Início Site Página 1196

Erros em Evolução afetam desfile forte da Tijuca no canto da comunidade e na bateria

0

Quarta agremiação a desfilar nesta noite de sábado, a Unidos da Tijuca emocionou o público da Sapucaí com a bela apresentação da sua comissão de frente, que trazia o renascimento do curumim Kahuê. O início do desfile da escola foi marcado por alguns erros de evolução, mas o forte canto da comunidade tijucana conferiu vigor ao desfile. Bateria e samba-enredo foram outros destaques da apresentação da escola, que veio com um visual estético mais simples. A Unidos finalizou o seu desfile com 68 minutos. * VEJA FOTOS

desfile tijuca 2022 037
Fotos Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Comissão de Frente

A Comissão de Frente da Unidos da Tijuca, dirigida por Sérgio Lobato, entrou na passarela representando “A reexistência vermelha”. O grupo exibiu uma coreografia que sintetizou a história narrada no enredo e foi dividida em três blocos. A apresentação se iniciou com o conflito entre Tupanã e Yurupari, entre o sol e a lua, entre luz e escuridão. Seres do A’at e do Waty se combatiam em busca do equilíbrio.

desfile tijuca 2022 010

Surgia, então, a figura de Anhyã, uma guardiã, uma sábia e conhecedora do poder das plantas, que foi tocada por uma cobra enamorada e deu à luz a Kahu’ê. Porém, toda a inocência e alegria do menino provocava ciúme e inveja de seus tios. Kahu’ê foi aniquilado, e em seguida, levado pelos braços do Yurupajé, o corpo do menino fez renascer o povo Mawé. A cena do renascimento do curumim emocionou o público.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Phelipe Lemos e Denadir Garcia, desfilou com a fantasia intitulada “Energia encarnada”, traduzindo em dança toda a força vital que comanda os ciclos da natureza. Os dois realizaram um bailado seguro e correto, apresentando o pavilhão da escola com muita elegância.

desfile tijuca 2022 030

O pavilhão azul e amarelo da escola se uniu ao vermelho, pedindo licença aos ancestrais e lançando ao vento uma fábula mítica de luta e ‘reexistência’ indígena. O casal esbanjou sintonia ao interagir no olhar e muita sincronia nos movimentos. Phelipe riscou o chão enquanto Denadir realizava seus giros com o pavilhão tijucano. Por algumas vezes durante o bailado ele ficou na ponta dos pés.

Enredo

A Unidos da Tijuca apresentou o enredo “Waranã: a Reexistência Vermelha”, contando o mito de surgimento da etnia Mawé – os filhos do guaraná, os peles vermelhas do Brasil. A escola narrou a formação do guaraná a partir da saga de Kahu’ê, o inocente curumim, cuja presença breve sobre o plano terreno se dá em face das disputas das forças cósmicas e do embate entre Tupana (o bem) e Yurupari (o mal). As cores da escola se fizeram presente no enredo. O amarelo fez alusão às energias que emanam do reino solar de Tupana. Já o azul em tons mais fechados, referiu-se à noite e às energias soturnas do reino de Yuruparí.

desfile tijuca 2022 036

Em seguida, surge o vermelho para caracterizar o povo ‘sateré-mawé’, cuja origem é umbilicalmente ligada ao guaraná, à terra, ao sangue e à vitalidade. A escola também apresentou momentos de explosão multicor, que tiveram como intenção estética conduzir-nos aos domínios do fantástico, do discurso mítico que vai além do real. Os grafismos, presentes nos contos Sehaypóri, gravados no Puratig (ou Porantim), o remo sagrado e símbolo da identidade sateré-mawé, se fizeram presentes no conjunto estético visual da Tijuca.

Alegorias

A escola começou seu desfile no alto céu, de Tupana e Yurupari, cujas forças passam a reger o cosmos, ao sabor dos desígnios de Monan, a energia que equilibra o bem e o mal. A luz do pede-passagem que trazia o pavão, símbolo da escola, não acendeu. Logo depois, abre-alas da Tijuca representava Nusokén, o paraíso segundo a visão Sateré-mawé. O carnavalesco Jack Vasconcelos elaborou uma versão fantástica da terra e seus encantados, em que os elementos dos reinos animal, vegetal e mineral apresentaram formas, texturas, grafismos e cores que se instauraram no campo mítico, muito além do real.

desfile tijuca 2022 049

As esculturas de onças representam as Tapyra’yawaras, sentinelas da floresta, espíritos criados por Tupana para proteção da natureza. São elas, banhadas pela luz do Sol e pelo brilho da Lua, que trazem o paraíso de Nusokén para a Avenida. No segundo chassi, trazido por um cágado representando a ancestralidade, havia a imagem maternal de Aynhã, grávida de Kahu’ê. A figura de Aynhã se fundia com a de uma borboleta, símbolo de feminilidade e liberdade. O paraíso de Nusokén constitui Anhyã e todos os saberes da natureza estão com ela.

desfile tijuca 2022 065

O segundo carro alegórico se chamava “Renascer e frutificar: a dádiva de Tupama”. Ao lançar os raios da boa aventurança, Tupana espalha a dádiva da fartura. Da terra, brotam as sementes nascidas do olho de Kahu’ê e regadas pelas lágrimas de Aynhã, provendo de vitalidade e energia o povo de pele vermelha. Representada de forma poética e estilizada, Aynhã tinha seu rosto encoberto por uma máscara feita em grafismos, de onde caíam lágrimas regando o solo em que brotava o waranã-sessé, o guaraná bom. A terra preta, a boa terra de plantar, foi representada no piso da alegoria, cuja forração apresentou geometrizações que estilizavam o chão em que Aynhã plantou um dos olhos de Kahu’ê.

A terceira alegoria simbolizava “Os frutos de uma nação”, trazendo à tona a formação da etnia sateré-mawé, o povo do guaraná. Em destaque, estava a lagarta de fogo ‘sateré’ e o papagaio ‘mawé’, que formam o nome da etnia. O quarto carro fazia alusão ao espírito maligno que espalha destruição, medo e ameaça o equilíbrio da vida e foi chamado de “A maldade de Yurupari avança pela floresta”. Na parte de trás da alegoria, paini-pajés oravam pelos espíritos de restauração, pelos benfeitores e pelas crianças. A última alegoria da Tijuca foi batizada de “Erê, essa mata é sua”, celebrando a vitória do amor com direito a guaraná, doces e muita brincadeira.

desfile tijuca 2022 076

Fantasias

A primeira ala da Unidos da Tijuca veio com uma fantasia representando o alto céu, com dois figurinos, nas cores da escola, amarelo-ouro e azul-pavão, representando a polarização de energias cósmicas e os ciclos que regem o universo. De acordo com o enredo, durante o dia, A’at (o grande sol), em nome de Tupana (o bem), rege Nusokén, o paraíso segundo o povo sateré-mawé. À noite, Waty (a lua) vem comandar, em nome de Yurupari, as energias más que se revelam quando a luz vai embora.

desfile tijuca 2022 058

O falante curumim Kahu’ê, personagem do enredo, apareceu na quarta ala da escola, de cores verde e vermelho, representando a floresta e os seres da mata. A ala “Os olhos do curumim” trouxe à tona, novamente, a questão da dualidade, pois na terra amarela nada se frutificou, mas, na terra preta, surgiu o bom fruto que daria origem ao povo sateré-mawé. “O revoar das borboletas” foi representado na ala de passistas da Unidos, que trazia todo o poder da transformação e da reexistência, colorindo a passarela do samba.

Diversos clãs indígenas foram representados na alas da Unidos da Tijuca, como por exemplo os “Tuxauas”, os “Wanturiá”, os “Koreiwá”, os “Hawariá” e os “Napu’wany’ã”. A ala das baianas da Tijuca fazia referência ao poder da Jurema, que em ritos religiosos, entre danças, cantos e infusões, manifesta-se em incorporações por meio da ingestão da bebida sagrada. A fantasia, predominantemente azul e amarela, trazia um colorido sutil na barra das saias das senhoras. Os materiais utilizados pelo carnavalesco Jack Vasconcelos eram simples, porém tiveram um belo efeito visual.

Evolução

A Unidos da Tijuca apresentou problemas de evolução desde de o início de seu desfile. O enorme carro abre-alas teve alguns problemas na acoplagem, o que levou a abrir um grande buraco em frente ao setor 3. Isso acabou fazendo com que a escola evoluísse lentamente nos primeiros setores. Aos poucos o ritmo de desfile da Tijuca foi se acertando. Alas como “Os olhos do curumim” abriram um espaço um pouco maior do que o necessário entre as fileiras. A escola concluiu seu desfile sem maiores correrias.

desfile tijuca 2022 104

Harmonia

A Unidos da Tijuca apresentou um canto uniforme ao longo do seu desfile. A comunidade do Borel cantou o samba-enredo com muito vigor e intensidade, do começo ao fim, mantendo a mesma energia. O refrão “Erê, essa mata é sua… é sua. Erê, vem provar doce mel” foi o ponto alto do samba, que impulsionou a harmonia da escola. Destaque para o canto das alas “A castanheira sagrada”, “Os olhos do curumim”, “Lagarta de fogo Sateré” e “O renascimento da floresta”.

desfile tijuca 2022 112

Samba-Enredo

O samba-enredo da Unidos da Tijuca foi um dos pontos altos do desfile da escola. Seu refrão principal, além de ser fácil de cantar, possui uma melodia contagiante que fica na cabeça: “Erê, essa mata é sua/ Erê, vem provar doce mel”. A dupla de intérpretes Wantuir e Wic Tavares, que são pai e filha, estava bem entrosada com o carro de som e a bateria Pura Cadência. A obra é uma composição de Eduardo Medrado, Kléber Rodrigues e Anderson Benson.

desfile tijuca 2022 068

Outros destaques

Um pede passagem que trazia o Pavão, símbolo da escola, abriu os caminhos para contar a saga do povo sateré-mawé, que se dá no tempo mítico dos deuses do panteão indígena. A Unidos da Tijuca encerrou seu desfile com uma verdadeira ibejada, a festa dos erês, distribuindo doces para o público que acompanhava o desfile da escola.

desfile tijuca 2022 073A bateria da Tijuca veio vestida de “Ao som do trovão de Tupana”, simbolizando a voz do pensamento bom que restabelece o equilíbrio vital sobre a Terra. Mestre Casagrande representava o “originador”, o primeiro sateré-mawé.

Fotos: desfile da Vila Isabel no Carnaval 2022

Fotos: desfile da Grande Rio no Carnaval 2022

Análise da bateria da Grande Rio no desfile de 2022

1

A bateria da Grande Rio de Mestre Fafá fez uma apresentação muito boa. Um ritmo marcado pelo andamento cadenciado, que propiciou um pleno equilíbrio de naipes e timbres. É a única bateria do carnaval carioca com mapa de todos os ritmistas, o que ocasionou uma organização notável no ritmo, proporcionando uma musicalidade de equalização ímpar. Uma boa afinação de surdos foi notada. O swing envolvente das terceiras preencheram o balanço da cozinha com consistência.

A ala de caixas ressonantes deu sustentação rítmica, agregando à sonoridade, junto com repiques. A ala de chocalhos tocou de maneira firme e coesa. Sincronizado com um naipe de tamborins de sonoridade exemplar, executando a convenção rítmica com precisão e principalmente coesão. Os agogôs pontuaram a melodia do samba e complementaram a bateria da Grande Rio, junto com uma boa ala de cuícas. Paradinhas com boa concepção musical, explorando movimentos rítmicos baseados em simplicidade, mas com extrema eficácia, além de uma construção sonora que deu valor a melodia do samba da escola.

A bossa da cabeça do samba gerou fluidez na boa conversa rítmica, com direito ao tamborins virando de costas para efetuarem uma subida responsável por pautar a retomada do ritmo. As apresentações em todos os módulos ocorreram sem qualquer transtorno sonoro evidenciado pela pista de desfile, com todas as paradinhas tendo êxito na execução, bem como nas retomadas. Vale ressaltar a bela apresentação no último módulo de cabine dupla.

Análise da bateria da Vila Isabel no desfile de 2022

0

Na primeira vez pisando na Sapucaí sem Mestre Mug nesse plano, a bateria Swingueira de Noel de Mestre Macaco Branco fez uma ótima apresentação. O andamento cadenciado da bateria da Unidos de Vila Isabel permitiu uma fluência rítmica entre os diversos naipes, num ritmo pautado pelo equilíbrio musical. Uma boa afinação de surdos foi notada. O balanço dos surdos de terceira, com o papel de centrador propiciou uma conversa rítmica entre as peças da parte de trás do ritmo, dando base sonora para o desempenho de repiques, caixas retas e a tradicional batida dos taróis da bateria da Vila.

O acompanhamento das peças leves se deu de forma sólida e consistente. Uma ala de chocalhos firme e coesa tocou sincronizada a um naipe de tamborins preciso e uníssono, preenchendo a musicalidade da bateria, além de auxiliar na perfeita equalização. As paradinhas unem concepção criativa envolvendo bom gosto e complexidade no nível de execução. A bossa da cabeça do samba possui um arranjo musical refinado e bem produzido.

A paradinha de maior destaque sonoro foi a da segunda do samba, possibilitando um molho diferenciado durante sua execução. As passagens da bateria da Vila Isabel por todos os módulos de julgamento foram impecáveis, sendo a melhor apresentação a do último módulo de cabine dupla, onde houve certa ovação popular, além de uma nítida boa receptividade do júri.

Fotos: desfile da Unidos da Tijuca no Carnaval 2022

Barroca Zona Sul 2022: galeria de fotos do desfile

0

Passista da Vila ressalta enredo sobre Martinho: ‘Nunca vi a escola tão envolvida assim’

0

vila04aA Vila Isabel encerrou o desfile das escolas de samba de 2022 com uma homenagem a Martinho da Vila. Personagem icônico da escola e da história da música brasileira, o cantor e compositor foi cantado pela Sapucaí na madrugada deste domingo. O passista Gabriel Cauarú falou sobre a emoção da comunidade com o enredo.

“A comunidade nunca ficou tão envolvida assim, já estou aqui há seis anos e não tinha visto isso ainda. É o enredo dos sonhos, falar do Martinho da Vila é uma coisa que a gente espera há muito tempo e ele mereceu muito essa homenagem”, disse Gabriel, que completou:

“Em um Carnaval importante como esse, depois de dois anos de pandemia, a energia está absurda, duas vezes maior. A última vez que a Vila foi campeã ela fechou o Carnaval, o povo de Noel gosta muito disso. Acho que podemos brigar pelo título”, encerrou o ator de 24 anos.

O advogado Henrique Rodrigues revelou ao site CARNAVALESCO que a escolha da Vila Isabel em homenagear Martinho o motivou a desfilar. O advogado de 30 anos saiu na ala 6, ‘Memórias de um sargento’. Outra componente, Valéria Marques, de 55 anos, também falou sobre o enredo.

“O Martinho da Vila ser enredo da escola esse ano foi o motivo que me fez escolher desfilar aqui. Eu admiro muito a obra dele. Gostei muito do desfile e da minha fantasia. O samba também é lindo e muito animado. Fechamos com chave de ouro. A expectativa é pelo título”, comentou o advogado.

“Martinho é o grande ícone da escola, então a Vila Isabel veio contar desde o início da carreira dele até o fim. Eu acredito no título, somos grandes candidatos ao campeonato, com absoluta certeza”, disse Valéria, que desfilou na ala 2, ‘Raízes da Roça’.

‘Homenagem que a escola esperava há muito tempo’, dizem compositores sobre samba para Martinho da Vila

0

Vila03 1A Vila Isabel fechou o desfile das escolas de samba de 2022 com a homenagem ao grande ícone da escola. A agremiação passou com pela Sapucaí com o enredo sobre Martinho da Vila, com samba bastante cantado pelos componentes. Autor da obra em parceria com André Diniz, Evandro Bocão falou sobre o processo para escrever a canção.

“A emoção é muito grande em homenagear o Martinho, nosso ícone, o homem que representa o mundo do samba. A gente conhece muito de Martinho, é um samba que emocionou muito ele também. Nós tínhamos que escrever o samba pra escola sim, mas a obra tinha que emocionar ele especialmente. Ele ficou muito feliz, disse que a gente acertou em cheio na história dele. Você canta o samba e você vê o Martinho da Vila”, disse Bocão.

Escolhido em setembro do ano passado, a obra teve também participação de Dudu Nobre, Professor Wladimir, Marcelo Valença, Leno Dias e Mauro Speranza. A ala de compositores desfila com a fantasia ‘Escritores da Liberdade’. Autores de um dos sambas concorrentes, Kleber Cassino e Mano 10 também falaram sobre a homenagem.

“É uma homenagem que a escola já aguardava há bastante tempo, já desejava prestar essa homenagem ao Martinho da Vila. É um enredo maravilhoso. Vamos em busca desse título pra nossa escola. Expectativa pelo campeonato é muito grande”, comentou Kleber Cassino.

“É uma obra fantástica. A eliminatória do samba-enredo foi uma disputa maravilhosa, que nem a gente imaginava que seria tão boa”, completou Mano 10.

Saravá, Seu Zé! Barroca Zona Sul homenageia popular entidade em desfile digno do mestre dos malandros

1

A Faculdade do Samba Barroca Zona Sul foi a quinta escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi na segunda noite. Trazendo nada menos que Zé Pilintra como homenageado no enredo “A Evolução está na sua fé… Saravá Seu Zé!”, a verde e rosa apresentou grande desempenho ao longo de exatos 65 minutos de desfile. * VEJA FOTOS DO DESFILE

barrocazonasul desfileoficial2022 13

A aura de Zé Pilintra esteve presente na avenida. Conteve a ansiedade de mais um atraso no início em função de sujeira na pista, e fez com que a Barroca passasse na avenida sem tomar conhecimento do fato de ser a única agremiação da noite sem algum título do Grupo Especial. Fez um desfile de excelente qualidade, com destaques para a comissão de frente, que veio com Carlinhos de Jesus como coreógrafo e dançarino, o fascinante conjunto de alegorias e a harmonia fantástica da comunidade da Zona Sul. Em uma noite marcada por estrelas brilhando, certamente a Barroca foi uma delas.

Comissão de Frente

Malandragem é o que não faltou na comissão de frente da Barroca, que veio encenando a “Devoção a Zé Pilintra… Do Brasil para o mundo”. Os dançarinos vieram caracterizados como os devotos da entidade espalhados pelo mundo, com uma vestimenta padrão que mudava apenas a cor da gravata para se referir a todos os continentes, com uma peça central representando um devoto da própria escola. A grande surpresa, guardada até o último instante, foi um elemento alegórico que trouxe um personagem extra: O próprio coreógrafo da trama, o consagrado Carlinhos de Jesus, onde não só distribuiu flores e cartas para o público como interagiu diretamente com a dança ao longo de três passagens do samba.

barrocazonasul desfileoficial2022 14

Com uma dança ousada e ensaiada exaustivamente, carregada da genialidade do artista carioca, a comissão surpreendeu o público. Foi o prelúdio de um grande desfile e uma forma impor a presença da tradicional verde e rosa paulistana.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal da Barroca, Igor Sena e Camila Pancini, veio representando o “Auto da Compadecida – Zé Pilintra & Nossa Senhora”, onde de acordo com a interpretação, a entidade foi recebida no Reino Divino pela mãe de Cristo e o encarregou de ser um mensageiro de luz, para que as pessoas na Terra não cometessem os mesmos pecados que ele cometera em vida.

barrocazonasul desfileoficial2022 16

A vestimenta do casal veio fabulosa e casou com a dança impecável da dupla. Giros síncronos e passos ensaiados ao longo dos versos do samba deram um elemento a mais. Com muita empolgação, seguiram transmitindo a energia positiva da comissão e complementaram a forte cabeça da escola.

Harmonia

Chega a ser impressionante imaginar que é apenas o segundo carnaval da Barroca Zona Sul no Grupo Especial depois de tantos anos. Uma comunidade aguerrida, que cantou o samba a plenos pulmões e com isso permitiu que a bateria até mesmo arriscasse bossas ousadas, muito bem respondida por todos. O coral da verde e rosa ditou a trilha sonora do espetáculo, e foi um grande ponto de destaque.

barrocazonasul desfileoficial2022 36

Enredo

A Barroca procurou contar a história de José dos Anjos ainda em vida, antes de subir aos céus e se tornar uma das mais populares entidades da legitimamente brasileira umbanda. O líder maior da gira dos malandros foi recebido no Sambódromo do Anhembi com ritual de louvação digno de sua figura. A história prosseguiu contando desde a saída dele do sertão nordestino até a chegada ao Rio de Janeiro, onde virou peça icônica da boemia da noite carioca em meio a bares e cassinos. O terceiro setor falou sobre a consagração de Zé Pilintra como entidade espiritual, e o desfile foi encerrado com um pedido pelo fim da intolerância religiosa e exaltando o povo das favelas.

Todos os elementos do desfile, comissão de frente, alegorias e alas, transmitiram suas mensagens com bastante facilidade e uma beleza simples, mas emblemática. A Barroca apresentou um grande tema e foi feliz na sua representação.

Evolução

Uma evolução em grande parte positiva da escola, mas com dois momentos a serem observados. A estratégia para o recuo da bateria não foi das melhores, e os ritmistas foram inseridos entre duas alas comuns, sem passistas ou destaques que pudessem ajudar a encobrir o vão antes da escola se reunir, fazendo com que um espaço de uma ala se abrisse em frente ao segundo módulo. Já no quarto módulo, a escola deu uma acelerada no ritmo para conseguir fechar o portão em cima do tempo máximo, o que seria uma boa estratégia se não fosse o primeiro erro. Pode acabar perdendo décimos por uma causa muito banal.

barrocazonasul desfileoficial2022 64

Samba-Enredo

Cravado por muitos como o melhor samba do ano, o rendimento do samba cumpriu as expectativas do que se espera de uma obra de nível tão elevado. O canto foi alto, com a comunidade bastante envolvida. Casou perfeitamente com as passagens dos setores e foi ganhando o público conforme a escola passava. Dificilmente perderá pontos na apuração.

Fantasias

Surpreendentes e de fácil leitura, as roupas dos componentes da Barroca Zona Sul eram leves e no geral ajudavam no envolvimento dos componentes com o desfile. Dançavam todos sem medo de serem felizes e conseguiram fazer do carnaval a diversão que se espera dele. O grande destaque fica para as fantasias do último setor, um grau acima das demais e que transmitiram mensagens até mesmo complexas com um simples olhar, como foi o caso da ala da intolerância religiosa.

barrocazonasul desfileoficial2022 31

Alegorias

As alegorias foram um show à parte. O Abre-alas lembrou muito um autêntico terreiro de umbanda preparado para o ritual de invocação de Zé Pilintra, que veio sentado em um trono simples como o povo que ele defende, mas na forma de uma enorme escultura toda trabalhada no veludo e com uma face muito bem trabalhada.

O segundo carro veio representando os famosos arcos da Lapa e a boemia carioca, onde Zé Pilintra deixou a sua marca. Um carro simples de acabamento, mas de mensagem fácil de ser captada, contando com vários malandros, damas da noite e mesas de bar.

barrocazonasul desfileoficial2022 12

O terceiro carro representou um terreiro de umbanda por si só, todo trabalhado em branco e com uma enorme escultura de Oxalá, segurando seu cajado. Uma alegoria imponente e bela, com exceção da posição incomum do destaque, que veio de costas na parte da frente. A ideia dessa representação, cujo queijo veio com um grande globo terrestre, era de demonstrar respeito ao orixá.

A alegoria final foi composta por um letreiro frontal onde se lia “Saravá Seu Zé”, com o meio preenchido com uma favela de barracas todas em verde e rosa com um Cristo Redentor atrás, e a mensagem “Quem me protege não dorme” em suas costas.

Outros destaques

Como se não bastasse fazer uma grande apresentação em um dia difícil, a Barroca conseguiu segurar a ansiedade de ter que esperar mais um caso de derramamento de óleo ocasionado pela escola anterior. Hoje mais leve, atrasou o desfile em cerca de meia hora, mas não atrapalhou.

barrocazonasul desfileoficial2022 5

Mas sem dúvidas, Carlinhos de Jesus foi o responsável por fazer todos os olhares se virarem para a Faculdade do Samba. Além do excelente desempenho da comissão de frente, foi um dos grandes responsáveis por fazer o público cair no samba e se render a homenagem a Zé Pilintra, que abençoou o desfile da Barroca Zona Sul logo após ter desfilado lá no Rio de Janeiro com Exu pela Grande Rio. Será que pegaram a ponte aérea para seguir brincando o carnaval? Veremos o resultado disso na próxima terça-feira.