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Casagrande e o balanço da reabertura da quadra da Tijuca: ‘Importante para saúde mental dos sambistas’

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A Unidos da Tijuca reabriu sua quadra, na tarde de domingo, para a volta da feijoada mensal, com mesas separadas, medição de temperatura na entrada, além de álcool em gel para o público e um trabalho forte da equipe da escola para limpeza e higienização constante. Anfitrião do evento, mestre Casagrande explicou como conseguiu passar pelo período sem pisar na quadra.

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“Foi um período muito difícil. É o nosso dia a dia sentir o calor do povo que nos acompanha. A pandemia trouxe uma situação difícil para quem vive do samba e eventos. Muita gente vivia disso. Não somos só o desfile. Fazemos um movimento muito grande no âmbito cultural e financeiro. Lá no início, a gente achava que passaria rápido essa doença, foi um negócio muito grave, ainda temos que nos cuidar, e não termos uma segunda onda”, afirmou Casagrande, que ainda completou falando da operação para fazer o evento deste domingo.

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“Pensei muito para reabrir. A ideia era essa de ter um público máximo de 400 pessoas, no local que cabem 4 mil. Fizemos o curso da Vigilância Sanitária. Nossa preocupação maior era atender o público com total segurança sanitária. Uma série de coisas tivemos que nos adaptar, como estar de máscara, protetor facial. É o novo normal, a cada dia uma novidade, a ciência vai avançar e teremos que seguir esse caminho. A escola está trabalhando, os sambas estão sendo confeccionados, vamos receber todas obras em dezembro e pensamos em fazer disputa presencial com um público menor, por exemplo, a bateria terá de 15 a 20 ritmistas. Estamos muito esperançosos que tenha carnaval em julho. O importante é se movimentar. Isso é fundamental também para saúde mental do sambista”, disse Casão.

 

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O intérprete Wantuir não escondeu a felicidade de voltar para quadra e ressaltou a importância do retorno das atividades do samba para pessoas que dependem do carnaval para terem o sustento da família.

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“Estou feliz demais de poder voltar para quadra. Foi um período muito difícil. O sambista é uma pessoa agitada e alegre. Dentro de casa, mesmo vendo live, não é a mesma coisa. Espero que venha logo a vacina para voltarmos para rotina normal. Quando o saiu o enredo já mexeu com a gente e estamos na luta para que seja confirmada logo a data dos desfiles com a vacina. São milhares de pessoas que vivem do carnaval e estavam em casa paradas, sem ajuda de ninguém do governo. Importante respeitar as determinações da área da saúde e voltarmos a viver”.

Lexa, rainha de bateria, esteve na quadra. Ela ficou um tempo no camarote e depois foi para o palco sambar com a bateria. Ao site CARNAVALESCO, a cantora elogiou os cuidados da Unidos da Tijuca na reabertura da quadra.

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“Vim com máscara, álcool em gel, me emocionei quando entrei. Quem ama o carnaval sabe a falta que está fazendo nas nossas vidas. Estou com pessoas que estão sempre comigo. Muita gente vive e respira o carnaval. Estou para apoiar. Não é furdunço. É a minha escola e com responsabilidade social”, comentou a rainha de bateria tijucana.

 

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Uma das atrações da feijoada foi o Arruda. Gustavo e Maria, integrantes do grupo, falaram sobre a volta das feijoadas nas escolas.

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“É uma alegria muito grande e responsabilidade enorme. Fazer uma roda de samba dentro das medidas sanitárias, que essencialmente é de aglomeração é um desafio. Não tem jeito. É o novo normal. Temos que fazer assim até a chegada da vacina”, citou Gustavo. “Foi muito difícil ficarmos sem nossa energia coletiva. O samba é sagrado. Estamos muito felizes porque retomamos o samba”, completou Maria.

Portela reabre quadra com todas normas sanitárias e vice-presidente diz: ‘É fundamental financeiramente’

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Fechada para atividades desde o início de março, devido a pandemia novo Coronavírus, a quadra da Portela foi reaberta neste sábado, seguindo todas normas sanitárias, com a volta da tradição feijoada da família portelense. A maior campeã do carnaval carioca seguiu o protocolo acordado com o poder público e que alterou o espaço físico. Além disso, não houve venda de ingresso de pista, todos os presentes tiveram cadeiras e mesas, e o bar ficou isolado do público.

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Para Fábio Pavão, vice-presidente da Portela, o retorno da quadra e das atividades com público, mesmo que reduzido, foi extremamente positivo.

“Financeiramente, a quadra é fundamental para Portela. Claro, nesse momento que a capacidade é reduzida, e com todos os gastos que a gente teve para reabertura e montagem de uma estrutura, ainda vai ser pequeno o retorno. No entanto, a espera é que, aos poucos, a gente consiga utilizar mais a quadra como fonte de renda e aumentar os recursos da escola”, disse.

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Antes da reabertura da quadra, o capelão da Portela, padre Marcelo Freitas, fez uma benção especial. No falado “novo normal”, a quadra teve um sistema diferente de atendimento. O garçom foi até a mesa pegar o pedido e levar para pessoa. Além disso, houve um rigoroso controle de acesso ao banheiro. Não foi permitido o uso do banheiro químico.

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“Colocamos grades de proteção na parte externa da quadra, justamente para evitar aglomeração, igual estádio de futebol faz. Quando a pessoa entrou na quadra ela teve que passar por aferição de temperatura. Colocamos pontos de higiene, espalhados por toda a quadra, com recipientes de álcool em gel, além de um tapete higienizador”, relatou Fábio Pavão.

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A rainha de bateria Bianca Monteiro, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon e Lucinha, o cantor Gilsinho e a bateria de mestre Nilo Sérgio encerraram o evento. Veja abaixo mais fotos da reabertura da quadra da Portela.

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Milton Cunha e os destaques de luxo: Nelcimar Pires

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Nilcemar Pires02“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Nelcimar Pires – Imperatriz

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Nelcimar Pires: Estar como destaque é viver por hora, uma sensação única e indescritível. É se sentir extravagante, sui generis, e ao mesmo tempo se sentir parte num quebra-cabeças de 3.500 peças. É olhar para as arquibancadas e camarotes e ler nos olhares inarredáveis, em fragmentos de segundos, a admiração do belo e da elegância. É notar em rostos desconhecidos, o olhar de deslumbramento diante daquilo que a visão define, mas a boca não consegue descrever. É render-se ao fascínio e glamour que vão além do valor em cifras da fantasia, e se submeter ao valor colossal que só quem concebeu, idealizou e trajou é capaz de delinear. Eh Milton só pra falar aqui aquela parte que eu falo sobre o quebra-cabeça de mil e quinhentas peças, eu me refiro a a ao número de de componentes de uma escola, que é tudo um quebra-cabeça. Eu calcutrês mil e quinhentos componentes, né? Que é uma média, tá? Se achar que deve mudar isso aí, aí você que sabe, tá bom? Mas eu eu citei isso aí, mas eh, dentro dessa situação, tá bom?.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada na Imperatriz? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Nelcimar Pires: Bem, a minha primeira vez que eu resolvi desfilar como destaque de luxo foi lá para 1995 eu montei uma roupa roxo dourado que foi um Imperador Bizantino. Antes disso, eu vinha fazendo fantasias de luxo para minha irmã. Ela desfilava nos Congos em São João da Barra, que hoje virou escola de samba. Era bloco Congos e hoje virou escola, né. Hoje é uma escola de samba lá. E em 1995 resolvi fazer meu primeiro destaque de luxo, que antes eu só fazia para ela e eu falei: “Não, agora eu acho que eu vou fazer para mim também.” Então por alguns anos saímos eu e ela juntos nessa escola, na época era bloco ainda aí a gente passou a desfilar juntos até o meu primeiro ano na Imperatriz ela também me acompanhou, tá. Depois ela seguiu a vida dela, não quis mais desfilar. Então já deixei de fazer as fantasias para ela ir passei a dedicar só em fantasias de luxo para mim. Aí minha entrada na Imperatriz foi em 2006 que foi o Luís 14 o Rei Sol numa roupa toda amarelo com marrom. Foi em 2006 que eu entrei na Imperatriz e daí para cá tô na Imperatriz até hoje. Que eu participei de um desfile no brazilian Carnival Ball, em Toronto no Canadá. E em 2005, que foi o meu encerramento na Portela. Eu levei em torno de 9. Quer dizer 9 anos? Eu entrei na Portela e 98 numa aula em 98, e de 98 para cá não lembro agora quanto que dá, mas eu fiquei na Portela até 2005, foi meu último ano que foi com uma fantasia naquele carro do metal, o carro da guerra que foi um Arcanjo da Paz, uma roupa azul bebê em 2005. Aí eu recebi um convite do Wagner junto com presidente da Rocinha, que era o Maurício Matos. Foi com eles que eu viajei para Toronto. Maurício Matos que começou a me pegar para poder viajar o mundo com ele e ali me fez o convite para eu ser abre alas da Acadêmico da Rocinha e desfilar para a Imperatriz. Deixar Portela e partir para Imperatriz. Foi aí que aceitei o convite e tô na Imperatriz até hoje como na Rocinha. Eu levei quatro anos na Rocinha, acho que foram quatro anos sendo Abre Alas com o símbolo da borboleta. Todos os anos eu desfilei de Borboleta, né. Cada uma vinha em uma história do enredo, mas sempre uma borboleta.

Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Nelcimar Pires: Meu querido, é o seguinte… Qual o meu planejamento para desfilar? Meu planejamento, eu sou uma pessoa muito organizada. Eu trabalho muito. Luto muito, né. Eu sou estilista, de noiva, de roupa de festa e tudo. Então eu venho juntando meu dinheiro eu venho guardando todo meu trabalho como se fosse minha grande preciosidade, né. Porque nos momentos de crise, nos momentos caídos, você tem como fazer uma bela roupa pelo material que eu guardo muito bem guardado. Como agora eu tô nessa pandemia, não estão podendo fazer nada, tá tudo parado, meu ramo tá morto no momento. Então eu tô fazendo uma fantasia toda bordada à mão no estilo antigo. Voltei a década de 70 com aqueles mantos enormes, quatro metros e meio de manto ricamente bordado. Então eu tô fazendo uma roupa da minha ideia como sempre fiz na época dos Congos em São João da Barra. Tô criando a minha própria fantasia e fazendo com todo o material que eu tenho em casa, entendeu? Então tô fazendo uma bela roupa, mas com tudo que eu tenho em casa. Então com esse meu planejamento é o seguinte, eu tenho muito material e quando eu preciso botar uma plumagem nova na roupa eu sempre compro pavão desidratado e pluma branca e vou estocando, vou guardando. Quando chega o figurino de hoje, quando eu sento com o carnavalesco… Que tá aqui nessa pergunta… Qual a minha relação com o carnavalesco? Sempre foi muito boa com todos eles. Eu Sempre respeitei o trabalho deles. E todas as mudanças que eu faço eu tô sempre conversando com eles, dizendo que eu tenho isso, poderia fazer isso, eu sempre pergunto! Então quando eu chego no carnaval o carnavalesco não toma susto com a minha roupa não. Pode tomar um susto e achar que tá boa, tá bonita, mas que eu modifiquei, que eu acabei com figurino dele eu acho que eu nunca tive problema com carnavalesco nenhum não. Eu sempre me dei muito bem com todos eles, eu passei por vários carnavalescos. Como tá aqui na sua pergunta que eu não respondi que a pergunta (Quantas agremiações eu passei? E se eu desfilei sempre de destaque no posto?) Todas elas. Sim! A única vez que eu desfilei em uma ala foi pela primeira vez e 98 na Portela ala da Paz de Seu Bené que ele sim foi meu padrinho, ele quem me apresentou ao seu Carlinhos de Maracanã, que no ano seguinte eu passei ser destaque da Portela. Mas o meu relacionamento sempre foi muito bom. Com relação a todas as escolas, eu passei pelo Porto da Pedra, Viradouro, Portela, Rocinha, Salgueiro, Imperatriz. Não sei se a Porto da Pedra eu falei. Ai não sei se eu falei todas, mas eu acho que foram essas que eu já desfilei, tá? Eu acho que foram essas. Ah, a Vila Isabel! Como eu fui esquecer da Vila Isabel? Tá vendo? Tem escola que eu posso esquecer. Bem enfim, se eu lembrar depois eu vou lembrando eu vou passando para você. Então eu acho que a pergunta 2 eu acho que eu consegui te responder toda. Se tiver alguma dúvida você, por favor, entre em contato comigo novamente. Pode me perguntar, tá? Eu tô totalmente aberto aqui para você.

Nilcemar Pires03E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como internaliza as personagens que representa?

Nelcimar Pires: É muito legal essa pergunta… Muitos me perguntam isso. Quando eu recebo o figurino, né qual personagem eu vou representar? Se eu faço caras e bocas? Olha, eu costumo tentar seguir legal meu papel. Por exemplo, teve um ano que eu saí no Salgueiro, “Entre o Céu e o Inferno”, eu fui o diabo. Então tive uma maquiagem diabólica, eu usei lentes brancas nos olhos, lente amarela aliás, amarelo ouro. Eu fiz uma maquiagem maravilhosa, foi maravilhosa essa make, e tudo. Mas os meus trejeitos, a minha resposta com público, que eu sinto aquele público… Aquela energia que eles passam para mim é a que eu quero passar para eles. Uma energia de uma pessoa feliz, uma pessoa que está liberando aquela energia para eles, assim como eu estou pegando. Aquela troca de energias. Então eu sou sempre o mesmo. Canto muito! Tento cantar o enredo. Se eu me perder no samba, minha boca não para de bater. Mas junto com a boca batendo o sorriso travado canto a canto do seu rosto. São poucos momentos que podem me pegar meio sério na avenida. De repente uma cabeça que tá pesando muito aí eu firmo um pouco a cabeça assim, mas depois abro o meu sorriso de novo e ali eu vou levando com os meus gestos, com meu semblante da melhor maneira possível para o meu público. Que eu digo meu público porque, naquela hora, parece que é só você e eles estão só te vendo, entendeu? Eu boto isso na minha cabeça. Então ali eu olho para todos e aceno para todos como se eu conhecesse que eu tivesse vendo alguém ali da minha família ou alguém que me apreciasse, que me amasse tanto, entendeu? E como eu encarno? Eu encarno aquilo que eu visto. Eu visto aquela roupa. Minha maquiagem eu posso carregar um pouco mais. Se é um semblante mais angelical eu vou fazer um angelical, mas nunca deixo de colocar os meus cílios. Fazer aquela maquiagem escandalosa, jogar glitter, jogar pedrarias no rosto, como fazia os antigos, o Clóvis bornay. Você não via o Clóvis bornay erguer uma roupa dele com a cara lavada. Você não via o Evandro de Castro Lima com uma cara lavada. Você não via esses principais antigos do carnaval com cara lavada. Então, eu me afeiçoei muito eles, eu me baseei neles, porque eu passei essa época. Eu passei pela transição, né? Quando eu entrei no Glória para concorrer, eu peguei o último suspiro dos concursos de fantasia, e Deus me premiou, né? Além de eu ganhar e ser último hors concours e depois acabou, morreu. Já entrou uma nova fase. Eu fui premiado por Deus porque era um sonho muito grande eu ter um troféu daquele da Natan joias, aquela máscara que falam em ouro branco torcida com pedras brasileiras. Então não é pelo valor do troféu, mas o valor do simbolismo dele, de ter aquele troféu é maior riqueza! E hoje eu tenho cinco, com a graça de Deus. Então eu acho que é isso e me encanta muito tudo isso.

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Nelcimar Pires: Eu me apego sim! Eu me apego as minhas roupas porque um custo muito alto. É uma dor de cabeça muito grande. São noites e dias sem dormir direito preocupado em querer estar bem, em querer fazer o melhor até para mim, entendeu? Isso é para mim não é nem pelo carnavalesco, não pelo público e sim para mim. Porque eu quero estar sempre bem, eu quero estar mantendo o meu nome em alta nisso aí, mesmo que de repente eu possa estar fazendo… Que seja uma roupa mais simples, mas que eu possa estar fazendo uma roupa digna, uma roupa altura, uma roupa que tenha uma boa energia. Então aquela roupa que eu depositei minha energia, eu depositei meu suor, eu vesti aquela roupa eu tenho apego sim. Eu não sou de emprestar roupa para outro vestir. Eu sou muito místico nisso aí. Eu não gosto de outro suor, de outra situação na minha roupa. Eu não gosto. Eu sou uma pessoa meio meio complicadinha nisso aí de botar outra pessoa para vestir. Depois que uma outra pessoa veste eu prefiro vender a roupa, Fazer qualquer negócio dela, desmontar, aproveitar material… Agora vestir aquela roupa novamente eu não visto não. É muito… Eu acho que eu nunca vesti uma roupa que alguém vestiu, entendeu? Por isso que eu não sou de alugar roupa. Se quiser você compra, agora alugar minha roupa para alguém vestir e depois eu tenho que vestir eu não faço não, entendeu? Já é de mim mesmo, já é da minha criação, do que eu aprendi. Eu sou meio complicadinho para isso, entendeu? Então eu me apego sim, e se eu tiver que desfazer eu desfaço sem dó e sem piedade porque eu já usei, já usei muito, e aquela que eu uso menos eu faço uma pequena modificação para poder ter que usar ela mais vezes em algum evento, alguma festa… Que graças a Deus eu sempre fui convidado para várias festas de destaques de premiações no exterior. Já levei muita roupa minha para exposições para tudo. Então são roupas que eu já usei bastante. Então sou bem feliz nisso. Então algumas eu até já vendi, muitas eu já vendi, né. Fiz dinheiro delas e com dinheiro delas eu comprei novos materiais, entendeu? Então eu acho que ele tá aí, a resposta da pergunta 4. Espero ter passado certo aí para você. Tá bom?

Para você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Nelcimar Pires: O que faz uma fantasia se destacar e se eternizar? Ela se eterniza, meu querido, é pela energia eu acho que você passa pela roupa, como você veste… Eu sou um tipo de pessoa, por exemplo, um evento de destaque, eu gosto de vestir a minha roupa e tentar jogar toda minha energia em cima daquilo ali e fazer minhas caras bocas e tentar desfilar aquela roupa como antigamente, como se fosse Lago dos Cisnes você tentando, com o máximo de… por pior peso da roupa, você mostrar que ela tá leve, que você possa mostrar o melhor dela, entendeu? Mostrar cada detalhe. Se você passar parece tá carregando uma cruz ou você se sacode muito, por exemplo. Eu Neucimar não sou fã daquela, daquele você apresentar uma roupa de destaque com um samba-enredo não é a minha, eu não gosto. Até me apresento quando não tem o que fazer, não tem como mudar, eu até me apresento, mas eu sou mais as músicas de tema, o tema que você pode usar sua roupa, entendeu? Eu sou mais esse tempo passado, esse antigo que você desfilava com a sua roupa com o som dos órgãos ou música orquestrada, ou uma valsa, uma Edith Piaf entendeu. Eu gosto disso aí! Então, eu acho que faz eternizar é um modo como você apresenta com sua roupa, entendeu. Eu acho que faz eternizar aí! Você acaba se destacando dos outros destaques quando você mostra uma uma situação diferente entendeu? Eu não gosto de vir me sacolejando com uma fantasia, fazendo meus barulhos com as minhas franjas como se eu fosse uma mulata que to ali, uma passista, entendeu? Não vem fazendo isso. Eu prefiro fazer um desfile exibindo aquele traje ali em mais elegância eu acho que aí tá a diferença que faz até eternizar o seu traje perante os olhos das pessoas.

Nilcemar Pires01Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Nelcimar Pires: Qual foi a fantasia que você sempre é lembrado e que tenha tornado inesquecível? Eu acho que a fantasia que se tornou inesquecível para mim e para e para muitas pessoas foi a fantasia que foi o Astro Rei. Aquela fantasia do Sol do enredo da Portela em 2004 em que a Porta falava: “A lua apaixonada chorou tanto que do seu pranto nasceu o rio-mar”. Foi nesse enredo Amazonas, né. Então é essa roupa o sol que eu vim naquele carro da lua chorando e o sol atrás, né. Eu acho que essa roupa ficou eternizada sim na mente de muitos inclusive na minha. E essa roupa foi a que aqui mais eu usei. Eu recebi milhões de Prêmios em Várias escolas de samba que teve festa de destaques e eu fui a quase todas nesse ano. Eu acho que foi o ano que mais teve festa de destaque. Recebi pela beija-flor, recebi pelo Porto da Pedra, recebi por Várias escolas que me chamavam, não lembro agora. Eu lembro do beija-flor porque o troféu foi um colibri verde e esse troféu todos eu tenho até hoje e esse me marcou muito que foi na quadra da beija-flor. Nossa eu fui ovacionado nesse dia com essa roupa quando eu entrei para receber o troféu, não me esqueço e eu tenho até de frente para foto aqui uma foto gigante que eu tenho essa roupa aqui no meu quadro. Foi uma roupa que me marcou muito! E ela combinou demais aquele laranja com dourado quando o sol nasceu que foi aquele, foi durante o dia que eu desfilei então a roupa gritou muito eu acho que foi aí que chamou muita atenção, entendeu? Então eu acho que a roupa de 2004, o Astro Rei, foi a roupa que mais, eu acho que foi inesquecível sim, tá bom?

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Nelcimar Pires: Se eu considero o luxo essencial? Sim eu acho que o luxo é essencial. Eu acho que o luxo é luxo. Todas as pessoas gostam de riqueza, gostam de ver muito brilho, muito tudo em cima de uma pessoa. Eu acho que o luxo é super essencial e o motivo é que traz a riqueza para o Carnaval, né. Eu acho que o carnaval cresce muito com o destaque de luxo. Por isso que os destaques de luxo saiam dos clubes oficiais e iam para Avenida com todas as pompas e circunstâncias. Vinham para o chão, para uma avenida e eram idolatrados, e tinha cordões a volta do destaque para que ele pudesse passar numa avenida, não sei se você chegou a ver isso, já soube dessas histórias, né. Então era um espetáculo! Então eu acho que o luxo é essencial sim!

Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema pra você dividir a atenção do público?

Nelcimar Pires: Essa pergunta é bem complicada, né? Porque no momento que nós vivemos é uma guerra de ego muito grande, né. Principalmente entre os destaques. Com essa diminuição de carros e destaque tem que se dividir, virar destaque lateral e não Central. Às vezes tem um Central e 2 laterais, mas eu acho que, por exemplo, um destaque Central é o destaque Central fica sendo como oficial. Os outros dois será que ele sabe que eles vão ser lateral? Eles tem que saber disso na hora. Você quer desfilar? Então aqui o destaque Central é Fulano. A escola tem que ver quem faz até uma melhor roupa, eu acho, eu penso assim. Porque o ego, a briga de ego é muito grande e para dividir é bem complicado, né. Porque você gasta, você vira suas noites, como já falei. Você se mata. Muitos eu sei que deixa de fazer mil coisas para poder ter que fazer o seu destaque, né. Se prejudicam até, mas faz seu destaque para depois passar ali e às vezes nem aparece o nome porque quando é um destaque lateral não aparece nem um nome numa tela de TV. Hoje nós temos até o Milton Cunha que além de aparecer o nome o Milton fala sobre aquele destaque. Então o Milton ele enaltece muito. O Milton é como se fosse um anjo da guarda dos destaques de hoje, é o que eu considero. Mas como diminuir o muito carro que hoje também tá sendo muito dividido os carros, eu acho que também diminuiu muito destaque, porque muito destaque bom já se foi. Eu acho que muito se foram, muitos deixaram de desfilar e os novos eu sinto, eu Nelcimar eu sinto, que muitos novos não querem estar sentado como eu tô sentado aqui bordando, vamos dizer com… Ah desculpa o termo a bunda doendo, entendeu? Bordando, e aqueles trabalhos repetitivos, entendeu. Muitos não querem isso. Querem fazer ali “chapô-colô”, fez, aconteceu, puxou o tecido e virou destaque, entendeu. Eu não sei se eu penso que destaque é isso para mim. Eu acho que destaque é às vezes uma roupa pequena, bem feita, muito bem bordada, com muito carinho, muita gente meteu a mão ali para poder bordar pelo menos um pedacinho, como a lantejoula, o paetê, a miçanga. São materiais nativos, vamos dizer assim, que quase ninguém ouve mais falar, mas que para mim aquilo ali é grande luxo do carnaval porque virou um, para mim é hiper luxo hoje você fazer uma roupa bordada com paetê e miçanga porque são mãos, bordado à mão. É a maior riqueza que hoje você não encontra. Então, para mim, o verdadeiro luxo tá nisso aí, entendeu? Às vezes você, com uma pequena roupa, tá mostrando mais luxo do que uma grande roupa.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Nelcimar Pires: Para mim aqui nessa sua pergunta, o que ele simboliza? Ele simboliza o enredo, a história que é contada, entendeu? Às vezes vem uma ala toda de Dom Pedro, mas o Dom Pedro principal, que tá contando a história, que tá trazendo aquela ala ou fechando a ala, é o Dom Pedro que tá no carro, que eu acho que é a maior riqueza, o maior símbolo, aonde ele tem mais foco. É como se fosse um foco direcionado naquela peça-chave, aquela peça principal. Então, o símbolo maior é aquele foco ali. É o destaque que está simbolizando a história do enredo onde vem aqueles componentes que podem estar com a mesmo segmento de roupa, mas ali são vários componentes com uma roupa. E o símbolo maior ele tá ali no isolamento, ele tá isolado sendo focado. Então eu acho que é o símbolo maior, né do enredo tá ali. E a minha relação com eles… Nossa, é a energia, é que você olha ou para trás ou olha e ver na sua frente aquela ala toda é vibrando, cantando sambando, carregando aquele enredo, aquela história que é você que naquela hora ali eu esqueço que eu sou Nelcimar, eu lembro que eu sou o rei sol, eu sou Dom Pedro eu sou aquele anjo, eu sou aquela figura que está ali que eles estão cantando. Então é como se eu ali eu sou um símbolo maior, entendeu. E sendo aquele destaque. Não sei se dá para você entender a minha, o meu jeito, né, o que eu estou falando, né.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Nelcimar Pires: Olha eu sempre soube que a alma de uma escola tá na comunidade. Eu sempre gostei de escolas que tenham uma comunidade, uma comunidade forte. Eu sempre tive um grande sonho de desfilar numa Mangueira da vida. Por conta daquela energia da comunidade, mas sei que lá na Mangueira é tudo muito difícil, tudo muito complicado. Então foi que me fez até desistir de ter que desfilar em uma Mangueira na vida, né. Mas a comunidade é tudo! E eu bato palma que eu acho que a escola que mais traz uma comunidade eu acho, eu não sei, se entender muito, porque eu sou apenas um destaque, eu acho que a Mangueira e eu bato muita palma para isso. Então a comunidade é importantíssima para uma escola. E a minha relação com eles é tirar o chapéu, a roupa inteira para esses deslumbres, esses poderosos chamado os componentes de uma comunidade, porque eles para mim é a alma da escola. Então é o meu… Como que eu falo? Ai, espera aí, como que você falou aqui? É que eu leio e vou falando, né. A minha relação com uma comunidade é essa de ver a comunidade como as grandes estrelas daquela escola, porque a escola sobrevive por conta deles, entendeu? Muitos até quando botam as pessoas que vêm de fora, turista, a escola vem fria. Não é uma escola com garra, ela não vem forte, entendeu? Então eu vejo na comunidade uma peça fundamental para uma escola de samba.

Você falou, na resposta ao Milton, sobre os olhares de contemplação da beleza pelo público. Conte mais um pouco sobre esse momento de troca entre você e quem está te contemplando?

Nelcimar Pires: Bem, aquele pequeno texto que eu mandei por Milton. Aquilo ali é assim, como eu já te falei, é uma energia muito forte em você viver aquele momento, aquela hora aquilo é uma sensação única. Todo ano é a mesma coisa que eu sinto quando dá queima de fogos, que você vai entrar na Avenida, o coração bate na boca. Então você se sente, você vira o grande rei, aquela peça, aquela pequena peça, como eu falei lá aquela peça de um quebra-cabeça. Em média de 3500 pessoas peças, né. Então você é uma peça daquelas 3500 que estão todas se unindo para poder montar aquele quebra-cabeça para poder passar em uma avenida e roubar aqueles olhares de arquibancadas, camarotes, aqueles olhares que passam em segundos e muito pouco tempo, mas que é uma admiração e um sentimento que não sei descrever. Então você olha aqueles rostos desconhecidos, aquelas pessoas que você nunca viu na vida e que estão olhando, deslumbrando com aquela visão, né que é você. Você é a grande visão. Então não dá para descrever aquilo tudo, aquele fascínio e você ser aquele glamour. Que você esquece de tudo que você passou, as suas noites mal dormidas, seus dias mal vividos, é o valor que você gastou da sua roupa, que você acaba gastando por mais que você tenha materiais, que você guarde muita coisa como eu, eu cuido muito dos meus materiais, eu trato dos meus materiais como ninguém. Então eu tenho uma riqueza! Eu tenho broches que hoje ninguém tem esses broches, que eu comprei e que hoje eu nem sei se eu consigo comprar nos lugares onde eu comprei. Tem uns que eram na antiga Silmer que nem existe mais. Eu comprava meu material na antiga Silmer era maior… Mas então eu tenho esses materiais que eu sei que eu não vou ter mais, eu não desfaço, se eu tiver que vender uma roupa eu arranco esse material e guardo, entendeu? E eu tô eu tô fazendo isso. É o que eu acho dessa sua pergunta, e respondendo à pergunta passada sobre a crise… Eu acho que a crise ela pode até acontecer… Você lembra quando a ilha do governador veio toda colorida com aquele enredo: “Colorir, Olha aí o colorir…” Aquele enredo o que tinha… Gente, foi a maior riqueza aquilo ali para mim. Aquilo ali, na crise que a escola estava passando, ninguém dizia que ela tinha uma crise naquela época, porque ela veio… Eu me arrepio só em ter que te contar, falar isso, conversar isso aí com você… Então eu acho que a crise não existe quando você tem uma grande comunidade.

Também falou que o valor do destaque está além dos valores gastos com a fantasia. Qual o valor seria esse? O que ser destaque simboliza para você?

Nelcimar Pires: O valor que eu falei ali naquele texto que eu passei para o Milton, é um valor não é só financeiro que você tem. Os seus gastos, você abre mão, como já disse, abre mão de mil coisas para poder você ter que montar o seu destaque, para você ser aquele destaque ali. Então você abre mão de muitas coisas. Inclusive, quantas noites eu deixei de estar curtindo meu verão, de estar indo a um show com os meus amigos de beber, de fazer o que eu tenho vontade de fazer, porque eu tinha que tá montando meu destaque para poder desfilar na escola. E aqui o nosso verão é maravilhoso. Então tem vários shows, vários tudo! Então eu não tenho… Eu deixava de fazer tudo isso para poder eu estar terminando meu destaque. Então o grande valor do destaque é isso aí. É o valor além de financeiro que você tem um gasto absurdo para você ser aquele destaque, para você ser aquela peça que eu te falei, aquela peça fundamental de uma escola. E que o meu simbolismo desse destaque é isso, de você ser aquela estrela fazendo jus àquele enredo que foi oferecido, que foi entregue na tua mão. Aquela história que você é como um artista, um ator de uma novela que vai representar aquele papel, ele vai olhar aquele script, ela e vai ter que encarnar, ele vai ter que ser um louco, ele vai ter que ser um pobre, ele vai ser um milionário, ele vai ser uma pessoa do mal, uma pessoa do bem, ele vai ser uma coisa que não é ele. Então eu acho que o símbolo maior do destaque é isso aí de você representar uma história, eu acho. É mais ou menos por aí.

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Nelcimar Pires: Olha, como eu saio daqui de Campos, eu enfrento 5h30 em torno de viagem, né? Então, eu saio daqui de Campos geralmente 10 horas da manhã e vou direto para a Marquês de Sapucaí. Quando eu não vou direto, eu passo antes no barracão da escola para poder pegar alguma coisa que eu preciso ou saber de alguma coisa que ainda tem pessoas lá no barracão como todo ano eu faço, entendeu? Aí eu vou direto para avenida. Lá na avenida, eu procuro um lugar para ficar que geralmente eu fico, quando é no lado do Balança, eu fico lá naquele estacionamento que tem ali, na boca da avenida, na boca da concentração, né? Do curral, né, que a gente chama de curral de entrada. Tem um estacionamento maravilhoso que tem banheiro. Tem a TV que eu fico me controlando pela TV passando os desfiles. E ali a gente fica à vontade, a gente lancha, a gente come, conversa e fica batendo papo e ali a gente monta nossa rodinha, né, de desfile, aguardando a hora. Independente da hora da escola que geralmente é raro, eu acho que é raro de eu chegar lá que a escola é a primeira a entrar na avenida. Aí é sempre mais cedo, mas quando é da terceira escola para lá, eu sempre chego ali tipo 6h. Eu já vou descendo tudo do meu carro e vou carregando para o meu carro, o carro que eu vou desfilar. Então eu tento montar entre 6h/7h e eu deixo minha roupa montada, independente de eu estar dentro do curral ou fora, eu monto a minha roupa todinha logo e já deixo pronta e vou para me maquiar, entendeu?! Levo minhas roupas todas nas bolsas de nylon dublado para proteger. Quando é carrinho, eu não faço bolsa e tento fazer uma arrumação ali no meio do meu resplendor. Uma sacolinha dentro que eu adapto no resplendor para embrulhar bem as sacolas e saco de lixo e enfio tudo nessa bolsa, tá?! Para quando terminar o desfile, lá, porque não é a concentração e sim a dispersão. Que quando termina que você tem segundos para vir desmontando aquela roupa, porque os carros alegóricos estão indo embora. Então, às vezes, eu só vou terminar de desmontar minha roupa lá numa esquina, lá embaixo, entendeu? E, geralmente, por exemplo, eu na Imperatriz […] A Imperatriz me dá três apoios e minha mãe, como desfila também na escola, eles dão um apoio para minha mãe. Então, na verdade, eu fico com quatro apoios. E depois que tá tudo pronto nós vamos para avenida. Três ficam comigo e um fica com a minha mãe, entendeu? Mas na hora da montagem, que eu sempre gosto de arrumar tudo cedo, eu […] os quatro estão trabalhando comigo. Eu trago daqui de Campos, levo de Campos, tá? Não, não pego ninguém de lá e tudo. São pessoas que já estão totalmente preparadas aqui comigo, entendeu? Que sai daqui de Campos e quando tá um tempo complicado com chuva, alguma coisa assim, eu monto toda ferragem, todo bordado, e deixo tudo pronto lá no carro, né? E as embalagens de plumas todas dentro dos sacos de lixos amarrados e tudo em cima do carro. Quando já chego maquiado e que já está no curral e, passou um pouco a chuva, eu vou monto a plumagem toda que ainda eu tenho uma hora para poder antes de começar […] eu cálculo mais ou menos uma hora para mim, entendeu, só para botar pluma. Porque eu já tô pronto e botar a roupa eu me visto rápido. Minha roupa, graças a Deus, eu sempre faço de um modo que eu posso […] que eu me visto bem rápido, apesar de ser muito pesada, eu deixo para vestir quase no último furo, né? A desmontagem é aquela loucura, né? Desmontar roupa é como eu te disse, é como desmontar uma alegoria andando. Eu saio daqui de Campos em uma Sprinter. Eu sempre alugo uma Sprinter que fica comigo à disposição, o motorista que ele me cobra R$ 1.500. Eu pago essa Sprinter, ela fica comigo direto até terminar o desfile, para poder voltar para Campos. Terminou o desfile, catei tudo, enfiei tudo dentro do saco, joguei dentro da Sprinter que a Sprinter eu levo com reboque, entendeu? Então geralmente[…] aí eu divido parte no reboque, parte dentro da Sprinter. Eu tento colocar o máximo de coisa no reboque que o meu reboque é muito grande. Ele cabe todas as peças maiores, pedaços das armações. Tudo que eu faço é bem desmontado, mas cabe tudo no reboque para dar mais conforto aos meus auxiliares, né? As pessoas estão indo para os meus apoios para poder […] que na volta é muito cansativo, né? Porque são 5h de volta, 5h30 de volta. Aí quando chego, eu tenho que parar o carro e tirar tudo da Sprinter, botar para dentro da minha casa para essa Sprinter ir embora com Deus. E assim é durante […] foi […] são mais de 20 anos de carnaval no Rio de Janeiro, fazendo essa brincadeira de viagem, né, com relação com o carnaval. Tem que amar muito, gostar muito disso.

‘Não há motivo para colocar dinheiro numa atividade privada’, diz Fred Luz sobre subvenção para o carnaval

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Fred Luz01Dando sequência à série de entrevistas com os candidatos à Prefeitura do Rio, o site CARNAVALESCO conversou com Fred Luz, postulante ao Palácio da Cidade pelo Partido Novo. Os cariocas decidem no próximo dia 15 de novembro quem vai administrar o município entre 2021 e 2024.

Fred Luz é o que se costuma dizer em política, outsider, ou seja não possui carreira na política, nunca ocupou qualquer cargo público no legislativo ou executivo e participa pela primeira vez de um pleito eleitoral. O empresário foi CEO do Clube de Regatas do Flamengo entre 2014 e 2018, além de diretor comercial das Lojas Americanas.

Confira abaixo a entrevista com Fred Luz:

Fred Luz02A atual gestão comandou uma cruzada contra o carnaval e as escolas de samba. A sua gestão vai dar apoio institucional e financeiro à festa?

Fred Luz: “Era de se esperar a cruzada, quando o Rio escolheu um Bispo da Igreja Universal. Uma cruzada estúpida, porque o carnaval faz parte da história e da cultura do carioca. Mas, o outro extremo, a posição de colocar dinheiro nos desfiles, também é ruim para uma Prefeitura que tem a obrigação de garantir ao povo os direitos fundamentais. A minha posição é não atrapalhar a realização dos desfiles e entender que eles são negócios altamente lucrativos para a iniciativa privada com repercussões positivas para a imagem do Rio. Não há motivo para colocar dinheiro numa atividade privada ou em eventos que por si sós são autossustentáveis.”

As escolas da Série A tem cada vez mais dificuldades em construir o seu desfile sem barracões. Qual a sua opinião sobre a Cidade do Samba 2?

Fred Luz: “Sou a favor da criação de um calendário de eventos de carnaval para o ano inteiro que contemple também a Cidade do Samba. Depois que passa o evento, o Sambódromo fica praticamente sem nada o ano inteiro! Isso é um absurdo! A Prefeitura pode ajudar os organizadores do Carnaval a criar este calendário para eventos durante todo o ano, no Sambódromo e na Cidade do Samba, e envolvendo todos os grupos de escolas. Atraindo patrocinadores, todos terão renda para melhorar seus sistemas de produção e criação e ainda poderão empregar muito mais gente nestas atividades.”

Fred Luz03Como a prefeitura pode fomentar o carnaval de rua e os blocos, que trazem milhares de turistas para a cidade no período de carnaval?

Fred Luz: “Fazendo o que uma administração que se preocupa com a população e os turistas deve fazer: dando segurança, ajudando na organização e mantendo um serviço de limpeza eficiente.”

O que você considera que deva ser feito com o Sambódromo? Passar ao governo estadual ou manter com a prefeitura?

Fred Luz: “O Sambódromo é um equipamento da Prefeitura mas os eventos devem ser realizados pelos organizadores do Carnaval. Não é possível que um evento deste porte, que desperta a atenção do mundo inteiro, não possa ser sustentável financeiramente. É questão de planejamento e gestão. Além disso, temos que lembrar que a Prefeitura se encontra em dificuldades financeiras sérias e a prioridade precisa ser prestar serviços públicos de qualidade para quem mais precisa, na saúde, na educação, na segurança e no transporte público.”

Fred Luz04Como a sua candidatura enxerga a importância do carnaval para a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro?

Fred Luz: “O Carnaval é um evento importantíssimo para a cidade. Fonte de atração de turistas, de arrecadação de impostos e de movimentação da economia do município. Minha proposta é que a Prefeitura apoie o Carnaval prestando serviços de alta qualidade na preparação da cidade para que a população e os visitantes possam aproveitar ao máximo, com conforto e segurança. O Carnaval é um evento internacional e tem todas as condições de ser maravilhoso, sem a necessidade de gastar os recursos públicos com os desfiles.”

Após oito meses, Feijoada da Família Portelense retorna neste sábado

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Portela Novembro01Depois de oito meses sem realizar eventos por conta da pandemia, a maior campeã do carnaval carioca vai reabrir suas portas neste sábado (7), a partir das 13h, com a tradicional Feijoada da Família Portelense. No intuito de receber o público com segurança, a diretoria elaborou um rígido protocolo, contemplando todas as “Regras de Ouro” da Vigilância Sanitária e da Secretaria Municipal de Saúde. Profissionais dos dois órgãos estiveram na quadra especialmente para uma reunião com a equipe que atuará no evento. Para quem ainda não se sente à vontade para sair de casa, a escola, que será a primeira do Grupo Especial a retomar shows de grande porte, vai continuar oferecendo o prato de feijoada pelo sistema delivery.

Assim como aconteceu em teatros, cinemas e casas de shows da cidade, a Portela promoveu mudanças na estrutura e na organização do evento, visando atender às normas da prefeitura. Os ingressos, por exemplo, só serão vendidos pela internet. O público deverá optar pela compra de mesas ou camarotes, e não haverá pista. Vale ressaltar, ainda, que não serão vendidos ingressos no dia do evento, que teve sua capacidade de público reduzida pela metade.

As mesas estarão dispostas respeitando a distância mínima de dois metros entre cada uma, e não será autorizada a junção de mesas. Camarotes inferiores e superiores vão receber apenas oito pessoas. Além disso, a compra de bebidas e de feijoada deverá ser feita diretamente com garçons, que vão levar os produtos até o cliente.

Funcionários e integrantes de uma comissão montada exclusivamente para a Feijoada estarão identificados e prontos para orientar o público, evitando qualquer tipo de aglomeração. Com o auxílio de grades, haverá controle de entrada e saída na portaria principal e nos banheiros. O Portelão vai receber dispensers de álcool em gel, sinalização especial e tapetes higienizadores, e o uso de máscaras será obrigatório durante todo o evento.

A Velha Guarda Show, tradicional anfitriã da festa, será poupada. Mas o cardápio musical está recheado de talentos portelenses: grupo Samba dos Crias, grupo Tempero Carioca, Flavia Saolli, Sandra Portella e Wanderley Monteiro. O encerramento será com um grande show dos segmentos da Portela, reunindo ritmistas, intérpretes, passistas e casal de mestre-sala e porta-bandeira. No repertório, pérolas de compositores da Azul e Branco, clássicos do samba e sambas-enredos antológicos.

Cercada de todos os cuidados, a Majestade do Samba está ansiosa para reencontrar seus componentes e torcedores. Chega de saudade, não é mesmo? No entanto, se você preferir encomendar a feijoada pelo sistema delivery, basta acessar o site www.sociosdaportela.com.br/feijoada e garantir seu kit, que também poderá ser retirado na quadra (opção drive thru).

O documento completo com o protocolo sanitário de segurança está disponível no site oficial da Azul e branco.

Serviço:

Feijoada da Família Portelense – edição especial de novembro
Data: Sábado, dia 7 de novembro de 2020
Horário de início: 13h
Término: 22h
Atrações: grupo Samba dos Crias, grupo Tempero Carioca, Flavia Saolli, Sandra Portella, Wanderley Monteiro e Portela Show

Preços:

Mesa com quatro lugares: R$ 100 (+ taxa de R$ 10)
Camarote inferior (oito lugares): R$ 300 + (taxa de R$ 30)
Camarote superior (oito lugares): R$ 500 + (taxa de R$ 50)
Classificação etária: 16 anos
O prato de feijoada custa R$ 25 e é vendido à parte. Nenhum setor inclui a feijoada no preço do ingresso!

Venda de ingressos (somente pela internet)
www.ingressocerto.com/feijoada-da-familia-portelense07-11

Venda de feijoada delivery
www.sociosdaportela.com.br/feijoada

Avisos importantes:

– A bilheteria da quadra estará fechada no dia do evento.
– Sócios estatutários (beneméritos, proprietários e contribuintes) da Portela deverão entrar em contato com a secretaria antecipadamente para receber o voucher de entrada. A mesma regra vale para sócios-torcedores das categorias que têm direito à entrada.
– Como a organização do evento precisa ter um controle prévio do número de ingressos disponibilizados, não serão aceitas carteirinhas de agremiações coirmãs na portaria.
– Não será permitida a entrada de menores de 16 anos.

Morre Lan, portelense apaixonado e enredo da Renascer em 2014

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O chargista e caricaturista Lan, de 95 anos, faleceu nesta quinta-feira. Ele ele estava internado há dois meses, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em Petrópolis.

Sócio benemérito da Portela e apaixonado pela escola, Lan também foi enredo da Renascer de Jacarepaguá no Carnaval de 2014 com o enredo “Olhar Caricato, Simplesmente Lan”, de autoria do carnavalesco Marcus Ferreira, campeão pela Viradouro em 2020, e que escreveu sobre o falecimento de Lan.

“Perdemos a genialidade, a humildade, o talento. Um dos prazeres de ser artista do carnaval: Levar a história de tanta gente boa do nosso país. Seguimos querido Lan, defendendo o que lhe mais deu prazer na vida. Viver ao lado da nossa gente do samba. Prazer lhe conhecer em vida. O levarei comigo. Até breve! Deus te guarde, mestre das artes brasileiras”.

lan

“Mais do que um artista genial, portelense ilustre e sócio benemérito da escola, Lan foi um grande defensor do samba e da cultura brasileira. Nós, portelenses, só temos a agradecer por todo o carinho e respeito que ele sempre teve com a nossa escola. Nosso consolo é que o seu amor pela Portela ficou registrado em livros, capas de discos e charges, e as novas gerações poderão conhecer este trabalho tão espetacular. Obrigado, Lan”, exaltou o presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães.

Nascido na Itália, em 1925, Lanfranco Aldo Ricardo Vaselli Cortellini Rossi Rossini se mudou ainda criança para o Uruguai. De 1945 a 1946, ele começou sua trajetória artística nos jornais Mundo Uruguaio e El País. Em 1952, durante uma visita ao Rio, deslumbrou-se com a geografia carioca, com a alegria do povo, o carnaval e as mulheres brasileiras.

Em seguida, foi convidado por Samuel Wainer a trabalhar no jornal Última Hora, onde começou a ganhar notoriedade. Sua trajetória inclui, ainda, vitoriosas passagens pelo Jornal do Brasil, onde ficou 30 anos, e por O Globo, onde assinava a coluna semanal “Cariocaturas”.

Reconhecido como um dos mestres do seu ofício no Brasil, ganhou fama internacional por retratar as suas grandes paixões nos desenhos (o Rio, as mulheres, a Portela e o Flamengo). Sua obra inspirou nomes como Ziraldo, Paulo Caruso, Chico Caruso, entre outros importantes chargistas brasileiros.

Há 40 anos, Lan e a mulher, Olívia Marinho, ex-passista do Salgueiro, escolheram Petrópolis como refúgio. Só no sítio, que fica no distrito de Pedro do Rio, ele mantinha em seu ateliê mais de 5 mil caricaturas. Ele também era cunhado do escritor, ator e comentarista de carnaval Haroldo Costa.

Em 1972, Lan foi agraciado com o título de Cidadão Honorário da cidade do Rio pela Câmara Municipal. Ainda foi condecorado com a Medalha Pedro Ernesto e o título de Cidadão Honorário de Petrópolis.

A relação de Lan com a Portela começou na década de 60, quando o artista se aproximou de compositores como Monarco e outros bambas da Velha Guarda. Em 1976, fez a capa do primeiro disco de Monarco.

Em 1979, o amor de Lan pelo samba gerou um grande tributo exibido pelo “Fantástico”, da TV Globo. No clipe “Lan, Vou Sair na Sua Escola”, nomes como Monarco, Alvaiade, Cartola, Dona Neuma, Xangô da Mangueira e Dominguinhos do Estácio, entre outros, cantarolavam a canção homônima enquanto charges do artista apareciam para o público.

Na década de 1980, os traços geniais de Lan estamparam o LP “Grandes Sambistas: Velha Guarda da Portela”. Em 2001, ele foi convidado a produzir dezenas de charges para o livro “A Velha Guarda da Portela”, de João Baptista Vargens e Carlos Monte, que contava a história da Velha Guarda Show da agremiação.

Em 2013, recebeu o título de sócio benemérito da Portela, das mãos do então presidente Serginho Procópio e do vice Marcos Falcon. Ao vencer a eleição daquele ano, a chapa Portela Verdade, logo em seus primeiros atos, fez questão de reativar o título de sócio do artista. O mesmo havia sido perdido nos registros de administrações anteriores. Em 2017, a Portela concedeu a Lan a medalha Paulo da Portela, a maior honraria da agremiação. Em 2019, foi tema do enredo da escola mirim da Portela, a Filhos da Águia.

Unidos da Tijuca reabre a quadra no domingo com feijoada e shows de samba

Domingo é a data marcada para o retorno das atividades presenciais na quadra da Unidos da Tijuca. A partir das 13h acontece o primeiro Pagode do Mestre presencial após um longo período de quadra fechada devido à pandemia.

Cumprindo todas as normas exigidas pelos órgãos e pensando no bem-estar e segurança do público, a entrada será restrita em 1/3 da capacidade total da quadra e com mesas cumprindo o distanciamento exigido, dentro dos protocolos de saúde.

feijoada mestre

A atração deste mês é a roda de samba do Grupo Arruda, Wantuir e bateria Pura Cadência. A rainha Lexa é presença confirmada. A entrada custa R$ 20 (com limitação de público). As mesas estão esgotadas. A feijoada poderá ser degustada por apenas R$ 25,00. Informações: (21) 98165-1753 / 21 99441-2080. A quadra da escola fica situada à Avenida Francisco Bicalho n° 47 – Santo Cristo.

Serviço:

Feijoada Nota 10 da Unidos da Tijuca – Pagode do Mestre
Data: 08/11/2020
Atrações: Roda de Samba do Grupo Arruda, Wantuir e Bateria Pura Cadência
Horário: 13h
Endereço: Avenida Francisco Bicalho nº 47 – Santo Cristo
Classificação: Livre
Pista: R$ 20,00
Mesas: Esgotadas

Morre Elisabete Nunes, ex-presidente do Salgueiro

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Faleceu na quarta-feira, a ex-presidente do Salgueiro, Elisabete Nunes, aos 73 anos, vítima de uma parada cardíaca, após estar internada para tratar uma inflamação renal. Ela comandou a Academia do Samba de 1986 a 1988.

Confira o texto publicado nas redes sociais do Salgueiro

elisabete

“Família, quiséramos que os nossos fossem imortais mas, infelizmente, é algo que foge da nossa capacidade. Mas, ainda assim, temos o alento de saber que, dentro da nossa história, capítulos importantes são escritos e eternizados por pessoas que colocaram sua alma e seu coração neste solo vermelho e branco que, para nós é sagrado. Com muita dor recebemos a notícia do falecimento da ex-presidente Elisabete Nunes na tarde desta quarta-feira, 04 de novembro. Sim, mais uma vez o luto e a tristeza batem à nossa porta e, neste momento pedimos a todos vocês que são parte desta família, que derramem todo o seu amor à querida Liesbeth e seus familiares”.

Eduardo Paes: ‘Vou tirar o projeto da Cidade do Samba 2 do papel’

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Paes04O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) é o terceiro entrevistado da série de entrevistas que o site CARNAVALESCO vem realizando com os candidatos à Prefeitura do Rio. A gestão de Paes (2009-2016) foi apontada como a melhor da história para o carnaval. Paes reformou e ergueu quadras do zero para tradicionais agremiações, subsidiou os desfiles com um subvenção e era nítido que ele foi um prefeito sambista, sempre presente nops desfiles e feijoadas quando era possível. Tudo isso fez com que o ex-prefeito recebesse nesta campanha o apoio institucional das agremiações para o pleito de 15 de novembro.

Eduardo Paes é afilhado político de Cesar Maia, outro prefeito que possui muito cartaz com o sambista (foi Maia quem ergueu a Cidade do Samba). Na primeira gestão do tradicional político, Paes foi sub-prefeito da Zona Oeste, entre 1993 e 1997. Nas eleições de 1996, foi eleito vereador pela primeira vez na capital fluminense. Sua ascenção na política foi meteórica e ele sequer cumpriu uma legislatura completa, pois foi eleito deputado federal em 1998. Permaneceu na câmara por duas legislaturas, até sair em 2007. Com a vitória de Sérgio Cabral para o Governo do Estado em 2006, Pares se tornou secretário de Turismo, Esporte e Lazer. Nas eleições de 2008, apoiado pelo governador, Paes se elegeu prefeito em uma apertada votação no segundo turno contra Fernando Gabeira. Em 2012 foi reeleito no primeiro turno. Deixou a prefeitura em 2016 e não conseguiu fazer o seu sucessor. Em 2018 Paes foi derrotado no pleito para o Governo do Estado pelo ex-juiz Wilson Witzel (PSC).

Confira a entrevista com Eduardo Paes:

Paes03A atual gestão comandou uma cruzada contra o carnaval e as escolas de samba? A sua gestão vai dar apoio institucional e financeiro à festa?

Eduardo Paes: “Sempre apoiei o carnaval não porque amo a Portela, as escolas, o samba. Sempre separei meus gostos pessoais dos meus deveres institucionais como prefeito. O carnaval é uma manifestação cultural fantástica e que tem um impacto econômico importantíssimo na cidade do Rio. Isso tudo tem a ver com a nossa identidade, com o jeito de ser do carioca, uma marca que exportamos para outros lugares do Brasil e do mundo. Quando fui prefeito me dediquei a reformar as quadras das escolas de samba porque o meu objetivo era dar sustentabilidade a elas. Porque essa dependência do poder público, de um patrono não é o ideal e as agremiações são muito maiores do que isso. O caminho ideal é o poder público oferecer condições de sustentabilidade, para que as escolas se tornem independentes. E é isso que vou fazer ao dar o apoio que sempre dei.”

Paes02As escolas da Série A têm cada vez mais dificuldades em construir o seu desfile sem barracões. Qual a sua opinião sobre a Cidade do Samba 2?

Eduardo Paes: “Sou totalmente a favor e quis construir a Cidade do Samba 2, só que o mundo e o Brasil enfrentaram uma grave crise econômica nos meus últimos anos de governo e não consegui fazer. Mas cheguei a comprar um terreno que era do Exército para erguer a Cidade do Samba 2, destinada às escolas do Grupo de Acesso. O local é ao lado do Maracanã, de fácil acesso, próximo ao Morro da Mangueira e do Sambódromo. Infelizmente, o prefeito atual nada fez lá e esse é um projeto que vou tirar do papel.”

Como a prefeitura pode fomentar o carnaval de rua e os blocos, que trazem milhares de turistas para a cidade no período de carnaval?

Eduardo Paes: “Essa resposta temos de pensar em dois cenários. O primeiro, em 2021, sem a vacina para o Covid-19, que poderemos não ter ainda em fevereiro e precisaremos atuar com bom senso. É preciso que iniciativa privada e a Prefeitura do Rio atuem em parceria para evitar aglomerações e seguir os limites sugeridos pela medicina. Em 2022 ou até 2021 com um carnaval fora de época, com todos vacinados, vou continuar a incentivar como sempre fiz. Tanto que foi durante as minhas duas gestões à frente da prefeitura do Rio que o carnaval de rua e os blocos renasceram e atingiram a dimensão que têm hoje. Por isso, terei não só esse compromisso com o apoio institucional, mas também com o financeiro, com a celebração de parcerias público-privada, como já fizemos.”

Paes01O que você considera que deva ser feito com o Sambódromo? Passar ao governo estadual ou manter com a prefeitura?

Eduardo Paes: “Com toda a certeza, permanecer com a prefeitura. Não existe qualquer possibilidade de, em minha gestão, eu abrir mão do Sambódromo.”

Como a sua candidatura enxerga a importância do carnaval para a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro?

Eduardo Paes: “Como já disse, o carnaval é uma manifestação cultural fantástica e que tem um impacto econômico importantíssimo na cidade do Rio. Por isso, o prefeito precisa entender e ter a compreensão de que o Carnaval é um importante ativo e que movimenta a economia da cidade. Um Carnaval chega movimentar mais de R$ 2,5 bilhões e gera milhares de empregos. O que precisa é ser gestor, saber administrar e ter compreensão institucional. Infelizmente, o maior problema do prefeito Marcelo Crivella não foi de ter deixado de dar o subsídio, algo que por si só é grave, mas o pior foi a falta de respeito com a importância cultural do carnaval. E ele foi covarde ao falar: ‘vou tirar recursos do carnaval para colocar nas creches’. Isso é uma maneira de tentar colocar a população contra o carnaval. Como se R$ 10 milhões tirados do carnaval fossem recuperar todas as creches. Por exemplo, o orçamento da Educação são R$ 5 bilhões e, neste caso, R$ 10 milhões não iriam fazer tanta diferença. Como prefeito, vou trabalhar para recuperar não só carnaval, mas para que todos os grandes eventos na cidade voltem a ter a importância e a magnitude que merecem e que são tão importantes para a cultura e para a economia da nossa cidade.”

União da Ilha apresenta ‘time dos sonhos’ para lutar pela volta ao Grupo Especial

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A União da Ilha do Governador apresentou, na noite dessa terça-feira, a equipe que será responsável por desenvolver o próximo carnaval da agremiação. O evento realizado na quadra da escola, o primeiro após liberação do funcionamento deste tipo de espaço pela Prefeitura do Rio, contou com a presença de representantes dos segmentos, de membros da diretoria e de presidentes de alas. Além da apresentação dos novos contratados, houve ainda o lançamento oficial da logomarca da reedição de “Fatumbi – A Ilha de Todos os Santos”. O site CARNAVALESCO esteve presente e conversou com o presidente da tricolor insulana, Djalma Falcão, acerca do time formado pela Ilha.

“É uma equipe que qualquer escola gostaria de ter. Uma equipe que às vezes até eu fico surpreendido em ter conseguido montar em tão pouco tempo. Quando saiu o resultado na quarta-feira de cinzas, na sexta-feira eu já estava jantando com Severo (Luzardo, carnavalesco), na semana seguinte já tinha falado com o Dudu (Azevedo, diretor de carnaval e harmonia) e o Wilsinho (Alves, diretor de carnaval e harmonia), dez dias depois já estava com os coreógrafos… Fizemos um time de alta qualidade, um time de estrelas, um time que tem condições de obter grandes notas na Avenida”, afirmou Djalma.

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O presidente insulano ainda falou o que espera do próximo desfile da União da Ilha, que após onze anos consecutivos na elite do carnaval carioca, terá de encarar a Série A. Na visão de Djalma Falcão, apesar das adversidades oriundas do grupo, a escola fará um grande espetáculo em 2021.

“A expectativa é a melhor possível. A gente sabe que a escola que concentra bem, desfila bem. Quando eu digo concentrar, não quer dizer só aquela concentração ali da Sapucaí. Nós hoje estamos começando nossa concentração com a apresentação da equipe. É a partir de hoje que começa o desfile a ir para o papel, com o desenho dos carros, das fantasias, até chegar na concentração presencial, que é ali antes de entrar na Avenida. Acho que nós temos elementos e condições de alcançar grandes resultados, gabaritar em várias quesitos. Vamos enfrentar as dificuldades de sempre e de todos que a parte financeira, que agora com o Coronavírus então, é ainda mais complicada. Posso dizer que o grande desafio da União da Ilha vai ser isso: como fazer um grande carnaval com pouco dinheiro”, declarou.

Noite de apresentações

A noite teve início com uma palestra motivacional ministrada por Cahê Rodrigues, um dos carnavalescos da agremiação. Intitulada de “Eu acreditei. E você?”, a palestra remonta toda a história de superação vivenciada por Cahê e equipe na reconstrução do carnaval de 2011 da Acadêmicos do Grande Rio, escola mais atingida pelo trágico incêndio em três barracões da Cidade do Samba.

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Logo depois, teve início a apresentação da equipe da União da Ilha para o próximo carnaval, justamente com os carnavalescos. Cahê Rodrigues fez um discurso emocionado acerca da parceria inédita com Severo Luzardo, que após um ano afastado da festa, retorna para folia carioca e para tricolor insulana. Na sequência, Severo subiu ao palco e, em fala breve, prometeu trazer de volta para escola uma estética requintada, ausente no último desfile.

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“Meu relacionamento com o Severa é de amizade, a gente é muito próximo. É um profissional, um artista, que eu tenho profunda admiração. É um amigo que o samba me deu. Então poder dividir um trabalho com o Severo, na União da Ilha, escola na qual ele fez grandes trabalhos, tem sido de muita alegria. E o carinho e respeito mútuo que temos são ingredientes muito saudáveis e positivos para essa parceria. Posso dizer que, da minha parte, eu estou muito feliz. E tenho certeza que o Severo também está muito feliz com essa parceria”, comemorou Cahê.

Em seguida, foi a vez de Dudu Azevedo e Wilsinho Alves subirem ao palco. Os dois irão trabalhar pela primeira vez juntos no comando da direção de harmonia e carnaval da União da Ilha.

“O grande lance da União da Ilha esse ano é trazer pessoas identificadas com a escola, que sejam profissionais vitoriosos. Tanto eu tenho meus compromissos fora do carnaval, quanto o Dudu tem agora com a Beija-Flor, e a gente conseguiu juntar nossos trabalhos da melhor maneira possível. Nossas ideias de carnaval convergem muito, elas são muito parecidas. Eu bebo muito da fonte, já até falei isso outras vezes, do Laila na Beija-Flor da década de 2000, de outros caras que me ajudaram como o seu Elmo da Mangueira, dos desfiles da própria Estação Primeira no início dos anos 2000. E o Dudu tem uma pegada que agora também vem de Beija-Flor e a gente está casando muito bem. Sempre fomos amigos, sempre admirei o trabalho dele, agora estamos tendo a oportunidade de dividir a harmonia e a direção de carnaval aqui da Ilha e não vai ter problema nenhum não. Quando você gosta de carnaval e vê que a pessoa do teu lado também entende, é tranquilo”, relatou Wilsinho Alves.

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Ainda em conversa com o site CARNAVALESCO, Wilsinho contou como é a experiência de planejar um carnaval em meio às incertezas que rodam a festa, que vão desde a ausência de uma data para acontecerem os desfiles até quais serão os parâmetros de disputa. Para o diretor, a pandemia do novo Coronavírus, mesmo controlada futuramente, já provocou profundas mudanças na folia carioca.

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“Nossa percepção de carnaval mudou muito de março, do início da pandemia, para agora. Tanto que a gente também deu uma mudada na questão do enredo, estava tendendo para ser uma outra reedição, mas foi para esta agora. E explicando a questão de ser uma reedição, as pessoas que são de fora da União da Ilha não entendem como é a disputa de samba na Ilha do Governador, que é uma disputa muito bairrista e que gera uma série de celeumas. Esse ano, como a escola teve o descenso, a gente queria unir a todos, sem ter este tipo de celeuma. Por esse motivo, a gente achou que uma reedição seria o melhor caminho neste sentido e todo mundo abraçou”, explicou.

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Dudu e Wilsinho ainda foram os responsáveis por apresentar os demais reforços da agremiação, como os novos coreógrafos da comissão de frente Rodrigo Negri e Priscila Motta, que irão fazer jornada dupla, conciliando os trabalhos na Ilha com os na Estação Primeira de Mangueira, no Grupo Especial.

Outro reforço oficialmente apresentado foi o mestre-sala Raphael, que terá a missão de dançar pela primeira vez na carreira com a porta-bandeira Dandara Ventapane, que ocupa o posto desde 2017. A dupla conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO e comentou como está sendo o começo da parceria entre eles.

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“Está sendo muito bom esse início de parceria. A gente já começou também nossos encontros em questão de dança, então a gente vê a sintonia surgindo, a afinidade sendo criada. Um vai completar o outro, naquilo que precisava no momento. A gente está bem contente até aqui e projetando mil coisas para esse novo enredo”, pontuou Dandara.

“É aquele ditado: a gente já se encontrou em vidas passadas e está dando continuidade agora. Não posso dizer que este início de parceria foi perfeito, porque nada é perfeito. A gente está sempre em busca do melhor e assim estamos indo. O caminho é longo, porém está sendo feito em conjunto, lado a lado”, complementou Raphael.

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A noite de apresentações terminou com a divulgação da logomarca oficial do enredo para o próximo carnaval, no caso a reedição de “Fatumbi – A Ilha de Todos os Santos”, que originalmente foi desenvolvido pelo carnavalesco Milton Cunha, em 1998. Houve ainda um show da Baterilha e do intérprete Ito Melodia ao som do samba imortalizado na voz de Rixxah.