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Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’

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Responsável pela comissão de frente da São Clemente desde 2019, Junior Scapin acumula na função passagens, entre outras, pela Estação Primeira de Mangueira, Império Serrano, Estácio, Império da Tijuca, em que desenvolveu a memorável comissão de frente de 2013, no enredo “Negra, Pérola Mulher”, que rendeu a escola o acesso ao Grupo Especial. Na Verde-e-rosa, o artista foi responsável por abrir a apresentação de 2016, ano em que a escola foi coroada com o título no enredo que homenageou Maria Bethânia. No terceiro ano na São Clemente, Junior foi bastante elogiado pela coragem em 2019 em tocar em assuntos delicados com bastante humor representando os dirigentes das escolas de samba e as viradas de mesa do carnaval. Fora do samba, o artista tem trabalhos em programas como “Esquenta” e “Criança Esperança” da TV Globo.

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Admirador do trabalho sem tripés e elementos alegóricos, em entrevista ao site CARNAVALESCO, o coreógrafo admite a dificuldade pelo julgamento ao realizar comissões mais simples, mais focadas nos bailarinos, no Grupo Especial. Na conversa, Junior também relembrou trabalhos marcantes, falou um pouco das ideias para a apresentação de 2022, reclamou do peso dado às bandeiras na hora do julgamento e explicou o tamanho da responsabilidade de produzir uma comissão para homenagear um artista como Paulo Gustavo.

Qual é o maior desafio hoje da comissão de frente ser a síntese do enredo ou um espetáculo impactante de abertura?

Junior Scapin: “Eu penso que hoje em dia tem que ter as duas coisas porque as pessoas falam muito do primeiro setor da escola. De alguns anos para cá, a comissão de frente acabou ganhando muita importância, o início vem ganhando muita importância. Confesso para você que sou da opinião de que a comissão de frente hoje em dia ajuda sim a ganhar carnaval. Se você vem com uma boa frente de escola, acho que já é um chamariz para o que vem atrás, mas acho que juntar a importância da comissão de frente, juntar tudo que você faz durante três meses com o que vai ser contado, com o que vem atrás, acho muito importante. O que eu não gosto, na verdade, é que a comissão de frente seja uma coisa, e aí depois comece o desfile. Isso eu não concordo. Acho que a comissão de frente não pode ser uma coisa à parte. A Comissão de Frente tem que ser tudo junto, tem que existir uma uniformidade, desde o primeiro setor que é o nosso, até a última ala que vem na escola”.

Qual é a comissão inesquecível da sua carreira? E qual foi a que podia ser melhor na hora para valer?

Junior Scapin: “Eu costumo dizer que eu tenho três comissões muito boas e que eu não consigo escolher. Mas, obviamente, uma muito importante é o Império da Tijuca de 2013 que foram as mulheres negras. Eu digo que foi um divisor de águas na minha vida, existe um Júnior Scapin antes da Tijuca 2013, e outro depois. Acho que uma comissão de frente muito importante que eu tive também, que na verdade eu nem sei o que deu errado porque no meu julgamento os julgadores falaram tanta coisa e coisas que na verdade não aconteceram, foi Mangueira 2017, porque foi a primeira vez que eu comecei a trabalhar com teatro, comecei a ver a comissão de frente muito mais teatral do que dançada. Como eu fui bailarino durante muitos anos e hoje em dia eu sou coreógrafo, a gente tende, quando está começando a fazer comissão de frente, a deixar tudo muito dançado e esquece um pouco da teatralidade. Na verdade, nesse ano foi muito mais teatral do que dançado. Foi uma comissão de frente muito importante, uma comissão de frente que todo mundo fala, foi bem bacana. Os julgadores citaram que a minha comissão não teve interação com o carro, sendo que a minha coreografia era totalmente relacionada ao carro. E, 2019, na São Clemente, que tinha tudo para dar errado, tinha tudo para ser muito mal falada no sentido que eu estava falando dos dirigentes das escolas de samba, da virada de mesa, e na verdade, a surpresa grata que eu tive foi que todo mundo falou muito bem, todo mundo entendeu a comissão de frente, e essa era uma preocupação minha, porque a arquibancada não tem o livro Abre-alas, então você tem que olhar e entender o que está sendo contado. Fiquei muito feliz também com a repercussão deste trabalho”.

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Sem ser a sua, qual a comissão que você adora? Pode citar até três.

Junior Scapin: “Gosto muito da comissão do Patrick (Carvalho), dos pretos velhos (Paraíso do Tuiuti 2018), eu acho que é uma comissão simples, e é uma comissão de um efeito absurdo, de uma emoção absurda, o Patrick foi muito feliz naquela comissão de frente. Gosto muito da comissão de frente do Hélio Bejani, agora da piscina, dos orixás, enfim, gosto muito (Grande Rio 2020). Eu gosto de todas as comissões do Marcelo Misailidis, eu sou apaixonado por ele. É a minha grande referência no mundo do carnaval, é o Marcelo Misailidis e o Hélio Bejani, o Hélio eu já trabalhei, comecei no carnaval sendo bailarino dele em comissão de frente, mas eu gosto da savana do Marcelo Misailidis (Vila Isabel 2012), que foi incrível, todo mundo ficou encantado, apaixonado. São três comissões assim da atualidade que eu acho bem bacana e bem importantes”.

Se pudesse, o que aperfeiçoaria no quesito Comissão de Frente?

Junior Scapin: “Gostaria muito que um dia os coreógrafos do Grupo Especial não fizessem comissão de frente com o tripé, enfim, essas coisas, eu prefiro trabalhar sem tripé, por isso que eu gosto de trabalhar muito no Grupo de Acesso, porque eu me sinto muito mais desafiado quando não tem um elemento cenográfico para me debruçar. Eu acho que exige muito mais da sua criatividade como artista e é por isso que a gente vê no Grupo de Acesso comissões lindas, comissões super interessantes, porque como você não tem esse artifício para se debruçar, você acaba tendo que exigir muito da sua criatividade”.

O elemento cenográfico é tão fundamental assim no Grupo Especial?

Junior Scapin: “Hoje em dia, acho que é praticamente um critério você ter que usar um carro, você ter que usar um elemento cenográfico. Porque parece que se você vem sem um elemento cenográfico, você já entra na Avenida com 9,9. Assim, já tendo um tripé, um elemento cenográfico, já é difícil você tirar nota máxima, imagina sem. Eu tento, obviamente, nos meus elementos cenográficos, não ter eles como a atração principal. Para mim, a atração principal sempre é o meu material humano, que são os meus bailarinos. Eu tento agregar o meu trabalho com esses tripés e eu acho que eu consigo. Confesso, que já trouxe alguns muito grandes, mas eu acho que foi necessário para o que eu queria mostrar. Mas, gostaria que não tivesse. Eu tiraria esse tripé um ano talvez só para ver como funcionaria essa coisa da criatividade dos profissionais”.

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Acha legal que tenha a apresentação apenas na frente do módulo de jurados ou gostaria que a análise fosse igual São Paulo pela pista toda?

Junior Scapin: “Acho muito importante a apresentação para o jurado porque você tem condição de fazer uma coreografia especial, parar e se apresentar. Eu já fui chamado para fazer o carnaval de São Paulo, eu não pude aceitar porque eu estava no carnaval do Rio, mas, quando eu fui chamado fiquei me perguntando, ‘gente será que eu consigo fazer um trabalho que eu vá me apresentar para o jurado andando assim no decorrer da Avenida? ’ É muito difícil. Acho que eles têm até um trabalho muito bacana de estrutura, de como você vai desfilar, acho que o trabalho da direção de carnaval, direção de harmonia deve ser muito bom lá, mas eu como coreógrafo eu sinto a necessidade de parar, de virar, de me apresentar, de agradecer e de ir embora. Isso é importante para que o jurado de fato consiga ver o que você quer apresentar”.

Não haverá mais a obrigatoriedade de se apresentar para o público do setor 3. Você vai manter? E faz algo para o setor 1?

Junior Scapin: “Eu sempre faço no setor 1, acho que o setor 1 é o grande termômetro se seu trabalho vai dar certo, se seu trabalho vai dar errado. Se você escuta gritos, escuta aplausos, tende que seu trabalho dê certo ao longo da Avenida. Para o setor 3 eu não sei qual a importância disso, até mesmo para a escola. Se a escola me pedir que eu faça, eu faço, mas eu me sinto um pouco prejudicado, porque na verdade a gente larga de um portão e já tem que virar no setor 3 para poder fazer a apresentação. Isso come tempo, isso atrapalha um pouco a harmonia da escola. Mas, se eu tiver que fazer, eu fiz ao longo de todos anos, não tive problema nenhum porque soube me adequar ao tempo ali da escola, mas não acho importante. Acho importante sim a apresentação para o setor 1. Porque é uma galera que não vai poder ver a apresentação, é uma galera que só vê as pessoas passando correndo ali e muito rápido. É um carinho com a galera que está ali”.

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A sua comissão de frente em 2013 pelo Império da Tijuca foi histórica. Por que uma comissão como aquela dificilmente seria aprovada pelos jurados do Especial?

Junior Scapin: “Acho que aquela comissão de frente para o Especial, hoje em dia, por mais força que elas tivessem, por mais garra que elas tivessem, por mais emoção que elas tivessem, eles iriam tocar no ponto não teve um clímax, não teve um ápice, não teve um elemento cenográfico, embora, a gente tivesse uma menina que vinha com uma asa, enfim. Mas, eu acho que os jurados hoje em dia eles iriam interferir nesse momento do ‘ cadê o clímax?’. Acho que para eles não é só emoção, eles precisam ver uma mágica acontecendo, uma pessoa sumindo, uma pessoa voando, uma pessoa trocando de roupa, uma pessoa mergulhando. Eu acho que precisa esse ‘Q’ de ‘Broadway’, de ‘Las Vegas’ na comissão de frente para que você consiga tirar os 40 pontos, para que você consiga ganhar prêmios. Só por esse lado. Pela emoção, pela garra, as pessoas iriam se encantar, iriam se emocionar, pelo fato de ela ser simples aos olhos de quem está julgando, poderia tirar um 9,9”.

Te incomoda quando você faz um belo trabalho e na hora do julgamento tem o peso da bandeira? O que você sente?

Junior Scapin: “Me incomoda. Eu acho que as pessoas tinham que respeitar o pavilhão da escola. Independente se a escola tem muitos títulos, se não tem nenhum título. Existe muita diferença, até, de dinheiro dentro das escolas. Tem escolas hoje em dia que não fazem carnaval só com a verba da prefeitura. Elas têm patrocinadores, escolas de outros municípios ganham de outros municípios. Eu acho até injusta a comparação porque no caso do meu quesito comissão de frente, é muito diferente um trabalho que custa 500 mil reais para um trabalho que custa 180 mil. É muito difícil. Por isso, acho que cada escola, cada envelope tinha que ser lacrado quando você vê a apresentação da comissão de frente. Assistiu a apresentação da comissão de frente de tal escola, dá a sua nota, lacre seu envelope, e entrega para quem tiver que entregar. Porque esse comparativo de notas eu acho muito injusto. Existem escolas com mais dinheiro, escolas com menos dinheiro, o empenho é o mesmo, mas a gente sabe que carnaval não se faz só com dedicação e empenho. A gente sabe que precisa de dinheiro para colocar o carnaval na rua. Infelizmente o preconceito das bandeiras existe sim, tanto da escola que sobe do Grupo de Acesso, que geralmente é a escola que cai, e geralmente é a escola que tem menos bandeira, quanto com as escolas que sempre estão cotadas para descer. O Carnaval acaba e já tem escola cotada para descer no carnaval seguinte. É um absurdo, mas eu graças a Deus faço meu trabalho, não penso sinceramente nesse lance se a bandeira da escola vai me prejudicar ou não, eu espero quando estou me apresentando, que realmente quem está me julgando veja o meu trabalho, veja o meu empenho, veja o empenho da minha equipe, dos meus bailarinos, da minha apresentação, e que me dê a nota mediante aquilo que eu estou apresentando naquele momento”.

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O que representa na sua carreira fazer a comissão de frente em homenagem ao Paulo Gustavo?

Junior Scapin: “Eu conheci o Paulo, eu fui coreógrafo do programa ‘Esquenta’ da Regina Casé. A Regina é muito amiga do Paulo e o Paulo vivia no programa. A gente tinha uma troca legal quando estava lá no programa, ele sempre muito engraçado, sempre muito educado. E artista. Eu acho que é uma perda precoce, ninguém esperava. O Paulo tinha toda uma rede de apoio do lado dele quando ele ficou doente e a gente vê o quanto essa doença é ingrata, independente de classe social, independentemente de você ter dinheiro ou não, se você contrair esse vírus, e se infelizmente estiver na sua hora, você vai acabar indo embora. Fazer uma comissão de frente que vai trazer a alegria do Paulo, essa luta LGBTQI+ que o Paulo tanto lutava. Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto muito feliz e muito honrado de poder estar representando na Avenida uma pessoa que foi tão importante, que morreu tão precocemente, mas que vai ser lembrado aí por muito tempo, e graças a Deus também ser lembrado por esse carnaval que a São Clemente vai fazer”.

O que o público vai sentir quando olhar a comissão de frente da São Clemente?

Junior Scapin: “Eu acho que primeiro eles vão se divertir muito. Acho que o primeiro olhar do público, eles vão se divertir demais. As pessoas estão pensando muito no óbvio. E, na verdade, eu procurei fugir do óbvio. Mas, a gente vem falando de um momento muito especial na vida do Paulo. É um momento muito divertido. As pessoas vão se divertir muito nesse primeiro momento. E, eu acho que a minha apresentação para o jurado começa com toda essa alegria, começa com todo esse deboche que o Paulo tinha, e a gente divide a apresentação da comissão de frente em dois momentos: alegria e emoção. Eu quero que as pessoas se divirtam muito, mas eu quero também que as pessoas olhem da metade para o final da minha apresentação e se emocionem muito com tudo que está acontecendo ali”

Série ‘Barracões’: ‘Visões Xamânicas’ do Sossego

A Acadêmicos do Sossego pretende melhorar sua colocação e apresentação de desfile em 2022. Em 2020, a escola ocupou a oitava colocação da Série Ouro, com o enredo “Os Tambores de Olokun”, que teve o desenvolvimento dos carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques, que assumiram o trabalho faltando apenas 15 dias do desfile oficial. Agora, a escola do Largo da Batalha, em Niterói, optou pela contratação do carnavalesco André Rodrigues. Desenvolvendo o enredo “Visões Xamânicas”, o artista pretende levar para a avenida uma história atrelada ao presente e ao futuro. A ideia de falar sobre essa temática surgiu durante a quarentena, quando ele leu algumas reportagens falando sobre o processo de reestruturação de alguns lugares naturais com o afastamento da ação humana. Com as reportagens, André começou a ler o livro do líder Yanomami, Davi Kopenawa, e baseado na leitura ele começou a desenvolver o enredo.

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“Li o livro, quis fazer um enredo sobre a vida do Davi, pois é tudo místico já que tem a transformação dele em pajé. Procurei fazer algo mais ficcional, parecido com uma fábula e criei o meu próprio pajé. Que vai ter algumas visões a partir do encontro com os ancestrais, após a infusão de ervas e tudo mais. Quando ele encontra com os espíritos é contemplado com várias visões, sendo elas: as visões de destruição da terra, as visões de profecias indígenas que falam sobre o fim do mundo e a última sobre como podemos consertar esse planeta”.

Focando mais na cosmologia índigena,a parte mais interessante durante a pesquisa do enredo, segundo ele, foi entender a relação deles com o templo, cultura e natureza. Sendo totalmente diferente da nossa cultura ocidental e também no que acreditamos, pois eles possuem um outro tipo de vivência. “É muito importante ler e entender essa relação deles com esse templo místico, com o templo do sonho e essa relação com o etéreo. E como tudo é ao redor deles, da relação com a natureza”, conta André.

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André Rodrigues permitiu deixar o mundo mais lúdico e sonhado. Já que o enredo se passa no mundo dos sonhos, como respeito para retratá-los. Pois esse não é o local de vivência dessa cultura do artista. Para ele, o grande trunfo do desfile do Sossego é estar pronta.

“Um carnaval bem feito, bem acabado independente de feio ou bonito, desde que dê orgulho para as pessoas que participam desse projeto, é o grande trunfo. Entregar uma Sossego mais encorpada, organizada e pensar na escola é o mais importante agora. Não pensar no que pode acontecer, nos fatores externos. No momento temos que pensar em fazer a escola melhor, desfilar bem e que passe tranquila na Sapucaí”, diz o carnavalesco.

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Muitas pessoas estão elogiando a plástica da escola e durante a visita da equipe do site CARNAVALESCO, foi possível notar o que já vem sendo falado. Para o carnavalesco da agremiação é diferente, pois ele não consegue falar sobre o próprio trabalho.

“É um trabalho muito dedicado, de bastante organização não só da minha parte, mas também da direção da escola. Isso tudo aqui é o resultado de vários encontros de dedicação de trabalho, não é só o que eu faço”, relata.

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Até chegar na versão final do carro abre-alas da escola, André fez umas quatro versões, tendo que se organizar e readaptar. E também fazendo orçamentos para que esteja dentro do possível gasto pela escola e no tempo para montar as alegorias. As pessoas podem esperar da Sossego um trabalho que foi e está sendo feito até o desfile com muito carinho e dedicação de todos os envolvidos. Talvez, o maior desafio durante a carreira do carnavalesco até o desfile do Sossego, está sendo terminar bem todo esse trabalho realizado. O artista expõe sobre esse desafio. Segundo o carnavalesco, ele está bastante ansioso para o desfile e satisfeito com tudo.

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“Fazer essas negociações bem, do eu perco e ganho. Não consigo ver de uma maneira unilateral, tem um conjunto de vários fatores, de pessoas que participaram”.

Entenda o desfile

O Sossego irá levar para avenida o enredo “Visões Xamânicas”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues. Baseado na cosmologia indígena, a agremiação promete vir melhor no carnaval deste ano. A escola do Largo da Batalha vai encerrar os desfiles do primeiro dia da Série Ouro.

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Primeiro setor: “A primeira visão. O que nós fizemos de uriri”.
Segundo setor: “A segunda visão. A pajelança universal”.
Terceiro setor: “Terceira visão. Descerá de uma estrela, o índio guerreiro”.
Quarto setor: “Quarta visão. Um novo dia virá”.

Ficha técnica
Número de alegorias: 3 alegorias e dois tripés
Número de alas: 17 alas
Número de componentes: 2.000
Carnavalesco: André Rodrigues
Diretora responsável do barracão: Alessandra Guedes
Ferreiro chefe: Augles Ferreira da Silva
Carpinteiro chefe: Fernando de Paula Rosa
Escultor chefe: Augles Ferreira da Silva
Pintor chefe: Gereca Pantoja
Eletricista chefe: Antonio Ferreira da Silva
Mecânico chefe: Antonio Ferreira da Silva
Iluminação: Alan Carvalho
Adereço/alegoria 1: Márcio Pessoa
Adereço/alegoria 2: Márcio Pessoa
Adereço/alegoria 3: Cláudia Costa
Adereço/tripé: Cláudia Costa
Efeito de água: Jamaica e Sérgio Pina

Brilho no olhar e amor ao carnaval! Em seu último ensaio, Viradouro mostra sua força na luta pelo bi consecutivo

Por Gabriel Gomes e Isabelly Luz

Na noite de sábado, em seu último ensaio de quadra, antes do desfile oficial, a atual campeã do carnaval carioca, Unidos de Viradouro, mostrou sua força na luta pelo bicampeonato consecutivo. Impulsionada pelo seu inovador samba-carta e com show de sua comunidade e da bateria Furacão Vermelho e Branco, comandada por mestre Ciça, a escola de Niterói confirmou que “o brilho no olhar continua”. O ensaio começou por volta das 22h e contou com uma simulação do início do desfile oficial, com a participação da voz da avenida, Vanderlei Borges.

“Muito satisfatória a temporada de ensaios. Conseguimos superar o nível do ano passado, apesar do ciclo inconstante. Não sabíamos quando ia ser o desfile, mas conseguimos manter nossa programação e chegar agora em abril no ápice da escola. Mantivemos um nível alto de canto, escola aguerrida, confiante, nível plástico alto. A escola, sem dúvida, vem mais uma vez fazer um lindo espetáculo. A Viradouro mais uma vez foi feliz em sua escolha de enredo. Temos um enredo e um samba que dispensa comentários. Tenho muito respeito e carinho pelas minhas coirmãs, mas a Viradouro vem para disputar o título. Estou muito ansioso. Essa última semana daria um filme para todo mundo. Essa ansiedade faz parte do processo natural que antecede o desfile, mas tenho certeza que no final vai dar tudo certo”, garantiu o presidente Marcelinho Calil.

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Antes do início do samba de 2022, o presidente de honra da Viradouro, Marcelo Calil, fez um discurso de agradecimento e incentivo a comunidade. O presidente da Vermelha e Branca, Marcelo Calil, aproveitou seu discurso para falar das bandeiras presentes na quadra, com os rostos do presidente de honra, do primeiro casal, Julinho e Rute, do mestre Ciça, do intérprete Zé Paulo e de uma fênix. Marcelinho agradeceu e exaltou a importância dessas figuras para a escola.

No esquenta, o intérprete da Viradouro, Zé Paulo Sierra, relembrou vários sambas de sucesso da história da escola, como os dos dois campeonatos, o de 2016, de 2014, entre outros. Para animar o público presente, ainda houve um concurso de quem melhor entoava o grito de guerra do intérprete da escola. O inovador samba da Viradouro, em forma de carta, assinado por Felipe Filósofo e parceiro, teve mais uma excelente exibição na quadra da escola e provou, novamente, sua funcionalidade.

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O trecho da declaração de amor ao carnaval, juntamente com o “Tirei a máscara num clima envolvente/ beijei os lábios suavemente” foram intensamente cantadas pela comunidade niteroiense e gonçalense. Impulsionada pelo samba, a harmonia da escola teve desempenho impecável na quadra. As alas presentes no ensaio cantavam o samba a pleno pulmões, com destaque para a “Ala dos adolescentes”, que esbanjou alegria e empolgação.

“Foi um ano bem diferente para a gente. Tentamos manter o nosso nível de exigência dos ensaios, mas em alguns momentos tivemos que parar pela questão pandêmica. Mesmo assim, acredito que tenhamos chegado ao nosso ápice no momento certo, que é perto do desfile, e sem esfolar muito o componente. Tenho certeza que hoje temos uma comunidade entregando o seu máximo, já que a ideia sempre foi fazer um ensaio bonito e um desfile mais bonito ainda. Um bom enredo enredo com um bom samba, hoje são essenciais para disputar o carnaval. Nós temos na história, escolas que tiveram um ótimo desfile estético, mas que devido samba e enredo questionáveis, não conseguiram o êxito. Hoje a minha escola pensa muito antes de definir seu enredo e seu samba, pois sabemos que dado isso, é meio caminho andando, o resto é desenvolvimento de projeto. A Viradouro e as outras escolas se prepararam muito para esse momento. Falando pela minha escola, nós ensaiamos muito, vimos tudo que poderia dar certo e tudo que poderia dar errado, e hoje só estamos pensando em desfilar no dia 22 de abril com tudo que a gente planejou, fechando o portão e tendo a sensação de que fizemos a nossa parte. Dali em diante fica com o julgador e com a opinião pública”, afirmou Dudu Falcão, da direção de carnaval.

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A bateria Furacão Vermelho e Branco, comandada por mestre Ciça, deu mais show no ensaio de quadra. Com muito ritmo, os ritmistas da escola conduziram o ensaio com maestria. Durante o ensaio, a bateria executou a já famosa e aguardada “bossa dos pratos”, sendo que, desta vez, um dos pratos era tocado pelo próprio mestre Ciça.

“A avaliação da temporada de ensaios é muito produtiva. Ensaiamos muito, o carnaval 2 em 1. Estamos cansados, mas sempre prontos. Temos um grande enredo, além de ser muito atual, já que retrata tudo que nós passamos, revivendo a gripe espanhola como a pandemia de hoje. E o samba-enredo é maravilhoso, um dos mais bonitos, isso se não for o melhor samba do carnaval. Lógico que temos a consciência de que tem grandes escolas competindo com a gente, mas a Viradouro está pronta e linda. Acredito muito na minha escola, mas sempre respeitando minhas coirmãs, já que carnaval não se ganha antes, só se ganha lá dentro”, comentou mestre Ciça.

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A primeira porta-bandeira da Viradouro, Rute Alves, não pôde estar presente no ensaio, por motivos religiosos. O terceiro casal, João de Oliveira e Eduarda Martins, fez uma ótima apresentação, com muito entrosamento e conduziu brilhantemente o pavilhão da escola, sob os olhares do primeiro mestre-sala, Julinho Nascimento.

“Por incrível que pareça, o nosso samba diz “Tirei a máscara num clima envolvente”, e hoje estamos de quadra cheia, pessoas vacinadas e sem máscaras. Estamos no pré carnaval, bem na véspera, não tem coisa melhor do que acreditar que depois de dois anos realmente teremos nossa grande festa. Estou ansioso demais! Mas entendo que preciso me conter, já que ansiedade demais atrapalha. Mas é uma coisa que eu amo, são dois anos sem, então é saber da responsabilidade, curtir esse retorno maravilhoso e tentar fazer o melhor possível. Todos nós trabalhamos e ensaiamos muito, não tem ninguém no carnaval que tenha ficado ileso disso. A Viradouro ensaiou até além, a escola gosta muito de ensaiar e esse mérito eu dou inteiro aos Marcelos”, disse o mestre-sala Julinho.

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A ala de passistas da Viradouro, comandada por Valci Pelé, também se destacou na noite de ensaio. Em cima do palco, com uma roupa vermelha, os passistas deram um show de
samba no pé.

No fim do ensaio, em um momento de descontração, o presidente de honra, Marcelo Calil, o mestre Ciça e a rainha Erika Januza, assumiram os microfones do carro de som e entoaram o samba da escola.

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Com o enredo “Não há tristeza que possa suportar tanta alegria”, desenvolvido pelos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon, a Unidos de Viradouro será a quinta escola a desfilar na sexta-feira, primeira noite de desfiles do Grupo Especial.

Imperatriz realiza último ensaio da temporada e apresenta a força de sua comunidade

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Não há como negar que a Imperatriz Leopoldinense é uma das apresentações mais aguardadas para o próximo carnaval. A escola promete realizar a maior e mais imponente abertura que o Grupo Especial já recebeu e, se depender da força impressa pela sua comunidade no último ensaio de rua, a briga será nas primeiras colocações da tabela. O CARNAVALESCO esteve presente e exalta também a potência da bateria de mestre Lolo, a perfeita harmonia do carro de som e o bailado de Thiaguinho Mendonça e Rafaela Theodoro.

No início do mês, em entrevista publicada pelo site, a presidente Cátia Drummond afirmou que apesar de tradicional, a Imperatriz está aberta para o novo. Uma das gestões mais bem avaliadas do carnaval, Cátia e João Drummond, diretor executivo da escola, iniciaram um trabalho de resgate e envolvimento da comunidade para além do carnaval. Na manhã de sábado, 16 de abril, a escola presenteou as crianças da comunidade com lembranças para celebrar a Páscoa. Competentes, trouxeram o seu componente para próximo e reacenderam a chama nos corações de cada um pela “rainha de ramos”.

O trabalho plástico observado no barracão, desenvolvido por Rosa Magalhães e Bruno de Oliveira, seu auxiliar, é belíssimo. Carros imponentes, de muito bom gosto e acabamento ímpar. Ao encerrar a temporada de ensaios, Drummond acredita que a Imperatriz fará história na avenida.

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“O balanço é o melhor possível, acredito que conseguimos atingir o nível esperado para o rendimento do samba. A comunidade atingiu um patamar que nunca vimos na Imperatriz. Os quesitos são fortes e agora é alinhar o nosso chão com a plástica e o enredo para que as coisas aconteçam na avenida. O grande trunfo da escola é uma equipe muito forte e um equilíbrio muito grande entre todos os nove quesitos. Não adianta ter um samba muito bom e pecar nos demais. Ter uma unidade é essencial. Por fim, destaco a força da comunidade em querer buscar resultados muito positivos com sangue nos olhos e muita garra”, disse João Drumond.

Harmonia e samba enredo

Nos anos 90, auge da história da Imperatriz, a agremiação era taxada como “a mais certinha”. E isso se mantém, porém, agregado à uma leveza muito grande entre os componentes. O canto é alto e a evolução é solta. Sem enroscos, as alas fluem de forma muito natural e em ritmo constante. A homenagem para as coirmãs Salgueiro e Mocidade são entoadas a plenos pulmões e se estende para o verso “eterna seja, amada imperatriz”, explosão total. Além do refrão, toda a obra é cantada do início ao fim. Obra que é assinada por Gabriel Mello e só cresceu durante a temporada de ensaios. Arthur Franco e Bruno Ribas dão o tom necessário para o samba em um casamento perfeito, dando espaço para que todos os segmentos executem as suas funções dentro da melodia. É de encher os olhos.

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“Estamos com a sensação de dever cumprido. Depois de muito tempo a imperatriz voltou a ganhar as ruas, ficamos muito tempo enclausurados. Ficamos dentro de uma redoma e acredito que foi um dos fatores que a escola teve resultados ruins, mas isso mudou desde 2020. Saímos de Ramos e chegamos em Bonsucesso. Vale destacar que a escola tem 11 estrelas em seu pavilhão e esse bairro é uma delas. Seguindo dentro da nossa região e trazendo cada vez mais a comunidade que se reencontrou com a Imperatriz. Depois de muito tempo o componente vai entrar na avenida sabendo que brigará pelo título, mesmo sendo a primeira a desfilar. Falar de Arlindo é falar da nossa história e o grande barato é quando as pessoas se reconhecem na escola. Já tivemos enredo que falou de bacalhau. Cantavam o samba, mas não se reconheciam. As pessoas batem no peito, evoluem de forma leve sem que a gente precise direcionar algum comando. Por tudo isso, acredito que a escola tem vários trunfos para esse carnaval”, comentou André Bonatte, integrante da comissão de carnaval.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Quinto ano de uma parceria que deu muito certo, Thiaguinho e Rafaela esbanjaram simpatia ao longo da apresentação na Cardoso de Morais. Meia década de parceria são responsáveis pelo entrosamento perfeito e o bailado vigoroso com traços de delicadeza. A técnica misturou-se com a graça e a dupla riscou o chão nesse treino final.

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“Na minha visão, por ter sido um pré-carnaval mais longo, foi exigido muito de todos nós, mental e fisicamente. A concentração e o foco nos nossos objetivos foram fundamentais, afinal, tivemos uma rotina muito pesada. Eu assisti o nosso último ensaio que foi com a fantasia e estou super feliz com o resultado e acredito que vai ser muito bom. A Imperatriz está falando sobre ela, tem a cara da escola. Temos novamente a Rosa que é uma figura marcante na nossa história fazendo o que ele sabe fazer de melhor e isso empolgou a escola toda desde a divulgação do enredo”, disse o mestre-sala.

“Foi uma temporada mais duradoura. Ao mesmo tempo que cansativa, foi muito gostosa essa preparação e deu tempo para ajustar aqueles detalhes que muitas vezes não dá tempo. Por mais que a gente trabalhe o ano inteiro, sempre tem algo para melhorar porque nunca temos a perfeição. Sendo assim, mais longo o período, maior o tempo de ensaio para buscar o excelente. Ficou claro nos últimos anos que ter um bom enredo e samba muitas vezes levam ao campeonato. O público responde e para quem desfila eleva a autoestima”, completou a prota-bandeira.

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Bateria

Sob o comando de mestre Lolo, a Swing da Leopoldina deu show e apresentou um ritmo consistente e que se manteve ao longo de toda a apresentação. A potência da bateria, intercalada com algumas bossas planejadas, completam a obra escrita por Mello e elevam para outro patamar. O ritmo aplicado facilita a evolução dos brincantes e o samba no pé de musas e passistas da agremiação. Destaque para a bossa no verso “seu samba nascendo do morro, ecoa no povo e ressoa no céu”, cadência impecável. Quem também esteve presente no treino final foi a rainha da bateria, Iza. Com muita simpatia e samba no pé, a beldade fez bonito e foi ovacionada pelo público que acompanhou a apresentação da verde e branca.

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“Felizmente a bateria vem em uma crescente, trabalhamos todos os meses após a escolha do samba de forma incansável. Sinto que está super encaixado. No ensaio técnico nós passamos muito bem e agora é repetir no desfile oficial e arrancar a nota máxima. Não apenas esses quesitos (samba e enredo), mas também a comunidade que abraçou e canta demais. Se Deus quiser, vamos gabaritar em harmonia e evolução também”, afirmou mestre Lolo.

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No que depender de Cátia, João e toda a comunidade, a Imperatriz se prepara para um dos maiores carnavais da sua história, mesmo após dar show em 2020 com o campeonato na antiga Série A. Uma coisa é fato: a escola está em um lugar de que não deveria ter saído. Dessa forma, basta combinar a plástica com os quesitos apresentados nos ensaios que a escola está aguerrida para conquistar as posições mais altas do podium em 2022. Eterna seja, Imperatriz!

Mangueira faz último ensaio com forte canto da comunidade e show da bateria

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A Estação Primeira de Mangueira promete fazer bonito na avenida no Carnaval 2022. O site CARNAVALESCO esteve presente no último ensaio, antes do desfile oficial, a quadra estava lotada e a comunidade, mais uma vez, deu aula de amor a escola. Com o canto na ponta da língua, os componentes demostraram o quanto o ano sem desfiles fez a comunidade se aproximar ainda mais, mostrando a forte conexão e vibração de todos para cantar cada verso do samba. O enredo ‘Angenor, José e Laurindo’ que homenageia Cartola, Jamelão e Delegado, três grandes ícones da Mangueira e do mundo do samba, fez a quadra pulsar.

A comunidade se destacou muito cantando forte todo o samba, na parte “A voz do meu terreiro. Imortaliza o samba. E quem guardou com amor o nosso pavilhão. Tem aos seus pés a nossa gratidão” que antecede o refrão, era o gatilho para os interpretes deixarem ecoar canto dos seus componentes. Fazendo uma ligação forte para todos emendarem o canto no refrão.

Harmonia e Samba

Não há dúvida que a Mangueira é uma das escolas onde a força da comunidade sempre falou mais alto, com um samba que homenageia ícones que colaboraram para a história rica da agremiação, o resultado não poderia ser diferente. Com a ausência do interprete Marquinho Art’Samba, coube a Lequinho comandar o canto que rapidamente tomou conta de toda a quadra. Além da harmonia com o canto da comunidade, o canto encaixou muito bem com a bateria, comandada pelo mestre Wesley, que deu um verdadeiro show. Os ritmistas puxados pela simpatia e o samba no pé da rainha, Evelyn Bastos, fizeram uma grande apresentação para o público que aplaudiu bastante.

renato kort

“A Mangueira sempre pisa na avenida como uma das favoritas, a escola possui muitos títulos, a escola é pioneira, uma das matriarcas do carnaval. A Mangueira está preparada para contar a história de Angenor, José e Laurindo que são nossas joias, são nossos pretos reis. A comunidade vive a expectativa, confiamos muito na nossa comunidade, nosso barracão está muito bonito, nós temos uma comissão de frente belíssima, nossas fantasias estão bem acabadas, nosso carnavalesco é da vanguarda e o nosso chão é muito forte. Eu confio muito que esse caneco venha aqui para Estação Primeira de Mangueira com todo respeito as outras”, disse Renato Kort, diretor de harmonia.

lequinho

“No ensaio técnico mostramos um pouquinho do que vai ser o nosso desfile, porque pisamos na avenida com garra e muita vontade embaixo de chuva. Mostramos que temos um grande samba que vai representar muito bem os nossos ícones homenageados e a nossa escola. A Mangueira está com muita vontade de mostrar na avenida todo o amor que sentimos pelo Carnaval, com certeza vamos representar muito bem os nossos maiores ídolos que são Cartola, Jamelão e Delegado”, disse Lequinho.

Bateria

Regida pelo mestre Wesley, a “Tem que respeitar meu tamborim” deu um show na quadra durante o último ensaio. Com bossas muito bem sincronizadas e ensaiadas, os ritmistas mostraram estar entrosados para fazer bonito na Sapucaí. Um enredo que homenageia ícones que ajudaram a construir a linda história da escola não poderia ser mais propício para o mestre Wesley, nascido e criado no Morro da Mangueira, no Buraco Quente, que
estava leve no ensaio passando a sensação que sua bateria chegou na parte mais importante do ano bem alinhada e com entendimento total do que foi pedido durante os ensaios, e que agora é a hora de com muita garra dar 100% na Sapucaí.

wesley

Outro ponto alto da bateria se deu por conta de Evelyn Bastos. Com toda a simpatia e samba no pé, ela deu um show à parte na quadra, muito aplaudida a rainha sambou bastante e fez toda a comunidade se sentir muito representada. Por fim, pega de surpresa, a rainha acabou fazendo um mini-discurso, agradecendo a presença da comunidade e que juntos farão bonito na Sapucaí.

“A bateria está preparada desde janeiro, como os desfiles passaram para esse mês de abril, conseguimos fazer mais alguns ensaios para ajustar algumas partes que ainda estávamos com algumas dúvidas, mas acertamos. Está pronta, nossos instrumentos estão lindos. Vamos entrar na avenida em busca de mais um ano com nota máxima, já estamos vindo assim há dois anos 2019 e 2020. Vamos tentar manter as notas, espero que a bateria não perca ponto nenhum, saia na terça-feira com a sua nota máxima ajudando a escola a colocar mais uma estrelinha na nossa bandeira”, disse o mestre Wesley.

LIGA-RJ divulga nomes dos julgadores que irão atuar nos desfiles da Série Ouro de 2022

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A LIGA-RJ reuniu neste sábado, 16, em sua sede oficial, na Barra da Tijuca, os presidentes das 15 agremiações que fazem parte da Série Ouro para apresentar os julgadores que vão trabalhar nos desfiles de 2022. Os nomes foram aprovados com unanimidade. O curso de jurados foi realizado durante seis sábados com aulas, explanações e workshops, sempre das 9h às 17h. No total foram mais de 40 horas de preparação, algo inédito em toda a história do carnaval carioca. Das 04 (quatro) notas concedidas por quesito a cada escola, serão consideradas válidas apenas as 03 (três) maiores, descartando a menor.

serie ouro

Os desfiles serão realizados nos próximos dias 20 (quarta-feira) e 21 de abril (quinta-feira), às 21h. Cada agremiação terá o mínimo de 45 minutos e o máximo 55 minutos para passar pela Avenida.

Confira a seguir os nomes dos julgadores selecionados.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Marlene Costa Caetano
Elizeu de Miranda Corrêa
Simone de Lima
Erick Meireles

COMISSÃO DE FRENTE
Flávio Freire Xavier
Bruna Oliveira
Fernando Antônio
Simone Marques

EVOLUÇÃO
Fábio Canejo
Roberto Araujo Manhães
Matheus Vicente
Jaqueline Rodrigues

ENREDO
Douglas Coutinho Dias
Clécia dos Reis Oliveira
Leandro Machado
Isaura Alvarez

FANTASIA
Luciano Moreira
Adrian Silveira Nunes
Rosy Silva
Lucio Orlando

ALEGORIAS E ADEREÇOS
Ana Maria Bottoni Carvalho
Sérvolo Alves
Renato Silva
Carla Maria

SAMBA-ENREDO
Renato Vazquez
Fernanda Gonçalves de Araújo e Silva
Aristóteles Neto
Vinicius Cesar

BATERIA
Rocyr Abbud
Rodrigo Braz dos Santos
Wallace Santos
Ricardo da Silva

HARMONIA
Laio Lopes
Alexandre Magalhães
Cristina Reis
Jorge Carvalho

SUPLENTES
MÓDULO MÚSICA – André Lima Cordeiro
MÓDULO VISUAL – Leonardo Santos
MÓDULO DANÇA – Plínio da Cunha

Acesso 2 São Paulo 2022: saiba como foram os desfiles

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Por Fábio Martins Gustavo Lima e Lucas Sampaio

A equipe do site CARNAVALESCO acompanhou a abertura do Carnaval 2022 em São Paulo. Abaixo, você confere a análise de cada apresentação e galerias de fotos. A disputa é pesada, apenas uma escola de samba sobe para o Grupo de Acesso I, enquanto a última colocada vai para o Grupo Especial de Bairros, uma espécie de quarta divisão, esta que é administrada pela UESP e os desfiles não são no Anhembi. Pelo que foi apresentado na Avenida, Nenê e Peruche vão brigar pelo título. Em situação delicada estão Brinco da Marquesa, Camisa 12 e Dom Bosco.

Brinco da Marquesa

A atual campeã do Grupo Especial de Bairros, Brinco da Marquesa, abriu a noite de desfiles com o enredo “Estação Japão-Liberdade. Do Afro ao Oriental”. O desfile contou a história do bairro da Liberdade, que é famoso pela forte presença da cultura oriental. O nome, porém, é uma referência ao período colonial, em que foi transferida para a região a primeira forca de execução, onde muitos negros foram mortos enquanto quem assistia clamava por sua libertação. Iniciando a apresentação, a comissão de frente representou os Guardiões Ancestrais através de uma dança simples, atuando como observadores dos fatos e saudando o público. O carro abre-alas foi uma referência ao Largo da Força, onde as sentenças de execução eram aplicadas, e fez uma representação adequada dos elementos propostos no enredo.

A chuva que caiu durante o desfile prejudicou a dança de Ronaldinho e Juliana Ferreira, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Com a pista bastante escorregadia, a apresentação do casal, que veio representando o Tempo Colonial, se tornou bem burocrática, e ainda assim não conseguiram escapar de erros. O clima foi um adversário ingrato para a escola, mas não comprometeu a evolução em si, que se mostrou segura e sem pressa.

O samba foi de fácil leitura e bem apresentado pela equipe de canto liderada por Buiu MT e André Luiz. A bateria arriscou algumas bossas que foram bem executadas ao longo do desfile. A harmonia, porém, não contribuiu conforme o esperado, havendo diversos problemas de percepção de canto. Ao final da apresentação, uma das esculturas principais do segundo carro se quebrou e quase caiu na avenida. Foi preciso que componentes da escola carregassem ela até o fechamento do portão, que ocorreu com 48 minutos.

Camisa 12

A atual vice-campeã Camisa 12 adentrou o imaginário popular com o enredo “Um Conto para Mil e Uma Noites. A Viagem da Pantera pra lá de Bagdá”. Na apresentação, Aladim e o sultão disputam, em uma jornada pelo mundo antigo, quem encontrará a mais linda flor. Ao vencedor, o amor em forma de flor, o último dos desejos sugeridos pelo Gênio-Pantera. A comissão de frente apresentou a escola representando em suas roupas a comunidade árabe, com uma dança neutra. O Abre-alas contou com uma grande pantera, símbolo da escola, na frente e elementos alusivos ao conto das Mil e Uma Noites Árabes.

Com a pista ainda bastante molhada, o primeiro casal da Camisa 12, Luan Camargo e Angélica Paiva, também tiveram dificuldades em evoluir na avenida para representarem Aladim e a Linda Flor. O mestre-sala escorregou diversas vezes, enquanto a porta-bandeira fez giros muito lentos.

Nem mesmo tendo a participação de Dudu Nobre na composição, o bom samba da escola conseguiu contagiar os componentes, que apresentaram canto pouco perceptível. A bateria não se arriscou muito, com bossas realizadas dentro do regulamento.

A passagem da Camisa 12 foi marcada por problemas. O sistema de iluminação do segundo carro veio apagado, o que pode comprometer o julgamento do quesito alegoria. Com grande volume e uma evolução muito irregular, a escola precisou correr bastante no final do desfile e mesmo assim não foi o suficiente para fechar o portão dentro do tempo, encerrando a apresentação com 51 minutos, um a mais do que o máximo estabelecido.

Uirapuru da Mooca

Terceira escola a desfilar, a Uirapuru da Mooca exaltou aquela em que se fez presente com o enredo “O Uirapuru canta os encantos da noite”. O desfile apresentou o mundo que se faz presente nesse período dos nossos dias. Dos animais, lendas e mistérios, até a vida boêmia, festejos e músicas que a luz do luar inspira com seu brilho imponente. De casais apaixonados a histórias de terror, a noite é cenário marcante na vida das pessoas. Representando Pajés e a Índia Jaci, a comissão de frente veio bonita e com uma dança animada. O carro abre-alas, “Violeiros – Serenata na Fazenda”, teve leitura fácil e representou bem o início da boa apresentação da agremiação.

Com a pista já secando, o primeiro casal da Uirapuru, Anderson Guedes e Pâmela Yuri, conseguiu evoluir com naturalidade e se mostraram seguros durante sua apresentação aos jurados. Representaram bem suas fantasias denominadas “A Música”. Os componentes da escola conseguiram brincar sem preocupação, e com exceção de um pequeno erro rapidamente corrigido à frente do primeiro carros, tudo transcorreu normalmente.

A harmonia da escola chamou atenção por interagir bem com as bossas da bateria, que não se escondeu e fez a sua parte para levantar o público ao som do samba defendido pelo já conhecido intérprete Vaguinho. A escola encerrou seu desfile com muita tranquilidade, aos 47 minutos de apresentação.

Primeira da Cidade Líder

Com o enredo “Cordel Africano – Da Mãe África para o Nordeste Brasileiro, a Herança Cultural de uma Raça”, a Primeira da Cidade Líder contou em forma de cordel a história da origem do povo nordestino, que contou com forte miscigenação de escravos africanos que instauraram quilombos na região. O mais famoso deles, Palmares, foi onde Dandara e Zumbi lutaram para proteger as tradições de seus ancestrais e a liberdade de seus irmãos de origem. Guerreiros Ancestrais foram os responsáveis por apresentar a agremiação na comissão de frente, e fizeram uma boa apresentação com suas belas fantasias. Representando um navio negreiro observado por uma escultura da Mãe África, o carro abre-alas ditou o tom de uma segura apresentação da comunidade da Zona Leste.

 

Fabiano Dourado e Sandra de Jesus foram o Rei e a Rainha do Maracatu, e defenderam com vigor o pavilhão principal da escola. O primeiro casal fez uma boa dança e pareciam satisfeitos com sua apresentação. A Cidade Líder entrou no clima favorável e conseguiu dar um andamento agradável, com evolução positiva.

O samba conseguiu mostrar que é possível falar de África com tempero nordestino, e a bateria brincou com o samba de forma leve, com bossas bem aplicadas. A harmonia correspondeu nesses momentos, mostrando a disposição da comunidade em defender sua escola, que fechou a apresentação sem percalços com 48 minutos.

Unidos de Santa Bárbara

A quinta escola a entrar no Anhembi pelo Grupo de Acesso II foi a Unidos de Santa Bárbara, escola que cantou “O Sol Nascerá”. A escola do Itaim Paulista, zona leste de São Paulo, buscou trazer luz, alegria, amor e esperança em seu desfile. Desenvolvido pelo carnavalesco Anderson Paulino, a escola abordou esse tema na mitologia grega, egípcia, chinesa e nas Américas. Logo em seu abre-alas a escola trouxe o ‘Templo dos Deuses’, além do Sol, tivemos Deus Rá, Deus Apolo, círculos astrológicos, e esculturas egípcias. Enquanto a comissão trouxe o Rei Luiz XIV como principal elemento, este que trouxe o Sol em uma dança de carnaval, foi uma dança bem envolvente, intensa e movimentada principalmente pela representação do Rei Luiz XIV, assim foi desempenhada de forma satisfatória.

O casal Welson Roberto e Waleska Alves, vestidos de Sol e Lua, fizeram uma apresentação correta, leve e condizendo com fantasia, os passos sincronizados, foi um ponto para vermos na escola. Falando em fantasia que por sinal em suas doze alas, buscaram trazer o sol em diferentes esferas. No carro dois trouxe raízes indígenas, índio Guaraci e esculturas nordestinas.

A evolução da escola desempenhou seu papel dentro da pista, veio em bom tamanho e mesmo assim terminou sem pressa, com 47 minutos de desfile, bem compacta. A harmonia da escola teve pontos a serem ressaltados no canto, este que acabou faltando. O samba fluiu de forma leve devido o time de canto com Elci levou bem. E em junção disso, a bateria comandada por Mestre Wallace, estavam vestidos de ‘Alalaô, mais que calor’, famosa marchinha de carnaval e roubaram a cena, destaque da escola com suas bossas combinando com samba, levantando o público com seu desempenho muito interessante.

Torcida Jovem

Em seguida, a Torcida Jovem, fundada a partir de torcedores do Santos, trouxe o enredo: “Bela Vista. Berço Cultural desse País”. A escola volta às raízes de onde surgiu como bloco carnavalesco em 1978. Trouxe a diversidade da região central de São Paulo como pontos gastronômicos, culturais e construções históricas. No abre alas trouxe a tradicional Festa da Achiropita, a maior festa italiana do Brasil, que visa ajudar a manter projetos sociais na comunidade. Enquanto a comissão de frente foi representada por Arautos, anunciando a chegada da escola, em uma dança interessante, onde eles viravam para justamente a escola, e faziam menção de anunciar a entrada da agremiação em uma cena marcante, ponto alto da escola.

No carro dois vimos a Música e Boemia do bairro tão tradicionalista de São Paulo e o Carro 3 em homenagem a Vai-Vai, escola com mais títulos do carnaval paulistano que é do Bixiga, foi o destaque. As fantasias mesclaram religiosidade, música, gastronomia, teatro e carnavais antigos.

O primeiro casal veio de ‘herança africana’, Lucas Rodrigues e Dani Motta desempenharam sua dança sem problemas, mostraram entrosamento nos passos, uma maneira bem satisfatória e sincronizada nas mãos, olhares, e claro, gestos. A harmonia não foi um dos principais pontos positivos, faltou canto em algumas alas. Enquanto a evolução foi dentro do esperado, a escola passou bem, em ordem e fecharam com o cronometro virando de 45 para 46 minutos, ou seja, sem pressa para esse fim. Na parte do time de canto, o samba fluiu com tranquilidade pela pista. Enquanto a bateria dos Mestres Mi e Marcelo Caverna auxiliaram esse desempenho, levando no ritmo da escola de uma maneira condizente com o samba que estava na pista.

Nenê de Vila Matilde

A segunda maior campeã do carnaval de São Paulo, a Nenê de Vila Matilde resolveu reeditar um enredo de 1997, “Narciso Negro”. Desenvolvido por Fábio Gouveia, a escola buscou resgatar valores e respeito ao negro. A comissão de frente veio como um resgate para a reflexão, e trouxe o espelho que moveu a dança, junto com o elemento central foi o fundador da escola ‘Seu Nenê’, executaram passos firmes, ao mesmo tempo envolventes pela sua intensidade, e abriram bem os caminhos da agremiação. No abre alas trouxe o ‘Reino de Oxum’, e chegou mostrando a força da escola com seu acabamento.

Já no carro dois, buscou a influência do povo africano na identidade cultural brasileira, ou seja, uma mistura muito grandiosa na história. No último carro, o três, homenageou a própria escola pelo seu trabalho desde 1949, e se auto titulou como ‘quilombo Azul e Branco’, pois cumpriu o que propôs.

As fantasias tiveram temas ligados à religiosidade, gastronomia, e outras misturas entre Brasil e África como o café. A bateria comandada por Mestre Matheus, vestia Herança Viva de Zumbi, e teve um desempenho bem satisfatório, combinou ritmo com samba e execuções das bossas. A harmonia foi bem com alas cantando samba de cor, tranquilos, enquanto a evolução da escola desempenhou de maneira satisfatória, encerraram desfile com 48 minutos, com sorriso no rosto dos componentes e da harmonia da escola. O samba funcionou e a escola cantou bastante junto com sua torcida, sendo o destaque neste desfile. E por fim, o casal vestido de Vaidade Africana, Thayla e Cley desempenharam bem seus passos, na troca de gestos, olhares e mãos, sempre bem sincronizados, bailado leve de ver, ou seja, mostraram entrosamento importante no quesito que leva o pavilhão.

Unidos do Peruche

Outra escola tradicional de São Paulo, a quinta maior vencedora da elite, a Unidos do Peruche está no seu segundo ano no Grupo de Acesso II e o seu enredo foi “Água… Divinas Bênçãos”. Logo em sua comissão de frente representou águas dançantes, e no abre alas apresentou Planeta Terra e o Ventre da Mãe, dois grandes elementos que contém água importantes para a vida. Enquanto no carro dois tivemos orixás das águas e a lavagem do Bonfim, por fim no último carro a preservação entrou na pista e na parte de trás com detalhe de xô Covid.

O casal Kawê Lacorte e Nathalia Bete, vestidos de marés, passaram com tranquilidade durante a sua apresentação. A bateria comandada por Mestre Acerola de Angola representou a poluição e destruição, desempenhou muito bem na avenida, foi o destaque com suas bossas e leveza, ajudou a conduzir o samba que exige momentos da bateria interagir, e funcionou bem nesses trechos do samba como “Tem água de cheiro, xeu êpa babá”.

Com esse cenário, a harmonia da escola na parte do canto fluiu bem, o samba foi leve, a junção carro de som com a bateria desenvolveu de maneira satisfatória e a evolução da escola foi bem compacta, fechando com 49 minutos de desfile sem nenhum problema.

Imperador do Ipiranga

O Imperador do Ipiranga, que foi a nona escola a entrar na pista, levou o enredo “Imperador e Nações Unidas – Semeando Amor Para Colher Felicidades”. No começo do desfile, a agremiação entrou com a sua comissão de frente, onde simbolizava a luta entre o bem e o mal, regida pelo orixá Ogum. O abre-alas do Imperador, representava uma homenagem à paz. A alegoria, foi o grande destaque da escola no desfile. Belas esculturas de negros e índios e, na frente, uma grande coroa, que é o pavilhão da agremiação. A comissão de frente executou uma dança simples. Vestidos de branco e preto, o elenco se movimentava de um lado para o outro da pista apresentando a Imperador.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vitor Barbosa e Pamela Cristina, bailaram corretamente e fizeram a coreografia como se manda dentro do samba. Ora executavam movimentos simples e ora aceleravam a dança. Apesar de fechar os portões aos 48 minutos, a evolução não deixou a desejar. Porém, as alas não estavam móveis. A dança ficou em linha reta.

A bateria da agremiação, regida por Vinicius Morello, não executou tantas bossas durante o trajeto. Pelo jeito, o objetivo maior da batucada era marcar o samba para o funcionamento da harmonia e do carro de som. O canto do Imperador, teve um desempenho razoável. Algumas alas cantavam forte e, em outras, o desempenho caía consideravelmente. O samba-enredo, tido como um dos melhores do grupo, teve um desempenho satisfatório.

Amizade da Zona Leste

Décima escola a passar na avenida, a Amizade da Zona Leste, apresentou o tema “Dandara”, onde contou a história de uma escrava guerreira que lutou bravamente e foi símbolo de resistência para as mulheres. Dando início à apresentação, a comissão de frente representava a luta de Dandara contra os capangas que oprimiam os escravos e, o carro abre-alas, simbolizava o ‘Quilombo dos Palmares’. A alegoria trazia um grande rosto de Dandara bem na frente, dando ênfase ao enredo. De fato, a comissão apresentou uma dança muito cênica. Uma verdadeira obra de encenação. Foi o quesito destaque de todo o desfile.

 

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Leonardo Henrique e Mariana Vieira, que desfilou logo após a comissão de frente, veio representando os orixás ‘Xango e Iansã, usando cores quentes, misturando o laranja com o amarelo’. A dupla executou uma coreografia com danças lentas. Nas alas, a evolução fluiu de maneira correta. Porém, na última parte do desfile, não houve compactação entre a escola. Houve um considerável espaçamento.

A bateria da agremiação, regida pelos mestres Camilinho Ieié, Felippo e Vinicius, teve uma bela atuação no desfile. Destaque para a bossa do reggae dentro do primeiro refrão. Também, dentro desse ato, a batucada parou na frase ‘a amizade pede a libertação’ e deixou a comunidade cantar a uma só voz. O intérprete Rodrigo Atração, conduziu o samba de maneira satisfatória. Porém, o canto da escola deixou demais a desejar. Muitos componentes sequer sabiam o samba. O quesito harmonia foi o ponto baixo na apresentação da Amizade Zona Leste.

Tradição Albertinense

A Tradição Albertinense, penúltima escola a se apresentar na pista, levou o enredo “A Passarela É de Vocês! 30 Anos de Anhembi, É Tradição, Podem Aplaudir!”. A comissão de frente, iniciou o desfile com uma representação “Dos deuses da folia, a pioneira”. A primeira alegoria, trazia um ar de africanidade e, em análise, os primórdios do samba, visto que o tema é uma homenagem ao sambódromo do Anhembi. Na parte de frente do carro, havia a figura de um leão, remetendo à antiguidade e, no topo e parte de trás, a figura de uma baiana do samba. A comissão de frente fez uma dança simples com o objetivo de apresentar a escola. Houve movimentações de um lado para o outro na pista.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alex Santos e Gisa Camilo, representava a raíz e a ancestralidade do samba paulistano. A dupla realizou uma dança segura e leve. Com muito sorriso no rosto, mostrou o pavilhão para as cabines de jurado de forma correta. A agremiação teve falhas no primeiro setor. Não houve compactação entre a comissão de frente e o abre-alas. Abriu um espaço indevido.

A bateria da agremiação, comandada por mestre Tutu, mostrou grande cadência no andamento do samba, um forte desenho de tamborins e uma presença muito grande dos surdos de terceira. Destaque para a bossa do refrão principal, onde as caixas se sobressaem nas duas passadas e, logo após, os surdos voltam na virada. O intérprete Thiago Luis e seu carro de som, conduziram o samba de maneira correta, mas a comunidade não cantou muito. Talvez pelo pouco contingente.

Destaque: Na segunda alegoria, estavam presentes personalidades do carnaval paulistano, como, Solange Cruz, Ernesto Teixeira, Douglinhas Aguiar, Eduardo dos Santos. O mestre Tadeu, diretor de bateria do Vai-Vai, veio a frente da batucada da escola.

Dom Bosco de Itaquera

Fechando os desfiles do Grupo de Acesso II, o Dom Bosco de Itaquera, se apresentou com o enredo “O Alimento da Alma é o Dom do conhecimento”. A comissão de frente, representava o homem pré-histórico e, o abre-alas todo o conhecimento do ser-humano. A primeira alegoria, veio com um tom inteiro em dourado e esculturas de anjos. A comissão de frente, totalmente encenada, apareceu muito bem e trouxe toda a dança feita na pré-história.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Leonardo Henrique e Mariana Vieira, fazia uma alusão ao império romano. Foi o quesito destaque do desfile. A sincronia do casal foi perfeita. A coreografia, os gestos, sorrisos no rosto e tudo o que se pede. A evolução foi extremamente abaixo. A escola desfilou com 3 alegorias e não houve o cálculo certo. Dom Bosco de Itaquera passou com 52 minutos. Além disso, a escolha de ‘correr’, não foi correta.

A bateria da agremiação, comandada por mestre Bola, teve momentos intercalados entre cadência e aceleração. Não houve tantas execuções de bossas. A marcação do samba foi prioridade. O Intérprete Rodrigo Xará, conduziu o samba de maneira correta, mas, obviamente, o andamento caiu devido ao desespero da escola nos últimos momentos. A mesma coisa vale para o canto da escola. Começou bem e caiu muito após o recuo da bateria.