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Vídeos Imperatriz no Sambódromo: arrancada, bateria, casal e ensaio completo

Comissão de Frente e carro de som se destacam em ensaio técnico da São Clemente na Sapucaí

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Segunda agremiação da noite de domingo a ensaiar na Sapucaí, a São Clemente conquistou o público logo de início com a apresentação da sua comissão de frente, comandada pelo coreógrafo Junior Scapin. A coreografia dinâmica, teatral e muito expressiva deu show de irreverência e arrancou aplausos pelos setores onde passou. Tudo a ver com o homenageado da escola neste carnaval de 2022: o ator Paulo Gustavo, que sabia conquistar uma plateia como ninguém. Destaque também para a Fiel Bateria e para o carro de som de Leozinho Nunes e Maninho. O ensaio durou 60 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

Todo o primeiro setor da São Clemente veio cantando forte o samba-enredo, com muita alegria e animação. As alas dos setores seguintes mantiveram a empolgação, executando um bom canto durante o ensaio todo, sem ninguém precisar ficar lendo a letra do samba.

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“O canto da escola está muito bom, considerando que na avenida só tem um carro de som, o que você escuta na frente, que é justamente onde eu venho. Fizemos um ótimo aquecimento, ensaio técnico é para isso, ensaiar, apurar e melhorar para o desfile principal. Hoje foi um aquecimento, onde sem fantasia e alegoria, nós passamos. Já retomamos o gosto e o carinho de atravessar a passarela do samba, agora é aguardar um desfile maravilhoso da São Clemente para abril. Pela primeira vez, a São Clemente está com muita expectativa. Brigaremos para ficar entre as seis melhores”, prometeu Roberto Almeida Gomes, da direção clementiana.

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O casal de mestre-sala e porta-bandeira Vinícius Pessanha e Jack Pessanha deu um show de simpatia e sincronia em sua apresentação. A coreografia construída em cima do samba-enredo foi muito bem executada pela dupla que se entende muito fácil, já que são irmãos. Jack esbanjou leveza em seus giros, enquanto Vinícius riscava o chão da Sapucaí nos 2m17s de exibição. Os dois estavam trajados inteiramente de preto. A saia da porta-bandeira chegou ao último módulo de desfile com parte do tecido arrastando na avenida, e enganchando no salto do sapato dela, o que não chegou a comprometer a belíssima passagem do casal clementiano.

“Pra gente é muito gratificante, emocionante. Depois de estar esse tempo todo parado e sem pisar na Sapucaí. Homenageando Paulo Gustavo e ao lado do meu irmão, agradeço a toda a nação clementiana por me dar a oportunidade de defender esse pavilhão. Nós estamos muito felizes e muito gratos pela oportunidade de estar aqui”, disse Jack.

“Costumo dizer que sou uma pessoa muito decidida, porque faço o que amo, no lugar que amo e com a pessoa que mais amo no mundo. É impossível não estar emocionado, é impossível não se emocionar com a nação clementiana, com esse samba e com Paulo Gustavo. Não preciso dizer mais nada, pois só minha alegria e minha ansiedade já basta por si só”, contou o mestre-sala.

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E foi “mostrando a cara da nossa gente” que a São Clemente conquistou o público do Sambódromo. O samba-enredo funcionou muito bem entre os componentes, como também foi cantado pelas arquibancadas, especialmente nos refrões: “Dona Hermínia mandou avisar que pode…” e “São clementes aqueles que amam/ Que cuidam, que sentem…”. Os intérpretes Leozinho Nunes e Maninho, assim como todo o carro de som da escola, fizeram uma apresentação impecável, impulsionando o canto dos clementianos. O compositor Marcelo Adnet participou ativamente do ensaio.

“Eu achei o rendimento do samba maravilhoso, o povo cantando nas arquibancadas. O povo queria escutar o Paulo Gustavo e aí está ele com muito amor, alegria e irreverência. Tenho certeza que ele está lá de cima vendo a São Clemente muito feliz, assim como todo o povo que também está carente de felicidade, de samba. Tenho certeza que vai funcionar e será muito mais emotivo por conta dos carros alegóricos, fantasias, iluminação. O povo está esperando por isso há dois anos. Será emocionante e o samba vai render ainda mais do que hoje no ensaio”, afirmou Leozinho Nunes.

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“Vamos vir com tudo. Nos preparamos muito para conseguir entregar um excelente desfile e se papai do céu abençoar, voltarmos entre as seis primeiras colocadas. É isso que o presidente tanto almeja e é o nosso objetivo esse ano. Foi um ensaio maravilhoso, a
escola veio muito bem. Como sempre, a bateria também se superou. A escola precisava de um momento como esse: cantar um samba que a arquibancada correspondesse da mesma forma. Agora vamos trabalhar mais e mais para que em abril possamos fazer um excelente desfile que é a nossa ideia”, completou Maninho.

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A Fiel Bateria, de mestre Caliquinho, foi mais um dos pontos fortes da escola da Zona Sul carioca. Executando bossas elaboradas em cima da melodia do samba, os ritmistas passaram ‘tirando onda’ na avenida. Foi possível ouvir com clareza cada naipe de instrumentos durante a passagem da bateria. Raphaela Gomes reinou à frente da bateria e estava deslumbrante.

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“Melhorar um pouco o andamento, o andamento que eu digo é a harmonia, mas foi bom pra caramba. O andamento no início tava muito rápido, mas deu pra levar e as bossas encaixaram certinho do jeito que a gente vem ensaiando, fazendo festa, fazendo apresentações em outras agremiações, aquele show que demos lá na Cidade do Samba, hoje foi a mesma coisa, falei pra galera tocar com alegria, descontraído. Somos uma escola que não tem apito do primeiro mestre até o último mestre, então deu pra levar, só vamos ter que ajustar algumas coisas, no dia vamos usar fantasia por exemplo, mas hoje é nota 10 pra bateria”, afirmou o mestre, que terá 270 ritmistas no desfile.

De modo geral a São Clemente mostrou uma boa evolução ao longo do ensaio. As alas vieram compactas na maior parte da avenida, dançando e “dizendo no pé”. O único deslize ocorreu na entrada da bateria no segundo recuo, quando os integrantes das alas que vinham a frente da bateria acabaram ficando muito ‘espaçados’ entre si, o que provocou um buraco. Depois disso a escola se acertou novamente, dando continuidade ao seu ensaio com muita alegria.

A ala dos passistas era uma das mais animadas, transparecendo muito samba pé. A frente da ala dos passistas, com uma fantasia toda preta, veio Thelma Assis, a Thelminha, ganhadora do BBB20, sambando e atraindo olhares do público. Foi uma exibição memorável da escola do bairro de Botafogo.

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A empolgação estava nítida nos componentes da escola, de todos os segmentos. A São Clemente veio muito leve, alto astral e irreverente para homenagear “Paulo Gustavo pra sempre”. Tudo indica que o desfile será emocionante. A escola é a quarta a desfilar no dia 22 de abril, sexta-feira, com o enredo “Minha Vida É Uma Peça”.

Participaram da cobertura: Leonardo Damico, Allan Duffes, Eduardo Frois, Lucas Santos, José Luiz Moreira, Luan Costa, Ingrid Marins e Isabelly Luz

Com canto forte, Rosas de Ouro fecha primeiro fim de semana de ensaios no Anhembi com chave de ouro

A Rosas de Ouro entrou no Sambódromo do Anhembi, na noite do útlimo domingo para o seu primeiro ensaio técnico em 2022 e com um canto forte dos componentes, harmonia e evolução fluíram, com a bateria conduziu a escola. O samba da cura funcionou entre comunidade e carro de som. A escola entrou com uma faixa com o principal trecho do samba: “Entenda que o samba também tem o dom de curar”. Foram vistos componentes representante diversas religiões, já uma mostra do que virá no desfile, inclusive, a presidente Angelina, representando Madre Teresa (foto).

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Fotos de Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP

Harmonia é o principal destaque

De ala a ala, a Rosas de Ouro cantou muito forte o samba-enredo ‘Sanitatem’, e passou com muita tranquilidade pelo Anhembi. Deu para sentir o astral, a empolgação e a leveza da escola neste retorno ao palco do samba. A escola fluiu muito bem no quesitoe também em a evolução. As alas fizeram coreografia, leve, em momentos fazendo o sinal de reza e fé, também utilizaram paradinha com aplausos e canto forte da comunidade.

Fica até difícil destacar uma ala, afinal, a roseira funcionou muito bem neste ensaio. Sem pedir que evolução e harmonia cobrassem rigidamente, a comunidade estava afiada. A ala Raça veio cantando, coreografando, assim como a D’Boemia mostrou. Ala das baianas também cantou, e na roupa alternaram algumas com branco e outras de rosa, contraste bonito.

O diretor de carnaval, Evandro do Rosas, comentou sobre o ensaio: “A gente sai daqui com o saldo positivo. Depois de dois anos praticamente parados. Hoje conseguimos juntar todos os segmentos. A gente deu um primeiro passo muito importante para aprimorar até o desfile. E o canto da escola me agradou bastante”.

Em outro momento, o diretor falou: “Temos que acertar um pouco a questão de evolução da escola. Mas que dá para se entender por conta de dois anos parados, primeira vez que a gente encontra o pessoal. Mas mesmo assim foi muito bom, mas a gente sabe que pode ser muito melhor, a escola pode render muito mais”.

Por fim, Evandro relatou o que pode melhorar: “Saldo positivo, bom, pode chegar no ótimo, dá para melhorar bastante. Mas é muito bom o que a gente fez aqui. A questão da parada com o recuo, a gente precisa acertar, pois é muita gente envolvida neste momento em setores diferentes da avenida, então são acertos pequeninhos para no dia passar perfeito na avenida”.

Mestre-sala e porta-bandeira

O primeiro casal da roseira, Everson Sena e Isabel Casagrande, mostrou desenvoltura e entrosamento ao carregar o pavilhão, cumprindo os requisitos em cada módulo. Fizeram seu bailado vestindo dourado, vermelho e laranja. Simularam apresentação para todas as cabines, e foram aplaudidos pelo público presente no ensaio. Um momento legal, mas antes de entrar na pista, foi a união dos mestres salas e porta bandeiras na concentração. Misturaram os pavilhões, deram as mãos e fizeram uma dança entre eles.

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A porta-bandeira Isabel Casagrande fez uma análise sobre o primeiro ensaio neste retorno: “Fazia tempo que a gente não fazia esse ensaio técnico geral e tem bastante que coisa que precisamos ajustar. Hoje a gente pode errar, mas no dia do desfile, não. Porém, o que pesa mesmo é a resistência. Muito tempo parado, judiou de nós. Eu não me daria 10, mas estamos no caminho dos 40”.

Enquanto o mestre sala também elogiou desempenho, Everson Sena avaliou: “Acho que a gente veio bem. A fantasia ajudou para ajudar na resistência e então depois de dois anos, sentir o chão da escola no Anhembi, faz toda diferença para nós. Então, eu acredito que foi interessante, mas no próximo, com certeza vai ser melhor. A partir de segunda-feira, a gente começa os ensaios técnicos aqui no Anhembi. Já ajuda a gente entender e sentir o chão”.

Samba-enredo pegou

Neste primeiro ensaio, a escola mostrou que o samba-enredo tende a funcionar. Com uma temática muito atual, rituais de cura, foi cantada da concentração até a dispersão com muita força dos componentes. O carro de som comandado por Royce do Cavaco também desenvolveu sua parte positivamente. O começo do samba é o que chamou mais atenção: “Vem celebrar, é festa no terreiro Tem Identidade, meu batuque curandeiro Saudade de te abraçar Rosas, a mais linda flor num gesto de amor”.

Royce do Cavaco avaliou o primeiro ensaio técnico: “A atmosfera foi muita boa. O samba ajuda, a bateria é sensacional, estamos com o carro de som redondo, é só acertar algumas coisas e, na minha humilde opinião, foi muito bom. É um samba que saiu da mesmice. Buscou um caminho diferente, tanto em letra, como em melodia e abusou de um artifício que é subida lá no ‘coqueiro’ da melodia e descidas lá embaixo. A gente tem que ter muito cuidado e muita inteligência para subir no agudo e descer no grave”.

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De domingo a domingo, a Rosas saiu do ensaio de rua para o do Anhembi, e o intérprete relatou: “Aqui no Anhembi é tudo diferente da quadra, porque não se tem visão da evolução e de comunhão. Muitas alas ensaiam até fora, mas aqui na passarela chegam mais pessoa. Isso é Roseira”.

Bateria

A bateria comandada por mestre Rafa brincou na avenida. Como o mesmo disse em conversa na última semana na quadra: ‘é uma bagunça organizada’. E foi justamente isso, um show à parte. Em alguns momentos na última estrofe do samba, os ritmistas agachavam, e depois levantavam. Também em um determinado momento, acendiam uma espécie de sinalizador no meio da bateria.

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De modo geral junto com a harmonia, foi ponto alto da escola. Souberam fazer o que pede o regulamento, e junto trouxeram entretenimento para a escola, público, ou seja, muito bem conduzido com seu ritmo e realizando ao menos quatro bossas. A rainha Ana Beatriz Godoi estava toda de dourado e reinou. E, atrás da bateria, jovens com roupa clara, com pintura semelhante a indígena, maioria de mulheres. Só um detalhe é a movimentação dos componentes, que acaba sendo bem interativa entre a própria bateria e a escola, mas que acaba chamando atenção do diretor de carnaval relatado a cima.

Mestre Rafa fez sua análise: “Foi bacana. Pequenos detalhes mesmo. Coisa bem básica assim para arrumar. A gente conseguiu entregar 95% do que a gente queria, que a gente vem ensaiando, afinal de contas são dois anos ensaiando. Tinha uma obrigação de apresentar um bom trabalho no meu ponto de vista. Se a minha comunidade, meus ritmistas, minha diretoria está feliz, eu estou feliz também e satisfeito, completo. Porque na hora que passamos naquela faixa amarela ali a gente vê no olhar de cada um, no sorriso de cada um, a gente vê que entregou um trabalho, as pessoas parabenizando, e isso para nós é sem preço, independente de nota. Nota é muito importante mas o reconhecimento do povo é “fo..”, não tem preço”.

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O comandante da “Bateria Com Identidade” que contou com componentes de pintura facial no estilo indígena. “No geral a escola pode cantar mais. O andamento da escola, de evolução, deu uma oscilada. Isso eu posso fazer porque a gente andou rápido, um pouquinho devagar, mas é tudo detalhes que a gente tem que ajustar. Na bateria mesmo hoje, no meu ponto de vista eu não vi muita coisa. Agora eu vou conversar com meus diretores, com a rapaziada, e no mais o que senti assim foi 95% mesmo, pouquíssima coisa. O único problema mesmo foi lá no começo mesmo, na chamada, na hora que começou mesmo deu aquela “rateada”, mas a gente contornou e veio tirando onda, do jeito que a gente gosta”.

Por fim, mestre Rafa disse o ponto máximo do ensaio: “A energia da rapaziada. Não vou nem fala de bossa grande, nem de nada. A energia deles, a energia da rapaziada, do meu povo. A energia deles é tudo para mim, a troca de energia que a gente tem é foda. Esse é o ponto forte da Bateria com Identidade”.

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Evolução

Como citado acima, a evolução da Rosas de Ouro funcionou dentro do que é pedido no regulamento. Fez um desfile dentro do tempo, sem correr, pelo contrário, passou com muita tranquilidade e harmonia. A comissão de frente veio de branco, com emblema da Rosas nas costas uma apresentação protocolar e discreta, deixando o mistério maior para o dia do desfile…

Outros pontos

A escola teve presença da musa Thais Bianca que veio com uma fantasia que chamou muito atenção. No início interagiu bastante com a bateria, depois esteve de destaque de chão. Outra destaque é a passista do Salgueiro, e musa da Rosas, Fernanda Catanoce. A ex-BBB, Munik Nunes também esteve presente com um visual colorido. Temos que destacar a presidente Angelina Basílio, vestida de Madre Teresa, e mostrou muita força no antes e depois do desfile no recado dado para a comunidade. Ou seja, a escola teve caracterizações ao tema, teve pessoas ligadas as diversas religiões entre musas e destaques que estarão nos carros alegóricos. A roseira contou com a força da torcida que marcou presença, acendeu sinalizadores, tremulou bandeiras, e foi onde a escola mais mostrava empolgação.

Mais imagens do ensaio

Bateria mostra o caminho a ser seguido no ensaio dos Gaviões da Fiel

Os Gaviões da Fiel fizeram seu primeiro ensaio técnico na tarde do último domingo (13), no Sambódromo do Anhembi. Se preparando para o desfile oficial, a “Torcida que Samba” será a segunda escola a se apresentar no dia 23 de abril. Quesitos muito fortes da agremiação, a bateria Ritimão ditou a trilha da marcante dança do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Wagner Lima e Gabriela Mondjian. Por outro lado, a Harmonia precisará trabalhar nos componentes das alas a intensidade da transmissão do recado que seu forte enredo exige.

Apostando em uma composição de alas mais convencional, houve um grande esforço dos diretores em alavancar os ânimos dos desfilantes, que em geral pouco cantaram e atendiam a comandos, ao mesmo tempo que se preocupavam em não desacelerar a evolução. A ala “Luta Indígena” se destacou positivamente, com pessoas cantando forte e bem animadas por todo percurso. Será importante para a escola dar uma chacoalhada no seu pessoal para o próximo ensaio.

Thiago Dionísio, diretor de carnaval dos Gaviões, fez uma análise do ensaio. “É o carnaval da vida, é um ano atípico e está bem diferente. Foi difícil trazer o componente, apesar de toda essa fase de pandemia. Hoje, trouxemos quase 700 componentes e, com chuva e todas as barreiras, fizemos um ensaio limpo. A gente espera na semana que vem fazer um ensaio melhor para 2022, passar muito bem”, disse.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Falando em chuva, a mesma não foi capaz de tirar o brilho do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira dos Gaviões. Com roupas deslumbrantes e muita disposição, Wagner e Gabriela deram grande mostra de vigor e entrosamento em sua dança magistral, e saíram muito satisfeitos do ensaio. Os guardiões do pavilhão alvinegro não esconderam a satisfação com seu desempenho na avenida.

“Como teve a pandemia, a gente vem em um trabalho árduo desde outubro. Pela volta do Anhembi, emoção, psicológico, a saudade do Anhembi, acho que foi a nossa volta, foi mais que a nossa expectativa. A gente supriu tudo, nosso desenho de pista foi perfeito e só tende a melhorar. O clima do Gaviões também ajudou. Foi perfeito nosso rendimento”, disse Gabriela.

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“Mesma opinião da Gabi. É difícil vir nesta pista quando tá molhado, é perigoso. A gente deu uma economizada, mas a emoção tira o que se tem de segurança, e deixa o coração levar. Mas foi um ensaio bem produtivo. Tirando depois de um tempo enorme da pandemia. Conseguimos o desenho que a gente colocou no papel, desenhamos na pista. Estamos felizes neste primeiro ensaio”, completou Wagner.

Sobre acertos a serem feitos, a dupla apontou pequenos detalhes a serem aprimorados. “Coisas mínimas, coisas que todos os casais passam. Questão mais de limpeza de movimento, mas coisa muito pouca. Como a gente já está em reta final do carnaval, nosso trabalho já está pronto. Só limpar uma coisa ou outra, mas não é nada grave não”, analisou a porta-bandeira. “A gente é chato, somos dança. Para nós nunca está perfeito tudo, mas de 100%, a gente está 9,9 de se acertar algumas coisas, é tudo detalhe, dança é tudo detalhe. Então esse detalhe a gente deixa que teve surpresinha. Nem tudo que está papel a gente desenhou na pista”, ressaltou o mestre-sala.

Contagiados pela alegria de estarem de volta ao Anhembi, o casal apontou seus momentos preferidos do ensaio. “(A arquibancada) Monumental com certeza. É onde a gente pega energia da nossa torcida. A energia corintiana. A gente bota na pista, em cima do trabalho”, exaltou Gabriela. Tirando o monumental que é a nossa raiz, a gente saiu da torcida. Então a gente vê a festa na arquibancada, a festa nos nossos corações a mil. A volta de tantos, amigos e familiares que se foram nesta pandemia, mas está de volta aqui com saúde, fazendo o que ama e ver nosso pavilhão tremular é uma enorme satisfação”, completou Wagner.

Samba-enredo

O samba, que é a trilha sonora do enredo tão marcante da Fiel Torcida, casou perfeitamente com o gabaritado time de canto. Uma união primorosa de samba e bateria se fez presente. Considerado por muitos um dos melhores sambas do ano, esse deve ser um quesito com o qual a escola não precisará se preocupar.

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Foto: Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP

Lenda viva do carnaval de São Paulo, o intérprete Ernesto Teixeira avaliou positivamente o desempenho do samba dos Gaviões. “Da onde estou ali, foi tudo maravilhoso. É claro que iremos ver as gravações agora para analisar direitinho o canto da escola, que eu acredito ser tudo 100%. Mas tenho que falar ali do ambiente que eu vivo, que é a bateria e as alas que passam na frente da gente, próximo ao recuo. Gaviões vem para fazer um grande desfile. E a gente foi muito feliz no enredo. O enredo é atual, é o que enredo que o povo tá clamando, a gente está caminhando para uma guerra. E a gente tem que protestar contra tudo isso. O carnaval é uma fonte para a gente mudar o mundo”, exaltou o cantor.

Sobre os pontos a serem acertados, Ernesto explicou as diferenças entre ensaio e desfile oficial para valorizar o desempenho da escola. “De som a gente precisa esperar. Aqui é um ensaio técnico, é só um carro de som, como eu disse, a gente precisa pensar tudo com positividade. Hoje todo mundo estava aqui depois de anos, com todo mundo parado, sem poder pisar no Sambódromo. Não tem nada para melhorar. Hoje aqui foi aquele 100%, positividade total, a gente analisa e para o próximo vê como vem”.

Sobre o que mais gostou de ver nesse ensaio, a voz dos Gaviões exaltou a presença da comunidade. “Presença do povo. Ver gente na rua, bateria tocando. E esse carinho do povo no final, abraçando, tirando foto”, concluiu.

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Bateria

A Ritimão mostrou no Sambódromo que nem mesmo os dois anos longe da avenida foram capazes de comprometer um dos melhores quesitos historicamente dos Gaviões da Fiel. Com uma apresentação irretocável, repleta de bossas de alto nível, as chances de alcançar os 40 pontos na apuração são muito boas. Grande destaque para o retorno poderoso e sem desandar no momento em que os ritmistas param de tocar nos versos finais do samba. Se bem trabalhado, levantará o público no dia do desfile principal ao som dos seus 220 comandados. Encarregado de liderar essa respeitável equipe, mestre Ciro Castilho falou da importância de se tirar o peso da ansiedade das costas ao falar de suas impressões sobre o ensaio.

“Gostei bastante. Todos nós estávamos ansiosos depois de tanto tempo sem vir pro Anhembi. Acho que foi bom pra tirar a ansiedade. E agora semana que vem fazer o nosso último (ensaio) que será o segundo último geral. Acertar alguns detalhes e se Deus quiser vir bem pra avenida pra trazer a nota”, disse.

Projetando o segundo ensaio no Sambódromo que será já no próximo sábado, Ciro demonstra despreocupação com acertos a serem feitos. ”Sempre dá pra melhorar alguma coisa. Acredito que tenham algumas coisinhas pra melhorar. Mas no geral foi bacana, foi importante esse ensaio depois de tanto tempo. Semana que vem vamos com tudo. O ponto alto é a garra de sempre dos Gaviões. Esse casamento com a ala musical que a gente está achando bem interessante esse ano. Estamos com uma expectativa boa pro desfile”.

Evolução

O quesito que é bastante técnico teve uma atenção especial dedicada de toda equipe da escola. O rigor foi explícito, com comandantes das alas observando cautelosamente os espaços entre cada conjunto de alas. A rigidez das exigências pode garantir uma evolução nota 10, mas por outro lado pode ter influenciado o pouco vigor visto em boa parte das alas dos Gaviões. Deixar o componente mais solto, curtindo o desfile, é algo que pode ajudar a dar aquele gás que se faz necessário na hora de se apresentar para valer. A ala da Luta Indígena, citada no começo do texto, pode ser um bom exemplo a ser seguido por toda escola.

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Foto: Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP

Os passistas e destaques de chão da escola mostraram a determinação que se espera desse enredo tão esperado que será apresentado no Anhembi. Uma observação interessante a ser feita é o número expressivo de componentes dentro dos espaços delimitados para os dois primeiros carros alegóricos da escola. Seria uma herança deixada por Paulo Barros, que iniciou o projeto? Eis um mistério a ser desvendado até o grande momento de cruzar a passarela do samba.

Outros Destaques

A comissão de frente é um quesito que nos últimos carnavais tem sido grande destaque da escola pelo impacto causado em todos que assistem. Com um enredo tão poderoso é de se esperar que não seja diferente, e nesse ensaio tivemos uma amostra do que será apresentado. Ainda será preciso aprimorar o encaixe que cada elemento cenográfico usado pelos dançarinos fará, mas não parece ser algo com o qual a escola tenha que se preocupar. Na dramatização está explícito o esforço dos componentes em transmitir o recado do enredo, podemos esperar um grande desempenho vindo por aí.

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Os Gaviões da Fiel têm tudo para fazer uma excelente apresentação. Os pontos negativos são solucionáveis e, conforme a hora for chegando, a disposição de toda comunidade tende a aumentar. O grito de “Basta!”, que é o enredo da escola, tem tudo para ser cravado nos corações de quem comparecer ao Anhembi no dia 23 de abril. A hora da luta está chegando, e é o momento certo de fazê-la sair do papel.

Veja mais imagens do ensaio

Tudo mudou! Imperatriz mantém organização do passado aliada com canto nunca visto e emoção em ensaio técnico

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A Imperatriz Leopoldinense dos anos 1990 era conhecida como escola de muita organização, técnica, que não errava. Por essas características, muitas vezes era tachada como uma agremiação fria, somente pautada em um tecnicismo. Abrindo os ensaios do Grupo Especial na Sapucaí, na noite do último domingo, a Verde e Branco mostrou em cerca de uma hora de desfile, uma nova versão dessa busca pelo erro zero, agora aliada a um canto forte da comunidade e uma intenção de trazer emoção e mais interação com o público. * VEJA AQUI GALERIA DE FOTOS DO ENSAIO

Todas as alas cantavam muito o samba enquanto evoluíam também sem errar, mas de forma espontânea. Destaque também para a bateria de mestre Lolo, que trouxe bossas bastante entrosadas com o enredo. Difícil achar alguma coisa para criticar a Verde e Branco de Ramos que sonha surpreender o carnaval vindo do Acesso direto para disputar os primeiros lugares como aconteceu com a Viradouro de 2019.

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Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Mais novo da família a trabalhar na diretoria da Imperatriz, João Felipe Drumond, com rádios e fones de ouvido, participando ativamente da organização do ensaio, ficou responsável por fazer um discurso antes da entrada da escola para inflamar os componentes e o público. Na breve fala, citou o eterno patrono da escola, o avô, Luiz Pacheco Drumond, exaltou todo sambista como resistência para manter a chama do carnaval viva, e deu o combustível para que os foliões ensaiassem ainda mais forte, tocando no assunto brigar pelo título.

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“Foi muito emocionante. Segmentos muito fortes, comissão de frente, bateria e casal em seus momentos de auge, e uma comunidade pulsante como vem sendo o ano inteiro, carregando a escola de novo se Deus quiser pela briga ao título. Foram dois anos de espera, acho que todo mundo que vive o carnaval estava ansioso por esse momento. Foi um pouco difícil dormir ontem, muita ansiedade, mas agora já estando aqui, considero que já deu pra matar um pouco da saudade, portanto é foco total no desfile. A escola está empolgada, motivada, tem uma equipe muito capacitada, e também motivada pra fazer o trabalho da melhor forma. Além disso, o mais importante, a escola tem uma comunidade que está louca para voltar a conquistar títulos e brigar pelas colocações mais altas do pódio”, disse João Drumond.

“Eu achei que a galera correspondeu muito bem e a escola cantou o samba com muita garra. A Imperatriz tinha um único objetivo hoje: trazer e cantar esse samba com alegria e acredito que nós desenvolvemos isso muito bem. Aescola está preparada para o título, a comunidade feliz da vida com tudo o que está acontecendo na Imperatriz, os ensaios bombando, o barracão pronto e os carros embalados, assim como as fantasias. Só estamos o grande momento no dia 22 de abril. “Hoje foi só um aperitivo. Esperem que esse samba vai tomar a avenida de uma forma que vocês vão ver”, prometeu o cantor Arthur Franco.

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“Tenho a mesma visão que o Arthur. O segmento e o foco são um só e é muito difícil mudar isso. É alegria, é voltar a viver. É ter o carnaval novamente na Sapucaí. É poder abraçar pessoas e festejar. Carnaval é vida. A questão é abrir o carnaval e ser campeão. A gente vai mudar essa regra. “Vai vir um tsunami, querido. O couro vai comer (risos)”, completou Bruno Ribas.

Harmonia

Um dos pontos de maior destaque da Imperatriz no ensaio técnico, os componentes, a comunidade, mostrou que tem comprado essa briga de levar a escola para o seu lugar de merecimento, desde que o rebaixamento foi consumado em 2019. E aquilo que se vê na quadra e na rua desde que a preparação para o carnaval 2022 começou, foi transferido para a Sapucaí. Todas as alas cantavam o samba de forma constante, espontânea e com intensidade. Desde a terceira que trazia balões de ar, a quinta que levava sombrinhas coloridas, até a ala 21. O samba era completamente ouvido a plenos pulmões e não se notava ninguém enrolando ou deixando para cantar só nos refrãos.

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“Esse ensaio aqui hoje se tornou para a gente, algo além da técnica. Aqui temos o termômetro que teremos no dia do desfile. Encaramos o ensaio como se fosse o desfile, nos preparamos para sair não só como a campeã da noite, e sim a campeã do final de semana. Pisar novamente no Sambódromo é muita emoção. É a celebração da vida, não sabíamos se talvez estaríamos aqui nesse momento. A Imperatriz está tendo a honra de promover esse encontro tão sonhado entre o carioca, a Marquês de Sapucaí, e a escola de samba. Esse ensaio de técnico não teve nada, foi pura emoção. Temos oito títulos nas costas dentro desse palco aqui pelo Grupo Especial, então somos uma escola de Grupo Especial. Eu costumo falar que estamos trabalhando sob dois pilares, promover a maior abertura de desfile de todos os tempos e ganhar o campeonato”, comentou André Bonatte, da comissão de carnaval gresilense.

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Mestre-sala e porta-bandeira

Desde 2017 juntos na Imperatriz, o casal Thiaguinho Mendonça e Rafaela Theodoro, no ensaio técnico, teve o mestre-sala com um elegante terno branco, e a porta-bandeira com um vestido em listras nas cores da escola, alternando o verde e o branco. O casal veio logo no início da escola e apresentou já de cara uma das suas principais características, a expressão e o sorriso, sempre presente na dupla. O entrosamento já de vários carnavais é visível e a coreografia era singela e delicada. Thiaguinho mostrava toda a sua qualidade com movimentos muito técnicos e plasticamente muito bonitos. A porta-bandeira extremamente graciosa, “flutou” pela pista. Um espetáculo! O público vibrou quando a bandeira foi desfraldada saudando oficialmente o retorno da escola através do respeito a seu pavilhão. A apresentação em cada módulo durou um pouco mais que dois minutos e não houve nenhum erro aparente.

“Pra quem é sambista, pra quem trabalha e pra quem ama o carnaval sabe da importância que é ter a volta dos ensaios. É primordial pro canto da escola, para a bateria, para os segmentos dos casais, comissões de frente, enfim, para todo mundo da escola. E você retornar após uma pandemia sem carnaval acaba sendo uma mistura muito grande. E que há pouco tempo não tínhamos certeza se ia ter desfile ou não, com a volta dos ensaios é uma esperança pra gente que é sambista e a certeza que terá o maior espetáculo da terra e que será lindo e inesquecível. É uma prévia do que vem pra daqui a um mês, do que a Imperatriz vem preparando e a gente está pronto e aguardando o grande dia”, comentou a porta-bandeira.

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“A gente já vem se preparando para esse momento faz um tempo e a Imperatriz sonha com isso há mais de dois anos, pois caímos em 2019. Então, desde lá, sonhamos com o dia de hoje. A emoção tomou conta, a euforia tomou conta, mas como estamos bem preparados, acredito que o profissionalismo e a determinação que a escola implantou lá no começo fala mais alto. A vibração que a escola colocou na avenida, vem sendo a mesma dos ensaios de toda sexta-feira na quadra. A gente só transferiu tudo aquilo que estávamos treinando na quadra para a Sapucaí hoje. Colocamos nosso nome hoje como uma das favoritas para voltar no sábado das campeãs”, assegurou o mestre-sala.

Samba-enredo

O samba, obra de único compositor, Gabriel Mello, foi conduzido no ensaio pela dupla de intérpretes oficiais Arthur Franco e Bruno Ribas. Eles mostraram uma boa combinação de timbres de voz, com Bruno Ribas dando brilho na harmonia da obra em alguns trechos do samba, enquanto Arthur garantia a sustentação do samba. Ambos estavam tão confiantes no trabalho realizado com a comunidade que paravam as vozes do carro de som, sempre na parte “Amada Imperatriz”, que antecede o refrão principal, além de em alguns outros pequenos trecho, para que o canto dos componentes se sobressaísse. O refrão “Volta pro seu lugar” era cantado inflamadamente pelos componentes, como que reafirmando isso para a própria escola e para o mundo do samba. A obra mostrou ter tomado bastante volume e que pode crescer ainda mais e ser um importante aliado para o dia do desfile.

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Bateria

A bateria Swing da Leopoldina de mestre Lolo, à frente dos ritmistas desde 2016, trouxe uma bossa muito gostosa de se ouvir em ritmo de samba de raiz no trecho “Seu samba nascendo no morro”, no final os instrumentos paravam para o “Amada Imperatriz”. A bateria também chamou a atenção para a vestimenta, a ala de chocalhos veio toda de branco remetendo às utilizadas em religião de matriz africana, diferente do restante dos ritmistas que estavam com a camisa da Swing da Leopoldina verde e um chapéu na cabeça. Destaque também para alguns mestres da Série Ouro presentes e tocando na bateria de mestre Lolo, como, Vitinho, do Império Serrano, Léo Capoeira, da Unidos de Bangu, e Luygui, da Acadêmicos de Vigário Geral.

“Pra mim foi muito bom, nós fizemos um ensaio aqui na segunda e só serviu pra aprimorar, hoje foi legal, o ensaio serve pra isso, aprimorar algumas coisas para no dia do desfile passar 100%. A gente vem representando a bateria da Mocidade. As bossas de hoje já estarão no desfiles, a gente tem que ensaiar aqui, só temos hoje pra limpar, se preparar com a escola, a bateria veio quase completa”, disse mestre Lolo, que recebeu o prêmio do Guaracamp por ter sido eleito o destaque do ensaio técnico da Imperatriz.

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Evolução

A evolução da Imperatriz foi de forma gradativa, fluiu muito bem, natural, e mesmo nas pausas para apresentação de casal ou comissão de frente ninguém ficava parado, sempre dançando, cantando e sambando. A escola, mais uma vez, mostrou uma organização muito grande e um zelo minucioso, ao trazer a divisão dos setores do desfile expressa na cor da camisa dos componentes. No primeiro setor, o branco, no segundo setor o vermelho em referência ao “Canta Salgueiro”, do enredo, o terceiro setor de verde (Mocidade), a não ser pelos passistas que retomavam o branco, aliás com detalhes rendados, o quarto setor de amarelo, e no último setor retomando o verde. Quase todos os componentes tinham algum item na mão, seja sombrinhas, lanças enfeitas em cabos, balões de ar, cocares de índios, dessa forma, cada ala teve sua identidade no ensaio.

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Não se viu nenhum tipo de correria, a bateria saiu do segundo recuo com cerca de 55 minutos de ensaio e ainda pode finalizar brincando um pouco mais na reta final da Sapucaí. A escola não apostou em muita coreografia, mas havia alguns momentos chaves do samba como, por exemplo, no refrão do meio, no trecho “pega na saia rendada”, em que algumas alas giravam, efeito muito bonito visto nas saias das baianas que vieram no segundo setor, com a camisa vermelha e a saia branca. A ala 21 era uma das mais alegres com muita gente aproveitando as pequenas pausas da escola para sambar e pular muito no verso “Amada Imperatriz”. Já a ala 22 fazia uma evolução interessante, intercalando pompons e lanças em dourado.

Outros destaques

A escola trouxe para a Avenida uma locomotiva logo no início do desfile reverenciando sua história. A comissão de frente, do coreógrafo estreante Thiago Soares, estava deslumbrante, com 12 bailarinas em seus vestidos brancos com detalhes em verde, rostos totalmente maquiados que se moviam em movimentos graciosos sendo apresentado pelo assessor de imprensa da escola, Lourenço Marques, devidamente fantasiado e inserido no espetáculo. Em mensagem ao mundo do samba a escola trouxe duas faixas, uma logo no início da escola, dizendo “A Imperatriz celebra a vida, a ciência e o carnaval”. E outra, no encerramento, remetendo ao último verso do refrão principal do samba, ” Quem viveu pra te amar seguirá com você trecho do samba”, essa seguida de uma chuva de pétalas prateadas. No esquenta, a dupla de intérpretes oficiais da escola, Arthur Franco e Bruno Ribas, relembrou o “Liberdade, Liberdade”, e a releitura que deu o título do Grupo de Acesso em 2020, “Só dá Lalá”.

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A Imperatriz Leopoldinense deixou uma impressão muito boa de que não está trabalhando apenas para permanecer no Grupo Especial. O ensaio confirmou os prognósticos de quem acompanha o trabalho de muito tempo desenvolvido nos segmentos da escola visando o retorno a brigar pelas primeiras posições já neste carnaval de 2022. Repetir ou superar a façanha da Viradouro de 2019, parece inspirar um pouco a Verde e Branca de Ramos, também pelo legado de organização que a escola de Niterói vem deixando. Em abril, a Imperatriz vai abrir a primeira noite dos desfiles do Grupo Especial com o enredo “Meninos eu vivi… Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”.

Tem que respeitar! Portela rasga chão da Sapucaí com canto forte e show da Tabajara do Samba

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A Portela pisou na Marquês de Sapucaí na noite do último domingo para encerrar o primeiro dia de ensaios técnicos do Grupo Especial, e, mostrou mais uma vez a força da comunidade e o tamanho da torcida. Os portelenses tomaram as arquibancadas do Sambódromo e viram uma escola visualmente muito bonita, com canto impecável e com um verdadeiro show da Tabajara do Samba. A Águia Altaneira de Madureira atravessou a Passarela em 1h17. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

Vice-presidente da Portela, Fábio Pavão, avaliou o treino no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. “Reproduzimos exatamente o que temos feito no Parque Madureira. A escola inteira está cantando, tivemos a evolução que havíamos planejado e consequentemente estamos no caminho certo para um grande desfile. Digo que 100% nunca estamos, somos perfeccionistas, logo, buscamos a perfeição sempre. Já estamos muito bem, mas vamos aprimorar ainda mais alguns detalhes para o desfile”.

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Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Em todas as alas, escola cantou o samba do início ao fim e mostrou mais uma vez a força da Portela. Destaque para a ala 3, de ‘Oxalá’, que gritava o samba a plenos pulmões e mostrava grande energia. O mesmo foi feito também em outros setores da agremiação. Com linda roupa em azul, laranja e detalhes em dourado, as baianas também entoaram a obra de Wanderley Monteiro e parceiros. Não foi visto sequer um componente com a letra do samba no papel. A Portela levou algumas alas coreografadas para a Sapucaí e também chamou atenção, assim como o show dos passistas.

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Ao site CARNAVALESCO, o intérprete falou do rendimento do samba-enredo no ensaio técnico. Ele foi apontado o principal destaque e recebeu um prêmio da Guaracamp. “Funcionou da forma com que a gente esperava. Foi muito bem, escola toda animada, cantando a letra. É isso que a gente queria. “Esperamos fazer o nosso trabalho da mesma forma com que foi feito aqui nessa noite. Alegria, animação, botar a escola para cantar e evoluir. É isso que a gente precisa. Eu sou apenas mais uma engrenagem na escola. Eu e meu carro de som. Nós temos que fazer funcionar toda a escola, não apenas a gente. Bateria, harmonia, evolução… Tudo precisa estar conectado e ir bem. Só assim passamos bem. É pensar no coletivo”.

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Membro da comissão de carnaval da Portela, Junior Escafura aprovou o rendimento de toda escola na Avenida. “Avaliação totalmente positiva. A gente chega aqui e vê a escola alegre, feliz, todo mundo cantando. Da um satisfação muito grande ver a Portela tão feliz. Claro que só estamos prontos no dia. Usaremos bastante agora do ensaio de rua para ajustar mais ainda o que precisa ser ajustado, para assim fazer um grande carnaval”, prometeu.

Quem também se destacou foi o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre. Vestidos de branco, os dois protagonizaram bonita apresentação para o público na Sapucaí. A dupla mostrou entrosamento, sincronia, elegância e, acima de tudo, leveza. Com cerca de 2m13 de exibição, o casal arrancou elogios das arquibancadas. Quem também foi aclamada foi a comissão de frente, que, com homens negros e corpos pintados, fez uma linda e forte exibição.

“É o sentimento de dever cumprido. Muito, muito quente e, é muito difícil pra gente conseguir manter o equilíbrio entre fazer a coreografia, o sorriso e tudo que envolve o nosso quesito. Mas estou satisfeito, feliz e grato por estar no nosso solo sagrado. O sentimento é extremamente gratificante, pois a Portela é emoção e o carnaval também. Mais uma vez passamos por um novo desafio. Tinha três anos que a gente não ensaiava na Sapucaí, o último foi o de Clara Nunes em 2019. Já em 2020 não tivemos ensaio. É uma somatória de sentimentos, de palavras. É difícil descrever em uma única só palavra, mas emocionante é a que mais se encaixa no que estou sentindo nesse momento. Eu gostei muito da pista recapeada, para gente que dança a tinta é ótima. Extremamente aprovado”, garantiu o mestre-sala.

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“Além da emoção de tanto tempo sem ensaio técnico, a gente consegue sentir o clima, a energia da Sapucaí. Por mais que a gente ensaie na academia, na rua, muito tempo sem um ensaio aberto assim acaba sendo diferente. Lidando com o vento, com a energia é bem diferente e importante. O sentimento é de pertencimento e estou muito feliz. A gente foi tão massacrado, diminuído, desprezado e desrespeitado, então agora voltar pro nosso lugar e dentro do nosso chão e falando sobre a nossa ancestralidade (dentro do enredo da Portela). Acho que é um gol”, comentou a porta-bandeira.

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Detonado por parte dos sambistas e público geral, o samba da Portela ecoou em toda a Sapucaí. Os componentes ‘calaram a boca’ dos críticos com forte canto, do início ao fim. O intérprete Gilsinho exibiu a potência de sempre e impulsionou a escola, que não parou um minuto. E não ficou apenas nas alas. O samba também foi entoado nas arquibancadas da Avenida. De ‘Quem tenta acorrentar o sentimento’ até o fim do refrão, a obra era gritada pelos integrantes da agremiação. Na virada do samba, o mesmo perdia um pouco a força, mas nada que atrapalhasse o desempenho da Águia.

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O grande espetáculo ficou por conta da bateria. Impecável durante toda Sapucaí, a Tabajara do Samba apresentou algumas bossas, com destaque para a exibida no setor 11, durante o refrão do samba. Os comandados do mestre Nilo Sérgio levantaram o público na Sapucaí e foram muito aplaudidos. Com roupa toda em dourado, Bianca Monteiro, rainha de bateria, roubou a cena com muita simpatia, elegância e claro, samba no pé. A rainha foi bastante elogiada durante toda Avenida.

Comandante da Tabajara, mestre Nilo Sérgio avaliou para o site CARNAVALESCO a performance da bateria no ensaio técnico. “Voltar ao Sambódromo depois de dois anos é maravilhoso, a gente ficou sem ter contato com o público, só dentro da quadra, restrição total. Acredito que hoje a Portela fez um grande ensaio, alguns falaram do samba, mas o samba se auto sustentou, junto com a bateria, junto com o canto da escola, essa comunidade maravilhosa que está cantando igual cigarra. Eu acredito que a Portela vai surpreender muita gente no carnaval, devido aos carros e o conjunto em geral”, contou Nilo Sérgio, que levará 280 ritmistas para o desfile oficial.

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“Ainda tem mais uma bossinha pra colocar. Hoje no ensaio que fizemos gostei muito mesmo. A responsabilidade não é só minha, cada um tem sua parcela, mas foi muito emocionante ver como a escola cantou, ver que o público que estava aqui respondeu junto com a bateria, junto com a parte do canto”, completou o mestre.

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Na evolução, a escola teve um pequeno problema com o tripé que trazia a palavra ‘Voltamos’. O mesmo emperrou na altura do setor 3, acabou retardando a passagem da escola e abriu um pequeno buraco. No mais, as alas evoluíram muito bem, com organização e muita animação. Os harmonias se mostraram muito comprometidos com a compactação e energia de seus componentes, e fizeram ótimo trabalho.

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A Portela fez um grande trabalho e se preocupou, além de ensaiar para o desfile, dar um show para o público. Algumas alas vieram com roupas diferentes das tradicionais camisas do enredo, com adereços na cabeça e nas mãos. O famoso ‘grito’ da Águia também ecoou pela Passarela. Segunda escola a desfilar no sábado, dia 23 de abril, a Azul e Branco promete um desfile com garra da comunidade e grande organização em busca de mais um título para a galeria da maior campeã do carnaval.

Participaram da cobertura: Leonardo Damico, Allan Duffes, Eduardo Frois, Lucas Santos, José Luiz Moreira, Luan Costa, Ingrid Marins e Isabelly Luz

Fotos: Ensaio técnico da Portela para o Carnaval 2022

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Fotos: Ensaio técnico da São Clemente para o Carnaval 2022

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Fotos: Ensaio técnico da Imperatriz para o Carnaval 2022

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