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Ensaiando tecnicamente, Mancha Verde mostra alto nível

A Mancha Verde realizou o seu segundo ensaio técnico visando o carnaval de 2022. O treino foi marcado pela forte presença da comunidade, canto e contingente. Diferente do primeiro ensaio, onde o presidente Paulo Serdan pediu para a escola apenas ‘brincar’, desta vez, o mandatário alviverde deu o discurso e falou para a agremiação fazer a mesma coisa, só que com seriedade. Devido a isso, deu para notar mais detalhes em relação ao primeiro ensaio. Vale destacar que todos os setores foram organizados. Evolução passou corretamente e dá para dizer que se fosse para valer, a comunidade alviverde estaria totalmente pronta.

Harmonia

Como no último ensaio, a Mancha Verde teve um ótimo desempenho no canto. É algo que vem sendo trabalho há muito tempo dentro da escola e, todos os anos, só o que se faz, é aprimorar dentro do samba. Todos os setores tiveram destaque e até as baianas cantaram muito. Uma prova disso foi quando a bateria executou a bossa da paradinha do refrão principal. Todos cantaram forte a uma só voz. Uma escola totalmente leve e pronta em relação ao quesito. A felicidade antes, durante e depois do treino, era nítida. Tanto da parte dos componentes, como dos diretores. As partes mais cantadas são o refrão, principal, refrão do meio e a última estrofe: ‘à terra, deixando um clamor à humanidade, a nobre missão de preservar, nosso futuro, nosso lar’.

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Paolo Bianchi, diretor de carnaval da escola, deu um balanço geral do que foi o treino. “Acabamos de sair da conversa ali com o nosso presidente. Acho que foi o primeiro ensaio que fizemos, na história da Mancha, que a gente grava o ensaio inteiro, que tudo que a gente combinou, funcionou. Ele fica ali na bateria, mas ele é muito técnico. A avaliação dele, e a nossa, é que tudo funcionou, que a escola cantou demais. Fizemos um trabalho muito grande de canto, com reuniões de 10 em 10 pessoas, pelo Zoom às vezes, fora as alas em ensaio de quadra. Então tudo funcionou bem demais. O andamento funcionou como a gente planejou. Foi um ensaio para lavar a alma. Estamos saindo bem felizes daqui hoje”, avaliou.

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O diretor falou de pontos a serem ajustados. “Temos um trabalho combinado para essas próximas duas semanas de doutrinar essas pessoas que só chegaram agora no final. Roupas, nós temos muita roupa pronta, muitas fantasias, há muito tempo, estamos revisando tudo de novo. Sabemos que não podemos subir no salto, até porque faz muito tempo já. Temos que ter humildade, e passar para a nossa comunidade que ninguém ganhou nada. Temos muito trabalho pela frente, porque se de um ano para o outro a gente já desaprende muito, após dois anos pra frente desaprende mais ainda. É botar o pé de todo mundo no chão. Temos que revisar roupas, revisar canto e trabalhar. A Mancha vem de trabalho, mas é o que falamos ali: Trabalhar mais um pouco. Foi um grande desfile, um grande ensaio, mas tem muita coisinha que a gente olha, o pessoal nosso fala de longe, e eu também faço isso, e nós anotamos tudo. O bom é que hoje foi um dia que teve muitos elogios, mas não podemos nos perder nisso”.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Marcelo Silva e Adriana Gomes fez um ensaio satisfatório. Olhando a apresentação para a primeira cabine de jurados, a coreografia dentro do samba, mostrada em ambos os ensaios técnicos, não demonstra tanta informação. Talvez, seja uma dança suficiente para uma leitura fácil dos jurados. Ou até mesmo, podem estar trabalhando em uma situação dentro da fantasia. Contudo, em análise, o casal fez um ensaio seguro, optando por preservar movimentos, com um bailado mais leve e elegante. A porta-bandeira estava vestida de branco e com saia verde e, o mestre-sala, inteiramente de branco.

Samba

Uma das melhores obras do carnaval paulistano, o samba da Mancha Verde, pegou dentro da comunidade. A escola se mostrou muito feliz com a escolha desde o primeiro instante, há dois anos atrás e, isso vem se provando a cada ensaio, seja técnico ou de quadra.

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O refrão, além de ter um significado forte, onde fala de benzimento, purificação e sede, é aquele famoso ‘chiclete’, onde os as palavras terminadas em ‘ar’ e, dá uma facilidade ao compositor para cantar (purificar, mar). A rima ‘vida’ e ‘avenida’ também facilita bastante para o canto. Prova essa são as ‘paradonas’, onde a comunidade canta a uma só voz de uma maneira que beneficia todo o conjunto musical.

O carro de som, liderado por Fredy Vianna, também foi destaque. O cantor é fundamental e sabe perfeitamente como jogar o samba para a comunidade. Nesse aspecto, Fredy destoa muito.

Bateria

A bateria ‘Puro Balanço’ regida por mestre Guma administrou muito bem o que a escola se propôs a fazer. Como dito anteriormente, as ‘paradonas’ se destacaram e a escola alviverde cantou forte devido ao desempenho de sua batucada também. Justamente, a bossa de destaque foi a citada antes. A ‘Puro Balanço’ foi localizada para depois do abre-alas. O desenho de tamborim e os chocalhos, são ouvidos com grande nitidez e dão um tom diferente dentro da batucada de mestre Guma.

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O diretor de bateria, mestre Guma, avaliou o desempenho. “Hoje apesar de ser o último ensaio técnico, de alguma forma conseguimos desfilar de uma forma descontraída. Com responsabilidade sim, pois hoje nosso contingente era maior. Vi um ensaio como o primeiro que a energia, atmosfera estava excelente. Hoje fizemos o apagão algumas vezes na pista, e a galera cantando. Isso motivou bastante, o que eu senti ali da bateria a galera firme, vibrante com a gente, foi um grande ensaio. Gostei muito, mais do que o primeiro. Tínhamos algumas coisas tipo volta, o entrosamento do carro de som com a bateria que aqui é diferente da quadra. Corrigimos o lance do canto, as divisões, com as bossas, deixar mais sequinho. A bateria mais firme, no primeiro ensaio veio mais ralentando, mais cadenciado, corrigimos e colocamos um pouquinho mais para frente. E tudo para melhorar o canto e a evolução da escola”, analisou.

Guma também falou dos ‘apagões’ que a bateria fez, onde soltou a comunidade para cantar. “Fizemos agora, uma semana atrás que começamos a fazer o apagão. Para sentir mesmo o canto da escola, de toda a comunidade, e a prova real é aqui, lá na quadra tem algumas dificuldades técnicas, de som e tals. Ficamos um pouco preocupado, mas sabia que aqui saberíamos a verdade, e graças a Deus aconteceu, a galera cantando muito, bateria cantando muito. Não tivemos nenhuma ocorrência e o que vai para o desfile”, disse.

Evolução

A escola alviverde passou brincando e sambando na avenida. Além de compacta, a evolução fluiu de uma maneira muito satisfatória. É sempre importante analisar que mesmo as alas sendo montada dessa forma, quando se faz de maneira correta, o componente pode flutuar na pista.

Na primeira medição de alegoria, uma ala encenada veio fazendo uma coreografia que deu um destaque belo na pista, onde eram divididas em duas partes: Mulheres com espelhos e panos. Um efeito muito bacana.

A escola não tem uma coreografia padronizada, mas tem uma sincronia entre as alas. No refrão principal, os braços se mexem para o alto. Já no refrão do meio, onde se canta: ‘Iemanjá ê, Iemanjá’, os componentes se movem de um lado para o outro.

Outros destaques

A comissão de frente foi com uma coreografia onde aparentemente os orixás, fazem uma adoração às águas e, as mães de santos, dançam ao redor. Quase todas as alas carregavam uma bandeira de porte médio nas cores em verde e branco. As alas coreografadas se mostraram bem sincronizadas.

Comissão do Império de Casa Verde entra no técnico em clima de desfile e se destaca

Já em clima de desfile, a comissão de frente evoluiu com o tripé que parece ser o oficial. Interagiu com as arquibancadas e demonstrou sincronia na coreografia. No início, o intérprete Carlos Jr. deu um breve discurso, animou e defendeu: “Império é uma escola de personalidade, é uma escola que tem a sua história, a sua vida. Obrigado Carlinhos Maia”.

“Balanço é extremamente positivo. Uma escola vibrante, uma escola pulsante. Uma escola que veio para o ensaio sabendo do tamanho da responsabilidade, ainda mais em uma noite tão especial que parece uma noite de desfile. Parece que a escola veio bem. Acho que dentro da nossa proposta, cumprimos com o combinado. Acho que deu para corrigir o andamento. Veio melhor. Alinhamento das alas, que hoje vieram melhores também. O ponto alto foi a vibração da escola. Eu fico na faixa amarela tirando ala por ala, e o que você percebe no olhar das pessoas é que elas estão satisfeitas e felizes de fazer parte da família imperiana. No meu olhar de hoje, sem dúvida, foram os componentes que fizeram a diferença”, disse Serginho, diretor de harmonia.

Bateria

A bateria Barcelona do Samba, do mestre Zoinho, foi um ponto alto do ensaio. Primeiro pela postura segura. Por exemplo, ao zerar a batucada no refrão de cabeça em determinados momentos da avenida. Apenas o surdo marcava o tempo e os instrumentos da cozinha batiam no aro. As bossas realizadas tiveram execuções seguras, inclusive no ataque das caixas. No recuo, a bateria faz um “caracol” entre os surdos de marcação das pontas e as duas linhas do corredor.

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“Estamos ensaiando faz tempo, começamos nosso trabalho em outubro. Foi tudo por etapa, primeiro ensaio técnico, pudemos fazer um bom ensaio. E esse ensaio aqui a gente pode confirmar tudo que tinha no plano. O nosso projeto foi concluído hoje. Com sucesso, pois fizemos um bom ensaio, no andamento que queríamos, as bossas que tinha para acertar, acertamos. E foi super produtivo, agora é passar no dia e deixar nosso recado. O ponto alto foi o andamento. Do começo ao fim, o mesmo andamento. Não deixamos cair, fizemos um grande trabalho. Esse samba e esse andamento tem tudo a ver”, comentou mestre Zoinho.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal, Rodrigo Antonio e Jessica Gioz, esbanjou simpatia durante o técnico e demonstrou domínio na sincronia entre a dança e o samba. Rodrigo vestiu um terno dourado e Jessica um vestido azul.

Harmonia

O carro de som trouxe arranjos vocais que chamaram a atenção. No trecho “O ar que touxe a lua pra você, ô flor”, “Pelo som que se propala” e “tempos que não vivi”, os intérpretes realizam segunda voz, terças e contra-cantos. A ala, logo atrás do abre-alas, chamou a atenção pela intensidade no canto e empolgação.

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Evolução

A escola trouxe um andamento condizente com a cadência do samba. Apenas quando o terceiro setor passava em frente ao setor C, houve um descompasso que ocasionou num andar acelerado. Os componentes não vestiam camisetas específicas das alas, o que dificultou a percepção das divisões de alas.

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Outros Destaques

Já com o tripé que parece ser do desfile, a comissão de frente contagiou o ensaio. A coreografia apresentada foi dividida por 2 grupos em 4 momentos. O ponto central é a interação entre os dois grupos.

Um detalhe importante é que, mesmo quando apenas um grupo está encenando, alguns componentes do outro estão em cima no tripé, interagindo com o público. Atitude que influência diretamente no julgamento do quesito.

Com alas no clima do desfile, Tom Maior mostra evolução em segundo ensaio técnico

A Tom Maior fez seu segundo ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, e, desta vez, com mais leveza do que no primeiro. A escola evoluiu bem e desenvolveu a harmonia, com detalhes para alas coreografadas já no estilo do “Pequeno Príncipe e o Sertão”, ou seja, chapéus utilizados no sertão, quadrilhas.

Outro fator é que a escola veio novamente com seu elemento alegórico, claro, todo escondido, mas os membros da comissão de frente que estavam vestidos de personagens do ‘Pequeno Príncipe’ junto com o ‘Pequeno Príncipe do Sertão’ como bode, aviador. E também outro elemento alegórico como um abre alas esse com o emblema da Tom Maior e o ‘Pequeno Príncipe do Sertão’ ao meio.

Harmonia

Com mais alas de pessoas fantasias e maioria em referência ao Sertão. Vimos componentes em perna de pau e no fim de alguns setores pessoas segurando estruturas que faziam referência a bandeirinha de Festa Junina. Além disso, muitas alas usaram dos adereços nas mãos para agitar, dando um visual interessante de preenchimento da pista no ensaio técnico. Outro ponto foi uma ala coreografada que encenava uma dança de festa junina, super animada. Os malandros de branco e as passistas de amarelo, mostraram samba no pé e animação. Muitas crianças participaram do desfile, e chamou atenção crianças que serão destaques de um carro, o último, cantando e entrosados com samba.

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O diretor de carnaval, Yves Alexeiv avaliou o segundo ensaio: “A gente tinha alguns erros para corrigir em relação ao primeiro e, eu tenho certeza que a gente conseguiu corrigir. O cantor e a evolução vieram melhor. O povo estava muito animado e muito solto, que é a nossa proposta e o que a gente espera”, disse.

Ele complementou sobre o melhor momento desse ensaio. “Gosto muito do canto, do samba, que faz o povo cantar alegre, mas eu gosto muito da nossa evolução. A gente deixa o componente solto, eles brincam na avenida. Tem uma ou outra ala coreografada, mas a proposta é deixar o cara brincar, que é o que falta no carnaval de São Paulo. Quando eu vejo meu povo passando por aqui, me sinto muito orgulhoso do que estamos fazendo. Hoje foi um passo muito grande e no dia do desfile a gente vem 100%”.

Mestre-sala e porta-bandeira

O primeiro casal da agremiação, Jairo Silva e Simone Gomes ensaiou com muita alegria e tranquilidade. O mestre-sala veio todo de vermelho, assim como a porta-bandeira também veio com um vestido no tom avermelhado, mais claro, e com rosas. Na dança, mostraram muito entrosamento, e aprimoraram ainda mais com o andamento da escola.

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Samba

No carro de som, Gilsinho comandou o samba-enredo, e fluiu bem. Mostrou sintonia com a bateria e comunidade no canto, inclusive, o intérprete oficial da escola, estava bem animado e cantando junto com o público presente no Anhembi nesta noite. No geral é um samba cadenciado e que funcionou para a escola.

Bateria

A nateria Tom 30 com mestre Carlão no comando, entrou no desfile com mais leveza do que no primeiro, e deu um maior aporte para a comunidade, carro de som, funcionarem de maneira geral no ensaio técnico no Anhembi. Como relatou para o site CARNAVALESCO: “Ocorreu tudo como planejado. Foi um excelente ensaio, estou muito satisfeito, feliz, só tenho a agradecer aos meus diretores e aos nossos ritmistas. Agora é ir para a avenida dia 22, e fazer um grande espetáculo, dar sustentação que nossa Tom Maior precisa. E estou muito confiante”.

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Ajustes do primeiro ensaio técnico para o atual, mestre Carlão revelou que a bateria corrigiu situações dentro do plano já montado. Ou seja, sem grandes mudanças perto do desfile, mas com ajustes importantes. Feliz com as bossas, e o trabalho desenvolvido nesses ensaios, Carlão revelou: “Boas né? O público pode falar. Elas (bossas) estão ricas. Porque hoje o regulamento pede performance, ousadia e excelência. Conjunto, é o que prezo. Ritmo e muita técnica”.

Evolução

Como relatado durante o texto, a Tom Maior mostrou mais leveza e tranquilidade neste segundo ensaio. Com isso pontos foram notados, um deles foi que a evolução fluiu de uma maneira mais natural e mostrou que aprimoram visando o desfile oficial daqui algumas semanas. Outro aspecto é que a escola estava entrosada entre bateria, carro de som e comunidade. Portanto teve um melhor resultado em harmonia e evolução.

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Outros destaques

A musa Lumena, ex-BBB, me autoriza a postar? Pois bem, esteve junto com um grupo de malandros, não faltou samba no pé, e claro, comentários da arquibancada durante o ensaio. Destaque para um ‘malandro mirim’ que sambou bastante. Estiveram atrás da bateria e do carro de som. Ficaram no recuo durante uma parte do desfile. Com muito samba no pé, a rainha Pamela Gomes, veio toda brilhante com pedras prateadas. Enquanto a madrinha Andreia Gomes roubou a cena com sua fantasia de cobra, e um olhar bem intenso. A presidente Luciana esteve em momentos um pouco à frente da bateria, cantando e aparentemente satisfeita e leve com o ensaio realizado no Anhembi.

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Águia de Ouro mantém alto nível no quesito harmonia e justifica favoritismo

A expectativa pra assistir a atual campeã e uma das favoritas, era alta. Pelo que foi visto, o favoritismo é justificado e resumido em uma palavra: amadurecimento. Os benefícios do título são visíveis no Águia de Ouro: componentes ainda mais entregues, comissão de frente sincronizada e com bailarinos estrategicamente pensados, diretoria focada em cada detalhe na pista, o que resulta numa energia contagiante. É uma escola diferente, mais atenta aos detalhes.

“A gente tem um sistema nosso de trabalho. Agora, hoje mesmo, nós vamos para a quadra, fazer uma avaliação, conversar sobre todos os pontos e cada um fazer a sua análise para sabermos se as coisas batem e o que poderemos melhorar para o desfile. É muito difícil para você analisar uma escola estando ali no meio, por mais que você ande para lá e para cá. Mas no geral, nada que a gente fala muito, que deu muito errado. Teve alguns pequenos erros, ajustes que são normais. Não existe escola que desfila perfeita, em momento algum. Agora é sentar para fazer o máximo para corrigir os problemas que a gente viu. Nós só fizemos um ensaio aqui, mas fazemos muitos ensaios de rua. No ensaio de rua nós fazemos uma simulação de recuo de bateria, tem a mesma distância de pista. Lógico, aqui é sempre melhor, mas o de rua já dá uma boa bagagem em questão de organização. Não tem ponto alto não. Nós somos uma escola muito homogênea, né. Conseguimos equilibrar todos os quesitos. Não dá para dizer que fomos espetaculares. Foi normal”, disse Sidnei Carriuolo, presidente da escola e diretor-geral de carnaval.

Harmonia

O nível de canto da escola sempre surpreende, e surpreendeu. São anos de alto nível, tanto na qualidade da pronúncia das palavras quanto no volume emitido pelos componentes. Pode parecer irrelevante, mas a pronúncia correta de palavras como “Opaxorô” , “Lavar o engano”, assegura a nota máxima no quesito, já que a constância no canto da escola é notada.

Sobre o samba, a construção melódica e as rimas não óbvias, podem garantir um julgamento positivo no quesito. O carro de som conta com um time de cantores principais de alto nível (Douglinhas, Darlan e Serginho do Porto), e mais os intérpretes de apoio, que torna a ala muito segura.

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A repicada do cavaco na retomada do apagão: “Senhor”, também contribuiu musicalmente pro desempenho da escola.

“Como é um ensaio só, temos que entregar tudo nele. De adrenalina, acho que foi mil. Agora a gente vai sentar, analisar e ver como é que foi. Para nós do carro de som é sempre bom, porque a gente está do lado da bateria, sempre aquela atmosfera e empolgação. O destaque é do Águia de Ouro é sempre o canto da escola. Atingimos o nosso objetivo. Se esse entrosamento rolou, é sinal de que correu tudo bem. Esse samba é uma junção de dois grandes sambas e a escola abraçou muito. Eu falo sempre que a Águia de Ouro faz o samba crescer, mas esse em especial, tem uma força muito grande, porque o tema fala de muita coisa que passamos nesses últimos dois anos”, comentou o cantor Darlan Alves.

“A gente não tem a visão total da escola, mas eu acho que foi um ensaio muito bom. Precisamos ajustar algumas coisas, mas estamos no caminho certo. Estamos fazendo muitos ensaios de quadra e de rua. A gente procura sempre se corrigir, se afinar e se acertar””, completou Douglinhas.

Evolução

A Aguia de Ouro trouxe um contigente bem grande pro técnico, o que naturalmente fez a escola andar com uma velocidade maior em comparação a agremiação anterior.

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Notou-se uma estratégia mais compacta no espaço entre as alas. Pra garantir a divisão e evitar invasões dos componentes, os diretores de ala ficavam na organização, em frente.

A primeira ala chamou a atenção pela sincronia da coreografia e empolgação do canto, o que não significa que destoaram do restante da escola.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal da escola, João Camargo e Ana Reis, bailou com terno/vestido azul e amarelo. A sincronia entre eles já é notada há anos, e dessa vez, a dupla ousou mais nos passos, inclusive ao adicionar elementos de temática africana no bailado.

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João Camargo bailou e esbanjou segurança, principalmente ao cravar os passos logo após o giro. Na apresentação da torre do segundo jurado do quesito, ambos olharam fixamente pra cabine.

Bateria

A bateria “Batucada da Pompeia”, mestrada pelo Juca Guerra, fez um ensaio seguro. O apagão no trecho “Senhor”, teve uma resposta empolgante da escola. A bossa inicia com o canto da escola, atabaques entram até a retomada da bateria por completo, o que dura até o início da primeira estrofe do samba. No recuo, a bateria optou pelo “caracol”. Entram de frente e cada fileira volta por dentro.

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“Nós fizemos dois ensaios técnicos de bateria, confesso que fiquei um pouco preocupado até com o andamento que estava oscilando um pouquinho. Mas hoje mostramos o que é a batucada da Pompeia. Deu tudo certo, tudo que planejamos conseguimos colocar na avenida hoje, e acho que foi muito bom. Se repetir isso no dia 23, vai ser nota 10. Temos dois ensaios na quadra, tem a passagem de som aqui ainda. E a gente vai fazer um ensaio de rua. Sempre tem ajustes, nenhuma bateria é perfeita, sempre tem alguma coisinha lá, e a gente procura ajustar. De acordo com os diretores, ritmistas, que falam. Iremos ajustando, a bateria do Águia é bem democrática, todo mundo fala, ouve, e isso é bem legal. Temos na verdade, um paradão e mais uma bossa só. Sempre no samba, no andamento do samba, que é uma característica da bateria do Águia. Algumas retomadas com as caixas, as viradas. Está dando certo não tem porque mudar. Nossass bossas todas elas com mais de 16 compassos que o regulamento pede”, disse mestre Juca, que falou também da fantasia para o desfile.

“Nós vamos de alabê. É uma fantasia muito rica, com muito búzio e dente, muito bonita. São duas cores, isso é uma novidade, ninguém sabe, agora vocês. Vamos sair com a bateria metade azul e metade branca”.

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Outros Destaques

Um destaque do ensaio ficou na conta do Sidney França, o carnavalesco, que trabalhou também como Diretor de carnaval, se comunicando com a diretoria e harmonia através do rádio, e observou cada passo da escola na avenida. Sidney finalizou o ensaio ao lado dos últimos integrantes.

Técnica, segurança e poucos espaços pra erros marcam ensaio da Barroca

A primeira escola do Grupo Especial a ensaiar na noite de sábado, dia 9, fez um ensaio com poucos espaços pra erros. Isso porque, a Barroca Zona Sul demonstrou domínio, segurança e pouca exposição em alguns quesitos, que são: Casal, bateria, comissão e evolução. O ensaio, no geral, foi organizado, sensação de uma escola técnica, priorizando o regulamento, mas sem perder espontaneidade.

“Venho na frente e não tenho muita noção. Mas pelo andamento e pelo volume que me passaram a escola veio bem, e agora vamos fazer uma apuração. Pelo que deu pra ver da escola daqui e na saída, agradou bastante. Acho que em canto, temos como base o andamento na quadra. Na quadra está cantando muito, e acho que está trazendo para cá. Mas a gente tem que melhorar. A Barroca quer chegar, e pra isso é preciso melhorar. O andamento e a tranquilidade das pessoas foram os pontos altos. Hoje fizemos um ensaio mais calmo, no outro tínhamos passado um pouco mais tenso. É isso aí, cantou um pouquinho mais e passou tranquilidade para a escola”, explicou Marcão, diretor de carnaval.

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Vestidos com traje todo em rosa claro, Igor Sena e Camila Pancini pisaram na avenida pela segunda vez, com mais segurança e menos nervosismo. Mesmo sendo um ano de estreia pra dupla, a essência jovial do estilo de dança dos casais da agremiação se mantém.

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Pra aproveitar a temática afro do enredo, ambos realizam passos característicos do tema. Igor Sena, por exemplo, também adiciona elementos no seu bailado. No trecho do segundo refrão, ele acrescenta passos de “Jongo”, uma dança ancestral de origem africana.

Estrategicamente, o casal vem logo atrás do abre-alas, o que limita o campo de visão do jurado no momento do desfile.

Harmonia

Um ponto positivo pra esse desfile da agremiação, inegavelmente é o samba-enredo. A construção melódica, rimas e a métrica (divisão de uma linha musical) são elaboradas de forma que foge do “padrão”.

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Escutar o samba durante o desfile, não torna a experiência cansativa, pelo contrário, por ser fluido, o folião acaba se envolvendo.

Questões em relação à pronúncia de algumas palavras podem vir a se tornar uma questão no quesito harmonia. A intensidade e confiança dos componentes durante as estrofes caem, o que faz algumas palavras não serem entendidas com clareza.

Bateria

Primeiro carnaval assinando a bateria da Barroca Zona Sul como mestre único, Fernando Negão teve uma postura de confiança, fato já notado no primeiro técnico. Durante o recuo, ele comandou a cozinha (parte do fundo) com um palco, pra ficar visível aos olhos dos ritmistas, e empolgou a bateria durante o meio do ensaio.

A Bateria Tudo Nosso trouxe bossas que preenchem o tamanho mínimo exigido no regulamento, com segurança. Na bossa do segundo refrão, o início dela é quando os surdos deixam de tocar. Tem uma virada de 2, porém com a retomada apenas das caixas, repiques e surdos de terceira. A bateria volta com um pequeno arranjo de repique e uma sequência de três toques secos.

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O pequeno apagão apresentado pela bateria, mais especificamente no trecho “Meu redentor”, tem a sua retomada iniciada apenas pelos surdos de terceira. A combinação rítmica com o trecho cantado no momento do arranjo, impacta.

A bateria veio posicionado entre o segundo e terceiro setor, o que torna o tempo no recuo menor, em comparação as baterias que entram no início da escola. E isso, assim como no casal, diminui o tempo de exposição ao jurado posicionado no recuo.

“Vem muito bem a escola, aguerrida, mais componentes que da primeira vez. Tem uns detalhinhos para consertar, mas no final vamos chegar 100%. Hoje deu para fazer ajustes. Firmou mais a levada de caixa, virada de dois, de três, as bossas. Tem algumas coisas para arrumar ainda. Mas estamos no caminho certo. Nossos ensaios técnicos no Anhembi, encerramos. Vamos acertar só na quadra mesmo, conversa, pessoal ainda um pouco nervoso, pois faz tempo que não desfila. Assenta adrenalina, mas no final vai dar tudo certo”, disse o mestre Fernando Negão.

Evolução

A escola optou por um primeiro setor mais clássico: Comissão de frente, ala das baianas e abre-alas. A estratégia concentra mais alas no decorrer dos setores, o que transmite a sensação de empolgação dos componentes com mais objetividade e facilita o andar harmônico, fato que pode ser notado no último ensaio técnico da Barroca.

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Pro aspecto visual, os adereços de mãos sempre são uma alternativa acertada pra impacto positivo. O primeiro ensaio da escola contou com isso, algo repetido pela agremiação nesta segunda passagem ao Anhembi. A presença dos objetos, como: bexigas, pedaços de pano, bandeiras etc, não significa que a fantasia trará acessório em sua composição, mas é um ponto que enriquece o treino e a sensação de organização entre os responsáveis das alas.

A ala “Andy Angel”, localizada entre o 2° e 3° setor, traz coreografias que preenchem praticamente o samba inteiro. É uma ala bem coreografada, e sua a parte inicial impacta pela energia.

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Outro destaque entre as alas ficou pra última, em que todos estavam de preto. Os componentes ensaiaram soltos, interagindo entre eles.

Outros Destaques

Mais um ponto que chama atenção, e consequentemente cria expectativas pro desfile, é o tamanho das alegorias da agremiação. As faixas usadas pra demarcar o espaço na avenida preencheram uma parte significativa da pista.

A comissão de frente também foi um aspecto positivo. Bem coreografada e com interação com o público. Alguns componentes cantavam o samba e contavam os passos pra não perder a sincronia da coreografia.

Fotos: ensaio técnico Unidos de Padre Miguel para o Carnaval 2022

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Fotos: ensaio técnico Porto da Pedra para o Carnaval 2022

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Fotos: ensaio técnico do Unidos de Bangu para o Carnaval 2022

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Mestre Wando promete bossa ‘antiga e modernizada’ em reedição da Em Cima da Hora

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Recém-promovida à Série Ouro, a Em Cima da Hora abre os desfiles da Marquês de Sapucaí após dois anos sem Carnaval por conta da pandemia do Coronavírus. Na última sexta-feira, a escola esteve no Sambódromo para realizar o ensaio de bateria, a menos de duas semanas para o desfile oficial. Os ritmistas do mestre Wando treinaram junto ao carro de som no setor 11 da Avenida e o comandante, que estreia pela Sintonia de Cavalcante, falou sobre ser a primeira agremiação a se apresentar.

“Primeiro agradecer por ter essa oportunidade de abrir o Carnaval depois de dois anos. Foi um período muito difícil com essa pandemia, de várias perdas. Então é uma emoção muito grande por estrear aqui de novo, agora como mestre de bateria da minha escola do coração. Não tem nem muito o que falar, é um sonho realizado. Pelo que tenho visto no barracão, a escola vem bem, impactante, com um enredo bom, então é só fazer o trabalho bem feito no dia”, disse Wando, que completou:

“Sempre tem alguma coisa pra melhorar. Nunca está 100%, tem que estar 100% no dia do desfile. Então por isso esse ensaio hoje, para acertar os detalhes, principalmente da bateria com o carro de som. Estamos preparando uma bossa de repique, que antiga, para um samba antigo. Mas é um antigo ‘modernizado’. A importância de ensaiar aqui no setor 11 é treinar no campo que você vai jogar, é o fundamental”, emendou o mestre de bateria da Em Cima da Hora.

Em 2022, a Em Cima da Hora vai reeditar o enredo do Carnaval de 1984, quando trouxe para a Avenida ’33 – Destino D. Pedro II’. O samba é famoso até hoje com os versos ‘Não é mole não, com a inflação’ e ‘Não é tão mole andar de pingente no trem’. A bateria do mestre Wando terá 240 ritmistas, com duas bossas e uma nuance programadas para os desfiles. Quem também esteve presente na Sapucaí foi o intérprete Ciganerey, que também conversou com o site CARNAVALESCO.

“Em um primeiro momento a gente fica um pouco apreensivo, principalmente por ser o primeiro intérprete a pisar na Sapucaí depois de dois anos. Mas eu estou muito confiante no trabalho que venho fazendo junto com o carro de som e com a escola. E a responsabilidade é ainda maior de defender um samba antológico como esse. Creio que vai dar tudo certo na Avenida”, disse Ciganerey, antes de encerrar:

“O mais importante desse ensaio hoje é arrumar as arestas, mexer no que ainda não está certo. O carro de som teve uma conversa com os diretores de bateria porque tivemos um problema na parte harmônica no ensaio técnico. Mas agora está no caminho certo. A escola vai vir bem aguerrida e fazer um belo Carnaval, vamos surpreender e tentar ficar no mínimo ali no Top-5”, completou o intérprete.

É neste domingo! Mart’nália faz samba e estará na lavagem da Marquês de Sapucaí no último dia de ensaio técnico

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O objetivo é abrir os caminhos, trazer boas energias e pedir proteção para que os desfiles aconteçam lindamente, mas se a lavagem da Sapucaí vier acompanhada de um show gratuito, a população agradece. Então, além de participar do evento levando água para todos que estiverem no Sambódromo, a Águas do Rio chegará com a cantora Mart´nália para animar ainda mais a festa. Em cima do carro de som, a sambista vai cantar sambas históricos, além de seu lançamento recente, o “Samba da Água”. O evento é aberto ao público.

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“O nosso compromisso com a sociedade vai muito além do saneamento, levando água e coletando e tratando esgoto. Estaremos ao lado da população quando ela precisar de nós e nos momentos de celebração da vida, como o carnaval, a festa mais democrática e popular do país. Não por acaso a nossa chegada se dá nos ensaios gratuitos levando água para quem vem desfilar ou simplesmente se divertir”, ressalta o presidente da Águas do Rio, Alexandre Bianchini.

Para Jorge Perlingeiro, presidente da Liesa, a tradição, que acontece antes do teste de som e da nova iluminação cênica da Avenida, procura trazer a paz para os desfiles de abril. “O show será uma grande contribuição para levar a energia que as agremiações precisam para fazer um carnaval inédito”, acrescentou Perlingeiro.

Lavagem

A lavagem da Marquês de Sapucaí teve início em 2011 e conta com a presença de baianas, casais de mestre-sala e porta-bandeira, velha guarda, destaques e representantes das escolas de samba mirins. A Águas do Rio esteve nos cinco finais de semana de ensaios técnicos das agremiações. Foram mais de 140 mil copos de 200ml distribuídos para os membros das escolas e o público das arquibancadas. O número equivale a 22,8 mil litros de água, quase três carros pipa. Além disso, a concessionária forneceu 12 bebedouros nos setores abertos ao público.

Samba da Água

A parceria de Mart’nália com a Águas do Rio começou em 2021, quando a artista compôs o “Samba da Água” para marcar a chegada da empresa no Rio de Janeiro. Na letra, a importância da água na vida do cidadão fluminense é exaltada:

(…)
(É água) do mar, chuva ou lagoa
(Com água) até em tempo de estio
(A água) que meu Cristo abençoa
(Pra água) sempre um desafio
(Tem água) até embaixo da ponte
(Só água) faz das águas do Rio
(Pra gente) a mais pura da fonte