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Beija-Flor une a magia de Zeneida à sua própria história em show na final de samba

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Fotos: Reprodução de internet

O show da Beija-Flor na final de samba-enredo para o Carnaval 2027 abriu com a ritualística dos Caruanas, em uma exibição de impacto que contou com a guiança da voz de Dona Zeneida. Em seguida, o carimbó tomou conta da cena, reverenciando a cultura popular do Pará. É Dona Zeneida quem evoca a escola para celebrar sua história e seu pavilhão. Nesse momento, os principais segmentos da escola se reuniram no palco para cantar à capela o samba-exaltação da agremiação, com a presença de seu patrono, Anísio Abraão David. Claudinho e Selminha Sorriso dançarem exuberantes com o pavilhão azul e branco, enquanto imagens de Zeneida rezando o pavilhão eram exibidas no telão.

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Nino do Milênio e Jéssica Martin cantaram músicas em homenagem a Zeneida e ao Círio de Nazaré, intercaladas pela prece feita pelo ator Samuel de Assis. Com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, o presidente Almir Reis discursou, agradecendo a presença dos baluartes da escola e lembrando os ensinamentos do patrono: “O Beija-Flor é mais importante que todos nós”.

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Se o enredo da Beija-Flor, ao homenagear Zeneida, evoca todo o território mágico da pajé, o show da escola na final de samba privilegiou evocar a força da natureza de Nilópolis através de seus segmentos e da discografia da escola.

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Unidos de Vila Isabel define samba-enredo para o Carnaval 2027 nesta sexta-feira

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Foto: Divulgação/Vila Isabel

A Unidos de Vila Isabel realiza nesta sexta-feira, a partir das 22h, a grande final de samba-enredo que definirá a obra oficial da escola para o Carnaval 2027. A disputa, iniciada em 5 de agosto com 14 composições inscritas, chega à etapa decisiva com três sambas finalistas. A quadra da Unidos de Vila Isabel está localizada no Boulevard 28 de Setembro, 382, em Vila Isabel.

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Além da apresentação das obras concorrentes, a programação contará com show do cantor Felipe D’Paula e apresentações dos segmentos da agremiação. Os ingressos antecipados custam R$ 30 e podem ser adquiridos na bilheteria da escola e pelo portal Sympla. Mesas para quatro pessoas estão disponíveis por R$ 250.

Para o diretor de carnaval da Vila Isabel, Moisés Carvalho, a final representa um dos momentos mais importantes do calendário da escola.

“A escolha do samba é sempre um momento especial, porque é a partir dele que começamos a dar voz e ritmo ao enredo que levaremos para a Avenida. Temos a certeza de que a obra vencedora representará com força e emoção o projeto que a Vila Isabel preparou para 2027”, destaca.

O samba escolhido embalará o desfile da azul e branca no Carnaval 2027, quando a escola levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Torto Arado: Sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, inspirado na obra de Itamar Vieira Junior. Desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinicius Natal.

Confira os sambas finalistas
Samba 5 – Paulo César Feital, Gustavinho Oliveira, Thales Nunes, Danilo Garcia, Júlio Alves, Marcelo Martins e Gabriel Simões;
Samba 9 – Ricardo Mendonça, Jarbas Bittencourt, Diego Nicolau, Diego Jorge, Aldir Senna, Antônio Pontes e Gigi da Estiva;
Samba 13 – Martinho da Vila, Evandro Bocão e André Diniz

Do samba à fé: musical de Neguinho da Beija-Flor revela histórias de uma vida dedicada ao carnaval

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Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

“Neguinho da Beija-Flor – Musical” teve seu ensaio geral no Teatro João Caetano na noite da última quarta-feira, véspera da estreia marcada para esta quinta-feira. Assinado pelo diretor Luiz Antonio Pilar, com texto de Aydano André Motta, o musical percorre mais de cinco décadas da vida e da obra de Neguinho da Beija-Flor, sambista que emprestou a voz a quinze títulos da agremiação no carnaval carioca.

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Logo nos primeiros minutos, o espetáculo deixa entrever a trama que vai sustentá-lo até o fim: religiosidade, presença das mulheres e samba. Três fios que se entrelaçam na trajetória de Neguinho da Beija-Flor, e conduzem o público, cena a cena, pela vida e obra do sambista.

O espetáculo abre com “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, samba-enredo que marcou a despedida de Neguinho da avenida após 50 anos à frente do microfone da Beija-Flor, no desfile que homenageou Laíla; ao lado de Joãozinho Trinta e do próprio Neguinho. O enredo se sagrou campeão do Carnaval 2025, com Laíla homenageado, Joãozinho Trinta reverenciado pelo retorno da escultura do Cristo censurado do desfile “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia” (1989), e Neguinho como voz.

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A escolha é bem-sucedida: atualiza o momento final da carreira de Neguinho celebrando-o como artista forjado dentro da escola de samba, cuja história se confunde com a da própria Beija-Flor; algo que reaparece nos encontros entre Neguinho, Laíla, Joãozinho Trinta e Anísio Abraão David ao longo da trama.

Daí o musical dá uma dobra no tempo. Nascido Luiz Antônio Feliciano Marcondes em Vila Isabel, Neguinho foi criado na Baixada Fluminense, onde ganhou o apelido de Neguinho da Vala. É nessa origem que aparece a primeira mulher da tríade: a mãe, responsável por sustentar a casa, financeira e afetivamente, enquanto o pai, trompetista, boêmio e amigo de Jamelão, vivia à parte. Ela se opõe, a princípio, ao samba do filho; depois se torna, ao lado da irmã de Neguinho, uma de suas maiores apoiadoras.

Essa presença feminina atravessa todo o espetáculo: depois de mãe e irmã, vêm as companheiras e a filha Ângela, batizada com o nome de um de seus maiores sucessos. Também a Ialorixá surge, desde o início, apontando o caminho do samba como uma caminhada confirmada pela ancestralidade. Se o samba forja Neguinho tecnicamente, são essas mulheres que sustentam sua trajetória nos momentos decisivos como enfrentamento a um câncer.

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A religiosidade ganha centralidade na cena do câncer de Neguinho: o ebó feito com banho de pipoca, ritual de cura espiritual dedicado ao Orixá Obaluaê. Um dos momentos mais emocionantes do musical. A fé também comparece no cenário em guias e o cordão de ouro que carrega a imagem de um Beija-Flor.

Antes de se firmar como compositor e intérprete oficial da Beija-Flor, Neguinho colhe uma série de recusas na ala de compositores do Salgueiro, Império, Mangueira e Portela. Sequência que brinda o público com os sambas de 1969: o campeão do Salgueiro “Bahia de Todos os Deuses” e o “Heróis da Liberdade” do Império Serrano, além dos sambas-exaltação de Mangueira e Portela. Até que é levado para a Beija-Flor de Nilópolis e assume o microfone principal.

Nesse momento, o espetáculo trama a relação entre Neguinho, Joãozinho Trinta e Laíla, o mesmo trio da abertura, agora em formação, no período do tricampeonato 1976, 1977 e 1978, com uma cena carnavalizada ao som de “Sonhar com Rei dá Leão”, do Carnaval de 1976, primeiro título da Beija-Flor. Central nessa fase é Anísio Abrahão David, patrono da escola, que acolhe Neguinho após a trágica morte de Bira Quininho. À frente do microfone da agremiação e em parceria com Laíla e Joãozinho Trinta, acontece um dos momentos mais divertidos: a cena em que o carnavalesco pede a Neguinho que escreva o samba-exaltação da Beija-Flor.

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O espetáculo ainda reserva espaço a marcos pessoais: o casamento na própria Marquês de Sapucaí, e os sucessos fora dos desfiles: “Ângela”, parceria de Serginho Meriti e Carlos Alexandre, muito cantado pela plateia, “Domingo eu vou ao Maracanã”, canção do próprio Neguinho.

Assim como abre, o espetáculo fecha com o samba de Laíla: um retorno que reforça seu caráter circular e reafirma Neguinho da Beija-Flor como presença viva, ícone do carnaval e uma das maiores referências do samba. Depois de cinquenta anos de trajetória, o musical leva essa figura aos palcos e conta sua história de forma envolvente, com belíssimas atuações e um figurino primoroso assinado pela porta-bandeira Rute Alves; um espetáculo que faz o público cantar, relembrar os sucessos e conhecer de perto a vida e a obra desse grande personagem da cultura popular brasileira.

SERVIÇO
Temporada: 10/09 a 01/11 de 2026
Dias e horários: Quinta, sexta e sábado, às 19h. Domingo, às 17h
Local: Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n – Centro – Rio)

Ingressos:
Plateia — R$ 80 (inteira) | R$ 40 (meia-entrada)
Balcão Nobre — R$ 70 (inteira) | R$ 35 (meia-entrada)
Balcão Simples — R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia-entrada)
Vendas online: funarj.eleventickets.com
Bilheteria do teatro: Terça a sexta, das 13h às 18h. Sábados, das 15h às 18h
Classificação etária: 14 anos
Duração: 110 minutos
Instagram do espetáculo: @oneguinhodabeijaflormusical

Noite em que a Beija-Flor vai transformar a história de Zeneida em samba

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Foto: Divulgação/Beija-Flor

A Beija-Flor escolhe nesta quinta-feira o samba-enredo que levará para a Sapucaí em 2027 sobre a trajetória da pajé Zeneida Lima, de 92 anos. O mega evento acontece na quadra da escola, em Nilópolis, numa conexão direta com o Pará. De lá, no Marajó, a grande homenageada poderá acompanhar a festa, ao vivo pela internet. O público da Baixada Fluminense, por sua vez, terá a oportunidade de entrar em contato com a força mística de Zeneida: a final está marcada para a semana em que se comemora o Dia de Nossa Senhora de Nazaré, a Nazinha, santa da qual ela e o povo paraense são devotos.

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A partir das 20h30, os portões da Beija-Flor estarão abertos, com ingressos a R$30. Quem participar assistirá a uma série de momentos especiais. No principal deles, quatro parcerias vão se apresentar, disputando a chance de celebrar o legado de Zeneida como liderança local, ativista e ambientalista. Estão na finalíssima os sambas de número 01, 02 e 13, e também uma obra composta por compositores da escola de samba paraense Bole-Bole, ela foi selecionada na Etapa Pará, realizada no estado com outras cinco agremiações locais, mobilizadas para honrar Zeneida.

Além das apresentações dos finalistas (veja a lista completa de compositores abaixo), a noite incluirá a exibição da partida do Flamengo contra o Independiente del Valle, pela Libertadores, entre outras passagens surpreendentes (uma delas, relacionada à Nossa Senhora de Nazaré). Estão sendo preparados dois espetáculos. Um deles revisitará a “Noite dos Enredos”, de setembro, quando a Beija-Flor emocionou o público da Cidade do Samba, na Zona Portuária do Rio. O outro será o tradicional show da agremiação.

Pela quadra, sambas clássicos da azul e branca vão ganhar voz graças aos intérpretes Jessica Martin e Ninno do Milênio. A dupla vai embalar apresentações das alas de passistas, baianas e Velha Guarda, entre outras. O bailado de Selminha Sorriso e Claudinho também está entre os momentos mais aguardados, junto dos demais casais de mestre-sala e porta-bandeira. A bateria dos mestres Plínio e Rodney garante ritmo à festa, com Lorena Raissa entregando a performance de uma legítima rainha de comunidade. Componentes e torcidas ajudam a levar a noite ao seu auge.

Na sequência dos shows, as quatro parcerias vão apresentar os versos que prepararam para o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, em parceria com os pesquisadores Bruno Laurato, Guilherme Niegro e Vivian Pereira.

O projeto honra uma série de contribuições da homenageada para o Brasil, o Marajó e a própria Beija-Flor. Além de liderar atividades para centenas de crianças na Instituição Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia (ICMCE), Zeneida escreveu o livro “O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó”. As páginas foram inspiração para um enredo campeão da Deusa da Passarela na temporada de 1998 — feito que a escola busca repetir mais uma vez, quase três décadas depois.

Em 2027, a Beija-Flor buscará o 16º campeonato de sua história ao desfilar no Domingo de Carnaval (a segunda da noite). A quadra da escola, onde acontece a final de samba, fica na Rua Pracinha Wallace Paes Leme, 1025.

Serviço
Final de samba da Beija-Flor de Nilópolis — 2027
Quinta-feira, 10 de setembro de 2026, às 20h30
Ingressos: R$30 (à venda na hora, na bilheteria da escola)
Camarotes já esgotados
Exibição da partida do Flamengo pela Libertadores
Shows da escola e apresentações dos sambas finalistas
Anúncio do grande samba campeão
Rua Pracinha Wallace Paes Leme, 1025, Nilópolis (RJ)

Parcerias finalistas
Samba 01, dos compositores Diogo Rosa, Julio Assis, Krraizinho, Manolo, Clay Ridolf e Dr. Luiz Claudio;
Samba 02, dos compositores Júnior Pqd, Ailson Picanço, Junior Billy Mandy, Geraldo M. Felício, Marquinho Paloma e Marcelo Moraes;
Samba 13, dos compositores Marquinhos Beija-Flor, Cláudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire;
Samba Bole-Bole, do compositor Herivelto Martins e Silva (Vetinho), selecionado na Etapa Pará.

Ouça o samba-enredo da Unidos de Padre Miguel para o Carnaval 2027

COMPOSITORES: Cabeça do Ajax, Chacal do Sax, Richard Valença, Matheus Pranto, W. Correa, Rafael Gravino, Thiago Vaz, Rodrigo Feiju, Orlando Ambrosio, Rafael Faustino, Miguel Dibo, Gabriel Simões, Renan Diniz, Igor Federal e Júlio Assis

YABÁ ODÊ IREXÊ ODÔ IEMANJÁ
CONSAGRA O MEU YLÊ / PRA UNIDOS DESFILAR
A LUA VEM DE ÁFRICA DOBRAR MARÉ
É A VIDA EM SOPRO DE OLOKUN MULHER
EMERGE A MÃE DAS MÃES FEITO NASCENTE
TODO AXÉ SE FAZ CORRENTE E DESAGUA PELAS RUAS
AS CONCHAS E BÚZIOS / O FRASCO SAGRADO
ENLACE SELADO COM ODÙDUWÀ
O HORIZONTE CHAMOU, E A RAINHA PARTIU
SEM ESQUECER SEU VALOR, JAMAIS SUCUMBIU
O HORIZONTE CHAMOU, E A RAINHA PARTIU
VENCENDO A MARGEM QUE UM DIA A IMPEDIU

Ê IYÁ! Ô, DONA DE ABEOKUTÁ…
É DEVER DE OKERÊ SUA MULHER RESPEITAR
SOBERANA NÃO SE CURVA, NÃO ACEITA TRAIÇÃO
ENFRENTA A IRA E FAZ REVOLUÇÃO

REVOLTA, ÁGUA DOCE RASGA A TERRA
POR AMOR SE FAZ A GUERRA / LIBERDADE VIVE EM MIM
NÃO HÁ O QUE POSSA NOS DETER / NEM SOBERBA E PODER
SILENCIAM O LEGADO OBIRIN
À LUZ DE OXUM, CAMINHO DO BEM / O FOGO DO CÉU DA VILA VINTÉM HERANÇA FEMININA A NOS
ENSINAR / O QUE É BRAVURA AO SOM DO IJEXÁ

ORO MI MÁ… ORO MI MAIOR
ORO MI MÁ… ORO MI MAIOR
ORO MI MÁ…. A NOSSA ESCOLA TEM O AXÉ DAS YABÁS!
YEYÊ OMO EJÁ REGE O MEU ORI
A CONTINUAÇÃO FIRMADA NO OBI
QUANDO O RIO ENCONTRA O MAR EU ME VEJO EM SEU ESPELHO
OXUM PROTEJA O NOSSO BOI VERMELHO!

 

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Compositores: Cabeça do Ajax, Chacal do Sax, Richard Valença, Matheus Pranto, W. Correa, Rafael Gravino, Thiago Vaz, Rodrigo Feiju, Orlando Ambrosio, Rafael Faustino, Miguel Dibo, Gabriel Simões, Renan Diniz, Igor Federal e Júlio Assis. Foto: Divulgação/UPM

Rio Carnaval 2027: arquibancadas especiais e frisas entram à venda nesta quinta-feira, 10 de setembro

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Foto: Divulgação/Rio Carnaval

Ingressos de arquibancadas especiais e frisas da Marquês de Sapucaí para o Rio Carnaval 2027 entram à venda nesta quinta-feira, 10 de setembro, a partir das 18h, pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), via Ticketmaster. É a quinta etapa de comercialização da temporada.

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De onde vêm estes ingressos
Os ingressos de arquibancada ofertados nesta etapa vêm de pedidos cancelados nas vendas anteriores por não atenderem às regras de compra, bem como transações não concluídas no momento do pagamento. A verificação é feita pela Liesa após cada etapa, e os ingressos correspondentes retornam à comercialização.

Arquibancadas especiais
Serão disponibilizados ingressos para os Setores 2 ao 11 (exceto o 9), nos lados par e ímpar do Sambódromo, a R$ 250 por noite. A meia-entrada sai a R$ 125 para estudantes, pessoas com deficiência, pessoas com 60 anos ou mais e jovens de baixa renda, conforme a legislação vigente.

Cada comprador poderá adquirir até dois ingressos por dia de desfile, incluindo o Sábado das Campeãs. É permitida uma meia-entrada por CPF, no total.

Frisas
As frisas comportam seis pessoas por noite e custam de R$ 1.835 a R$ 10.200, conforme a proximidade da pista. O limite será de uma frisa por CPF.

Como funciona a venda
As vendas permanecem abertas até o esgotamento. O sistema da Ticketmaster abre uma sala de espera virtual antes do início da comercialização; o acesso à sala não garante posição na fila, que se forma a partir de 18h.

A Liesa anunciará em breve a etapa de vendas dos setores populares 12 e 13, na Praça da Apoteose. Outras informações: Central Liesa de Atendimento, (21) 3190-2100

Liesa define calendário dos ensaios técnicos para o Rio Carnaval 2027

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Foto: Divulgação/Rio Carnaval

A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) divulga nesta quarta-feira, 9, o calendário dos ensaios técnicos para o Rio Carnaval 2027. Os eventos, sempre gratuitos, vão incluir os testes de luz e som da Marquês de Sapucaí. Como também já havia acontecido na temporada anterior, a programação conta ainda com desfiles oficiais de parte das escolas de samba mirins, sempre na abertura de cada data.

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A divulgação antecipada da agenda, de maneira inédita, permite que apaixonados pela folia em todo o Brasil possam se preparar para aproveitar o roteiro, que em 2026 reuniu cerca de 360 mil pessoas no Sambódromo carioca.

Confira o calendário:

23 DE JANEIRO, SÁBADO

A partir das 17h30:
Golfinhos do Rio de Janeiro
Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy
Corações Unidos do CIEP

A partir das 20h:
União de Maricá
Beija-Flor de Nilópolis
Paraíso do Tuiuti

24 DE JANEIRO, DOMINGO

A partir das 17h:
Inocentes da Caprichosos
Miúda da Cabuçu
Império do Futuro

A partir das 19h:
Unidos de Vila Isabel
Mocidade Independente de Padre Miguel
Unidos da Tijuca

30 DE JANEIRO, SÁBADO

A partir das 17h30:
Petizes da Penha
Nova Geração do Estácio
Infantes do Lins

A partir das 20h:
Salgueiro
Imperatriz Leopoldinense
Portela

31 DE JANEIRO, DOMINGO

A partir das 17h:
Lavagem da Sapucaí

A partir das 19h:
Viradouro
Grande Rio
Mangueira

Grande Rio apresenta destaques em sua primeira noite de eliminatória

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

A Grande Rio deu a largada na sua disputa de sambas-enredo para o Carnaval 2027 com a fase de quartas de final, realizada na última terça-feira. Doze sambas se apresentaram na quadra da tricolor de Duque de Caxias, com destaque para quatro parcerias. As obras de Derê, Ailson Picanço, Xande de Pilares e Anitta chamaram a atenção na primeira noite com os desempenhos mais destacados. Outras obras, como a da parceria de Denilson Sodré, também tiveram bom rendimento, numa noite que mostrou uma safra de qualidade. A seguir, o CARNAVALESCO analisa todas parcerias.

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Parceria de Denilson Sodré: Charles Silva comandou o samba de Denilson Sodré, Lucas Macedo, Richard Valença, Machado, JJ Santos e Fadico. A noite já foi aberta com uma apresentação que exibiu um samba de bastante qualidade. O refrão principal “Ekomee femo Kabecile Xangô, reluzi costa do ouro, sou chama que acende o pavio, imponho sou Grande Rio, sangue de crioulo” possui enorme potência no canto e rendeu muito bem. A primeira parte narra a partida e o retorno do povo ganês à sua terra, com versos muito poéticos como “Me lembro sem ao menos ter vivido, que o sonho fez sentido, onde enfim me reconheço, Sankofa, o destino, a minha volta, nesse mar que foi revolta, reencontro e recomeço” e uma melodia que embala bem tais trechos. O refrão central “Bate no costeiro, é calunga, chama Justiceiro, faz macumba, concha dessa areia de não se entregar, povo do dendê chegar, vai trovejar” é outro ponto de qualidade da obra, embora tenha passado com moderado impacto na quadra. Na sequência, outro bis, “Kaô, kaô meu pai, teu filho que bambeia, mas não cai”. A segunda parte é mais descritiva em relação à fidelidade da sinopse, com poucos arroubos poéticos, mas cumpre bem o papel e possui bons momentos, como nos últimos versos “Evoco Zambi, Deus Nyami, Olorum e Oxalá, pro machado da justiça toco o alujá, tempos novos, tantos povos, com a mesma identidade, por reparação humana, africana liberdade”, que também possui uma interessante melodia. Foi uma apresentação bem competente, iniciando os trabalhos na Grande Rio.

Parceria de Ailson Picanço: Dodô Ananias defendeu o samba de Ailson Picanço, Marcelo Moraes, Marco Suárez, Xande Pieroni, Ricardo Construção e Hugo da Grande Rio. O refrão principal “Awa Dupe Ô oba dobe, Awa dupe ó Kabecile, sou Grande Rio e venci a travessia, filho da rebeldia de sangue male” é outro refrão que aposta num canto iorubá, e este flui muito bem numa melodia mais leve, que passou com bastante força e empolgação. Na sequência, a primeira parte chega com uma melodia arrojada, que chama a atenção por suas variações e uma letra bem aguerrida, azeitada com o enredo: “Abre o terreiro que o povo já vai voltar, abre a porta do terreiro, o povo já vai chegar, ventania levou, virou, ventania levou, quem é de guerra não se curva pra Sinhô”. A alta qualidade melódica continua nos versos “Palma de mão de macumba, pé no chão é liberdade, no sorriso dos Akan conheci dignidade, matriarca de mawu, na colheita tem mironga, salve o povo do Vodun, Dagomba”. Um primor melódico e uma primeira parte que chama a atenção. Mas a qualidade persiste. O refrão central “Ô risca brasa no Oxê, aê Kaô, Tabon ressoa seu agbe, relampiou, ele bradou, ele bradou N’aldeia, o que são pedras pra quem vem da pedreira?” possui uma melodia muito bem sacada e deliciosa de ouvir. A segunda parte é correta e impressiona menos, tanto melodicamente quanto na linguagem utilizada, porém segue competente. Um bom trecho abrange os versos finais “Caxias virada no dendê, faz da rua seu Ilê, que a justiça seja feita na Costa do Ouro, vou buscar uma estrela pra bordar nessa bandeira”. Uma apresentação de destaque na noite, com muita categoria.

Parceria de Mariano Araújo: Rafael Tinguinha liderou a parceria de Mariano Araújo, Moisés Santiago, Chacal do Sax, Márcio André e Rodrigo Feiju. A composição emenda dois refrãos de forma consecutiva. O final “Viva a vida, viva a memória, liberdade para sempre, é tempo de glória, África, clama por reparação, rufam os tambores do povo Tabon” é mais contemplativo e com um discurso de afirmação. O de cabeça “Xangô, kabecilê kaô, Obanixirê Kaô, com a força do Oxê pra guerrear, sou Grande Rio na Gana de libertar” é mais envolvente em melodia e joga pra cima. Ambos se completaram bem e deram um início potente ao samba. A primeira parte possui pouco destaque em letra, com a narrativa servindo à sinopse, mas sem tanta criatividade. Os versos “me leva maré, maré me leva, Sankofa me leva na travessia, me leva maré, maré me leva, pra Costa do Ouro Nyame nos guia” possuem maior destaque pela repetição dos primeiros versos, que se fixam mais na cabeça do ouvinte. O refrão central “Toca o agbê Malinwo ê Á, trago na voz a magia do canto ioruba, meu povo preto e da ginga, é de arerê, sinto o cheiro no ar do dendê” possui uma boa letra para impulsionar o canto do componente, mas a melodia acaba sendo um pouco mais burocrática. O refrão passou de forma morna. A segunda parte fez o samba crescer em sua passagem, com versos como “vibra o Alujá pro rei de Oyó, firma no couro o alabê, já preparei seu amalá, vai pegar fogo no ajerê”. A melodia continuou sem muitos destaques, mas o desempenho da obra foi mais valente entre a segunda parte e os dois refrãos em sequência. Num todo, uma passagem irregular.

Parceria de Anitta: Wantuir e Igor Vianna foram as vozes principais do samba de Anitta, Igor Leal, Arlindinho, Fred Camacho, Diego Nicolau e Fabian Juarez. O refrão principal “Você já sabe quem chegou, pelo toque do tambor, incorporei pra resgatar, sangue de preto, realeza africana, a Grande Rio na alma tem Gana” é empolgante e tem letra aguerrida, o que ajudou a levantar a quadra, talvez o refrão principal que passou com mais potência na noite. A primeira parte possui variações melódicas envolventes, vide os versos “Xangô na escolha do povo que volta, da revolta do bravo Malê, deixa o xére roncar, traz o oxê”. O refrão central também é bem interessante em termos de melodia, com os versos “Tempo gira sábio tempo Sankofa ê, ye ko fie Sankofa ê. É tempo gira sábio tempo Sankofa ê, ye no fie Sankofa êêê”, marcando várias vezes o pássaro símbolo do passado. A segunda parte, por sua vez, apresenta uma melodia que não se conecta com perfeição entre alguns versos, dando a impressão de quebras e deixando o trecho muito menos fluido, recuperando-se no refrão, onde a obra rende naturalmente. A narrativa também sofre uma queda de qualidade, com trechos que soam genéricos e pouco criativos, como “cultura vibrante, país singular, são tantas misturas de negra matiz, juntam os irmãos, as crenças fazem união”. Um samba que, exceto na segunda parte, onde ocorre uma discrepância em relação ao resto da obra, passou com força e mostrou suas credenciais.

Parceria de Deré: Juan Briggs e Leozinho Nunes defenderam o samba de Derê, Robson Moratelli, Licinho Junior, Rafael Ribeiro, Igor Federal e Gustavo Clarão. Um samba extremamente poético em sua criação. A primeira parte capricha na dolência dos versos, com destaques como “ainda me lembro do navio agourento, a dor do meu primeiro atravessamento, venci o drama, eu sou a trama atemporal”. O refrão central “Meu olhar marejou, mareja, no encontro que Nyame abençoou, o clarão da velha lua cheia, na pedreira do meu pai Xangô” é de uma linguagem nostálgica, emocional e, através da beleza dos versos, alcança força com a melodia mais dolente, obtendo ótimo desempenho. A segunda parte segue uma estrutura melódica sem tantas variações, mas muito bem amarrada, permeando versos de ótima qualidade e apelo emocional, como “Liberdade ao som do agbe, liberdade nos palmos deste chão, meus filhos irão erguer o tempo de reparação, meus filhos irão erguer um país com a Gana da força africana e chamar de nação”. O refrão principal “Oh estrela, estrela de toda negrura, na bandeira, a Grande Rio traz de Gana a bravura” é simples em sua construção, tem um canto fácil e, ao mesmo tempo, um forte significado, com um resumo certeiro do enredo. Um excelente rendimento da obra, que contou com uma ótima interpretação dos cantores, deixando uma impressão espetacular.

Parceria de Henrique Bililico: Tem Tem Jr. comandou a composição de Henrique Bililico, Xande de Pilares, Marcelinho Santos, Ricco Espuma, Charlie Menezes e Gilson Bernini. O refrão principal “Obanixé! Kaô Kabecile Orixá, vi meu destino nas asas de Sankofa, eta povo macumbeiro, firma ponto no tambor, voa alto Grande Rio, na justiça de Xangô” possui uma letra que se conecta bem com o componente e potencializa o canto, com uma melodia correta, e teve bom desempenho. A primeira parte possui um componente forte de libertação em seus versos, o que dá bastante garra ao samba, como nos versos “o brado cativeiro nunca mais, aos senhores do engenho acabou a tirania, vou buscar minha raiz que não tem fim, na Costa do Ouro e aqui dentro de mim”. O refrão central “cruzei o mar da esperança na minha fé, fui ao passado no sopro do meu axé, fiz um xirê no terreiro pra renascer, sangue africano no toque do agbê” se conecta com essa linha, com mais suavidade melódica, e passou de maneira muito agradável. A segunda parte tem uma subida melódica bem explorada por Tem Tem Jr. e seus apoios, mantendo a firmeza da obra, como nos versos “o chão Akan emana virtude, nação Ashanti glória e poder, pertencimento ga em plenitude, na paz que o Fanti ensina a defender”. O samba é bastante linear, sem uma parte que se sobressaia absurdamente em relação aos demais trechos da obra, mantendo um padrão de qualidade em letra e melodia. No todo, foi uma apresentação redonda e muito segura, com um rendimento firme da obra durante as três passadas.

Parceria de Samir Trindade: Tiganá liderou a apresentação da parceria de Samir Trindade, Junior Trindade, Laura Romero, Luciano Gomes, Walkir e Marcelo Batista. A primeira parte começa pesada melodicamente com os versos “Ekome Feemô, Ekome Feemô, eu nasci antes de mim, e no mar depois do fim, foram muitos, não estive só, é chegado retorno, brilha Costa do Ouro”. O refrão central “Meu chão de Acra, Kumasi e Ashiaman, dos Ashanti, dos Fanti e Akan, por quem não voltou eu chorei, em Dagomba ecoa o tambor, e retira do peito essa dor ôôô, eis um negro em trono de rei” é um destaque narrativo do samba, com melodia que realça uma melancolia e destaca a beleza do trecho. A segunda parte inicia com um bis nos versos “Dabi m’ beru agbê êêê Kim be w ajo e”, dando um ar de samba de roda ao trecho e envolvendo a audição, mas o restante do trecho passa de maneira mais protocolar, cumprindo a narrativa. O bis antes do refrão principal “Brasil africano luz dos ancestrais, Caxias quilombo de joelhos jamais” ajuda a maximizar a força dos versos e potencializa o refrão “Kawo Kabiyesi Kabecilê, Kawo Kabiyesi Kabecilê, Grande Rio em louvação, é a fúria de um trovão, Gana de vencer”, poderoso em sua linguística e que funcionou bem na passagem. Uma apresentação de boa qualidade, sobretudo pelos refrãos, que sustentaram mais o samba, se tornando os pontos de destaque da obra.

Parceria de Denis Moraes: O samba de Denis Moraes, Diego Soares Monteiro, Paulinho Letra, Gilsinho da Vila, Djalma Wilson e Vitor Marques foi cantado por Bico Doce. O refrão principal “Deixa incorporar meu tambor, Malinwo, a baixada africana chegou (a nova embaixada de Gana chegou), história que emana da baqueta, Grande Rio mostra sua pele preta” possui boa melodia e letra de canto vigoroso, tendo bom funcionamento. A primeira parte possui uma melodia que cansa um pouco nos primeiros versos, mas cresce a partir do trecho “O povo Akan me acenou, o meu olhar cintilou, mareja, mareja, num mar de ouro aportei, reluz o meu caminhar, em cada estampa reconheço meu lugar”. O gostoso refrão central “Aê babá, ajaca mabê Kao, ensinei que a justiça vem do reino de Xangô, Yalodê, Yalodê, abre a roda no Agbe, vai buscar quem mora longe pelo som do Xequerê” é gingado, contagia o canto e se mostrou o ponto alto da obra, que melodicamente segue bem na segunda parte, vide o trecho “Tabons na linha de frente, inquices, voduns, orixás, mulheres, crianças e ancestrais, reflete na Costa do Ouro a chama dos seus ideais imortais”. Os fortes versos finais “Quando o futuro chegar o mundo há de assumir, o maior crime da humanidade, quando Caxias passar o mundo há de assistir, reparação na voz da comunidade” fecham muito bem a obra. Outra boa apresentação na noite, muito bem conduzida por Bico Doce.

Parceria de Katranca: Ciganerey interpretou o samba de Katranca, Celso Tropical, Gilmar Olímpio, Partidinho, Marcos Zamenhof e Jorge Zulu. Uma apresentação agradável, com ótimo desempenho de Ciganerey, apesar de alguns senões na obra. O refrão principal “Voa alto Grande Rio desfilando seu axé, sob as asas do destino mostra seu samba no pé, Akofena vai à frente, Akwaaba faz vencer, vem de Gana a coragem pra memória florescer” é bem sacado e teve uma audição competente na quadra. A primeira parte é convencional em letra e melodia e não tem grande destaque, exceto no trecho “o vento que venta aqui ventou acolá, sou veio de um Grande Rio que deságua nesse mar”, onde a melodia é mais valente, apesar da letra um pouco repetitiva. O refrão central “Ecoa o tambor pro mundo inteiro escutar, a Grande Rio chegou tem que respeitar” é extremamente simples em sua construção e não obteve destaque. A segunda parte tem um bom momento criativo nos versos “Sou a ave que voa pra frente, olhando pra trás, sem esquecer o passado colhendo luz e paz, o tempo transforma tudo mas a história não se desfaz, Sankofa ensina: não esquecer jamais”, o trecho de maior qualidade narrativa da obra, que, mesmo com essas lacunas, teve um desempenho correto.

Parceria de Dionizio: Thiago Acácio e Nego defenderam o samba de Dionizio, Paulo César Feital, Leon Azevedo, Kaká, Rafael Ferreira e Gomba. O refrão principal “Vem da Baixada a voz da liberdade, vem da Baixada a voz da liberdade, Gana é meu chão, Caxias meu terreiro, a Grande Rio incorpora o rei guerreiro” se encaixa bem na obra, mas não possui um destaque absoluto, passando mais despercebido em alguns momentos. A primeira parte possui uma interpretação mais livre da sinopse, o que é louvável, mas com uma melodia irregular que não sustenta tanto a obra. Os versos “A minha mãe embalava-me com calma, e Sankofa tatuava o futuro em minha alma, ainda criança, sem rumo, sem brio, nos braços da dor, cresci no Brasil” espelham bem essa construção. O refrão central “voltei, me emocionei, quando os Ashantis estenderam suas mãos, irmãos, rainhas e reis, chorando me ajoelhei, e o chão da minha terra beijei” aposta no lirismo e na narrativa de total devoção à terra, com ótimo resultado, sendo o destaque do samba. A segunda parte também apresenta questões melódicas que travam um pouco o desempenho da obra, que não passa com tanta desenvoltura, mas tem bons versos como “Adinkra traçou no meu peito uma nova partida, e a dor brasileira de dentro banida, restando somente a saudade de lá”. Um samba que possui uma narrativa mais pessoal da sinopse, com inspiração em alguns trechos, mas com uma melodia que não potencializou o mesmo, gerando uma apresentação mediana.

Parceria de Ian Araujo: O samba dos compositores Ian Araújo, Vinicius Bola e Greide Moreno fez uma apresentação que não se destacou na noite. O refrão principal “Ekome Feemó, Ekome Feemó, numa só voz, comunidade, a estrela negra é inspiração, pra Grande Rio lutar por liberdade” cumpre o papel de ser um trecho de maior força e puxar o canto do componente, apesar de não possuir grande destaque melódico. A primeira parte não possui uma melodia muito envolvente e acabou passando de forma arrastada. Os versos “Do teu colo me arrancaram, meu nome a maré levou, mas a Bahia me acolheu, sem apagar quem eu sou” são bonitos e bem construídos, um ponto alto da obra. O refrão central “Toca o agbê, sacode o mar, à Costa do Ouro vamos regressar, ninguém vai só nessa travessia, meu pai Xangô é quem nos guia” apresenta a mesma questão de uma melodia sem tanta inspiração, embora esta sustente melhor o respectivo trecho. A melodia quase não varia sua estrutura o samba inteiro, o que, sem uma poética tão inspirada, fez a obra passar de forma apagada. Na segunda parte, o destaque narrativo foi o trecho “Meu sonho não tem fronteira, atravessa gerações, sonhei ver livre a África inteira, sem senhor nem servidão”.

Parceria de Levi Dutra: Big Boca liderou a passagem da obra de Levi Dutra, Nandão Letrão, Gilbertinho, Marcel Ávila, Serginho Guará e Isaac Lima. Uma passagem bem arrastada, com dificuldade na sustentação do samba. O refrão principal “Eu e a Grande Rio, um só coração, pela paz, liberdade, igualdade, união, filho da África, retomo o caminho, Sankofa me leva, Gana é o destino” foi o trecho mais redondo da obra na noite. A primeira parte até começa interessante, com uma melodia agradável nos versos “De volta pra casa cumpri minha sina, cruzei oceano para te abraçar”, mas, em seguida, a melodia se mostra burocrática, com versos extensos, dando uma sensação de cansaço à obra. A letra tem uma construção correta, apesar de longa. O refrão central “Eu sou abençoado, sou tronco, sou forte, um negro raiz, cumpro legados dos meus antepassados, na luta por um povo feliz” possui uma melodia mais fluida e passou com correção. A segunda parte novamente apresentou uma melodia com problemas, principalmente de conexão entre alguns versos, sem uma linearidade. A letra da obra soou genérica em certos momentos, mas com alguns pontos positivos, como nos versos “vamos cantar pra Xangô, na palma da mão vem saudar, bate no peito quem tem fé, na gira vamos invocar”. Os intérpretes se esforçaram, mas não conseguiram elevar a passagem do samba.

Opinião: Porto da Pedra define finalistas em semifinal com sambas de diferentes forças e caminhos

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Foto: Eduardo Frois/CARNAVALESCO

A Porto da Pedra definiu os cinco sambas classificados para a final, que acontece no próximo sábado. A agremiação será a terceira a desfilar na sexta-feira da Série Ouro, com o enredo “Porto Kalunga”, desenvolvido pelos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini, com enredo assinado por Thainá Santos e Beatriz Chaves. O CARNAVALESCO analisa as apresentações das parcerias na semifinal.

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Parceria de Porkinho: Cantado por Ronaldo Brito, Ronaldo Ylê e Jefinho. A letra parte da ancestralidade do tambor: “Porto da Pedra eu te chamo pelo nome / Como um dia o tambor chamou pelos ancestrais”. A obra segue com versos de riqueza poética e melódica, como os do refrão do meio: “Retinta é a noite em Luanda / O céu é o espelho da cor”. O refrão principal também é um dos destaques da obra, especialmente no trecho “Eu sou o povo da pedra fundamental / O terreiro original do samba”. A parceria contou com um grupo cênico formado por sete mulheres e um homem, que realizou uma coreografia baseada na letra do samba. O restante da torcida também participou, balançando bandeiras brancas com o Tigre.

Parceria do Bira: A obra, interpretada por Luan Lima, Bruno Martins e Thiago Vieira, começa invocando o solo e a essência de Angola, definida como “Mãe da ancestralidade”. A letra do refrão do meio faz referência à criança africana e às localidades de Mussulo e Lobito, que fizeram parte da passagem dos artistas brasileiros por Angola. A melodia toma caminhos interessantes na segunda parte do samba e encontra seu ponto alto no refrão principal: “Meu porto Kalunga hoje é Porto da Pedra, Forte feito macumba, enverga e não quebra…”. Os torcedores da parceria empunharam bandeirinhas com o desenho do pavilhão da agremiação.

Parceria de Leon Azevedo: Quinta obra concorrente a se apresentar na quadra do Tigre contou com Leozinho Nunes como intérprete principal. A letra inicia a narrativa trazendo elementos como o vento, a maré e a voz dos ancestrais. O refrão do meio, “Teve gente que chorou / Ouvindo o tambor ecoar”, apresenta uma melodia com potencial para contagiar o público. Outro destaque do samba está nos versos do refrão principal, “Angola, tua voz me chamou / No peito, orgulho e paixão”. A torcida mostrou seu apoio aos compositores com balões e bandeiras em vermelho e branco, além de levar imagens dos artistas referidos no enredo. Uma espécie de barco feito de tecido também fazia parte dos adereços utilizados pela torcida.

Parceria de Cristiano Teles: Interpretado por Duda SG, Vini Machado, Anderson Moreno, Kiko Ribeiro e Dodô Ananias. O time de canto mostrou vozes muito bem ensaiadas, mas, antes de entrar em ação, a torcida dos compositores puxou o refrão principal a capela. A letra começa forte com os versos “Vem de lá / Nossa gente arrancada de seu ventre / Quando o mar abismado / Viu nobreza retornar”. A melodia apresenta uma passagem envolvente a partir do trecho “O tambor me chamou / Eu vou ôô / Sou filho de África / Canta pra saudar”. O refrão de cabeça também é um destaque positivo da obra, especialmente na passagem “É a Porto da Pedra quebrando correntes / Liberta do peito uma voz singular”. Os torcedores demonstraram apoio ao samba balançando bandeiras com o símbolo da escola.

Parceria de Vadinho: Última obra a se apresentar na semifinal, o Samba 7 teve Leonardo Bessa como intérprete principal. A letra começa pela “terra consagrada nos segredos”, apresentada nos versos “O Tigre nos chamou pra voltar / E quem pisa o chão não é mais estrangeiro”. A melodia encontra um caminho muito interessante nos versos “Tambor de jongueiro, fez semba virar samba / Desfila o cortejo, rodopia na ciranda”. O mesmo ocorre nos versos do refrão de cabeça, “Preto na pele, na alma e no sangue / Os filhos de Zambi, herdeiros de Zambi”, que também se destacam positivamente no samba-enredo. A torcida dos compositores compareceu com bandeiras quadriculadas em vermelho e branco, estampadas com o Tigre, tradicional símbolo da escola.