bandeira.

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“Nada muda na nossa dança, independente de escola ou grupo. A entrega, a responsabilidade, o carinho e o empenho são os mesmos. A gente quer retribuir todo o carinho e a recepção que a Unidos de Padre Miguel teve com a gente. Vamos dar tudo de nós e mais um pouco”, garantiu o mestre-sala.

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Unidos de Padre Miguel 2026: ouça o samba-enredo campeão

Compositores: Thiago Vaz, Jefinho Rodrigues, W.Correa, Richard Valença, Miguel Dibo e Cabeça do Ajax

Quem vem lá é a Unidos de Padre Miguel
A chama da ira terrena que evoca o sagrado do céu
Girando inicia o Toré, herança dos meus ancestrais
O passo marcado, nas mãos maracás
Virado no meu Juremá
Xamã revelou a missão
A mata é de Clara Camarão
Kunha Eté, sobrenome resistir
Sangue urucum as margens do Potengi
Mãe d’água (mãe d’água) desperta a fina flor
Poti, Potiguara em nome do amor

Quando ecoa o tambor, vibra a alma da floresta
Nesse solo de guerreiros, o corpo se manifesta
Firma o pé, empunha a lança, que a justiça vem a tona
A nossa tribo avisa:
Essa terra aqui tem dona!

Nativa, lidera mulheres em tantas batalhas
Muralha invisível que o tempo despiu
Brasil, na tua Jurema que habita o sacrário
Leão é invasor, Rei é o povo originário

Eh cabocla da pele morena
Tem doçura, tem encanto, no entanto não tem pena

Das águas sagradas aos seres de luz
Entrego o caminho a quem me conduz
É “clara” essa força que faz ir além
Incorporada no povo da Vila Vintém

Vai meu Boi Vermelho, honre a tua história
E seja a flecha viva da memória
Quantas vezes for preciso, haverá renascimento
Pra que a verdade não caia no esquecimento