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Retrospectiva 2020: Janeiro marcado com a polêmica na eleição da corte e Sambódromo sem os ensaios técnicos

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‘Torcemos que o ano de 2020 seja de mudança‘. Esse foi o desejo do editoria publicado pelo site CARNAVALESCO no primeiro dia de 2020. O texto tinha a intenção de pedir uma nova guinada nos rumos do carnaval. Não imaginávamos, entretanto, que enfrentaríamos o ano mais difícil deste século para toda a humanidade. Após o carnaval, a pandemia do novo Coronavírus mudou a vida de todos. Como se tornou tradição em nosso site, iniciamos com este texto a contar a história do histórico 2020 para o carnaval e os sambistas. Nesta primeira matéria relembraremos o mês de janeiro.

Janeiro – Sambistas sem ensaio técnico novamente. CARNAVALESCO intensifica cobertura na rua

Nos primeiros dias de 2020 o site publicou o resultado do júri com os especialistas que apontaram os melhores sambas no Rio (Especial e Série A) e São Paulo. Mas o que trazia grande angústia a escolas e sambistas era novamente a grande indefinição que cercava a realização ou não dos ensaios técnicos. Evento tradicional no calendário da folia até o ano de 2017, apenas em duas ocasiões eles foram realizados durante a gestão de Marcelo Crivella. No início do mês o governo do estado se reuniu com as escolas prometendo ajuda. Entretanto, a Liesa descartou a realização dos ensaios logo em seguida.

Alheio a essa indefinição, o site CARNAVALESCO tratou de não deixar o seu público sem o modelo de cobertura da competição. Ainda em 2019 iniciamos a cobertura dos ensaios de rua, intensificadas em janeiro e fevereiro de 2020 até a realização dos desfiles. 2020 marcou também o crescimento da cobertura dos ensaios em São Paulo com uma equipe exclusivamente locada na capital paulista.

Janeiro foi marcado por muitas polêmicas. A primeira envolveu a São Clemente. Temeroso que a agremiação fosse novamente prejudicada com o julgamento de bandeira, o carnavalesco da escola na época, Jorge Silveira pediu que a escola fosse respeitada. O presidente Renatinho foi outro que criticou a forma com que a escola era tratada dentro da Liesa. O que se viu no desfile entretanto foi novamente um rigor excessivo com a escola.

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Em 2020 a escolha da tradicional corte que representaria a folia até o carnaval foi cercada de polêmicas. O evento aconteceu na praia de Copacabana. A paulistana Camila Silva foi eleita a rainha. Uma das princesas não se conformou com a decisão do júri formado pela Riotur e reclamou o fato de uma mulher de fora do Rio ter sido escolhida. O mundo do carnaval saiu em defesa de Camila, causando um grande mal-estar dentro da própria corte.

Evelyn Bastos sobre o ano de 2020: ‘Vimos o quanto é necessário pensar e cuidar do outro’

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Rainha de bateria da Estação Primeira de Mangueira e uma das responsáveis pelo projeto social SAC (Samba Amor e Caridade”, Evelyn Bastos, conversou com o site CARNAVALESCO, após a Ação de Natal com os moradores em situação de rua no Centro do Rio de Janeiro.

A mangueirense explicou que após o Natal diferente, com distanciamento social e poucos familiares, a virada do ano deverá ser para reflexão de todos.

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“O Natal foi diferente. O dobro de sentimento de todos os outros. Foi um ano que fez a gente refletir muito. A virada do ano que seja de reflexão. Vimos o quanto é necessário pensar e cuidar do outro. Nos aproximamos de nós mesmos, de quem nós somos, valores da vida e sentimentos. Que seja um fim de ano repleto de amor e que todos pensem positivo, emanando a melhor energia que guardamos, porque 2021 precisa ser uma renovação”, disse Evelyn Bastos.

A rainha de bateria da Mangueira contou que já esperava um número maior de pessoas em situação de rua na Ação de Natal, mas que a quantidade foi além do previsto, já que a pandemia da Covid-19 afetou completamente a vida da população.

“A gente já esperava um movimento maior esse ano. Foi muito maior com as pessoas com necessidade de comida ou água. Ver isso é muito ruim, porque sempre queremos que a população de rua diminua. Muita criança e o desespero de todos é grande. Viemos para ajudar e unirmos nossas mãos. Essa população não é vista pelo poder público. Nunca existiu um projeto eficiente para essas pessoas tão necessitadas. A gente que ganha o presente nessa ação, saímos gratificados por podermos fazer o bem. Ainda tenho esperança, acredito que um dia ainda vamos mudar essa situação”, afirmou Evelyn Bastos.

Ação do site CARNAVALESCO com sambistas e projetos sociais distribui mais de 500 quentinhas no Centro do Rio

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A solidariedade faz parte do cotidiano dos sambistas. Juntos, sempre mudaram suas histórias. Em tempos de pandemia da Covid-19, os projetos sociais foram fundamentais para manterem vivos os sonhos de milhares de funcionários/colaboradores das escolas de samba. Em mais de cinco anos, o site CARNAVALESCO participa da Ação de Natal com o projeto SAC (Samba Amor e Caridade). Esse ano, o encontro teve a entrada especial de dois outros projetos: Só Vamos e Sefras. Dessa vez, o local escolhido foi o Largo da Carioca, no Centro do Rio, e, o local ficou lotado de moradores em situação de rua que esperavam suas refeições, água, refresco, serviços de saúde e alguns presentes, como mochilas, roupas e até brinquedos. Foram distribuídas mais de 500 quentinhas.

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“Infelizmente, desde que começou a pandemia, a gente viu o crescimento da população de rua. A gente já esperava um movimento maior esse ano. Foi muito maior com as pessoas com necessidade de comida ou água. Ver isso é muito ruim, porque sempre queremos que a população de rua diminua. Muita criança e o desespero de todos é grande. Viemos para ajudar e unirmos nossas mãos. Essa população não é vista pelo poder público. Nunca existiu um projeto eficiente para essas pessoas tão necessitadas. A gente que ganha o presente nessa ação, saímos gratificados por podermos fazer o bem. Ainda tenho esperança, acredito que um dia ainda vamos mudar essa situação”, disse Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira e uma das responsáveis pelo projeto SAC.

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Criador do projeto Só Vamos, Ronaldo Ferreira, explicou que a ação nas ruas funciona todo os dias, não apenas no Natal, e que o desejo para 2021 é cada vez mais unir forças em prol de quem necessita de ajuda.

“O desespero pela fome refletiu no número de pessoas. É a luta para garantir a refeição. Temos completa noção que muitas pessoas não comiam há dois dias. Podemos dar bolo, água, guaraná natural. A galera nas ruas demanda muito mais que comida. Querem também conversar e serem ouvidos. A lição que fica de 2020 é a união. O ano foi muito ruim e conseguimos nos unir para fazer diferença e algo pelo próximo.

‘A fome aumentou’, diz Selminha Sorriso, durante ação com moradores em situação de rua no Centro do Rio

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Referência como porta-bandeira e sambista, Selminha Sorriso é presença certa na Ação de Natal feita pelo site CARNAVALESCO, além dos projetos SAC, Só Vamos e Sefras. A pandemia da Covid-19 levou ainda mais pessoas para viverem nas ruas do Centro do Rio de Janeiro. Esse ano, a porta-bandeira da Beija-Flor citou que o encontro foi fundamental para muitos poderem ter uma refeição no fim do ano.

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“Estar aqui é ser presenteada. Posso me tornar um ser humano melhor. Entendendo que os meus problemas não são maiores. Sou muito grata por participar dessa ação. Cada ano que passa é um cenário diferente. Me marca muito. A fome aumentou, são mais pessoas na rua, e nós estamos fazendo nossa parte para tentar minimizar a dor dos irmãos”.

A Ação de Natal doou mais de 500 quentinhas. Dessa vez, o local escolhido foi o Largo da Carioca, no Centro do Rio, e, o local ficou lotado de moradores em situação de rua que esperavam suas refeições, água, refresco, serviços de saúde e alguns presentes, como mochilas, roupas e até brinquedos.

“Precisamos lutar por um país onde as pessoas tenham dignidade para viver. Não podemos esquecer de nos colocarmos no lugar dos outros. O nosso presente maior é a saúde. Quando virar o ano vamos estar mais próximos da vacina”, afirmou Selminha.

Perguntada sobre o carnaval, a porta-bandeira citou a possibilidade dos desfiles em julho de 2021, caso tenham autorização do poder público e das autoridades sanitárias.

“Espero que o carnaval tenha mais força, que as pessoas valorizem mais essa festa, que não é só folia, também é meio de sobrevivência para muitos de nós. Será um carnaval diferente, no meio do ano, mas o carnaval da emoção. As disputas não devem ser priorizadas, mas a gratidão de pisarmos no solo sagrado da Marquês de Sapucaí”.

Milton Cunha começa série no CARNAVALESCO com texto de Leonardo Bora

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Oi queridos, começando esta série de publicações dos pesquisadores e autoridades do Obcar, abro com o querido Leonardo Bora, carnavalesco da Grande Rio, juntamente com Gabriel Haddad (também OBCAR), e professor da EBA-UFRJ. Escolhi esta abertura do Bora, pois acho pertinente iniciar com Quixote e os pensamentos sobre a loucura. A nossa cara, amantes da folia e interessados na sistematização do Episteme Ziriguidum.

REMOENDO FANTASIAS QUIXOTESCAS

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Por Leonardo Bora

Poucos personagens de ficção foram tão reprocessados ao longo dos séculos quanto “O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha”, o protagonista da obra de mesmo nome assinada por Miguel de Cervantes. Publicado em 1605, o romance (ou seria novela? A classificação gera inúmeros debates, mas o foco da prosa não é a taxonomia literária) mexe com o imaginário coletivo e é capaz de criar imagens mentais mesmo entre aqueles que nunca mergulharam nas páginas de Cervantes – que são muitas e bastante enoveladas, repletas de cenas empolgantes. Dragões, moinhos, brasões, castelos, armaduras, rebanhos de carneiros. Espadas, escudos, bandeiras. No fértil campo da teoria da literatura, nomes como Jorge Luis Borges e Erich Auerbach teceram reflexões fundamentais, constantemente revisitadas. O primeiro, na figura do personagem Pierre Menard, questiona os limites da autoria e enxerga Quixote enquanto um símbolo potente de criticidade e provocação. Auerbach, por sua vez, dedica um dos capítulos de sua obra “Mimesis” ao imaginário quixotesco, afirmando, em certo momento, que “o livro todo é um jogo, no qual a loucura se torna ridícula quando exposta a uma realidade bem fundamentada.”

É a loucura, sem dúvidas, um tema dos mais trabalhados ao longo da história da literatura ocidental. Na mesma obra mencionada, Auerbach discorre sobre a máscara de loucura utilizada por Hamlet, o “príncipe cansado” de William Shakespeare. Autores tão díspares como Joaquim Maria Machado de Assis e João Guimarães Rosa trabalharam o tema em obras como “O Alienista” (do primeiro) e “Sorôco, sua mãe, sua filha” (do segundo). Curiosamente, ambos os autores viraram personagens de um mesmo enredo carnavalesco – aquele apresentado na Marquês de Sapucaí pela Mocidade Independente de Padre Miguel, em 2009 (ano em que foram celebrados os centenários de falecimento de Machado de Assis e de nascimento de Guimarães Rosa). A narrativa, no entanto, insistiu em enfatizar aspectos biográficos da história dos homenageados (um retrato de Cervantes deu o ar da graça em uma das fantasias de ala, inclusive, junto à imagem de Arthur Schopenhauer). As obras permaneceram em segundo plano, para a decepção dos leitores literários. O papo de agora, porém, é sobre o Quixote no samba, enrolado em serpentinas. Voltemos aos moinhos!

Quando a Unidos do Porto da Pedra, escola de samba de São Gonçalo, apresentou, em 1997, no Grupo Especial do Rio de Janeiro, um enredo sobre a loucura intitulado “No reino da alegria, cada louco com sua mania”, D. Quixote mereceu uma sequência de alas (a bateria vestiu a roupa “O louco Cervantes”) e um carro alegórico. Nas palavras do carnavalesco Mauro Quintaes, parte do texto da sinopse apresentada ao público e ao corpo de jurados, “a obra nos dá a sensação de que começamos a flutuar no espaço, regressivamente, em direção àquele romântico período de puro cavalheirismo, quando a honra era mais valiosa que a própria vida (…).” O autor abraça a brincadeira e sugere que D. Quixote, nas terras fluminenses, enlouqueceria lendo os Diários Oficiais e lutando contra os moinhos de sal da Região dos Lagos. O júri do Estandarte de Ouro aprovou a brincadeira e concedeu ao Tigre de São Gonçalo o prêmio de melhor enredo. Quinta colocada naquela disputa, a Porto fez história!

Quintaes voltou a cortejar Quixote no desfile que assinou em 2003, à frente da Unidos do Viradouro, outra escola em vermelho e branco sediada do outro lado da Guanabara, em Niterói. O enredo “A Viradouro canta e conta Bibi – uma homenagem ao teatro brasileiro” contou e cantou a trajetória de Bibi Ferreira, destacando, em certo momento, a participação da atriz no musical “O Homem de La Mancha”, de Dale Wasserman, cuja adaptação brasileira, em 1972, teve as letras traduzidas por Chico Buarque e Ruy Guerra. Bibi interpretou Dulcinéia del Toboso, a musa do cavaleiro andante – daí a visão de enormes dragões e moinhos de vento, no quarto carro alegórico. Não à toa, a recente montagem de “O Homem de La Mancha” dirigida por Miguel Falabella (homenageado pela Unidos da Tijuca, em 2018 – Quixote marcando presença!) dialogava visualmente com a obra de Arthur Bispo do Rosário, artista cuja produção é um convite para que se pensem as fronteiras entre arte e loucura. Bispo, que fechou o cortejo de 1997 da Porto da Pedra, desfilou outras vezes, na Marquês de Sapucaí – inclusive na Tijuca, Manto da Apresentação e tudo.

Indubitavelmente, a mais completa e profunda aparição de Dom Quixote na Passarela do Samba se deu por meio da pena de Rosa Magalhães, artista que já apresentou inúmeros enredos que dialogam com a literatura, evocando nomes como Ariano Suassuna, Alexandre Dumas, Michel de Montaigne, Thomas More e Hans Christian Andersen (e é preciso destacar que o apreço de Rosa pelos livros pode ser explicado pela genealogia: ela é filha de Lúcia Benedetti, escritora e teatróloga, e de Raymundo Magalhães Júnior, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras). No carnaval de 2010, à frente da União da Ilha do Governador, a carnavalesca apresentou a narrativa “Dom Quixote de La Mancha, o Cavaleiro dos Sonhos Impossíveis”. Um enredo mais do que apropriado para o contexto de que falamos, afinal, a tricolor insulana retornava ao Grupo Especial depois de oito anos no Grupo de Acesso. “Abrir o domingo” nunca foi tarefa fácil: permanecer no “grupo de elite”, no mais das vezes, não passa de um “sonho impossível”. A Ilha abraçou o delírio, “vestiu a fantasia” e “foi à luta”, como sugeria o animado samba de enredo assinado por quase um time completo: Grassano, Gabriel, Márcio André, João Bosco, Arlindo Neto, Gugu das Candongas, Marquinho do Banjo, Barbosão, Ito e Léo. Um dos mais populares textos da literatura ocidental foi traduzido com brilhantismo no contexto da Passarela do Samba, não faltando os instigantes diálogos que Rosa costuma estabelecer com nomes das artes plásticas (Pablo Picasso, Salvador Dalí e Cândido Portinari emprestaram cores e traços para o conjunto visual proposto pela carnavalesca, sem falar na explícita conversa com as ilustrações de Gustave Doré). Nas alegorias, o detalhismo e o acento cenográfico. A cultura espanhola como um todo se viu homenageada na passagem da Ilha, sobrando rosas vermelhas, leques, touros e mantilhas. O sonho se mostrou possível: a Ilha não só permaneceu no Grupo Especial como arrancou lágrimas de muita gente – e a injustificável décima primeira colocação é digna de repúdio.

Portinari, mencionado acima, realizou uma série de ilustrações a partir da leitura de Dom Quixote, imagens que posteriormente receberam glosas poéticas de Carlos Drummond de Andrade. Não por outro motivo o “Engenhoso Fidalgo” retornou à Sapucaí em 2012, no belo desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel, assinado por Alexandre Louzada. O experiente carnavalesco propôs um canto de amor a Portinari, passando em revista as diferentes fases do artista. A alegoria quixotesca apresentava uma grande escultura de Quixote sobre o cavalo Rocinante, em meio a livros e lápis de cor – elementos decorativos que estruturavam uma espécie de castelo medieval. Em 2016, a estrela da Zona Oeste veria Quixote ser alçado ao posto de protagonista de um enredo cujo desenvolvimento plástico foi assinado por Alexandre Louzada e Edson Pereira. Naquela ocasião, o personagem de Cervantes conduziu os espectadores por um passeio pela literatura nacional cujo objetivo era mapear e “lavar a jato” as “manchas” da nossa história. O desfecho do périplo flertou com 2009, quando Machado e Rosa dançaram descompassados – Rocinante, confuso, tropeçou no galope.

Quem voou alto e sambou no miudinho foi a escola do Morro da Serrinha, o Império Serrano, no carnaval de 1996. Naquela ocasião, o “Reizinho de Madureira” homenageou o sociólogo Herbert José de Souza, conhecido como Betinho – e a sucessão de diminutivos acaba revelando do carinho com que o enredo foi tratado e traduzido visual e musicalmente. Os carnavalescos Ernesto Nascimento e Actir Gonçalves materializaram a narrativa “Verás que um filho teu não foge à luta” com o mais complexo aroma da sofisticação: a simplicidade. O samba, composto por Aluísio Machado, Lula, Beto Pernada, Arlindo Cruz e Índio do Império, falava em um “moderno Dom Quixote”, ser com “mente forte” que surge para guiar um franzino e crucificado Brasil na luta contra a fome, a miséria, a violência, a concentração de renda e as demais mazelas sociais. Menos louco e mais idealista: símbolo de luta, honradez e integridade.

As esculturas de Quixote e Sancho que adornavam a alegoria imperiana dedicada ao ideário quixotesco (com torres que mais pareciam carrancas) lembravam a sutileza (para muitos, apenas peças desproporcionais) com que o Engenhoso Fidalgo foi retratado na apresentação de 1987 da Estação Primeira de Mangueira, quando da homenagem a Carlos Drummond de Andrade. Desfile polêmico (historicamente ofuscado pelo desbunde tupinicopolitano da Mocidade Independente, proposta radical de Fernando Pinto), “No Reino das Palavras” teve assinatura de Júlio Mattos, o Julinho da Mangueira, artista pouco reverenciado nas rodas de prosa carnavalesca. Sob um sol totalitário, a Verde e Rosa desfilou a poética de Drummond com alegria e singeleza, entoando os versos de Rody, Verinha e Bira do Ponto, imortalizados na voz de Jamelão: “É Dom Quixote, ô; é Zé Pereira; é Charlie Chaplin no embalo da Mangueira!” Imagino a cena: Quixote desceu o morro, bebeu cerveja, vestiu o manto da Mangueira e caiu na farra. Concorda com o outro poeta: o mundo é mesmo um moinho. Nada mais carioca, delirante, encantador, varrendo as esfinges das encruzilhadas. É com ele que eu vou!

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  • Leonardo Bora é Mestre e Doutor em Teoria Literária pela UFRJ, licenciado em Letras Português-Inglês pela PUCPR e Bacharel em Direito pela UFPR. É professor da Escola de Belas Artes da UFRJ e, juntamente com Gabriel Haddad, um dos carnavalescos do GRES Acadêmicos do Grande Rio.

Carnaval perde Maurício Mattos; Portelense e pioneiro nos camarotes da Marquês de Sapucaí

O empresário Maurício de Araújo Mattos, 77 anos, proprietário do camarote Rio Samba e Carnaval, faleceu nesta quarta-feira, após travar uma grande batalha pela vida, inclusive, passando por uma cirurgia para desobstruir a carótida esquerda e depois tendo Covid-19.

Ele foi pioneiro no uso do camarote corporativo na Marquês de Sapucaí, trabalhando com requinte, e sempre enaltecendo os desfiles e levando grandes sambistas para o seu espaço, considerado a primeira classe da Avenida. O empresário era casado há cinco anos com Lene DeVictor. Maurício deixa dois filhos e quatro netos.

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“Maurício, visionário, deixou a marca para mim. Vou dar continuidade ao legado dele”, disse Lene para coluna do jornalismo Ancelmo Gois, de O Globo.

Apaixonado pela Portela, Maurício Mattos foi benemérito, além de presidente da Acadêmicos da Rocinha. Recebeu a Medalha Tiradentes, maior honraria do Estado do Rio, e a Medalha Pedro Ernesto, do município do Rio de Janeiro.

A equipe do site CARNAVALESCO lamenta profundamente o falecimento de Maurício Mattos. Em menos de uma semana, nós perdemos dois apaixonados por carnaval e parceiros do nosso veículo. Primeiro, Diego Rigor, do Camarote Vivant, e o Maurício Mattos, do Rio Samba e Carnaval.

“Desde meu início na cobertura do carnaval tive o carinho do Maurício Mattos. Foi meu amigo e sempre me incentivou. Fizemos grandes parcerias, desde o jornal O Dia até o site CARNAVALESCO. O mundo do carnaval perde um gigante apaixonado. Um empreendedor fã das nossas escolas de samba e que sempre dava protagonismo para os sambistas”, disse o jornalista Alberto João, responsável pelo CARNAVALESCO.

Novidade na área! CARNAVALESCO cria o prêmio ‘Destaques do ano’; votação encerrada

O site CARNAVALESCO, pela primeira vez, cria uma premiação para quem mais se destacou no ano e não apenas nos dias de de folia. A partir de agora, anualmente, faremos essa escolha, sempre ouvindo nossos leitores, a equipe do site e jornalistas convidados. A estreia é sempre polêmica. Selecionamos algumas pessoas, escolas e dividimos em categorias: Destaque na Sapucaí, Gestão, Destaque no Anhembi, Representatividade, Responsabilidade Social, Melhor Live do Rio, Personalidade e Comunicação.

O anúncio da personalidade do ano será feito no dia 5 de janeiro, às 21h, em uma live nas redes sociais do site CARNAVALESCO. Neste mesmo dia, vamos também homenagear sambistas que nos deixaram em 2020.

Em um ano tão difícil, os projetos sociais foram fundamentais. Por isso, não colocaremos em votação. Ritmo Solidário, Bailado Solidário e Barracão Solidário já são vencedores e receberão nossa homenagem.

O público pode votar e o sistema de pontuação será o seguinte para cada categoria: 40 pontos para o mais votado pelos internautas, 30 pontos para o mais votado pela equipe do CARNAVALESCO e 30 pontos para o mais votado entre os jornalistas. Em caso de empate, o escolhido será o que venceu na votação popular que ficou no ar até o dia 31 de dezembro.

Ouça o samba-enredo da Lins Imperial para o Carnaval 2022

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Compositores: Arlindinho Cruz, Mateus Pranto, Braguinha, Rafael Tinguinha, Lucas Donato, Naldo do Lins, Pezão, Carlinhos Bocão, Marquinhos Mola, Hélcio Colored, Genésio, Antônio da Conceição e Samuel Gasman
Intérpretes: Lucas Donato e Rafael Tinguinha

Nêgo menino, “lá no morro”, iluminado
O seu destino foi um anjo quem guiou
Descendo a ladeira, Carlinhos
Por tantos caminhos, a sua estrela brilhou!
Com reco-reco na mão, o dom de improvisar
A vida o ensinou a se reinventar
Talento como o dele ninguém viu igual
Um bamba partideiro original

No quintal de folhas secas, tocou surdo de primeira…
Caiu no samba lá no Morro de Mangueira!
Onde parecia um céu no chão
De verde e rosa, tingiu seu coração

Um dia o artista se torna palhaço
Nos palcos, pela arte é consagrado
Dos mestres, as lições ele guardou
Com sua graça o povo cativou
Mas quis o destino levar seu sorriso
Deixando o infinito mais bonito
Mussum…
Um trapalhão que inspira tanta gente
Chama que jamais se apagará
É luz que há de brilhar “pra sempris”!

Desce mais um mé que a Lins vem festejar…
E a batucada rola até o sol raiar!
Valeu, Mussum, valeu! É grande a saudade
Do filho que orgulha a comunidade!

Conheça a ordem dos desfiles de São Paulo para o Carnaval 2021

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A Liga-SP realizou na noite desta segunda-feira o sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial e Acesso marcados para julho de 2021, caso tenham autorização do poder público e das autoridades sanitárias. * LEIA AQUI: Presidente da Liga-SP: ‘Estamos no caminho certo de sermos o melhor carnaval do Brasil’

Durante o evento, a Liga revelou a parceria com uma empresa que cuidará de todo o operacional de bilheteria do carnaval. Outra novidade foi a informação dada pelo vereador Milton Leite (DEM) que a Câmara votará nesta terça-feira a autorização legislativa para que o prefeito Bruno Covas possam mudar as datas de alguns feriados, como o carnaval, em 2021. Assim, os desfiles poderiam acontecer no mês de julho.

Confira abaixo a ordem dos desfiles do Grupo Especial e Acesso I para 2021

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SEXTA-FEIRA – GRUPO ESPECIAL

1 – Acadêmicos do Tucuruvi
2 – Colorado do Brás
3 – Mancha Verde
4 – Tom Maior
5 – Unidos de Vila Maria
6 – Acadêmicos do Tatuapé
7 – Dragões da Real

SÁBADO – GRUPO ESPECIAL

1 – Vai-Vai
2 – Gaviões da Fiel
3 – Mocidade Alegre
4 – Águia de Ouro
5 – Barroca Zona Sul
6 – Rosas de Ouro
7 – Império de Casa Verde

DOMINGO (GRUPO DE ACESSO)

1 – Morro da Casa Verde
2 – Camisa Verde e Branco
3 – Mocidade Unida da Mooca
4 – Independente Tricolor
5 – Estrela do Terceiro Milênio
6 – X-9 Paulistana
7 – Leandro de Itaquera
8 – Pérola Negra

Vereador diz que Câmara de São Paulo votará possibilidade de mudança na data do feriado do carnaval de 2021

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Durante o sorteio da ordem dos desfiles da Liga-SP, na noite desta segunda-feira, o vereador Milton Leite (DEM), presidente da Câmara, revelou que os vereadores devem votar nesta terça-feira a permissão para que o prefeito Bruno Covas possam mudar alguns feriados de 2021, incluindo, a data do carnaval. Assim, as escolas teriam a possibilidade de desenvolverem seus desfiles em julho do ano que vem, como está previsto, caso tenha autorização do poder público e das autoridades sanitárias.

“Devo estar votando amanhã (terça-feira) a autorização legislativa para mudança dos feriados de 2021 para que o prefeito Bruno Covas possa ajustar o calendário como temos feito com a direção da Liga e as escolas”.

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Ainda no palco, representantes da Prefeitura de São Paulo informaram que já começaram o repasse da verba para que todas escolas de samba possam iniciar a produção dos desfiles do ano que vem.