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História de Neguinho da Beija-Flor chega aos palcos em musical

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Foto: Nil Caniné/Divulgação

Um dos maiores artistas da história do carnaval carioca, o cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor tem sua trajetória extraordinária apresentada no espetáculo “O Neguinho da Beija-Flor – Musical”, com direção de Luiz Antonio Pilar e texto de Aydano André Motta, que estreia em 10 de setembro de 2026 no Teatro João Caetano. A montagem tem patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Cultural, e foi selecionada por meio de edital público. Depois de 50 anos ininterruptos como a voz da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, tendo cantado nos 15 títulos conquistados pela agremiação, ele se aposentou em 2025. A carreira musical também foi consolidada fora da Marquês de Sapucaí: foram mais de 40 discos lançados ao longo de sua trajetória. Mais de 30 canções do repertório que marcou o seu percurso integram a montagem.

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Em cena, a longa história de amor, arte e resiliência será contada desde a infância, na extrema pobreza em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, até a consolidação como um artista de reconhecimento internacional. Nascido em 29 de junho de 1949, em Vila Isabel, Neguinho tornou-se intérprete oficial da Beija-Flor em 1975 e, desde sua estreia na avenida em 1976, participou de todos os desfiles pela mesma escola, a ponto de incorporar o nome artístico ao registro civil, passando a se chamar Luiz Antônio Feliciano Neguinho da Beija-Flor Marcondes. Criador do grito de guerra que se tornou marca registrada dos desfiles, o icônico “Olha a Beija-Flor aí, gente!”, abriu caminho para que intérpretes de outras escolas passassem a adotar o mesmo recurso.

O ator Izak Dahora interpreta Neguinho da Beija-Flor, ao lado de um elenco de dez atores-cantores, Bruno Quixotte, Celso Luz, Ella Fernandes, Leandro Melo, Lu Vieira, Maria Vitória Rodrigues, Matheus Dias, Pedro Barreto, Thalita Floriano e Verônica Bonfim –, que interpretam diferentes personagens marcantes da vida do artista.

Idealizador e diretor da montagem, Luiz Antonio Pilar apresenta seu quinto musical biográfico, ele venceu o Prêmio Shell de Melhor Direção com “Leci Brandão – Na Palma da Mão” em 2024, tendo como ponto central um grande artista referência do samba-enredo. Em 2024, ao saber que o jornalista Aydano André Motta estava preparando uma biografia sobre Neguinho da Beija-Flor, Pilar o convidou para criar um texto para o teatro.

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“Embora seja um musical biográfico, a montagem é uma interpretação ficcional a partir dos fatos reais que Aydano nos trouxe. Fizemos uma extensa seleção de músicas e criamos uma história que quebra a linha do tempo cronológica real. É uma peça para o público assistir cantando junto”, conta Pilar. “A profissão de muitos artistas é marcada por perdas, dificuldades e desistências pelo caminho. A trajetória do Neguinho é uma grande demonstração de resiliência, intuição e de que a arte precisa ser livre para sobreviver. Ele é um exemplo dessa força da arte”, diz o diretor.

Autor do texto, Aydano André Motta acompanha de perto o universo das escolas de samba desde 1988 e publicou diversos livros sobre o tema. Jornalista e pesquisador de carnaval e cultura popular, ele há décadas defende a valorização social do samba e de seus artistas, um posicionamento que atravessa toda a sua obra e que, segundo ele, dialoga diretamente com a trajetória de Neguinho. Roteirista da série documental “Neguinho da Beija-Flor – Soberano da Avenida” (Globoplay, 2025), Aydano faz sua estreia no teatro com “O Neguinho da Beija-Flor – Musical”.

“Ele é um artista absolutamente empírico. Nunca fez aula de canto e saiu cantando, nunca aprendeu partitura e compôs inúmeras músicas. É um expoente dessa arte que o país ainda não sabe valorizar e que sempre foi uma das minhas causas. O Neguinho é um dos seus maiores símbolos”, diz Aydano.

Sob a direção musical de Matheus Camará e Rodrigo Pirikito, foram criados novos arranjos vocais que preservam a sonoridade original, aproximando as canções da musicalidade consagrada na obra de Neguinho da Beija-Flor. Em cena, além de Camará e Pirikito, a banda é composta por Thainara Castro, Pedro Ivo, Daniel Esperança, Wesley Lucas, Maycon Júlio e Érica Santos.

No roteiro musical estão sambas-enredo e músicas marcantes da carreira do artista: “O Campeão”, que virou hino oficial do Estádio do Maracanã; “Sonhar com Rei dá Leão”, samba-enredo de 1976, ano de sua estreia oficial como puxador e do primeiro título da Beija-Flor; “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia!”, um dos sambas mais marcantes da história do carnaval carioca, interpretado por ele em 1989; e “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, enredo campeão de 2025, ano em que ele fez seu último desfile como intérprete oficial da escola. Outro sucesso é “Negra Ângela”, que, em 2008, ele cantou ao lado de Roberto Carlos no especial de fim de ano da TV Globo.

Rute Alves, uma das mais respeitadas e talentosas porta-bandeiras do carnaval carioca, assina o figurino do espetáculo. Nos últimos anos, Rute criou os figurinos dos musicais “Leci Brandão – Na Palma da Mão”, “Ruth & Léa”, “A Pérola Negra do Samba” e “Os Irmãos Timótheo da Costa”. Em suas criações, Rute destaca a importância de o público reconhecer o artista por meio do figurino. As peças pensadas para a montagem trazem referências marcantes, como o macacão usado há anos por Neguinho e o tom de azul emblemático da Beija-Flor, que dividem espaço com criações originais.

“O figurino do espetáculo tem mais de 50 peças, muitas delas artesanais. Temos uma Nanã, Orixá homenageada em enredos de escolas de samba, toda feita com mais de 1.000 fuxicos e 50 rosas feitas à mão”, exemplifica Rute Alves. “No carnaval, sou porta-bandeira; no teatro, figurinista. São funções bem distintas, mas é impossível não beber da fonte do carnaval porque os artistas mais talentosos estão dentro dos barracões: aderecistas, costureiras, modelistas, chapeleiros”, enumera a figurinista.

Para ambientar a história, a cenógrafa Lorena Lima transformou o palco sem coxias em um barracão de escola de samba. Uma grande estrutura de ferro e madeira remete aos andaimes usados na construção dos carros alegóricos, e é nela que os objetos cênicos, criados com materiais reciclados de carnavais passados, permanecem expostos e são revelados gradualmente ao longo da narrativa.

“Recebemos da Beija-Flor de Nilópolis um grande cesto de frutas de isopor usado no desfile do ano passado, ‘Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas’. A partir desse adereço, criamos novos objetos cênicos”, conta Lorena, que também investiu no garimpo de adereços na Sustenta Carnaval, uma iniciativa socioambiental que faz a coleta, triagem e redistribuição de fantasias e adereços descartados após os desfiles das escolas de samba. “A ideia era evocar o universo do carnaval sem reproduzi-lo literalmente. Mas é carnavalesco de alguma forma”, diz a cenógrafa.

Com uma trajetória marcada por coreografias premiadas à frente de comissões de frente no carnaval carioca, Patrick Carvalho assina a coreografia e a direção de movimento do espetáculo. Na preparação vocal, o cantor e ator Pedro Lima traz ao elenco sua experiência no teatro musical e na preparação de intérpretes de samba-enredo.

SERVIÇO
Temporada: 10/09 a 01/11 de 2026
Dias e horários: Quinta, sexta e sábado, às 19h. Domingo, às 17h
Local: Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n – Centro – Rio)

Ingressos:
Plateia — R$ 80 (inteira) | R$ 40 (meia-entrada)
Balcão Nobre — R$ 70 (inteira) | R$ 35 (meia-entrada)
Balcão Simples — R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia-entrada)
Vendas online: funarj.eleventickets.com
Bilheteria do teatro: Terça a sexta, das 13h às 18h. Sábados, das 15h às 18h
Classificação etária: 14 anos
Duração: 110 minutos
Instagram do espetáculo: @oneguinhodabeijaflormusical

‘Estar entre os melhores’: Marcinho e Cris celebram retorno ao Grupo Especial pela Unidos da Tijuca

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Marcinho Siqueira e Cristiane, credenciados por uma parceria de dez anos na dança e pelo sucesso recente na Unidos de Padre Miguel, de onde também veio o carnavalesco Lucas Milato, reeditando na Unidos da Tijuca a sintonia da escola da Zona Oeste, chegaram à escola do Morro do Borel com a missão de substituir Matheus Miranda e Lucinha Nobre, que encerrou sua trajetória na passarela após quatro décadas.

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A dupla conversou com CARNAVALESCO destacando a oportunidade de atuar no Grupo Especial, a responsabilidade de assumir o posto e as expectativas para o próximo desfile. Para Marcinho, integrar a elite do carnaval representa a chance de conviver e aprender com aqueles que sempre serviram de inspiração.

“Pensei sobre isso hoje. O quanto eu tenho que agradecer por estar entre os melhores do carnaval. As nossas referências na dança estão ali, e eu fico muito feliz de estar entre elas, de poder estar perto e trocar experiências. Já tivemos uma reunião com os jurados e aproveitei para conversar bastante, mas também para absorver muita coisa do Julinho, que é o meu mestre maior. Estar no Especial é muito isso. É estar perto das pessoas que são nossas referências. Tento tirar a minha maior lição disso, buscando aprender o máximo possível com todos que admiro”, afirmou.

Já Cris destacou o peso de assumir o posto ocupado por Lucinha Nobre, uma das maiores referências da modalidade.

“É uma grande responsabilidade. Uma pessoa querida, que fez história na cidade e também na Tijuca. É uma responsabilidade enorme. Ainda não parei para pensar profundamente nisso, mas vou começar. Sei do tamanho da missão, mas trabalhamos para estar preparados para substituir essa grande mulher, de quem sou fã e que admiro muito”, disse.

O casal também comentou a parceria com o carnavalesco Lucas Milato, que chegou à escola na mesma temporada e já trabalha no desenvolvimento das fantasias para o próximo desfile.

“Trabalhamos apenas um ano juntos, mas o Lucas é um querido. Ele sempre nos chama para conversar, pergunta o que gostamos e o que não gostamos. Já entendia muito bem o que queríamos. Inclusive, um spoiler: já vimos nossa fantasia. O figurino já vai começar a ser confeccionado. É uma roupa linda, que vai dar o que falar. Nada de loucuras coreográficas, mas é uma fantasia com um estilo muito interessante, totalmente inserida dentro do enredo”, explicou Cris.

Marcinho reforçou a sintonia construída com o carnavalesco desde a primeira experiência conjunta.

“É um cara que nos entende. Tivemos esse primeiro contato no ano passado e ele conseguiu absorver todos os nossos pedidos e reproduzir isso na fantasia. Não foi diferente este ano. Já tinha dado certo na primeira temporada, então naturalmente acreditávamos que daria liga novamente. Estamos muito felizes e vem coisa boa por aí”, afirmou.

Outro tema abordado foi a expectativa para a utilização da cabine espelhada, recurso adotado pelo Grupo Especial e que ainda não havia feito parte da trajetória recente do casal.

“Como sofremos com isso. Como não estávamos no Especial, ouvimos muitos comentários durante as reuniões com os jurados. Essa ideia foi pensada a partir de movimentos que já fazíamos, como apresentar o pavilhão de costas em determinados momentos. Ficamos muito felizes com isso. É algo que instiga os casais a mudarem um pouco a forma de apresentação. Gostamos muito do que vimos nos desfiles. Muitas coisas que estavam na minha cabeça e que eu ainda não podia colocar em prática, eu vi outros casais fazendo. Estou muito empolgado para começar a trabalhar em cima disso”, afirmou Marcinho.

Cris adiantou que o público pode esperar novidades quando o casal estrear no novo cenário de julgamento.

“Sempre fomos um casal que buscou fazer propostas diferentes. Ficamos um pouco frustrados por não termos participado disso no ano passado, mas estamos muito felizes. Este ano teremos surpresas e coisas bonitas para mostrar”, concluiu.

Opinião: Trio pesado! Parcerias de Mocotó, Lucas Macedo e Claudio Mattos fazem apresentações espetaculares em bela noite na Viradouro

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

A Unidos do Viradouro viveu mais uma noite de sua disputa de sambas-enredo para o Carnaval 2027 com a fase de quartas de final realizada no último sábado. Seis obras se apresentaram na quadra da vermelha e branca, com total destaque para as parcerias de Mocotó, Lucas Macedo e Claudio Mattos, que realizaram apresentações que ganharam a quadra e exibiram obras de alto gabarito. O samba da parceria de Diego Thekking também está na final. A seguir, o CARNAVALESCO analisa a passagem dos sambas concorrentes.

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Parceria de Diego Thekking: Pixulé defendeu o samba dos compositores Diego Thekking, Roberto Doria, Gustavo Tenório, Ionalda Belchior, Waguinho Melo, Adriano Faca, Anna do Amaral e Miltinho Junior. O refrão principal “onde quer que eu vá, pra sempre, sou força que não vai calar, o preceito da memória, o conselho do tambor, Viradouro é griô” é pesado em melodia e possui uma letra que passa o recado com força, mas funcionou de forma morna na quadra. O samba possui bons momentos melódicos, principalmente na primeira parte, sobretudo no trecho “mandinga renasci nas cordas do korá, no Mali eu aprendi cantar sob o luar, no império a voz do rei, me ergueu libertador, da mordaça do invasor”. Os versos “Na cabaça a herança, quando Ananse revelou, e hoje toda história que é contada, costura na carne com linha de dor” se destacam em letra, sobretudo o verso final, um dos mais inspirados da obra. O refrão central “Sou a voz que grita, o falar que teima, a palavra viva na folha que queima, o clamor das minas, som do resistir, há quem ouça afronta, eu ouço um Oriki” retrata com categoria a ancestralidade e sabedoria dos griôs, porém a melodia não acompanha no mesmo nível. A segunda parte cumpre o papel de retratar o enredo, porém carece de mais inspiração, tanto em letra quanto melodicamente. A falta de maior força nos dois refrãos contribuiu para uma passagem mais fria da obra desde o início da apresentação, apesar de suas qualidades. Nas últimas passadas, o samba exibiu dificuldades para obter maior sustentação, exceto na primeira parte, que teve um desempenho melhor. Mesmo com a categoria de Pixulé no comando, foi uma apresentação bem irregular.

Parceria de Lucas Macedo: Tinga e Charles Silva foram as vozes principais da obra de Lucas Macedo, Dudu Nobre, Rafael Gigante, Hélio Porto, Vinicius Ferreira, Orlando Ambrosio, Miguel Dibo, Jefferson Oliveira, Yannick Nobre e Cabeça do Ajax. O refrão principal “I ni baraji Djeliba Griô, i ni baraji Djeliba Griô, entre acordos e palavras, da história reerguida, Viradouro vira verso, cada verso vira vida” se mostrou muito potente em letra, apesar de os versos finais poderem soar repetitivos, mas o jogo de palavras funcionou bem e marcou mais o refrão, além de, melodicamente, levantar a apresentação com um desempenho explosivo. Aliás, a apresentação foi de muito vigor. O samba foi crescendo ao longo das passadas, realçando suas qualidades e uma melodia ousada em alguns momentos, como no refrão central “na encruza africana, a rima, que um velho soprou, o verbo em movimento, sabedoria no tom balafon e korá, eu caminhei no tempo”, onde um dos versos é cantado com ênfase nas sílabas, como se fossem palavras de ordem, uma manobra que poderia ter travado o samba, mas conseguiu êxito e deu mais valentia ao canto dos versos. A primeira parte descreve com correção o enredo, podendo se destacar os versos “Ê Laroyê, ô corre gira, quem cuida dessa esquina já baixou nesse congá, saluba Nanã me molde vida, Iroko nessa avenida é ida que faz voltar”. Na segunda parte, o samba ganha em força, já iniciando bem com o trecho “não há tormenta que possa impedir, nem branco que apague o porvir ôôôô”. A construção da escrita é mais contemplativa e retrata o enredo com qualidade, como no trecho “Obá Baobá floresceu, quando o pranto vem do canto, o encanto acende o breu, toda cicatriz foram pedras no caminho, liberdade, Itãs e Orikis fundamentam meu terreiro, ancestralidade”. A apresentação foi muito boa, calcada nos dois refrãos, com os demais trechos passando com qualidade também, apesar de a primeira parte ser um pouco mais burocrática.

Parceria de Mocotó: Juan Briggs e Leozinho Nunes comandaram o samba da parceria de Mocotó, PC Feital, Inácio Rios, Igor Federal, Deja, Romério Duarte, André Quintanilha, Chanel, Ronilson Fernandes e Márcio André Filho. Um samba de um griô da Viradouro, com total identificação com o tema, o que facilitou a naturalidade com que o enredo foi dissecado pela parceria. A obra já começa com um refrão de cabeça “Agô bate palma de macumba, pra saudar dono da rua, vira o corpo no terreiro, ventre que moldou o fundamento, e o véu rodeia o tempo, esse velho feiticeiro”. O refrão central “Eu fui griô a luz de um baobá, contando histórias de emocionar, em volta dele mais de mil crianças, a cantar lembranças ao som do Korá” tem um quê nostálgico, retratando a ideia transmitida sem firulas e com uma gostosa melodia. Na quadra, o trecho foi cantado com muita força, incluindo segmentos. A segunda parte da obra é uma ode ao orgulho da negritude e da ancestralidade, o orgulho de ser griô, traduzindo de forma precisa o sentimento que a sinopse propõe, como nos versos “dança de jongo embala meu ponto, tambor de Congo faz acender, outros enredos que um dia terão de nascer, samba escola viva identidade, arquivo da memória preta, grito à ancestralidade”. O trecho “lágrimas, caem pelo mar do esquecimento, ritual opressor” possui uma melodia dolente. O refrão principal “Ê Kaalê ô, Ê Kaalê ô, Ziri Ziri Namu, Kouyaté, ê Kaalê ô, é Kaalê ó, a Viradouro é sangue de griô” é um grande clamor e foi cantado como tal, com uma potência absurda. O samba funcionou maravilhosamente bem, com uma fluência impecável, que mexeu com vários segmentos da escola. Os dois refrãos foram um deleite. Uma obra deliciosa e uma apresentação de manual da parceria, muito bem comandada pelos intérpretes no palco.

Parceria de Claudio Mattos: Pitty de Menezes e Dodô Ananias foram as vozes principais da obra de Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Anderson Lemos, Manolo, Bertolo, Silvio Mesquita, Wilson Mineiro, André Braga, Marcelo Adnet e Thiago Meiners. O refrão principal “Kawô, meu pai Kawô, reina Xangô, chão da justiça pra honrar toda memória, em cada pele de tambor, ensinamento, sou Viradouro, nasci para fazer história” possui uma narrativa forte e uma conexão potente com o componente, passando de forma avassaladora na quadra. A cabeça é formada por um refrão “Ibarabô, ê mojubará, baraê, ajuô lonan moxirê, Ina ina, Adakê mojubá” que é uma louvação iorubá, uma cantiga de candomblé. Apesar de não ser uma letra de assimilação tão simples, o trecho teve ótimo rendimento. A primeira parte segue trazendo a origem dos griôs e as lendas em torno deste universo, com destaque para os versos “mais de mil anos atrás, um ancião me contou, Ananse em teia de prata, mistérios revelou, no desejo de escrever a própria história, da palavra nasce o sábio contador”, que citam a figura divina metade homem, metade aranha, com uma bonita melodia. O refrão central “Quando o Korá ecoou, foi mandinga, Oriki, Bambará, malinquê, balafon se mistura ao tambor, Orin pra cada sangue e dinastia, pra espalhar o sentimento de um griô” tem a pegada de uma grande gira, sendo completamente envolvente, com excelente melodia. A transição pro verso seguinte, com o prolongamento do “ôôôô”, é perigosa, mas Pitty e seus apoios trabalharam bem a solução. A segunda parte é feliz em ressaltar as escolas de samba como local de propagação dessa sabedoria através das histórias contadas, onde lá estão o fundamento e os ensinamentos. “lembra quantos enredos já passaram na avenida, um relicário de lembranças esquecidas, que a minha arte é capaz de revelar pro mundo inteiro” resume com perfeição, com uma melodia bastante poética, estrutura que permeia todo este setor da obra. O samba empolgou torcedores e segmentos da escola, que cantaram com entusiasmo a belíssima composição, com uma melodia que prende a atenção e sai do lugar comum em vários momentos. Uma apresentação singular que mostrou toda a potência da obra.

Opinião: Parcerias de Ian Ruas e Xande de Pilares largam como favoritas para final de samba do Salgueiro

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Foto: Victor Busch/CARNAVALESCO

O Salgueiro realizou a sua semifinal para a escolha do samba-enredo para o Carnaval 2027. Com a quadra lotada na noite do último sábado, a vermelha e branca da Tijuca escolheu os sambas das parcerias de Marcelo Motta, Ian Ruas e Xande Pilares para a grande final, que será realizada no próximo sábado. Os sambas de Moisés Santiago e Bernardo Nobre foram os eliminados dessa fase. O CARNAVALESCO analisou os sambas que permanecem para a grande final.

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Parceria de Marcelo Motta: Defendida por Dudu Nobre, Tinga e Marquinhos Art Samba, a obra começou num ritmo mais forte e potente, com pegada de gira, que já vemos nos versos “Deu meia-noite, galo canta na calunga, é Xica quem faz macumba, é Xica quem faz macumba, deu meia-noite, começou o canjerê, marafó, mel e dendê, marafo, mel e Dendê”. A repetição dos versos em dois momentos proporcionou um início bastante carregado, que conseguiu energizar a apresentação para os versos subsequentes, que conseguiram contar com excelência as fases de Xica da Silva, como no trecho “Baixei na terra pra contar a minha história, retomar tempo de glória, me dê licença, carrego a força de um grito atemporal, contra a falsa moral, convoco a falange de Valença”, que possui uma melodia que consegue trilhar com beleza as palavras da homenageada. O trecho “Apesar da dor, do tempo colono, amor imposto, o preço é alforria, por toda Maria que não teve dono” mostrou uma melodia interessante, já sob a narrativa de Francisca. Um destaque foi o refrão principal “Vira no santo, Iaiá, virou Salgueiro, nessa canjira, Pomba Gira, aluvaiá, ninguém segura o meu povo macumbeiro, Laroyê, sou eu, Emojubá”, que embalou a torcida que marcou presença em grande quantidade na quadra da escola. Mostrou-se um samba bem qualificado e que encantou os presentes.

Parceria de Ian Ruas: Defendida por Vitor Cunha e Grazzi Brasil, a obra começou muito forte já no seu refrão principal “Laroyê! Xica da Silva, laroyê! Ê mojubá, toda mulher tem direito à própria história, meu Salgueiro é a memória que eu voltei pra consagrar”, que uniu força na interpretação, além de ter uma boa melodia e pertinência com o enredo, obtendo uma apresentação de muita potência e empolgação. Na primeira parte, destacaria o trecho “Francisca, mãe da encruzilhada, rosa indomada, deusa da rua, na procissão da academia, negra fidalguia se perpetua”, que mostra uma Xica multifacetada, bem mais do que a figura que é contada na ficção, que é mais sexualizada e idealizada. O refrão central “Incorporei no atabaque do meu torrão, festa de ostentação ao poder da negritude, dilacerei as vestes da servidão, meu corpo foi invasão, fetiche da branquitude” possui uma semântica bastante qualificada e dá uma mensagem muito forte em tom de protesto contra a objetificação de como a imagem de Xica é utilizada, algo que fica permeando o enredo. Ela possui uma melodia bastante interessante e que foi muito bem explorada pelos intérpretes, passando com muito suingue. Teve um momento em que o samba, na segunda parte, deu uma caída, mas cresceu no verso “Gira, desce o morro, meu Salgueiro, meu quilombo pioneiro, renasci nesse conga, firma axé na segunda-feira, é macumba a noite inteira, saravá, alafiá”, que mostrou muita potência e carinho da torcida, que empolgou demais durante toda a apresentação. Foi uma apresentação que mostrou porque é um dos favoritos para a grande final.

Parceria de Xande de Pilares: Defendida por Charles Silva, Thiago Brito e Rafael Tinguinha, a obra começou muito forte já no seu refrão principal “Hoje o couro vai comer, laroyê! A dona da casa quer girar, furiosa no dendê! Gargalhou na meia-noite, ecoou no meio-dia, a moça incorporou na academia!”, que conseguiu evocar o poder de Xica da Silva e também possuir uma excelente assimilação para quem escuta a obra, conseguindo mostrar valentia durante toda a apresentação. Na primeira parte, apostou em soluções de linguagem padrão para este tipo de enredo, obtendo muita singularidade nos versos finais “Lua de prata no céu, a mulherada sorri, hoje eu não estou de volta, porque sempre estive aqui”. Destaco a excelente mistura com o tambor no refrão sem bis “Auê, auê, auê, auá, quero ver pombogirá, auê, auê, abre os caminhos pro Salgueiro desfilar”, que também foi um dos pontos altos da composição, que conseguiu levantar o público e a torcida presente no final da disputa da semifinal. Outro destaque da letra é o refrão central “Sangue da Costa da Mina, arte que vence demanda, eis a história despida, chegou a Chica que manda”, que possui uma melodia excelente, que traz uma forma mais sedutora à obra. Nos versos finais, fala mais sobre a figura feminina que Xica representa, além de fazer alusão ao chão do Salgueiro: “Francisca da Silva de Oliveira, a Xica da Silva Teles”. Passou forte em todas as passadas e mostrou também o motivo de ser uma das favoritas para a grande final.

Opinião: Parceria de Hélio Porto se destaca na semifinal da Imperatriz e larga na frente para a final de samba-enredo

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Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

A Imperatriz Leopoldinense realizou na última sexta a semifinal de samba-enredo com o objetivo de avaliar novamente as obras concorrentes e definir os rumos da disputa para o Carnaval 2027. Todas as apresentações foram conduzidas pelo diretor de carnaval, André Bonatte, responsável por comandar a festa, apresentar as trilhas sonoras e anunciar os finalistas. Na abertura, o intérprete oficial Pitty de Menezes cantou o repertório da agremiação, acompanhado pelo show da escola. Em seguida, foram realizadas quatro apresentações concorrentes, com uma parceria eliminada, a de Zé Katimba e cia. A equipe do CARNAVALESCO esteve presente avaliando os sambas e, assim como na fase anterior, a parceria de Hélio Porto foi o grande destaque da noite, merecendo atenção especial para a final, que será realizada na segunda quinzena deste mês. Também vale destacar o clima amistoso entre Pitty de Menezes e os concorrentes. O intérprete interagiu com todas as parcerias e participou ativamente das apresentações, cantando as obras junto aos compositores.

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Parceria de Me Leva: O time 01, formado por Me Leva, Gabriel Coelho, Guilherme Macedo, Herval Neto, Bernardo Nobre e Thiago Meiners, foi o terceiro a se apresentar e levou uma ala musical de peso, com Igor Vianna, Igor Sorriso, Dodo Ananias e Grazzi Brasil, além de Thati Carvalho, integrante do carro de som da escola, que colaborou com a parceria na introdução do samba. Foi a única apresentação a utilizar duas mulheres na introdução, criando um contraste interessante e diferenciando-se das demais. Entre os cantores, Igor Sorriso foi quem mais imprimiu energia ao palco. Na arrancada, inclusive, desceu e foi para o meio do público para empolgar os componentes presentes. Entretanto, é necessário ressaltar a melodia extremamente acelerada imprimida à apresentação, chegando a certo exagero. Ainda assim, foi uma passagem segura da parceria de Me Leva. Entrando na letra, trata-se de um samba curto, mas que traduz o enredo de forma satisfatória. Após o refrão de cabeça, aparece logo um bis, recurso pouco recorrente no gênero samba-enredo. O trecho começa a desenvolver o tema, que aborda a feitura, à mão, da boneca Maria Júlia, a pedido do rei, dois dos pilares presentes no título da narrativa. Na sequência, ainda na primeira parte da obra, surge outro bis, novamente após poucos versos. O interessante é que o samba assume uma espécie de tom narrativo, como se alguém estivesse contando a história ao público. O recurso parece adequado, já que o enredo é construído a partir de uma narrativa repleta de elementos históricos e exige justamente esse tipo de condução. Para concluir a primeira parte, vale destacar que a sinopse e a história da boneca são bem desenvolvidas até então. No refrão do meio, está talvez o maior ápice melódico da obra, momento em que a musicalidade ganha força e apresenta um ritmo de dança bastante marcante. Na segunda parte, há uma celebração à calunga, seguida pelo encerramento com outro bis, que conduz à explosão do refrão de cabeça. Portanto, trata-se de um samba bastante peculiar: curto, completo, de rica melodia e capaz de contar a narrativa de Leandro Vieira com clareza.

Parceria de Hélio Porto: Defendida por Tinga e Charles Silva, a parceria de Hélio Porto, Miguel Dibo, Orlando Ambrósio, Marcelo Viana e Antônio Crescente foi, sem dúvida, a melhor apresentação da noite. A passagem foi completa, desde o grito de guerra, que chamou o público, até os momentos finais do samba. Pessoas no camarote, além de alguns ritmistas e responsáveis pela bateria, também se manifestaram positivamente durante a apresentação. O grande destaque ficou para os últimos versos, que conduzem ao refrão de cabeça. Entre todas as obras apresentadas, o samba 05 foi o que mais se mostrou impactante, tanto em letra quanto em melodia. Essa característica pode pesar positivamente na avaliação interna. A primeira parte do samba faz questão de apresentar o Nordeste, elemento explicitado logo no início da sinopse. Em ordem cronológica, a obra conta a história da calunga Maria Júlia. O encerramento dessa primeira parte, com os versos “Nosso rei firma e consagra saudade / entidade musicada ao xequerê / ausência presente de gente que o olho não vê”, estabelece a ligação com o refrão do meio, que aborda o pedido do rei para a feitura da boneca e a colocação da alma de Dona Júlia em seu interior, dentro do ritual do egun. Para compreender esse trecho, destaca-se a frase “Calunga de embuia que babá mandou fazer”. Também merece atenção a potência melódica do refrão, que imprime uma dimensão maior à obra em comparação com a primeira parte. A segunda parte cita o desaparecimento da boneca até seu retorno para a realização do ritual Xambá. O momento é cantado em um BIS e, na sequência, surge novamente o refrão de cabeça. Como já mencionado, trata-se de um trecho grandioso, pensado para levantar o público, e aparentemente foi justamente nessa parte que os compositores decidiram concentrar suas principais apostas. Os versos “Catimbó catimbozeiro nos encantos da calunga / Imperatriz firma seu ponto na macumba” são de grande destaque. É um refrão totalmente afro e potente, característica que a agremiação de Ramos vem explorando como uma de suas principais forças nos últimos carnavais.

Parceria de Josimar: Defendida por Pixulé, a apresentação do time formado por Josimar, Carlos Kind, Diego Jorge, PC do Rio, Kleber di Cesar e Robert Farrow se destacou pela sinergia com a bateria. Entre todas as obras, foi o samba mais longo em letra apresentado na noite. Dentro dessa estrutura, os compositores aproveitaram uma melodia interessante e intensa, com andamento acelerado, transmitindo uma característica que a agremiação levou para a avenida nos últimos anos. Algumas pessoas presentes na quadra também se manifestaram positivamente durante o canto da obra. Não há como deixar de citar Pixulé, cuja energia durante toda a apresentação foi fundamental para o resultado da passagem. O intérprete vive um grande momento e demonstrou isso desde o grito de guerra, quando a quadra acompanhou o “É muita habilidade, meu povo”. Entrando na letra, o refrão de cabeça apresenta logo três pilares importantes: o maracatu e o candomblé, elementos centrais do enredo, além do verso “tem macumba e maracatu segunda-feira”, que faz alusão direta ao dia do desfile da Imperatriz Leopoldinense. Dentro da narrativa de Leandro Vieira, a compreensão do enredo se desenvolve a partir dos últimos versos da primeira parte, em conexão com o refrão do meio, que aborda o ritual do egun de Dona Santa incorporando na boneca: “Traz Dona Santa de volta do Orun pro terreiro”… “No encanto do criador / Porto Rico perguntou: Dona Júlia cadê você?”. Na segunda parte, a obra conta a história do retorno da boneca a Porto Rico, passando pelo ritual de Xambá. Vale destacar a construção do último verso: “Quando o portão abrir, eparrey oyá / Que a ancestralidade venha nos guiar / A gira vai começar”. Portanto, a parceria de Josimar apresenta ótimas soluções melódicas e mantém uma relação fiel com o tema. Foi uma bela apresentação.

Opinião: Parceria de PC Feital realiza grande apresentação em semifinal da Vila Isabel

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

A Unidos de Vila Isabel realizou a sua semifinal de sambas-enredo na última sexta-feira, com três obras se apresentando na quadra da azul e branco. O maior destaque da noite ficou por conta da parceria de PC Feital, com uma apresentação impecável. O samba de Ricardo Mendonça também chamou atenção com uma passagem enérgica, enquanto a parceria de André Diniz completou a noite com um desempenho menos vigoroso. A Vila desfilará no domingo de carnaval, 7 de fevereiro, exibindo o enredo “Torto Arado – Sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, desenvolvido pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad e pelo enredista Vinícius Natal. A seguir, o CARNAVALESCO analisa a passagem dos sambas finalistas.

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Parceria de PC Feital: Rafael Tinguinha e Juan Briggs cantaram a obra de Thales Nunes, Paulo César Feital, Gustavinho Oliveira, Danilo Garcia, Julio Alves, Marcelo Martins e Gabriel Simões. O refrão principal “Jarê, Jarê, vai descer o morro todo, o Brasil nasce de novo pela força da enxada, o quilombo é do povo, é a Vila incorporada” mais uma vez mostrou sua valentia, levantando a apresentação. A primeira parte possui uma construção mais poética, formatada na forte ancestralidade que permeia o livro-enredo, em versos como “eu ando pelas águas pra cicatrizar, a velha mágoa, memória secular, zanzei em corpos pelo breu, de quem me recebeu na gira e no altar”. O refrão central “Eh Donana, caboclo vai caminhar, simbora do Caxangá, simbora Vila, ê Donana, encantado tem poder, incorpora no Dendê, incorpora Vila” puxa bem o canto e melodicamente tem ótimo funcionamento. A melodia é bem construída e, na segunda parte da obra, melodicamente é bem inspirada, como nos versos “Velho curador, Santa Rita pescadeira, aqui estou eu, no terreiro vivo que me acolheu, e resiste em águas negras”. O trecho final “livrar do severo abandono, esta terra que tem dono, hoje tem macumbaria” encerra com força um samba redondo e bem construído, cujo desempenho foi excelente nas primeiras passadas, com muita sustentação e uma melodia extremamente agradável se sobressaindo, com ótimo desempenho dos dois refrãos. Nas duas últimas passadas, o desempenho foi um pouco menos quente, mas seguiu estabilizado e deixando suas qualidades evidentes. O samba teve boa recepção do público presente fora da torcida e alcançou uma grande apresentação.

Parceria de Ricardo Mendonça: Evandro Malandro e Lissandra Lima foram as vozes principais do samba da parceria de Ricardo Mendonça, Jarbas Bittencourt, Diego Nicolau, Diego Jorge, Aldir Senna, Antônio Pontes e Gigi da Estiva. A dupla defendeu a composição de maneira visceral, buscando inflamar palco e público. A obra emenda uma sequência de três bis, sendo o mais contagiante e que possui maior magnetismo o dos versos “abre a sala de Angola, olha a Vila, lelê, abre a saia de Angola, olha a Vila, leleco”, enquanto o anterior “Quem ama a terra é quem tem que colher, quem ama a terra é quem tem que morar” retrata a imagética do enredo. O bis de cabeça que completa o conjunto “Samba vai virar jarê, samba vai virar jarê” tem a pegada de uma cantiga de roda e encerra muito bem a sequência de versos que inicia com categoria a composição. A narrativa da primeira parte exalta o amor pela terra e a força daquele chão presente na Chapada Diamantina, vide os versos “Essa mesma terra onde Donana semeou, nascem duas rosas, fruto do amor, quando o verbo cala, fala o olhar, como o rio abraça o mar”. A parte central possui força mesmo sem possuir um refrão de fato, muito por conta da narrativa que inicia o ritual de jarê e a evocação aos orixás, com uma melodia que possui estrutura de refrão, porém sem repetição dos mesmos versos, “Eparrei Oyá, ora iê iê mamãe Oxum, na gira, Cosme e Damião chamou Doum, andei na mata de Odê, pedi a cura, Atotô, traz a justiça em seu oxé, Obá Xangô”. Na sequência, utilizando a mesma estrutura melódica, surgem os versos “Axé velho nagô pra sete saia incorporar, e ver a dança de Ogum e Iemanjá, sou nesse mar de Vera Cruz, um saravá, epa babá, amém Jesus”. A segunda parte começa com uma narrativa carregada, vide versos como “quanta injustiça, meu Deus, no encanto de Severo, o rio sangrou, eu me desfiz em chuva, pra só mais uma vez molhar tua boca e galopar teu corpo”, que contam a passagem com bastante lirismo. Um samba que une uma melodia qualificada, com variações diversas, e uma narrativa construída com poesia e carregada na tinta emocional em alguns momentos. Essa miscelânea gerou uma apresentação com grandes momentos, como na sequência de refrãos, principalmente o “Abre a sala de Angola…”, que em todas as passadas se exibiu com uma potência absurda. Em outros momentos do samba, o mesmo teve uma queda na temperatura e na fluidez da apresentação, principalmente na primeira parte, resultando em um desempenho com algumas oscilações, mas os momentos de maior ápice foram de impressionar.

Parceria de Martinho da Vila: André Diniz, na primeira passada, e depois Vandinho Pires lideraram a apresentação da parceria de Martinho da Vila, Evandro Bocão e André Diniz. A obra tem uma estrutura de um refrão “a semente que ficou é se juntar, dividir o que plantou, e se a vida derrubar, enxugue o pranto, te levanto pra lutar”, que é de semântica simples, bonita e teve um funcionamento correto, seguido de um trecho que possui uma linha de refrão principal, porém não tem bis, “nas páginas de um livro admirado, torto arado é retrato brasileiro, a nossa Vila, mais que uma escola, aguerrida quilombola, risca o chão desse terreiro”. Pela narrativa e melodia, acaba obtendo um funcionamento maior que o refrão. A primeira parte apresenta variações melódicas interessantes, algumas conexões entre versos que fogem da linha mais comum, mas que funcionaram dentro da obra, vide o trecho “tortuosa travessia que o destino reservou, e a poeira anuviou, a cobiça inebriante lapidava diamantes”. O refrão central “na brincadeira, o batuque do jarê, rodo na gira do corpo pra corpo benzer, à luz de um velho nagô, o lume de lampião, o caruru na tigela comendo com a mão”, que inverte os versos na repetição, tem uma estrutura interessante e resume os ritos de Jarê, mas não alcançou um grande desempenho. A segunda parte dá protagonismo às irmãs da história nos versos “a professora dá a mãos à profetiza, nos dramas, na lida, na fé e no amor, mulheres destemidas não se calam, contra injustiças e grilhões”, com narrativa mais descritiva. Mais uma vez sem a presença de Wander Pires, o samba sentiu a ausência e não chegou ao seu nível máximo, apesar do esforço dos intérpretes, principalmente Vandinho Pires, que segurou bem durante a apresentação. A obra teve alguns momentos de mais fôlego, como no citado trecho antes da cabeça do samba, mas, no geral, foi uma apresentação correta, realçando a narrativa seguida pela parceria, bons momentos em letra, porém sem maior pujança.

Opinião: União de Maricá realiza sua segunda eliminatória com parcerias de Sandra Sá e Moacyr Luz como favoritas

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Foto: Victor Busch/CARNAVALESCO

A União de Maricá realizou, na noite da última sexta-feira, sua segunda eliminatória para a escolha do seu samba-enredo para o carnaval 2027. A escola, que estreia no Grupo Especial e vai abrir os desfiles no domingo de carnaval, irá homenagear Darcy Ribeiro com o enredo “Utopia Brasil”. A seguir, vem a análise do CARNAVALESCO sobre as parcerias que se apresentaram.

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Parceria de Diogo Nogueira: O samba não contou com a presença oficial do seu intérprete, Pitty de Menezes. A obra veio trazendo uma abordagem bastante diferenciada dentre todas as parcerias que estão concorrendo, pois é o próprio Darcy Ribeiro, em um tom mais aguerrido, que narra a própria história. Um trecho que se destaca pela sua força lírica é: “De tudo isso é que eu nunca fui omisso. A feira, a festa, a cada rua o compromisso, de enxergar este país qual procissão”, pois mostra, em uma abordagem contextualizada, a infância de Darcy, que, quando é trabalhada de uma forma mais significativa e narrativa, e não cronológica, fica mais forte em sua coesão. Um outro trecho que tem um potencial muito forte é “minha missão eu encarei de peito aberto, no lado do coração que sempre foi o lado certo”, por trazer um significado em suas entrelinhas. Também se destaca o seu refrão: “Se é pela nossa gente, nós não vamos recuar. Clamo ao povo brasileiro: ouça a voz da Maricá! Subversivos, nós seguimos nas trincheiras, pois a luta é a vitória de quem tem uma bandeira”, por, além de trazer um peso lírico, também trazer um peso político mais forte. O samba passou bastante frio, sem empolgar o público presente, e não tinha torcida para acompanhar nessa noite.

Parceria de Jô Borges: Defendido por Wandinho Pires, Roger Linhares, Alexandre Simpatia, Jô Borges e Cacau Souza, a obra trouxe um dos destaques da noite na parte lírica, por abordar um Brasil cantando para Darcy Ribeiro. Começa muito forte com o verso “Eu sou um pai assim / Tenho tantos filhos, mas não consigo cuidar / Tão bocado a um, mas eu reservo pra mim / Aos preferidos e não posso negar / Um deles tá aqui / Sangue de caboclo / Menino Darcy”. A composição conseguiu trazer uma sintetização de grandes ideias em poucas imagens. Um trecho que se destacou bastante foi “Pele Montes Claros, tatuam no Brasil / Vivos num império imaginário riscado de giz”, pois trouxe uma infância, a utopia e o sonho de Darcy de transformar esse país, com a educação sendo esse instrumento para essa transformação. Outro trecho que se destacou bastante foi “Eu seria tão melhor se andasse no seu caminho / Ajudar os seus irmãos, dar estudo e carinho / Espalhando o saber em catedrais feitas de concreto / Minha neta no cerrado / Legado de um futuro incerto / Tão perto, tão longe de mim”, pois reconhece tudo aquilo que Darcy fez pelo Brasil através da sua luta por educação. Na sequência, ainda passou pelas “fardas e gravatas”, pela volta do exílio, pelo ensino integral até chegar à avenida. O refrão é simples, mas tem potencial muito grande por trazer a identificação com a escola e provocar o canto da comunidade por incluir uma frase utilizada pela agremiação na divulgação do seu enredo: “O povo brasileiro vai tomar a passarela / Meu nome é Brasil e posso afirmar: / Essa utopia já nasceu em Maricá”. O samba passou tranquilo e veio com bastante torcida, levantando as bandeiras para defender o samba.

Parceria Sandra Sá: Defendido por Emerson Dias, a obra foi uma dos grandes destaques da noite, por trazer Darcy contando a própria história. Apesar de se ater da cronologia que a sinopse gostaria, mas não trouxe uma abordagem literária prezada por poesias como podemos ver nos versos “Cresci sonhando ser coroado / Em plena Festa do Divino / A utopia no olhar de um menino/pela janela da esperança” , que se destaca por trazer beleza e criatividade uma boa síntese de proposta. Também traz uma melodia que conseguiu embalar a composição e traz uma força necessária a sustentação dos versos. O principal destaque em sua forma lírica está no seu refrão “Rodeia as matas de Tupã e da Jurema / Na pajelança aprendi o ritual / Quando o mal da covardia me condena / Eu viro flecha com veneno de coral”. O imaginário criado no verso “flecha com veneno de coral” mostrou a sua força ao condensar a experiência de Darcy junto aos povos indígenas, sua defesa dessas populações e também o seu enfrentamento a violência política. Esse trecho funcionou muito bem durante toda a performance. A parceira também conseguiu mostrar um olhar aguerrido da trajetória de Darcy, especialmente de tratar de alguém que sonhou desde a infância com um Brasil melhor, mas que viveu justamente os conflitos e violências de um país que não realizou essa utopia, que fica bem claro no trecho: “Sem medo vejo que não fracassei / Almejei o florescer dessa nação / E quem tentou me derrubar e me vencer / Sumiu da história e não virou enredo, não”, que também de reescrever a história, recria e rebate um pensamento famoso do antropólogo: “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. (…) Mas os fracassos são minhas vitórias. O samba conseguiu empolgar através do seu refrão e uma boa torcida presente na quadra.

Parceira Magnum Amado: Defendido por Marquinhos Art Samba, a obra trouxe um Darcy contando a própria história, só que em um tom mais sensível, como se vê nos trechos “Fui reizinho nos golguedos, coroado em poesia. Dona Fininha em seus braços me embalava tanta ternura que guardei na travessia”. Vale se destacar a sua beleza poética de versos como nos trecho “feito boiúna, me entranhei na mata, mergulhei nas águas”, que trouxe um abordou um imaginário indígena a uma relação tão próxima do escritor com esses povos, e “Brasil, moinho de gastar gente, que exaltou o caráter aguerrido desta composição. Um outro ponto muito forte da composição é o seu refrão “Voa, acanã, pássaro guerreiro. No avesso de avá, sou Darcy Ribeiro. Canta, acanã na pura eufonia. Destrói com seu canto a extrema agonia”, que foi muito bem recebido pelo público presente, que conseguiu se destacar mais do que o refrão central e a repetição dos versos foi crucial para intensificar esse rendimento. Passou sem ter problemas, mas com uma torcida menos potente na hora de defender esse samba.

Parceria de Moacyr Luz: Defendida por Tinga, Charles Silva e Matheus Gaúcho, a obra foi a outra grande destaque da noite, por trazer uma abordagem mais descritiva, que se distingue nas suas primeiras estrofes, que resolve imediatamente diferente aspectos do enredos, desprendendo-se da literalidade e da cronologia fiel, dando maior profundidade criativa como no trecho “Desperta pra sonhar / Menino na janela do Divino / Já raiou sua missão / Quando o império desatino / Utopia no destino / Cai na indignação”. Na sequência a obra vem para um tom mais aguerrido e com uma melodia pujante com destaque para o seu refrão “Meu país é Maricá / Utopia mãe gentil / Nunca pare de lutar / Pra mudar esse Brasil / A vitória popular / Nessa pátria tão hostil / É o educar um filho / Da mãe solo que pariu”, por sua força melódica, poética e um alto potencial de identificação. Um outro trecho que conseguiu refletir num canto forte e num bom funcionamento nas passadas foi o trecho “tantas peles eu vesti… para que todo favelado vá sonhar como Darcy”, bem executados pelos cantores, que trabalharam a valorização melódica e trouxeram à vida a força que o verso tem por natureza. A composição consegue trazer a utopia de Darcy para uma realidade social mais concreta, especialmente ao aproximar seu pensamento da educação e da vida da população. Outro destaque que podemos fazer é o seu refrão “ergue a zambi um monumento, nessa praça um fazimento coroando Rei Zumbi”, que faz referência ao monumento de Zumbi dos Palmares, que fica próximo do Sambódromo e que também foi idealizado por Darcy Ribeiro que dialoga profundamente e traz um peso em coerência e identificação a um samba que se candidata a ser cantado na Sapucaí. A parceria teve uma torcida numerosa e animada, com bandeiras, embora nem todos cantassem o samba, mesmo no
refrão. A energia porém, ultrapassou a torcida e conseguiu contagiar muitos dos presentes nas mesas e camarotes, tornando-se um ponto quente da noite. Passistas também estavam junto à torcida. Também trouxeram efeitos cênicos, como tiros de fumaça e fogos indoor. A performance teve um bom rendimento.

Com sinergia e confiança, Diogo e Rafaela projetam Mocidade forte no Carnaval 2027

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Foto: Miguel Correia/CARNAVALESCO

O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade Independente de Padre Miguel, Diogo e Rafaela, chega ao meio da preparação para o Carnaval 2027 cercado de confiança. Na avaliação dos dois, a força do enredo desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos combina com o momento de transformação vivido pela escola e potencializa o trabalho desenvolvido para a defesa do pavilhão na avenida. Durante a final de samba-enredo da Mocidade, ela destacou a identificação com o projeto e classificou o enredo como uma obra que ultrapassa os limites do carnaval.

“É um enredo com muita cara da Mocidade. O Jack presenteou a gente com esse enredo tão necessário não só para o carnaval, mas, de modo geral, para o mundo, pela forma de pensar, desse manifesto. A Mocidade está passando por um momento de transformação e a gente acredita muito na força da escola, da comunidade e de toda a diretoria que está fazendo, de fato, acontecer”, afirmou ao CARNAVALESCO.

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Desde sua chegada à Mocidade, Rafaela afirma ter sentido uma energia diferente na escola. A parceria com Diogo também foi apontada como um dos fatores importantes para a construção do trabalho do casal.

“Desde minha chegada na Mocidade, eu sempre falo que estou muito feliz, radiante, porque pisar no chão da Mocidade é diferente, e eu pude perceber isso desde o primeiro momento. E, junto com essa parceria do Diogo, que é um amigo, irmão, que eu já conheço há anos de outros carnavais, acho que tudo casou: a energia, a sintonia, a vontade de buscar, de trabalhar, de fazer acontecer. Desde o primeiro momento a gente se entendeu no olhar para que a gente possa ir em busca da nota 10 e da Mocidade estar na melhor posição no carnaval. Os trabalhos vêm ocorrendo de forma natural, segura”, contou.

Preparação segue com cuidados especiais

A preparação para o Carnaval 2027, no entanto, tem uma particularidade. Grávida, Rafaela mantém a rotina de ensaios e treinamentos, mas dentro dos limites determinados pelo momento da gestação.

“Claro que agora estou respeitando o meu limite por conta da gestação, mas em nenhum momento eu parei. Sigo ensaiando, sigo treinando, sigo mantendo a rotina que eu já vinha seguindo, dentro também dos meus limites. Acho que, antes de mais nada, a gente tem que ter segurança para mim e para o bebê. Está tudo sendo feito com muito cuidado, muito zelo, com aval médico, para que a gente chegue no carnaval bem, tranquilo”, explicou.

O planejamento para os próximos meses também já prevê um período de pausa de Rafaela, enquanto Diogo dará continuidade aos ensaios ao lado de Jack. A estratégia foi construída para que o casal mantenha a preparação mesmo durante essa etapa.

“Antes de escolher o samba, a gente já vinha estudando, pensando no que a gente iria levar para a avenida. É o momento que eu tenho para poder estar usando, para que lá na frente a gente dê uma pausa, que vai ser necessário dar uma pausa, mas o Diogo vai continuar ensaiando com o Jack, tudo aquilo que a gente vem programando, para que chegue no desfile e a gente esteja com aquela potência do casal que tem que estar defendendo o pavilhão da Mocidade. Isso não seria possível se a gente não tivesse a segurança e o apoio da escola”, explicou.

Diogo também reforçou a evolução do trabalho realizado pela equipe do casal e demonstrou confiança no resultado que será apresentado na Sapucaí.

“A Rafa já resumiu tudo, mas a gente vem mantendo o nosso trabalho regular muito bom, junto com a nossa equipe. A Carol (coreógrafa) tem sido uma profissional e tanto nas nossas vidas. Ela vem nos dando bastante suporte técnico, fazendo com que a gente vá evoluindo bastante semana a semana”, afirmou.

O mestre-sala acredita que a experiência dos dois será um diferencial na avenida. “A gente vai chegar firme para o desfile. Temos a certeza do nosso potencial. A Rafa é uma porta-bandeira bastante renomada no carnaval e, juntando comigo também, que tenho bastante experiência, temos a certeza de que vamos chegar no desfile bem”, completou.

Fantasia será ‘forte, luxuosa e vibrante’

Outro elemento que já desperta expectativa é a fantasia que será utilizada pelo casal. Diogo elogiou a escolha e destacou o trabalho do carnavalesco e da equipe envolvida na concepção do figurino.

“A fantasia também temos certeza de que foi uma escolha ótima. Acho que o nosso carnavalesco pensou direitinho. Ele pensou para cada um, pensou para a Rafa, visualizou a Rafa dentro da fantasia, me visualizou. Temos a Carol também, que vai trabalhar junto nos movimentos específicos que vão caber junto com a fantasia. Juntando toda a equipe, temos a certeza de um bom trabalho”, comentou.

Rafaela fez questão de reforçar a expectativa e revelou algumas características do figurino que será levado para a avenida. “Eu assino embaixo sobre a fantasia. Foi um presente. Como o Diogo falou, eles nos presentearam com um figurino que é muito forte e potente dentro do enredo e não só no enredo da Mocidade. Acho que no mundo geral que a gente vive, nas nossas origens, características, perfil enquanto casal. Vocês podem esperar que vai vir uma roupa muito bonita, luxuosa, vibrante, forte, com cores bem quentes e bem representativa”, afirmou.

Dowglas Diniz fala em trabalho ousado na Mangueira e mira desfile impactante em 2027

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Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO

Cria da Mangueira e atual intérprete oficial da Estação Primeira, Dowglas Diniz vive mais uma temporada à frente do microfone da Verde e Rosa com a responsabilidade de representar a comunidade onde nasceu e foi criado. Na final de samba-enredo para o Carnaval 2027, o cantor conversou com o CARNAVALESCO e projetou um desfile ousado, destacou a sintonia com os mestres de bateria Taranta Neto e Rodrigo Explosão, falou sobre a inspiração de Jamelão e comentou as críticas recebidas nas redes sociais.

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Como é sua cabeça, cria da Mangueira, sempre que sobe nos palcos para cantar como primeiro intérprete da escola?

“É muito gratificante estar representando toda a comunidade da Mangueira, a comunidade onde eu nasci e fui criado. Isso só me dá mais força para querer cantar mais e mais pela minha comunidade. O carnaval de 2026 foi maravilhoso para todos nós, e estamos trabalhando para que o de 2027 seja um carnaval maravilhoso também”.

O que esperar da ala musical da Mangueira para 2027?

“Hoje, de fato, começamos o nosso pontapé inicial para o carnaval de 2027, com a escolha do nosso hino. A partir daí, vamos ter possibilidades para dentro do samba que for escolhido. Tínhamos duas grandes obras na final que poderiam tranquilamente ser o hino da Estação Primeira de Mangueira para o próximo carnaval. Agora é o pontapé inicial: já começaremos a pensar em tudo que queremos apresentar na avenida”.

Os mestres Taranta e Rodrigo Explosão gostam de uma bateria ousada, com paradinhas e coreografias. Como é essa sinergia entre vocês?

“Nossa sintonia é desde quando a gente nasceu, praticamente juntos. Eu, Rodrigo e Taranta, Vitor, Digão. Desde quando o enredo foi lançado, já pensamos em mil possibilidades. Acredito que o trabalho deste ano pode ser um dos mais ousados que vamos levar para a avenida. A ala musical, juntamente com a bateria, gosta de fazer umas paradas bem diferentes. Este ano, vamos apresentar uma coisa bem impactante. Trabalho que já estamos desenvolvendo nos bastidores, tenho certeza de que será maravilhoso”.

O que acha que Jamelão diria a você ou qual conselho pediria se pudesse falar com ele como intérprete da Mangueira?

“Primeiramente, é uma responsabilidade muito grande assumir o microfone que já foi de Jamelão, já foi de Luizito, Marquinhos Art Samba, entre outros. Mas o nosso mestre maior é o Jamelão. Acredito que ele está muito orgulhoso, porque eu canto com o coração, canto pelo amor à minha escola, e é a mesma coisa que ele fazia. Vamos seguir, vamos cantar para dar sempre orgulho ao nosso pai maior, que é Jamelão”.

O que sentiu quando leu as ofensas nas redes sociais e como você pensa em se blindar?

“Estou muito tranquilo. Existem críticas e críticas, ninguém vai agradar a todo mundo, mas fico tranquilo e busco responder com o trabalho, como sempre fiz, sendo um cara muito centrado, que tem uma equipe muito maravilhosa junto comigo: minha equipe de assessoria, equipe de ala musical, fonoaudióloga, meu professor de canto, minha psicóloga. Tenho um suporte muito grande e fico muito tranquilo quanto a isso. A resposta vai vir em fevereiro, no carnaval, que é o que a gente está fazendo sempre. Vocês puderam ver um show maravilhoso que nós preparamos”.

Mocidade Independente do Brasil! Parceria de PC Feital faz revolução e vence a disputa de samba para o Carnaval 2027

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Por Juliane Barbosa, Júnior Azevedo, Maria Estela Costa e Miguel Correia

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A Mocidade Independente de Padre Miguel escolheu a obra da parceria de PC Feital, Alex Saraiça, Denilson do Rozário, André Russo, Carlinho da Chácara e Fábio Bueno como vencedores da disputa de samba-enredo para o Carnaval 2027. A Estrela Guia de Padre Miguel será a primeira a desfilar na segunda-feira de carnaval com o enredo “Latinamente Independente”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos.

Compositores campeões falam para o CARNAVALESCO

“Eu não tenho nem palavras para descrever o que estou sentindo. Sou Independente, nasci dentro desta quadra e vivo a Mocidade nesses 50 anos de vida que tenho. É uma emoção ímpar, estou muito feliz! A minha parceria lutou muito por isso e temos a certeza de que construímos um grande samba, uma obra com a cara e a pegada da Mocidade, com cadência e uma força enorme no refrão principal, que já vem direto na cabeça. Deus foi muito bom, Obatalá e Tupã abençoaram, e a conquista está aí! Esse é o meu terceiro samba vitorioso na escola. Ganhamos em 2018, com ‘Namastê… A estrela que habita em mim saúda a que habita em você’, em 2025, com ‘Voltando para o Futuro’, e agora, para o Carnaval 2027, com ‘Latinamente Independente’. Eu gosto do samba como um todo, mas a abertura, quando diz ‘Desperta, pioneira’, é algo que te faz sentir o desfile acontecendo na hora. Você se sente cruzando a Sapucaí. Entre a abertura, o refrão do meio e o refrão principal, o conjunto inteiro me emociona demais”, citou o compositor Alex Saraiça, em entrevista ao CARNAVALESCO.

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Compositor Alex Saraiça

“Isso é um sonho. É o que a gente pode dar pela escola de coração, é a nossa contribuição. Eu sou Mocidade, não disputo samba em diversas escolas, disputo samba na Mocidade. E, quando a gente consegue deixar o nosso nome marcado na história da escola, não tem preço! Nós somos tricampeões na escola, e essa conquista tem um significado muito especial. Esse samba é um manifesto. Desde o início, a gente sabia que tinha opções e optou por fazer o trabalho que fizemos. O refrão principal é o nosso xodó”, afirmou o compositor Denilson do Rozário.

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Compositor Denilson do Rozário

“É uma honra para mim. É o primeiro samba que ganho no Grupo Especial e espero levar adiante o legado do meu pai, Cláudio Russo. Estar junto com o Feital é uma honra, porque ele é um mestre. Já tive vitórias na escola fora do Grupo Especial, mas essa experiência eu nunca senti na minha vida e espero que seja a primeira de muitas. Ganhar em uma escola do tamanho da Mocidade é uma honra enorme para mim. E não tem muito o que inventar sobre a minha parte favorita do samba: é aquela parte que explode! A comunidade comprou a ideia, e essa é a melhor parte da obra”, comentou o compositor André Russo.

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Compositor André Russo

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Como passaram os sambas na final

Parceria de PC Feital: O time de Paulo César Feital, Alex Saraiça, Denilson do Rosário, André Russo, Carlinho da Chácara e Fábio Bueno fechou a disputa defendido por Zé Paulo Sierra com uma apresentação de muita força e qualidade. O intérprete conduziu bem a obra e encontrou nos dois refrões os principais motores para fazer o samba avançar durante a passagem pela quadra. O refrão principal foi o grande momento da apresentação, com potência e excelente resposta do público. O refrão de meio, embora menos explosivo, trouxe outra dinâmica e também funcionou muito bem, criando uma espécie de intervalo antes da retomada da intensidade. A torcida fez uma atuação de destaque e ajudou a empurrar o samba durante boa parte da passagem. Houve uma pequena perda de força no trecho posterior ao refrão de meio, mas a potência foi naturalmente recuperada com a chegada do refrão principal. Foi uma apresentação que terminou em alta e deu à parceria a impressão de quem soube jogar a decisão nos momentos certos. No fim, PC Feital saiu como o vencedor da “Libertadores” da Mocidade.

Parceria de Jeffinho Rodrigues: O time formado por Jefinho Rodrigues, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Estevão Ciavatta, Cleiton Roberto e Prof. Renato Cunha abriu a final com uma apresentação segura. Defendido por Wander Pires, o samba teve ótimo desempenho do intérprete ao lado dos cantores de apoio, explorando bem as diferentes possibilidades melódicas da obra e dando dinâmica à passagem pela quadra. Em uma noite tratada pela Mocidade como uma verdadeira final de Libertadores, Wander mostrou por que é camisa 10: conduziu a apresentação com experiência e encontrou os espaços certos para fazer o samba crescer. O rendimento se manteve em bom nível ao longo das passadas, embora a torcida tenha deixado a desejar no momento em que foi chamada a fazer a diferença. Faltou um pouco mais de força e envolvimento, especialmente dentro da atmosfera criada para a decisão. Ainda assim, o conjunto apresentado pelo carro de som foi consistente e cumpriu bem a missão de abrir a disputa.

Parceria de Léo Peres: A equipe foi escalada por Léo Peres, Leandro Fregonesi, Felipe Pires, Rogerinho, Wilson Paulino e Bruno Serrinho. Defendido por Emerson Dias e Bruno Ribas, o samba apresentou uma atuação aguerrida do início ao fim. Os dois refrões funcionaram como importantes pontos de aceleração da apresentação, sobretudo o principal, que encontrou forte resposta da quadra e foi responsável por colocar o samba em uma rotação mais alta. A melodia, de construção mais linear e com poucas variações, sustentou bem o rendimento, inclusive na segunda parte da obra. O carro de som conseguiu manter a intensidade sem deixar que essa característica comprometesse a apresentação. Nas arquibancadas, a torcida poderia ter entregado mais. Em uma “final de Libertadores”, quando o torcedor costuma assumir papel decisivo, faltou um pouco mais de pressão. Ainda assim, os adeptos da parceria estiveram presentes e fizeram a sua parte para empurrar o samba durante a disputa.

Parceria de Richard Valença: Richard Valença, Orlando Brósio, Renan Diniz, Georginho Via 13, W. Correia e Cabeça do Ajax formaram o time que levou para a quadra um samba defendido por Tem Tem, Rafael Tinguinha e Charles Silva. O “trio de ataque” entrou com a garra que uma peleja de Libertadores exige e teve ótimo desempenho durante toda a apresentação. A força do carro de som combinou com a atmosfera da noite e fez o samba crescer nos momentos em que era necessário imprimir maior intensidade. Não houve queda significativa de rendimento ao longo das passadas, garantindo uma apresentação regular e competitiva. A torcida também entrou no jogo. Com bandeiras de diferentes países latino-americanos, os integrantes da parceria ajudaram a construir o ambiente de arquibancada que a final pedia. No apito final, ainda foi possível ouvir, mesmo que timidamente, alguns gritos de “é campeão”, sinal de que a apresentação deixou a torcida confiante no resultado.

 

Sucesso em mais uma final

O evento, considerado a maior final da história do carnaval, transformou a quadra da escola em um grande festival. Além da decisão do samba, o público acompanhou uma programação especial no Palco Latinamente Independente, com apresentações musicais, encontros de gerações, gastronomia e atrações que seguiram pela madrugada.

A noite contou ainda com a área gastronômica assinada pela Feira da Glória, o Boteco Independente, com petiscos tradicionais, e uma área de serviços, como massagem, maquiagem e tranças. A programação musical reuniu samba, rap e música latina, além do after comandado pelo Bonde das Maravilhas.