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Série Barracões: Beija-Flor mergulha na tradição do Bembé do Mercado em busca do bicampeonato

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Atual campeã do Carnaval carioca, a Beija-Flor de Nilópolis vai trazer o Recôncavo Baiano para a Sapucaí em 2026. Ao levar o Bembé do Mercado como enredo, a Soberana mostra o caminho que a celebração percorre ao cruzar a cidade de Santo Amaro em todo 13 de maio, com a participação de todos os terreiros naquele que é declarado o maior candomblé de rua do mundo e que vai muito além de uma celebração religiosa, envolvendo também a cultura da região em seus festejos.

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Com 3.200 componentes e seis alegorias, é com a assinatura de João Vitor Araújo que a Azul e Branca de Nilópolis levará o “Bembé” para a Avenida, com muito orgulho de jogar luz sobre toda essa festa. Ao CARNAVALESCO, João, em seu terceiro carnaval na escola, percorreu a origem da ideia do enredo, explicando como toda a manifestação do Bembé foi chegando a ele, ao presidente Almir Reis, ao enredista Bruno Laurato, entre outras pessoas, até se consolidar como o momento de levar a proposta para a Avenida.

“A princípio, eu entendia que o Bembé era um enredo muito sério para sair por aí apresentando. Acreditava que era uma história que certamente tinha uma liderança por trás. Tivemos exemplos de enredos anteriores com problemas em relação à autorização, porque eu acreditava que se tratava de uma festa, de uma celebração cheia de fundamentos. Então, até que ponto eu poderia falar desses fundamentos? Por isso, para não ficar um enredo muito raso, eu não coloquei o Bembé no topo da prateleira, mais por cautela. Ele ficou guardadinho, meio que como coadjuvante diante dos outros e, de uma hora para outra, começou a ganhar um protagonismo muito forte — e hoje é a realidade da Beija-Flor de Nilópolis, com um grande samba, um grande enredo, uma comunidade que se identifica com o tema. A intenção era essa: trazer um enredo de identidade, que o nilopolitano pudesse ler e se sentir parte daquela história.”

O artista prosseguiu falando sobre a pesquisa para o enredo, realizada em parceria com os enredistas, destacando a oportunidade de vivenciar o Bembé no 13 de maio e de percorrer todos os terreiros que fazem parte dos festejos. Segundo ele, foi necessário selecionar cuidadosamente o que entraria no que a Beija-Flor apresentará na Avenida, diante da grande quantidade de histórias e depoimentos ouvidos durante a estadia em Santo Amaro.

“Visitamos todos os terreiros. Imagina você andar, conversar, ouvir diversas histórias e experiências, tudo com muita atenção, e já sabendo que, infelizmente, mais da metade daquelas histórias seriam inviáveis de ser contadas, porque temos uma setorização que, às vezes, não nos permite mostrar tudo ou falar de todos que gostaríamos. O mais difícil foi peneirar essa história, porque era muita coisa bacana: depoimentos incríveis, muitos fundamentos, muitas coisas que acontecem ali ao mesmo tempo — e ter que deixar de lado foi a parte mais difícil de tudo. Foi uma pesquisa muito longa. Era muito calor… imagina você andar debaixo de sol, de calça, porque, em respeito, não entramos em nenhum terreiro, em nenhuma casa de santo, de bermuda, saindo às nove da manhã e só voltando às nove da noite, todo santo dia, com muitas histórias na cabeça — ou salvas no celular — e não poder falar de tudo.”

Ao abordar os materiais e a forma de carnavalizar a história do Bembé, Araújo destacou a importância do respeito com cada ritual que aparecerá na Marquês, transformado em alegoria ou fantasia, e o auxílio das lideranças da festa, que estiveram presentes, apoiando e sendo consultadas na concepção plástica da escola. João também falou sobre o que o torcedor pode esperar, ressaltando que tudo é pensado neles e que acredita que os apaixonados pela Beija-Flor ficarão felizes com o que será apresentado na Avenida.

“Não foi fácil. Eu fiz um carnaval, há muitos anos, sobre comida, parecia ser muito fácil, e foi um dos enredos que eu mais li e pesquisei para transformar em alegorias e fantasias. Foi mais difícil do que contar, por exemplo, a epopeia de Dom Sebastião no Paraíso do Tuiuti, que também teve uma pesquisa muito densa. O do Bembé foi carnavalizar aquela história e aqueles rituais sem vilipendiá-los, com muito respeito, muita certeza e muita clareza, pedindo autorização, fazendo chamadas de vídeo com lideranças culturais e espirituais do Bembé para saber se aquilo era viável ou não, se podia mostrar ou não. Porque uma coisa é você ter a liberdade de criar, a tal licença poética… Agora, lá no Bembé não: é tudo muito sério. Eles são muito criteriosos com os elementos, com a indumentária, com as cores utilizadas. Foi um trabalho de criação bem cuidadoso, não tão fácil quanto em outros anos.”

João também comentou a diferença entre realizar o Carnaval de 2025, que garantiu o décimo quinto título da Beija-Flor, e preparar o de 2026, destacando que é um enredo afro com estética diferente do que geralmente se imagina nesse tipo de narrativa na Avenida.

“Não é o carnaval da palha, do búzio, aquele carnaval que as pessoas estão acostumadas a ver e isso foi uma grande surpresa do Bembé. Durante a pesquisa fomos descobrindo que não era só candomblé, que outras coisas acontecem nessa celebração. Você vai olhar e ver pelo menos três alegorias e vai pensar: ‘Mas o enredo não é macumba?’ e vai perceber que não têm relação direta com isso. Esse é o barato.”

Por fim, João Vitor Araújo acredita que o grande trunfo da atual campeã ao pisar no Sambódromo será o samba-enredo, que vem sendo cantado com muita força pela comunidade nilopolitana e que, através dele, o desfile será plenamente compreendido.

“É ele que vai levar. Como dizia minha amiga Rosa Magalhães: quando a música é boa, não tem para ninguém. O samba-enredo está muito coeso e, nele, você vai entender perfeitamente o que é o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto setor da escola”.

Tradição que se encontra: Vila Santa Tereza leva o Cacique de Ramos para a avenida

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A Vila Santa Tereza vai homenagear os 65 anos do Cacique de Ramos, um dos blocos mais tradicionais do carnaval carioca, no enredo que levará para a Intendente Magalhães no Carnaval de 2026. A proposta é fazer uma celebração dupla, já que a própria escola completa 70 anos este ano. Em entrevista exclusiva ao CARNAVALESCO, o carnavalesco Caio Araújo contou como surgiu a ideia da homenagem e adiantou detalhes do desfile.

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“A gente já vem pautando esse enredo desde o fim do Carnaval de 2025. A ideia surgiu através de um grande parceiro, o Eduardo Gonçalves, que levou essa pauta para a Vila Santa Tereza. Na hora, topamos comemorar os 65 anos do Cacique de Ramos. No ano em que a escola completa 70 anos, aproveitamos para juntar essas duas festividades.”

O grande destaque do enredo

Para o carnavalesco, o diferencial estará na forma como a história será apresentada, e ele revelou em qual momento o elo com a própria escola ficará em evidência.

“Eu acho que o diferencial vai ser toda a trajetória do Cacique de Ramos sendo contada minuciosamente. Sabemos que o tempo na Intendente é curto, mas o destaque vai estar na cronologia, desde a fundação do Cacique até os dias de hoje. Encerramos o desfile fazendo essa junção com a Vila Santa Tereza, comemorando os 70 anos da escola e iniciando essa festividade que vai ser celebrada no final do ano.”

A parte plástica e estética do desfile

A estética do desfile promete ser marcada pela alegria e pelo colorido característicos das duas instituições.

“Estamos vindo com fantasias muito coloridas, trazendo as cores do Cacique de Ramos e as cores da Vila Santa Tereza, mas pautando tudo em um colorido muito vibrante, para transmitir essa alegria e essa festividade que o Cacique leva para a avenida e que a Vila Santa Tereza também carrega.”

Desafios da Intendente Magalhães

Ao falar sobre as dificuldades de desfilar na Intendente Magalhães, Caio foi direto:

“É muito complicado fazer carnaval na Intendente por causa da estrutura que recebemos. Mas, com persistência e cuidado com os recursos que a escola oferece, conseguimos apresentar o carnaval. Todo ano é uma superação diferente, e acredito que este ano não vai ser diferente. Tentamos tirar de letra da melhor forma possível.”

Com a missão de unir tradição e comemoração, a Vila Santa Tereza promete levar para a Intendente Magalhães um desfile alegre e, ao mesmo tempo, emocionante, que exalta o legado de duas potências do carnaval de raiz do Rio de Janeiro.

Ancestralidade e impacto visual marcam o ‘Grande Sertão Negro’ da Praça da Bandeira

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, os carnavalescos Robson Goulart e Ricardo Paulino apresentaram os detalhes do enredo “Grande Sertão Negro”, que será o tema do desfile da Independente da Praça da Bandeira no carnaval da Intendente Magalhães, em 2026. A proposta é celebrar a chegada dos povos africanos ao Nordeste brasileiro, destacando sua influência na cultura, nas tradições, na culinária e nos cantos que ajudaram a moldar a identidade da região.

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Ricardo Paulino explicou que a escolha da narrativa nasceu de uma necessidade derivada da realidade da Série Prata.

“Nós somos do Grupo Prata e temos que fazer aquilo que temos. A subvenção que a gente recebe só dá para fazer aquilo que já existe. Não adianta inventar muito. Todo mundo está fazendo muito afro, afro, afro, e eu não queria fazer afro/macumba. Sentei com o Rabinho e começamos a conversar sobre o que tínhamos de material. Pensamos até em circo, qualquer coisa para sair do afro. Aí veio a ideia: vamos fazer o Nordeste. Mas Nordeste como? A partir do negro que chega ao Nordeste e desenvolve toda uma cultura”, explicou.

Robson Goulart complementou, explicando o recorte histórico do desfile.

“Contamos a história da chegada desses negros em toda a região do Nordeste. Sabemos que lá tem Olodum, candomblé, mas nós explicamos como essas crenças, festejos e tradições chegaram ao Nordeste por meio do povo preto.”

O grande destaque do enredo

Robson destacou o impacto visual que o desfile terá como o grande trunfo do enredo.

“Estamos confiantes no efeito visual. A escola virá bem compacta, com fantasias bem chamativas, bem volumosas. Nossa aposta é nesse diferencial de cores, de efeitos e de alegorias para brigar pelo nosso sonhado título”, afirmou o artista, com entusiasmo.

A parte plástica e estética do desfile

Ao falar sobre a plástica do desfile, Robson voltou a afirmar que a escola está investindo bastante em visuais marcantes. A estética dialoga diretamente com a ideia de força, ancestralidade e presença negra no sertão nordestino, usando volume, cor e impacto visual como elementos centrais da narrativa apresentada pela escola na avenida.

“Estamos trabalhando com bastantes esculturas e com alguns materiais meio diferentes para construir esse enredo”, revelou.

Desafios da Intendente Magalhães

Sobre as dificuldades de colocar o carnaval na avenida da Zona Norte carioca, Ricardo deu sua opinião sem omitir os recursos utilizados e reconhecendo o valor do apoio coletivo.

“Driblamos fazendo empréstimos. A gente faz o empréstimo, começa o carnaval e depois faz um malabarismo para pagar. Mas acaba acontecendo. Um ponto muito forte é o apoio da comunidade. A gente tem uma comunidade muito gostosa, que interage, colabora e chega junto. Assim é mais fácil, porque não precisamos inventar uma comunidade — isso a gente já tem”, disse o carnavalesco, emocionado.

Robson encerrou o papo com otimismo: “No final, tudo dá certo. E vai dar, se Deus quiser.”

Com esse enredo que une história, ancestralidade, identidade negra e visuais ousados, a Independente da Praça da Bandeira promete levar para a Intendente Magalhães um desfile forte, vibrante e emocionante.

Império de Nova Iguaçu aposta em ancestralidade e emoção para homenagear o terreiro Kupapa Unsaba

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A Império de Nova Iguaçu prepara um desfile marcado pela emoção, pela ancestralidade e pelo sentimento de família para o carnaval deste ano, na Intendente Magalhães. Em um papo com o CARNAVALESCO, os carnavalescos Larissa Pereira e Marco Falleiros falaram sobre o enredo “Kupapa Unsaba”, que celebra o legado deste tradicional terreiro de candomblé, destacando a relação afetiva com a escola e adiantando elementos que prometem surpreender o público na avenida.

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Segundo Larissa, a escolha do tema nasceu de uma ligação da comunidade com a escola, ressaltando que a proximidade entre os componentes da Império de Nova Iguaçu se assemelha à vivência do terreiro.

“Esse enredo é de um terreiro que a nossa rainha de bateria, Ingrid Milagre, frequenta, o Kupapa Unsaba. É um terreiro de família, superancestral, que tem costumes muito bonitos. Resolvemos fazer essa homenagem a eles porque a nossa escola também tem muito esse sentimento de família. Nós temos uma relação muito próxima, familiar, da mesma forma que é a relação do terreiro com todo mundo que o frequenta.”

O grande destaque do enredo

Para Falleiros, o ponto alto do desfile está na capacidade de emocionar. Mas ele também adiantou qual ala mais impactará visualmente.

“Com certeza será a emoção. Esse enredo tem várias partes muito bonitas. Vocês podem esperar uma comissão de frente bem diferente, com vários efeitos de iluminação — uma coisa que na Intendente quase não tem. Vamos inovar nesse ponto.”

A parte plástica e estética do desfile

Na construção visual, além da iluminação da comissão de frente, a Império de Nova Iguaçu promete fugir do convencional. Marco contou que o trabalho plástico será totalmente pensado para elevar o nível estético que costuma ser apresentado na Intendente Magalhães.

“Vocês podem esperar alegorias muito bem acabadas, com um trabalho bem diferente do que se usa na Intendente. Nós vamos usar muito espelho e trabalhar com bastante material que ainda não é muito usado por lá.”

Desafios da Intendente Magalhães

Falar de carnaval na Intendente Magalhães também é falar de superação. Para Larissa, o principal combustível para vencer as dificuldades é o envolvimento emocional com o projeto.

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“Eu acho que é muito amor. Quando trabalhamos com amor, conseguimos criar alternativas novas, procurar materiais diferentes e tentar resolver da melhor forma o nosso projeto”, disse a artista, emocionada.

Marco complementou, destacando o reaproveitamento como estratégia fundamental. Segundo ele, o público poderá perceber claramente esse processo criativo na avenida.

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“Sempre procuramos usar a reciclagem, principalmente com esculturas. Isso também é uma maneira de driblar os desafios. Você pega uma escultura que representa uma coisa e transforma em outra. Essa mudança vocês vão ver muito no nosso carnaval.”

Dessa maneira, a Império de Nova Iguaçu aposta na força da ancestralidade, na cumplicidade e na inovação estética para construir um desfile que dialogue com a tradição do candomblé e com a identidade familiar da escola, prometendo emoção e beleza na avenida. A proposta é criar impacto visual e valorizar detalhes, reforçando a importância do terreiro homenageado e sua riqueza cultural, sem abrir mão de acabamento e criatividade.

Superbet apresenta nova plataforma de marca e detalha superplano para o Rio Carnaval 2026

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Consolidando sua presença no Brasil, a Superbet inicia o segundo ano de mercado regulado com o lançamento de uma plataforma de marca disruptiva. Em coletiva realizada em Copacabana, com a presença de executivos da marca, imprensa e o presidente da LIESA, a companhia oficializou seu ambicioso plano de expansão para o Rio Carnaval 2026. O movimento posiciona a Superbet como uma potência de entretenimento, pronta para impactar milhões de brasileiros, e começando pelo coração da maior festa popular do mundo.

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Foto; Victor Chapetta/Divulgação Superbet

O encontro foi conduzido pelo apresentador João Silva, novo embaixador da marca, e contou com a presença de Alex Fonseca, CEO da Superbet, Patrícia Prates, Diretora de Marketing da Superbet, além dos embaixadores Nicole Bahls e Cafu, anunciados como Rei e Rainha do Carnaval Superbet 2026.

O encontro marcou o detalhamento das estratégias da Superbet para o patrocínio do Rio Carnaval 2026 e o lançamento da nova plataforma de marca “Superbet. Você sente quando é super.”, desenvolvida em parceria com a GUT, nova agência criativa da marca no Brasil. O conceito reforça a proposta de fazer com que as pessoas sintam a diversão de forma leve e espontânea.

“O Carnaval é a essência do entretenimento do Brasil e o palco onde a Superbet escolheu lançar sua nova plataforma de marca e reafirmar seu momento de consolidação. Unimos nossa trajetória global à autenticidade brasileira para ampliar o acesso à experiência, investir em inovação e contribuir para um ecossistema cultural que movimenta a cidade e gera impacto ao longo de todo o ano. Como a primeira empresa com licença federal no Brasil, estamos dobrando os esforços para o Carnaval e reafirmamos nossa transparência e visão de longo prazo”, explica Alexandre Fonseca, CEO da Superbet.

Nova plataforma de marca – ‘Superbet, você sente quando é super’

A Superbet anunciou sua nova plataforma de marca, que traz a assinatura “Superbet, você sente quando é super”. “Vamos romper com a comunicação impositiva tradicional da categoria para devolver o protagonismo ao público através de uma estratégia de mídia criativa. A nova campanha, que estreia neste sábado, utiliza o Carnaval como o grande palco para a primeira fase desse projeto.”, comenta Patricia Prates, diretora de Marketing da Superbet.

No evento desta sexta-feira, foi apresentado o primeiro filme da campanha, protagonizados por Nicole Bahls e Cafu, também coroados Rei e Rainha do Carnaval Superbet. A história, dividida em dois momentos, mostra os dois em um camarote na Sapucaí disputando, de forma divertida, quem consegue chegar primeiro ao último canapé da festa, como uma metáfora leve e bem-humorada sobre o espírito de desafio e diversão que move a campanha. A estratégia prevê a revelação do desfecho em um segundo filme, ampliando a conversa nas redes sociais e na TV.

“Queremos que a Superbet seja sinônimo de emoção verdadeira. Por isso, nossa plataforma foca na interatividade, ocupar a cidade e as telas, colocando a vivência do público no centro de tudo. Nosso objetivo é transformar ativações em impacto cultural real, ampliando o acesso ao entretenimento. Queremos celebrar com emoção real e experiências coletivas que arrepiam˜, explica Patrícia. “Neste momento de amadurecimento do mercado regulado, nossa estratégia foca em ampliar o reconhecimento da marca como um player que investe de forma estruturada, legítima e responsável, figurando entre os grandes patrocinadores do País”, finaliza.

Império Serrano revela carro alegórico que consagra o saber negro como Academia Ancestral

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O Império Serrano revelou nesta quinta-feira (5) um de seus carros alegóricos para o Carnaval, intitulado “Casa de Preto também é Academia”. Criada pelo carnavalesco Renato Esteves para o enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, que homenageia a escritora Conceição Evaristo, a alegoria integra o quinto capítulo da narrativa, denomiado Escrevivências, e representa o ponto de consagração intelectual e simbólica do desfile, afirmando o saber negro como produção legítima de conhecimento forjada na vida, na experiência e na coletividade.

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Inspirada na Casa Escrevivência, projeto idealizado por Conceição Evaristo, a alegoria transforma a casa preta em um palácio do conhecimento vivo. Favela, samba, terreiros, casa e rua são apresentados como territórios legítimos de produção intelectual, onde oralidade, memória, corpo e vivência cotidiana constroem pensamentos e filosofias próprias. O carro materializa a inversão simbólica central do enredo: não é a Academia que valida o saber negro, mas o saber negro que amplia o próprio sentido de Academia, conforme explica Renato Esteves.

“O que essa alegoria afirma é que o conhecimento negro nasce da vida e sempre existiu, mesmo quando foi sistematicamente deslegitimado pelas instituições formais. A casa preta vira academia porque é ali que se pensa, se cria, se transmite saber e se constrói pensamento crítico”, destaca o carnavalesco do Império Serrano.

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No interior dessa casa-academia, o samba ocupa papel central como forma de elaboração intelectual coletiva, reconhecendo as escolas de samba como espaços de educação popular e produção de conhecimento.

“O Império Serrano afirma que o conhecimento é campo de disputa e que novas narrativas podem e devem ser escritas a partir da experiência, da memória e da escrevivência”, conclui o carnavalesco.

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O Reizinho de Madureira está em seus últimos ajustes para o Carnaval 2026. A escola será a quarta a desfilar no sábado (14), na Marquês de Sapucaí, em busca do título da Série Ouro.

‘SP no Samba’ mostra o aquecimento para os desfiles das escolas de samba paulistanas

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A menos de uma semana de o primeiro surdo ecoar no Sambódromo do Anhembi e das agremiações de São Paulo entrarem na avenida, a TV Globo convida o público a mergulhar no clima do Carnaval paulistano neste sábado, dia 7, com o programa ‘SP no Samba’. Apresentado pela jornalista Mariana Aldano, a atração mostra de perto os preparativos das 14 escolas do Grupo Especial de São Paulo, revelando histórias de quem trabalha o ano inteiro para construir esse espetáculo cultural que celebra a criatividade, a tradição e a força do samba.

O programa ainda ouve Valeria Almeida e Everaldo Marques que estarao a frente da transmissao dos desfiles na TV Globo 1

 

“O programa é um “esquenta” para a transmissão. Vamos mostrar o rosto de quem não necessariamente desfila, mas faz o desfile acontecer; vamos apresentar os enredos e os sambas de todas as escolas do Grupo Especial; trazer a arte dos trabalhadores de Parintins e relembrar os ensaios das escolas, não apenas nas quadras, mas também no Sambódromo. Vejo o programa também como uma grande homenagem à comunidade carnavalesca, uma celebração a quem dedica a vida a essa festa sublime que, para o público, dura duas noites, mas para os sambistas representa o trabalho de uma vida”, diz a apresentadora Mariana Aldano.

O ‘SP no Samba’ esteve na Fábrica do Samba, espaço localizado no bairro do Bom Retiro, na região central da capital paulista, para mostrar onde nascem os elementos que ganham a avenida. Por lá, meses de trabalho coletivo de cerca de 200 pessoas em cada barracão transformam os enredos em fantasias e alegorias para as escolas e para os milhares de componentes que vão desfilar e encantar o público. O programa conversa com os responsáveis pelas esculturas monumentais dos carros, os aderecistas que cuidam minuciosamente dos detalhes das fantasias e as equipes que operam efeitos especiais que surpreendem o público durante os desfiles.

Os repórteres Gessyca Rocha e Romulo D’Avila também acompanham os ensaios técnicos para mostrar curiosidades e como as escolas ajustam cada elemento antes de entrar no Sambódromo. Esta edição traz ainda um bate-papo com Valéria Almeida e Everaldo Marques, que estarão à frente da transmissão dos desfiles na TV Globo, abordando expectativas, bastidores e a importância cultural do Carnaval paulistano.

O programa ‘SP no Samba’ vai ao ar neste sábado, dia 7, logo depois do ‘Jornal Hoje’.

Série Barracões: Incêndio não cala a Vigário: escola reage e leva à Avenida um Brasil de monstros e heróis

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Em outubro de 2025, a Acadêmicos de Vigário Geral se deparou com um grande obstáculo: o incêndio em seu barracão. Naquele momento, a escola já havia iniciado os preparativos para o Carnaval — tinha os chassis das alegorias, as madeiras necessárias e até esculturas. Porém, com o fogo, houve perda total. A agremiação não teve muito tempo para se lamentar; afinal, o Carnaval se aproxima e a necessidade de retomar os trabalhos o quanto antes falou mais alto.

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Fotos: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Em 2026, a escola levará à Sapucaí o enredo “Brasil Incógnito: o que os seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa”, idealizado pelos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini, com o intuito de recontar a história do Brasil a partir da perspectiva dos monstros e seres mitológicos criados pelos colonizadores. Nessa narrativa, essas figuras são os verdadeiros heróis do país, pois, sem elas, não existiria o famoso “jeitinho brasileiro”. A história será apresentada de forma cômica e sarcástica, sem deixar de lado a crítica proposta.

Durante visita do site CARNAVALESCO a uma das alegorias, Alex e Caio falaram sobre os preparativos e as expectativas para o Carnaval 2026.

“Foi uma missão muito grande se reestruturar. Primeiro, processar tudo o que aconteceu. A gente estava com o barracão bem encaminhado, em um andamento muito bom. O Carnaval não estava pronto, mas estava tudo muito adiantado: madeira, ferragem, escultura. Tivemos um prejuízo muito grande e tivemos que processar tudo muito rápido. Não tivemos tempo de sofrer. O próprio Caio fala que ainda não teve tempo de chorar toda aquela perda. Foi um baque enorme, mas tivemos que virar a chave. Não podemos abaixar a cabeça — e nem é o nosso perfil fazer isso, nem o da Betinha. Em nenhum momento ficamos nos lamentando. Erguemos a cabeça e vamos botar o Carnaval na rua”, disse Alex Carvalho.

Caio Cidrini detalhou os desafios logísticos: “A gente planejou carro, desenhou carro, fez escultura, comprou escultura. Já estávamos com dois carros na madeira — o que, para outubro, é bem adiantado na Série Ouro. Quando pegou fogo, não podíamos nem entrar para retirar nada. E, mesmo se conseguíssemos, teríamos que reconstruir toda a parte mecânica, o que seria muito caro. O primeiro passo foi correr atrás de chassis. Conseguimos um na Estácio, um na Maricá e um no Salgueiro. Depois, percebemos que o mais difícil não era isso, mas encontrar espaço. Tentamos terrenos, buscamos apoio da prefeitura e da Liga. Conseguimos fazer o carro da Estácio no próprio barracão deles, outro próximo à Maricá e um no Arranco. Trabalhar em três lugares ao mesmo tempo muda projeto, estrutura e gera custos de logística. Não tem sido fácil, mas estamos satisfeitos com o que estamos construindo e vamos passar competitivos.”

Apesar da tragédia, a dupla destaca o fortalecimento da comunidade, que tem sido fundamental no processo.

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“Diante da tragédia, tentamos enxergar o lado positivo. Isso deu um gás na escola. A comunidade se comoveu, as pessoas estão somando. Todos abraçaram a situação. Isso fortaleceu o projeto e nos fez acreditar em algo ainda maior”, afirmou Alex.

Caio completou: “Toda a equipe já estava com a gente antes do incêndio. Existe um sentimento de doação maior. É uma montanha-russa de emoções, mas hoje, olhando para o que estamos produzindo, acredito que podemos manter o nível ou até superar o ano passado.”

A ideia do enredo surgiu anos atrás, a partir de anotações de Caio. “Eu já tinha esse enredo há muito tempo. Quando surgiu a oportunidade, fomos pesquisar e percebemos que era contemporâneo, com aspecto decolonial e irreverente, algo que combina com a Vigário.”

Sobre a abordagem estética e narrativa, Alex explicou o equilíbrio entre crítica e humor:

“A gente traz irreverência para dialogar com a crítica. Passamos por três biomas, litoral, floresta e sertão, sempre equilibrando estética bonita, crítica e leveza”.

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Caio acrescentou: “Poderíamos ter sido mais agressivos, mas encontramos humor nessa narrativa. Transformamos o olhar preconceituoso do colonizador em caricatura.”

O grande trunfo, segundo eles, será conseguir colocar o desfile na Avenida com qualidade, apesar de tudo.

“Chegar inteiro já será nossa coroação. Estamos caprichando muito, mesmo com três barracões e logística monstruosa”.

A dupla também aposta no samba-enredo como peça-chave do desfile, fruto de maior aproximação com os compositores neste segundo ano.

Nas fantasias, prometem leveza com volumetria variada, apostando em cores fortes e leitura visual clara.

Entenda o desfile

A Vigário Geral apresentará três alegorias, passando por três biomas brasileiros — litoral, floresta e sertão — com 17 alas e cerca de 1.200 a 1.300 componentes.

Setor 1 – Litoral: estética marítima, com caravela híbrida e criaturas fantásticas.

Setor 2 – Floresta: invasão europeia, imaginário indígena distorcido e alegoria com movimentos inspirados em Parintins.

Setor 3 – Sertão: sincretismo religioso, estética de cordel e o Cramulhão como herói simbólico.

O desfile ressignifica os “monstros” como símbolos da formação cultural brasileira, defendendo que a história de um país também é a história de suas criaturas imaginadas.

Série Barracões: ‘Podem esperar o melhor leão da minha vida para homenagear o Ciça’, promete Tarcísio Zanon

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Falar de Moacyr da Silva Pinto, o mestre Ciça, é lidar com a responsabilidade de transformar em enredo alguém que está vivo, presente e em plena atividade. Para o carnavalesco Tarcísio Zanon, a homenagem que a Viradouro levará à Sapucaí em 2026 nasce de um desejo: falar “de um dos nossos” com paixão e ousadia.

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Carnavalesco Tarcísio Zanon. Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Com participação direta do homenageado em todas as etapas do processo, o enredo se constrói como uma metalinguagem do próprio carnaval, transformando ritmo em fantasia, memória em alegoria e a trajetória de um grande personagem do carnaval carioca em afirmação coletiva de escola de samba.

“É bem desafiador porque, quando a gente fala de um dos nossos, precisamos nos dedicar ainda mais. Falar do Ciça em pleno exercício da função é motivar toda uma geração de sambistas. Estamos vendo o Ciça feliz, motivado, vivo mais do que nunca e em um momento genial da carreira dele”, declarou Tarcísio Zanon.

Ciça além da bateria

A decisão de homenagear Ciça no Carnaval 2026 partiu da diretoria da Viradouro e foi recebida com entusiasmo pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. A proposta ganhou contornos ainda mais simbólicos por reunir, em um mesmo desfile, três marcos históricos: os 55 anos de trajetória de Ciça no samba, seus 70 anos de vida e os 80 anos da própria escola.

Para Tarcísio, tratar de um personagem importante da história do samba, ainda em plena atividade, impôs desde o início um desafio.

“Foi muito difícil recortar o enredo”, afirmou o carnavalesco, ao comentar o volume de histórias, funções e invenções acumuladas por Ciça ao longo de mais de cinco décadas de atuação no carnaval. A longevidade do mestre de bateria, somada à sua presença ativa no cotidiano da escola, exigiu um processo de pesquisa cuidadoso, capaz de transformar uma trajetória extensa em desfile.

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Ao longo desse trabalho, surgiram aspectos pouco conhecidos do público, que ajudaram a ampliar a compreensão sobre a formação de Ciça para além da bateria. Um deles foi a descoberta de que o mestre já havia atuado como mestre-sala de um bloco no início de sua trajetória.

“Se você sentar para conversar com o Ciça, descobre muita coisa inusitada”, disse Tarcísio, que revelou que Ciça chegou a demonstrar alguns riscados quando questionado sobre o passado bailarino. “Ele mostrou que tem um ‘molho’ para o negócio”, resumiu.

Do menino ritmista ao mestre de bateria

A partir das descobertas da pesquisa, o enredo da Viradouro se organiza como uma narrativa que acompanha Ciça desde a infância até a consolidação como mestre de bateria. Segundo o carnavalesco, a proposta vai além de uma narrativa biográfica e busca apresentar um personagem formado integralmente dentro da escola de samba.

“Ciça é uma escola de samba inteira em si”, afirmou.

“O Ciça foi formado e forjado em escola de samba. Toda a estética, todo o carnaval do Ciça é escola de samba em todos os seus segmentos, em todos os seus fundamentos, porque ele carrega tudo isso com ele.”

A proposta é mostrar Ciça para além da função de mestre de bateria, conectando ritmo, dança e experimentação artística em uma mesma trajetória.

“É um enredo de metalinguagem”, explicou Tarcísio, ao indicar que a história do homenageado se confunde com a própria história da escola de samba. No visual, o ritmo, elemento fundamental da atuação de Ciça, deixa de ser apenas musical e passa a ser traduzido em fantasias e alegorias, influenciando a estética do desfile.

A ousadia, marca recorrente da trajetória do mestre, também aparece como princípio criativo do projeto. Tarcísio prometeu reviver momentos marcantes da carreira do mestre de bateria, como o desfile “A Viradouro Vira o Jogo” (2007), no qual Ciça sobe com os ritmistas da bateria Furacão Vermelho e Branco em uma alegoria.

“Toda vez que vamos fazer um ‘revival’, precisamos trazer um tempero a mais. E o tempero a mais é o que se espera do Ciça”, declarou o artista, relembrando a frase do homenageado: “Eu não vou para a Avenida para fazer feijão com arroz”.

O Leão da Estácio coroado na Viradouro

Símbolo da Estácio, escola de coração de Ciça, o Leão ocupa lugar carinhoso na construção visual do enredo da Viradouro para 2026. Ao comentar o tema, Tarcísio Zanon chegou a brincar com a expectativa em torno do símbolo.

“Nem sei se vai ter leão”, disse, em tom de brincadeira, antes de detalhar o cuidado envolvido na criação da imagem.

Segundo ele, o Leão foi objeto de um estudo detalhado, que levou em conta tanto a trajetória de Ciça quanto sua própria relação com as duas escolas, ambas vermelha e branca. O carnavalesco já atuou na Estácio antes de assumir a Viradouro, fator que, segundo ele, reforça o cuidado no tratamento visual do símbolo estaciano.

“Podem esperar o melhor leão da minha vida para homenagear o Ciça”, prometeu.

Fantasias: leveza e conforto para os componentes

Para o Carnaval 2026, a Viradouro aposta em fantasias mais leves, com atenção especial à ergonomia e ao conforto do componente. Segundo Tarcísio Zanon, a decisão dialoga diretamente com o enredo e com a trajetória de Ciça, marcada pela valorização dos ritmistas.

O projeto de figurinos retoma referências de carnavais das décadas de 1970 e 1980 — períodos vividos intensamente pelo mestre — conhecidos por indumentárias menos pesadas e maior liberdade corporal. A releitura, no entanto, incorpora materiais contemporâneos e soluções técnicas atuais.

“Queremos reviver esses carnavais utilizando tecnologia como o tecido dry fit, tecido de atleta que troca calor, para possibilitar maior conforto para a temperatura corporal do componente. Estamos fazendo tudo para trazer esse conforto, até porque esse enredo pede muito a espontaneidade do componente. É um enredo vivo, um enredo folião, um enredo leve”, revelou ao CARNAVALESCO.

A expectativa é que o conjunto contribua para uma leitura mais fluida da escola na Avenida, sem comprometer o impacto visual.

Estética do metal

A presença do metal como eixo da estética da Viradouro em 2026 não é apenas uma escolha visual, mas parte da narrativa construída em torno da trajetória de mestre Ciça.

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“O que tem permeado muito a estética desse desfile é o metal, porque a bateria é feita de metal”, explicou Tarcísio. Para além dos instrumentos, ele lembrou que o material também remete à história pessoal do homenageado fora do samba.

“O primeiro ofício do Ciça foi trabalhando com solda, com mecânica. Então o metal vai estar presente em todos os setores da escola.”

A proposta dialoga com uma linguagem assumidamente carnavalesca, que o artista define como “pamplonesca”, sem abrir mão do rigor técnico.

Entre os setores está o chamado “Bonde do Caveira”, que traduz, em linguagem alegórica, a forma como Ciça exerce sua liderança à frente da bateria.

“A gente não pode falar do Ciça sem a jocosidade. Ele é um cara leve, divertido, mas, ao mesmo tempo, de muita responsabilidade. É o primeiro a chegar e o último a sair.”

Permanência e vínculo com a escola

À frente do carnaval da Viradouro desde 2020, Tarcísio Zanon afirma o desejo de seguir na escola, embora ressalte que qualquer definição depende do resultado do desfile.

“Querer estar na Viradouro, sempre. É claro que a gente só sabe quando termina o carnaval. Depende de muitas coisas, de resultado.”

O envolvimento com o enredo de 2026 reforça esse sentimento:

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“Amo estar aqui, amo essa equipe, amo essa escola, amo essa comunidade, amo essa presidência. Amo estar fazendo Ciça. Tudo aqui é só amor esse ano”, finalizou.

Conheça o desfile

A Viradouro levará para a Marquês de Sapucaí, no Carnaval 2026, um desfile estruturado em seis alegorias, dois tripés e o elemento alegórico da Comissão de Frente. Ao todo, a escola contará com 23 alas e um contingente estimado entre 2.500 e 2.700 componentes.

O enredo acompanha a trajetória de Moacyr da Silva Pinto, o mestre Ciça, desde a formação no samba até o legado construído como mestre de bateria. Em vez de setores, o carnavalesco chama os segmentos de cabines.

1ª Cabine

Apresenta o berço do samba e a origem do menino ritmista, destacando o contato inicial com o ritmo, sobretudo pela dança. O desfile aborda a passagem de Ciça como passista e mestre-sala, evidenciando sua relação com o corpo e a cena.

2ª Cabine

Ciça surge como percussionista na bateria do São Carlos, período em que ganha destaque. O setor retrata sua formação rítmica, o apelido de “Rei dos Naipes” e momentos como o campeonato de 1992 com “Pauliceia Desvairada”, da Estácio.

3ª Cabine

Marca a fase das grandes ousadias, com passagens por diferentes escolas e inovações coreográficas: tambores erguidos, bateria ajoelhada em “Sete Pecados Capitais” (Viradouro 2001) e ritmistas sobre alegorias em “A Viradouro Vira o Jogo” (2007), até os títulos de 2020 e 2024.

4ª Cabine

Apresenta o Bonde do Caveira, simbolizando sua liderança e a formação de novos mestres de bateria.

5ª Cabine

Encerra o percurso com grande celebração: os 70 anos de Ciça, 55 de samba e 80 da Viradouro, além do futuro da escola, com participação de jovens da mirim Virando Esperança.

Das sombras do manicômio à luz da arte: Curicica homenageia Arlindo Oliveira

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Os carnavalescos Braulio Malheiro e Gleydson Castro falaram ao CARNAVALESCO sobre o enredo “As Viagens de Arlindo – Minha Loucura é Ser Artista”, da União do Parque Curicica, escola da Intendente Magalhães, que homenageia Arlindo Oliveira, artista plástico que ressignificou os desafios da saúde mental no Ateliê Gaia, localizado na Colônia Juliano Moreira, em Curicica (Zona Oeste do Rio de Janeiro). O espaço foi um dos maiores e mais antigos complexos manicomiais do Brasil, inaugurado em 1924 para abrigar pacientes psiquiátricos.

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“O enredo não é nosso. O enredo é do professor Nilton Gamba Jr., da PUC. Ele teve contato com o Arlindo por muitos anos e fez uma exposição de obras dele na própria PUC. A partir disso, levou esse enredo para a escola. Nós setorizamos e fizemos a sinopse”, explicou Braulio.

“Todo o processo criativo partiu da gente junto com ele, para construir essa narrativa ali na Intendente”, complementou Gleydson.

O grande destaque do enredo

Para os carnavalescos, o maior trunfo está no resgate do território e das histórias que ele produz.

“Falar dele já é um grande trunfo, porque a ideia do enredo é falar da localidade, resgatar esse lugar, que é a região da Colônia, ali em Curicica, com bairros muito próximos. O enredo é, na verdade, olhar para dentro de si, para dentro dos artistas que a comunidade produz. Por mais que o Arlindo não seja nascido ali, ele viveu a vida naquele local”, afirmou Gleydson.

Braulio pontuou que Arlindo se tornou parte do imaginário popular da região. “Existem histórias folclóricas sobre ele em Curicica, como a do boi que ele matou, um mito que assombrava o bairro. Quando ele saiu com a cabeça do boi, tornou-se, para ele e para os moradores, o herói de Curicica”.

Gleydson ressaltou a importância de mostrar a criatividade que existia dentro da Colônia.

“Também mostramos todo o processo artístico que aconteceu durante o período em que ele esteve internado. É engrandecedor falar disso e mostrar para o mundo que ali existia uma semente artística, como Bispo do Rosário, Estela do Patrocínio, Arlindo de Oliveira e tantos outros do Ateliê Gaia. Muita gente conhece o Bispo do Rosário, mas a colônia produziu muitos artistas visuais e também vocais, como Estela do Patrocínio. Existe uma potência artística enorme ali, na Zona Oeste, em Jacarepaguá, que muitas vezes passa despercebida. Hoje ainda existem artistas atuando lá, no Ateliê Gaia, com diversas vertentes. A colônia, que nos anos 60 e 70 chegou a ter mais de três mil pessoas internadas, hoje é um espaço que respira arte e vida. Nos anos 80 e 90 havia ali um espaço voltado para o carnaval. Escolas levavam alas para serem produzidas junto com os internos. O carnaval sempre esteve presente naquele espaço”.

Braulio lembrou o estigma histórico do local e a necessidade de ressignificação, destacando personagens fundamentais dessa história e fazendo um convite:

“Jacarepaguá, por muito tempo, foi conhecido como o ‘bairro dos loucos’. No final, fazemos uma homenagem ao centenário da Colônia Juliano Moreira, que completa 100 anos, destacando essa contribuição artística que ela deu e ainda dá para a cidade do Rio de Janeiro. Quem ainda não conhece o museu que existe dentro da colônia, vale muito a pena visitar. Durante as visitas, descobrimos também que Dona Ivone Lara foi terapeuta ocupacional e enfermeira de saúde mental, e que ela, junto com Nise da Silveira, ajudou a romper com o estigma do manicômio, trabalhando com pintura e música para resgatar os internos”.

A parte plástica e estética do desfile

Visualmente, a União do Parque Curicica promete evolução em relação ao último carnaval.

“A gente aumentou a escola em relação ao último desfile. Como a escola saiu da posição 11, trouxemos fantasias mais altas, sempre respeitando o espaço da Intendente Magalhães. Utilizamos materiais que favorecem a luminosidade, como muito acetato, para potencializar o brilho. As alegorias terão mais cenografia e menos pessoas”, explicou Braulio.

Gleydson adiantou que a estética nasce das próprias referências do território:

“Todo esse processo artístico é alimentado pelas referências que encontramos naquele local. Queremos entregar para a comunidade uma escola bonita, com volume, uma estética interessante, buscando o grande objetivo, que é o título e o retorno à Sapucaí”.

Desafios da Intendente Magalhães

Para driblar as dificuldades financeiras e estruturais, o reaproveitamento é palavra-chave.

“Inicialmente, olhamos tudo o que a escola tinha do último carnaval: materiais que sobraram, bases, cores. Aproveitamos tudo o que foi possível encaixar no novo projeto. Trabalhamos com métrica muito certinha, comprando exatamente o necessário e evitando desperdício”, contou Braulio.

Gleydson explicou que o processo envolve garimpo e resumiu a filosofia da dupla:

“Também trabalhamos com doações, sempre deixando clara a nossa assinatura estética.”

Braulio reforçou: “Reaproveitar não significa que alguém verá fantasia do ano passado. Nosso processo é técnico e artístico ao mesmo tempo. Sabemos quanto custa cada fantasia. É um trabalho pensado também no bolso da escola. A escola está feliz com o enredo, a comunidade está orgulhosa. Falar do próprio bairro é muito significativo para eles”.

Assim, a União do Parque Curicica dá luz a uma história rica da cultura brasileira que surgiu — e segue viva — na Zona Oeste carioca através da arte.