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Morre o compositor Diego Tavares. Salgueiro presta homenagem

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Diego TavaresMorreu na madrugada desta segunda-feira de Covid-19 o compositor Diego Tavares. Um dos mais atuantes poetas da nova geração de sambistas, Diego lutava há dias pela vida contra a Covid-19 mas não resistiu e morreu nas primeiras horas desta segunda. Nas redes sociais uma onda de comoção alcançou seus colegas de composição e até o Salgueiro, escola de coração de Diego, prestou uma homenagem para ele.

“Família, não gostaríamos de abrir a semana com uma notícia como esta, que nos corta o coração. Diego Tavares, um dos nossos promissores poetas, infelizmente não conseguiu vencer a batalha contra o COVID. Ainda assim, sua sensibilidade foi um dos pontos fortes na confecção do samba da parceria de Antônio Gonzaga e Cia, neste momento a tristeza nos invade e nos solidarizamos com todos os amigos e familiares deste jovem compositor. Pedimos, além das orações para Diego, que vocês se cuidem muito pois cada notícia desta é um soco em nosso coração”.

Diego é um dos compositores de um dos sambas de maior sucesso da Academia do Samba na década de 2010, ‘Cordel Branco e Encantado’, que ajudou a vermelha e branca a conquistar o vice-campeonato no Carnaval 2012. O compositor conquistou vitórias ao lado de seus parceiros nos últimos anos em escolas como Sossego, Porto da Pedra, Inocentes de Belford Roxo, Viradouro, Estácio de Sá e Império da Praça Seca.

Ritmo Solidário alcança terceira etapa de ajuda a ritmistas e pede mais doações

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Ritmo SolidarioO projeto ‘Ritmo Solidário’, que visa auxiliar ritmistas do carnaval devido à crise gerada pela pandemia do novo coronavírus, segue ajudando sambistas a enfrentarem as dificuldades. Neste domingo houve a terceira etapa de doações de cestas básicas. As baterias contempladas foram São Clemente, Império da Tijuca e Unidos do Viradouro.

O ‘Ritmo Solidário’ ainda necessita de doações para seguir contribuindo com aqueles sambistas que foram afetados em cheio com a pandemia. Sem poder realizar show pelo Brasil e o exterior devido à pandemia, os músicos e sambistas tiveram a vida econômica drasticamente afetada e o projeto visa preencher essa lacuna.

O programa social já arrecadou R$ 9.615 com a ajuda de 67 apoiadores. A meta do projeto é alcançar cerca de R$ 80 mil. Quem tiver disponibilidade para ajudar pode fazer isso através do site Vakinha Virtual.

‘Pretendo fazer história na Mocidade’, afirma Bruna Santos

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A03E404B 50CB 4E93 855A D405F383E35515 de setembro de 2019. Nesta data, Bruna Santos era apresentada como primeira porta-bandeira da Mocidade Independente de Padre Miguel. Em meio aos olhares de uma multidão, que lotava o Maracanã do Samba, a jovem, na época com 22 anos, realizava um sonho que mantinha desde a infância: conduzir o pavilhão principal de sua escola do coração. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Bruna fez um balanço acerca do primeiro ano no cargo e contou o que mudou na sua vida desde então.

“(Este primeiro ano no cargo) foi um período da minha vida que aprendi muito. Aprendi a lidar com críticas, elogios, pressão, confiança, desconfiança, mas acima de tudo aprendi a confiar mais em mim. No início, eu era muito insegura, mas a partir do momento que a escola estava depositando toda a sua confiança em mim, não poderia decepcioná-los. Então passei a confiar e acreditar mais em mim, e foi uma das coisas que mais me ajudou no meu desfile: minha segurança. Óbvio que senti frio na barriga, porém eu estava segura, pois era só fazer o que já estava ensaiando”, afirmou Bruna.

campeas mocidade 49Ao lado do mestre-sala Diogo Jesus, Bruna Santos obteve no primeiro carnaval à frente do quesito três notas dez e duas notas 9,9 na avaliação dos jurados. Além disso, a porta-bandeira faturou o Estrela do Carnaval 2020, na categoria Revelação. Sobre a análise pessoal que faz acerca da estreia, Bruna diz ser positiva, mas não esconde o desejo de crescer e aperfeiçoar a sua dança para os próximos anos.

“Acredito que nesse meu primeiro ano eu fiz um bom desfile. Ao lado do meu mestre-sala Diogo Jesus e minha coreógrafa Vânia Reis, trabalhamos muito e conseguimos realizar tudo o que foi ensaiado. Acredito que temos muitas coisas a melhorar para o próximo carnaval, e vamos seguir em frente com o mesmo foco. Pretendo manter todo treinamento, todas as aulas e ensaios”, declarou.

Questionada se o sucesso do primeiro ano no posto gera um alívio ou aumenta a pressão para o próximo carnaval, Bruna pontua: “Um pouco dos dois. É um alívio, pois era e é uma pressão muito grande você defender a nota em uma escola tão grande como a Mocidade. E agora a pressão aumenta mais ainda, afinal eu já passei um ano, então já não sou mais tão crua. Tenho que focar ainda mais em trazer a nota máxima para a escola”.

mocidade desfile 2020 073 CopyCria da Estrelinha da Mocidade, antes de defender o primeiro pavilhão da escola mãe, Bruna Santos era segunda porta-bandeira da agremiação. No currículo, já acumulava experiências na Série A e na Intendente Magalhães, em escolas como a Acadêmicos do Sossego, a Unidos da Ponte e a Unidos de Bangu. No entanto, segundo a própria, nada se compara ao que viveu neste último ano.

“(Defender o pavilhão da Mocidade) é de uma importância muito grande. A Estrelinha da Mocidade foi uma das primeiras escolas em que desfilei como porta-bandeira e foi onde vivi toda a minha infância. Como todos sabem, a Mocidade é minha escola de coração, então para mim poder defender a minha escola, a minha comunidade, é a realização de um sonho”, garantiu.

Sobre os planos para o futuro, Bruna revelou: “Pretendo fazer história na Mocidade, assim como grandes nomes que passaram por ali. Quero ficar por anos e anos empunhando o pavilhão tão querido da Zona Oeste”.

Botafogo Samba Clube fará live nesta segunda-feira para apresentar a sinopse do enredo de 2021

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BotafogoSC Adnet e RicardoNesta segunda feira (21), às 20h30, a Botafogo Samba Clube realiza o lançamento da sinopse do enredo “Um apaixonado pela verdade caminhando em tempos de ilusão”, em homenagem a João Saldanha, para o próximo carnaval, através de uma live na página da escola no Facebook. Os carnavalescos Ricardo Hessez e Marcelo Adnet são presenças confirmadas, junto do presidente Sandro Lima. Além do lançamento da sinopse, a escola irá anunciar novidades para a disputa de samba.

“Foram longos meses de estudo e empenho por parte dos nossos carnavalescos para que a sinopse ficasse mais do que perfeita. Para a alegria de toda diretoria, o texto tem o DNA do botafoguense e vai ajudar muito os compositores para que tenhamos mais um grande samba. O trabalho continua e, podem acreditar, vamos fazer uma grande reverência ao eterno João Sem Medo”, afirma o presidente Sandro Lima.

Homenageando João Saldanha, a Botafogo pretende levar para a Intendente Magalhães a história de vida e a irreverência do jornalista apaixonado pelo clube. Em seus dois anos anteriores, a escola acumulou conquistas, com homenagens ao ídolo Túlio Maravilha e à madrinha Beth Carvalho. A BSC está a um acesso de alcançar a vaga na Marquês de Sapucaí, na Série A.

Curso online conta a história de grandes carnavalescos

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curso cajuA revista Caju e o multiprojeto Carnavalize se reuniram para lançar o curso “Escola de samba: estética em desfile – Visualidade e conceito na criação dos carnavalescos”. A iniciativa partiu dos curadores e historiadores da arte Leonardo Antan e Daniela Name, buscando um resgate da história do desfiles das escolas de samba e uma necessária aproximação com o universo da arte brasileira como um todo.

O curso será dividido em quatro aulas, enfocando sempre dois carnavalescos que atuaram no mesmo período, mas tinham propostas e visões diferentes sobre o carnaval. A cada aula, uma dupla desses profissionais será discutida colocando em panorama toda a sua trajetória, pensando sobre a constituição de personalidades artísticas, buscando assim discutir a importância desses artistas dentro da festa. O curso vai propor uma aproximação entre o universo da folia com profissionais de diferentes linguagens artísticas. Reconhecendo os desfiles das escolas de samba como um campo autônomo e fundamental da História da Arte brasileira, os encontros traçarão uma rede de referências, narrativas e apontamentos sobre os nomes abordados.

Quem conta mais do projeto é Leonardo Antan, mestre em História da Arte e editor do Carnavalize. Pelo projeto, Antan já realizou diversas eventos e exposições que buscam valorizar as escolas de samba e resgatar sua história. Ele afirma que acha importante “enxergamos os desfiles das escolas de samba como uma manifestação artística e cultural da maior importância, que reúne diversos tipos de saberes”. Para o curador, a ideia dos encontros é “abrir um panorama para pensar grandes carnavalescos, relativizando algumas verdades cristalizadas e até alguns clichês já relacionado a eles. Buscando ainda pensar uma estética e uma linguagem muito própria das escolas de sambas e como cada artista lidou com ela”.

Saiba mais sobre o calendário das aulas:

Aula 1 – Dia 28 de setembro, 2a feira, 19h30 – Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona (Anos 60)

A primeira aula mapeia a revolução salgueirense por meio de seus dois principais idealizadores. O período marcou uma transformação definitiva na estrutura dos desfiles, transformando-os em produtos da cultura de massa carioca. De um lado, o forte caráter discursivo que Fernando Pamplona reuniu em torno de si, assumindo a visão mais conhecida da história. Do outro lado, o foco será a trajetória de Arlindo Rodrigues, responsável pelo cortejo seminal da década; Xica da Silva, no Acadêmicos do Salgueiro, em 1963.

Aula 2 – Dia 29 de setembro, 3a feira, 19h30 -Joãosinho Trinta e Maria Augusta (Anos 70)

Herdeiros do grupo de artistas formado na Revolução Salgueirense, Joãosinho Trinta e Maria Augusta são responsáveis por uma disputa que buscou definir os rumos estéticos na década que deu sequência ao processo de espetacularização e crescimento dos desfiles.

Em uma parte da aula, o “luxo do brilho” de Joãosinho Trinta promoveu uma série de inovações nas narrativas e no aspecto visual do período. Na segunda parte, o “luxo da cor” de Maria Augusta propôs um outro caminho estético para a festa ao abordar enredos abstratos e uma estética pautada em elementos cotidianos na União da Ilha do Governador.

Aula 3 – Dia 5 de outubro, 2a feira, 19h30 – Fernando Pinto e Luiz Fernando Reis (Anos 80)

Na década de 1980, um ponto de virada decisivo na trajetória das escolas de sambas foi a chegada de enredos “sociais” e “políticos” que versaram sobre o processo de redemocratização após o período ditatorial. Na primeira parte do encontro, recontamos a trajetória de Fernando Pinto, o artista marcado pela herança tropicalista e da contracultura carioca dos anos 1970. Quem também brilhou no carnaval da época foi Luiz Fernando Reis. Na Caprichosos de Pilares, o carnavalesco desenvolveu enredos de forte cunho crítico, dialogando com seu contexto e apostando em carnavais que se destacavam por sua mensagem bem sinalizada.

Aula 4 – Dia 6 de outubro,3a feira, 19h30 – Renato Lage e Rosa Magalhães (Anos 90 aos anos 2000)

A última aula chega na rivalidade entre dois nomes que marcou a década de 1990, apontando os estilos que constituíram uma memória artística das mais simbólicas da festa. Na primeira metade da conversa, um passeio pelo imaginário de Rosa Magalhães e seus inesquecíveis carnavais na Imperatriz Leopoldinense. No outro ponto, chegaremos ao estilo particular que Renato Lage desenvolveu na Mocidade Independente de Padre Miguel.

SOBRE OS MEDIADORES

LEONARDO ANTAN é historiador da arte, curador e escritor. Graduado e mestre em História da Arte pela UERJ, onde pesquisou a linguagem artística dos desfiles das escolas de samba. É editor do projeto multi-plataforma Carnavalize, que realiza eventos voltado à história do carnaval. Integrou o coletivo curatorial “Dia de Glória’’, em parceria com a Casa de Estudos Urbanos. Cursou Imersões Curatoriais no Paço Imperial, onde curou coletivamente a exposição “Limiares”. No carnaval, já atuou como aderecista em escolas como Unidos da Tijuca e Portela, além de fazer parte da criação do desfile da Unidos das Vargens. Como curador, realizou ainda de exposições na Casa de Estudos Urbanos, Museu da História e da Cultura Afro-brasil, Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica e no Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea. Entre as exposições estão “Uma delirante celebração carnavalesca: o legado de Rosa Magalhães” e “O rei que bordou o mundo: poéticas do carnaval da Acadêmicos da Cubango”. Na área literária, é editor do Selo Carnavalize, que pertenceu a Rico editora, voltado para publicação de obras sobre a folia brasileira. Além de já ter publicado dois romances e antologias de ficção LGBT+ pelo Se Liga Editorial.

DANIELA NAME é curadora e crítica de arte. Doutora em Comunicação e Cultura e mestre em História e Crítica da Arte, ambos os títulos pela UFRJ, atua como curadora independente e editora e curadora-geral da Caju, plataforma que reúne a Revista Caju e a Caju Conteúdo e Projetos. É autora dos livros “Amélia Toledo – Forma Fluida” (2015), “Almir Mavignier” (2014) “Norte”, sobre a obra do artista Marcelo Moscheta (2013) e “Espelho do Brasil – Arte popular vista por seus criadores” (2008).

Serviço:

Curso “Escola de samba: estética em desfile – Visualidade e conceito na criação dos carnavalescos”

Aulas online pela plataforma Zoom

Dias 28 e 29 de setembro; 05 e 06 de outubro, às 19:30

Investimento: R$ 207 (Há descontos para estudantes)

Link para inscrição: https://www.sympla.com.br/escolas-de-samba-estetica-em-desfile__963093

Império Serrano abre inscrições para realização de casamento coletivo

casamento imperioA Diretoria do Império Serrano abriu inscrições para um casamento comunitário que será realizado na quadra da escola no final do mês de novembro. Os interessados deverão procurar o Departamento Comunitário da agremiação até o próximo dia 30 de setembro para viabilizarem a documentação necessária para a cerimônia.

“Será uma ação importante para muitos casais que tem dificuldades para se casar. Estaremos recebendo as inscrições da Quadra do Império Serrano até dia 30 e em 27 de novembro, às 19h, será realizada a cerimônia e a festa”, destacou Josimar Viana, Diretor Comunitário do Império Serrano.

O Departamento Comunitário pode ser contactado através do telefone (21) 97184-3163 ou presencialmente, na quadra da Império Serrano, na Rua Ministro Edgard Romero, 114, em Madureira, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Machine está cheio de saudade da Sapucaí: ‘Sinto falta daquele solo sagrado’

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A pandemia afastou da Avenida, José Carlos Machine, o síndico do Sambódromo. Ele é um exemplo de sambista que domina a arte e orgulha toda legião carnavalesca.

Machine está cheio de saudade da Sapucaí: 'Sinto falta daquele solo sagrado'
José Carlos Machine é o síndico do Sambódromo. Foto: Divulgação

O que o Carnaval representa na sua vida?

Machine: “É tudo na minha vida. Vivo dele. Tenho profundo respeito”.

Qual é o segredo para ter o samba no pé perfeito?

Machine: “É sempre ensaiar. Ter uma boa alimentação facilitar para ter o equilíbrio do corpo. É preciso ter postura, elegância, e, acima de tudo, muita cadência”.

Com a pandemia, você está sentindo falta da sua casa no Sambódromo? O que mais te da saudade de lá?

Machine: “É triste. Está lá vazio. Quando eu estava lá, com minha equipe, ajudava a cuidar de tudo. Veio a pandemia e ficou abandonado. Sinto falta daquele espaço sagrado”.

Qual a dica que você da pra quem apresenta um casal de mestre-sala e porta-bandeira?

Machine: “Sempre manter a calma e ter postura. Ninguém pode passar na frente do casal na hora da apresentação”.

  • Entrevista publicada na coluna “Espaço do Sambista” que sai toda sexta no MEIA HORA

Leia sinopse do enredo da Unidos de São Cristóvão sobre Silas de Oliveira

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Sao CristovaoA Unidos de São Cristóvão apresentou enredo e logo de seu enredo para o próximo carnaval, que homenageia o compositor Silas de Oliveira, o maior poeta da história do Reizinho de Madureira. Lei abaixo o texto apresentado pela escola.

Menino Silas

Unidos de São Cristóvão

Quem diria que aquele menino sentado a porta observando tudo que passava estava com o destino traçado a mudar o mundo. Aquela rua onde tudo passava era acompanhada pela íris preta que dava sinais de uma alma inquieta por querer ser muito.

Sonhava alto escorado no batente, quem lhe dava calor era a lua, quem lhe trazia paz eram os ruídos dos batuques proibidos. Noites de tambores na velha serrinha. Ah doce
serrinha… ao longe, vista do alto, Madureira e Vaz lobo, meu povo. Batuques ecoavam pelas serras, a cada morro um som, uma afinação, era isso que ia formando a cabeça do menino que dobrando a língua se estendendo as pontas dos dedos fazia seu próprio ritmo entre madeirasocas e maciças, o som da vida estava em suas mãos.

“Samba, oh samba
Tem a sua primazia
De gozar da felicidade
Samba, meu samba
Presta esta homenagem
Aos “Heróis da Liberdade””

Jovem Jornaleiro, menino contido, andou pelos montes coroados do Rio, em seus caminhos encontrou a luz do sol: Mano; seu parceiro, era o calor que completava a lua com fulgor de novos ares, novos dias, novos sons. Sem a benção do pai, fora do caminho que ele lhe planejou, seguiu o seu próprio rumo em direção dos batuques. Cercado de pecado, abraçado ao diabo que dançava feito gente preta em noite de tambor. E foi se encontrar nos caminhos do Prazer. O prazer da serrinha lhe completava a alma de sambista, Era isso, aquele menino resolveu ser do samba. As pontas dos dedos desenhavam caminhos para as melodias de Mano, a cada traço uma palavra, a cada palavra um sentido, a cada sentido formado: um novo samba.

“Porque alguém que me olha de banda
Eu sou mesmo do samba
E não vou me atrapalhar
Segura a conversa sem desanimar, iáiá
Porque mais tarde
Conversaremos em outro lugar”

Certeiro tal ponteiro, a prosa boa de samba do menino foi conversar em outro lugar. Suas palavras bordaram um novo manto junto a outros tantos. Coisa boa que a serra lhe deu foi atitude e consciência. A serra sempre lhe soprou o valor de ser preto e o quanto custa cada escolha, mas principalmente o poder em escolher e ele escolheu o Império.

Mais um menino que nascia as ruas da serra, batizado pelo jongo ouvindo o zumbido dos tambores. Império, “menino que já nasceu rei” e deu ao nosso menino o nome e cara de SILAS DE OLIVEIRA. E Silas deu ao Império nome e cara de ESCOLA DE SAMBA. Se o pai do nosso menino Silas sonhasse com o que ele faria, seria imperiano também e dançaria sem pudor

“Glórias e graças da Bahia” em louvor a rainha do mar, Yemanjá.
Bahia, Bahia
Terra do Salvador
Iaô, iaô, iaô
Gegê, nagô, gegê, nagô
Saravá, saravá
Yerê, yerê de abê ocutá
Em louvor à rainha do mar
Iemanjá, Iemanjá

A inquietude do menino que sentado a porta observava tudo passar na sua rua o levou a mudar tudo e mudou. Menino Silas dos caminhos, das serras, das canetas e melodias,
batuques em madeiras, noites estreladas e calor da lua fez o povo cantar no cortejo da festa do samba o tal Samba de Enredo. Era uma nova tela a ser pintada em notas musicais.

“Vejam esta maravilha de cenário
é um episódio relicário
que o artista num sonho genial
escolheu para este carnaval”

Foi o menino que nos fez cantar uma maravilha de cenário, palavras e melodias que nos fazem desenhar uma aquarela em nossas mentes. Silas, menino travesso em suas músicas
traçou em 1964, um novo brasil que só renasceria muitos anos depois ainda manchado pelos infortúnios a partir daquele ano. Mas, na feliz coincidência da inspiração do menino, nasceu naquele mesmo ano na serra de São Cristóvão pelos caminhos Imperiais a união verde e branco tal qual seu Reizinho.

Malandramente falando pelos decretos do samba colocados nos versos do nosso menino Silas, hoje a Unidos de São Cristóvão homenageia este que foi o maior poeta dos sambas de enredo de todos os tempos. Pai de seu padrinho, a unção divina que
transmite ensinamentos e valores.

Menino Silas, os teus caminhos ainda nos inspiram, e se precisar vamos renascer para nunca deixar morrer este teu doce legado aos nossos ouvidos e aspirações. Pintaremos um
novo cenário para um próximo carnaval afirmando que ele nunca vai morrer.

“Carnaval, doce ilusão
Dê-me um pouco de magia
De perfume e fantasia
E também de sedução
Quero sentir nas asas do infinito
Minha imaginação”

Escolas e blocos engrossam discurso e dizem que não desfilam sem vacina em 2021

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sambodromo3Na audiência pública promovida pela Comissão Especial de Carnaval da Câmara nesta sex-feira as entidades carnavalescas elevaram o tom na defesa de uma solução para a festa de 2021. Sem vacina elas não aceitam desfilar e pressionam a Riotur e a Liesa a tomarem uma decisão que no mínimo adiem os festejos do próximo ano. Rita Fernandes, representante da Sebastiana na audiência foi taxativa e categórica em não desfilar sem vacina.

“O marco regulatório do carnaval está demorando demais. Não conseguimos votar a lei devido a adiamentos intermináveis da Câmara. Não podemos ficar à mercê de governos. Precisamos desse marco regulatório. A Sebastiana tem um posicionamento claro: não faremos carnaval oficialmente em fevereiro. Não acabou a pandemia. Não seremos nós que seremos irresponsáveis. Sabemos que não podemos controlar ninguém. Mas nossos blocos não irão para a rua. Não dá mais para ficar adiando. O posicionamento da Liesa está demorando”, alertou.

vila isabel desfile 2020 123O presidente da Unidos de Vila Isabel, Fernando Fernandes, não apenas disse que não há como realizar desfile sem vacina como cobrou maior respeito da administração do prefeito Marcelo Crivella com o carnaval.

“Sem essa vacina fica inviável qualquer tipo de carnaval. É um evento que não existe sem aglomeração. As escolas de samba estão voltadas para a saúde de seus colaboradores e componentes. Inclusive as agremiações, através de seus barracões, estão doando máscaras para o sistema de saúde. O governo municipal não tem um pingo de respeito pela cultura do carnaval. O carnaval emprega milhões de pessoas e essa administração não oferece qualquer apoio. Antes de qualquer debate, falta respeito. Só a Liesa, em vendas de ingresso, devolve mais de R$ 1 milhão de ISS, isso é imposto. Precisamos juntos, através dos legisladores, exigir maior respeito. A gente participa de reuniões e nada anda. Só com o Crivella eu fui a sete encontros. Nunca resolveu nada”, atacou.

O diretor de operações da Riotur, Marcelo Veríssimo, prestou contas com relação à subvenção dada pela instituição às escolas. Segundo ele o montante que resta a pagar para as escolas que receberam estão na pendência da finalização da prestação de contas, como manda a legislação.

“Todas as subvenções foram pagas até o momento das prestações de contas. As escolas tem vindo prestarem contas. Acredito que até um mês o restante do montante será quitado. Com relação ao caderno de encargos para 2021 daqui a menos de um mês ele deve estar publicado. Será diferente devido à pandemia, estamos trabalhando com o maior cuidado. Estamos aguardando um posicionamento da Liesa com relação ao evento para a cessão do Sambódromo”, explicou.

Mangueira pede apoio institucional

Moacyr Barreto compareceu remotamente à audiência como representante da Mangueira. O dirigente também foi duro com relação à realização dos desfiles. Rechaçando declaração anterior do vereador Marcelo Siciliano (PP), de que a pandemia estava acabando, Moacyr lembrou a taxa de ocupação de leitos de UTI para cobrar ações do poder público para ajudar os trabalhadores do carnaval.

“O Rio de Janeiro tem 86% de ocupação de leitos de UTI ocupados. Acho que isso é um dado alarmante em relação à realização do carnaval. O que foi feito para realizar o Carnaval 2021? As escolas estão sem recursos para honrar seus compromissos. Os funcionários estão sem comida na mesa. Não vi nenhuma ação do poder público para ajudar as instituições carnavalescas. O carnaval não é uma varinha de condão para acontecer num passe de mágica. Não posso me basear pela irresponsabilidade de alguns que acham que acabou a pandemia. É fácil fazer caderno de encargos para os outros”, disse.

vila isabel desfile 2020 065O dirigente da verde e rosa cobrou apoio institucional das autoridades e lembrou que embora a Liesa controle a organização dos desfiles na Sapucaí, é dever da Riotur e da Prefeitura se preocupar com outros aspectos que envolvem o carnaval.

“As escolas necessitam de soluções institucionais. As agremiações são responsáveis por inúmeros trabalhadores. Não estamos vendo nada do poder público nesse sentido. Como fazer essa máquina girar? Acontecer o carnaval vai, um dia. É importante que seja um belo espetáculo. A Riotur está aguardando a Liesa? Ora mas é uma instituição que cuida de um aspecto do carnaval, um evento privado. E o restante? E os blocos? Quais ações serão feitas?”, indagou.

Junção nos Gaviões da Fiel! Samba 12 e 15 vencem disputa

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A escola Gaviões da Fiel realizou a final de samba-enredo para o próximo carnaval na noite desta sexta-feira. Por decisão da diretoria, dois sambas foram escolhidos. A escola pretende divulgar a letra oficial da junção nas próximas semanas. Assinam a obra Luciano Costa, Felipe Yaw, Marcelo Adnet, Fadico, Júnior Fionda, Lequinho, Fábio Palácio Mentirinha, Leonel Querino, Altemir Magrão, Marcelo Valente, Sandro Lima, Rodrigo Dias, Grandão, Sukata, Jairo Roizen, Morganti, Guinê, Xérem, Claudio Gladiador, Ribeirinho, Claudinho e Meiners.

Durante o discurso, o presidente Rodrigo Tapia (Digão) explicou a decisão.

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“Foi uma decisão muito difícil. Mas eu tenho certeza que vai ser um samba muito cantando, o nosso povo necessita disso. Que esse samba represente o povo sofrido, que faça esse povo acordar”.

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O evento da agremiação foi realizado através do drive-in, método adotado também por outras agremiações e que segue medidas de segurança. Para quem não pôde apreciar de forma presencial, a escola transmitiu ao vivo todo processo de escolha no próprio canal do YouTube.

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O cantor Marquinhos Sensação abriu o evento com show de pagode que durou por volta de uma hora. A ala musical da escola conduziu cantando sambas históricos.

A estrutura da live beneficiou as apresentações dos sambas finalistas. Um pequeno corredor servia como extensão do palco, e foi aproveitada para que os cantores se movimentassem e interagissem com o público dentro dos carros.

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A bateria Ritimão se concentrou no canto inferior direito do palco, com time reduzido e execução de diversas bossas de carnavais antigos. Outros setores, como casal de mestre-sala e porta-bandeira, musas, componentes de alas, também estiveram presentes nas
apresentações.

Os Gaviões da Fiel trarão um tema crítico, nomeado como “BASTA”, que será desenvolvido pelo carnavalesco Paulo, e aborda problemas sociais presentes na história.

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O presidente Digão, que está no seu último ano na entidade, revelou emoção e enfatizou que tema da voz para minoria.

“Eu estou me sentindo realizado como homem nascido e criado na periferia de São Paulo. Esse tema representa a grande maioria da nossa sociedade. Estou emocionado porque sei que a grande maioria do nosso povo sofre, é enganado. Esse samba vai representar mais de 30 milhões de corinthianos e brasileiros”, finalizou.

Ouça abaixo os sambas 12 e 15