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Responsável por dar vida a escola, bateria da UPM representa as raízes da Iroko e mostra que recomeçar é um dos segredos para o sucesso

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UPM04bA Unidos de Padre Miguel passou na avenida nesta última quinta-feira, 21 de abril com o enredo ‘Iroko-É TEMPO de Xirê’. Iroko é a própria existência dos ciclos da vida, seus surgimento, fim e recomeço. Responsável por fazer a escola pulsar na avenida e trazer vida ao público, a bateria da escola vinda de Padre Miguel passou na Sapucaí simbolizando as raízes de Iroko.

“Tô muito contente em estar nesse enredo que traz a ideia do coletivo e inspira a superar as coisas. Vindos desses dois anos difíceis, nos conversamos muito sobre superação esse ano. Com o trabalho do mestre Dinho e uma fantasia leve, bonita e que representa força, nós estamos na briga pelo título”, disse Luvique Viana, o Beethoven da UPM ao site CARNAVALESCO.

Com bateria de mestre Dinho afinada e entrosada com o carro de som, a UPM entregou vida ao público que conferiu seu desfile, mas nem só de trabalho dos ritmistas se faz o sucesso. A fantasia estava impecável e linda.

Simples e de cor vermelha, a fantasia continha desenhos de vermelho sobre vermelho fazendo uma analogia a terra Iorubá e a ligação com as raízes da árvore sagrada. Ainda contou com detalhes dourados que significavam a riqueza da vida e os famosos búzios utilizados na religiosidade Iorubá com funções diversas.

A fantasia aparentemente não atrapalhou o desempenho dos ritmistas, pelo contrário, como dito acima ela contribuiu para o sucesso do quesito. Tal sucesso foi acompanhado de perto pelo mestre Dinho.

“Nesse país com racismo tão forte, é muito importante a escola trazer um enredo que mostra aspectos da Negritude, valoriza o preto e sua essência. Acompanhei todo o processo com muito orgulho e felicidade, inclusive a criação da fantasia da bateria, porque nosso carnavalesco mostrou todos os protótipos e gostei de tudo” disse mestre Dinho ao site CARNAVALESCO.

Mães semeadoras, baianas da Unidos de Padre Miguel encantam Marquês de Sapucaí

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UPM03dQuinta escola a desfilar na segunda noite de desfiles da Série Ouro, a Unidos de Padre Miguel resgatou suas raízes, com sobre o orixá Iroko, na Marquês de Sapucaí. Representando as Iamas, guardiãs do ventre do mundo e da ancestralidade feminina, a fantasia da ala de baianas do Boi Vermelho da Zona Oeste encantou o público com sua beleza.

De volta à escola após 3 carnavais afastado, o carnavalesco Edson Pereira presenteou as senhoras da Vila Vintém com uma bela fantasia que misturava tons de bege, lilás e branco e tinha direito a led nas saias. Além disso, a roupa contava com uma bela asa nas costas e uma coruja rosa nas cabeças das componentes.

Em entrevista ao Site CARNAVALESCO, as baianas da Unidos de Padre Miguel teceram muitos elogios à roupa desenvolvida pelo carnavalesco da escola. A maioria considerou a fantasia pesada, mas o amor pela escola e a confiança no retorno ao Grupo Especial, após anos, as fizeram esquecer o peso da roupa.

UPM03aA professora de história Renata Mota, com anos de experiência na avenida, colocou a fantasia na lista das mais bonitas com as quais já desfilou. A carioca de Padre Miguel confia que, após bater na trave nos últimos anos, a UPM, dessa vez, conquistará o tão sonhado título, que garante o retorno à elite do carnaval carioca.

“A fantasia está linda, é uma das mais bonitas que eu já vesti em todos os muitos anos que sou e essa é uma das mais bonitas. Estou muito emocionada. Ela é um pouco pesada, principalmente as asas. Mas, estou muito confiante, agora a gente vai, tenho certeza.”, afirmou a professora.

Também de Padre Miguel, a cuidadora de idosos Dinorá também elogiou a fantasia da ala das baianas. Confiante no campeonato, a baiana supera o peso da roupa, pelo amor ao Boi Vermelho da Zona Oeste.

“A fantasia é muito linda, eu adorei e não esperava que esse que a Unidos de Padre Miguel esse ano viesse ainda mais bonita do que nos últimos carnavais. Ela é um pouco pesada, mas dá para levar tranquilo e vamos ganhar esse campeonato”, contou.

UPM03gNilopolitana, Cássia Dornelles foi parar na Unidos de Padre Miguel por amor ao samba e em solidariedade à escola. “Amizades, uma escola precisa de baiana aí me chamam. Uma escola sempre precisa ajudar a outra. Estamos aqui para somar.” Apesar de não ser torcedora da escola, Cássia garante estar sempre confiante no bom desempenho da Unidos.

“Eu amei a fantasia, não está pesada, está confortável, melhor que nos últimos anos. Como baiana, estou aprovando demais a fantasia. Estou muito confiante no título, a gente sempre acha que vai ganhar, não podemos entrar achando que vamos perder. Nós só queremos ganhar, mais nada.”, disse.

Tem sulista no samba? Diretamente de Curitiba, capital do estado do Paraná, Débora Bonfim desembarcou na Marquês de Sapucaí para desfilar pela Unidos de Padre Miguel. Estreante na avenida, a curitibana se apaixonou pelo Boi Vermelho ao vê-lo, de longe, desfilar.

Torço pela Unidos de Padre Miguel, sempre acompanho a escola. Vim de Curitiba para desfilar, pela primeira vez. A fantasia é linda e ela ainda tem led, nós vamos brilhar na avenida, é bem legal. Ela é pesada, mas é confortável, não é um peso extremo. Baiana tem bastante peças mesmo. Estou muito confiante no título, contou Débora.

Resgatado pela escola, Boi Vermelho brilha em belo pede-passagem da Unidos de Padre Miguel

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UPM02dQuinta escola a pisar no solo sagrado da Marquês de Sapucaí, a Unidos de Padre Miguel encantou o público com o enredo “Iroko-É Tempo de Xirê”. Na frente da escola, em um tradicional “pede-passagem”, o boi vermelho, símbolo resgatado pela UPM nos últimos anos, abriu os caminhos para o desfile da escola.

Com a sigla da escola à frente, “UPM”, o pede-passagem, de nome “O Boi Vermelho da Vintém pede passagem, trazia, além do boi, com movimentos, as matas de Iroko, orixá homenageado, estamparias africanas e uma destaque central, representando Oduduá. Com galinhas da angola nas laterais, o elemento alegórico anunciava o “tempo de xirê”, que é a festa dos orixás, realizada pela escola para exaltar arvoré-orixá”.

Apesar de popularmente a escola ser conhecida como Boi Vermelho, o animal durante muitos anos ficou fora do símbolo da escola. Após muitos carnavais com as “duas mãos” como emblema, a Unidos de Padre Miguel resgatou o animal, que se difundiu rapidamente no mundo do samba

UPM02aEm entrevista ao Site CARNAVALESCO, o diretor de alegorias da Unidos de Padre Miguel, Flávio Coelho , responsável pelo pede-passagem, falou sobre a questão da importância do resgate do símbolo e da representação do elemento alegórico.

“Esse pede-passagem traz o nosso símbolo, que foi reinventado pela escola porque o Boi Vermelho é o símbolo original da escola, desde a fundação, sempre foi o boi e durante muitos anos, foram as duas mãos e, de uns anos pra cá, a Unidos de Padre Miguel voltou com o boi vermelho, que é o símbolo da nossa escola”, contou.

De volta à escola depois de três carnavais, o carnavalesco Edson Pereira resgatou as características de desfile da UPM, plasticamente grande e com a pegada africana do povo da Vila Vintém. Confiante, o diretor Flávio acredita no título da escola e no retorno ao Grupo Especial.

“A gente espera a vitória esse ano. Estamos com carros belíssimos, ótimas fantasias e a forte comunidade da Unidos, que é muito forte, como todos sabem, está muito empenhada em busca de ganhar o título e retornar ao Grupo Especial”, concluiu.

Na terceira alegoria da Unidos de Padre Miguel, o encontro de Iroko com Obatalá

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UPM01dNo segundo dia de desfiles na Marquês de Sapucaí, a Unidos de Padre Miguel marcou presença com o enredo ‘Iroko – É tempo de Xirê’. Sendo Iroko a árvore da vida, a provedora dos alimentos da vida e é representação dos ciclos, a escola apresentou na sua terceira alegoria o encontro de Iroko com Obatalá, o mais velho dos orixás.

Como o primeiro orixá criado por Olodumarê, Obatalá, contração de Oba-ti-ala, o rei em vestes brancas, é a raiz de todos os orixás. Na terceira alegoria da UPM, Obatalá e Iroko foram apresentados como uma combinação harmônica e necessária.

O carro levou para avenida muita luz, mas sem abusar do branco. Investiu nas cores amarelo, dourado, verde e laranja. Na parte inferior foram vistos animais tradicionais do território Iorubá, como grandes felinos e borboletas. Entre eles encontravam-se as composições de alegoria vestidas numa roupa predominantemente branca e detalhadas em tons que remetiam à terra, nas fantasias também foram vistas sementes que fazem analogia a alimentação promovida por Iroko.

UPM01aAcima dos seres da terra, estava uma leitura do globo terrestre pela perspectiva Iorubá. Ao redor deste globo, a roda dos orixás que moldam, abençoam o reino da matéria e formam o exército de Orúm. Toda essa beleza vista sob as asas da pomba branca vinculada a imagem de Obatalá e significando o equilibro da paz no mundo da matéria.

Essa paz na matéria é o que precisa o povo carioca e brasileiro. Contou ao site CARNAVALESCO a Cintia Zacone, uma das componentes que desfilou em cima da alegoria da UPM

“Estou animada em estar nesse carro, é muita responsabilidade. O carro traz o significado da paz e é isso que o povo carioca, brasileiro e do mundo todo quer. Nesse 2022 já vimos tanta gente fazendo o mal, vimos surgir guerras… a gente precisa de paz e a UPM traz isso nesse carro” disse Cintia Zacone

Outra componente do carro também falou com a equipe do site CARNAVALESCO e ressaltou o simbolismo da paz carregado por ele.

“Muito bom estar com essa roupa que ajuda a montar esse carro que traz a paz. Ela é tudo que o brasileiro precisa agora.”, contou Kelly Prado.

Análise da bateria da Santa Cruz no desfile de 2022

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A bateria Tabajara da Zona Oeste de Mestre Riquinho fez uma apresentação próxima de correta. Algumas imprecisões e oscilações foram percebidas por parte dos marcadores, mas nenhuma delas de forma destacada em frente a jurado. A batida das caixas de guerra não apresentou uniformidade em sua batida, mas sem gerar consequência à unidade rítmica, devido a qualidade dos ritmistas do naipe.

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No acompanhamento de peças leves uma ala de tamborim com bom volume ajudou a preencher a musicalidade, assim como o naipe de agogôs executou seu toque pautado nas variações melódicas do samba da escola. O breque de subida foi executado de modo constante, trazendo bom valor sonoro ao ritmo, com tamborins efetuando tapas no contratempo no final do mesmo. O destaque musical ficou a cargo da complexa paradinha do refrão do meio.

Já a bossa do refrão do meio iniciou com ritmo de afoxé no toque dos surdos, terminando com solo de timbal com agogô. A apresentação da bateria da Santa Cruz no último módulo de julgadores acabou sendo prejudicada pela harmonia da escola, que pediu para os ritmistas acelerarem o passo sem necessidade, já que haviam cinco minutos para o fim do desfile com tempo hábil suficiente para isso.

Estrela do Terceiro Milênio une luxo a técnica e mostra que está pronta para o Grupo Especial

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A quinta escola do Acesso I a entrar na avenida foi a Estrela do Terceiro Milênio. Com o enredo “Ô abre-alas que elas vão passar”, a agremiação iniciou seu desfile às 0h04min. Ao longo dos 57 minutos que esteve na passarela, se viu uma escola organizada, luxuosa e aguerrida. As paradinhas e coreografias da bateria chamaram bastante atenção do público, gerando uma grande interação com quem estava no Anhembi. Outro ponto positivo na parte musical foi o ótimo entrosamento entre a intérprete Grazzi Brasil e Pitty de Menezes. Ambos conduziram o samba mediano da agremiação com bastante qualidade e entusiasmo. Nos quesitos plásticos, a Milênio fez seu dever de casa durante os dois anos de preparação e trouxe em seu desfile alegorias luxuosas, bem-acabadas e de muito bom gosto. Sem erros grosseiros, somando plástica e harmonia impecáveis, a entidade se credencia como uma das favoritas a conquistar uma vaga no grupo de elite do carnaval paulista.

Comissão de frente

Responsável por sintetizar coreograficamente o que o enredo da escola se propõe, a comissão de frente da Terceiro Milênio, coreografada por Paula Gasparini, dividia-se na apresentação de três personagens. Eva, que possuía dois figurinos diferentes. Apesar de ambos serem vestidos, um era mais despojado, na cor prata, remetendo à dançarinas de shows. Já o figurino dois era um avental acoplado. Uma versão carnavalizada de donas de casa nos anos 50. O segundo personagem da comissão era o homem, trajado de social, porém também carnavalizado, o terno tinha alguns traços de pintura pop art. A terceira personagem era Lilith, nas cores em degradê, iniciando pelo barro, passando pelo vermelho, alternando para o pink até chegar no rosa. Essa indumentária é uma alusão à primeira mulher que foi criada. Feita do mesmo barro que o homem, e que depois se distingue, formando o espectro feminino.

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Essa fantasia se destacava pelas cores e também pelo mosaico artesanal que foi construído em espelhos por cima do macacão que cobria da cabeça aos pés. Compondo alegoricamente a comissão, a escola levou um gigantesco elemento alegórico em formato de gaiola, com adereços que lembravam as cozinhas dos anos 50. A coreografia se da principalmente com as Liliths cravando uma briga com os personagens do sexo masculino. Quando as Liliths venciam a batalha, a dama aprisionada também se libertava da gaiola, arrancando suas roupas de cozinheira e indo de encontro as Liliths que estavam a frente da gaiola. Tal feito garantiu a comissão aplausos dos espectadores.

Mestre-sala e porta-bandeira

Formado pela dupla Daniel de Vitro e Edilaine Campos, ele representava o samba e ele o carnaval. Trajado com uma roupa nas cores preto e branco, com costeiro circular de faisões pretos com outras pequenas penas contrastando nas pontas. O mestre-sala esbanjava carisma e segurança na condução da sua dama. A porta-bandeira vestia uma indumentária recheada de faisões e plumas na mesma cor de seu companheiro. Acima da saia e das penas, detalhes de notas musicais e pandeiros chamavam bastante atenção pelo brilho e forma com que foi bem-acabado.

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Harmonia

Abertura da escola iniciou canto muito forte e esse canto permaneceu durante o tempo que a escola esteve na avenida. As alas cantavam com bastante garra o samba-enredo. Nos refrões, principalmente no trecho “lugar de mulher é onde ela quiser” as mulheres batiam no peito e esbravejavam. Gerando mais uma vez conexão positiva com arquibancadas e camarotes. Outro trecho que foi muito exaltado é “será mulher, que lhe deram o real valor?”. Nessa parte a bateria parava e fazia a pergunta apontando para as arquibancadas dos dois lados. Todas as vezes que essa paradinha foi executada os componentes da escola corresponderam.

Enredo

O enredo “Ô abre-alas que elas vão passar”, desenvolvido pelo carnavalesco Murilo Lobo, apresentava uma grande homenagem com intuito de reverenciar as corajosas mulheres que se destacaram na história do samba. Recordando que elas romperam as fronteiras do lar, da cozinha, e adentraram no terreno musical. Dividida em três setores, a agremiação levou em 14 alas mulheres que fizeram história. Três alegorias nomeadas de Tia Ciata, Clementina de Jesus e Mulheres do Carnaval costuravam o enredo. O primeiro setor apresentava o samba e o carnaval, com a pioneira Chiquinha Gonzaga, mulher responsável por compor a primeira marchinha de carnaval. Em seguida, prestou-se uma homenagem às damas do rádio. Nomes como Carmem Miranda – baianas -, Aracy de Almeida e Elizeth Cardoso estavam presentes nas alas desse setor. Fechando o carnaval da escola, o terceiro setor homenageou mulheres da própria folia momesca: Elza Soares, Alcione e Jovelina Pérola Negra foram algumas das mencionadas. Destaque para primeira ala que além de ser coreografada estava com samba inteiro na ponta da língua.

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Evolução

De ponta a ponta a Milênio se desenvolveu de forma leve e muito bem organizada. Seus componentes estavam atentos aos possíveis buracos e tratavam de preenche-los. Mesmo com paradinhas e coreografias que podiam desconcentrar, a comunidade da escola desfilou de maneira linear cumprindo o objetivo que é proposto pelo desfile de escola de samba. Não foi parecido com um desfile cívico, porém, também não foi apenas oba-oba.

Samba

A condução de Grazzi Brasil é Pitty Menezes foi a grata surpresa musical da noite. O samba, que não é o mais rico em poesia do grupo, foi muito bem conduzido pelos dois cantores. Dava a impressão de que ambos cantam juntos há bastante tempo. Um soube respeitar o tempo do outro, tanto na condução quanto na inserção de cacos. No retorno das paradonas o samba voltava no tempo certo, sem atravessar o ritmo e “conversava” corretamente com a bateria da entidade.

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Fantasias

Homenagens não faltaram nas fantasias da agremiação. Nomes populares do próprio carnaval e da música fizeram parte do desfile. O carnavalesco soube mesclar muito bem sua paleta de cores. Ora a escola estava mais clara, ora por escura. Mas sempre mantendo uma coesão.

Alegorias

Seguindo a mesma proposta das fantasias – e do enredo – de ser homenagem para determinadas mulheres, as alegorias se destacavam pelo tamanho e riqueza de detalhes. No abre-alas, que tinha o intuito de consagrar tia Ciata e sua participação na criação do samba, via-se na frente o letreiro com o nome da agremiação. Nas laterais da primeira parte do carro, os adereços faziam uma espécie de fonte de água, já apresentando a grande escultura de Oxum que viria centralizada. Interligando o acoplado dos carros, havia uma escadaria onde um grupo coreográfico ficava posicionado, representando os filhos de santo de tia Ciata. Esses estavam vestidos de iaos e a segunda pele nas cores da galinha de angola. Na cabeça uma pena vermelha de ecodidé chamava atenção. Esses itens são muito importantes para o culto do candomblé. Concluindo a segunda acoplagem desse carro, uma grande escultura da matriarca vinha segurando um tabuleiro.

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A segunda alegoria apresentava a ancestralidade negra presente em toda vida e obra de Clementina de Jesus, incluindo sua luta contra o preconceito racial. O carro continha em toda sua extensão elementos culturais do continente africano, como dentes de marfim, escudos e tecidos. Uma escultura de uma mulher negra de boca aberta e punho cerrado estendido chamava atenção nesse carro. O carro se destacava pelo trabalho artesanal em toda sua extensão. Na parte de trás, a escola trouxe uma escultura em tons marrons de Nossa Senhora da Glória, santa de devoção de Clementina. Ao redor da imagem, borboletas africanas representavam a transformação que ocorreu na vida da cantora.

Encerrando o desfile, a terceira alegoria trazia as mulheres do carnaval para receber os aplausos do público. Porta bandeiras, musas, presidentes, intérpretes, baianas, assistentes sociais, destaques, velha guarda, embaixatrizes, figuras importantes do carnaval estiveram presentes. Nessa alegoria também veio a mascote da escola, uma coruja, que apesar de não ser das maiores, estava muito bem acabada. Essa última alegoria toda em tons de rosa e roxo fechava a paleta de cores da escola de maneira agradável.

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Outros destaques

Os paradões da bateria no refrão principal eram ovacionados pelas arquibancadas e camarotes que correspondiam cantando a letra por inteiro. O Anhembi ia delírio em uma só voz cantando forte. Bateria leve com fantasia agradável de malandro, porém o vermelho tradicional deu lugar ao rosa. Baianas de Carmem Miranda giravam nos refrões e na segunda do samba, onde são mencionadas de forma literal na letra do samba.

Independente Tricolor traz os males encarados pelos brasileiros na história em desfile de protesto

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Quarta escola a pisar na avenida, a Independente Tricolor levou para a avenida o enredo “Brava gente, é hora de acordar!” com a proposta de mostrar os problemas que o povo brasileiro sofre desde os tempos da colonização. Com destaque para a dança vibrante do casal de mestre-sala e porta-bandeira, o bom desempenho da bateria e a sinergia entre todos os componentes, a agremiação terminou sua apresentação com 57 minutos sem demonstrar nem um pouco de preocupação.

Comissão de frente

A comissão de frente da tricolor, de nome “Brava Gente” e liderada pelo coreógrafo Arthur Rozas, fez uma apresentação segura, com duas encenações diferentes que ocorreram ao longo de uma passagem do samba cada. A coreografia, porém, foi engessada e de interpretação confusa na pista, acabou não animando o público. Pode garantir os pontos na hora da apuração, mas não mais do que isso.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Em compensação, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Independente, Jefferson Antônio e Thais Paraguassu, foi um dos grandes destaques do desfile. Felizes com sua dança, o casal se soltou e bailou de forma animada e com grande sincronia, bem de acordo com o esperado dos representantes do quesito. Vieram representando indígenas junto de um conjunto de guardiões, todos com suas fantasias de nome “Os donos da terra”.

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Harmonia

O canto da escola começou em alto nível, com destaque para a grande animação da segunda ala, que vieram vestidos da ave mitológica Fênix. Outro momento de grande destaque foram os apagões da bateria, onde ficou visível o canto vibrante e elevado de toda a comunidade. As crianças do terceiro carro também chamaram atenção por estarem com o samba na ponta da língua. O quesito pode ser um diferencial no dia da apuração.

Enredo

A Independente apresentou um enredo de leitura fácil. Os setores vieram representando desde o período da colonização até os tempos atuais, passando por todos os problemas que os brasileiros encaram desde a chegada dos europeus. Da invasão dos colonizadores à injustiça social, a apresentação e encerrando com uma mensagem de esperança por uma nação de fato independente, tal qual o nome da escola.

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Evolução

A evolução da escola foi impecável. Todo o desfile transcorreu com grande tranquilidade e não foi observado nenhum momento de tensão. Muitas alas estavam animadas e brincaram ao som dos ritmistas da tricolor. Tecnicamente, nada a contestar do desempenho técnico da escola.

Samba-enredo

A animação dos componentes, porém, encontrou uma barreira na hora de se transmitir ao público presente no Anhembi. O samba da escola, burocrático e sem nenhum ponto de grande destaque, não empolgou e apenas chamou atenção nos momentos de apagões e bossas. Os refrões possuem versos pouco harmoniosos, o que prejudicou na hora da transmissão da mensagem, por mais que tenha sido bem interpretado por Rafael Pinah.

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Fantasias

Em geral belas, as fantasias da Independente oscilaram entre momentos de fácil e difícil interpretação. As alas do terceiro setor conseguiram transmitir bem suas mensagens, porém no segundo, alas como a das baianas, que representaram a intolerância religiosa, foi difícil de compreender. Alguns adereços foram comprometidos, como as correntes de algumas fantasias da ala Correntes da Opressão.

Alegorias

Com um abre-alas grande e de acabamento impecável, o conjunto alegórico da Tricolor conseguiu transmitir com grande facilidade suas mensagens, iniciando com o tema “O monstro do terceiro mundo”. O segundo carro, “O circo da injustiça social”, veio com a frente na forma de um picadeiro com artistas coreografando, enquanto a parte de trás exibia uma grande favela bem caracterizada. Encerrou com o carro da Nação Independente, repleto de crianças muito bem inseridas dentro da comunidade como já citado anteriormente.

Outros destaques

A Independente Tricolor chamou atenção por conta do grande comprometimento de sua comunidade. Dentro da pista, a correspondência ficou explícita nas variadas bossas da bateria, e foi bonito de ver. As alas coreografadas, em especial a ala 15, “Manifestação: O despertar do povo”, fez uma apresentação fantástica e ajudou a dar uma animada na parte final do desfile da escola.

Mocidade Unida da Mooca apresenta ‘Aruanda’ com belo conjunto de fantasias

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A Mocidade Unida da Mooca foi a terceira escola a passar no Sambódromo do Anhembi, em desfile válido pelo Grupo de Acesso 1. Com um enredo afro, a agremiação fez um desfile correto, buscando se manter dentro do esperado pelo regulamento. Destaques para a cabeça da escola, onde a comissão de frente fez grande apresentação e contou com um gigantesco carro Abre-alas, e presença do intérprete consagrado Ito Melodia no carro de som. A apresentação do enredo “Aruanda – O Eterno Retorno” foi finalizada em 55 minutos, com grande tranquilidade.

Comissão de Frente

Um ritual de invocação marcou apresentação da comissão de frente. A coreografia contou com o apoio de um tripé que servia de templo, onde Exu, protegido por anjos guardiões, observava a todos e adentrava na pista para liderar as incorporações de filhos de santo por Zé Pilintra e Preto Velho. Nesse momento, os personagens eram vestidos rapidamente e assumiam um estilo único, sempre um de cada vez, e eram seguidos em uma apresentação pelos demais componentes. A interpretação durava exatas duas passagens do samba, e foi uma bela maneira de iniciar um desfile com essa temática, que foi assinada pelo coreógrafo Nildo Jaffer.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Jefferson Gomes e Monalisa Bueno defenderam o pavilhão principal da Mocidade com uma apresentação segura e bem sincronizada. O casal, que representou Exu Mensageiro e o Poder da Fé, eram protegidos por guardiões vestidos de “A Nobreza da Noite” e compuseram belo conjunto. A dança foi bem executada em frente a diferentes módulos, o que pode ser um bom sinal nas pretensões da escola.

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Harmonia

Esperava-se mais do canto da escola com base no visto nos ensaios. Foram percebidos clarões em diferentes momentos, e não houve grande destaque de alguma ala no quesito. O samba foi bem interpretado pelo carro de som, mas a comunidade aparentou não corresponder à altura, o que acabou fazendo a bateria fazer uma apresentação mais conservadora. Pode ser um quesito problemático na hora da apuração.

Enredo

De leitura fácil, o desfile começou apresentando Luanda antes da chegada dos europeus, cuja invasão foi representada pelo carro Abre-alas. A partir desse momento, o público é apresentado a diferentes figuras que compõem a falange de Aruanda, que é o nome que foi dado pelos escravos ao local sagrado onde as entidades se localizam e tem origem no desejo de retornarem a sua terra natal. Por fim, diferentes manifestações culturais das religiões de matriz africana são representadas, no desfecho de um desfile linear e didático.

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Evolução

A Mocidade não precisou correr para finalizar seu desfile e passou com tranquilidade, mas alguns erros básicos em diferentes pontos foram observados. A ala Boiadeiros perdeu-se na organização em frente ao segundo carro da escola, e ficou visivelmente disforme na região do segundo módulo, a ponto de os chefes de ala repreenderem severamente os componentes. Logo após a saída do primeiro recuo, a bateria arriscou uma bossa, mas para isso parou de andar, enquanto a ala da Congada acabou avançando por um trecho considerável.

Samba-Enredo

O samba da escola da Mooca conseguiu contar com clareza os diferentes momentos do desfile. O rendimento na pista, porém, ficou abaixo do esperado e transmitiu uma frieza inesperada para o nível da obra. O carro de som ficou devendo e não apresentou nenhum momento de grande destaque, tendo atuação muito protocolar.

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Fantasias

Ponto forte da escola na apresentação, o público foi agraciado com um belo conjunto de fantasias. O desfile começou muito bem, com a ala das baianas representando as águas das praias de Luanda, a espuma branca e nzimbos, conchas que eram utilizadas como moeda de troca pelos povos da região. Com grande volume, as roupas dos componentes formaram um belo tapete colorido por toda a avenida e eram de fácil leitura, todas dentro da proposta do enredo.

Alegorias

A Mocidade iniciou seu desfile com um carro Abre-alas imponente, que retratava a chegada dos invasores nas praias de Luanda. Composto por dois eixos, retratou com qualidade a proposta do enredo e serviu para dar um gás inicial no desfile da escola. Os demais, porém, ficaram em um nível abaixo do primeiro e foram de difícil leitura, além de acabamento explicitamente mais simples.

Outros destaques

O discurso do presidente da agremiação, Rafael Falanga, marcou o início da apresentação da escola ao fazer uma crítica velada ao julgamento do carnaval de 2020, onde na visão dele a Mocidade fez um carnaval “campeão”. À frente da bateria, a rainha Camila Silva interagiu com o público e fez a sua parte para levantar o astral da apresentação, no geral, segura da Mocidade.

Fotos: desfile da Santa Cruz no Carnaval 2022

Análise da bateria da Estácio no desfile de 2022

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A apresentação da Bateria Medalha de Ouro de Mestre Chuvisco foi muito boa. A boa afinação de surdos foi notada. As caixas de guerra tradicionalmente carregadas pelo braço, sem uso de talabarte, serviram de base rítmica para as demais peças com seu toque característico. O acompanhamento acima da média das peças leves preencheu o conteúdo rítmico com exatidão e qualidade. Os agogôs pontuaram melodicamente o samba.

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O toque do naipe de chocalhos casou com a ala de tamborins, que executou a convenção rítmica repaginada do Carnaval de 1995, contribuindo de modo efetivo com a sonoridade da bateria da Estácio. As paradinhas estacianas uniram complexidade de execução, ótima concepção musical, bem como movimentos interativos que receberam ovação popular durante o desfile.

O destaque como arranjo musical ficou com a paradinha do refrão do meio, que no início da segunda fez as caixas tocarem no ritmo da tradicional Charanga Rubro Negra, adequando sua proposta sonora ao enredo da Estácio. As bossas foram bem executadas nos julgadores, ampliando a sensação de grande trabalho efetuado por Mestre Chuvisco e os ritmistas da escola do morro do São Carlos. Um autêntico sacode da bateria da Estácio de Sá.