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O que você pensa sobre a realização dos desfiles das escolas de samba no meio do ano em 2021?

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O governo estadual do Rio de Janeiro acenou com a possibilidade de apoio ao carnaval 2021 do Grupo Especial, em uma data em julho (3 e 4/07), e a decisão está nas mãos dos dirigentes das escolas de samba, e, claro na autorização do poder público municipal, do Judiciário e de um protocolo das autoridades sanitárias. Segundo a coluna do jornalista Ancelmo Gois, em O Globo, cada escola receberia R$ 1,5 milhão pelo ICMS.

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‘O estado é laico e não podemos confundir o púlpito com o palanque’, diz Benedita da Silva

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Benedita01O site CARNAVALESCO inicia nesta sexta uma série de entrevistas com os candidatos à Prefeitura do Rio. Milhões de cariocas vão às urnas no próximo dia 15 de novembro para eleger o representante que vai gerir o município pelos próximos 4 anos. O carnaval é uma das agendas mais importantes da cidade, afinal de contas a arrecadação obtida com os dias de folia fomenta a economia da capital fluminense os 365 dias do ano. Por isso nossa reportagem entrou em contato com os candidatos. As perguntas foram rigorosamente as mesmas para todas as candidaturas.

A primeira entrevistada é candidata Benedita da Silva (PT). Benedita se elegeu vereadora do Rio em 1982. Quatro anos mais tarde estava no Congresso Nacional, como deputada federal, reeleita em 1990. Militante do movimento negro desde o início de sua trajetória oolítica, foi derrotada nas eleições de 1992 para a Prefeitura do Rio. Em 1994 elegeu-se senadora da república. Cargo que abdicou em 1998 para ser vice na chapa de Anthony Garotinho ao governo estadual. Eleita com o companheiro de chapa, Benedita assumiu o Palácio Guanabara em 2002, após a renúncia do titular para concorrer à presidência da república. Está na terceira legislatura consecutiva como deputada federal pelo Rio de Janeiro. Benedita é a autora do projeto da lei Aldir Blanc, que estabeleceu um auxílio emergencial para os trabalhadores da cultura.

Confira a entrevista com a candidata:

Benedita03A atual gestão comandou uma cruzada contra o carnaval e as escolas de samba. A sua gestão vai dar apoio institucional e financeiro à festa?

Benedita da Silva: Sim, a prefeitura vai voltar a dar apoio institucional e financeiro ao Carnaval. Segundo a Constituição, o Estado é laico e não podemos confundir o púlpito com o palanque, como tem feito o prefeito. O Carnaval é uma manifestação cultural vigorosa, grande gerador de emprego e renda. O desfile da Sapucaí é o maior espetáculo da Terra. Jamais a prefeitura poderia ignorar essa atividade tão fundamental para o carioca e para atrair turistas do país e de todo o mundo, gerando uma poderosa arrecadação.

As escolas da série a tem cada vez mais dificuldades em construir o seu desfile sem barracões. Qual a sua opinião sobre a Cidade do Samba 2?

Benedita da Silva: Mesmo antes da pandemia, as escolas de samba já vinham tendo dificuldades para levar o Carnaval, muito em função da má vontade do prefeito. É importante ajudar as escolas de samba a encontrarem os caminhos para superar seus desafios de financiamento. O apoio da prefeitura pode ajudar, mas as escolas também precisam encontrar maneiras para sustentar suas atividades.

Como a prefeitura pode fomentar o carnaval de rua e os blocos, que trazem milhares de turistas para a cidade no período de carnaval?

Benedita da Silva: Primeiro, não interferindo arbitrariamente em sua livre manifestação. Segundo, garantindo segurança, condições sanitárias, promoção da cidade e de sua cultura no Brasil e no exterior. Terceiro, buscando conjugar a alegria com a conveniência dos moradores e o fluxo do trânsito. O resto é por conta dos foliões.

Benedita02O que você considera que deva ser feito com o sambódromo? Passar ao governo estadual ou manter com a prefeitura?

Benedita da Silva: O Sambódromo deve continuar com a prefeitura, que precisa ser mais eficiente e produtiva no uso desse espaço durante o ano todo. Já tivemos muitos shows na Praça da Apoteose, eventos que geram muito trabalho para o povo e alegria para a cidade. O que falta é vontade e capacidade de trabalhar e promover o turismo do Rio.

Como a sua candidatura enxerga a importância do carnaval para a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro?

Benedita da Silva: Muito importante, não só durante o período do evento, mas também durante todo o ano, com o trabalho dessa verdadeira indústria. Nós precisamos criar roteiros culturais no Rio, para atrair mais turistas. E nesses roteiros, o mundo do samba é obrigatório. As atividades precisam acontecer o ano todo.

Blocos da Sebastiana decidem não desfilar em 2021

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blocos rio2019Não haverá carnaval de rua na cidade do Rio de Janeiro no ano de 2021. A decisão foi tomada na noite da última terça-feira, em uma reunião virtual, que contou com a presença de representantes dos blocos, da Riotur, do Ministério Público, além de especialistas das áreas de saúde e de segurança pública. O cancelamento das apresentações foi decidido devido a falta de condições sanitárias, mediante a ausência, até o momento, de uma vacina para Covid-19, doença responsável por vitimar mais de 12 mil vidas até agora, somente na capital fluminense.

Após a divulgação da decisão, o site CARNAVALESCO conversou com Rita Fernandes, presidente da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua do Rio de Janeiro, a Sebastiana, que explicou um pouco mais dos detalhes por trás desta decisão.

“As condições colocadas pelo pessoal da saúde na reunião era de que até julho, ao que parece, não vai haver ainda a possibilidade de imunização da população. Então, sem essa certeza de ter a população segura, a gente não pode fazer. E se liberar no segundo semestre, do ponto de vista mais operacional, para nós já se torna inviável. Por isso, a gente não fará no segundo semestre, o que acabou resultando então na decisão de que não vai ter carnaval de rua em 2021”, defendeu Rita.

Para reportagem, Rita Fernandes ainda justificou quais seriam exatamente os fatores que não permitiriam a realização do carnaval de rua no segundo semestre de 2021, mesmo com a questão da pandemia já solucionada.

“É inviável fazer no segundo semestre, primeiro porque a cidade já tem um calendário próprio, inclusive com grandes eventos, com o Rock in Rio; segundo, toda parte de regulamentação e regularização, já ficaria um pouco apertada; terceiro, porque o patrocínio também fica mais difícil, afinal a gente já começa a ficar em cima do ano de 2022. Então, tem uma série de questões de legalização, patrocínio, regulamentação, que impossibilitam. E mais do que isso, existe dos blocos e dos organizadores, de maneira geral, um desânimo generalizado em função desse adiamento”, explicou.

No entanto, apesar de descartado um carnaval de rua fora de época, propostas para festa não passar em branco no ano que vem vão ser estudadas. “Nós vamos procurar outras alternativas, como as lives, os shows, eventos fechados, coisas que a gente possa ter controle”, relatou Rita.

Porém, a presidente da Sebastiana já antecipa que será algo distante ao habitual. “Quando liberar, a gente vai fazer uma celebração, mas não é o carnaval como ele é, com aqueles desfiles, aquelas datas, carro de som… O que nós vamos fazer, quando possível, é uma coisa muito diferente de um carnaval nos moldes tradicionais”, assegurou.

Ao todo, a Sebastiana é composta pelos seguintes blocos: Bloco da Ansiedade; Bloco do Barbas; Bloco das Carmelitas; Bloco Virtual; Escravos da Mauá; Gigantes da Lira; Imprensa que Eu Gamo; Meu Bem,Volto já!; Que merda é essa?; Simpatia é Quase Amor; e Suvaco do Cristo.

Luiz Lima participa de encontro na Cidade do Samba e apresenta seu plano para o carnaval do Rio

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LL LiesaO candidato Luiz Lima (PSL) à Prefeitura do Rio de Janeiro esteve na Cidade do Samba, local que abriga os barracões das escolas de samba do Grupo Especial, para apresentar ao presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira, o seu plano para o setor cultural e o carnaval da cidade. Ele estava acompanhado do vice Fernando Veloso (PSD). O diretor de carnaval da Liga, Elmo José dos Santos, também participou do encontro.

Luiz Lima falou sobre a importância do carnaval para a economia da cidade e destacou o papel cultural e social das escolas de samba.

“O samba é um grande investimento para o município. São muitas pessoas empregadas pelas escolas. E cada real investido, seja da iniciativa privada, dos hotéis, seja da Prefeitura, você tem o valor revertido cinco vezes para o município. É importante entender a importância do turista que vem para o Rio curtir o carnaval, porque parte do que ele gasta vai para a saúde, para a educação, para infraestrutura, para segurança. Além de valorizar a cultura, a gente está valorizando o bolso e o bem-estar dos cariocas. É inadmissível para mim alguém não perceber o quanto o samba, o futebol e o esporte como um todo são especiais”, analisou Luiz, que tem a construção da Cidade do Samba 2, com barracões para o Grupo de Acesso, como uma de suas propostas para o setor.

Luiz Lima ressaltou a força das escolas de samba para geração de emprego, e, principalmente, para a cultura do Rio de Janeiro.

“Cada escola de samba gera 200 empregos, o ano todo. Temos que fazer parcerias com as escolas e ter como contrapartida os projetos sociais e culturais que elas já desempenham nas suas comunidades, como no caso da Mangueira, da Portela, do Salgueiro, da Beija-Flor e outras. Então como é que o prefeito do Rio pode não gostar de carnaval? Veja o caso do Rock in Rio, em 2021, que vai movimentar 700 mil pessoas. Uma das saídas para o Rio no período pós-pandemia é realização de grandes eventos. Quando alguém fala em tirar recurso do carnaval, será que eu tenho que desenhar? Ora bolas, isso traz recurso para a cidade. O dinheiro que o turista gasta na cidade vai ajudar a financiar o salário do servidor, por exemplo, os 850 reais por mês que custa uma criança na escola… No entanto, o comportamento da atual administração em relação ao réveillon e aos três últimos carnavais – o de 2020, por exemplo, não contou com nenhum centavo da prefeitura às escolas de samba – revela uma absoluta incompreensão sobre a diferença entre gasto e investimento”.

Sobre o Carnaval 2021, Luiz Lima disse que não há tempo para que ele seja realizado em fevereiro, mas deu alternativas para o futuro.

“Vamos incentivar a realização de lives e eventos de música para que a data não passe em branco. Outro ponto importante é garantir assistência para os trabalhadores do universo das escolas de sambas e blocos, que estão sentindo no bolso as consequências da pandemia. São pessoas que dependem do funcionamento da indústria do carnaval. Penso também no carnaval fora de época, entre maio ou até julho de 2021, que é a época de férias, para que a gente possa festejar o fim da Covid-19 e retomar com força a presença dos turistas na nossa cidade. Defendo a valorização do carnaval, com incentivos ao Grupo Especial, aos Grupos de Acesso e blocos tradicionais, além da construção da Cidade do Samba 2, para o Grupo de Acesso. Passando a pandemia, temos que otimizar o Sambódromo para ele funcionar o inteiro, com restaurante temático e shows, e a Cidade do Samba também”.

Império Serrano realiza primeira eliminatória de samba-enredo neste domingo

enredo imperioserrano2021Após a live de apresentação dos 31 sambas-enredo concorrentes para o próximo Carnaval, o Império Serrano realiza neste domingo, 01, a partir das 14h, a primeira eliminatória de seu concurso, que contará com a participação de 16 das obras inscritas, classificando cinco para a próxima fase. A live será transmitida pela TV Império Serrano e Canal FitAmarela.

“Foram 31 sambas inscritos, todos se apresentaram muito bem na semana passada, agora começa de fato a disputa. Teremos um corpo de jurados formados por Grandes Beneméritos, personalidades Imperianas e membros da nova geração da escola. Que vença o melhor samba, para embalar nosso próximo desfile”, destacou o Presidente Sandro Avelar.

A eliminatória deste domingo, 01, começa às 14h e será a primeira de duas chaves, que levarão 10 sambas para a fase semifinal. No próximo Carnaval, o Império Serrano vai para a Marquês de Sapucaí o enredo Mangangá, de autoria do Carnavalesco Leandro Vieira.

SERVIÇO:

1ª Eliminatória de Samba-Enredo do Império Serrano
DATA: 01/11/2020 (Domingo)
LOCAL: TV Império Serrano e Canal FitAmarela
HORÁRIO: A partir das 14h
CLASSIFICAÇÃO: Livre

 

Camarote do King transfere ingressos do Carnaval 2021 para 2022

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King01Em novembro, as quadras das escolas de samba do Rio voltam a poder reabrir para sediar atividades e alguns eventos, respeitando as regras de distanciamento social. Os ensaios não estão autorizados. Essa reabertura é um passo muito pequeno, de modo que ainda não é possível afirmar que o Carnaval passa a ganhar algum fôlego, afinal vários trabalhadores continuam sofrendo com o descaso do poder público.

Na Sapucaí não é diferente, o Sambódromo deverá entrar em obras no mês de dezembro, mesmo que as pessoas que utilizam o espaço como fonte de renda ainda estejam sem amparo. Não ter desfile das escolas de samba no Carnaval de 2021, apesar de prudente, por conta do risco de contaminação, foi um baque em toda a indústria do Carnaval. Os camarotes da Sapucaí também estão sofrendo os impactos da não realização do evento.

Ao final do carnaval de 2020, o Camarote do King abriu a pré-venda para 2021 e, em duas semanas, havia esgotado os ingressos para sexta e sábado do carnaval do ano seguinte, totalizando 3.200 ingressos vendidos. Conversamos com Lilian Martins, que é diretora do Camarote do King, para entender como está sendo o relacionamento entre o camarote e os clientes.

King02“É importante reforçar que todos os ingressos já vendidos para 2021, serão válidos somente para o carnaval de 2022. Desse modo, se houver desfile em qualquer época do ano de 2021, os ingressos precisarão ser comprados como um evento a parte, pois acreditamos que os desfiles poderão ser menores, o que impactaria na possibilidade de serviços diferenciados dos anunciados para os nossos clientes antes da Pandemia. Também tem o risco das datas não bater com a agenda dos clientes”, explicou.

Por isso, o Camarote do King optou por transformar a pré-venda de 2021, para o carnaval de 2022. Também deixou disponível a opção de estorno do dinheiro para os clientes. “Até agora tivemos apenas 280 pedidos de cancelamento de compra, mas alguns clientes preferiram congelar as parcelas e voltar a pagar somente em 2021, para o carnaval do ano seguinte”, disse.

Em outros anos, o Camarote do King fez alguns eventos promocionais antes do carnaval, dentro do espaço do camarote. Pequenos shows, rodas de samba e feijoadas animaram o público que tinha interesse em conhecer a estrutura do King, antes de assistir os desfiles. Em 2021, o Camarote prefere não fazer nada neste formato por uma questão de segurança.

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Já pensando nos desfiles de 2022, Lilian diz que gostaria de expandir a varanda do terceiro andar do camarote, a fim de poder fazer um carnaval inesquecível que, de fato, marque a volta da alegria para a Sapucaí. “Para ter mais gente aqui dentro, só aumentando o espaço. Tenho horror de camarote super lotado. Crescer a varanda é nosso gabarito, porque quando crescemos varanda, também crescemos espaço interno e infra de banheiros e cozinha. A gente quer expandir, mas sempre priorizando o conforto a qualidade que entregamos para os clientes”.

Lilian também opinou sobre os formatos que gostaria de ver no próximo carnaval. Ela acredita que as escolas deveriam voltar a fazer desfiles um pouco mais longos, com mais alegorias, ou mesmo ter um padrão de 7 desfiles por noite. A segunda opinião emitida pela empresária, que também já foi gestora de escola de samba, é definir com mais rapidez quais escolas desfilam domingo e segunda, ainda que a ordem dos desfiles seja definida posteriormente.

“Enquanto empresária que acompanha o espetáculo das escolas de samba, ter a definição das escolas do especial que desfilam domingo e segunda é fundamental para que os clientes possam comprar os ingressos com antecedência. Quem é fã, não tem jeito, vai comprar para ver a escola do coração e quanto antes ele souber, mais tempo pra se programar e comprar o evento com mais tranquilidade”, afirmou.

Reedição de ‘Fatumbi’ terá linguagem e estética diferenciadas do desfile original

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469E7A13 2100 4C5F 9CA3 633510FC1F62A União da Ilha do Governador quer fazer a Sapucaí tremer novamente para Fatumbi. No próximo carnaval, a tricolor insulana irá reeditar o tema originalmente apresentado pela própria escola em 1998. Na ocasião, o trabalho teve a criação e a assinatura de Milton Cunha. Agora, o novo desfile ganhará vida através das mãos de Cahê Rodrigues e Severo Luzardo.

“Assim como Milton já deu várias declarações, nós estamos muito honrados em poder reeditar uma obra tão linda, tão emocionante e tão necessária. Uma obra que foi levada para Avenida pelas mãos do Milton Cunha, que é um artista que eu tenho profundo respeito. Poucas pessoas sabem, mas eu trabalhei com Milton na Beija-Flor e depois eu tive uma oportunidade também na Ilha, inclusive no ano de ‘Fatumbi’, que eu cheguei a fazer alguns desenhos para ele. Tenho um profundo respeito pela obra do Milton”, declarou Cahê Rodrigues, em conversa com o site CARNAVALESCO.

A dupla de artistas que será responsável por desenvolver o novo desfile em tributo ao fotógrafo Pierre Verger, ou simplesmente Fatumbi, falou com a nossa reportagem sobre a tarefa de reeditar um desfile que entrou para história da Ilha e que marcou época na folia carioca. Segundo eles, o processo de escolha do tema contou com a participação do presidente executivo da escola Djalma Falcão, dos diretores de carnaval Dudu Azevedo e Wilsinho Alves, além deles, os carnavalescos da agremiação.

Ilha Cahe“Já existia um desejo de uma reedição. Em um primeiro momento foi cogitado ‘Festa Profana’, mas a escola na verdade nunca oficializou, era só uma sugestão de reedição. Mas ‘Fatumbi’ sempre passeou nas conversas, sempre foi um desejo, tanto meu, quanto do Severo. A gente tinha essa vontade de levar novamente para Avenida um enredo tão importante, com um samba tão forte, como foi ‘Fatumbi’. Então, a decisão de escolha foi um conjunto com os carnavalescos, a direção de carnaval e o presidente”, assegurou Cahê.

Questionados sobre o que seria mantido e o que seria alterado do desfile original para esta reedição, a dupla relatou que não houve uma conversa aprofundada acerca de como será o desenvolvimento desta nova apresentação de “Fatumbi”. “Ainda não conseguimos trabalhar neste projeto direito. Até o momento, temos apenas o enredo em si que foi lançado”, contou Severo Luzardo.

“Temos muitos caminhos a trilhar para poder roteirizar esse novo desfile, uma vez que ele vai acontecer na Série A. Vamos ter de encarar certas limitações, como o número de alas e de alegorias, mas podem ter certeza que a dedicação, o respeito, o comprometimento a arte e a um tema tão importante vai ser respeitado. Vamos traduzir isso com uma nova linguagem, uma nova estética, de forma muito respeitosa”, complementou Cahê.

Ilha SeveroO próximo carnaval irá marcar o primeiro trabalho dos dois artistas em conjunto. Ambos com uma longa trajetória na festa e um currículo repleto de êxitos. “Eu e o Cahê nunca trabalhamos juntos. Então, só vamos ter uma noção real de como vai funcionar a divisão dos trabalhos quando formos chamados para iniciar o projeto. Aí é que vamos entender a parceria”, disse Severo. “A gente tem uma estética muito próxima, temos gostos muito parecidos e a sintonia de um para o outro é muito importante”, avaliou Cahê.

Sobre a falta de previsão relacionada a quando e como acontecerá o próximo carnaval, Severo Luzardo comentou que isto afeta o início dos trabalhos. “Nós temos que esperar as definições acerca de como irá funcionar o desfile para iniciarmos um projeto. Assim, fazemos algo já dentro dos balizadores propostos”, avaliou.

Cahê Rodrigues seguiu a mesma linha de raciocínio de Severo, mas garantiu que mesmo com as indefinições a criação não para. “Ninguém tem ainda noção de quando vai acontecer o próximo carnaval, em que data, como será esse futuro carnaval. É claro que, na medida em que a Lierj se posicionar em termos de regulamento, a escola vai respeitar as normas, não tem jeito. A princípio, nós estamos pensando no processo criativo, para só depois adaptar ao que o regulamento permitir para o futuro carnaval”, finalizou.

Polêmica com comissão de frente dos Gaviões da Fiel tem novo resultado favorável para a agremiação

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O desfile da escola de samba Gaviões da Fiel, no carnaval de 2019, voltou a ser assunto, desta vez com uma vitória no campo jurídico. A comissão de frente da escola – que encenou um duelo entre o bem e o mal, com um componente fantasiado de Lúcifer e outro como Jesus Cristo – foi alvo de dois processos e um inquérito policial, além de ofícios de repúdio e pedidos de esclarecimentos de órgãos públicos.

A juíza Camila Rodrigues Borges de Azevedo, da 19ª Vara Cível do Foro Central Cível de São Paulo, julgou improcedente a Ação Civil Pública movida pela Liga Cristã Mundial (LCM) contra a Gaviões da Fiel, que pedia R﹩ 5 milhões de indenização por danos morais, por “blasfêmia”. Ainda cabe recurso de apelação pela parte contrária. Os advogados responsáveis pela defesa da agremiação foram Marco Antônio da Silva Bueno, Diego Alves Rodrigues e Edson Roberto Baptista de Oliveira, pertencentes ao escritório OMB Advogados.

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Em sua decisão, a magistrada ressaltou que o Brasil é uma república laica. ” O Carnaval e suas representações são, de fato, uma expressão artística e cultural, independentemente das valorações positivas ou negativas que cada um faça de acordo com suas individualidades”. Ela também citou o caso do escritor José Saramago, ganhador do Nobel de Literatura e do Prêmio Camões de Língua Portuguesa, que era considerado autor de obras ‘anticatólicas’ e chegou a ser excomungado. “Do episódio, percebe-se claramente que nem sempre a arte e seus gênios estão a serviço do que se convencionou como certo, possível, aceito e admissível”, ponderou.

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Em outro trecho, a juíza afirmou que “a proteção à religiosidade deve se dar de maneira objetiva quando se trata de garantir a liberdade de culto ou de banir discursos de ódio. Não é o caso dos autos, em que a autora pretende a tutela da blasfêmia. Se é uma encenação do bem contra o mal; se Jesus ao final efetivamente é derrotado ou não; se é uma crítica social ou se é uma provocação ao pensamento reflexivo: tudo isso transborda os limites da análise jurídica”, registrou.

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Em sua página no Instagram, a escola de samba Gaviões da Fiel agradeceu a equipe jurídica da OMB Advogados pelos resultados obtidos. “Reafirmamos o nosso respeito às diferentes religiões e que todas as pessoas que frequentam os Gaviões foram e serão sempre respeitadas, sem distinção, discriminação e diferenciação por suas escolhas religiosas”, diz a nota.

Paraíso do Tuiuti retoma aulas de samba no pé em projeto de passistas

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Tuiuti Alex CoutinhoO Paraíso do Tuiuti retoma nesta quarta-feira (28), a partir das 20h, o projeto “Aos passos do Paraíso”, coordenado por Alex Coutinho. A iniciativa oferece aulas de samba no pé e para adolescentes, jovens e adultos que estão em busca de desfilar como passista no próximo Carnaval. Serão aceitas inscrições de interessados a partir dos 10 anos de idade (acompanhado de um responsável).

Os candidatos serão divididos em duas turmas: uma infantil; a outra, para adultos. De acordo com os idealizadores do projeto, não há um limite máximo de idade para os interessados. Tudo será feito de acordo com as normas sanitárias para evitar a proliferação do novo coronavírus.

Todas as aulas ocorrerão às quartas-feiras, sempre a partir das 20h, na quadra do Tuiuti, no bairro de São Cristóvão. Para a inscrição, é preciso levar uma foto 3×4, cópia do RG, CPF (para quem tiver) e comprovante de residência. Para menores de idade, levar uma foto 3×4, cópia do RG ou certidão de nascimento, comprovante de residência, declaração escolar, e cópia do RG e CPF do responsável. A taxa de matrícula será de R$ 40 (para confecção de uniformes).

Os organizadores do projeto pedem que os alunos usem roupa de ginástica preta e tênis.

‘Sem vacina é impossível ter carnaval’, diz carnavalesco da Unidos de Bangu

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barracao rocinha2020 1Sem previsão de data e nem mesmo de como irá acontecer, tudo que envolve o próximo desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro trata-se de uma incógnita. Porém, mesmo em meio às incertezas, diversos artistas da festa seguem ativos e atuantes, no processo de criação e desenvolvimento do espetáculo.

O site CARNAVALESCO dá prosseguimento a série de entrevistas especiais acerca da produção e do planejamento do Carnaval de 2021. O segundo nome entrevistado é Marcus Paulo, que no próximo desfile, irá assinar a Unidos de Bangu na Série A e a Rocinha no Grupo Especial da Intendente. Confira abaixo:

CARNAVALESCO: Como tem sido o período de pandemia para você?

Marcus Paulo: “O período da pandemia tem sido bastante produtivo, mas com muita preocupação. Estamos todos na espera de que se resolva logo as datas para o nosso espetáculo, independente de como ele seja feito ou em que moldes. Essa é a grande apreensão, mas eu ando produzindo bastante, produzido muito. Antes, a gente saia de casa para trabalhar no barracão, mesmo fazendo projeto escrito, construindo a narrativa, os elementos que compõem ela, os desenhos e tudo mais. A gente saia de casa, com todo o nosso material, batia o nosso cartão lá no barracão e trabalhava na sala das escolas. Algo que sempre fiz nos 16 anos na Unidos da Tijuca e nos últimos seis ou sete carnavais como carnavalesco. Tudo era desenvolvido no barracão. Com a pandemia, o home office ficou muito forte também para a gente do carnaval. E assim como várias áreas, tivemos a experiência de trabalhar de casa. No começo foi meio embolado, até porque a gente não estava acostumado. Parece fácil trabalhar em casa, mas não é. Se você não faz uma rotina correta, mantém tudo regrado com o horário e os afazeres, você acha que está fazendo muito e não está fazendo nada. Você acaba se enrolando. Com o tempo e a prática, consegui criar uma rotina e me habituar com os afazeres, tanto do lado pessoal, quanto profissional”.

CARNAVALESCO: Como funciona o seu processo de criação do desfile em meio a tudo que está acontecendo?

Marcus Paulo: “Tive que me habituar a um novo processo de criação. A gente acaba não dormindo quando está criando, quando a tal da inspiração vem. Mesmo que algumas pessoas não entendam, é real. Ela vem, fica martelando na sua cabeça várias ideias, explodem imagens, pensamentos ficam circulando na sua mente, e se você não parar o que estiver fazendo para colocar no papel, você não consegue se concentrar em alguma outra coisa para fazer. E esse processo tinha a ida e volta para casa, era feito a maior parte no barracão, como funcionário mesmo que tinha que ser, e agora está sendo feito em casa, de uma forma bem mais tranquila. Eu consegui fazer uma rotina de trabalho, conciliando minhas funções como carnavalesco e como professor de pós-graduação, mesmo trabalhando para duas escolas de samba. Então, tenho meus horários diários dividindo o tempo do desenvolvimento de enredo e o tempo da estruturação das minhas aulas. Acabou que no caso do Acadêmicos da Rocinha, como fui contratado primeiro pela escola, eu já tinha feito todo projeto pronto quando fui contratado para realizar o carnaval da Unidos de Bangu. Então, minha rotina continuou a mesma, só saiu a criação da Rocinha e entrou a criação da Bangu”

CARNAVALESCO: No próximo carnaval, você irá fazer jornada dupla ao assinar a Unidos de Bangu (ao lado do Clécio Régis) e a Rocinha. Como é isso para você?

Marcus Paulo: “Irei fazer jornada dupla assim como no carnaval de 2020, quando estava na Unidos da Tijuca, assinando com o Hélcio Paim e o Paulo Barros, e também na Acadêmicos da Rocinha. Então está sendo tranquilo isso. Na Rocinha, assim que acabou o carnaval, a diretoria me chamou para renovar o vínculo, devido a repercussão do trabalho. Mesmo com o rebaixamento da escola, eles resolveram continuar com meu trabalho lá. E eu, como só tinha a Rocinha, me dediquei totalmente a ela e terminei muito rápido os figurinos, as alegorias, as fantasias de casais, dos integrantes da comissão de frente. Foi rápido para mim fazer o desenvolvimento do enredo também. Então, a Acadêmicos da Rocinha eu acabei o grosso mesmo da criação em cerca de dois meses. Tanto que quando eu fui contatado pela Unidos de Bangu, eu já tinha terminado a Rocinha. E quando eu fui chamado pela Bangu, a proposta era que eu fizesse todo o desenvolvimento artístico da escola: sinopse de enredo, conversa com os compositores, desenho de todas as alas da escola, figurinos dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, dos destaques, das composições de carro… Hoje, a Unidos de Bangu também está toda pronta. A escola quando me contratou queria que eu fizesse em tempo recorde. Essa foi a proposta que me fizeram, que eu tentasse ser o mais breve possível, porque o projeto da Bangu estava bem atrasado. Como quando eles me contataram era uma época de alta pandemia, todo mundo estava muito apavorado e muito preocupado, então a gente estava totalmente isolado mesmo e foi aonde eu consegui produzir muito, tanto na parte escrita, quanto nos elementos que compõem a parte visual. Em relação ao Clécio, ainda não tivemos contato, por conta da pandemia e da correria para eu poder terminar esta parte artística da escola. Mas a jornada dupla está sendo muito bacana novamente para mim, uma grande experiência. Sou um apaixonado pelo carnaval e procuro transferir sempre toda essa paixão para o meu trabalho”.

rocinha samba2020 9CARNAVALESCO: Qual a sua opinião acerca do adiamento dos desfiles de 2021?

Marcus Paulo: “Sou muito apaixonado pelo carnaval. Cresci dentro do carnaval e tudo que sou ou que eu tenho devo ao carnaval e a este trabalho que desenvolvo em troca com as escolas de samba. Sempre me dedico muito. Quem faz a festa é uma mão de obra muito dedicada, inspirada e apaixonada. Em contrapartida, a escola vêm e nos mantém financeiramente, ou pelo menos tenta nos manter. E eu queria tanto que tivesse desfile, que já tivesse uma definição para isso, mas não temos, acertadamente. Essa posição de não ter enquanto não surge uma vacina é correta. Infelizmente, o carnaval é como as olimpíadas, é como o festival de Parintins, é como o São João de Campina Grande e Caruaru, o carnaval é como vários outros eventos que foram cancelados e transferidos para uma nova data. Não tem como não aglomerar, não tem como manter um afastamento, não adianta querer buscar uma fórmula de fazer um desfile paliativo, não tem como, não dá. Sem a vacina acho impossível. As pessoas tem que ser preservadas, vidas tem que ser protegidas, mesmo que elas não queiram ou que não tenham essa consciência. É papel dos poderes públicos proteger as pessoas, mesmo que todos estejam de saco cheio dessa pandemia ou de ficar em casa. E não vejo nenhuma outra coisa que pode ser feita para apresentar um enredo de escola de samba, de outra forma que não seja um cortejo na Marquês de Sapucaí, com aglomeração”.

CARNAVALESCO: Está preparado para fazer alterações no projeto, caso haja redução no número de alegorias ou outras mudanças no regulamento por exemplo?

Marcus Paulo: “Como a gente está vivendo épocas tão diferentes e tão difíceis, temos que estar preparado para tudo, o tempo todo. A gente não sabe ainda o que vem pela frente e nem sabe quando isso vai acabar. Então, toda e qualquer mudança que tiver de certa feita no projeto vai ser bem aceita e será feita. Estou preparado para mudar, para diminuir alegoria, diminuir o número de setores. Por exemplo, no tipo de desenvolvimento que eu faço, uma alegoria sempre encerra o setor. Particularmente, é algo que eu gosto visualmente, acho bonito você ter uma alegoria fechando a cena. Neste modelo, as alas começam a discorrer o que tem de escrito ali naquele setor e a alegria fecha esse cenário. Então, se eu tiver de tirar uma alegoria, provavelmente eu tiraria também um setor. Mas estou preparado sim, para essa ou qualquer outra eventual mudança que se discuta”.