Por Nathália Marsal
A união de dois grandes enredos foi eternizada no carro “A Assembleia dos Ratos” durante o desfile em comemoração aos 70 anos da Beija-Flor de Nilópolis. A quinta alegoria fez uma alusão ao enredo de 1989, “Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia”, e ao do ano passado: “Monstro é Aquele que Não Sabe Amar”. Foram três meses de ensaio com o grupo de atores da agremiação até o resultado final.
O carnavalesco Ubiratan Silva, o Bira, que atuou na Azul e Branco de Nilópolis durante mais de 20 anos, deixando a escola em 2015, contou que a proposta foi unir os dois desfiles para impressionar o público e intensificar as críticas feitas no passado e no presente.
“É muito mágico relembrar isso tudo. Você vê fragmentos durante todo o decorrer do enredo que fizeram parte de uma história grandiosa da Beija-Flor. É muito emocionante conseguir reunir em poucos minutos mais de décadas de carnaval”, afirmou Bira.
O carro com cores cinzas traz um cemitério, lembrando o enredo do ano passado e, nele, um gato – que funciona com a ajuda de sete pessoas – e ratos interpretados por foliões. No lugar do Cristo Mendigo, o Beija-Flor em farrapos sobe para o alto logo após a frase “Olhai por Nós”.
No grupo de mendigos presentes no carro, está também a atriz Elis Zerbinatto, fã do desfile “Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia”.
“A Beija-Flor é muito pontual e atual ao que está acontecendo na política e na sociedade. Ela está sempre cutucando, mas não necessariamente de forma negativa”, disse.


O carro “Multiplica o Pão Sagrado”, que encerrou o setor “O Pão Nosso Nos Dai Hoje”, destacou a relação do pão com as religiões. Nos destaques, mulheres davam vida às santas que multiplicam o pão com os mais necessitados.
Integrante da ala, Rosecleia Soares de Lima, de 48 anos, na escola desde 1978, lembra que o desfile foi maravilhoso, mas elege como melhores o enredo de “Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia” e do ano passado, “Monstro É Aquele Que Não Sabe Amar”.
Depois de um período fora do início do desfile, a Unidos da Tijuca voltou a trazer sua mascote no carro abre-alas. Representando a Santa Ceia, que veio retratada na parte frontal do carro, a alegoria evidenciou o caráter sagrado do pão, e o pavão representava a visão (os olhos) de Deus.
Em 2019, a Imperatriz Leopoldinense mudou o seu modo de desfilar na Marquês de Sapucaí. Mais divertida e com críticas irreverentes, a escola de Ramos apresentou um enredo contando a história do dinheiro, deixando de focar apenas na técnica para passar pela Avenida com alegria e bom humor. As alas “Consumo – Cartão de Crédito” e “Paraísos Fiscais”, e a alegoria “Minha Casa, Minha Vida” foram exemplos dessa transformação da agremiação na madrugada de desfiles desta segunda-feira.
Já a 17ª ala representou os redutos caribenhos de lavagem de dinheiro, foi baseada em elementos tropicais, como frutas e coqueiros, para fazer alusão às ilhas utilizadas na corrupção. Os componentes pareceram aprovar a mudança e a leveza das novas fantasias da agremiação.