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Morre esposa do intérprete Marquinho Art Samba

Cinthya Ribeiro, esposa do cantor Marquinho Art Samba, da Estação Primeira de Mangueira, faleceu na noite desta quarta-feira, no Rio de Janeiro. Ela lutava contra um câncer.

Nas redes sociais, o intérprete fez uma publicação sobre a perda da esposa. Por 11 anos, Cinthya Ribeiro foi passista da Unidos da Tijuca.

esposa marquinho

Veja abaixo publicações da Mangueira e da Unidos da Tijuca

Força @marquinhosartsamba
A Nação Verde e Rosa está com você neste momento de dor.
Que seu coração seja confortado e a dor transformada em saudade.
#luto #forçamarquinhos

Publicado por Estação Primeira de Mangueira em Quarta-feira, 4 de novembro de 2020

É com imensa tristeza que a Unidos da Tijuca lamenta a perda da passista Cinthya Ribeiro que dedicou 11 anos de muito…

Publicado por Unidos da Tijuca em Terça-feira, 3 de novembro de 2020

Confira a logo da União da Ilha para a reedição de ‘Fatumbi’

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Ilha2021

Milton Cunha e os destaques de luxo: Maria Helena Cadar

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

MARIA HELENA CADAR02“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Maria Helena Cadar – Salgueiro

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Maria Helena: O que eu acho que uma pessoa sente ao ver um destaque de luxo, além da admiração , uma vontade de estar naquele lugar , ostentando aquela fantasia.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando e como foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada no Salgueiro? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Maria Helena: O interesse em ser destaque de luxo, eu sempre tive, pois saia como desfilante do Salgueiro há muito tempo e sempre admirando aquelas fantasias maravilhosas. Aconteceu que um dia, no ano de 2004, o Maninho que era muito amigo do meu marido através da criação de cavalos, nos convidou para jantar com ele e sua família e depois assistirmos a um ensaio na quadra do Salgueiro. Lá, ele chamou meu marido ao escritório e perguntou se poderia me convidar para desfilar como destaque. Meu marido concordou e ele então fez o convite. Saí com a fantasia “MONSTRÓLEO” que representava o petróleo no enredo da Cana de Açúcar, produzindo o álcool como combustível. Ao meu lado, a figura de um Sheik, fechando as torneiras do petróleo. Cheguei ao Salgueiro no carnaval de 1990, também a convite do Maninho, juntamente com um grupo de amigos. Como destaque, só desfilei no Salgueiro, mas como participante, saí algumas vezes na Imperatriz Leopoldinense, também a convite da sua diretoria.

Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Maria Helena: Meu planejamento para desfilar, depende muito do momento. Como faço parte da equipe de destaques do Salgueiro, fico aguardando a definição por parte do carnavalesco, de qual personagem vou representar. Na concepção da fantasia, tenho pouca influência, mas na confecção sim. Eu e o estilista que as confecciona, o Belisário Cunha, procuramos entender o que o carnavalesco procurou transmitir com aquele desenho e o transformamos em uma fantasia. Nossa relação com o carnavalesco é a melhor possível. Procuramos levar a ele tudo que imaginamos na confecção e trocamos ideias sobre a viabilidade da execução.

MARIA HELENA CADAR03E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como interioriza a personagem que está representando?

Maria Helena: Em relação ao personagem que vou representar, procuro fazer um estudo sobre o mesmo e dentro disso , saberei como me comportar durante o desfile. Cito como exemplo a minha fantasia de Carmen Miranda, que me fez aprender muito sobre o seu comportamento durante a vida artística. Sempre procuro encarnar o personagem que estou representando e durante o desfile sinto-me como se fosse ele.

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Maria Helena: Tenho muito apego às minhas fantasias, tanto é, que tenho todas elas guardadas em um museu particular, todas montadas em manequins, da mesma forma como eu desfilei. Cada uma está composta até com os sapatos, colares, anéis, etc. como no dia do desfile. Não me importo se as pessoas vão poder admira-las por alguns minutos, pois isso faz parte do jogo, mas eu e meus amigos poderemos admirá-las por muito tempo.

Pra você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Maria Helena: O que faz uma fantasia de destaque eternizar aos olhos de quem a vê, além da beleza, é o que ela representa. Acho que não há grandes diferenças entre os destaques de luxo do carnaval. Todos são belíssimos. Às vezes um pode aparecer mais do que o outro, mas com certeza são detalhes. Todos são belíssimos.

MARIA HELENA CADAR01Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Maria Helena: Tenho dezessete fantasias no meu museu, todas lindíssimas e muitas premiadas, mas tem uma que eu considero especial e com a qual ganhei o prêmio de melhor destaque de luxo daquele ano. Trata-se da “MATRIÁFRICA”, no enredo Senhoras do Ventre do Mundo, uma fantasia toda em tons avermelhados e que deslumbrou o público presente.

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Maria Helena: Acho que o luxo é essencial no Carnaval. O público gosta e admira as fantasias luxuosas. Sempre foi assim e sempre será. As fantasias temáticas precisarão existir , mas coroadas com o luxo dos destaques.

Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema para você dividir a atenção do público?

Maria Helena: Não me importo que eu vá desfilar com outro destaque no meu carro. Evidentemente cada um estará representando um personagem e tem que fazer a sua parte no enredo.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Maria Helena: O destaque representa para os outros componentes, um ideal a ser alcançado. Todos admiram, têm o maior carinho, e se imaginam naquele lugar. A minha relação com as pessoas que desfilam no mesmo carro que eu, é a melhor possível, mesmo porque, ficamos quase uma hora nos locais onde vamos desfilar e temos oportunidade na concentração de nos conhecermos e bater longos papos, antes do início do desfile.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Maria Helena: Não só o carnaval vem passando por uma grave crise financeira , mas todos os setores vêm sofrendo com isso. As Escolas de Samba terão que se reinventar e procurar suas origens, onde se fazia um carnaval com menos dinheiro e mais garra. Não têm outra alternativa. Eu particularmente, me dou muito bem com as pessoas da comunidade que tenho a oportunidade de conviver, principalmente nos ensaios da Escola, onde tenho uma grande quantidade de amigas e amigos que são da comunidade Salgueirense. Nunca senti nenhuma diferença de comportamento comigo, pelo contrário, são sempre muito amáveis com minha pessoa.

Você falou, na resposta ao Milton, que as pessoas devem sonhar estar no lugar de vocês no desfile. Acredita que vocês ocupam, no imaginário das pessoas, um lugar considerado impossível de ser atingido por elas?

Maria Helena: Acredito que passa na cabeça de todos que assistem a um desfile, o desejo de estarem naquele local. Podemos ocupar um lugar especial no imaginário das pessoas, mas não impossível de ser atingido. Vários fatores podem influenciar nessa possibilidade, mas nada é impossível.

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Maria Helena: Na verdade, eu chego à concentração com uma hora e meia de antecipação, porque o ateliê que produz minhas roupas, se encarrega de montá-las na armação da escola e desmonta-las na dispersão.

Luiz Lima: ‘A Cidade do Samba 2 é um compromisso firmado em meu plano de governo’

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LL05O site CARNAVALESCO dá sequência à série de entrevistas com os candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro. O candidato do PSL, Luiz Lima conversou com a nossa reportagem acerca de suas ideias e propostas para o carnaval do município nos próximos quatro anos, caso seja eleito. Luiz Lima é carioca e foi nadador antes de ingressar na política. Suas conquistas mais importantes foram uma medalha de ouro e uma de prata nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg em 1999 e duas de prata no Pan de Mar Del Plata, em 1995.

Luiz Lima ingressou na política em 2016 ao aceitar o cargo de Secretário Nacional de Esportes de Alto Rendimento. Ele foi o primeiro professor de educação física a assumir o cargo. Em 2018 foi eleito Deputado federal pelo PSL no estado do Rio de Janeiro com 115.119 votos, sendo o oitavo mais votado no estado. Ele recebeu votos nos 92 municípios do Rio de Janeiro.

Confira a entrevista com o candidato Luiz Lima (PSL) à Prefeitura do Rio:

LL04– A atual gestão comandou uma cruzada contra o carnaval e as escolas de samba? A sua gestão vai dar apoio institucional e financeiro à festa?

Luiz Lima: “Temos 12 escolas no Grupo Especial, 15 na Série A e outras dezenas nos grupos de acesso da Intendente Magalhães. A maioria tem projetos sociais, culturais e esportivos com suas comunidades, e é muito bacana ver essa contrapartida das escolas. O samba é um grande investimento para o município. Por isso, entendemos que é fundamental que Prefeitura do Rio incentive e subsidie o desfile das escolas, apresentando um cronograma transparente de liberação de recursos. São muitas pessoas empregadas pelas agremiações. E cada real investido, seja da iniciativa privada, seja da prefeitura, vira cinco para o município, através dos gastos em serviços de cariocas e turistas durante a folia. Temos que entender a importância do turista que vem para o Rio no carnaval, pois parte do que ele gasta vai para a saúde, para a educação, para infraestrutura, para segurança. Além de valorizar a cultura, a gente está valorizando o bolso e o bem-estar dos cariocas. Nosso plano de governo também prevê o projeto ‘Samba pelo Rio’, com representantes das escolas em pontos turísticos e representativos da cidade, nos meses de janeiro e fevereiro, anualmente, realizando shows e contando histórias do carnaval, em parceria com a iniciativa privada. Além disso, vamos fazer o Sambódromo funcionar o ano inteiro, assim como a Cidade do Samba, melhorando seu entorno e resgatando o projeto inicial deste equipamento com oficinas e visitação. Tem muita gente que mora no Rio e que nunca foi à Cidade do Samba. Poxa, aquele patrimônio é nosso! Seria um atrativo a mais para o Porto. Uma importante proposta nossa também é o projeto ‘Samba nas escolas municipais’, em que levaríamos a cultura do samba-enredo para nossos alunos, através de oficinas e eventos com as agremiações do entorno de cada escola da rede, conectando Cultura e Educação.”

LL03– As escolas da Série A tem cada vez mais dificuldades em construir o seu desfile sem barracões. Qual a sua opinião sobre a Cidade do Samba 2?

Luiz Lima: “A Cidade do Samba 2 é fundamental para o carnaval. É um compromisso que está em nosso plano de governo. As escolas da Série A precisam de um lugar decente e com infraestrutura para preparar suas alegorias e fantasias. Nossa ideia é construir um espaço ou adaptar alguma área já existente na Avenida Brasil. São escolas tradicionais como Império Serrano, Estácio de Sá, Império da Tijuca, Em Cima da Hora e muitas outras, que precisam de condições dignas, pois há anos estão em locais insalubres, improvisados, sem telhado e sem estrutura. Temos que acabar com aquelas cenas recorrentes de incêndios em barracões ou mesmo de destruição de alegorias por causa de chuvas fortes. O mesmo vale para as escolas que desfilam na Estrada Intendente Magalhães, que estão num galpão improvisado em Oswaldo Cruz. A Prefeitura do Rio também precisa investir e apoiar o carnaval daquelas escolas.”

LL02– Como a prefeitura pode fomentar o carnaval de rua e os blocos, que trazem milhares de turistas para a cidade no período de carnaval?

Luiz Lima: “O carnaval de rua também será incentivado em nosso governo, através de políticas culturais e parcerias com a iniciativa privada. Afinal, os desfiles de blocos, bandas e cordões são um capítulo à parte do nosso carnaval. O carioca ama o carnaval de rua e não vive sem ele. É nossa obrigação incentivar e trabalhar efetivamente, com a Ordem Pública e as secretarias de Saúde e Transporte, para garantir a melhor organização possível destes desfiles. Queremos os blocos tradicionais, como Bola Preta, Cacique de Ramos e a banda de Ipanema, por exemplo, fortes e conectados com a Prefeitura do Rio. Os mais novos e temáticos também farão parte de uma programação especial feita pela Riotur. Precisamos fortalecer também o carnaval de rua na Zona Norte e na Zona Oeste. Outro desafio será resgatar a tradição dos palcos e coretos de bairros. Sempre houve programação nos quatro dias de folia em bairros como Vila Isabel, Méier, Tijuca, Engenho de Dentro, Bangu, Ilha do Governador… Mas isso acabou no governo Crivella.”

LL01– O que você considera que deva ser feito com o Sambódromo? Passar ao governo estadual ou manter com a prefeitura?

Luiz Lima: “O Sambódromo é um patrimônio do carnaval carioca, por isso merece ser cuidado com carinho e atenção do poder público. Defendo que a Prefeitura do Rio continue à frente do Sambódromo, mas quero implementar parcerias público-privadas (PPP’s) voltadas para shows o ano todo, instalação de restaurante temático, área para recepção de turistas, loja de souvenirs e outras melhorias. É vergonhoso ver as vans de turistas que chegam para visitar o Sambódromo paradas ali portão do Setor 3, sem estrutura alguma de estacionamento e alimentação. Não tem nem lugar para comprar água, só com vendedores ambulantes. O único atrativo é tirar fotos das arquibancadas de concreto. Temos que mudar isso! O turista precisa ter uma opção de lugar para conhecer um pouco da história do carnaval. Um caminho pode ser a reabertura do Museu do Carnaval, que fica na Praça da Apoteose, e há anos está subutilizado. Os grandes shows de rock, MPB e outros estilos, na Apoteose, precisam voltar também. Outra meta nossa é incentivar os ensaios técnicos no Sambódromo, como uma atividade de verão, de forma gratuita, aproveitando ao máximo o calendário de verão a partir de dezembro, ocupando todos os sábados e domingos. Mini-desfiles e carnavais fora de época também estão nos nossos planos.”

– Como a sua candidatura enxerga a importância do carnaval para a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro?

Luiz Lima: “Já desfilei na Mocidade, na Imperatriz, na Rocinha, na Tradição e em outras escolas, e sei como o carnaval é uma coisa fantástica. A importância cultural é gigantesca e está ligada com a história da cidade. E além de gostar muito de escola de samba e de samba-enredo, eu, com cidadão, reconheço que em cada real gasto pelo turista no carnaval traz outros cinco de retorno para a cidade. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostrou que o Carnaval de 2019 movimentou quase R$ 4 bilhões na economia. Mexe com turismo, serviços e diversos outros setores. Cada escola de samba gera 200 empregos, o ano todo. Temos que fazer parcerias com as escolas e ter como contrapartida os projetos sociais e culturais que elas já desempenham nas suas comunidades, como no caso da Mangueira, da Portela, do Salgueiro, da Beija-Flor e outras. Então como é que o prefeito do Rio pode não gostar de carnaval? Veja o caso do Rock in Rio, em 2021, que vai movimentar 700 mil pessoas. Uma das saídas para o Rio no período pós-pandemia é realização de grandes eventos. Quando alguém fala em tirar recurso do carnaval, será que eu tenho que desenhar? Ora bolas, isso traz recurso para a cidade. O dinheiro que o turista gasta na cidade vai ajudar a financiar o salário do servidor, por exemplo, os 850 reais por mês que custa uma criança na escola… A função da Riotur é promover o Rio como destino e caminhar lado a lado com as instituições que atuam nesse setor. No entanto, o comportamento da atual administração em relação ao réveillon e aos três últimos carnavais – o de 2020, por exemplo, não contou com nenhum centavo da prefeitura às escolas de samba – revela uma absoluta incompreensão sobre a diferença entre gasto e investimento.”

Leonardo Bessa faz roda de samba quarta-feira no Beco do Rato

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A casa de samba mais aconchegante do RJ, recebe pela primeira vez o Sambista Leonardo Bessa com seu Projeto Samba Bessa nessa quarta-feira. Com muito samba de raiz, pagode e no final um grande carnaval. Bessa também cantará músicas do seu primeiro CD e do seu mais novo EP que dá nome ao Projeto. Todos os protocolos sanitários serão observados para a segurança de todos e a lotação da casa será limitada em metade da capacidade.

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Samba Bessa no Beco do Rato

Dia 4/11
às 20h
Ingressos antecipados pelo Site Sympla

Imperio Serrano 2021 – samba da parceia de União Serrana

Compositores: União Serrana

NA LUTA E NA DANÇA, LIÇÕES DO PASSADO
ESTÃO NA LEMBRANÇA, OS PRETOS MARCADOS
TEM A PROTEÇÃO DE SEUS ORIXÁS
É CORDÃO DE OURO, É CORPO FECHADO
REAGE NO OXÊ DE XANGÔ E VENCE A BATALHA
GOLPEIA QUE FILHO DE OGUM NÃO PODE APANHAR
CONFIA NO BRILHO DA LUA CHEIA
É MESTRE ALÍPIO LANÇANDO UM OLHAR… DE LÁ
RESPEITA O TOQUE DO BERIMBAU
E VINGA SEU POVO DESSA RASTEIRA
ENSINA “SINHÔ” E JAGUNÇO QUE A FORÇA DO MAL
NÃO VENCE NA RODA DE CAPOEIRA

Ê! CAMARÁ
CHAMA PRA JOGAR NA LADEIRA
LAROIÊ, SEU SENTINELA
TEM MANDINGA NA FAVELA

O BOM MANDINGUEIRO, VALENTE GUERREIRO
VOANDO NOS SALTOS SUMIA NA MATA
DE “MORTE MATADA”, ELE NÃO MORRIA
DANÇAVA NO AR, BALA NÃO TEMIA
MAS O DESTINO É ASSIM
RESOLVEU DAR UM FIM, O HERÓI FEZ SANGRAR
A TRAIÇÃO PELA FACA DE TUCUM
TRANSFORMOU EM LADAINHA E POESIA
“CALÇA, CULOTE, PALITO ALMOFADINHA”
VIROU SAMBA NA SERRINHA PRO IMPÉRIO ENCANTAR

HOJE O COURO VAI COMER
SARAVÁ POVO DA GIRA
O TERREIRO VAI TREMER VENDO O DIA CLAREAR
ABRE A RODA NA CLAREIRA PRO CAPOEIRA GINGAR
A LAPINHA MAIS FORMOSA
TEM BESOURO MANGANGÁ

Acompanhe ao vivo: eliminatória de samba do Império Serrano

Morre Jorge Velloso, presidente da ala de compositores da Beija-Flor

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O compositor Jorge Velloso, da Beija-Flor de Nilópolis, faleceu neste sábado. Ele exercia o posto de presidente da ala de compositores nilopolitana. Não foi divulgada a causa da morte e nem o local do velório e enterro.

jorge velloso2

Com os sambas-enredo assinados por Jorge Velloso a Beija-Flor foi campeã do Grupo Especial em 2007, 2008 e 2015.

Desde 1994, Jorge Velloso participava das disputas de samba da Beija-Flor. O compositor terminou campeão em cinco oportunidades e passando de vinte finais.

Em entrevista para Revista Explosão in Samba, em 2016, Jorge Velloso declarou seu amor para Beija-Flor.

“A Beija-Flor é tudo na minha vida. Tudo meu está aqui dentro, o Anízio é um pai para todos nós, damos a vida pela Beija-Flor e brigamos por ela. Eu me sinto muito bem aqui dentro. Temos o Gabriel que é a renovação dentro de nossa escola, um jovem muito participativo de tudo e tenho certeza que em breve será o nosso grande líder. Ele é preparado e justo, o que é muito importante para um comandante”.

Confira a sinopse do enredo em homenagem a Martinho da Vila

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logo vila2021 menorCANTA, CANTA, MINHA GENTE! A VILA É DE MARTINHO!

Sinopse de Enredo

“Canta, canta, minha Gente, deixa a tristeza pra lá!”
Canta, Vila Isabel, Morro dos Macacos, Pau da Bandeira e todo o povão Branco e Azul, pois a Festa é da Raça!
Canta feliz da vida o outro Poeta que o Samba te deu, legado eterno do povo teu!
“Canta forte, canta alto, que a vida vai melhorar”, pois o samba foi feito de morro e a Festa é na Raça para a gente impor e celebrar a negritude!
Vamos abrir mais uma vez caminho à nossa ancestralidade, que pede passagem com a vida do Rei Negro das “kizombas, andanças e festanças”, coroado pela brasileira terra negra com força e fé das Áfricas e de Angola!
Morro é África, malandro é guerreiro de lança em punho e a criançada brincando pelas vielas e correndo pela savana.
“Ô dai-me licença ê!
Ô dai-me licença!
Uma licença de Zambi
para cantar umas zuelas no toque do Candomblé”.
É Mano Martinho, Vila!
Simbora?

***

Batuques invadem o Morro dos Macacos e passeiam pela Vila num convite animado à coroação. Por becos e vielas, seus camaradas descem escadas e ladeiras acompanhados pelo riso inocente das crianças admiradas que entoam melodias eternizadas por ele. Ele, cujo caminho até a coroação foi longo, nasceu na roça onde sentia o vento no rosto e a liberdade nos pés. Corria solto o moleque pelo chão batido, brincando sob a benção do carinho de Mãe Tereza e do amor devoto de Vó Procópia a proteger o garoto contra mau-olhado e assombração. Duas Barras marcada no coração do menino que veio à luz no Carnaval, um ano depois – quem diria? – da partida de Noel. Mal sabia o pequeno Zé que o Axé o preparava para encantar o povo. É a vida que começava a ser tecida pelos caminhos que Zambi quis.

Resistir! O rapaz vai acompanhado pelo tempo, que o conduz a outras praças. Carrega consigo a verdade do mundo estampada na pele. Com os Pretos Forros, na inteligência do dia a dia na Boca do Mato, Martinho fez samba no morro desde cedo, mesmo com a dor da dura vida que seus olhos testemunhavam. Percebeu que ser um só não bastaria para enfrentar a desigualdade. Cantarolava amores, amigos, a família e, múltiplo, virou Sargento Martinho, sem nunca vacilar na felicidade. Negro que segurou no peito as responsabilidades para gritar, partideiro, a revolta contra brancas maldades.

Batucando aqui e acolá, suas personalidades poéticas cresciam, encantando uma Menina-Moça, Vila Isabel, amor à primeira vista. O encantamento foi mútuo. Ela lhe deu inspiração e, a ela, o Poeta declamou paixão. O nome mudou, casamento em que o tempo não faz mais sentido, só há eternidade. Fez, da sua casa, Casa de Bamba, onde todos são bem-vindos. Avolumavam-se canções e partidos-altos, aquele amor transbordando alegria! Nas curvas salivadas dos musicados amores pela Vila e outras cabrochas, encantou-nos, o Devagar, com a língua dada a prazeres. Toques e beijos, palavras e mãos, seios e desejos – vibra com jeito, meu violão, para fazer tremer esse chão!

VilaSempre feliz, quis brincar Carnaval e desfiou seu Carnaval de Ilusões sob a benção de Noel. Martinho eterno menino, sorriso no alto, amor-paixão pela Coroa, o Branco e o Azul tingindo a gente em noites de fascínio e magia, dedicação foliã entre confetes e serpentinas. Sentiu a quentura da folia e decidiu que o mundo daquele jeito feliz era seu lugar. Então, foi tudo montado para que o povo, ao seu som, sempre quisesse sambar! O Martinho? Mora lá na Vila… É o tal do Martinho da Vila, nosso Rei Negro da Folia.

Afinal, fez química com batidas ancestrais. Deu liga. Gênio popular, misturou o sacolejo dos sons, sembas, sambas, partidos-altos, pagodes e canções. Roça, favela, comunidades, terreiros, Duas Barras, Vila e a gema do Rio de Janeiro. O cavaco era na rua, da rua. Resistência, o tom do sambista. Na escola das favelas, na sabedoria dos botequins e na boemia do Boulevard, na cachaça de beira de calçada e na cerveja com os compadres, vive a simplicidade de gente sábia e desce mais uma para embalar a cantoria.

Daí, reencontrou nas Áfricas sua história por completo. De Luanda, memórias, dom, talento, afeto. Ancestralidade é teu nome, Martinho, e a Vila te saúda! Suas andanças rumo ao Ventre Mãe reaparecem no sorriso aberto e Angola se faz presente. Voltando aos ancestrais, ecoam as vozes daqueles que possuem a força da cor. Nosso Poeta abre caminhos de lá pra cá e daqui pra lá. Intercambia, como elo, passado e futuro e Angola abraça o Embaixador Negro!

Aliás, Martinho sempre esmurrou o preconceito. Por aqui, certeiro, levantou-se também pela Democracia que seu Brasil há muito já não via. Mané com ele não se cria! Diretas pela liberdade e o menino da Vila com o dedo na ferida. Pé ante pé, há muito trocara o marchar pelo sambar e desafiou a censura de não poder criar e ser feliz do jeito que se é Martinho, da Vida! Cantou pela liberdade nos dois mundos unos separados pela covardia da escravidão. Martinho do Brasil e de Angola, Canto Livre! Kalunga e Kizomba, bem, chegou a hora!

Festa da Raça! Na Sapucaí, conquistas da luta negra pela liberdade, tantos Brasis Quilombos dos Palmares, tantos Palmares-Brasis a festejar: negras e negros que lutam pela dignidade. No Centenário da Abolição, bom lembrar que negra foi a canção, samba que ferveu e ferve no sangue das passistas, na alma das baianas, na Swingueira de Noel, nas negras e negros que mandaram e mandam na Avenida. Valeu, Zumbi! Tem grito forte nos Palmares e aqui! Martinho guerreiro quimbundo, Zumbi abençoando e Zambi dando força: Concerto Negro ontem, amanhã e agora.

E seguiu, “devagar, devagarinho”, o sambista e sambador, também malandro engenhoso inspirado quando com tinta na mão. Alma brasileira-angolana e a Lua de Luanda iluminando seus livros. Salve a amada família, a das favelas, das Áfricas, de Barras, de sangue e da Vila, tudo tema de prosas e poesias, Martinho lambendo com amor a cria! Veio de longe a vocação de prosador. Bateu papo com o Bruxo do Cosme Velho quando para ele fez samba nos idos da Boca do Mato. Saber da rua, da roça, dos barracos, olho no olho de qualquer dotô e nosso nêgo quebrando o racismo de cada dia no gingado sábio – “Crioulo não é doido!” e negro impõe respeito! Martinho sim, Doutor com conhecimento de causa, da vida e dos livros! Escreveu histórias, Zé das Cantorias! Martinho das Letras, a Academia o reverencia! O Rei derrama sabedoria nas páginas e, em verso e prosa, encanta e declama a vida.

Cabem, assim, mil Martinhos nessa história. Sem pressa, o Poeta Negro enredou suas memórias no chão sagrado da Vila, preparou o quintal pro pagode com os amigos, celebrou causos da fazenda, da favela, dos subúrbios e da folia, a mesa farta sempre em boa companhia – cantos de lavadeiras, corações de malandros, crenças e crendices, papos de cozinha. Cadenciado, brincou e brincará! Compadre Noel, aquele abraço só no sapatinho e na alegria!

E agora é a vez de vocês correrem soltos, meninas e meninos da Vila, pois lá vem a coroação do Mestre Rei Martinho. Aprendam com o Griô de Gbala: é sobre a gente negra, nosso sangue, nosso carnaval, nossa ancestralidade, que hoje ele com a gente fala. O morro desce “feliz da Vila”: a vida dele vamos coroar! E vamos renascer das cinzas, tudo acabando na quarta-feira só pra recomeçar, pois nossa negra felicidade jamais vai terminar. Uma “Boa Noite”, Vila Isabel! Nossa garra na terra de bambas é celeste, infinita, e o resto a gente aprende com Martinho Mestre, só no laiaraiá!

Ergue a cabeça então, Comunidade, e pisa forte na Avenida! Ginga, samba, semba!

Arranquem do peito o grito preso e cantem alto com orgulho a força e a fé da nossa negra-alma-samba, deixando qualquer tristeza pra lá!

É dia do Teu Martinho, Vila!

Incendeia a Sapucaí, vamos pra cima e sim, bora kizombar!

Enredo: Edson Pereira, Victor Marques, Clark Mangabeira

Sinopse e Texto: Victor Marques, Clark Mangabeira

Milton Cunha e os destaques de luxo: Edmilton Paracambi

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Edmilton Paracambi 01“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Edmilton Paracambi – Viradouro

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Edmilton Paracambi: Eles imaginam que somos deuses do mundo do samba. Destaque de luxo é admiração, beleza, empoderamento, determinação, representatividade, amor, glamour, um resplendor de sonhos, prazer e satisfação. É como um pavão ao exibir suas penas, formando um arco resplandecente da vaidade e do belo transmitido. É teatro e criatividade.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada na Viradouro? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Edmilton Paracambi: Há 35 anos atrás conheci um amigo, em Paracambi. Veio de Nilópolis trabalhar aqui. Ele tinha uma ala de fantasias e saia na Beija-Flor e através dele começou meu interesse por me fantasiar. Ele nessa época saia também no Leão de Nova Iguaçu, ai fui ser destaque do Leão de Nova Iguaçu. Meu primeiro desfile foi no ano de 1997. Minha chegada na Viradouro foi através de um amigo que já saia na Viradouro e me levou para lá. Já fui destaque da Beija-Flor, Cubango de Niterói e Império da Tijuca.

Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Edmilton Paracambi: A elaboração da fantasia é sempre o carnavalesco que vê tudo. Depois que ele desenha, me manda a foto e aí vejo se gosto e mudo alguns detalhes. O carnavalesco sempre fala o material que ele quer, a cor da plumagem e vou seguindo a orientação dele. Esse ano, por exemplo, ele pediu que tivesse uma pintura de arte para envelhecer a roupa depois de pronta.

E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como internaliza as personagens que representa?

Edmilton Paracambi 02Edmilton Paracambi: Quando venho representando algum personagem sempre procuro ficar parecido, com maquiagens no rosto, perucas e luvas. Faço uma pesquisa do personagem e procuro até dançar como o personagem. Na passagem da avenida incorporo totalmente o personagem.

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Edmilton Paracambi: Não tenho apego as fantasias. Já fiz muitas doações de fantasias e tenho algumas guardadas que vou expor aqui na minha cidade. Acho que a cidade do Rio de janeiro teria que ter um local com essas fantasias tipo um museu do carnaval. Muitas roupas lindas já se perderam. Muitas pessoas têm vontade de ver essa arte de perto. O público mesmo que assiste deve ficar imaginando de que material será feito essas roupas. As pessoas que assistem devem ficar passadas com tanta beleza. E deve ficar com a imagem na mente por muito tempo eu mesmo ficava quando ia assistir desfile de fantasias.

Para você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Edmilton Paracambi: Nós, destaques, nos distinguimos pelo material que usamos, tipos de pena, grandiosidade. E na montagem somos artistas diferentes.

Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Edmilton Paracambi: Tenho uma fantasia prata e vermelha, em tons de rosa, que na abertura do carnaval aqui de Paracambi usei. Tinha uma máscara na mão, fui muito aplaudido quando cheguei no salão com ela. Todos queriam tirar fotos. E, no outro dia, usei na Viradouro. A cidade toda parou para me ver na televisão com aquela fantasia. Vim em cima de um bonde. Foi incrível e inesquecível.

Edmilton Paracambi 03Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Edmilton Paracambi: O luxo é essencial. Todo mundo gosta de ver luxo e no carnaval existem materiais luxuosíssimos. Todos querem ver.
Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria.

Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema para você dividir a atenção do público?

Edmilton Paracambi: A mudança de carros alegóricos, para mim, ficou mais grandioso. Os carros alegóricos agora vêm com mais destaques e acho que chamam mais a atenção do público.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Edmilton Paracambi: O destaque é realmente uma figura de destaque da escola de samba. Queremos ser destacados e investimos muito dinheiro não para ser melhor que ninguém, mas é uma coisa de dentro da gente mesmo, uma vaidade. Em relação aos componentes, tem muito carinho comigo. Eu sempre vou para a quadra, danço. Sou tratado com muito carinho.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Edmilton Paracambi: Acho estranho. Todo ano tem crise e as escolas acabam vindo lindas. Acho também que podem usar material alternativo e criatividade, mas isso todas têm de sobras. Na Viradouro, já saio há anos e não sinto mudanças não. É uma escola maravilhosa. Minha segunda família. Amo muito todos.

Você falou, na resposta ao Milton, que as pessoas enxergam vocês como deuses do mundo do samba? Como você se sente ocupando esse lugar de divindade? Existe alguma devoção das pessoas com vocês nesse lugar de deuses?

Edmilton Paracambi: Sim. Existe uma devoção que não tem vínculo com a religiosidade à Deus, aos orixás e outros seres divinais, mas sim com o amor, respeito e admiração ao que fazemos pela arte do samba. No meu caso, tenho pessoas que há décadas acompanham minha trajetória sendo destaque de luxo. E, realmente, me tratam com uma devoção, uma certeza, uma espera, um frenesi, uma torcida e até preces e orações para que meu personagem, meu figurino de destaque de luxo aconteça de forma impecável mais uma vez, mais um ano, mais um carnaval. Sendo cada dia de apresenta-lo, dia da celebração deles, meus seguidores, fãs dos Deuses do carnaval, ano a ano.

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Edmilton Paracambi: Eu moro distante, há uma hora do Rio, em Paracambi. Vou com uma Doblô com a fantasia no bagageiro. Chego sempre uma hora da tarde fico com medo do trânsito, carrego 20 bolsas que são feitas de tecido grosso e tenho 5 apoios, fora os da escola. Chego, fico muito feliz e me sinto como se fosse subir em um castelo. Triste no final que tem que retirar tudo e as vezes quebra muitas penas, mas é maravilhoso.