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Portela se despede de Souza, que fez história na Tabajara e na Galeria da Velha-Guarda

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A família portelense está de luto. Morreu nesta segunda-feira, Carlos Souza Santos, carinhosamente apelidado de Souza, aos 73 anos, após perder a luta para um câncer. Ele era solteiro e não deixa filhos. Por conta da Covid-19 não foi possível realizar velório. O enterro do corpo foi realizado nesta terça-feira, 13, às 9h, no Cemitério do Caju, Zona Norte do Rio, na presença apenas de familiares.

Souza nasceu em Bonsucesso e na adolescência descobriu o gosto pelo carnaval. Chegava a fugir de casa para participar do bloco Cacique de Ramos. Logo em seguida conheceu a Portela, que se tornou amor para a vida toda.

Aos 22 anos começou a desfilar na escola. Passou em ala, pela comissão de frente e chegou à bateria, onde comandou a ala de tamborins, no carnaval de 2004. Nos últimos anos precisou se afastar da bateria por problemas de saúde, mas continuou a desfilar pela Portela na Galeria da Velha Guarda até descobrir um câncer na próstata.

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Mestre Nilo Sergio o tinha como uma grande referência: “Quando eu cheguei na escola ele era da bateria e logo acolheu. Sempre muito elegante, bem-vestido, um sambista à moda antiga. Dizia orgulhoso que era do grupo-show do Mestre Marçal e chegou a tocar com Clara Nunes. Uma enorme perda!”

O presidente Luis Carlos Magalhães, o vice-presidente Fábio Pavão e toda a diretoria da Portela lamentam o falecimento e se solidarizam com seus familiares e amigos.

‘O carnaval só poderá ocorrer quando houver uma boa cobertura vacinal’, diz diretor da Fiocruz

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HERMANO CASTRO – Médico pneumologista, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz e membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – Entrevista publicada no Relatório da Comissão Especial do Carnaval da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro (apresentado em dezembro de 2020).

Em comparação com outras cidades brasileiras, qual foi o impacto epidemiológico da pandemia no Rio de Janeiro?

A cidade do Rio de Janeiro tem um dos índices mais alarmantes de letalidade e mortalidade em comparação com outras capitais e estados. Durante alguns meses a taxa de letalidade na cidade atingiu cifras acima da média mundial. Em setembro, o município do Rio de Janeiro apresentava uma taxa de letalidade de 10,7% (uma pessoa morre a cada nove pacientes infectados por Covid-19 na cidade), enquanto a taxa de letalidade do Brasil era de 3,7%, compatível com a taxa mundial, de 3,3%. Ou seja, na média os cariocas morreram três vezes mais do que as médias brasileira e mundial.

Com a chegada da pandemia no Rio, o que a prefeitura deveria ter feito para gerir a crise e evitar mortes?

A cidade já vinha sofrendo uma redução na atenção primária em saúde e já havia um déficit de recursos humanos e materiais na rede SUS. A redução da cobertura da Estratégia de Saúde da Família (ESF) em quase 10%, aliada a ausência crônica de atenção especializada dificultaram o enfrentamento da pandemia. Os investimentos em hospitais de campanha para internações em leitos intermediários e UTIs Covid tiveram efeito reduzido, dada às dificuldades de contratação de pessoal e problemas de corrupção no Estado. No pior período da pandemia, entre maio, junho e julho, houve aumento de óbitos nas residências e nas UPAs, de pacientes que aguardavam nas filas de internação. Naquele momento teria sido fundamental a cobertura da ESF para o atendimento adequado
aos pacientes que necessitavam, principalmente, de oxigenioterapia para os quadros clínicos moderados. Houve estrangulamento do sistema com falta de leitos para receber a demanda daquele momento.

Quanto tempo será necessário para garantir a imunização da população carioca após a aprovação de uma vacina?

Primeiro precisamos de um plano nacional, estadual e municipal de vacinação. Definir prioridades por grupos de risco, como profissionais de saúde, idosos e outros é necessário para iniciarmos a vacinação. O Brasil possui uma das melhores experiências em vacinação do mundo, usando a rede do SUS. Para que ela atue em sua plenitude, é preciso um planejamento que defina a logística de compra de insumos, que vão de seringas e agulhas à própria vacina, formas de transporte seguras e rápidas e meios de distribuição. Como as principais vacinas disponíveis em fase 3, até o momento, requerem duas doses para imunização, esse planejamento precisa contemplar essas duas etapas para cada um dos grupos prioritários, o que é mais um desafio logístico. Precisaremos, portanto, de vários meses para contemplarmos a população das maiores cidades brasileiras.

O que deve ser levado em consideração para garantir um carnaval com segurança sanitária na cidade do Rio de Janeiro?

O carnaval é um evento necessariamente com aglomerações e, por seu porte e importância cultural, toda segurança deve ser garantida para que não se coloque em risco a saúde da população. O carnaval só poderá ocorrer quando houver uma boa cobertura vacinal, lembrando que, por sua dimensão internacional, é possível que só tenhamos condições seguras de realização com o controle da pandemia a nível mundial.

Quais são as principais lições que devemos tirar dessa pandemia?

A maior lição é a necessidade do trabalho cooperativo de todas as nações para a preparação ao combate a esta pandemia e outras que certamente surgirão, garantindo a vacinação global como direito para todos os povos, independente do poder econômico. A valorização da ciência e a importância do Sistema Único de Saúde que, apesar de suas fragilidades, tem sido o suporte para o atendimento à população. Sem ele, teríamos um quadro ainda mais grave de óbitos. E, por fim, a necessidade de entendermos que não estamos sozinhos, que nossas ações se refletem no outro e devemos cuidar de todos. Como dizia Clarice Lispector, “A missão não é leve: cada homem é responsável pelo mundo inteiro.”.

Morre o jornalista Aloy Jupiara, membro do Estandarte de Ouro e um dos maiores representantes da imprensa brasileira

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O carnaval perdeu uma das principais referências na cobertura jornalística das escolas de samba. Faleceu nesta segunda-feira, vítima de complicações da Covid-19, o jornalista Aloy Jupiara. Imperiano de coração, ele é um dos autores de dois livros “Os porões da contravenção” e “Deus tenha misericórdia dessa nação”, todos escritos em parceria com o jornalista Chico Otavio. Recentemente, ele participou do documentário sobre Castor de Andrade.

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No jornal O Globo, Aloy participou do júri do prêmio Estandarte de Ouro e era membro do Conselho Deliberativo do Museu do Samba. Ele participou da elaboração do dossiê “Matrizes do samba no Rio de Janeiro”, para registro do samba como patrimônio cultural do Brasil.

Formado na Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ. De 1987 a 2000, trabalhou como repórter, coordenador e subeditor de Rio e Nacional/Política do jornal O Globo. Entre 2001 e 2004, foi editor do site do jornal. Em 2009, liderou a equipe que criou o site do jornal Extra. Também foi gestor de projetos digitais. Atualmente, ele exercia o cargo de Editor-Chefe no Jornal O Dia.

Ney Filardi sobre o momento da Ilha: ‘Dedicaremos todo o nosso suor resgatar a autoestima de nossa agremiação’

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A União da Ilha realizou neste domingo a cerimônia de votação e posse da nova diretoria que vai comandar o próximo triênio (2021-2024). Ao todo, 155 sócios-proprietários votaram e, por aclamação, elegeram Ney Filardi como presidente e Sávio Neves como vice-presidente. O encontro seguiu os protocolos determinados pela Organização Mundial da Saúde.

“Após três anos afastado de vocês, estou de volta. E como foi difícil! Agradeço de coração, mais uma vez, ao apoio maciço que foi dado a esse meu retorno. Minha prioridade neste momento é ajudar de todas as formas as autoridades municipais e estaduais no combate à covid-19.

Essa pandemia que vem assolando nosso país fez com que o Maior Espetáculo da Terra fosse cancelado. Para que possamos voltar a sonhar com o retorno de nossos ensaios de quadra e de rua, além do desfile oficial na Marques de Sapucaí, é preciso que todos estejam imunizados. Vacina, sim! Tenho certeza de que, após terminar esse pesadelo, esta diretoria não medirá esforços para que possamos sanear as dívidas da escola, além de formar uma equipe de profissionais extremamente comprometidos e competentes.

Com o apoio de vocês, teremos legitimidade para ir ao encontro do desejo de todos nós insulanos, que é o de voltarmos de forma imediata ao Grupo Especial no próximo carnaval, lugar de onde nunca deveríamos ter saído.

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Dedicaremos todo o nosso suor para alcançar esse objetivo e resgatar a autoestima de nossa agremiação. Cada integrante da comunidade será fundamental para o sucesso, afinal, “União” é o nosso nome! Obrigado por tudo”.

Niterói planeja vacinar toda a população até novembro deste ano

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Com contrato para a aquisição da Sputnik V já assinado, a expectativa da prefeitura de Niterói é de que em maio chegue o primeiro lote com 25 mil vacinas. Depois, chegarão mais 75 mil, e do terceiro lote em diante serão mais 130 mil vacinas. Desta forma, em novembro o município completará as 800 mil vacinas.

“A população estará toda vacinada e quem trabalha na cidade também será imunizado”.

A Prefeitura de Niterói apresentou o novo calendário de vacinação contra a Covid-19 na cidade. Serão vacinados idosos, profissionais de saúde e trabalhadores de saúde até o dia 24 de abril, em dias determinados pela faixa etária. A partir do dia 26 de abril, com a conclusão da aplicação de doses no público de até 60 anos, o Município passa a seguir o calendário unificado com as prefeituras do Rio de Janeiro, Maricá e Itaguaí.

A população pode consultar qual grupo está sendo convocado para a imunização nas redes sociais, no site oficial da Prefeitura (www.niteroi.rj.gov.br) e pelo número 153.
A Secretaria Municipal de Saúde está programando a vacinação contra a Covid-19 de acordo com a quantidade de vacinas repassada pelo Governo do Estado, respeitando os grupos prioritários definidos pelo Plano Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. São analisados critérios como a quantidade de doses disponíveis e quantas pessoas precisam ser vacinadas em cada grupo prioritário para definir as datas e locais de vacinação de cada público-alvo.

Público alvo
Idosos: pessoas acima de 60 anos
Para receber a primeira dose, os idosos devem levar CPF e um documento de identidade com foto. Já para a segunda dose também é necessário apresentar o comprovante de vacinação.

Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, biólogos, biomédicos, farmacêuticos, odontólogos, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, profissionais da educação física, médicos veterinários e seus respectivos técnicos e auxiliares. Também podem se vacinar acadêmicos em saúde e estudantes da área técnica em saúde em estágio hospitalar, atenção básica, clínicas e laboratórios.

Para receber a primeira dose, os profissionais de saúde devem apresentar CPF, registro profissional do Conselho, comprovante de residência em Niterói ou comprovante do local de trabalho na cidade. Já para a segunda dose também é necessário apresentar o comprovante de vacinação.

Trabalhadores da área da saúde: todos aqueles que atuam em espaços e estabelecimentos de assistência e vigilância à saúde, sejam eles hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios e outros locais. São eles: recepcionistas, seguranças, trabalhadores da limpeza, cozinheiros e auxiliares, motoristas de ambulâncias e outros, ou seja. Inclui-se ainda aqueles profissionais que atuam em cuidados domiciliares (ex. cuidadores de idosos, doulas/parteiras), bem como funcionários do sistema funerário que tenham contato com cadáveres potencialmente contaminados.

Para receber a primeira dose, os trabalhadores da área de saúde precisam levar a carteira de identidade, CPF e comprovante do local de trabalho em Niterói. Já para a segunda dose também é necessário apresentar o comprovante de vacinação.

Calendário de vacinação

08/abril, quinta-feira
Idosos a partir de 67 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 50 anos

09/abril, sexta-feira
Idosos a partir de 66 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 50 anos

10/abril, sábado
Idosos a partir de 66 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 45 anos

12/abril, segunda-feira
Idosos a partir de 65 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 45 anos

13/abril, terça-feira
Idosos a partir de 65 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 40 anos

14/abril, quarta-feira
Idosos a partir de 64 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 40 anos

15/abril, quinta-feira
Idosos a partir de 64 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 35 anos

16/abril, sexta-feira
Idosos a partir de 63 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 35 anos

17/abril, sábado
Idosos a partir de 63 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 30 anos

19/abril, segunda-feira
Idosos a partir de 62 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 30 anos

20/abril, terça-feira
Idosos a partir de 62 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 25 anos

21/abril, quarta-feira
Idosos a partir de 61 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 25 anos

22/abril, quinta-feira
Idosos a partir de 61 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 18 anos

23/abril, sexta-feira
Idosos a partir de 60 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 18 anos

24/abril, sábado
Idosos a partir de 60 anos
Trabalhadores e profissionais da área de saúde a partir de 18 anos

Lins Imperial terá rainha da escola no próximo carnaval

Para o próximo carnaval. Além da rainha e do rei de bateria, a Lins Imperial também terá uma rainha da escola. Trata-se da modelo e musa da Imperatriz Leopoldinense, Natalia Nascimento. Será a primeira vez que a agremiação terá esse posto, criado para abrilhantar ainda mais o retorno da escola à Marquês de Sapucaí.

Natalia se apaixonou pelo carnaval frequentando um ensaio da Unidos de Vila Isabel com apenas 14 anos. Com 18 anos desfilou pela primeira vez na escola do bairro de Noel. Passou pela Estácio de Sá, foi destaque por cinco anos na Acadêmicos do Grande Rio e segue para o sexto ano como musa da Imperatriz Leopoldinense. Natália Nascimento terá dupla jornada no próximo carnaval. Na Lins Imperial realizará o sonho de se tornar rainha.

“Sempre soube que um dia eu realizaria esse sonho, mas não imaginava que fosse agora, agradeço à toda comunidade e ao presidente Flavio Mello pela oportunidade. Será um sonho realizado. A emoção é inexplicável, meu coração está disparado. Muita felicidade, alegria, nervoso, um misto de emoções”, diz a rainha Natalia Nascimento.

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Modelo e musa da Imperatriz Leopoldinense, Natalia Nascimento, vai brilhar na Lins. Foto: Marcos Mello

O enredo da Lins Imperial para o próximo carnaval é “Mussum pra sempris – traga o mé que hoje com a Lins vai ter muito samba no pé!”. A agremiação verde e rosa do Lins desfilará pela Série Ouro, da Lierj.

Aydano André Motta: ‘As escolas de samba são formadoras da identidade do Rio’

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Qual a relação do Carnaval das escolas de samba com a cidade do Rio?

As escolas de samba são formadoras da identidade do Rio. Vem delas boa parte do que o mundo celebra sobre ser carioca. Além disso, contam a história de personagens invisibilizados da cidade e do país. Têm inestimável importância cultural e comunitária. No Rio, o Carnaval deve ser questão de Estado – como saúde, educação, meio ambiente,
segurança — e não de governo. Um show que dura 16 horas, ao longo de duas madrugadas, com um elenco de 36 mil pessoas, que não se conhecem, não ensaiam todas juntas, não provam a roupa antes, não se falam nem recebem orientações antes de começar, e só se encontram na hora do espetáculo. Todas sabem magicamente se posicionar e o que fazer. E, em quase todas as 89 edições, de 1932 a 2020, esse espetáculo deu impecavelmente certo. É o desfile das escolas de samba do Rio. Se fosse inventado por alemães ou japoneses — povos incapazes de algo semelhante —, seria
celebrado em escala planetária. Aqui, sofre com desprezo e preconceito.

Nos últimos anos, muitas agremiações organizaram enredos patrocinados por empresas que aproveitaram o carnaval para vender seus produtos. Contudo, desde 2017 a Sapucaí foi tomada por enredos com críticas políticas contundentes. O que mudou?

Vários fatores. A crise econômica, a falta de transparência dos comandantes das escolas e do espetáculo, os ataques que a festa sofreu por setores intolerantes, como as igrejas neopentecostais. Mas é inconcebível que as escolas sofram qualquer tipo de tutela ou restrição na escolha de seus enredos. Os problemas do carnaval e das escolas de
samba não estão na avenida.

No último período houve um crescimento exponencial de manifestações de ódio, preconceito e intolerância à diferença nas ruas do Rio de Janeiro. Qual o papel do carnaval das escolas de samba na luta pelo direito à cidade em tempos de ascensão do fascismo?

A potência do samba carioca turbina mensagens de tolerância, alegria e aceitação. Inexiste
discriminado nas quadras e na Sapucaí. As reuniões nos endereços das escolas são eventos de paz, alegria e segurança. Nem mesmo a rivalidade na avenida – ou coirmãs, como ensina o dialeto dos bambas — impede a convivência pacífica em todos os ambientes. As escolas se visitam em tardes e noites de total harmonia. Ou, como ensinou Cartola: “Aqui se recebe inimigo, como se fosse irmão”.

Quais são os principais desafios para o Carnaval da Sapucaí? Qual o papel que o poder público deveria cumprir no Carnaval do Sambódromo?

As escolas estão diante do desafio da sobrevivência. Precisam de gestões profissionais e transparentes, que reconstruam a ligação da cidade com as grifes de sua maior festa. O poder público precisa fomentar a vida das escolas entre um carnaval e outro, além de cobrar profissionalismo e segurança para os trabalhadores de quadras e barracões. O
potencial é imenso, mas hoje está inexplorado. A Cidade do Samba e o Sambódromo — equipamentos públicos — precisam ressurgir em sua vocação, com samba e festa o ano inteiro.

Quais são os principais desafios para o Carnaval da Intendente Magalhães? Qual o papel que o poder público deveria cumprir no Carnaval da Intendente Magalhães?

A Intendente Magalhães é o lugar da paixão sem vaidade, do amor gratuito, da força comunitária do samba sem holofotes. Precisa do investimento público para sustentar a festa sem amarras nem ingressos, que garante a alegria e forma a identidade do povo pobre dos subúrbios. O poder público tem obrigação de sustentar os desfiles da Intendente!

Quais são os principais desafios para o Carnaval das Escolas Mirins? Qual o papel que o poder público deveria cumprir no Carnaval das Escolas Mirins?

As escolas mirins garantem a perpetuação da arte mais carioca. Ali se formam os futuros ritmistas, passistas, mestres-salas, porta-bandeiras, componentes. Outra festa que o poder público deve garantir com investimento direto e cobrança para as escolas apostarem em suas agremiações mirins.

Todo ano a prefeitura repassa verbas públicas para as ligas e para as escolas. Contudo, sempre existiu um desequilíbrio nos repasses: as escolas do grupo especial recebiam um valor muito superior às escolas das séries A, B, C e D. Enquanto isso, as escolas do grupo E sequer recebiam subvenção. No carnaval de 2020, a prefeitura mudou o formato e apenas repassou o subsídio para as escolas que desfilam na Intendente Magalhães. Como justificativa, a prefeitura alegou que somente haveria subvenções para eventos abertos ao público. Qual a sua visão sobre a antiga e a atual política de subvenção? Essa política de incentivo vem atendendo às necessidades do Carnaval enquanto manifestação cultural?

A gestão do bispo neopentecostal que encerrou em 2020 pôs em prática seu projeto de destruir o Carnaval. Aniquilar manifestações de alegria — e suas matrizes afro-ameríndias — está nos preceitos mais sólidos da denominação religiosa que o ainda prefeito obedece. Com ele removido do caminho, o sucessor deve ajudar financeiramente, mas como investimento. O dinheiro deve ser acompanhado de cobrança por profissionalismo, segurança trabalhista, conexão com a cidade.

Quais são as consequências do monopólio da transmissão dos desfiles?

É uma negociação comercial que precisa ser reformulada, porque as escolas ganham muito pouco. A prefeitura talvez possa atuar como mediadora para ajudar as agremiações a conseguir acordos mais vantajosos. O atual é draconiano com o povo do samba.

Quais medidas devem ser tomadas para garantir a segurança aos profissionais (jornalistas, carnavalescos, motoristas etc.) que atuam nos desfiles?

Fiscalização das estruturas que oferecem perigo, supervisão do credenciamento para limpar o excesso de gente na pista, criação de uma área para imprensa, como acontece nas arenas esportivas.

As quadras das escolas de samba muitas vezes são os melhores equipamentos culturais do bairro onde estão situadas. São locais de preservação da memória comunitária e promoção da cultura popular. Contudo, muitas se encontram em situação precária. De que forma o poder público poderia fortalecer esses espaços?

Está dentro do verbete “investimento + cobrança + fiscalização”. O futuro prefeito, quando esteve no cargo, reformou várias quadras, mas não cobrou pelo seu uso. Cai no mesmo caso da Cidade do Samba – as autoridades precisam exigir sua utilização inteligente ao longo do ano inteiro.

Como a pandemia afetou a vida dos trabalhadores e amantes do carnaval?

A situação dos trabalhadores é dramática. Como as escolas não são geridas com profissionalismo e eficiência, a crise da pandemia se abateu tragicamente sobre o setor. Muitos profissionais — com relações totalmente precarizadas — ainda estão passando fome, sem recursos para o mais básico. Muitas escolas naturalizaram o calote, deixando simplesmente de pagar seus profissionais – aí incluídos cantores, carnavalescos, mestres de baterias, mestres-salas, porta-bandeiras. De novo: o poder público precisa socorrer essas pessoas, mas cobrando das escolas atitude mais ética e profissional.

Quais os principais desafios para o próximo carnaval?

Antes do Carnaval, é necessária ajuda urgente, imediata, aos profissionais que constroem a festa. O prefeito eleito tem de ser cobrado na primeira hora para viabilizar o socorro. O desfile será consequência. A ajuda urgente é para quem está passando fome.

* Por Aydano André Motta – Entrevista publicada no Relatório da Comissão Especial do Carnaval da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.

Unidos de Padre Miguel realiza feirão de empregos em sua quadra

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No próximo sábado, a Unidos de Padre Miguel abrirá as portas de sua quadra, na Vila Vintém, para realizar o Feirão de Empregos UPM.

A iniciativa é uma ação do Departamento social da agremiação em conjunto com a empresa Feneg – que atua na capacitação e contratação de candidatos para o mercado de trabalho.

O evento terá início a partir das 09h, seguindo todos os protocolos elaborados pelas autoridades sanitárias durante a pandemia para o combate e proteção à COVID19.

O feirão disponibilizará senhas para vagas de trabalho em diversas áreas, além de avaliação curricular para reserva de vagas.

Para concorrer a uma das oportunidades, os candidatos deverão apresentar currículo atualizado, documento de identidade, carteira de trabalho, PIS/NIS, CPF, certificado de reservista, título eleitoral e comprovante de residência.

A quadra da Unidos de Padre Miguel fica na rua Mesquita, 08 – Padre Miguel

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Serviço:
Feirão de empregos UPM
Data: Sábado, dia 17 de abril
Local: Quadra da Unidos de Padre Miguel
Rua Mesquita, 08 – Padre Miguel
Horário: a partir das 09h

Música inédita de Ciraninho é um dos destaques do projeto ‘Baú da Dona Ivone’

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Fã e parceiro musical de Dona Ivone Lara, Ciraninho é um dos compositores que estão no projeto “Baú da Dona Ivone”, que terá mais um EP lançado em todas as plataformas digitais, com direito a live no Teatro Rival Refit, nesta terça-feira (13), quando a grande Dama do Samba completaria 100 anos. Além de assinar “Império e Portela” em parceria com Dona Ivone, Diogo Nogueira e Bruno Castro no primeiro álbum da série, Ciraninho é um dos autores da canção inédita “Silêncio da Passarada”, gravada pela cantora e atriz Dandara Mariana, a Bel da novela “Salve-se Quem Puder”, da TV Globo.

Feita com Bruno Castro, a música, que no EP teve arranjo do maestro Leandro Braga, fala sobre a ausência física de Dona Ivone pela percepção dos pássaros. Em 2022, “Silêncio da Passarada” vai ganhar formato de livro infantil.

Feliz de poder homenagear uma de suas referências no samba, Ciraninho fala da emoção que sentiu ao ter sua canção eternizada por Dandara, que interpretou a compositora de “Sonho Meu” no musical “Dona Ivone Lara – Um Sorriso Negro”. “O dia da gravação foi um dos momentos mais especiais na minha estrada da música. Meu coração transbordava emoção durante a brilhante interpretação da cantora Dandara Mariana. Cantora, sim! Que afinação, profissionalismo e simpatia. Sua postura de veterana impressionou a todos e nos presenteou com uma impecável gravação. Que honra!”, elogia o compositor portelense, que lançou recentemente seu próprio canal no YouTube, onde apresenta o programa semanal “Samba & Futebol”, entrevistando grandes ídolos dos gramados e da música.

As 12 faixas do “Baú da Dona Ivone”, raridades que até pouco tempo existiam apenas em CDs distribuídos em 2012 em escolas da Prefeitura do Rio, foram disponibilizadas pela Radar Records em três EPs.

Nesta terça-feira (13), data do centenário, o público poderá conferir o quarto EP, na nova fase do projeto, recheado de inéditas da baluarte imperiana, falecida em 2018. A lista inclui “Silêncio da Passarada”, única canção sem a autoria de Dona Ivone por se tratar de uma homenagem, “Dois Corações Abrindo a Manhã”, com interpretação de Maria Rita; “O Espaço Pra Sonhar”, com grupo Fundo de Quintal; “15 Anos Após o Centenário”, no dueto de Dudu Nobre e Pretinho da Serrinha; e “Já É hora”, na voz de Xande de Pilares. “Nas Escritas da Vida”, lançada em 2010, volta agora em registro inédito, com Dona Ivone dividindo os vocais com Gilberto Gil.

Além de integrar o projeto como compositor, Ciraninho, que foi um dos convidados especiais do show comemorativo dos 91 anos de Dona Ivone, em 2012, é um dos responsáveis pela captação de imagens e depoimentos feitos nos bastidores das gravações. A ideia é que o material possa ser aproveitado futuramente.

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A coordenação e a direção musical do “Baú da Dona Ivone” são do músico, cantor, compositor e professor Bruno Castro, que trabalhou durante duas décadas com a homenageada, além de ter sido parceiro musical e grande amigo da artista.

Silêncio da Passarada (Ciraninho/Bruno Castro)

O Colibri disse pra mim
Que agora é triste o seu cantar
Lá no quintal de Oswaldo Cruz
Já não tem mais lararaiá
O Beija-flor também falou
Que vive triste a procurar
A melodia da manhã
Que estava sempre a lhe embalar
O Bem-te-vi não quer sorrir
O Sabiá não quer papar
As Andorinhas já não ligam pra voar
O canto alegre do Tiê
Se escondeu noutro lugar
A passarada não se cansa de chorar
O Alvorecer perdeu a cor
E a chama se apagou
Feito a luz do candeeiro de vovó
Quando a passarada acordou
Um silêncio imperou
O dueto ficou só
Veio um Canarinho distraído em cantoria
E nem percebeu toda aquela nostalgia
A mãe natureza solitária se calou
Foi o Sonho Meu que eternizou

Livro ‘Laroyê Xica da Silva’ mostra como desfile do Salgueiro impactou na história da personagem

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Dentre as narrativas sobre a célebre figura de (Ch)Xica da Silva, personagem histórica que viveu no século XVIII, destacam-se as retratadas pelo cinema e TV, ao som de Jorge Ben Jor e sua música-tema. Poucos sabem que esta leitura tem origem na construção da persona a partir do desfile do Salgueiro, em 1963. É sobre esse capítulo da história que se debruça a pesquisa de Leonardo Antan, origem do livro “Laroyê Xica da Silva: narrativas encruzilhadas de uma incorporação no carnaval carioca”, com lançamento ainda este mês, pelo selo Carnavalize.

Ao focar no desfile assinado por Arlindo Rodrigues e protagonizado por Isabel Valença, o livro traça um panorama do período conhecido como “Revolução Salgueirense”, quando a agremiação tijucana venceu seus primeiros títulos trazendo inovações estéticas para as escolas de samba capitaneadas pelo carnavalesco Fernando Pamplona. Entre os quatro capítulos que mesclam narrativa ficcional e escrita acadêmica, o livro atravessa os campos da história da arte, cultura pop, carnaval, macumba e sacanagem. “Como escritor de ficção, eu tentei imaginar o cenário por trás do Salgueiro daquela década de 1960. É um ambiente cultural muito rico, que fala sobre o movimento negro e de cultura popular do período”, explica Leonardo.

Segundo o autor, “a história é um exemplo da força das escolas de samba na cultura nacional”, já que foi a partir dessa apresentação revolucionária do Salgueiro que surgiu uma nova heroína nacional: Xica da Silva. A personagem virou capa de revista e chegou até o Teatro Municipal incorporada em Isabel Valença, o que ajudou na popularização da personagem mineira. No olhar de Leonardo, Xica da Silva se tornou uma espécie de pombagira, entidade afro-brasileira associada à Exu, que baixou tanto em Isabel, como nas atrizes Zezé Motta e Taís Araújo.

O livro “Laroyê Xica da Silva” é fruto do mestrado em História da Arte no Instituto de Artes da UERJ, com orientação do professor Felipe Ferreira. Tem a orelha assinada pela pesquisadora Helena Theodoro e o prefácio escrito pelo historiador Luiz Antonio Simas, no qual afirma que “o texto pode ser lido de várias maneiras: a encruzilhada não é metáfora, mas conceito fundante da reflexão. O que posso dizer é que li o trabalho fabuloso de Leonardo Antan sorrindo e, vez por outra, gargalhando.”

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O livro está em pré-venda na lojinha do Carnavalize até o final dessa semana. O projeto foi contemplado com a lei Aldir Blanc, através do Edital de Fomento à Produção e Aquisição de Bens e Serviços da Secretaria Municipal de Cultura de Nova Iguaçu. Além do exemplar autografado, acompanham ainda uma ecobag e um brinde surpresa.

Lojinha do Carnavalize: https://carnavalize.lojaintegrada.com.br/