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Imprevistos na comissão de frente e força da comunidade definem desfile de Santa Cruz

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Às vésperas de completar 67 anos de história, a Acadêmicos de Santa Cruz cruzou a avenida com a serenidade de quem conhece o próprio chão e a responsabilidade de quem carrega um bairro inteiro no peito. Com o enredo “Brasil de Mil Faces em um só Coração”, a escola da Zona Oeste apostou naquilo que nunca sai de moda: a brasilidade.

As cores nacionais dominaram alas e alegorias, tingindo a passarela com patriotismo festivo. A velha guarda apresentou-se elegante e altiva, revisitando memórias como se cada passo contasse um capítulo desses 67 carnavais. As baianas, com graça e precisão, também trouxeram elegância ao conjunto.

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Foto: S1 Comunicação

Uma ala coreografada imprimiu leveza e movimento ao desfile, criando desenhos no asfalto e arrancando aplausos da arquibancada. Foi um daqueles momentos que lembram que o carnaval também é espetáculo visual, feito de ensaio, disciplina e entrega.

O samba, embora um pouco arrastado em determinados trechos, não comprometeu o conjunto. A escola seguiu firme, evoluindo com o apoio decisivo de sua torcida. Ainda assim, houve tensão no capítulo final: foi preciso acelerar o passo para não estourar o tempo regulamentar. A reta final exigiu fôlego extra e concentração redobrada. Mesmo assim, a Acadêmicos de Santa Cruz mostrou que sua maior alegoria é a própria resistência.

COMISSÃO DE FRENTE

Assinada por Rodrigo Avelar, a comissão levou onze integrantes à avenida, todos com fantasias semelhantes, de traços simples, em verde e amarelo. A proposta remetia aos povos indígenas, evocando ancestralidade e as raízes primeiras do Brasil — ideia coerente com o enredo.

Logo na segunda cabine de jurados, parte dos figurinos começou a dar sinais de fragilidade. Algumas peças se soltaram em plena coreografia, exigindo ação rápida dos diretores de harmonia, que puxavam e ajustavam as roupas enquanto os bailarinos seguiam dançando. A cena se repetiu na terceira cabine, quando novamente integrantes perderam partes da fantasia durante a apresentação.

Na última cabine, o problema voltou a ocorrer. O que deveria ser apenas movimento coreografado transformou-se também em exercício de improviso. Entre passos marcados e ajustes emergenciais, os dançarinos mantiveram profissionalismo e sustentaram a performance apesar dos imprevistos.

A comissão de frente, responsável por abrir caminhos e apresentar o cartão de visitas da escola, acabou protagonizando um desfile de superação.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Coube ao primeiro casal a missão de defender o maior símbolo da escola: o pavilhão. Johnny Matos e Cassiane Figueiredo surgiram na avenida alinhados ao tema do enredo, com cores que dialogavam em harmonia com a proposta e reforçavam o sentimento de pertencimento apresentado ao longo do desfile.

Vestidos predominantemente de verde e adornados por flores amarelas, transformaram o figurino em extensão da própria dança. As cores vibrantes valorizavam giros e deslocamentos, criando efeito plástico marcante a cada evolução.

No bailado, a sintonia era evidente. Giros precisos e o tradicional cortejo do mestre-sala, executado com atenção e respeito ao pavilhão, compuseram apresentação segura. Havia entrega, concentração e consciência do espaço — elementos indispensáveis em um quesito que exige técnica apurada sem abrir mão da emoção.

Diante das cabines de jurados, o casal manteve regularidade e cumpriu sua missão com serenidade, passando dentro das conformidades exigidas e sustentando o pavilhão com firmeza.

EVOLUÇÃO E HARMONIA

A escola fez desfile animado, e a comunidade da Zona Oeste deu seu recado na evolução e no canto dos desfilantes de chão, mesmo com o samba soando arrastado em alguns momentos.

A torcida, com bandeiras nas arquibancadas, ajudava a empurrar a escola para frente. Nos carros alegóricos, alguns componentes evoluíram com empenho, enquanto outros permaneceram parados, o que prejudicou parcialmente o conjunto visual.

A harmonia manteve-se pouco abalada durante grande parte do desfile. Contudo, na reta final, foi necessário acelerar consideravelmente para não ultrapassar o tempo regulamentar.

OUTROS DESTAQUES

A ala de passistas cruzou a avenida com energia, esbanjando beleza e simpatia. A bateria dos mestres Cleison Brown e Riquinho conduziu a escola com cadência e vibração. No entanto, no fim do desfile, a necessidade de correr fez com que parte do swing se perdesse em nome do cumprimento do tempo.

Entre tensão e vibração, Rocinha sustenta desfile no canto da comunidade

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A Rocinha atravessou a avenida com pressa no passo e emoção no olhar. A Acadêmicos da Zona Sul levou para o Carnaval de 2026 o enredo “Alafiou! Caminhos Abertos para a Vitória”, apostando em uma narrativa de superação e fé para sustentar seu desfile.

Desde o primeiro setor, ficou evidente que a escola confiava na força da harmonia para manter o conjunto coeso. E foi justamente no canto intenso dos desfilantes que encontrou sua maior segurança. O samba ecoou com potência, ajudando a empurrar alas e alegorias pela avenida, mesmo quando o relógio começou a apertar.

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Foto: S1 Comunicação

Nos minutos finais, a correria se fez necessária. A escola precisou acelerar o andamento para não comprometer o tempo regulamentar, transformando tensão em energia. Ainda assim, não perdeu o canto nem deixou a emoção esfriar.

Foi um desfile vibrante, que soube equilibrar organização e improviso. Entre ajustes de última hora e vozes firmes no refrão, a agremiação mostrou que, quando a comunidade sustenta o samba, há sempre um caminho possível.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente chegou impondo respeito. Com canto forte e passos marcados com precisão, os doze integrantes desenharam na pista uma coreografia segura e expressiva. O quesito, liderado por Júnio Barbosa, fez apresentação consistente aos jurados na madrugada de terça-feira, na Intendente Magalhães.

Divididos em representações de orixás, figuras encapuzadas de preto e uma borboleta — símbolo maior da Acadêmicos da Rocinha —, os bailarinos ocuparam a avenida com intensidade. Durante toda a performance, entoavam o samba enquanto marcavam o chão com pisadas firmes, criando atmosfera de força e presença.

Um dos momentos mais impactantes veio na troca de figurino de seis bailarinas. Em movimento sincronizado, retiraram as capas pretas e revelaram vestidos prateados, numa virada visual que chamou atenção imediata. As capas eram depositadas em um cesto carregado por outra integrante, compondo a cena com organização e efeito teatral.

Nas quatro cabines, a comissão manteve o padrão: apresentações técnicas, bem executadas e com boa leitura cênica. Um cartão de visitas que uniu vigor, simbolismo e precisão logo na abertura do desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Bela apresentação do casal Rodrigo França e Manu Brasil, que defendeu o pavilhão da Acadêmicos da Zona Sul com segurança e elegância. A dupla soube utilizar bem o espaço da pista, demonstrando sintonia e credibilidade em cada movimento.

O giro da porta-bandeira foi coeso e firme, enquanto o mestre-sala executou cortejo bem marcado, valorizando o pavilhão e respeitando a liturgia do quesito. Havia harmonia nos olhares, precisão nos gestos e confiança na condução da coreografia.

O figurino também se destacou: muito bonito, trazia as cores da escola em composição equilibrada, criando conjunto visual que dialogava perfeitamente com o pavilhão. Um quadro plástico bem resolvido, que reforçou a força da apresentação.

EVOLUÇÃO E HARMONIA

A Acadêmicos da Zona Sul apostou na força da comunidade e encontrou, no canto empolgado dos desfilantes, um dos pilares do desfile. Quase todas as alas evoluíram com entusiasmo, sustentando o samba em voz alta e mantendo a energia da pista acesa ao longo do percurso.

Nem todos os setores, porém, acompanharam o mesmo ritmo. As baianas, que vinham à frente da escola, deixaram a desejar no quesito canto. Evoluíram com dignidade, mas praticamente não cantaram, criando contraste perceptível com o restante da comunidade.

A harmonia assumiu a responsabilidade de balizar o desfile, ajustando espaços e corrigindo pequenos desalinhamentos. Esse esforço impactou o andamento geral. Nos minutos finais, a escola precisou acelerar de forma mais intensa e passou muito rápido diante da última cabine, numa corrida contra o relógio que quebrou parte da cadência construída ao longo da apresentação.

Ainda assim, ficou a imagem de uma escola vibrante, que contou com sua gente até o fim, mesmo quando o tempo exigiu mais pressa do que o samba gostaria.

OUTROS DESTAQUES

A bateria da Acadêmicos da Zona Sul, sob o comando do mestre Júnior, entrou vestida de ogã, impondo presença e reforçando a identidade cultural do enredo. Com afinação segura, sustentou o samba que vinha forte da comunidade, mantendo cadência e energia durante todo o desfile. Um momento especial foi a participação de mestre Lolo, da Imperatriz Leopoldinense, que trouxe brilho extra à apresentação.

Enquanto a bateria mostrava firmeza, a diretoria demonstrava apreensão. Já na metade do desfile, havia preocupação com alegorias que ainda não tinham entrado na avenida. A tensão só se dissipou no fim, quando a escola conseguiu completar o percurso dentro do tempo regulamentar, mesmo precisando acelerar nos últimos minutos. A emoção tomou conta da direção, refletindo a entrega de todos que trabalharam para que, no improviso e na pressa, o samba e a tradição prevalecessem.

Vila Santa Tereza festeja o Cacique de Ramos com desfile vibrante na Intendente

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A Unidos da Vila Santa Tereza foi a décima escola a cruzar a Intendente Magalhães. Entrou com empolgação ao som do intérprete Edson Neto, trazendo à memória uma homenagem que atravessa gerações: os 65 anos do Cacique de Ramos, uma das maiores referências da cultura popular carioca.

O enredo já dizia a que vinha: “A Vila Santa Tereza não marca bobeira e festeja os 65 anos do Cacique de Ramos”. E não marcou mesmo. Antes mesmo de o desfile ganhar forma, o esquenta tomou conta do público com sambas históricos eternizados pelo bloco de Ramos. Quem conhecia cantava com orgulho, e a escola desfilou com entusiasmo contagiante.

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Foto: S1 Comunicação

O carnavalesco Caaio Araújo mostrou criatividade e soube trabalhar com o que tinha em mãos, transformando recursos enxutos em narrativa. O resultado foi um desfile que contagiou a arquibancada, pois o público se identificava com o que assistia.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente da Unidos da Vila Santa Tereza, assinada por Michel Dioliver, abriu o desfile com doze integrantes em cena e uma proposta simbólica bem definida. Oito deles vestiam vermelho, preto e branco, cores do Cacique de Ramos, reafirmando logo nos primeiros passos a homenagem.

Os demais componentes incorporaram figuras de forte representação espiritual e cultural: os orixás Ogum e Oxóssi, além da imagem de uma mãe de santo e de uma indígena, compondo um quadro que remetia às raízes e à ancestralidade presentes na história do samba. Ao centro, um tripé vermelho, no mesmo tom vibrante dos figurinos, com folhagens no topo, completava o cenário.

A coreografia seguia firme até a parada diante da primeira cabine de jurados, quando um imprevisto atravessou a cena. Um dos bailarinos perdeu a saia da fantasia e precisou se apresentar apenas de sunga. Em meio à tensão silenciosa do momento, outro integrante, ao deixar a marcação, abaixou-se discretamente para recolher a peça caída no chão. Ainda assim, outras saias acabaram se embolando durante a evolução.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Soli e Laís Machado, entrou na avenida com elegância e sintonia. A coreografia foi executada de forma tranquila, respeitando o ritual que o pavilhão exige e mantendo harmonia nos movimentos.

Ainda assim, ficaram pequenos detalhes que, nesse quesito tão técnico, fazem diferença: faltou à porta-bandeira um giro mais preciso, daqueles que desenham círculos perfeitos no ar, e ao mestre-sala um cortejo mais enfático, com maior presença cênica nos momentos de exaltação ao pavilhão.

Matheus desfilava com animação contagiante, sempre sorridente e expansivo. Laís, simpática e delicada nos gestos, demonstrava leveza, embora já na primeira cabine aparentasse certo cansaço — algo sutil, mas perceptível aos olhos mais atentos.

O grande destaque ficou por conta das vestimentas. Ricamente trabalhadas, com cores e acabamentos que dialogavam com a identidade da escola, criaram efeito visual marcante sob as luzes da avenida, valorizando o casal e emoldurando com beleza a dança.

EVOLUÇÃO E HARMONIA

Impulsionada pelo próprio samba-enredo, a Unidos da Vila Santa Tereza encontrou na música e na resposta do público o combustível para sua evolução. O refrão ecoava forte na avenida, cantado em alto e bom som pelos desfilantes, sempre estimulados pelos dirigentes de harmonia, atentos a manter a energia acesa.

Era visível o esforço coletivo para preservar a cadência e a unidade das alas. Nos minutos finais, porém, a harmonia enfrentou um desafio: houve uma breve parada que exigiu jogo de cintura para reorganizar a fluidez e evitar maiores prejuízos.

Ainda assim, a agremiação buscou, até o último instante, manter o conjunto coeso. No balanço geral, passou dentro da média, cumprindo o que se propôs e sustentando a dignidade de quem sabe que, na avenida, cada detalhe conta — mas a entrega da comunidade também pesa.

OUTROS DESTAQUES

Se houve um momento em que a avenida pulsou mais forte, ele veio do recuo da bateria. Sob o comando do mestre Marlon Celestino, a bateria foi ponto alto da noite. O naipe de agogôs desenhava o samba com precisão, preenchendo a melodia com personalidade e balanço. A fantasia dos ritmistas também chamou atenção: uma releitura das roupas tradicionais usadas nos desfiles do Cacique de Ramos, conectando passado e presente em tecido e brilho.

Não ficou nítido para quem assistia se a escola representou os fundadores do Cacique na figura de integrantes do grupo Fundo de Quintal.

A ala das baianas também se destacou, girando com imponência e leveza, arrancando aplausos pela evolução segura e pelo impacto visual. No chão da avenida, o destaque que conduzia os estandartes do Cacique trouxe força simbólica ao desfile, carregando não apenas bandeiras, mas memória e tradição.

O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira cumpriu bem seu papel, dançando com elegância e garantindo a defesa do pavilhão com serenidade. Em meio aos altos e baixos naturais de um desfile, foram esses momentos que sustentaram o brilho da apresentação e mantiveram viva a vibração da noite.

Casal se destaca em noite desafiadora para o Engenho da Rainha

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A Acadêmicos do Engenho da Rainha levou para a avenida o enredo “Santa Rosa – Negro, Moderno e Plural”, homenageando um artista multifacetado que atuou como pintor, designer, ilustrador, figurinista, cenógrafo e crítico de arte. A proposta destacou a multiplicidade de talentos de um homem que transitou por diversas linguagens e marcou seu tempo com criatividade e identidade.

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Foto: S1 Comunicação

Antes mesmo de pisar na pista, ao anunciar a escola, o público reagiu com entusiasmo. No entanto, o clima mudaria completamente em razão de um atraso superior a 40 minutos na programação, ocasionado por fatores externos ao desfile, comprometendo o clima da noite. Com tanta demora e sem explicações por parte da liga ou da escola, parte do público reagiu com gritos, vaias e descontentamento. A agremiação iniciou sua apresentação por volta de 1h40 da manhã, já sob tensão, de forma apressada e com parte do público visivelmente desanimada pela longa espera.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente foi composta majoritariamente por mulheres e apostou em uma apresentação simbólica. Sem elementos alegóricos, o grupo utilizou apenas o corpo e a expressão artística para defender a proposta, com figurinos que remetiam a tintas e pintura.

Na apresentação, destacaram-se um grande livro exibido no primeiro módulo de jurados, contendo o retrato do homenageado e reforçando a ideia de memória, legado e reverência; a presença de uma bailarina na coreografia, mesclando o clássico com o samba e representando as múltiplas formas de arte praticadas por Santa Rosa; e o único homem do corpo de balé, que se destacava pela roupa vermelha, rosto pintado, interação com os jurados e coreografias em dupla com a bailarina, como ao erguê-la enquanto os demais formavam um círculo ao redor.

Após a primeira apresentação, o grupo permaneceu em cena, mas só retomou a dança quando a exibição do mestre-sala e da porta-bandeira se aproximava do fim. A coreografia foi simples, porém objetiva, priorizando a leitura clara do enredo e a representação da figura central da narrativa.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Léo Chocollat e Cris Soares, demonstrou carisma e forte ligação com a comunidade. Na dança, apresentaram uma coreografia clássica e tradicional, sem muita velocidade, o que permitiu observar cada movimento. No trecho do samba “Eu quero ouvir o Morro do Engenho / Tomar a avenida em uma só voz”, sempre que o nome do morro era mencionado, o casal se virava para exaltar a comunidade, conseguindo resposta imediata do público e criando conexão afetiva entre arquibancada e pista.

O destaque foi para a porta-bandeira, que apresentou belo bailado, giros consistentes e manuseio firme do pavilhão. A sintonia entre os dois foi perceptível ao longo do percurso, e o carisma contagiou o público. A apresentação na última cabine ocorreu aos 30 minutos de desfile e, mesmo com o impacto do atraso inicial, o casal manteve postura segura, sustentando elegância e entrega emocional na defesa do pavilhão.

ENREDO

O enredo buscou evidenciar a pluralidade do artista homenageado, contando uma história que muitas vezes fica distante dos holofotes. A escola ressaltou suas múltiplas funções e relevância cultural. A narrativa destacou a força de um criador negro, moderno e plural, valorizando sua trajetória e contribuição para as artes. A história foi percebida ao longo da avenida nas alas e carros, que representavam diferentes formas de arte, como dança, pintura e escrita, evidenciando as múltiplas facetas de Santa Rosa.

EVOLUÇÃO

O atraso interferiu diretamente no ritmo inicial da escola e no clima entre os componentes. A entrada tardia trouxe tensão, e houve registro de discussões entre integrantes da harmonia enquanto aguardavam a liberação para desfilar. Esse contexto refletiu nos primeiros minutos na pista, como a bateria saindo de forma antecipada do recuo.

Aos 38 minutos, ainda com um carro por atravessar, a harmonia acelerou o andamento para garantir o cumprimento do tempo. A escola encerrou sua apresentação com 40 minutos e 58 segundos, concluindo o percurso dentro do limite regulamentar.

HARMONIA

O canto dos componentes foi irregular. Poucas alas cantaram com intensidade, o que exigiu esforço da equipe de harmonia para tentar elevar a animação ao longo do trajeto. A resposta coletiva não foi tão impactante.

O carro de som foi um dos pontos de sustentação do desfile. A voz marcante do intérprete Chicão conduziu a escola com firmeza, contando com o apoio de um carro de som coeso, que incluía presença feminina reforçando o conjunto vocal e ajudando a manter o samba pulsante na avenida.

SAMBA-ENREDO

O samba apresentou a proposta do enredo de forma coerente, destacando a pluralidade e a força do homenageado. A obra cumpriu seu papel narrativo, sustentando a temática ao longo do desfile.

Entretanto, a baixa adesão de parte dos componentes ao canto reduziu o impacto coletivo da composição. Ainda assim, a interpretação segura garantiu continuidade e unidade à apresentação.

FANTASIAS E ALEGORIAS

As fantasias eram simples e funcionais, com muitos figurinos em formato de vestidos ou bermudas, priorizando não alcançar os pés. A proposta visual destacou praticidade, ainda que sem grande sofisticação estética em parte das alas.

As baianas se destacaram positivamente, com fantasias coloridas e criativas, trazendo mais presença visual ao conjunto. O setor ajudou a enriquecer o desfile em termos de cor e identidade.

O abre-alas entrou na avenida sem iluminação, fator que impactou a primeira impressão visual junto ao público. Ainda assim, cumpriu a função de introduzir a narrativa proposta.

No conjunto, as alegorias mantiveram coerência com o enredo, mas sem grandes efeitos ou recursos cênicos de destaque. A leitura foi clara, embora visualmente discreta.

OUTROS DESTAQUES

A bateria apresentou bom desenho sonoro, com instrumentos perceptíveis e equilibrados, com destaque para chocalho e agogô. O conjunto rítmico sustentou o andamento mesmo nos momentos de maior tensão.

A ala das passistas também chamou atenção pela entrega e desempenho. Mesmo diante dos desafios enfrentados antes e durante o desfile, a Acadêmicos do Engenho da Rainha manteve sua identidade comunitária e defendeu sua proposta até o último minuto.

Dendê aposta na irreverência, mas enfrenta problemas técnicos na Intendente

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No enredo “No Carnaval dos 7 Mares, vai dar Zebra!”, a Acadêmicos do Dendê levou para a Intendente Magalhães uma homenagem direta à Portuguesa Carioca, tradicional clube da Ilha do Governador e símbolo de resistência e identidade luso-brasileira no subúrbio carioca. A proposta mergulhou na história e na simbologia, brincando com o universo marítimo, remetendo às grandes navegações portuguesas e à irreverência do termo “zebra”, expressão popular que dialoga tanto com o futebol quanto com o espírito surpreendente do carnaval. Extremamente colorida e descontraída, a escola construiu um desfile festivo, conectando mar, comunidade e arquibancada, apostando na leveza estética e no carisma popular para exaltar a homenageada.

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Foto: S1 Comunicação

COMISSÃO DE FRENTE

Sem um elemento alegórico, a comissão de frente trouxe apenas bailarinos, com uma integrante em destaque, fantasiada de zebra e sobre uma perna de pau. O quesito investiu em uma coreografia mais simples, utilizando leques e panos para criar efeitos visuais e dar dinâmica à apresentação. A proposta foi criativa dentro da simplicidade, mas faltou maior impacto cênico. Os componentes, ao final da apresentação no primeiro módulo, não reverenciaram a primeira cabine de jurados, o que pode impactar na avaliação. Ainda assim, cumpriram a coreografia com organização e boa ocupação de espaço.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal apresentou um bailado bonito, com sintonia e conexão visível entre si. A dança foi leve e visualmente agradável, com gestos de braços que complementaram a comunicação corporal, além de reforçarem a valorização do pavilhão. No entanto, o acabamento da fantasia da porta-bandeira apresentou problemas, especialmente na parte de tule, com rasgos aparentes; já a saia possuía falhas na costura e na limpeza da barra. O mestre-sala teve uma bolinha de sua fantasia desprendida durante a apresentação no último módulo. Apesar desses contratempos, o casal de mestre-sala e porta-bandeira defendeu o conjunto com técnica e entrega dentro de suas competências e responsabilidades.

ENREDO

A proposta de enredo dos carnavalescos Renato Vieitas e Pablo Azevedo, de navegar pelos “7 Mares” para exaltar a Portuguesa Carioca, trouxe irreverência, cor e liberdade criativa à história contada na avenida. A escola brincou com o universo marítimo e com a ideia da “zebra”, construindo uma narrativa solta, festiva e popular. O tom descontraído dialogou com a identidade da agremiação, priorizando o entretenimento e a alegria visual, conectando-se com o público e gerando impacto estético.

EVOLUÇÃO

A evolução foi regular do início até o meio do desfile, com componentes cantando ao longo da avenida, mesmo sem grande explosão de empolgação, especialmente na primeira ala. No último módulo de jurados, houve um grande buraco devido ao atraso na locomoção do carro e à dificuldade de manobra, o que também aconteceu no abre-alas, mas sem gerar espaços na pista. A situação pode ter sido causada pela largura considerável do carro em relação ao tamanho da avenida, exigindo muitas pessoas para empurrá-lo. A desenvoltura das musas nesse momento foi essencial para preencher o espaço, interagindo com o público e mantendo a energia. A ala dos compositores encerrou o desfile com força, cantando bastante e levantando quem ainda permanecia nas arquibancadas.

HARMONIA

O carro de som contou com vozes marcantes. A alternância entre a voz feminina e a masculina funcionou bem em diversos momentos, criando um efeito interessante; em outros, houve desencontro, prejudicado também por questões na caixa de som. O intérprete Doum Guerreiro conduziu o samba com segurança e firmeza. No entanto, fatores externos impactaram a desenvoltura dos cantores: um ruído no som atrapalhou o final do desfile, afetando a reta final da apresentação e prejudicando o espetáculo para o público presente.

SAMBA-ENREDO

Criado por Almir da Ilha, Aloisio Villar, Dé da Ilha, Waguinho, Rosangela Poeta, Marcelo Martins, Bruno Revelação, Micha, Doum Guerreiro, Rafael Santos, Marquinhus do Banjo, Rafinha da Ilha e Gugu das Candongas, a canção é irreverente e de refrão fácil. O samba tinha potencial para levantar ainda mais o público, como no trecho “Quando ouvi o toque do tambor / Voltei feliz pra Ilha do Governador”. Com maior entusiasmo coletivo no carro de som, poderia ter alcançado impacto mais expressivo nas arquibancadas. Ainda assim, cumpriu a função de sustentar a proposta leve e festiva do enredo.

FANTASIAS

Leves e extremamente coloridas, as fantasias dialogaram com a proposta irreverente do desfile. Houve alas com excesso de pano para criar movimento de onda; outra com adereços de cabeça representando a zebra; e, atrás desta, uma ala coreografada — na qual não era possível ter certeza se a fantasia estava completa, já que possuía adereço na parte inferior, mas cada componente usava roupa própria preta. Destaque para as baianas, vestidas de vermelho, que demonstraram empolgação ao girarem bastante e apresentaram figurinos simples, mas bem acabados. Os ritmistas também usaram roupas confortáveis, inspiradas em jogadores de futebol, favorecendo um desempenho mais livre da bateria.

ALEGORIAS

O abre-alas surgiu imponente, grande e bastante colorido, trazendo à frente uma zebra e oito destaques no alto da alegoria, com fantasias variadas — entre elas trajes de bate-bolas — que ajudaram a compor um visual vibrante e irreverente. Todavia, a alegoria apresentou problemas ao longo do percurso: entrou torta e em maior velocidade no último módulo de jurados, o que comprometeu parcialmente o impacto.

O segundo carro também enfrentou dificuldades, com acabamento abaixo do esperado e momentos em que parecia desgovernado, exigindo atenção redobrada para manter o andamento. Já o último elemento alegórico destoou do conjunto apresentado no início do desfile, com falhas visíveis de acabamento que contrastaram com o colorido e a força estética propostos nas primeiras alegorias.

OUTROS DESTAQUES

A bateria executou bem sua bossa, mantendo regularidade e sustentação ao longo da avenida. A irreverência da proposta, somada às cores intensas e à entrega da ala dos compositores no encerramento, garantiu um fim animado, mesmo com os ruídos técnicos que marcaram os minutos finais. No Carnaval dos 7 Mares, o Dendê navegou entre altos e baixos, mas manteve sua identidade popular e festiva até o último compasso.

Pagode, ancestralidade e emoção marcam desfile da São Clemente

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“Na Tamarineira, é pagode, é carioca, é São Clemente”. Foi com esse manifesto em forma de samba que a São Clemente atravessou a avenida. O enredo, um dos mais interessantes do carnaval, celebrou as raízes do samba, a herança africana e o quintal como território sagrado da cultura carioca. A escola construiu uma linha temporal sobre a relação da negritude com o samba e suas vertentes, como samba-enredo, pagode, samba de roda e outros estilos oriundos da musicalidade negra.

Em versos que evocaram o jongo, o lundu, a Casa de Ciata e a resistência negra, a agremiação transformou a pista em uma grande roda de samba, em desfile marcado por entrega, identidade e vibração.

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Foto: S1 Comunicação

A São Clemente levou para a Zona Oeste a representação daqueles que trouxeram às terras cariocas o que hoje é festejado, aceito, comemorado e comercializado por muitos, mas que por muito tempo foi rejeitado e discriminado. O samba atravessou o oceano nos navios negreiros e ganhou novas formas na cidade maravilhosa, transformando encontros de amigos em gênero musical e elevando a negritude ao protagonismo com nomes exaltados nacional e internacionalmente, como Fundo de Quintal, Beth Carvalho e Arlindo Cruz, reafirmando que “São Clemente é quintal de todo partideiro”.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente apresentou componentes com trajes que remetiam aos escravizados, em referência aos primeiros negros que chegaram à região conhecida como Pequena África. Com figurinos leves e propositalmente rasgados, os dançarinos utilizavam correntes nas mãos e no pescoço, reforçando a simbologia da opressão.

O ponto alto ocorreu no momento da libertação: ajoelhados, retiravam as correntes e ecoavam um grito coletivo, dialogando diretamente com o trecho do samba que fala de liberdade e resistência. Após a libertação, os componentes celebravam sambando e exibiam retratos de nomes marcantes do samba, como Arlindo Cruz e Jovelina Pérola Negra; no verso, formava-se o nome da escola.

O elemento alegórico que acompanhava o setor — mistura de navio, árvores secas e atabaques — chamou atenção pelo tamanho e pouca funcionalidade. Exigiu mais esforço de condução do que efetiva contribuição cênica. Ainda assim, a comissão apresentou talento, entrega e segurança técnica, defendendo a proposta com profissionalismo e energia.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Alex Marcelino e Thaís Romi, protagonizou um cortejo elegante e clássico. Mantiveram postura, conexão e emoção durante toda a apresentação. A porta-bandeira destacou-se pela expressividade e firmeza na defesa do pavilhão, assumindo protagonismo em determinado momento da coreografia ao cantar e exaltar o símbolo da escola diante dos jurados.

O mestre-sala cumpriu seu papel com cortejo e proteção, sempre alinhado à parceira. Houve pequenos problemas com as fantasias, como a capa do mestre-sala que se soltou de um lado e certo desconforto aparente na fantasia da porta-bandeira na região do busto.

ENREDO

Com “Na Tamarineira, é pagode, é carioca, é São Clemente”, a escola construiu narrativa que partiu da ancestralidade africana até o pagode contemporâneo, passando por quintais, terreiros e rodas de samba que moldaram a identidade musical do Rio.

O desfile fez referências históricas e culturais, do Valongo ao Cacique de Ramos, reafirmando o pagode como resistência e celebração coletiva. A proposta foi bem traduzida na avenida, mesclando contexto histórico do período escravocrata ao apogeu do gênero musical, exaltando artistas que alcançaram projeção nacional.

EVOLUÇÃO

A evolução começou de forma fluida, com liberdade e tranquilidade entre os componentes. No entanto, por volta dos 38 minutos, quando a bateria cruzava o quarto módulo e ainda havia um carro alegórico por passar, a escola acelerou o ritmo. O desfile foi encerrado com 40 minutos e 50 segundos. Apesar do ajuste, manteve coesão espacial e não apresentou buracos.

HARMONIA

A harmonia mostrou-se atenta ao canto dos componentes. Alas importantes, como a primeira após o casal e o setor das baianas, cantaram com entusiasmo, reforçando o clima de roda de samba. A ala das passistas destacou-se pelo samba no pé durante todo o percurso.

No carro de som, Tinguinha demonstrou fôlego e qualidade, conduzindo a escola com segurança e potência vocal. O entrosamento com a equipe garantiu momentos de forte interação com o público, especialmente nos trechos mais festivos do samba.

SAMBA-ENREDO

O samba funcionou bem na avenida, com refrões de fácil assimilação e trechos que evocaram resistência e celebração. Cresceu nos momentos de maior interação com o público. O entrosamento entre carro de som e bateria assegurou constância e intensidade ao longo do desfile.

FANTASIAS E ALEGORIAS

Predominaram as cores azul, branco e amarelo, reforçando a identidade visual da escola. Houve presença marcante de adereços de cabeça e figurinos festivos. Musas e rainha apresentaram fantasias de bom acabamento e brilho. Destaque para as baianas, com figurino amarelo, asas de borboleta e saias amplas, compondo visual marcante.

As alegorias dialogaram com o enredo, com maior ênfase na negritude do que nas referências diretas ao samba. De tamanho mediano, apresentaram bom acabamento e cumpriram seu papel dentro da proposta, sustentando a estética popular e festiva.

OUTROS DESTAQUES

A bateria apostou em bossas que faziam referência ao pagode, criando identificação com o enredo. Chocalhos, pandeiros e repiques ganharam destaque no conjunto. Ao final, os gritos de “é campeão” ecoaram pela avenida, sintetizando o espírito da apresentação: mais do que um desfile, uma grande roda de pagode transformada em espetáculo.

Império de Nova Iguaçu encanta com ancestralidade, mas tem sustos na evolução

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Sexta escola a desfilar no segundo dia de desfiles da Série Prata, a Império de Nova Iguaçu levou para a Intendente Magalhães o enredo sobre a história de Kupapa Unsuba, uma casa de candomblé localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro. Foi um desfile com características de campeão, embora pequenos detalhes possam impedir a conquista do título.

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Foto: S1 Comunicação

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, assinada pelo coreógrafo Walber Valentini, apresentou todos os orixás e seus filhos de santo em uma demonstração de fé que encantou o público e emocionou os presentes.

A coreografia, muito bem construída e tecnicamente executada, utilizou atabaques para simbolizar os encontros de oração. A aparição do orixá Ogum no meio da apresentação, com troca de figurino, foi um dos pontos altos. Houve um pequeno contratempo, com algumas dançarinas se enrolando na troca de saias, mas nada que comprometesse o espetáculo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Yago Silva e Bárbara Falcão desfilou com figurino inteiramente dourado, de grande beleza, simbolizando a bênção dos orixás em sua dança.

A coreografia foi impecável, incorporando gingado africano e referências às religiões de matriz afro-brasileira. A apresentação encantou o público, e os jurados aplaudiram do início ao fim.

ENREDO

A proposta dos carnavalescos Marco Falleiros e Larissa Pereira, intitulada “Kupapa Unsuba – Morada Ancestral”, não se limitou a homenagear a casa de candomblé da Zona Norte do Rio, que recebeu bênçãos de axé na Bahia, mas também celebrou a cultura africana, evocando ancestralidade, memória e pertencimento.

O desfile conseguiu exemplificar com clareza tudo o que a dupla planejou, do início ao fim, credenciando a escola à disputa pelo título da Série Prata e ao sonho de desfilar na Marquês de Sapucaí. Ainda assim, alguns problemas pontuais chamaram atenção.

EVOLUÇÃO

A evolução começou tranquila, com controle adequado do tempo. Porém, quando o cronômetro marcava 37 minutos, a escola acelerou o ritmo para não ultrapassar o limite regulamentar. Passou no limite, encerrando o desfile em 40 minutos e 42 segundos, sem perder pontos.

HARMONIA

Houve excelente entrosamento entre o carro de som, liderado pelo experiente Wantuir, e a bateria, com ritmo forte e envolvente. No entanto, muitos componentes desfilaram sem cantar o samba, o que pode gerar perda de pontos no quesito.

FANTASIAS e ALEGORIAS

As fantasias estavam impecáveis, com acabamento digno de Série Ouro. O conjunto foi visualmente impactante e praticamente sem falhas.

As alegorias desfilavam bem, com carros bonitos e bem apresentados. Contudo, antes da terceira cabine de jurados, uma parte do último carro quebrou e caiu diante do público, o que pode trazer consequências na avaliação. No fim, o carro precisou ser empurrado por componentes para conseguir completar o percurso antes do limite de tempo.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Marven Almeida, apresentou-se com beleza e segurança. Uma bossa executada apenas com os tambores foi um dos momentos mais marcantes, empolgando a Intendente. A rainha de bateria, Ingryd Milagre, recebeu muitos aplausos pelo gingado e pela presença vibrante na avenida.

Abolição faz desfile seguro e se credencia à briga pela Série Ouro

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Quinta escola a desfilar no segundo dia de desfiles da Série Prata, a Acadêmicos da Abolição veio para a Intendente Magalhães com um belo desfile, retratando a ancestralidade e a importância de cultivá-la e cultuá-la. Encantou o público presente e se mostra uma forte candidata ao campeonato.

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Foto: S1 Comunicação

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, assinada pelo coreógrafo Gabriel Castro, apresentou o cultivo da ancestralidade por meio da simbologia das árvores, em que o plantio se transformava em uma árvore ancestral.

A dança foi um espetáculo. Cada detalhe da coreografia foi executado com precisão, com os dançarinos brilhando e demonstrando, desde o início, a força com que a escola se apresentaria na avenida.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Thiaguinho Mendonça e Jéssica Ferreira desfilou com figurino predominantemente preto, com detalhes em roxo, de belo acabamento.

A dança evidenciou ótima química entre os dois, que empolgaram o público presente. Com coreografia segura e sem ousadias, optaram pelo simples bem executado, estratégia que contribuiu positivamente para o conjunto do desfile e merece elogios.

ENREDO

A proposta dos carnavalescos Arthur Paschoa, Julianna Lemos, Pedro Duque e Thayssa Menezes, intitulada “Chão é Gente – Cultivar, Cultuar e Colher Ancestralidade”, buscou mostrar que a terra não é apenas a superfície onde pisamos, mas um território sagrado onde respiramos e que nos conecta à ancestralidade afro-indígena. É nesse solo que o presente floresce.

O desfile conseguiu transmitir com clareza essa mensagem desde a comissão de frente até a última alegoria, sem problemas de leitura, mantendo correção e coerência do início ao fim, sendo recompensado com muitos aplausos da torcida.

EVOLUÇÃO

A evolução foi tranquila e organizada desde o início. A escola soube administrar o tempo com inteligência, mantendo andamento adequado e encerrando sua apresentação em excelente marca: 36 minutos e 39 segundos.

HARMONIA

Houve ótima sintonia entre a bateria e o carro de som, liderado por Emerson Dias e Digão Audaz. A comunidade cantou o samba do início ao fim, contribuindo para um conjunto harmônico e consistente.

FANTASIAS E ALEGORIAS

As fantasias eram bonitas, leves e adequadas para que os componentes desfilassem com conforto e alegria durante toda a apresentação.

Os carros alegóricos estavam bem-acabados, visualmente bonitos, sem problemas de iluminação, e desfilaram com tranquilidade do início ao fim, reforçando a qualidade plástica da escola.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Bruzaca, esteve impecável, com bossas bem executadas e andamento seguro. Recebeu aplausos do público e também das cabines de jurados. A rainha de bateria, Larissa Melo, destacou-se pelo gingado e pela presença marcante na avenida.

Com desfile vibrante, Siri de Ramos perde décimos por excesso de tempo

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Quarta escola a desfilar no segundo dia de desfiles, a Siri de Ramos veio para a Intendente Magalhães com o enredo “Joias do Axé” e realizou um bonito desfile, encantando o público. Porém, no fim, se atrapalhou no tempo e perderá 0,3 ponto por ter ultrapassado o limite em três minutos.

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Foto: S1 Comunicação

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, com assinatura do coreógrafo Yuri Almeida, trouxe Ogum como destaque, ao lado dos babalorixás.

A dança foi marcante, evidenciando a força do orixá na umbanda, com movimentos precisos e expressivos. No entanto, um detalhe pode prejudicar a escola no quesito: o intérprete de Ogum perdeu o adereço de cabeça e desfilou sem o item nas duas últimas cabines de jurados.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Diego Lucas e Dandara Luiza veio representando o fogo, que, no candomblé, simboliza a destruição daquilo que não serve mais e a abertura de caminhos para o novo, além de representar cura e elevação aos orixás.

Eles apresentaram uma dança muito bonita, com mistura de movimentos africanos que encantaram o público e renderam muitos aplausos. Já o terceiro casal enfrentou problema na indumentária durante a apresentação e precisou retirar o adereço de cabeça antes da quarta cabine de jurados.

ENREDO

O enredo “Joias do Axé”, desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Salles e Marcos do Val, destacou a forma como as religiões afro-brasileiras compreendem o sagrado integrado tanto à vida quanto ao mundo.

O desfile iniciou exaltando Ogum e, ao longo dos setores, apresentou outros símbolos, conseguindo transmitir com clareza a proposta ao público, que retribuiu com carinho e aplausos.

EVOLUÇÃO

A evolução conseguia manter relativa tranquilidade no andamento, mas a escola se atrapalhou na reta final. Mesmo com a tradicional correria para tentar fechar dentro dos 40 minutos regulamentares, a agremiação ultrapassou o limite em três minutos, encerrando o desfile com 43 minutos e 26 segundos.

Pelas regras, cada minuto excedido representa a perda de 0,1 ponto. A penalização pode impactar na disputa pelo título e até colocar a escola na briga contra o rebaixamento para a Série Bronze.

HARMONIA

Houve boa conexão entre a bateria e o carro de som, comandado pelo intérprete Jefão, demonstrando sintonia que agradou ao público. Contudo, a maioria dos componentes não cantou o samba-enredo, que era leve e de fácil assimilação, comprometendo o quesito.

FANTASIAS E ALEGORIAS

As fantasias eram leves, bem-acabadas e visualmente bonitas, representando com clareza cada momento apresentado no enredo e agradando ao público presente.

As alegorias também se destacaram pelo bom acabamento e pela beleza visual, acrescentando impacto plástico ao desfile.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Noca, apresentou segurança e bossas impressionantes. Os ritmistas, vestidos de pai de santo, contribuíram para a estética do conjunto. A rainha de bateria Andressa Almeida foi bastante aplaudida pelo público e pela torcida, esbanjando gingado e carisma na avenida.

Criatividade marca desfile da Feitiço Carioca, mas falhas comprometem conjunto

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Dominada pela criatividade, a Feitiço Carioca desfilou com o enredo “Meu Malvado do Fundo do Coração”, uma viagem nostálgica pelos antagonistas que, mesmo com suas artimanhas, conquistaram o carinho do público ao longo das gerações. A proposta apostou na memória afetiva e envolveu os foliões ao resgatar personagens icônicos do imaginário popular.

Os grandes destaques da escola ficaram por conta das fantasias luxuosas e da forte conexão estética com o público, despertando lembranças da infância e reforçando o carisma dos “vilões queridos”. Afinal, quem nunca se encantou por um grande vilão?

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Foto: S1 Comunicação

COMISSÃO DE FRENTE

Sob a coreografia de Adilson Lourenço, a comissão de frente homenageou a Corrida Maluca e o inesquecível Máskara. A apresentação contou com um carro cênico que transportava os componentes e integrou o personagem à encenação, reforçando o aspecto lúdico da proposta.

Apesar da boa sincronização e da clareza dos movimentos, a coreografia apresentou execução básica e menos energia do que o esperado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Yuri e Ana Clara Gomes se apresentou com precisão técnica e movimentos bem definidos. A fantasia chamou atenção pelo luxo e pela maquiagem marcante.

Durante a passagem pela segunda cabine de jurados, o mestre-sala se apresentou sem sua coroa. Entretanto, nas duas últimas cabines, performou com a fantasia completa, com maestria, ao lado de sua porta-bandeira. Apesar da execução correta, faltou maior energia e carisma para potencializar a performance.

HARMONIA E EVOLUÇÃO

A harmonia foi um dos pontos mais frágeis do desfile. Problemas recorrentes no sistema de som impactaram diretamente o desempenho da escola. Em diversos momentos, apenas a voz do intérprete era compreendida; em outros, o áudio simplesmente falhava por completo. Durante a apresentação do casal, inclusive, o som próximo à cabine cessou, e a comunidade cantou de forma quase inexistente.

Na evolução, o andamento lento foi acompanhado de falhas. Na terceira cabine, abriu-se um grande espaço entre alas por mais de dois minutos. A ala das passistas também se fragmentou, com parte avançando e outra permanecendo parada, evidenciando dificuldades de coordenação. A reação do público, que gritava “anda, anda”, refletiu a tensão do momento.

A escola encerrou seu desfile com 40 minutos e 51 segundos.

SAMBA

Mesmo diante das falhas técnicas, a bateria comandada pelo mestre Vitinho Biscoito manteve firmeza e comprometimento. Ao lado do intérprete Betinho do Feitiço, demonstrou garra e resistência ao longo da apresentação.

Apesar dos obstáculos, o samba mostrou força melódica e potencial de comunicação, sustentado por bossas e variações que buscavam manter a energia elevada na avenida.

FANTASIAS E ALEGORIAS

As fantasias foram, sem dúvida, o principal destaque da escola. O desfile apresentou alas luxuosas, coloridas e com forte apelo lúdico, explorando volumes, aplicações e caracterizações que facilitavam a identificação imediata dos personagens. A escola conseguiu equilibrar humor e impacto estético, despertando memória afetiva e interação espontânea do público ao longo da avenida.

A diversidade de referências também contribuiu para a dinâmica visual do desfile. Personagens como os Minions, Cruella de Vil, Malévola e o Coringa foram representados com fantasias expressivas e bem caracterizadas, reforçando o tom nostálgico e divertido da narrativa. O cuidado com maquiagem e adereços de cabeça também elevou o nível de caracterização de diversas alas.

Nas alegorias, a escola manteve a mesma linha criativa, investindo em carros cenográficos com forte apelo narrativo e esculturas que dialogavam diretamente com o universo dos antagonistas. Os módulos apresentavam boa comunicação com o público e ajudavam a conduzir a leitura do enredo, funcionando como grandes quadros temáticos que ampliavam o aspecto teatral da proposta.

OUTROS DESTAQUES

O conjunto de fantasias foi um dos pontos altos do desfile, sinônimo de luxo e criatividade. Personagens como os Minions, Cruella de Vil, Malévola e o Coringa reforçaram o caráter nostálgico da proposta e estimularam forte interação com o público.