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Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David

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Eleito presidente da Liesa em março do ano passado, Jorge Perlingeiro fará o primeiro Carnaval no comando da entidade nesta semana. O comunicador, que também é responsável pela leitura das notas no dia da apuração, conversou com o CARNAVALESCO e comentou expectativa para os desfiles do Grupo Especial, que começam na sexta-feira. O locutor também abordou outros temas, como projetos para Cidade do Samba, parceria com a TV Globo e relação com Gabriel David.

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Aos 77 anos, Perlingeiro já lê as notas do desfile das escolas de samba há 30 anos, e revelou que já pensa em deixar a função. Substituto de Jorge Castanheira na presidência da Liesa, o locutor, ao lado do diretor de marketing, Gabriel David, já fez algumas mudanças durante o ano em que está no cargo, como a parceria com a Globo para o programa ‘Seleção do Samba’, e a organização dos mini desfiles na Cidade do Samba. Confira a entrevista completa do mandatário da entidade.

Está chegando a hora dos desfiles. O que representa para Liga, escolas e para você esse retorno após dois anos?

“Voltamos para ficar, é o Carnaval da superação, principalmente por causa da situação que vivemos, de pandemia, de quatro adiamentos. Foi complicado. Teve de tudo, menos desfile das escolas de samba. Nos preparamos mesmo com as dificuldades, porque foi muito desgastante em termos financeiros. As pessoas não sabem, mas para ter a Sapucaí montada por mais dois meses, tem que se pagar por tudo aquilo que está lá. Conversamos com fornecedores, fizemos reajustas e deu tudo certo. Felizmente, tivemos uma devolução de apenas 12% dos ingressos, que já foram revendidos, e hoje estamos com as entradas 95% vendidas”.

Vai ser diferente comandar a apuração sendo o presidente da Liesa? Sente pressão?

“Pressão não existe, pelo contrário, me sinto muito à vontade. Quando me convidaram para presidir a Liesa, uma das condições era seguir na locução das notas. Já estou há 30 anos nessa função, minha voz é patrimônio imaterial do Rio. Mas acho que ninguém é insubstituível. Todo idoso tem limitações, e eu tenho que ver isso também. Estou com 77 anos, mas ainda me sinto apto a fazer esse trabalho. Mas de fato, é um grande desafio comandar a Liga. É uma entidade com apenas 21 funcionários que produzem este enorme evento. O resto são pessoas terceirizadas. É um trabalho de muita responsabilidade. Mas daqui a pouco os jovens vão chegando, e cada vez mais capacitados, a sequência da vida é essa. O mundo mudou, a comunicação também. Hoje tenho um podcast, nunca na minha vida imaginei isso”.

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Perlingeiro e Júlio César apresentaram as propostas feitas nas reuniões anteriores. Foto: Henrique Matos/Divulgação Liesa

Qual é o balanço que você faz até agora da sua gestão no comando da Liesa?

“Não me vejo com um líder ou algo parecido, sou apenas um conselheiro de todo um grupo. O maior feito da gestão até aqui foi conseguir quatro anos de contrato com a Prefeitura. Negociei diretamente com o prefeito e o Gabriel estava comigo. Se ele tem mandato de mais três anos, porque ele iria assinar com a gente por um ano só. Setembro tem Rock In Rio, outubro tem eleições, novembro e dezembro, Copa do Mundo, quando que a Prefeitura iria sentar com a gente pra renovar de novo por mais um ano? Nunca. Iria me jogar pra janeiro, véspera do Carnaval. O nome disso é planejamento. Outro feito importante foi ter conseguido mais de R$ 7 milhões para cada escola, isso em meio a pandemia, em negociação com TV Globo, patrocinadores”.

E a Cidade do Samba. Segue pensando em melhorar o local, ter uma praça de alimentação melhor, e mais atividades durante o ano?

“Não terminei todo o projeto que eu queria lá. Trocamos todas as lonas, não só do palco principal, como dos camarins, e conseguimos um feito importante, que foi colocar uma unidade do Corpo de Bombeiros dentro da Cidade do Samba. Tive que pedir ao governador, com o Eduardo Paes do meu lado. Se eu ficar para o ano que vem, vou fazer a praça de alimentação que eu queria ter começado esse ano e não consegui. Fazer uma área que tenha pagode todos os dias de 18h às 21h, um grande espaço para que as pessoas possam comer, beber, se distrair, tornar mais receptivo para os turistas também, porque eles nunca vão lá. Vamos também retomar os dois barracões que estão ocupados por duas escolas que não essão no nosso grupo, que são Estácio e União da Ilha. Um deles iremos construir um grande museu, e outro para receber turistas, fazer cursos profissionalizantes e apresentação de várias coisas que vamos precisar a partir de 2023. A Cidade do Samba está em um eixo que tem o Museu do Amanhã, AquaRio, e a Roda-Gigante. De repente pode se fazer um esquema com um ingresso só em que a pessoa curte as quatro atrações. Enfim, projetos existem. Falta agora dinheiro, parcerias, mas tudo continua em pauta. Estamos pensando também em levar essa nossa sede para lá e fundir tudo em uma coisa só para centralizar o trabalho. A Cidade do Samba é muito bem localizada. A ideia é não ter ela apenas como uma fábrica de alegorias, ser só isso custa muito caro. Depois do Carnaval,vamos lavar a Cidade do Samba toda e pintá-la”.

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Foto: Henrique Matos/Divulgação Liesa

Na sua gestão a Liesa colocou o pix para compra de ingressos para os desfiles, mostrou a escolha dos sambas na TV Globo, realizou os mini-desfiles e a transmissão dos ensaios técnicos. O que mais pode vir de novidade pós-desfiles de 2022?

“Não dá para nós ficarmos também só com um evento por ano. Tenho um projeto também de fazer um Carnaval de meio de ano na Sapucaí, sem concurso ou disputa. A ideia é escolher um tema e cada escola fazer um desfile sobre o assunto. Fazer um Carnaval para turistas, para trazer gente pra cidade, movimentar a rede hoteleira. Temos também que promover mais eventos nas quadras das escolas, fazer um festival de samba. Todas essas ideias existem, precisa-se de planejamento e dinheiro. Mas para esse ano ainda, acho que a única novidade é a divulgação das justificativas dos jurados antes de três meses. Nunca houve isso em mais de 30 anos de Sapucaí. Esse ano, já 48h após a apuração, terão as respostas no site. Objetivo é a transparência. As escolas já vão desfilar no sábado das campeãs sabendo o porquê de suas posições”.

Após quatro anos de sufoco com o ex-prefeito, as escolas voltaram a serem respeitadas pelo poder público. Qual é a importância desse apoio e diálogo com o prefeito Eduardo Paes?

“Ter o poder público do nosso lado é uma vantagem. Ninguém é grande sozinho. Sem o apoio do Eduardo Paes, que é um cara que gosta de Carnaval, portelense de coração. É um cara que vibra com a gente, nos ajuda e muito. Graças a ele, recapeamos a pista da Sapucaí. Os bueiros nos davam muitos problemas. Tivemos a iluminação para esse ano, que é a grande novidade. Agradeço ao governador também pelo patrocínio da Light. Ter o governo do estado e do município ao lado é muito bom. Não pode ser como o último prefeito que nós tivemos. Não gosto nem de falar o nome dele, porque aquilo foi um atraso na nossa vida. Espero que ele não tenha mais a coragem de se candidatar. Hoje ele não ganha nem para síndico do prédio. Foram três anos de retrocesso do Carnaval. Ainda bem que o samba agoniza, mas não morre. Voltamos ao nosso prestígio e respeito”.

Você tinha falado em melhorar a apuração em termos de estrutura. O que teremos de novidade?

“As mudanças esse ano são poucas. Eu tinha um projeto montado para fazer a apuração na Cidade do Samba, por vários motivos, o primeiro é por ser coberto. Na Apoteose tem sol, tem chuva, e esse ano ainda ocorre em uma terça-feira, dia útil. Há 20, 30 anos, a Sapucaí ficava cheia, de um lado a torcida da Mangueira, que é perto dali, com 10 mil pessoas, e do outro mais 30 mil com todas as outras escolas somadas. Com o passar dos anos, as coisas foram mudando. A Globo, de forma inteligente, foi colocando repórteres nas quadras, telões e aquilo se transformou em um evento”. Então, a ideia da apuração na Cidade do Samba iria ter 1.200 convidados, 100 de cada escola, distribuídos em espaços com mesas, cerveja, salgadinho, um palco com painel de LED. Do lado de fora, teria uma bateria com 60 ritmistas, cinco de cada escola. Também teria um carro de som, para que quando saísse o resultado, a escola campeã subiria no carro alegórico, o presidente receberia o troféu lá em cima e daria uma volta olímpica na Cidade do Samba. A ideia era fazer uma tremenda festa. Esse ano não tem quase nada diferente, só as mesas que serão maiores e um barzinho temático para servir os convidados. A apuração é o dia de mais audiência no Carnaval para a Globo, tinha que ser mais valorizado esse momento”.

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Falando em TV Globo. Como está a relação?

“A Rede Globo é uma parceira do Carnaval e da Liesa. Ainda temos mais dois anos de contrato. Mas com relação a transmissão, eu tenho algumas críticas. Eu não concordo, por exemplo, que eles transmitam a primeira escola só após a última para não terem que mexer na programação. Não acho justo. Em uma partida de futebol você não começa a transmitir o jogo só com 20 minutos do primeiro tempo. E para atender a Globo, a gente teria que começar os nossos desfiles só às 23h, aí a última escola correria risco de se apresentar com sol quente. Mas eles são donos da imagem, então temos que respeitar”.

Existe muito falatório de discussões entre você e Gabriel. Hoje como é a relação de trabalho entre vocês?

“Não existiu nenhum tipo de racha. Houve sim, divergências de opinião. Gabriel é um rapaz extremamente competente, jovem e ambicioso. Pelo andar da carruagem, ele fatalmente vai chegar à Presidência da Liesa, e por merecimento. Surgiram boatos que eu teria dito isso e aquilo dele, que tínhamos brigado. Divergência eu tenho com todo mundo. Semana passada mesmo, estávamos abraçados, conversando aqui dentro. Não existe essa coisa de ‘não falo mais com ele’. Se não falasse, ele não estaria mais trabalhando comigo. São apenas pontos de vista diferentes, algumas tomadas de decisão sem a minha participação, mas depois eu entrei para afinar isso tudo. Torço muito pelo sucesso do Gabriel, ele tem só 24 anos, tem idade para ser meu neto (risos)”.

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Estão chegando no fim do papo.O que espera dos desfiles na semana que vem?

“Chegamos às vésperas dos desfiles com a certeza que vamos fazer um belíssimo espetáculo. As pessoas estão ávidas para ver o Carnaval novamente. As escolas estão fazendo o melhor dever de casa possível. A Liga repassou dinheiro para que todas pudessem fazer grandes e equilibrados desfiles. Esse ano não tem aquela coisa do ‘já ganhou’. Os ensaios técnicos tiveram excelente nível, com boa presença de público. Um ano sem Carnaval são R$ 5 bilhões que deixam de entrar para os cofres públicos, então daí dá pra tirar a importância. Vamos fazer grandes desfiles”.

Milton Rodrigues será mestre Candeia no desfile do Império da Tijuca

Após uma disputa muito acirrada, o Império da Tijuca anunciou na tarde desta segunda-feira, 18, o nome do escolhido para representar Mestre Candeia em seu desfile na Marquês de Sapucaí. Com duas semanas de duração, a escola que abriu o concurso para pleito popular em sua reta final, contabilizou que Milton Rodrigues foi o mais votado, e será o sósia do grande homenageado no enredo “Samba de Quilombo – a resistência pela raiz”, de autoria do carnavalesco Guilherme Estevão.

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A votação, feita por meio das três redes sociais da agremiação (Instagram, Facebook e Twitter), foi encerrada na noite deste domingo, 17, e contou com outros dois finalistas: Carlos Maia e Tom Santos. A disputa entre os três candidatos foi acirradíssima, até o último minuto. Milton venceu com o total de 232 votos, seguido por Carlos com 208, e Tom com 77 votos.

Milton Rodrigues é contador e foi Rei Momo do Carnaval do RJ de 2009 a 2013 e em 2018.

O Império da Tijuca parabeniza Carlos Maia e Tom Santos pela belíssima disputa, e agradece a todos que participaram.

Seguem os votos:

1) Milton Rodrigues:
Instagram – 199
Facebook – 26
Twitter – 7
Total: 232 votos

2) Carlos Maia:
Instagram – 204
Facebook – 2
Twitter – 2
Total: 208 votos

3) Tom Santos:
Instagram – 60
Facebook – 17
Twitter – 0
Total: 77 votos

*Foram contabilizados todos os comentários feitos até às 23h59 de domingo. Validade de somente um voto por pessoa.

Precursora da mudança no quesito, Unidos da Tijuca perdeu 14 décimos em comissão de frente nos últimos cinco anos. Bateria permanece ‘invicta’

Quando se fala da mudança do quesito comissão de frente nos últimos tempos, a antológica apresentação da Unidos da Tijuca em 2010 é sempre citada como marco zero das comissões ‘espetáculo’. A partir daquele desfile o quesito mudou por completo. Mas os anos se passaram e a própria escola não tem conseguido impactar neste quesito.

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A reportagem do CARNAVALESCO mostra neste material da série ‘De olho nos quesitos’ que a amarelo ouro e azul pavão do Borel foi penalizada em 14 décimos justamente em comissão de frente, de um total de 7,6 pontos perdidos ao longo dos últimos cinco anos. Os números evidenciam o enfraquecimento recente da escola, que ganhou três títulos entre 2010 e 2014. Apenas o quesito bateria não perdeu um único décimo e se mantém ‘invicto’.

Confira o desempenho da Unidos da Tijuca quesito a quesito:

Alegorias e Adereços

Quesito bastante irregular da escola nestes últimos carnavais. Em três dos cinco anos do levantamento obteve a pontuação máxima de 30 pontos, 2016, 2018 e 2019. Entretanto o grave acidente em 2017 onde parte de uma alegoria cedeu em plena avenida, causando ferimentos em componentes, fez a escola perder meio-ponto no quesito. Em recentemente em 2020 foram mais quatro décimos de desconto, totalizando uma perda total de 0,9 ponto.

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Bateria

Apontada por 10 entre 10 especialistas do assunto como uma das melhores baterias do carnaval carioca, a Pura Cadência comprova os elogios com números. O único quesito onde a Unidos da Tijuca não perdeu décimos nos últimos anos. Para ser mais detalhista, a última vez que os comandados de mestre Casagrande saíram de uma apuração sem os 30 pontos foi em 2010, quando eram cinco jurados e a maior e menor notas eram descartadas, como agora. A escola obteve duas notas 9,9 e três 10. 13 anos sem perder décimos em bateria.

Comissão de Frente

A criatura vem engolindo o criador, como se diz na fábula. Responsável por arrebatar a avenida com suas comissões especialmente em 2010, 2011 e 2012, a Unidos da Tijuca tem neste quesito atualmente o seu pior desempenho. Não gabarita desde o vice-campeonato de 2016. Entre 2017 e 2020, 14 décimos de penalização, a mais pesada em 2020, com seis décimos de desconto, em virtude do figurino de led ter se apresentado defeituoso.

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Enredo

Quesito bastante afetado com o acidente de 2017, afinal sem uma alegoria do conjunto a leitura e compreensão do enredo se mostraram prejudicadas. Na ocasião, a escola perdeu seis décimos no quesito, 60% de toda a perda dos últimos cinco anos. Nos demais anos até houve perdas, mas de no máximo dois décimos, como em 2016. O total chega a 1 ponto se considerarmos de 2016 pra cá.

Evolução

Este é outro quesito onde a Tijuca era referência de desempenho entre 2010 e 2014, chegando a rivalizar com a Beija-Flor como melhor evolução da avenida. Mas nos últimos anos este nível caiu e a escola perdeu um total de oito décimos nos últimos cinco anos. Novamente é obrigatório citar que o acidente de 2017 fez a escola perder seis décimos, 75% da perda do período.

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Fantasias

Não fosse o equivocado conjunto de 2020 seria um quesito com desempenho semelhante à bateria. Mesmo no esquecível desfile de 2017 e nos anos de 2018 e 2019, quando a escola passou longe das primeiras colocações, as perdas foram de apenas um décimo. Mas em 2020 foram três de uma só vez, totalizando 0,6 ponto perdido nos últimos cinco anos. Mesmo assim é o segundo melhor quesito tijucano em termos de nota.

Harmonia

Assim como evolução, a Unidos da Tijuca chegou a receber a alcunha de rolo compressor da avenida em um ensaio técnico em 2011. Até 2014 passava rasgando o chão da Saúcaí. Mas as notas não deixam margem para dúvida. O último desfile tijucano com nota máxima em harmonia foi em 2016. Foram dois décimos perdidos em 2017, um em 2018 e 2019 e mais três em 2020. Total de 0,7 ponto perdido.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A Unidos da Tijuca teve dois mestre-salas (Julinho Nascimento e Alex Marcelino) e três porta-bandeiras (Rute, Jack Pessanha e Raphaela Caboclo) nos últimos cinco desfiles. Três casais diferentes. O resultado de tantas mudanças: 1,1 ponto perdido em cinco anos, o segundo pior desempenho da escola ao lado de samba-enredo. A escola perdeu três décimos duas vezes (2017 e 2020); dois décimos duas vezes (2018 e 2019) e um décimo em 2016.

Samba-Enredo

Muito criticada por sambas de qualidade duvidosa nos seus melhores desfiles, notadamente nos títulos de 2012 e 2014, a Unidos da Tijuca vem tentando melhorar neste quesito. A prova disso é a excelente obra de 2022. Os sambas de 2016 (única nota 30 da escola nos últimos cinco anos) e de 2019 também merecem elogios, embora este último tenha perdido quatro décimos em um julgamento excessivamente rigoroso. O fato é que ao lado de mestre-sala e porta-bandeira (1,1 ponto perdido) é o segundo pior desempenho da Unidos da Tijuca nos últimos cinco anos.

Bateria da Portela fará homenagem para mestre Monarco

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A Portela já está pronta para desfilar na Sapucaí, neste sábado, dia 23! Esse vai ser diferente, não teremos Mestre Monarco, que nos deixou em dezembro de 2021, mas ele será homenageado em diversos pontos da escola.

Um deles será na Tabajara do Samba. Haverá uma foto do baluarte nos surdos, bumbos e em outros instrumentos. Mestre Nilo Sérgio irá para a Avenida com 280 ritmistas. A azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira será a segunda escola a desfilar no dia 23 de abril.

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Série ‘Barracões’: Santa Cruz aposta na paleta de cores e no enredo cultural sobre Milton Gonçalves

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Após um sétimo lugar no carnaval passado, a tradicional Acadêmicos do Santa Cruz presidida por Moysés Antônio Coutinho Filho, o Zezo, está com o barracão pronto para apresentar o desfile sobre o enredo “Axé Milton Gonçalves! No Catupé da Santa Cruz”, desenvolvido pelo carnavalesco Cid Carvalho. Ator, poeta, articulador, são muitas as competências ligadas ao nome do artista Milton Gonçalves. Saído de uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, ele vai para São Paulo junto de sua família na busca de melhor condições de trabalho e vida, enfrenta barreiras e opressões na capital paulistana e antes de se tornar uma das maiores referências artísticas do país, é ainda em São Paulo que ele encontra o caminho para mudar sua realidade e a realidade de seus amores. Você pode estar se perguntando qual é a razão para um mineiro que foi ganhar a vida em São Paulo virar enredo de uma escola de samba no Rio de Janeiro. Quem explicou a equipe do CARNAVALESCO foi Cid Carvalho.

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“O Zezo já havia me procurado antes para fazer o carnaval da Santa Cruz, mas como eu estava trabalhando no especial e é um processo muito trabalhoso, o tempo iria ficar muito curto e eu preferi não aceitar o convite, mas depois que eu me desliguei da Beija-Flor, eles me procuraram mais uma vez e eu resolvi aceitar, porque eu iria me dedicar apenas a Santa Cruz. Acertado isso, marcamos uma reunião para falar sobre o enredo e eu levei opções que ele gostou muito, mas ele me falou que no enterro da Ruth de Sousa ele havia comentado com o Milton sobre a possibilidade de fazer um enredo contando a história dele. Nesse momento eu falei que os meus enredos iriam voltar para a gaveta, porque nós iriamos fazer Milton sem sombra de dúvidas. É um prazer e uma honra poder fazer um enredo desse homem que não aceitou o lugar em que queriam impor a ele, venceu através da arte, do trabalho e dedicação. Falei ‘é esse’, mas lembrando que já existia essa ideia de fazer Milton aqui na Santa Cruz, eu só topei, me debrucei sobre os livros e desenvolvi o enredo”, disse o carnavalesco.

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Pode-se dizer que o trunfo do enredo para o carnaval de 2022 está na própria trajetória de vida de Milton Gonçalves. A escola irá apresentar um desfile que conta desde sua origem na pequena Monte Santos e vai até o período da novela “O Bem Amado”. No barracão, identificamos um desfile rico em cores. Cid Carvalho contou a nossa equipe que o colorido da escola é fruto do trabalho de Beto Miolo e não dispensou elogios ao pintor. Realmente, quem for ver a Santa Cruz desfilar no dia 21 de abril, irá encontrar uma paleta de cores lindíssima.

Detalhe da alegoria raízes ancestrais

Além do ótimo trabalho de cores desenvolvido por Beto Miolo, também é perceptível
no barracão que as esculturas de Rodrigo Bonam chamarão atenção na avenida. Inclusive, há uma expectativa dentro do barracão que o segundo carro da escola “Nos livros o conhecimento que liberta”, seja um dos pontos de maior emoção dentro do desfile, pois ele trará o momento em que trabalhando numa livraria, Milton se encontra e se encanta pelos livros e seus conhecimentos.

“Eu considero que essa tenha sido a primeira grande guinada na vida de Milton, porque o conhecimento liberta e isso aconteceu quando ele trabalhou nessa livraria. Cada livro era uma porta aberta por onde ele ia e vivia um universo liberto, então nesse carro também teremos a figura de Nanã, como a rainha da sabedoria, uma anciã representando exatamente essa coisa do conhecimento”, comentou Cid Carvalho.

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Assim como as alegorias, as fantasias trazem muito colorido e bom acabamento. Talvez, a única ala que fuja disso seja a ala 21 – “O Bem Amado: Zelão das asas”. O motivo disso é a ala retratar o momento final da trajetória do personagem Zelão na novela, então haverá uma associação com o orixá Oxalá, portanto, será uma ala pintada predominantemente de branca, com detalhes prateados e num azul bem claro. Será uma ala de muito brilho. Os torcedores podem ficar tranquilos, porque o enredo foi desenvolvido com maestria por
Cid Carvalho.

Já é sabido que não é fácil fazer carnaval no Grupo de Acesso do Rio de Janeiro, comparando com o Grupo Especial, é colossal a distância de recursos materiais e financeiros, além da diferença de estrutura e condições de trabalho, mas mesmo com muitas dificuldades, a Acadêmicos de Santa Cruz está com um belo desfile para entregar no carnaval de 2022, com enredo bem amarrado, fantasias e alegorias belas e
com bom acabamento.

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“Não é fácil fazer o Acesso, as instalações são muito precárias e precisamos sim de uma cidade do samba dois ou algo desse tipo, os recursos são bem inferiores ao Especial, mas o Zezo (Presidente da Santa Cruz) buscou fazer tudo dentro do que era possível para gente, as vezes até além do que era possível e ele chegou, então eu gostaria de agradecer a ele e o carinho do povo de Santa Cruz, porque me receberam muito bem desde o início desse trabalho. Esse carnaval foi de uma luta muito grande, eu quase morei nesse barracão, mas agradeço a todos, agradeço também o próprio Rodrigo que é meu assistente e conduziu com maestria a decoração dos carros, é uma pessoa que merece todo meu reconhecimento e agradecimento. Enfim, foi trabalhoso e cansativo, ainda mais com esses dois meses a mais que eu espero que não aconteçam nunca mais. Primeiro por conta da pandemia que eu espero que não volte e a outra razão é que nós estamos exaustos. Agora, eu diria que mesmo dentro desse cenário, foi um trabalho feito com muita tranquilidade e muito trabalho”, afirmou Cid Carvalho.

Entenda o desfile

1° setor: Minhas raízes ancestrais. Começa na comissão de frente e segue até a 1ª alegoria da escola. Neste setor, a Santa Cruz apresenta as lembranças do pequeno Milton, como as raízes da família, o trabalho na lavoura e as festas que aconteciam na Igreja Matriz, em Monte Santo. E vai até a transição para fase adulta do artista. Transição marcada pelo conhecimento adquirido através dos livros e das vivencias nas peças teatrais que passaram a fazer parte do seu cotidiano.

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2º setor: Infância e Juventude em São Paulo. Começa na ala 2 e vai até a 2ª alegoria da escola. Simboliza o sonho de condições melhores de vida. Apresenta a chegada em São Paulo e a desilusão quase instantânea. Diante de dificuldades e opressões estranhas a família, Milton é obrigado a buscar trabalho, porém, nem tudo são lágrimas e dor, porque é neste momento em que Milton descobre o cinema e encontra na sétima arte o prazer de sonhar, assim como a força para sair da sua realidade.

3º setor: O Fascínio com os Palcos. Começa na ala 8 e vai até o tripé da escola. Trabalhando em uma gráfica, Milton recebeu de um dos clientes, o convite para assistir a peça teatral, A mão do macaco. Foi amor à primeira vista. Se o cinema e os livros davam conhecimento e liberdade na imaginação, o teatro seria uma possibilidade real de concretização.

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4° setor: A boêmia carioca me abraçou. Começa na ala 15 e vai até a ala 22. Milton já fazia parte do bem-sucedido Teatro de arena, quando o grupo resolve se espalhar pelo Brasil consolidando pequenos núcleos. Com a turma do Rio de janeiro, veio o mineiro de Monte Santo. Aqui, ele conheceu o maracanã e o carnaval, se descobrindo rubro-negro e mangueirense. É na capital fluminense em que sua carreira artística decola nos palcos e encontra as telas. O setor passará por alguns dos seus maiores sucessos, como o filme Natal, que apresenta a biografia de Natalino José do Nascimento, conhecido no universo do samba como, Natal da Portela. Também será mostrado o sucesso de Irmãos Coragem, novela em que Milton foi ator, diretor e roteirista.

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Terceira alegoria da escola: Oxalá e o bem-amado Milton Gonçalves. O carro se inspira em Zelão, personagem feito por Milton na novela “O Bem Amado”. Na trama, o personagem deseja voar, ao final da novela seu sonho foi alcançado e como sua música tema era para Oxalá, o carro da Santa Cruz tem o orixá representando a liberdade que Milton Gonçalves buscou ao longo de toda sua vida. Liberdade celebrada por amigos e fãs de Milton Gonçalves na ala 22.

Ficha Técnica do Barracão
Diretor Responsável pelo Barracão: Simão Ferreira
Ferreiro Chefe de Equipe: Adson Mega
Carpinteiro Chefe de Equipe: Luiz Carlos
Escultor (a) Chefe de Equipe: Rodrigo Bonam
Pintor Chefe de Equipe: Beto Miolo
]Eletricista Chefe de Equipe: Kibe
Mecânico Chefe de Equipe: Zezinho
Diretor Responsável pelo Atelier: Beth Malveira
Costureiro (a) Chefe de Equipe: Sra Nice
Chapeleiro (a) Chefe de Equipe: Luiz Nery
Aderecista (a) Chefe de Equipe: Luizinho
Sapateiro Chefe de Equipe: Alexandre Cosme

Desfile
Alas: 22
Alegorias: 3
Tripé: 1
Componentes: 2.200

Série “Barracões’: A Santa Dulce dos Pobres e da Unidos da Ponte

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Diretamente de São João de Meriti, Baixada Fluminense, para a Marquês de Sapucaí. A Unidos da Ponte vem de um carnaval muito criticado e considerado frio em 2020. Com o enredo sobre “Elos da Eternidade”, desenvolvido pelo carnavalesco Lucas Milato, a escola ficou na 12ª colocação da Série Ouro. Para o carnaval de 2022, a diretoria optou por trazer os carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques que já tiveram uma passagem pela escola. Com o enredo “Santa Dulce dos Pobres – O Anjo Bom da Bahia”, a escola vai levar para a avenida uma homenagem e a história da Santa Dulce, ou melhor, Irmã Dulce.

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A ideia de fazer um enredo sobre ela surgiu por meio de um dos carnavalescos, o Guilherme. Ele fez a proposta, pois é devoto de Santa Dulce dos Pobres. Rodrigo embarcou e já começou a fazer a pesquisa, só que infelizmente nesse tempo, o mesmo acabou pegando a Covid-19 e ficou internado por 14 dias. Com isso, coube a Guilherme ter que tocar toda a pesquisa sobre o enredo que já havia sido iniciada com a ajuda do amigo Thiago Freitas.

De acordo com os carnavalescos, a característica em si deste enredo é humanizar a santa e falar sobre a história de vida e o legado dela. “Queremos deixar a mensagem de que se todos fossem 1% do que a Santa Dulce foi, o mundo seria bem melhor, os dias seriam melhores para todos e também pensaríamos mais um no outro do que em nós mesmos. Essa é a ideia principal da temática”, enfatiza Guilherme.

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O que eles pretendem passar na avenida é que todos conheçam quem Santa Dulce era. A mulher que teve o início da sua vida no interior da Bahia, construiu um império voltado para as causas sociais e em prol dos mais necessitados. O foco da mensagem que o enredo transmite é que visa mais em quem foi a santa, mas não falar explicitamente da igreja e sim na mulher que passou a vida toda se dedicando ao trabalho social. Ajudando os pobres e sendo uma das precursoras do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para os carnavalescos, o grande trunfo desse desfile é o foco voltado mais na parte mais social da vida de Santa Dulce, e não na religiosa. Pois muitos a conheceram pela igreja, mas não é isso que foi pertencente a vida dela.

“Estamos muito mais preocupados com o trabalho social dela, são mais questões pertinentes a biografia dela do que a religião”, conta Rodrigo.

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Além disso, ele também fala que ninguém está esperando esse contexto social do enredo, do que a santa fazia pelos enfermos e entre outras coisas. O trunfo também vem nos carros, que vão ter uma teatralidade falando da missão de Santa Dulce. Tudo o que ela fez, pois as pessoas que a mesma ajudava viam nela alguém que transcendia, pela humildade e cuidado com os outros.

“No nosso processo de pesquisa conhecemos pessoas que conviveram com a Santa Dulce, trabalharam com ela, fizeram parte da vida dela. Essa proximidade com a população é muito legal. E a nossa proposta é impactar e humanizar quem ela foi”, completa Rodrigo.

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O maior desafio dos carnavalescos para reproduzir esta temática é sair do comum. “Nosso desafio é ser original nos nossos trabalhos, ser intenso no dia a dia, como na materialização, pesquisas e também saber respeitar. Respeito porque religião é algo que não podemos entrar no coração e na crença das pessoas. E mais ainda focar no CPF da Irmã Dulce, e não no CNPJ. Na humanização de quem ela foi, tudo o que construiu e todo legado que deixou”, relata Guilherme.

Ao escolherem este enredo, a diretoria da escola entrou em contato com as obras sociais de Irmã Dulce, e elas adoraram a ideia da homenagem. Isso também irá ajudar as pessoas a conhecerem mais sobre essas instituições que sempre estão precisando de algum auxílio. Só o previsto até o fim deste ano, o déficit financeiro dessas obras pode chegar a 24 milhões de reais. Sendo assim, a ideia do desfile da Ponte além de homenagear a santa, é entrar na casa, no coração das pessoas que possuem condições de ajudar essas organizações. Santa Dulce para os católicos, Irmã Dulce para todos os outros. Ela era alguém que dialogava com todas as frentes, sem fazer distinção de religião, de quem era rico ou pobre.

“Uma vez ela recebeu uma doação da Mãe Menininha do Gantois e perguntaram se ia aceitar mesmo, porque não era de alguém que tinha a mesma fé da Irmã. Ela respondeu dizendo que quando as coisas são feitas de bom coração não é possível negar”, diz Rodrigo.

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O diálogo sem dúvida era algo que Irmã Dulce priorizava demais, porque para ela “não existe só uma fé para quem é pobre”. Quem é devoto de Santa Dulce, e mesmo quem não é, irá se emocionar demais no desfile. Durante o ensaio técnico da escola na Marquês de Sapucaí, o carnavalesco Guilherme levou uma imagem da santa e viu pessoas chorando, mesmo não sendo devoto dela.

“Nesse momento de dificuldade o povo olhou a imagem, se emocionou e fez pedidos. Isso é algo muito maneiro. Além disso, no desfile terá uma comitiva das pessoas que participam das obras sociais. Devoto e não devoto”, expõe Guilherme.

Estando na Série Ouro é óbvio que a dificuldade é permanente. Ainda mais em um período em que ficou sem carnaval por dois anos. Graças a nova direção da Unidos da Ponte, que deu total suporte para os carnavalescos realizarem todo o trabalho e compraram a ideia desde o início. Na pandemia, algumas pessoas que exerciam funções na agremiação infelizmente faleceram e isso fez com que fosse um pouco mais difícil fazer o carnaval.

“As dificuldades financeiras sempre vão existir, a falta de estrutura de barracão também. Trabalhar em barracões que não tem 100% dos seus carros cobertos, a escola não ter dinheiro para fazer 100% do que a gente quer. Tudo é muito caro, então com a nossa experiência tentamos substituir por materiais mais alternativos”, explica Guilherme.

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Em 2020, os carnavalescos assumiram a Acadêmicos do Sossego faltando 15 dias para o desfile. Já na Ponte, tiveram dois anos e alguns meses para fazer o carnaval de 2022, o que foi o inverso. Com mérito da direção da escola de São João de Meriti e deles também, acabaram conseguindo antecipar muito o trabalho para que não faltassem materiais para o projeto de criação.

Entenda o desfile

A Unidos da Ponte vai levar para a avenida o enredo “Santa Dulce dos Pobres – O Anjo Bom da Bahia”. Ela pretende emocionar todo o público com a história de vida da santa, o que ela construiu, o legado que deixou e também falar sobre a canonização. A agremiação de São João de Meriti será a terceira escola a passar pela avenida no dia 20/04 pela Série Ouro.

Primeiro setor: “Ela sempre fez caridade, trabalho social desde que era criança. No início ela ajudava mais as pessoas, as levava para dentro de casa, alimentava e dava banho. Após isso, ela procurou outros lugares que era possível abrigar. Nossa proposta é que além dela ser uma pessoa da igreja é que ela enxergou isso sendo um potencializador de sua vontade maior que era ajudar. Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, onde ela foi noviça O primeiro setor simboliza o primeiro contato da Santa Dulce, ou melhor, Maria Rita com a igreja. Antes dela se tornar quem ela foi, a igreja foi o gás inicial para ela construir o seu legado, mas também era o seu refúgio nos momentos de tristeza e fraqueza. A mensagem inicial é que através da fé, ela conseguiu construir tudo isso”.

Segundo setor: “São duas questões da vida dela. A primeira é uma visita na comunidade Alagados, em Salvador. Ali era um local totalmente insalubre, onde as casas eram feitas de palafitas, ela conheceu esse lugar e ficou sensibilizada. Esse segundo setor vai começar com ela levando as pessoas dessa comunidade para a sua obra social. A ideia inicial era levar as pessoas de lá, cuidar delas e dar o suporte que precisavam, sendo que o local disponível para a obra social de Irmã Dulce era um galinheiro. Então o segundo setor é sobre a criação da OSID”.

Terceiro setor: “O terceiro setor representa a canonização da Santa Dulce. Como ela dialogava com várias frentes, vão ter essas pessoas que conviviam ali no dia a dia. Temos homenagem a Mãe Menininha do Gandois com algumas composições. Estamos canonizando ela em Salvador. Vamos ter diversas alas que liga o legado até a canonização da Santa Dulce. Vamos ter também a escultura da santa com Paulo Gustavo, pois ele era um grande apoiador da obra dela”.

Ficha técnica

Número de alegorias: 3 carros e 1 tripé (comissão de frente)
Número de alas: 20 alas
Componentes: 1.800 componentes
Carnavalescos: Rodrigo Marques e Guilherme Diniz
Diretor de Barracão: Wallace Oliveira
Diretor de Carnaval: Thiago Gomes e Cátia Santanna
Pintores: Allan
Ferreiro: Alan
Carpinteiro: Luiz
Iluminação: Wagner
Escultor: Allan

Série ‘Barracões’: Porto da Pedra quer deixar de ser coadjuvante na Série Ouro e promete carnaval grandioso para voltar ao Especial

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A Unidos do Porto da Pedra é uma escola acostumada com o Grupo Especial, após 10 anos desfilando na Série Ouro, o sentimento de todos é um só: voltar para o lugar que de fato te pertence. A agremiação tem apresentado bons desfiles, ficando na terceira colocação em suas últimas três apresentações na Sapucaí. Para esse ano, o tigre quer voltar a rugir e sonhar com um lugar no Grupo Especial, para isso, conta mais uma vez com a carnavalesca Annik Salmon no desenvolvimento do seu carnaval, única mulher a comandar um escola no grupo. Com o enredo “O Caçador que traz alegrias”, a escola segue a linha de levar temáticas culturais para a avenida, a agremiação de São Gonçalo aposta na história de Mãe Stella de Oxóssi para emocionar a Sapucaí, escritora e yalorixá, ela lutou pelo respeito ao candomblé e marcou seu nome na história.

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Esse é o primeiro enredo afro da história da Porta da Pedra, e nada melhor que começar contando a história de uma mulher, negra, candomblecista e que foi a mensageira dos ensinamentos de fé. O site CARNAVALESCO visitou o barracão da escola e bateu papo com a carnavalesca Annik Salmon, segundo ela, o enredo surgiu naturalmente.

Annik conta que não conhecia a história de Mãe Stella e que a admiração surgiu após pesquisas na realização do último enredo da escola, sobre as baianas quituteiras da Bahia. “O enredo surgiu no carnaval passado, que foi o enredo da baianas quituteiras, quando eu cheguei aqui na escola já tinha esse enredo, que foi feito pelo Alex Varella, eu comecei a estudar a sinopse e fui fazer uma pesquisa pra eu conseguir botar minha cara dentro do enredo, nessas pesquisas sobre baianas lá de Salvador, eu vi o nome de Mãe Stella, comecei a ler sobre ela e fiquei encantada, logo pensei que poderia render um enredo maravilhoso e deixei guardado, ela não era quituteira, ela era uma grande Yalorixá, uma grande líder, passou o carnaval e o presidente pediu pra eu desenvolver um enredo afro, o que foi perfeito, visto que eu já tinha esse achado”, conta Annik.

Annik conta que durante a pesquisa se encantou com os ensinamentos de Mãe Stella,
apesar de não ser feita no candomblé, a carnavalesca diz que admira e respeita muito a religião e que desenvolver esse enredo na Porto da Pedra é um presente, pois a história da Yalorixá tem que ser passada adiante.

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“Esse enredo é maravilhoso e fico feliz que tá todo mundo gostando, tá sendo muito elogiado, é uma história linda, a gente tinha que contar, não podia ser deixado de lado, ela foi uma mulher de frases e de pensamento marcantes, tem uma frase dela que deu norte para eu desenvolver esse enredo foi “o que não se registra, o vento leva”, então eu falei, eu tenho que registrar esse enredo, a história dela não pode ficar ali só dentro dos livros, ou do Ilê Opô Afonjá, temos que botar no nosso carnaval, que é onde a gente transmite e onde a gente tem a oportunidade de mostrar a nossa cultura”, destaca Annik.

Mãe Stella disse uma vez que seu papel era mostrar para o mundo o que é feito dentro dos terreiros. E que era sua tarefa levar o conhecimento que estava a seu alcance para que o povo escute, entenda e aprenda a respeitar o semelhante e a crença dos outros, tudo isso está presente dentro do enredo que Annik levará para avenida e a fez se encantar a cada nova descoberta.

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“Eu fui me encantando com várias coisas, fui me apaixonando, eu nunca fui feita no
candomblé, mas passei a frequentar há pouco tempo, fui estudando, lendo e me aprofundando, não com a religião mas com tudo que ela fez, tem vários ponto interessantes nesse enredo, coisas que o candomblé te passa, o trabalho que ela fez, ela levou todo esse conhecimento para o mundo, a força que ela tinha de conseguir lutar e dentro do seu momento como líder religiosa , a quantidade de pessoas que ela conseguiu alcançar, então isso foi me encantando, ela era uma mulher a frente de seu tempo, nos últimos anos de vida ela começou a se inteirar com a modernidade, procurou saber onde estava o público jovem, criou um canal nas redes sociais e dialogava com eles”, pontua a carnavalesca.

Mensagem de Amor

O enredo da Porta da Pedra é baseado nas entrevistas que Mãe Stella deu, nos vídeos, e nos livros que a baiana escreveu, Annik não teve a oportunidade de conhece-lá pessoalmente, mas sente que a força dela está presente nesse enredo, assim como o amor que ela demonstrava ter pelo próximo, a maior mensagem do enredo é justamente essa, o amor.

“Quero falar de amor, o amor de uma mulher, que tinha um amor não só pelos seus filhos, mas pela cultura dela, pelo seu povo, pelas suas raízes, ultrapassa a região, vinha dos seus
ancestrais, ela conseguiu passar para todos, eu pude observar a força dela, o amor em querer cuidar das pessoas, ouvi um comentário de um repórter que dizia que ela foi uma líder completa, ela cuidado do corpo e da alma, além ser Yalorixá, ela também era uma enfermeira sanitarista, o mais legal é que ela conseguiu deixar tudo isso registrado, através dos livros que ela escreveu, da biblioteca que ela fundou, deixou um conhecimento para o mundo todo”, descreve Annik.

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Mãe Stella de Oxóssi recebeu o título de doutora honoris causa por duas universidades da Bahia e fez parte da Academia de Letras baiana. Ela se dedicou à educação, Annik se diz muito grata por poder levar essa história para a avenida, única mulher a comandar o carnaval de uma escola na Série Ouro, ela se diz feliz e honrada com essa missão. “Nada é por acaso e tudo tem seu tempo e a sua hora, o destino está ali traçado, ela mesmo sempre falou isso, o momento é esse, por eu ser uma mulher esse enredo me traz muita felicidade, falo de uma grande mulher, de suma importância para tantas pessoas, negra, resistiu a tantas coisas, enfrentou tantos preconceitos, mas conseguiu coisas que muitos não conseguiriam, nem homens, nem brancos, ninguém, ela teve uma cadeira na Academia de Letras, a primeira mulher negra a ter essa posição ali dentro, fico feliz em poder retratar isso”, enfatiza Annik.

Tigre de volta ao abre-alas

O tigre é sempre o motivo de maior expectativa por parte dos torcedores da Porto da Pedra, no último ano ele ficou de fora do abre-alas, mas esse ano a promessa é que volte como nos tempos áureos da agremiação no Grupo Especial, cercado pelas matas, ele vem imponente, com movimentos de Parintins e rugindo alto, Annik faz um paralelo entre o tigre e o Orixá Oxóssi, ambos têm a caça como fundamento, além de proteger e garantir a fartura para sua comunidade.

“Ele (o Tigre) vem lindo, maravilhoso, vem imponente, ele vem com a força que ele tem, a figura do tigre tem uma força muito grande, uma representativa enorme dentro de São Gonçalo e da Porto da Pedra, então ele representa essa força que a escola tem, esse símbolo de luta e valentia, tudo que a escola proporciona para a comunidade de São Gonçalo, isso tem muito a ver com o guia espiritual de Mãe Stella, que era Oxóssi, ele é o caçador, aquele que leva toda a caça e fartura para sua comunidade, então o tigre tá ali, lado a lado com ele”, conta a carnavalesca.

Proposta visual do desfile

Diferente dos últimos anos, a Porto da Pedra teve um pré carnaval bem tranquilo, mesmo com as dificuldades naturais que é fazer carnaval na Série Ouro, a escola conseguiu se preparar e organizar para levar um trabalho bonito e competitivo na avenida, Annik está no comando do carnaval da escola pelo segundo ano consecutivo e acredita que isso a deu mais segurança e confiança no trabalho.

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“A gente conseguiu se preparar e se organizar para poder fazer um carnaval bem melhor do que a gente fez no último ano, acredito que o abre-alas será o ponto alto, mas gosto muito do fechamento da escola, das alas, os enredos deu essa possibilidade da gente construir uma plástica mais bonita, acho também que o tempo deu certo, é meu segundo ano na escola, isso facilita, eu já sei onde posso chegar, onde posso pisar, me sinto mais confortável”, destaca Annik.

Entenda o desfile:

A Unidos do Porto da Pedra será a quarta escola a entrar na avenida na primeira noite de desfiles da Série Ouro, quarta-feira, dia 20 de abril. A escola levará para a avenida cerca de dois mil componentes, divididos em 19 alas, três carros alegóricos e um tripé.

Setor 1: “Eu dividi os setores de acordo com os títulos do livro, o primeiro setor da escola chama-se assim aconteceu o encantamento, que mostra o primeiro contato dela com o
candomblé, é quando ela realmente se encanta, é o primeiro contato que ela teve com a religião”.

Setor 2: “O segundo setor é o caçador que chegou com alegrias, é quando Mãe Stella já está no Ilê Axé Opô Afonjá e ela é feita, ela renasce, conta toda a trajetória dela, é a parte que a gente faz bastante menção aos orixás”.

Setor 3: “O terceiro setor chame meu tempo é agora, que também é o título de um livro dela, que mostra ela se formando como enfermeira, que é a ocupação que ela tinha além de ser uma grande líder espiritual, a luta que ela teve para divulgar a cultura do candomblé junto com o povo dele”.

Setor 4: “Finalizamos com um título que me marcou muito, o que não se escreve o tempo leva, que foi tirado da frase o que não se registra, o vento leva. Nele vamos mostrar os livros que ela escreveu, a biblioteca que ela formou, os prêmios que ela ganhou, a última ala é uma homenagem a ela e o último carro é justamente isso”.

Série ‘Barracões’: Transcendendo amor, a Acadêmicos do Cubango promete linda homenagem a Dona Chica Xavier

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Após o quinto lugar no carnaval de 2020 com o enredo “A voz da Liberdade”, a Acadêmicos do Cubango está apostando tudo no novo enredo para 2022, “O amor preto cura: Chica Xavier, a mãe baiana. Apesar do luxo nos carros elaborados pelos carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel, a escola pecou em problemas técnicos em algumas alegorias. Com o objetivo de corrigir esses erros, a agremiação investe pela primeira vez no talentoso João Vitor Araújo. Com passagem pela Unidos do Viradouro, também escola de Niterói, o artista contou em entrevista ao CARNAVALESCO, como se sente estando de volta ao bairro que tanto gosta.

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“É a primeira vez que eu trabalho na Acadêmicos do Cubango e está sendo muito bom esse encontro com as minhas raízes profissionais, já que comecei minha carreira como carnavalesco em Niterói, na Unidos do Viradouro. Além disso, tem o encontro com a minha raiz afro descendente, encontrando com essa escola que possui 90% da sua comunidade e dos seus segmentos formados por pessoas negras. É a primeira vez que isso acontece comigo, estou me sentindo em casa e representado o tempo todo dentro da escola”.

João aproveitou para contar como surgiu a ideia do enredo, uma vez que a Cubango é conhecida por trazer temática afro. Segundo ele, a escola pediu que o mesmo seguisse nesse padrão, o que foi um desafio, já que fazia tempo que o carnavalesco não desenvolvia um enredo desse tipo.

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“Quando eu cheguei na Cubango, obvio que o primeiro pedido foi que eu continuasse com a temática afro. Havia muito tempo que eu não fazia um enredo com essa temática, então foi muito bom flertar novamente com um enredo que me representa. Eu selecionei vários enredos para apresentar para a escola, até que um dia eu fui ao templo e pedi que me desse uma inspiração para algo a mais, sentia que estava faltando alguma coisa. Daí encontrei uma frase de amor na internet da neta Luana Xavier para ela: “O amor preto cura”. Só consegui imaginar como eu não havia pensado em Dona Chica ainda? Me arrepiei dos pés cabeça, deixei todas as minhas outras ideias de lado e só levei esse enredo para a escola, totalmente convencido”.

João se mostrou bastante apaixonado por Dona Chica e toda sua história. Durante a entrevista, o carnavalesco nos mostrou o livro que está lendo sobre a homenageada, livro esse que ele carrega para todo canto.

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“A Chica havia um olhar de paz, calmaria. Quando olho para a foto dela nesse livro, sinto como se ela me dissesse para ficar calmo, que dará tudo certo. Muita gente me pergunta em qual parte do enredo irei fazer o protesto, a reivindicação, mas no meu enredo não tem nada disso. É um enredo que fala de amor justamente num momento onde está todo mundo muito ferido, triste e cansado. Depois de tudo isso que nos aconteceu nesses dois anos, chegou a hora de falar de amor, e não de dor”.

Como citado anteriormente, uma das grandes apostas da Cubango, é corrigir as falhas técnicas do desfile anterior. Com isso, toda a comunidade da escola de Niterói, está com bastante expectativa quanto as alegorias de João.

“Tenho feito um trabalho muito bem cuidado. Estamos saindo de uma fase bem ruim, e eu espero de verdade que estejamos realmente saindo e que essa pandemia de fato termine de uma vez por todas. Está sendo um ano muito difícil, principalmente para as escolas da Série Ouro. Retomar os trabalhos depois de dois anos sem carnaval é um desafio muito grande. Não tivemos esse ano aquela facilidade de encontrar materiais disponíveis no mercado carnavalesco, logo, tivemos muita dificuldade para reunir o brilho, os tecidos de base e as penas. Tudo isso porque todo mundo parou, então porque as indústrias carnavalescas também não haveriam de parar? Com isso, todo mundo quis atacar o mesmo tipo de material, virou um salve-se quem puder”, brincou.

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“Até aquele material considerado até então como o mais vagabundo, que ninguém queria usar, foi disputado esse ano. Geralmente esse tipo de material fica para as escolas da Série
Ouro e Intendentes, mas esse ano até o Grupo Especial quis trabalhar com esse tipo de material. Esse ano não tivemos nem material e nem tempo para produzir. Ficamos naquela incógnita, vai ter carnaval? Não? Então para. Vai ter? Então volta. Foi uma loucura! Estou fazendo um trabalho plástico na Cubango com o maior cuidado possível. Quem me conhece sabe que eu gosto de me esmerar bastante, principalmente nas minhas alegorias e eu
estou batalhando muito para que isso seja possível. Estou a pouquíssimos dias do meu desfile e pode ter certeza de que estou querendo fazer o melhor para os jurados e as pessoas que estarão lá assistindo e para que a comunidade se orgulhe do que estamos fazendo”, concluiu.

Quanto ao trunfo do desfile, o carnavalesco respondeu sem nem pensar duas vezes: “Amor. Pode parecer redundante, mas todo mundo se apaixona por esse enredo. Eu ouço de muita gente, de pessoas bem críticas até, que o nosso enredo é tão bonito, que se a Cubango passasse no ferro ainda sim iriamos emocionar, mas não será o caso. A escola é a segunda a desfilar logo na primeira noite, então eu quero que ela espalhe esse amor para as outras que virão”.

Contando com três alegorias, um tripé e 1900 componentes, o Cubango promete trazer muita emoção para a Sapucaí. João destacou comissão de frente, mestre sala e porta bandeira, e ainda contou sobre o último carro da escola. “Gosto muito da comissão de frente, o Fabinho está fazendo um trabalho belíssimo. Até o site CARNAVALESCO elogiou muito a performance dele no ensaio técnico, então acho que ali deu para todo mundo entender um pouquinho do que ele vai apresentar para a gente. Além disso, temos o casal de mestre-sala e porta-bandeira com um bailado maravilhoso e com uma fantasia belíssima, bem além dos padrões da Série Ouro. E no último carro teremos uma foto muito bonita da Chica. Esse mesmo sentimento que eu disse que tenho quando olho a foto dela no livro, eu vou  sentir com a foto de cinco metros de altura e espero que todos sintam o mesmo que eu”.

Entenda o desfile

Setor 1: Terra Mãe – A Bahia de todos os santos
Setor 2: Magé Bassã – A ialorixá de tenda dos milagres
Setor 3: A bandeira da arte do ensino dos saberes ancestrais
Setor 4: O amor preto cura

Cada Lata Conta: iniciativa internacional de conscientização ambiental chega ao Brasil, na Sapucaí

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Nesta sexta-feira, às 23h, durante o desfile das escolas de samba na Sapucaí, será apresentada ação do Cada Lata Conta, iniciativa internacional presente em 19 países, que tem o objetivo de conscientizar ambientalmente as pessoas sobre a importância das escolhas que fazemos na hora de consumir e sobre como a lata de alumínio se destaca neste cenário, como a embalagem mais sustentável do planeta com índice de reciclagem recorde de 98,7%.

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Organizada pela Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio), a ação conta com a parceria de catadores da Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho (ACAMJG), que farão todo o trabalho de coleta, triagem e destinação adequada das latinhas do Sambódromo. Também estão programadas ações educativas, com a distribuição de 3 mil sacolas biodegradáveis para separação correta de descartes.

Série ‘Barracões’: Fechando os desfiles, Império de Casa Verde conta a história da comunicação, citando Carlinhos Maia

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A equipe do site CARNAVALESCO visitou o barracão do Império de Casa Verde e conheceu todo o projeto que a escola desenvolveu e irá levar para a avenida em seu desfile no dia 23 de abril. O ‘Tigre Guerreiro’ tem como enredo: “O poder da comunicação”. Os carnavalescos Mauro Quintaes e Leandro Barboza estão juntos realizando todo o espetáculo da agremiação e, ambos, explanaram o enredo.

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“O enredo chegou para gente através da captação de recursos e foi dada a incumbência dos carnavalescos de criar uma história em cima disso. O projeto se concluiu na figura do Carlinhos Maia e nos juntamos para fazer um texto que pudesse apresentar ele de uma maneira mais educativa, criativa, que nos favorecesse em alegoria e fantasia, e criamos esse enredo que fala basicamente da comunicação. A princípio seria sobre os influenciadores, mas a escola preferiu seguir da comunicação. Nós concordamos, visualizamos coisas bem bacanas e foi esse o caminho para desenvolver o projeto”, comentou Mauro.

Carlinhos Maia no desfile e a era digital

Segundo Leandro Barboza, em todo o processo da história da comunicação, a era digital foi que mais fascinou o artista. O lado empreendedor e as causas que o Carlinhos Maia abraça, foram importantes para a montagem do setor que faz a homenagem ao influencer.

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“Essa parte atual também (fascinou). Eu sou um pouco mais novo que o Mauro, mas pra mim também foi novidade esse mundo digital, porque não estou dentro 100%. Então, essa parte de influenciadores e até mesmo do Carlinhos Maia, a gente conhecia, mas não tinha tanta ligação com as causas que ele abraça. Foi uma surpresa para gente”.

“A princípio, era só um influenciador digital, que era um cara engraçado e tinha alguns milhões de seguidores. Hoje ele tem 23 milhões de seguidores. E aí, a gente começou a conhecer o Carlinhos e entender que ele era muito mais do que se apresentava. Tem causas sociais, projetos LGBT, ações em Manaus, entregas de cilindros e nós começamos a ver um outro lado dele, como empreendedor. A figura que vemos no Instagram é uma e, por trás, há uma máquina. Por isso, ficamos mais tranquilos em fazer essa citação dele no último setor”, completou Mauro Quintaes.

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Dentro do desfile, os carnavalescos revelaram que Carlinhos Maia irá aparecer na última parte do desfile, junto de outros famosos. Leandro Barboza, contou que o internauta priorizou ser uma parte do enredo, e não quis ser a estrela da apresentação.

“Ele aparecerá no último setor para dar a cara do enredo. A gente o deixou muito à vontade para convidar quem quiser. Então, ele optou por chamar a turma da Vila, que também são influenciadores. Vão ser todas as pessoas ligadas a eles e que hoje têm suas redes sociais bombando. Priorizou as pessoas que estão com ele desde o início. Em reunião, apresentamos o projeto e estávamos muito preocupados em relação ao que ele pensaria de tudo e, já fomos armados para poder reverter a situação para uma linha de desfile melhor. A primeira palavra dele foi: ‘gente, antes de começar qualquer coisa, eu não sou enredo e não tenho história para ser enredo. Eu quero ser uma parte de um pedacinho dali’. Então, isso nos deixou muito tranquilos”.

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“E é exatamente isso. Você tem um enredo histórico, cronológico, informativo e de fácil entendimento, que vai passando pela história que vai passando pela história, até culminar com esse grande fenômeno da comunicação”, disse Mauro Quintaes.

O que esperar do Império na avenida

A comunidade da Casa Verde, fechará os desfiles de 2022. Será a última escola de sábado. Devido a isso, os carnavalescos contaram que será um desfile grandioso plasticamente. Os artistas mantiveram as características da agremiação e prometeram uma apresentação imponente. Mauro falou sobre a leitura que teve de fazer quando chegou para desenhar o desfile do ‘Tigre Guerreiro’

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“A grande vantagem de chegar em uma escola nova e encontrar um profissional que trabalha aqui há 7 anos, é ele chegar dizendo as características da escola. Coube nós falar ‘vamos por ali ou aqui’. Essa parceria foi bacana, porque é uma criação coletiva. Eu poderia chegar e falar: ‘não gosto disso ou daquilo’, mas o grande segredo do carnavalesco é conhecer a escola, saber do limite dos gastos. Eu particularmente estou feliz com o resultado e, agora que os carros vão sair, a gente vai ver a dimensão do projeto”.

Leandro contou como a famosa escultura do tigre será montada, além das características das demais alegorias.

“Fizemos uma leitura diferente do tigre. Até mesmo para não entrar na mesma referência de todos os anos, mas o carro vai estar imponente. Teve uma alteração de tamanho, por causa da Liga. Teve essa redução de tripé para poder adequar às medidas. Acoplamento de carro nós temos só um também. Porém, a escola vem imponente, com essa leitura bem legal. Como o Mauro falou, é uma identidade da escola”.

O grande impacto na avenida

É fato que a grande figura do Carlinhos Maia vai despertar o interesse do público, mas tecnicamente, para Mauro, o primeiro setor é a parte favorita do desfile.

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“Eu particularmente gosto muito do primeiro setor. Vem todo em branco, prata e azul, até por conta do horário. Fazer esse diálogo de comissão de frente, casal de mestre-sala e porta-bandeira, com a primeira ala, baianas e carro alegórico”.

Já o artista Leandro, citou mais artefatos que estarão dentro do desfile e que são de seu gosto.

“Eu concordo, mas também gosto do segundo setor e o último. Acho que vai surpreender a primeira parte, comissão de frente e, os esses momentos mais cenográficos, vão surpreender a galera”.

O carnaval da vida para Mauro Quintaes

No auge da pandemia, Mauro contraiu a doença e chegou a ficar internado por duas semanas. O artista mostrou muita emoção, disse ser grato pela vida e que ainda não caiu a ficha sobre tal acontecimento.

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“Eu confesso para você que eu não parei para pensar. Não caiu a ficha. Eu sei que passei pelo pior, me curei graças aos amigos e pelo próprio Leandro que detectou. O próprio Jorge Freitas também me ajudou muito. O Império e a Dragões da Real também. Então foi um grupo de pessoas que me deu suporte por eu estar fora do ar, mas eu confesso para você que não caiu essa ficha. ‘É o carnaval da sua vida?’. Talvez porque a gente tenha saído da doença e começado os trabalhos. Não tive aquele momento para parar e pensar. Eu deixo de ser vítima para ser o sobrevivente dessa história toda. Mas, pode-se dizer sim que tem um sentimento totalmente diferente de poder presenciar e colocar o projeto na rua. Sou grato pela vida e as fichas vão caindo devagar”.

O primeiro carnaval assinado por Leandro no Império

O carnavalesco Leandro Barboza, está no Império há 7 anos e trabalhava como assistente. Neste carnaval, o artista está tendo a oportunidade de assinar o seu primeiro enredo pela escola, junto de Mauro Quintaes.

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“Pra mim é um sentimento muito grande. Já trabalhava aqui e sempre me identifiquei com a escola. Fiquei muito feliz com o convite do presidente e me senti bastante valorizado. Para mim foi muito legal e me cativou mais ainda. Por mais que a gente tenha passado por esse período de dois anos, cai um pouco o ânimo, temos altos e baixos, mas agora estamos com mais gás novamente”.

O funcionamento da parceria

“A gente diverge também. São opiniões pessoais e faz parte do processo criativo. É uma criação coletiva. O Leandro faz os casais. Cada peça se junta com um objetivo só e, lógico, que você tem que ceder um pouco aqui e ali, mas faz parte de cada pessoa”, disse Mauro.

Conheça o desfile

Setor 1
“O primeiro se trata dos tambores primitivos. No nosso imaginário, foi a primeira maneira de transmitir a comunicação. Tambores, danças tribais, fogo, fumaça e, tudo isso, no ambiente da era do gelo. Dentro desse ambiente, criamos essas coisas dos primórdios da humanidade. A idade da pedra, tigre de dente de sabre. São os ancestrais do tigre do Império de Casa Verde que vai estar presente no abre-alas”.

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Setor 2
“No segundo setor, a gente vem falando sobre a Babilônia e a parte das civilizações. Sumérios, amoritas, as primeiras escritas, a parte da pedra. Também tem a parte do Egito e do papiro”.

Setor 3
“No terceiro setor, já entra a parte dos monges e a prensa de Gutenberg, que é a parte mais forte do setor, que vai criar a proliferação do impresso e a criação dos livros. Por isso, o carro tem livros enormes, distribuídos. A gente elegeu o Hermes, que é o deus da comunicação, para ser o personagem que vai representar isso e vai ser uma das escultas mais belas que já tenha passado no carnaval de São Paulo. Nesse carro, juntamos papel chinês, a figura do deus da comunicação e os monges copistas sintetizados em um carro só”.

Setor 4
Depois vem o tripé, onde colocamos o Chacrinha como representante do rádio e da TV como maior comunicador da era. Esse setor vem junto com os passistas. E a gente fecha com o carro da internet. Vamos unir o Carlinhos Maia com os outros influenciadores. Vamos mostrar como ele foi um dos que conseguiu levar essa internet para o nordeste. Uma parte tão pobre que agora está conectada ao mundo”.

Ficha técnica

Alegorias: Quatro
Tripé: 1
Componentes: 1600
Casais mestre-sala e porta-bandeira: três
Direção de barracão e supervisão de fantasias: Equipe de barracão interna