InícioSão PauloEnsaiando tecnicamente, Mancha Verde mostra alto nível

Ensaiando tecnicamente, Mancha Verde mostra alto nível

Evolução passou corretamente e dá para dizer que se fosse para valer, a comunidade alviverde estaria totalmente pronta

A Mancha Verde realizou o seu segundo ensaio técnico visando o carnaval de 2022. O treino foi marcado pela forte presença da comunidade, canto e contingente. Diferente do primeiro ensaio, onde o presidente Paulo Serdan pediu para a escola apenas ‘brincar’, desta vez, o mandatário alviverde deu o discurso e falou para a agremiação fazer a mesma coisa, só que com seriedade. Devido a isso, deu para notar mais detalhes em relação ao primeiro ensaio. Vale destacar que todos os setores foram organizados. Evolução passou corretamente e dá para dizer que se fosse para valer, a comunidade alviverde estaria totalmente pronta.

Harmonia

Como no último ensaio, a Mancha Verde teve um ótimo desempenho no canto. É algo que vem sendo trabalho há muito tempo dentro da escola e, todos os anos, só o que se faz, é aprimorar dentro do samba. Todos os setores tiveram destaque e até as baianas cantaram muito. Uma prova disso foi quando a bateria executou a bossa da paradinha do refrão principal. Todos cantaram forte a uma só voz. Uma escola totalmente leve e pronta em relação ao quesito. A felicidade antes, durante e depois do treino, era nítida. Tanto da parte dos componentes, como dos diretores. As partes mais cantadas são o refrão, principal, refrão do meio e a última estrofe: ‘à terra, deixando um clamor à humanidade, a nobre missão de preservar, nosso futuro, nosso lar’.

Paolo Bianchi, diretor de carnaval da escola, deu um balanço geral do que foi o treino. “Acabamos de sair da conversa ali com o nosso presidente. Acho que foi o primeiro ensaio que fizemos, na história da Mancha, que a gente grava o ensaio inteiro, que tudo que a gente combinou, funcionou. Ele fica ali na bateria, mas ele é muito técnico. A avaliação dele, e a nossa, é que tudo funcionou, que a escola cantou demais. Fizemos um trabalho muito grande de canto, com reuniões de 10 em 10 pessoas, pelo Zoom às vezes, fora as alas em ensaio de quadra. Então tudo funcionou bem demais. O andamento funcionou como a gente planejou. Foi um ensaio para lavar a alma. Estamos saindo bem felizes daqui hoje”, avaliou.

O diretor falou de pontos a serem ajustados. “Temos um trabalho combinado para essas próximas duas semanas de doutrinar essas pessoas que só chegaram agora no final. Roupas, nós temos muita roupa pronta, muitas fantasias, há muito tempo, estamos revisando tudo de novo. Sabemos que não podemos subir no salto, até porque faz muito tempo já. Temos que ter humildade, e passar para a nossa comunidade que ninguém ganhou nada. Temos muito trabalho pela frente, porque se de um ano para o outro a gente já desaprende muito, após dois anos pra frente desaprende mais ainda. É botar o pé de todo mundo no chão. Temos que revisar roupas, revisar canto e trabalhar. A Mancha vem de trabalho, mas é o que falamos ali: Trabalhar mais um pouco. Foi um grande desfile, um grande ensaio, mas tem muita coisinha que a gente olha, o pessoal nosso fala de longe, e eu também faço isso, e nós anotamos tudo. O bom é que hoje foi um dia que teve muitos elogios, mas não podemos nos perder nisso”.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Marcelo Silva e Adriana Gomes fez um ensaio satisfatório. Olhando a apresentação para a primeira cabine de jurados, a coreografia dentro do samba, mostrada em ambos os ensaios técnicos, não demonstra tanta informação. Talvez, seja uma dança suficiente para uma leitura fácil dos jurados. Ou até mesmo, podem estar trabalhando em uma situação dentro da fantasia. Contudo, em análise, o casal fez um ensaio seguro, optando por preservar movimentos, com um bailado mais leve e elegante. A porta-bandeira estava vestida de branco e com saia verde e, o mestre-sala, inteiramente de branco.

Samba

Uma das melhores obras do carnaval paulistano, o samba da Mancha Verde, pegou dentro da comunidade. A escola se mostrou muito feliz com a escolha desde o primeiro instante, há dois anos atrás e, isso vem se provando a cada ensaio, seja técnico ou de quadra.

O refrão, além de ter um significado forte, onde fala de benzimento, purificação e sede, é aquele famoso ‘chiclete’, onde os as palavras terminadas em ‘ar’ e, dá uma facilidade ao compositor para cantar (purificar, mar). A rima ‘vida’ e ‘avenida’ também facilita bastante para o canto. Prova essa são as ‘paradonas’, onde a comunidade canta a uma só voz de uma maneira que beneficia todo o conjunto musical.

O carro de som, liderado por Fredy Vianna, também foi destaque. O cantor é fundamental e sabe perfeitamente como jogar o samba para a comunidade. Nesse aspecto, Fredy destoa muito.

Bateria

A bateria ‘Puro Balanço’ regida por mestre Guma administrou muito bem o que a escola se propôs a fazer. Como dito anteriormente, as ‘paradonas’ se destacaram e a escola alviverde cantou forte devido ao desempenho de sua batucada também. Justamente, a bossa de destaque foi a citada antes. A ‘Puro Balanço’ foi localizada para depois do abre-alas. O desenho de tamborim e os chocalhos, são ouvidos com grande nitidez e dão um tom diferente dentro da batucada de mestre Guma.

O diretor de bateria, mestre Guma, avaliou o desempenho. “Hoje apesar de ser o último ensaio técnico, de alguma forma conseguimos desfilar de uma forma descontraída. Com responsabilidade sim, pois hoje nosso contingente era maior. Vi um ensaio como o primeiro que a energia, atmosfera estava excelente. Hoje fizemos o apagão algumas vezes na pista, e a galera cantando. Isso motivou bastante, o que eu senti ali da bateria a galera firme, vibrante com a gente, foi um grande ensaio. Gostei muito, mais do que o primeiro. Tínhamos algumas coisas tipo volta, o entrosamento do carro de som com a bateria que aqui é diferente da quadra. Corrigimos o lance do canto, as divisões, com as bossas, deixar mais sequinho. A bateria mais firme, no primeiro ensaio veio mais ralentando, mais cadenciado, corrigimos e colocamos um pouquinho mais para frente. E tudo para melhorar o canto e a evolução da escola”, analisou.

Guma também falou dos ‘apagões’ que a bateria fez, onde soltou a comunidade para cantar. “Fizemos agora, uma semana atrás que começamos a fazer o apagão. Para sentir mesmo o canto da escola, de toda a comunidade, e a prova real é aqui, lá na quadra tem algumas dificuldades técnicas, de som e tals. Ficamos um pouco preocupado, mas sabia que aqui saberíamos a verdade, e graças a Deus aconteceu, a galera cantando muito, bateria cantando muito. Não tivemos nenhuma ocorrência e o que vai para o desfile”, disse.

Evolução

A escola alviverde passou brincando e sambando na avenida. Além de compacta, a evolução fluiu de uma maneira muito satisfatória. É sempre importante analisar que mesmo as alas sendo montada dessa forma, quando se faz de maneira correta, o componente pode flutuar na pista.

Na primeira medição de alegoria, uma ala encenada veio fazendo uma coreografia que deu um destaque belo na pista, onde eram divididas em duas partes: Mulheres com espelhos e panos. Um efeito muito bacana.

A escola não tem uma coreografia padronizada, mas tem uma sincronia entre as alas. No refrão principal, os braços se mexem para o alto. Já no refrão do meio, onde se canta: ‘Iemanjá ê, Iemanjá’, os componentes se movem de um lado para o outro.

Outros destaques

A comissão de frente foi com uma coreografia onde aparentemente os orixás, fazem uma adoração às águas e, as mães de santos, dançam ao redor. Quase todas as alas carregavam uma bandeira de porte médio nas cores em verde e branco. As alas coreografadas se mostraram bem sincronizadas.

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