A Acadêmicos do Grande Rio saiu satisfeita do sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio para o Carnaval 2027. A tricolor de Duque de Caxias repetirá um cenário recente: será a terceira escola a desfilar na terça-feira, posição que vem se consolidando como marca da agremiação nos últimos anos. Diretor de carnaval, Thiago Monteiro destacou o equilíbrio entre os dias e celebrou a manutenção da escola na terça-feira, reforçando a confiança no planejamento.
“Maravilhoso! Depois da terça-feira instituída, é o terceiro ano seguido que a Grande Rio é a terceira de terça-feira. Não posso dizer que a gente já está acostumado a desfilar nessa posição e nessa ordem, acho que os dias ficaram bem equilibrados e era o que a gente queria. A gente teve a prerrogativa da escolha da terça e estamos muito felizes e satisfeitos com tudo. O lado, o horário… não muda nada. A comunidade não muda nada. É o lado, é o horário, tudo certo. Não precisou nem mexer nos ofícios, está tudo certinho”.
Mestre-sala da escola, Daniel Werneck entrou no clima descontraído e brincou com a repetição da posição no desfile. “A gente adorou! Mais uma vez vamos desfilar na terça-feira, terceira escola de terça, pela terceira vez consecutiva desde que surgiu a oportunidade do desfile das terças-feiras. A Grande Rio conseguiu a colocação de terceiro lugar nos desfiles. Então agora é só pedir música no Fantástico”.
Porta-bandeira, Taciana Couto também celebrou a familiaridade com o dia e projetou um grande espetáculo na avenida. “Foi o dia que a gente já gosta de desfilar, como o Dani falou, a terceira vez consecutiva. A gente vai estar vindo na terça-feira de Carnaval como a terceira escola a desfilar. É um dia com escolas magníficas. Acredito que vão passar grandes trabalhos e acho que isso só tem a engrandecer cada vez mais a festa, e vai ser um espetáculo lindo”.
A Beija-Flor de Nilópolis avaliou de forma estratégica o sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio para o Carnaval 2027. Escalada para se apresentar no domingo, a azul e branca destacou a necessidade de um desfile tecnicamente impecável, independentemente da posição. Presidente da escola, Almir Reis ressaltou ao CARNAVALESCO a tradição da agremiação na segunda-feira, mas tratou o novo formato como equilibrado e reforçou a importância do trabalho na avenida.
“Tradicionalmente, a gente gosta de vir na segunda-feira, mas é tudo igual. O carnaval hoje é envelope fechado no dia, cada dia sai uma campeã. Agora temos que fazer um trabalho bem feito no domingo e, se Deus quiser, sairemos ovacionados”, disse o dirigente.
Diretor de carnaval, Marquinho Marino foi direto ao analisar o impacto do regulamento atual e apontou uma leve vantagem para quem desfila no domingo, sem deixar de destacar que o desempenho técnico será decisivo.
“Não podemos ser hipócritas e dizer que o que a gente queria era o domingo, mas o regulamento do carnaval desse ano propicia uma maior chance para as escolas de domingo ao fechar o envelope no mesmo dia. Se fizer um grande desfile, tecnicamente perfeito, vai ganhar 10 em tudo, e quem ganhar 10 em tudo é campeã. É assim que a escola tem que trabalhar. A posição é um pouquinho indiferente, porque agora só tem quatro escolas por dia, então não tem muita diferença. Atualmente, o domingo dá uma possibilidade maior do que em anos anteriores. Hoje em dia já não tenho mais preconceito com a concentração no Balança, porque tem a vantagem de montarmos a escola inteira numa pista só. E a escola está bem treinada, bem organizada. Estamos acostumados a desfilar ali, então isso não é empecilho nenhum”.
Com foco na excelência e confiança na organização, a Beija-Flor projeta um desfile forte no domingo para entrar na disputa direta pelo título do Carnaval 2027.
A Imperatriz Leopoldinense saiu muito satisfeita do sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio para o Carnaval 2027. A verde e branco de Ramos será a última escola a desfilar na segunda-feira, posição considerada ideal pela diretoria da agremiação. Presidente da escola, Cátia Drummond destacou ao CARNAVALESCO o alívio por evitar uma colocação indesejada e comemorou a posição final, além de ressaltar a preferência pelo lado do Balança.
“Estamos felizes demais, já são três anos desfilando domingo, sendo dois anos a segunda escola a desfilar no domingo. Queríamos qualquer posição, menos a segunda escola de domingo. E fomos agraciados com a sorte do mestre Lolo de ser a última de segunda-feira, ele deu nota 10 de novo. O Leandro, quando eu vim para cá, falou: ‘Presidente, se puder ser no Balança, vamos no Balança’. Leandro adora desfilar no Balança. Nossos carros são preparados para o Balança, por isso que, na hora de escolher, além de poder encerrar a segunda, é o lado que a gente gosta de desfilar. É o lado que a Imperatriz vem desfilando há 4 anos. Se Deus quiser, vai dar bom na segunda-feira de carnaval”, afirmou Cátia.
Diretor de carnaval da escola, André Bonatte reforçou que a posição já fazia parte do planejamento estratégico da agremiação e destacou o histórico positivo desfilando pelo mesmo lado da avenida.
“Era o nosso planejamento. Ao longo dos anos, a gente tem preferido concentrar do lado do Balança. Fomos campeões com o Lampião do lado do Balança e também fizemos Cigana e Oxalá saindo de lá. A primeira coisa que a gente queria era estar em uma posição de desfile par. A Imperatriz prefere o lado do Balança. Hoje, mesmo com o fechamento das notas no dia, acho que a segunda-feira tem sido mais quente. Estamos no dia mais quente dos três e na posição que a gente queria estar. É só felicidade”, comemorou o diretor.
Com estratégia definida, histórico favorável e confiança no trabalho, a Imperatriz aposta na combinação entre tradição e planejamento para buscar mais um título no Carnaval 2027.
A Estação Primeira de Mangueira foi uma das grandes “vencedoras” do sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio para o Carnaval 2027. A Verde e Rosa terá a responsabilidade de encerrar os desfiles na Marquês de Sapucaí, posição bastante desejada pela agremiação. Presidente da escola, Guanayra Firmino celebrou o resultado e destacou a expectativa de um desfile marcante para fechar o espetáculo.
“É maravilhoso fechar o Carnaval 2027, era tudo o que nós queríamos. A Mangueira vai vir rasgando aquela avenida. Estávamos com saudade de fechar o carnaval”, disse.
Diretor de carnaval da agremiação, Dudu Azevedo reforçou o desejo da comunidade pela posição e apontou a identificação da escola com o lado do Balança, além de ressaltar a importância do trabalho rumo ao desfile.
“Era o que a nação mangueirense queria! Estamos fechando o domingo nos últimos dois anos, queríamos fechar o carnaval, e a Mangueira vai fechar o Carnaval. O Balança é o lado que o mangueirense gosta de desfilar. Vamos nos concentrar no lugar que a gente gosta. Agora é trabalho, tradição não ganha carnaval. O componente sabe disso”.
Com o encerramento do Carnaval 2027 nas mãos, a Mangueira aposta na força de sua comunidade e na tradição aliada ao trabalho para buscar mais um título na Sapucaí.
A Unidos do Viradouro, atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, deixou o sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio para o Carnaval 2027 com motivos para comemorar. A vermelho e branco de Niterói será a segunda escola a desfilar na segunda-feira, posição vista como estratégica pelo diretor executivo Marcelinho Calil.
Em entrevista ao CARNAVALESCO, o dirigente destacou a confiança no histórico da escola na posição e a vantagem logística de preparar o desfile ao longo do dia.
“Excelente, excelente! Segunda de terça, a posição que, nesse último ano, foi da Vila, o chão estava quente, espetacular, adorei. O Balança também é um lugar em que a escola já ganhou duas vezes ali. Sendo a segunda, eu consigo formar a escola com tranquilidade durante o dia. Excelente, estou feliz da vida”.
Com otimismo e experiência recente positiva, a Viradouro aposta na força dos quesitos e na organização para transformar a posição no sorteio em mais um trunfo na busca pelo título do Carnaval 2027.
A definição da ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio para o Carnaval 2027 trouxe animação para a Unidos de Vila Isabel. A escola será a responsável por encerrar o domingo de apresentações na Marquês de Sapucaí, posição considerada estratégica pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a dupla destacou a confiança no trabalho e o peso de fechar a primeira noite de desfiles.
Para Gabriel Haddad, encerrar o dia representa uma oportunidade de potencializar a força da comunidade e garantir um desfile impactante na avenida.
“Olha, fechar um dia de desfile é sempre algo muito incrível, porque a gente consegue trabalhar com a força da comunidade, a escola vai estar organizada na concentração, então, para a gente, vai ser o grande desfile da Vila. A gente vai estar confiando no nosso trabalho para que a gente consiga fazer um grande desfile. Vamos embora, fechar o domingo e ir para cima. Vamos embora, Vila”.
Leonardo Bora reforçou o discurso do parceiro e ressaltou o simbolismo e a responsabilidade de ser a última escola a pisar na avenida no primeiro dia.
“Gabriel falou tudo por mim, uma posição maravilhosa. Temos essa ideia de que encerrar uma noite é sempre uma responsabilidade maravilhosa. E estamos com tudo para esse desfile. E, com certeza, a Vila vai encerrar o primeiro dia disputando o título, apresentando um espetáculo, um desfile excepcional”.
Com o discurso alinhado e foco em um desfile competitivo, a Vila Isabel aposta na combinação entre organização, força comunitária e impacto visual para brigar pelas primeiras colocações no Carnaval 2027.
O espetáculo já começou! O Rio Carnaval 2027 deu o primeiro passo rumo à Sapucaí com o sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial, realizado na noite desta quinta-feira, em uma grande celebração na Cidade do Samba, na Zona Portuária da cidade. O evento, gratuito e marcado por muita música e animação, reuniu sambistas, representantes das escolas e apaixonados pelo maior espetáculo da Terra.
Mantendo o caráter popular da celebração e reforçando o compromisso social da Liesa e do mundo do samba com a sociedade, o acesso foi garantido mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível. O público acompanhou uma programação musical que animou a noite, com shows de Dudu Nobre, do grupo Os Puxadores do Samba e uma apresentação especial da atual campeã, Viradouro. Houve ainda a definição da ordem de desfiles das escolas de samba mirins, pela primeira vez em conjunto com as maiores agremiações da folia carioca.
Seguindo o regulamento do Grupo Especial, três agremiações já entraram no sorteio com posições definidas devido às suas colocações em 2026: União de Maricá, Mocidade e Portela — responsáveis por abrir, respectivamente, os desfiles de domingo, segunda-feira e terça-feira. As demais agremiações foram organizadas em trincas, definidas em plenária com os presidentes das escolas, e participaram do sorteio que definiu a sequência completa das apresentações na Sapucaí.
Com isso, o calendário oficial dos desfiles do Rio Carnaval 2027 ficou definido da seguinte forma:
Domingo, 07 de fevereiro
1 – União de Maricá
2 – Beija-Flor
3 – Paraíso do Tuiuti
4 – Vila Isabel
Segunda-feira, 08 de fevereiro
1 – Mocidade
2 – Unidos da Tijuca
3 – Salgueiro
4 – Imperatriz Leopoldinense
Terça-feira, 09 de fevereiro
1 – Portela
2 – Viradouro
3 – Grande Rio
4 – Mangueira
Liesa Mirim: sorteio conjunto
Pela primeira vez, a definição da ordem dos desfiles das escolas de samba mirins também integrou a programação do evento, reforçando a importância da formação de novas gerações para o futuro do samba. O momento deu visibilidade às agremiações que representam a base do carnaval e ajudam a manter viva a tradição carnavalesca. Os desfiles das escolas mirins do Rio Carnaval 2027 acontecerão nos dias 23 e 24 de janeiro, com três escolas por noite, além do dia 30 de janeiro, também com três apresentações, e de 12 de fevereiro, quando 12 agremiações encerram a programação dedicada às novas promessas da folia.
Sábado, 23 de janeiro
1 – Golfinhos do Rio de Janeiro
2 – Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy
3 – Corações Unidos do CIEP
Domingo, 24 de janeiro
1 – Inocentes da Caprichosos
2 – Muda da Cabuçu
3 – Império do Futuro
Sábado, 30 de janeiro
1 – Petizes da Penha
2 – Nova Geração do Estácio
3 – Infantes do Lins
Sexta-feira, 12 de fevereiro
1 – Maricá do Futuro
2 – Herdeiros da Vila
3 – Estrelinha da Mocidade
4 – Filhos da Águia
5 – Pimpolhos da Grande Rio
6 – Sonho do Beija-Flor
7 – Crias da Imperatriz
8 – Mangueira do Amanhã
9 – Tijuquinha do Borel
10 – Aprendizes do Salgueiro
11 – Virando Esperança
12 – Os Netinhos do Tuiuti
A Mancha Verde realizou na última quarta-feira sua explanação para compositores com foco na disputa de samba-enredo que definirá a obra a embalar a agremiação no Carnaval 2027. Foi um encontro especial, no qual o presidente Paulo Serdan destacou o orgulho da escola em homenagear a importante escritora Ruth Rocha, além da apresentação feita por Rodrigo Meiners sobre o tema. Durante a reunião, foi reforçado que a escola busca um samba alegre e, ao mesmo tempo, aguerrido, sem abrir mão de suas caractersticas. Como já é tradição na Mancha Verde, a final será realizada na última festa julina, marcando o início do ciclo de trabalho junto à comunidade. O tema é intitulado como “Ruth Rocha — A palavra que ensina a criança a voar”. Rodrigo Meiners, responsável pelo desenvolvimento do tema, conversou com o CARNAVALESCO sobre a felicidade de homenagear a escritora.
O carnavalesco explicou que a escolha do enredo surgiu da combinação entre um desejo pessoal e um pedido de mudança por parte da escola, que nos últimos anos vinha abordando com frequência temáticas religiosas e, para 2027, pretende levar algo mais leve ao Anhembi.
“Eu já tinha esse enredo guardado há muito tempo. Idealizei essa proposta em 2017, quando ainda trabalhava como assistente e não era carnavalesco. Sempre fui apaixonado pelo carnaval e pelos desfiles. Minha vivência sempre esteve ligada à Sapucaí, até me mudar para São Paulo. O desfile de 2005 da Imperatriz Leopoldinense me marcou profundamente. Foi um dos primeiros de que me lembro na infância. Eu tinha entre 9 e 10 anos e consegui compreender o que estava sendo apresentado. Aquilo ficou registrado em mim de alguma forma e despertou o desejo de, um dia, desenvolver uma temática infantil, com um enredo e uma estética voltados para esse universo. Após o carnaval de 2026, não alcançamos o resultado esperado nem o que planejamos conquistar. A partir disso, muitas pessoas passaram a sugerir ao presidente uma mudança de linha, buscando se afastar de enredos com temática religiosa. Em um país polarizado, falar de religião gera debates, assim como abordar política. Entendemos, então, que era necessário propor um enredo sem esse tipo de controvérsia, capaz de unir pessoas de diferentes pensamentos, ideologias e crenças, todas com um objetivo em comum: levar a Mancha Verde ao acesso”, contou.
Para Rodrigo Meiners, o que mais chama atenção nesse enredo sobre Ruth Rocha é a aceitação do público do carnaval. Segundo o artista, não houve críticas desde o lançamento do tema nas redes sociais.
“O que mais me impacta nesse enredo é a aceitação. Sinceramente, não tenho visto críticas; pelo contrário, recebemos elogios de todos os públicos, o que nos dá ainda mais motivação. Como o presidente mencionou, isso acontece após um momento difícil, que foi não conquistar o acesso. Esse reconhecimento nos conforta. Continuo convicto de que fizemos um grande desfile no ano passado, mesmo que o resultado não tenha refletido isso. Agora, iniciamos 2027 com um sentimento de acolhimento, abraçados pelo público, que recebeu muito bem essa proposta, e esse é o ponto principal. Além disso, há o contato com a Ruth. O carnaval tem essa capacidade de aproximar pessoas. Há 15 anos, eu ainda era criança e lia suas obras na escola. Em 2025, conheci Cláudia Alexandre e mergulhei em um universo de literatura, religiosidade e matriz africana. Agora, tenho a satisfação pessoal de explorar a literatura infantil e de me conectar com uma autora que publicou 218 obras ao longo da carreira. Isso representa um enorme aprendizado. Aproveito para agradecer publicamente ao presidente por acreditar nessa ideia e embarcar comigo nesse enredo”, celebrou.
Felicidade de Ruth em ser homenageada
Recentemente, a direção de carnaval da Mancha Verde e o próprio Rodrigo Meiners tiveram a oportunidade de se encontrar com a escritora e homenageada Ruth Rocha. Segundo o carnavalesco, foi um momento especial, sobretudo pelo conhecimento que ela demonstra sobre desfiles de escolas de samba.
“Foi uma experiência muito especial. Não esperávamos a reação dela. A primeira grande surpresa foi perceber que a Ruth entende muito de carnaval. Ela contou que tem familiares cariocas e que frequentava os desfiles no Rio, inclusive antes da construção da Sapucaí, algo que desconhecíamos. Quando apresentamos o projeto, com fantasias e alegorias, ficou evidente que ela não é leiga no assunto. Ela sabe, por exemplo, que a fantasia da bateria precisa ser mais leve, devido à praticidade para os ritmistas, e que o abre-alas deve ser o maior carro do desfile, já que precisa causar maior impacto na abertura. Também demonstrou conhecimento sobre o processo atual de apresentação do enredo aos compositores e sobre a dinâmica das disputas de samba. Inclusive, afirmou estar à disposição para participar, ouvir as obras e colaborar na escolha da letra. Desde o início, a reação dela, da família e da equipe foi extremamente positiva. Ainda assim, nos surpreendeu perceber o quanto ela aprecia e compreende o carnaval. Ela está muito feliz por ser homenageada em uma manifestação artística que admira e que, em determinado período da vida, acompanhou de perto”, concluiu.
O carnavalesco Tarcísio Zanon celebrou o título da Unidos do Viradouro destacando o caráter histórico da conquista e o protagonismo de mestre Ciça no desfile campeão. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Zanon ressaltou o peso simbólico do enredo e a importância de valorizar o ritmo dentro da Marquês de Sapucaí. Segundo o artista, o título ultrapassa o resultado competitivo e representa um marco para o universo do samba.
“Histórico. É um momento histórico para o mundo do samba e para a Viradouro. A gente poder ter um sambista que tanto fez pela história do carnaval vencendo o carnaval… é a festa em festa. O Ciça é uma escola de samba inteira em si. Para além do título, para mim é muito significativo, importante e necessário viver esse momento histórico”.
Zanon também destacou o impacto pessoal da vitória, apontando o resultado como combustível para novos desafios. “Isso me revigora, me faz querer fazer cada vez melhor. E o Ciça merece. O Ciça é alguém que entende a Marquês de Sapucaí como ninguém; ele é um professor para todos nós”.
O carnavalesco ainda contextualizou a relevância do enredo ao destacar a valorização do ritmo no carnaval contemporâneo. “Colocar o ritmo, que há tanto tempo foi marginalizado, nesse lugar… se você pensar, cem anos atrás os ritmistas eram perseguidos pela polícia, e hoje o ritmo alcança o patamar de campeão do carnaval carioca”, disse, atribuindo essa evolução também ao legado de Ciça. “Isso vem muito do trabalho do Ciça, do legado que ele leva e que vai passar para outros”.
Momento épico na avenida
Um dos pontos mais marcantes do desfile foi a bateria surgindo no alto de uma alegoria, recriando um dos momentos mais icônicos da trajetória de mestre Ciça. Zanon revelou que a ideia esteve presente desde o início do projeto.
“Desde o início desse projeto a gente queria trazer o Ciça de novo, porque é um dos momentos mais icônicos da carreira dele. Ele já tinha dado entrevista dizendo que não queria fazer mais, mas, como ele se tornou enredo, acho que se animou e resolveu fazer novamente”, explicou.
Para viabilizar a cena, a equipe precisou adaptar o conceito às regras atuais. “A gente fez com muito cuidado: trabalhamos com calculista e com engenheiro, porque na época em que foi feito eram três chassis. Hoje não se pode usar três chassis acoplados; só podemos usar dois. E deu tudo certo”.
O resultado, segundo o carnavalesco, foi um dos ápices do desfile campeão. “Foi um momento épico, no final do desfile, com uma leitura nova, representando o coração de uma escola, o Furacão vermelho e branco. Foi lindo, foi épico”.
Zanon também destacou o caráter emocional da cena, especialmente pelo encontro entre gerações de ritmistas. “A nova geração, os pais que estavam tocando naquela época, hoje os filhos puderam viver isso. Eu senti muito essa troca com os meninos da bateria, eles falando com felicidade: ‘meu pai fez, e hoje eu vou fazer’”.