Início Site Página 1166

“Pavão Cósmico”: Símbolo da Tijuca pede passagem para o desfile da escola na Sapucaí

0

Tijuca03Com o enredo “Waranã-A Reexistência Vermelha, a Unidos da Tijuca, quinta escola a pisar na Sapucaí, apostou na temática indigena, na estreia do carnavalesco Jack Vasconcelos pela escola. Logo no início do desfile, a escola trouxe um pede-passagem, elemento que anuncia a chegada da agremiação na avenida, com o símbolo da escola, o pavão.

Representando o “Pavão Cósmico”, o elemento abria os caminhos para a história que a escola contou, a saga do povo indigena Sateré-Mawé. Esteticamente, para o pede-passagem, o carnavalesco Jack Vasconcelos apostou nas cores quentes, que permearam todo o desfile, com um laranja bem forte e um azul, de contraste. Além disso, o pede-passagem trazia um letreiro em amarelo e azul, com o nome da escola.

Em entrevista ao Site CARNAVALESCO, a responsável pelo pede-passagem, Rafaela Amaral, falou sobre a representatividade do elemento no desfile, logo na abertura da escola do Borel.

“Ele é o pede-passagem da escola, que traz nosso símbolo maior, que é o pavão. Ele vem logo depois da comissão e do casal pedindo passagem para que dê tudo certo porque a escola está muito bonita.”, contou.

No carnaval, é muito comum o uso do símbolo da escola logo no início de seu desfile, como a águia da Portela, o Tigre da Porto da Pedra, o Boi Vermelho da Unidos de Padre Miguel e outros, muitas vezes para puxar a emoção dos componentes e torcedores. Tijucana apaixonada, Rafaela falou sobre a representatividade do símbolo da escola para os corações tijucanos.

“O pavão representa tudo para nossa escola, a gente o carrega na bandeira, nosso símbolo maior. É o que a gente mais admira e cultua na escola. Nos emociona muito o pavão logo na nossa abertura”, contou.

Por fim, ao ser questionada sobre as possibilidades de título de sua escola, a Unidos da Tijuca, Rafaela preferiu manter “os pés no chão”. Apesar de confiante, ela prefere esperar o resultado da apuração.

“Está muito cedo ainda, tem muita escola para desfilar. Mas, a escola tá bem bonita, a equipe tá bem forte e vai dar tudo certo. Só queremos fazer o nosso e torcer lá na terça-feira.”, disse.

Comissão de Frente encanta, mas Mocidade comete erros de evolução e peca no acabamento de alegorias

1

Com enredo em homenagem a Oxóssi, padroeiro da escola, a Mocidade desfilou na madrugada deste domingo na Marquês de Sapucaí. A escola se destacou bastante com a Comissão de Frente, no samba, que foi bastante cantado no Sambódromo, e no bom conjunto de fantasias. Contudo, a agremiação apresentou graves erros de evolução por conta um problema no abre-alas. A Estrela Guia também pecou no acabamento de algumas alegorias, em apresentação que durou 68 minutos. * VEJA FOTOS DO DESFILE

desfile mocidade 2022 109

Comissão de Frente

Coreografada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon, a Comissão de Frente, nomeada como ‘Oxóssi é Caçador de Uma Flecha Só’, teve 15 componentes, todos homens. O primeiro segmento da escola promoveu uma encenação de um dos itans de Oxóssi, onde o orixá encerra sofrimento de uma aldeia enfeitiçada por uma bruxa. Caçadores tentaram eliminar o mal, mas sem sucesso, aí é a vez de Oxóssi, conduzido por guias da natureza, que com a flecha única e certeira, consegue acertar a ave assombrava a região.

desfile mocidade 2022 095

Os caçadores vieram com tambores, que acendiam em led aos batuques dos dançarinos. No módulo três, no setor seis, no entanto, dois elementos não acenderam. Alguns tambores também apresentaram acabamento deficitário. Contudo, a coreografia foi executada de forma impecável e no fim, a flecha de Oxóssi, em verde neon, era lançada ao ar com um drone, e acertava o pássaro, representado por um homem em um alto elemento cênico. Toda apresentação durou cerca de três minutos.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira simbolizou Mutalambô, a face divina da natureza do caçador. A intenção foi passar a mensagem a força das mulheres caçadoras e valentia dos guerreiros. Ainda na simbologia da coreografia, ao unir virtudes dos dois, Oxóssi se converte em Mutalambô, deus da caça, fartura e abundância. Diogo Jesus vestia roupas em dourado com tons de verde, esplendor com flecha e riqueza de detalhes na fantasia. O figurino de Bruna Santos tinha saia branca com detalhes verdes nas pontas e esplendor com flechas atrás. Os dois passaram sem erros em todos os setores, demonstraram sincronia, e elegância na apresentação, que durou cerca de 2m15s.

desfile mocidade 2022 004

Harmonia

A escola se destacou bastante no canto, e teve o samba bastante entoado na Sapucaí. As bossas da bateria também impulsionaram ainda mais a escola, que gritava o refrão, assim como as arquibancadas. As alas também passaram bastante animadas, cantando e brincando. Destaque para a ala 11, ‘As Penas de Oxalá: Ministro Sagrado do Reino’ que evoluiu muito bem no canto, assim como a ala seguinte ‘Os Alaketus: Os Reis da Cidade de Ketu’.

Enredo

No primeiro setor, a Mocidade promoveu uma grande anunciação a Oxóssi. Naquele momento, foi abordado a ancestralidade desse grande batuque com o toque do agueré. Na sequência, a escola explicou as origens do orixá, onde nasceu, família, com outros orixás, como Exú, Ogum, Iemanjá. A intenção aqui também foi explicar o motivo de Oxóssi ser o orixá da caça, com ajuda de Ogum e conselhos de Ossain. No terceiro setor, a Mocidade contou os itans, lendas relacionadas a Oxóssi com outros orixás como Iansã, Otim, Oxumaré e Oxalá.

desfile mocidade 2022 060

O quarto setor da escola já faz uma abordagem de Oxóssi na chegada ao brasileiro passando pelo sincretismo religioso, onde no catolicismo se transforma em São Sebastião. Mostra também a mistura das religiões de matriz africana com a indígena brasileira para o surgimento também da Umbanda. O setor também fez uma referência às casas de Candomblé pelo país com tema central na casa de Tia Chica, por onde chega a cultura dos ritmos africanos, como o agueré. O último setor rendeu uma grande homenagem à bateria ‘Não Existe Mais Quente’, que tem como marca essa ancestralidade do agueré.

Evolução

A questão mais problemática da Mocidade ficou por conta do quesito evolução. Logo no início, a escola abriu um buraco em frente ao primeiro módulo por conta da dificuldade de locomoção do abre-alas. Os tambores acoplados à frente do carro tiveram não avançaram e precisaram ser empurrados. Ao passar pelo último módulo, os elementos foram desacoplados. O problema com o carro abriu outros buracos na Avenida, como no último setor. A escola evoluiu de forma retardada, ficou parada por vários minutos e no final precisou correr, e alas passaram rápido nos últimos setores. A primeira alegoria ainda soltou bastante água na pista, o que causou impacto na parte dos pés das fantasias de alguns componentes.

desfile mocidade 2022 103

Samba

O samba, que já era elogiado no pré-Carnaval, correspondeu na Avenida e foi bastante cantado pela escola. O refrão foi gritado pela comunidade, assim como o refrão do meio. Outras partes, como de ‘Samborê, pemba, folha de jurema’ até ‘Quem rege meu Orí, governa minha fé’. De ‘Oh, juremê, oh, juremá’ até ‘Mandiga de Tia Chica fez a caixa guerrear’ é outro momento do samba que se destacou. O carro de som, comandado por Wander Pires também teve ótimo desempenho.

desfile mocidade 2022 115

Fantasias

Logo na primeira ala, ‘Ancestralidade Independente’, a Mocidade mostrou beleza nas fantasias com bonito acabamento, muitos detalhes em verde e um grande elemento na cabeça. Os componentes vieram com bengalas, representando essa essência ancestral. Na sequência, a Mocidade trouxe alas fantasiadas com orixás que tem histórias ligadas a Oxóssi, como Exu, Ogum, Iemanjá, Ocô, Ossain, Otin, Iansã, Oxumaré e Ikú. Todos os figurinos apresentaram riqueza de detalhes, cores vibrantes, acabamentos impecáveis e criatividade de Fábio Ricardo.

desfile mocidade 2022 106

A ala das Baianas veio como ‘As Sacerdotisas do Terreiro’, como uma homenagem às ialorixás, as mães de santo. Com amuletos, riqueza de detalhes e bonita cabeça, a ala chamou atenção. A ala 18, ‘Caveiras e Muralhas: Os Guerreiros de Ketu’ apresentaram grandiosidade, em esplendores verdes, nas cores do orixá. No último setor da escola, a Mocidade reproduziu algumas fantasias de baterias da agremiação nas últimas décadas, de desfiles memoráveis da Estrela Guia, como ‘Ziriguidum 2001’, de 1985; ‘Chuê, Chuá, as Águas vão Rolar’, de 1991; ‘Sonhar Não Custa Nada’, de 1992; e ‘As Mil e Uma Noites de Uma Mocidade pra lá de Marrakesh’, de 2017, ano do último título da escola.

Alegorias

A primeira alegoria, ‘Toque da Anunciação: Um Destino Escrito nas Estrelas’ trouxe Orunmilá com seu Ozum. O símbolo da Mocidade é posicionado por Orunmilá no opon, tábua sagrada, enquanto olodés apontam ao arco e a flecha para todos os lados. Tamobores aparecem no primeiro carro, assim como nos demais, para simbolizar o batuque e o toque do agueré. A alegoria chamava atenção por muito verde e muito dourado e a escultura gigante giratório de Orunmilá. Contudo, a alegoria, contudo, apresentou problemas com os dois tripés que estavam acoplados, e estes exigiram muita força dos membros de apoio. Na sequência, Iroco, orixá do tempo, na figura de uma grande árvore, foi levada para a Avenida. Esta foi conduzida por odés, que se alimentam da árvore.

desfile mocidade 2022 090

O segundo carro da Mocidade trouxe um grande elefante como consta em um dos itans de Oxóssi. O carro remetia às savanas africanas com espumas em bege, contudo, o acabamento da alegoria deixou a desejar e forma vistas pedaços de pano soltos e partes coladas com fita aparente. Na sequência, a Mocidade trouxe a alegoria ‘Entre Tambores e Dores: Uma terra devastada’. O carro representava a destruição de Ketu com um africano esculpido e martirizado como parte central. O carro, contudo, também teve problemas de acabamento. Na sequência a escola trouxe um grande terreiro de candomblé com Tia Chica como destaque em escultura gigante. O carro era predominantemente branco e verde. Por fim, a escola trouxe uma grande homenagem aos mestres da escola em carro prateado, com a imagem de grandes personalidades da bateria, como André, Coé, Quirino, Jorjão, Bira. Os queijos dos destaques eram nos formatos de estrela e luzes verdes davam bom impacto visual.

Outros Destaques

A bateria do mestre Dudu, que veio na representação de Oxóssi, foi um dos destaques com bossas que levantaram a comunidade e as arquibancadas. O Castorzinho também chamou atenção na Sapucaí e foi requisitado pelo público para fotos.

Phelipe Lemos e Denadir Garcia defendem pavilhão da Unidos da Tijuca pela primeira vez

0

Tijuca02O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos da Tijuca, Phelipe Lemos e Denadir Garcia defendem o pavilhão da escola do Borel pela primeira vez. Os dois, que já são amigos de longa data, dançam juntos pela primeira vez.

Sobre esse encontro, Phelipe destaca que está muito feliz e o fato deles serem amigos ajudou muito no processo, ele ainda pontua que a experiência dela tem aprendido muito com a experiência dela.

“Eu tô muito feliz, eu e Denadir somos amigos há mais de 20 anos, a gente tem uma ligação muito forte, uma amizade muito forte, a cumplicidade é um ponto forte, isso ajudou muito na nossa preparação para o carnaval da Tijuca, fico feliz de poder dançar com uma pessoa que eu já admirava antes, uma pessoa experiente, sou fã do trabalho dela, pegar um pouquinho da experiência dela tá me fazendo muito feliz”, conta Phelipe.

Denadir destaca que o encontro aconteceu na hora certa, apesar da pandemia ter sido ruim, ela acredita que esses dois anos de pausa serviram para que o casal se entrosasse e se conhecesse melhor.

“Dois anos sem carnaval, uma tristeza profunda, mas apesar disso, serviu para que eu e o Phelipe pudéssemos nos conhecer melhor profissionalmente, na vida pessoal já éramos amigos, mas foi bom porque podemos estudar bastante um ao outro, estamos preparadíssimos, graças a Deus”, frisa a porta-bandeira.

A fantasia do casal é toda vermelha, eles contam que representa o próprio fruto do Guaraná, enredo da escola, segundo Phelipe, a fantasia faz composição com a comissão de frente.

“A gente vai vir representando o Guaraná, que é fruto da lenda do Waranã, a comissão de frente vai ter um ato que vai representar o nascimento da fruta, na sequência o casal vem representando a fruta do Guaraná”, conta Phelipe.

Denadir complementa a fala do parceiro e diz que o objetivo deles é devolver notas boas para a Tijuca no quesito, ela acredita ainda que a escola brigará pelo título.

“A gente vem representando a fruta do guaraná, a expectativa é grande, a Tijuca tá muito bonita, a comunidade está com uma força, com uma vontade muito grande de disputar o título, de vir nos desfiles das campeãs, a nossa proposta, é de resgatar uma nota boa de mestre-sala e porta-bandeira pra Tijuca, nós vamos com esse intuito pra avenida e tenho certeza que papai do céu vai nos abençoar”, conta Denadir.

Análise da bateria da Mocidade no desfile de 2022

1

A bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel de Mestre Dudu fez um grande desfile. Num enredo extremamente atrelado à história da bateria Não Existe Mais Quente (NEMQ), um ritmo altamente identitário foi produzido. As afinações invertidas de surdos proporcionaram um balanço intercalado entre repiques, terceiras e o excepcional naipe de caixas de guerra da bateria da Mocidade. A batida tradicional, com acentuação rítmica característica e peculiar foi um dos diferenciais do belo trabalho da cozinha da bateria. Tudo isso proporcionado por um andamento mais cadenciado, permitindo a fluência rítmica com equilíbrio entre os naipes se destacando.

desfile mocidade 2022 054

O acompanhamento das peças leves esteve excepcional. Tamborins foram exímios, uníssonos, adicionando grande qualidade sonora numa execução limpa e coesa dos dois desenhos rítmicos, além da contribuição sempre precisa em bossas. A subida “cascavel” dos chocalhos da Mocidade deu aquele brilho particular às peças leves, além de apresentarem sonoridade notável ao longo de toda pista. As paradinhas com concepção musical soberba, valorizaram o ritmo com movimentos simples, dando ênfase a arranjos musicais envolvendo tapas cheios de diversos naipes, produzindo um volume de destaque aliado a pressão de batidas secas, mas firmes.

Já a bossa iniciada na segunda do samba acrescentou uma sonoridade sublime, com direito a retomada da bateria da Mocidade nos tapas secos e chapados dos tamborins. A paradinha que evidenciou um solo de atabaques com agogôs de duas campanas (bocas) no refrão principal propiciou ovação popular quando os demais ritmistas passavam todo seu axé e depois formavam o arco e flecha vinculado à questão religiosa que fundamenta o tema da escola. Um acerto musical e cultural.

As passagens da bateria da Mocidade Independente pelos módulos de jurados ocorreram de modo fluído, exibindo um ritmo que foi aplaudido por julgadores, bem como recebido de forma empolgada por grande parte do público.

‘A disputa de samba mudou a minha vida’, diz Wic Tavares após estreia ao lado do pai Wantuir na Unidos da Tijuca

0

Tijuca01Filha de peixe, peixinho é! Wictória Tavares, mais conhecida como Wic, estreou no carnaval em 2013, no carro de som da Inocentes de Belford Roxo, com apenas 16 anos. Porém, a relação de Wic com o carnaval começou na Tijuca, quando aos seis anos de idade, conheceu o carnaval.

Neste ano, Wic estreia como intérprete oficial pela escola do Bora, ao lado de seu pai, o experiente Wantuir, ela diz que desde pequena acompanhava o pai e sempre sonhou com esse momento, ela comenta sobre os desafios, a expectativa e emoção em viver esse momento.

“Desde muito nova eu já desfilava na Sapucaí ao lado do meu pai. Eu olhava pra ele e tinha muita admiração. Aquilo era o máximo para mim. Sempre tive vontade de cruzar a Sapucaí cantando. Minha vida mudou após a disputa do samba deste ano e eu só tenho que agradecer à família tijucana. Eu to muito feliz, eu estou do lado de pessoas que eu confio, que me passam energia positivas, claro que eu a ansiedade é enorme, mas é como o samba diz, e eu acredito nisso”, disse emocionada.

Wantuir acredita que Wic tem total condições de se destacar na avenida, ele diz que ambos já cantaram juntos em outras oportunidades, mas que esse momento é muito especial e emocionante.

“Pra mim, ter a minha filha do meu lado é o meu maior presente na avenida, já desfilamos juntos em outras oportunidades, mas aqui é pauleira, confio muito nela, os ensaios foram ótimos e tenho certeza que essa dupla vai arrebentar na avenida”, comentou Wantuir.

O pré-carnaval da Tijuca foi marcado por alguma desconfiança, Wantuir pede respeito e diz que a escola é a maior campeã da última década, para ele, o samba é maravilhoso e a escola vai surpreender positivamente.

“A expectativa é a melhor, são 32 anos de avenida, posso dizer, sem humildade nenhuma, a Tijuca vai fazer acontecer, está beleza pura, o samba é maravilhoso, nossos quesitos são incríveis, tem que respeitar a Tijuca, somos a maior campeã da década passada”, destaca Wantuir.

Wic também fala sobre a importância e representatividade de uma mulher preta vir comandando um carro de som na Marquês de Sapucaí: “Pra mim é uma felicidade imensa, eu tô muito grata por ter esse espaço, poder representar todas as mulheres pretas, representando o samba e todas que sonham estar aqui”, conta a intérprete.

Mocidade Alegre 2022: galeria de fotos do desfile

0

Com o grito de ‘Basta!”, Gaviões da Fiel surpreende com desfile de protesto impactante

0

Segunda agremiação a entrada no Sambódromo do Anhembi, os Gaviões da Fiel trouxeram como enredo a palavra “Basta!”. Propondo-se a iniciar uma revolução em plena avenida, a escola não economizou na crítica e procurou chocar o público escancarando a dura realidade que muitas pessoas enfrentam todos os dias, além de relembrar os vários crimes cometidos contra a humanidade ao longo da história, como a escravidão, genocídios e devastação. * VEJA FOTOS DO DESFILE

gavioesdafiel desfileoficial2022 59

Cercado de muitas dúvidas por conta do grande atraso nos preparativos e as polêmicas que cirundaram todo o pré-carnaval da escola, a sensação foi de que um milagre aconteceu. A Torcida que Samba passou completa na avenida, com alegorias belas e de fácil leitura, e um conjunto de quesitos que surpreendeu até o corinthiano mais pessimista. Grande destaque para todo o elenco performático, da comissão de frente, passando pelo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e o teatro em cima das alegorias. Poucos esperavam alguma coisa positiva dos Gaviões, e isso pode ter sido um gás extra nas impressões positivas de todos que a viram passar no Sambódromo do Anhembi.

gavioesdafiel desfileoficial2022 1

Comissão de Frente

A Fiel Torcida iniciou sua apresentação do povo oprimido que luta pela liberdade, representado por Gaviões, contra os Monstros da opressão, em coreografia orquestrada por Sérgio Cardoso. O repertório foi nomeado como “Basta! Pela Liberdade!” e foi dividido em três momentos diferentes, onde os integrantes contracenaram com elementos cênicos móveis, que juntos formavam celas de um presídio. O primeiro ato representou o povo oprimido, com as aves se mantendo presas na clausura com suas asas abaixadas. Na segunda parte, eles alçam voo e iniciam um confronto com as criaturas malignas. Finalizando, os protagonistas, de asas abertas, aprisionam os vilões simbolizando a mensagem principal de “basta!” do enredo.

gavioesdafiel desfileoficial2022 9

A coreografia encaixou com sucesso de acordo com o ensaiado. Os componentes se esforçaram bastante em transmitir suas expressões nos mínimos detalhes. A transição entre os atos da encenação ocorreu sem dificuldade e contagiou o público. As três partes da apresentação ocorreram ao longo de duas passagens do samba e foram de fácil acompanhamento. Quesito sempre muito aguardado da escola, não desapontaram em nenhum momento.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Wagner Lima e Gabriela Mondjian foram os responsáveis por carregar o pavilhão principal dos Gaviões da Fiel. Representando o “Tributo Gavião”, que fez alusão à ancestralidade africana, o casal aproveitou da energia da comissão para apresentar uma dança deslumbrante e de muita sincronia. Os movimentos se conversavam com tranquilidade, e nos momentos-chave do samba faziam gestos de protesto com os punhos cerrados. A grande atuação levantou ainda mais o público.

gavioesdafiel desfileoficial2022 18

Harmonia

Um verdadeiro calcanhar de Aquiles da escola, esperava-se que não seria diferente com base nos ensaios técnicos. Mas o grito de “basta!” parecia entalado na garganta, e o canto aconteceu na avenida. Muitos componentes dentro das alas cantaram o samba com gosto e formaram um belo coral na avenida.

gavioesdafiel desfileoficial2022 2

Enredo

Os Gaviões da Fiel trouxeram para a avenida um desfile bastante crítico, com ausência praticamente total de elementos que costumam marcar o carnaval. A intenção foi de fato chocar ao retratar a dura realidade que pessoas pelo mundo todo encaram diariamente, e propor ao público do Sambódromo do Anhembi a se juntarem à escola na promoção de uma revolução contra essa situação inaceitável.

gavioesdafiel desfileoficial2022 23

Partindo da herança africana, a realeza ancestral é mostrada em sua opulência anterior ao processo de escravidão. O Abre-alas faz uma transição entre esse momento e a população negra já no Brasil, onde essas pessoas seguem lutando dia após dia para consolidar seu lugar de fala. O segundo setor apresenta a desigualdade social, com enfoque principal na miséria das pessoas que sofrem nas ruas e favelas, enquanto ricos, por cima deles, desfrutam de suas regalias com pessoas morrendo pela fome e doenças, como a Covid-19. Da opressão aos menos favorecidos até a destruição de aldeias indígenas são marca do terceiro ato da apresentação da escola, que em apenas duas alas mostram várias fantasias para encravar com impacto quem oprime e quem é oprimido, encerrando com a devastação do meio ambiente em mais uma alegoria impactante. Encerrando a apresentação, grandes nomes da história do Brasil e do mundo são relembrados como exemplos de inspiração para um novo tempo, com as crianças representando a esperança de um futuro melhor através da educação, e encerrando a passagem com uma mensagem de paz.

De leitura fácil, o enredo cumpriu a missão de passar o recado ao longo de toda apresentação. Os setores centrais da escola causaram bastante comoção, e foram o ponto alto do desfile dos Gaviões

Evolução

Ao longo de todo o desfile os Gaviões conseguiram andar na pista com fluidez e tranquilidade. Em um momento no terceiro módulo, porém, houve uma abertura de buraco na frente do Abre-alas que pode custar alguns décimos caso outras falhas foram percebidos pelos demais jurados.

gavioesdafiel desfileoficial2022 77

Samba-Enredo

O samba dos Gaviões é uma das mais belas obras da safra de 2022. Porém, como foi apresentado ainda em 2020, houve a substituição do carnavalesco Paulo Barros por Zilkson Reis, e é um tema que trata uma realidade em constante atualização, essas mudanças acabaram fazendo com que elementos na pista não fossem ouvidos nos versos da música. A explosão de casos da pandemia do novo coronavírus, por exemplo, ocorreu após a divulgação da letra e contou com representação no segundo carro, mas nada é citado a respeito nos versos.

Ernesto Teixeira impressionou como sempre e liderou o carro de som da escola com a maestria de um grande veterano. O samba foi de fácil entendimento pelo público, que começou a cantar com a escola progressivamente ao longo do desfile. A trilha sonora da Fiel Torcida foi parte importante para dar o tom do ambiente proposto pelo enredo.

Fantasias

O conjunto de fantasias da escola chamou atenção por trazer uma organização e distribuição incomuns. A escola veio com apenas 11 alas, incluindo a Velha Guarda, ala de convidados e a bateria. As demais oito alas vieram distribuídas pelos quatro setores perceptíveis, que não possuíam uma divisão delimitada, e as alas de números 5, 6 e 7 vieram com várias fantasias diferentes, com similaridades entre si ao longo de cada segmento. Lembrou brevemente a ousadia proposta pela Beija-Flor de Nilópolis no carnaval carioca de 2017 com seus grupos cênicos.

gavioesdafiel desfileoficial2022 45

No geral simples, mas de fácil leitura, as fantasias conseguiram ser compreensíveis mesmo nos setores em que se misturavam. Alas grandes, mas com diferentes elementos, ajudaram a transmitir uma visão diferente de se ver o setor na avenida e conseguiram agradar sem faltar com a mensagem que pretendiam passar.

Alegorias

Muito comentadas no pré-carnaval pelos boatos acerca do atraso na concepção, as alegorias dos Gaviões da Fiel procuraram transmitir mensagens claras e impactantes. O Abre-alas contou com um primeiro módulo representando a realeza africana junto da ave símbolo da escola, enquanto o segundo procurou relatar, através de grupos cênicos, quatro situações: Reis e rainhas antes da chegada dos europeus, o período da escravidão, o racismo estrutural dos dias de hoje e a conquista da igualdade em solo brasileiro.

O segundo carro, com uma mensagem de muito impacto visual, levou uma gigante escultura de uma criança esquelética representando a fome, e teve sua parte inferior tomada por favelas, a miséria dos que moram na rua e das vítimas causadas pela má gestão da saúde, inclusive na pandemia. Acima de todos esses elementos, o luxo da vida de um pequeno grupo de ricos, que se esbanjavam de toda fartura. Foi a alegoria mais marcante de todo desfile, mesmo com o acabamento mais simples.

gavioesdafiel desfileoficial2022 47

A terceira alegoria representou a devastação ambiental na forma de uma floresta tomada por chamas, indígenas sendo “queimados” por labaredas saindo do chão e enormes serras giratórias. Foi outro carro de grande destaque, e fechou os atos de drama e suspense com chave de ouro.

Encerrando o desfile, o último carro trouxe o Dia da Revolução proposta pelos Gaviões, na forma de uma alegoria toda trabalhada na cor branca e com imagens de grandes representantes da luta pela liberdade e democracia ao longo da história.

Outros destaques

A rainha veio! Sabrina Sato marcou presença na frente da bateria Ritimão e foi aplaudida pelo público. Ainda haviam dúvidas sobre sua presença no desfile, afinal ela também é a majestade principal da Unidos de Vila Isabel, no Rio de Janeiro.

Mas o maior destaque de todo o desfile sem dúvidas foram as encenações dos componentes por toda a avenida. Repleta de diferentes interpretações, no segundo carro dos Gaviões da Fiel pessoas dramatizavam comer restos de lixo, uma mãe com seu filho morrendo em seus braços durante uma troca de tiros, e pra finalizar, um homem morrendo sufocado por falta de oxigênio. O carro arrancou lágrimas do público e foi ovacionado na avenida em um momento para entrar na história.

gavioesdafiel desfileoficial2022 77

O carnavalesco Zilkson Reis, que na parte final dos preparativos foi muito bem substituído pelo enredista Júlio Poloni após o caso ocorrido na quadra da escola, não deixou de ser homenageado. Ernesto Teixeira desejou pronta recuperação ao artista, e dedicou o desfile da escola a ele.

‘Estar ao lado do Dudu foi de extrema importância pra mim’, diz Carlinhos Brown sobre desfile da Mocidade

0

Mocidade04aNo carnaval de 2022 a Mocidade Independente de Padre Miguel veio para a avenida homenageando Oxossi, o orixá protetor da escola. Na sua bateria, a verde e branca apostou no resgate da própria história e resolveu homenagear sua ancestralidade. A homenagem emocionou a todos que estiveram na avenida, inclusive Carlinhos Brown, que saiu a frente dela ao lado do mestre de bateria Dudu.

“Foi muito bom estar na avenida com essa bateria que traz o toque do agueré. Não podia ser diferente no terreiro de Tia Xica, essa Yalorixá que potencializou a Mocidade Independente, assim como fez tantos outros como Quirino, Miquimba, Mestre André. Estar ao lado do Dudu foi de extrema importância para mim”, respondeu Carlinhos Brown em entrevista a equipe do site CARNAVALESCO.

Mocidade04bCarlinhos também chamou atenção para o fato do carnaval de 2022 estar com muitos enredos referentes às ancestralidades pretas do povo brasileiro. A Marquês de Sapucaí se transformou numa enorme macumba.

“Parece que as escolas do Rio se encontram no Orúm e decidiram todas falar da ancestralidade. A Mocidade trouxe Oxóssi para falar da nossa origem em África, para desmistificar um olhar equivocado que se tem sobre nossas crenças”, completou Carlinhos ao site CARNAVALESCO.

Quem também falou sobre a ancestralidade que marca a homenagem da Mocidade, foi o mestre de bateria Dudu. Relembrou de seu pai e outros bambas que marcaram presença na história da Mocidade. Dudu ainda contou ao site CARNAVALESCO sobre a dificuldade de raspar a cabeça de toda a bateria e inclusive a própria.

“Convencer a galera a raspar a cabeça foi mais fácil do que imaginei. Eu também raspei e eu não raspava a cabeça desde 2001. Confesso que me surpreendi, foi tranquilo e agora estamos com uma representatividade incrível”, afirmou mestre Dudu.

“Raspar a cabeça foi um pouco difícil, porque eu tinha muito cabelo, mas como todo mundo topou eu encarei o desafio também. Teve gente que sofreu mais, como meu irmão que tinha um cabelo enorme, mas agora estamos todos nos divertindo com o resultado”, contou o ritmista Caíque que é original de São Paulo e desfila pela primeira vez na Mocidade.

Os ritmistas do carnaval carioca reclamam da pouca valorização do seu trabalho a algum tempo, portanto, a Mocidade que é conhecida pelas suas inovações mais uma vez marcou pontos preciosos ao passar na Avenida exaltando seus próprios ritmistas e mestres. Deixou mestre Dudu e companhia tocados.

“A escola acertou no enredo e um belo samba que nos trouze muito orgulho. Esse ano em especial mexeu muito comigo, porque falamos do meu pai, falamos do Jorjão, do mestre André, então emociona e causa orgulho não só para mim, mas para todos os integrantes da bateria”, afirmou mestre Dudu.

“Sou filho do Wilson Martins, tenho envolvimento com a escola desde cedo, então passei sete anos na Estrelinha e estou a 10 anos na Mocidade. Estar nesse ano que enaltece a história da bateria da escola é muito emocionante para mim”, contou Geovani Martins, que desfilou sete anos pela Estrelinha e chegou ao seu décimo primeiro ano na Mocidade.

Geovani também comentou sobre a fantasia deste ano. Sempre uma das maiores curiosidades do ritmista e motivo de preocupação, pois é necessário que a fantasia não atrapalhe o desempenho da bateria. Realizar algo leve e pouco volumoso, mas que chame atenção do público e jurados é um desafio do carnaval carioca.

“A fantasia ficou linda e não atrapalhou no desempenho na avenida. Esse ano tivemos a questão da careca também, foi difícil raspar, mas todo mundo topou e ficou tudo incrível”, informou Geovani.

Bela e sombria, a terceira alegoria da Mocidade gerou sentimentos controversos

0

Mocidade03aNeste sábado, 23 de abril, aconteceu o último dia de desfiles do grupo especial do Rio de Janeiro. Terceira escola a passar na avenida, a Mocidade Independente de Padre Miguel apresentou o enredo ‘Batuque ao caçador’, uma homenagem ao orixá Oxossi. Representado pela imagem de um caçador que carrega um arco e uma flecha, ele é visto como o orixá da prosperidade.

Os orixás são figuras que formam uma das bases da cultura Iorubá. Os Iorubá são um dos maiores grupos étnicos da África negra, estão a sudoeste da Nigéria, no Togo, Gana, Costa do Marfim e Benin. É exatamente no Benin onde localizamos a cidade de Ketou, antigo Ketu, reino de mais de seiscentos anos de história e objeto de inspiração para a terceira alegoria da Mocidade.

Com aspecto sombrio, o carro é uma metáfora da destruição do antigo reino de Ketu. Há muitas histórias a respeito de Ketu, mas o carro da Mocidade mostra referência a narrativa em que após anos de conflitos entre Ketu e o reino de Daomé, os europeus que chegaram lá pensando no aumento do comércio de cativos, aproveitou a instabilidades dos reinos, dominou Daomé e levou destruição até os vizinhos em Ketu.

A ganância do homem branco foi vista por meio de enormes cabeças de navegadores europeus ao redor da alegoria, essas cabeças estavam com as bocas abertas e de lá saíam inúmeros crânios que simbolizavam os povos mortos naquela região. Nas duas laterais do carro uma série de tambores imitavam os tambores da madeira de Iroko, árvore sagrada encontrada no antigo reino de Ketu e junto a cada tambor vinha o seu respectivo Ogã, em Iorubá a palavra significa ‘aquele que bate, toca e canta’.

Em entrevista para a equipe do site CARNAVALESCO, Camilo Zamora, colombiano desfilando pela quarta vez na escola de Padre Milguel, disse que foi graças ao carnaval do Rio de Janeiro que ele ouviu sobre os orixás e uma ancestralidade preta diferente da dele. Também contou que se sente feliz de poder ter participado deste enredo que ajuda a contar mais sobre a história dos povos que formam o Brasil.

“Estou adorando estar aqui, da Colômbia eu comecei a escutar sobre Oxossi e os orixás através do carnaval do rio e passei a gostar, então estou muito feliz de estar aqui agora” contou Camilo ao site.

“Esse carro e esse enredo são a história do Brasil! História das pessoas macumbeiras, das pessoas pretas e a história que a gente tem que conhecer. Nós temos que conhecer a história preta do Brasil.” Afirmou ao complementar seu pensamento a respeito do enredo.

A fantasia de Camilo é diferente da roupa da maioria dos componentes vindo em cima do carro. Preta e verde, ela tem detalhes em dourado e simboliza antigos guerreiros europeus. Sendo assim, também há uma espécie de proteção no peitoral e abdômen, assim como um chapéu de navegador. Ambos prateados, assim como a espada empunhada.

“No meu caso, os negros foram domesticados, então eu estou representando essa parte negra que traiu os próprios negros” respondeu Camilo, quando perguntado o que representa a fantasia.

O carro estava lindo, mas sua representação sombria não deixou todos os componentes totalmente confortáveis para o desfile. Camilo Zamora estava tranquilo, mas Paulo Augusto, embora feliz, comentou do seu desconforto ao site CARNAVALESCO.

“O carro me impactou muito quando eu fui ensaiar. Ele é lindo, mas eu sei que ele vem representando a guerra. Eu confesso que tenho medo da morte, mas pela Mocidade a gente vai” disse Paulo.

Análise da bateria da Portela no desfile de 2022

0

A bateria Tabajara do Samba de Mestre Nilo Sérgio fez uma boa apresentação. A boa afinação de surdos propiciou base grave sólida para que a terceira portelense brilhasse com seu toque envolvente. Além dos repiques e das primorosas caixas de guerra da bateria da Portela. Aquele molho peculiar e inconfundível das caixas da Portela foi notado. Peças leves preenchendo com consistência a equalização do ritmo. Tamborins tocando firme e com bom volume sonoro, fazendo um toque notável de 1 x 1, dando uma sonoridade exemplar no trecho do refrão do meio. A batida 1 x 1 consiste no mesmo toque das frigideiras e foi repetido também em trechos da primeira e segunda do samba.

desfile portela 2022 045

Agogôs pontuaram melodicamente o samba com eficácia, além de uma ala de chocalhos com firmeza e coesão. A paradinha do refrão principal exibiu um arranjo musical soberbo, se destacando na narrativa musical apresentada pela bateria da Portela. Já a bossa do refrão do meio uniu musicalidade e movimentos dançantes para um lado e pro outro.

As apresentações nas cabines de julgadores ocorreu com solidez e sem nenhum transtorno musical evidenciado na pista de desfile. A melhor apresentação foi na última cabine dupla de julgadores, recebendo aplausos, num retorno visivelmente positivo do júri. A ressalva negativa fica para um chapéu de altura elevada, incomodando ritmistas e fazendo com que o trabalho de diretores fosse dobrado para sinalizarem as paradinhas de modo visível.