Compositores: Diego Nicolau, Igor Leal, Ricardo Mendonça, Rodolfo Vale, Fabian Juarez e Arlindinho Cruz.
ODÉ… FILHO DA FLECHA CERTEIRA
LICENÇA PRA SER VOZ DE FALA
DE QUEM CALA A VIDA INTEIRA
LEVANTA HEMISFÉRIO DO SUL
NÓS SOMOS O NORTE
E NÃO UM RECORTE DE OUTRA NAÇÕES
PULSAMOS TAMBORES E REVOLUÇÕES
DERRUBA ESSA LÓGICA FALHA
CONVOCA A BATALHA
INVERTE O MAPA
E CHAMA PRA RUA, NUNCA RECUA
CANTA, INFLAMA E ARREBATA
YO SOY LA ALMA INDEPIENDENTE
LA GENTE QUE SIEMPRE CRE EN EL SUEÑO
REVOLUCIONAR ÉS NUESTRA MISIÓN
ACERCA DE MI CORAZON
EU SOU A ALMA INDEPENDENTE DA GENTE
QUE ACREDITA NO SONHO
REVOLUCIONAR É NOSSA MISSÃO
DENTRO DO MEU CORAÇÃO
E A QUEM NOS ENXERGA
MÃO DE OBRA BARATA… COMBATA!
AO TAL ALGORITMO, O RITMO DITA A DANÇA…
NÃO CANSA!
NINGUÉM IRÁ CALAR NEM ABAFAR A NOSSA VOZ
NUM MUNDO INVERTIDO
HOJE O TOPO SOMOS NÓS
A BÚSSOLA APONTA A NOVA HISTÓRIA
UM REMANIFESTO EM SOM DE VITÓRIA
MOCIDADE DESOBEDIENTE DE PADRE MIGUEL
JUNTOS GRITAMOS EM ALTO E BOM TOM
VIVA LA REVOLUCION!
LATINO AMERICANO CRIA DA VILA VINTÉM
E ESSE MOLHO SÓ A GENTE TEM
SE QUERER É PODER, PODEMOS SONHAR
É HORA DE CONTRATACAR!
Desperta, América Latina!
Não dá pra aceitar esse abuso de poder
Ai se o mapa vira e contra-ataca a justiça cega
O maior xeque-mate da terra, você vai ver!
Okê Arô, Olóògun aráayé ô!
Oxóssi guerreiro já lançou a sua flecha
Marrón é a presença certa
Chega de ser alvo nas suas veias abertas!
Veja a realidade nua e crua
Os falsos heróis são a fome nas ruas
E hoje essa fome devora a opressão
Latinamente, sem amarras, sem correntes
O norte é o Sul…
Viva a revolução!
Ibà Onílẹ̀, Ibà Òrìṣà!
O mistério sagrado reluz a riqueza da vida
Como o curso de um rio que deságua na existência
Cosmovisão ancestral, herança viva, resistência!
Pàtàkòri, Ògún Yè! E ma tù Yè Yè!
Da sua forja a evolução
Vanguarda dos quilombos e aldeias
Quem não honra as raízes, não enxerga o amanhã
Encontrei no chão da minha Mocidade
O retrato da latinidade
Chegou a hora de se entregar
Na capital mais quente do samba
Onde nasce gente bamba, eu vou te mostrar!
Esse jeitinho latino, iô iô, não me deixa faiá
Essência que tem valor, dinheiro nenhum é capaz de pagar
Pela luz da Estrela-Guia, independente, hei de sonhar
Alumia minha vida, alumia, iá iá!
Entra na roda, baiana, é o balancê no xirê!
Vila Vintém nas cores latinas do ará ilẹ̀
Perdoar é libertar, sem esquecer a ferida
Àṣẹ, ayọ̀! Vou lutar, dar a volta por cima
Compositores: Jefinho Rodrigues, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Estevão Ciavatta, Cleiton Roberto, Prof. Renato Cunha
CORAGEM!
PRA REVOLUCIONAR,
FILHOS DO SOL
A FLECHA DE OXÓSSI É FAROL
ESTRELA GUIA DO NOSSO DESTINO
LATINO, A CAÇA AGORA VIRA CAÇADOR
PRA INVERTER O MAPA DO INVASOR
AVANTE “LOS HERMANOS” VAMOS SULEAR
“/AI,SE/” TE PEGO AQUI, VOLTO A TE DEVORAR
E NÃO SEREMOS MAIS O TEU QUINTAL
CHEGA! É TEMPO DE HONRAR NOSSOS HERÓIS
NA VEIA CORRE SANGUE AFRO-TUPI
PRA “RETUPINIZAR” A NOSSA VOZ!
O AMOR “SERPENTEOU”, O VENTO ANUNCIOU
A LUZ TÁ NO SABER DE PACHAMAMA
KOSÍ EWÈ… O QUE SERÁ DO AMANHÃ?
SE NÃO “REVERDEJAR” O PINDORAMA
MEUS VALORES NÃO TEM PREÇO
O FUTURO QUE MEREÇO, O PASSADO ME ENSINA
NOSSO JEITO É DAR UM JEITO
QUANDO A VIDA DESATINA
GAMBIARRA CRIATIVA!
GINGA NO SAMBA E NA SALSA, PRA CELEBRAR
TEM COLORIDO PRA DESNORTEAR, O TEU OLHAR!
O MEU SORRISO É RESISTÊNCIA ANCESTRAL
PADRE MIGUEL, ESSÊNCIA DO CARNAVAL!
ARRIBA LA MOCIDADE, LEVA Mi CORAZÓN
FAZ VALER TUA VERDADE, TEU CHÃO!
MOSTRA PRO MUNDO O QUE SÓ A GENTE TEM
DALE! RITMO CALIENTE, O MOLHO DA VILA VINTÉM!
Compositores: PC FEITAL, ALEX SARAIÇA, DENILSON DO ROZARIO, ANDRE RUSSO, CARLINHO DA CHACARA E FABIO BUENO
DESPERTA PIONEIRA NO VERDE DA BANDEIRA
ODE KOMORODÉ ME EMPRESTA O SEU OFÁ
É HORA! DO HEMISFÉRIO OPRIMIDO
TER O MAPA INVERTIDO PRA JURUPARI LUTAR
CHORAMOS POR TANTO SANGUE DERRAMADO
ENTRE A FOME DO MERCADO E A FÚRIA D’AMBIÇÃO
POIS ELES SÃO CAPATAZES DA ALEGRIA
OPRESSORES DA HARMONIA, CARCEREIROS DA ILUSÃO
LATINO EM TUA ALMA MATARÁS OS SOBERANOS DE ALCATRAZ
PERO SIN, PERDER LÁ TERNURA JAMÁS!
EU SONHEI COM OBATALÁ E TUPÃ LÁ NO ORUM
CAETÉS NA CASA BRANCA, A COLOMBIA E O PERU
NA SOBERANIA PLENA TODOS JUNTOS SOMOS UM
PINDORAMA ERA O QUILOMBO DOS SABERES DE OGUM
OS SABORES DO AMOR TÊM PUNHADOS DE ALEGRIA
PREPARADOS NO CALOR DA REBELDIA
PEÇO, AO NORTE NÃO REPITA O AMARGOR DE TANTA AUSÊNCIA,
NO BRASIL, MEUS COMPANHEIROS SÃO HERÓIS DA RESISTÊNCIA
ATAHUALPA SE UNIU A TUPIARA E GRITARAM FORTEMENTE
NÃO ASSALTE AS TERRAS RARAS
SOU DE TUPÃ COM ASCENDENTE EM PACHAMAMA
NO SUOR QUE SE DERRAMA E NA DOR QUE SE ESCANCARA
INDEPENDENTE, EU SOU DESOBEDIENTE,
TENHO MOLHO E SANGUE QUENTE
E NÃO FAÇO CONCESSÃO
TOME TENÊNCIA E SOSSEGUE LOGO O FACHO
QUE MEU FILHO VIRE O MUNDO DE CABEÇA PARA BAIXO
TOCA O AGUERÉ, PRA FAZER REVOLUÇÃO
TOCA O AGUERÉ E RESPEITA ESSA NAÇÃO
O MEU NORTE SEMPRE FOI, NOSSA PÁTRIA MÃE GENTIL
MOCIDADE INDEPENDENTE DO BRASIL
A Estação Primeira de Mangueira anuncia Gi Fernandes como musa da escola. Atriz, cantora e passista passa a ocupar o posto após uma trajetória construída desde a infância na Verde e Rosa. A relação de Gi com o Carnaval começou ainda na infância, quando passou a frequentar a quadra da Mangueira incentivada pela mãe, apaixonada pela escola. Em 2014, fez seu primeiro desfile pela Verde e Rosa, na ala das crianças, dando início a uma trajetória contínua dentro da agremiação.
Alguns anos depois, passou a integrar oficialmente a ala de passistas como mascote, tornando-se a única integrante menor de idade naquele momento. Sambando descalça na quadra, conquistou o carinho da comunidade e da direção da escola. No Carnaval de 2027, completa 14 anos de história na Verde e Rosa.
Ao longo dessa caminhada, consolidou sua carreira como atriz com trabalhos na TV Globo que ampliaram sua visibilidade e reforçaram sua versatilidade artística. Para Gi, o Carnaval sempre foi muito mais do que um desfile.
“O Carnaval sempre foi onde aprendi sobre disciplina, dedicação, coletividade e pertencimento. Muito antes de ser conhecida como atriz, eu já construía minha história na avenida. Eu sou criada no samba. É ali que somos reis e rainhas, que eu fortaleço minha autoestima para encarar o mundo e mostrar para outras meninas parecidas comigo que elas também podem ocupar esses espaços.”
O convite para assumir o posto de musa foi recebido de forma inesperada e carregado de emoção. “Eu não esperava receber esse convite. Estava indo para o ensaio da ala quando fui chamada. Pisei na quadra e comecei a chorar. Vieram muitos flashes de tudo o que vivi aqui dentro. Espero honrar o meu povo e ser espelho para a próxima geração que manterá o samba vivo”.
A presidenta da Estação Primeira de Mangueira, Guanayra Firmino, destaca a importância de reconhecer trajetórias construídas dentro da escola.
“Ver uma jovem que cresceu na nossa quadra, que fez do samba parte da sua formação e hoje retorna como musa é motivo de muito orgulho. A Gi representa uma geração que respeita a história da Mangueira e ajuda a construir o seu futuro. Sua trajetória inspira e reforça a força da nossa comunidade”.
Ao anunciar Gi Fernandes como musa para o Carnaval 2027, a Mangueira reafirma seu compromisso de valorizar histórias construídas dentro da escola, reconhecendo talentos que carregam a essência da Verde e Rosa e ajudam a manter viva a tradição do samba para as próximas gerações.
Embalada pela nostalgia, a Portela iniciou no último domingo sua eliminatória de sambas-enredo para o Carnaval 2027. A águia de Oswaldo Cruz e Madureira recebeu a numerosa quantidade de 36 obras que se apresentaram na quadra exaltando a figura de Hildemar Diniz, o Monarco. Destes, 20 sambas seguem na disputa para a próxima eliminatória (domingo que vem), que será dividida nas chaves azul e branca. A Portela apresentará o enredo “Ao mestre, com carinho” na terça-feira de carnaval, 09 de fevereiro. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO sobre as apresentações das parcerias classificadas.
Parceria de Lídia Gaúcha: O samba de Lidia Gaúcha, Eduardo Marinho, Fernando Mendes, Eduardo Silva, Jurema Matos, Jurandir dos Santos e Vitor Leite foi defendido com uma boa apresentação do intérprete Pingo Sargento. O samba teve um desempenho mediano, com crescimento após o refrão central culminando num refrão principal com uma variação melódica que quebrou o rendimento do mesmo. Um trecho de destaque envolve os versos finais “compasso, herança cultural, legado, te fez imortal, elegância e andar soberano, orgulho de ser suburbano”.
Parceria de Moisés Santiago: Danilo Cezar comandou o samba de Moisés Santiago, Dinho PQD, Jurandir Terra, Marcelo Vieira, Marquinho Bombeiro, Ricardo Mendonça e Aurélio. Um refrão principal de letra simples, fácil assimilação e bom funcionamento com os versos “chamo o Zeca Pagodinho e Paulinho da Viola, reuni a velha guarda, pra cantar a sua hisforia, pra minja aguia sua alma é imortal, na festa do divino carnaval”. A letra segue uma linguagem mais descritiva, o destaque são os versos finais antes do refrão principal, “hoje a nossa escola vai passar, em cada rosto vejo seu olhar.. emocionar, se eu for falar de você, sei que não vou terminar, meu grande mestre, por seu legado, meu muito obrigado”. O rendimento foi agradável durante as duas passadas.
Parceria de Diogo Nogueira: O samba de Diogo Nogueira, Claudio Russo, Raphael Gravino, Julio Alves, Adolpho Konder, Laura Romero e Gabriel Simões trouxe Tinga como intérprete. Um samba que une poesia e funcionalidade, optando com uma construção que traz Dona Olinda, esposa de Monarco, sendo o sujeito que faz a narrativa da obra, subvertendo a estrutura original da sinopse. O refrão central “vou pra Portela que o samba mandou me chamar, vou-me embora pra Portela, ja é hora de sambar, bota fogo na panela, Madureira sabe bem, tem feijao da Vicentina com tempero da Neném” é gingado e passou muito bem. O refrão principal é mais poético e também obteve um bom rendimento.
Parceria de Cecília Cruz: Uma ótima passagem do samba de Cecília Cruz, Claudio Cruz, Luciano Fogaça, Fabinho Gomes Gêmeos, Osmar Fernandes e Júlio Pagé, que contou com Pixulé como voz principal. A primeira parte da obra tem uma boa narrativa lembrando da criação e da vivência de Monarco. A segunda parte reverencia o Monarco compositor e portelense, com um bonito trecho final “hoje o lenço enxuga a saudade que mora no meu coração, te devo afeto e carinho como retribuição”, emendando com o refrão principal que foi o ponto alto da apresentação. De melodia dolente e com uma repetição tripla no verso “se eu for falar de Monarco”, o trecho tem um apelo emocional e funcionou com maestria.
Parceria de Gerson PM: A obra de Gerson PM, Sergio Oliveira, Luiz Rangel, Beto da Portela e Carioca da Rosa teve uma passagem correta com Paulo Bispo no microfone principal, com destaque para o refrão central que cita o passado de Monarco como vendedor de peixe, “olha o peixe, olha o peixe, Freguesia, pelas feiras da cidade no dia a dia, olha o peixe, olha o peixe, Freguesia, cantando ele vendia’. Um samba de estrutura mais simples e com uma levada animada.
Parceria de Lico Monteiro: Pitty de Menezes comandou o samba de Lico Monteiro, Flavinho Bento, Rogerinho Azevedo, Salgado Luz, Rafael Santos, Nederson Iglas e Rafa V. Souza TK. A obra passou com força nas duas passadas, com uma letra bem construída e uma melodia redonda. Destaque para os versos finais da primeira parte “vai menino, o corpo é Estandarte, quem corteja o talabarte, com o lenço entre as mãos, de certo já conhece o caminho, mesmo que em desalinho se aventure o coração”. O refrão principal “Não há nada que explique este sentimento, por todos os tempos, por onde for, a águia quando ve voar um filho, lembra que lá em seu ninho, Monarco me ensinou o que é o amor (Portela me ensinou o que é o amor)” também obteve ótimo rendimento.
Parceria de Ruan Lucena: Juan Reis defendeu a obra da parceria de Ruan Lucena, Pablo Nunes, Brian Ramos, Cristiano Anjos e Elias Sant’Anna. O samba tem como narrativa Monarco recebendo a carta enviada pela Portela e descrevendo sua história. A sacada gera uma narrativa calcada no amor de Monarco pela Portela como nos versos que abrem a primeira parte “Portela, eu às vezes meditando, refletindo quanto amo o seu pavilhão, por você me apaixonei, ah como eu lutei”. A melodia se mostrou mais convencional e sem maiores arroubos, contribuindo para uma apresentação correta sem um ponto de maior ápice.
Parceria de Charles André: A parceria de Charles André, Celso Lopes, Marcos Lauriano, Thiago Maciel e Rogerio Lobo veio com Emerson Dias liderando o samba. Com seu estilo o intérprete contribuiu para uma apresentação aguerrida, com ponto alto para o refrão principal que é emotivo, porém com uma pegada pra cima, com os versos “se eu chorar ao cantar é porque me faltam palavras pra agradecer, com todo carinho, por todo legado, aplausos, eterno Monarco”. A segunda parte é mais extensa que a primeira e teve uma leve queda de desempenho na passada com a bateria.
Parceria de Naldo: Serginho do Porto conduziu o samba de Naldo, Bororó, Waguinho, Marcelo Fernandes, Mario Carvalho, Paulo Beckham e William Ramos. O refrão principal sintetiza o enredo e passou bem. O refrão central tem boa letra com os versos “no solo sagrado de Oswaldo Cruz, talento menino, a flor que seduz, com a melodia beijando o poema, é mestre Monarco entrando em cena” e também teve um rendimento agradável. Em um todo foi uma boa passagem da obra.
Parceria de Wanderley Monteiro: A parceria de Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Rafael Gigante, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Orlando Ambrósio e W.Corrêa teve Wander Pires no microfone principal. O intérprete comandou uma apresentação de muita força, calcada num bonito refrão principal, “E por falar de amor, dos que não vão terminar, falar de Monarco, meus olhos vão marejar, a velha guarda, teu sorriso na lembrança, eu sou Portela desde os tempos de criança”. A melodia mostrou bastante qualidade e sustentou muito bem a obra. A segunda parte retratou a eterna ligação entre Monarco e Portela com bons versos como “na voz que me transmite a paz, oh! linda inspiração, é o samba em devoção”. O refrão central foge um pouco da poética presente na letra, mas obteve bom rendimento.
Parceria de Dudu Nobre: Carlos Junior e Nêgo defenderam o samba de Dudu Nobre, Rubens Gordinho, Rafa Cria, Mano Presida, Bruno Dallari, André Ricardo, Katar e Minuetto Moreira, que teve uma passagem animada apesar de irregular. A letra é bem construída, com bons destaques como “te agradeço, não é segredo, um grande amor sempre dá enredo”. O refrão central é lírico e se destacou na obra com os versos “E você compositor, virou mestre no caminho, te abracei, dei colo de mãe e carinho, ensinei e aprendi, que toda águia tem que voltar pro ninho”.
Parceria Luiz Carlos Máximo: Wantuir foi a voz principal da parceria de Luiz Carlos Máximo, Manu da Cuica, Buchecha, Belle Lopes, Ximeninho, Regis e Heitor César. Uma melodia com a cara da parceria, como no gostoso refrão central “cocorocou, o galo já cantou, levanta nego pra buscar o caraminguá, e você ia numa estrada dessa viva, vender peixe pra Lili, vender peixe pra Iaiá”. Em outros trechos o samba não sustentou o mesmo desempenho, o refrão principal não teve um grande rendimento e a passagem acabou sendo irregular.
Parceria de Jamys Ferraz: A obra de Jamys Ferraz, Robertinho Sorriso, Luciano Leal, Marcelo Paulista, Roberto Nascimento, Serginho JC e Léo Vicente mostrou boa pegada durante sua apresentação, com um refrão principal de bom apelo e uma primeira parte de bastante beleza em sua letra como no trecho “tem cheiro de infância, de terra molhada, onde o samba acordava na madrugada”. A segunda parte cai um pouco nos passeios melódicos.
Parceria de Valtinho Botafogo: Evandro Malandro conduziu o samba da parceria de Valtinho Botafogo, Madalena, Xande de Pilares, Savanna, Cardosinho, Dinny Peçanha e Bernini. O refrão principal tem o melhor momento melódico da obra e foi muito bem executado por Evandro, com os versos “Voa minha águia mostra a essa gente, que Monarco da Portela está presente, em Madureira floresceu sua raiz, o filho da majestade Hildemar Diniz”. A letra é correta em sua proposta com destaque para versos como “No cavaquinho dedilhar tantos amores, partido alto, ala de compositores”. No geral o samba alcançou uma apresentação de boa qualidade.
Parceria de Edynei: A obra de Edynei, Marcio Oliveira, Professor Cleiton, Flora Aguiar, Liane Harmonia, Professora Tânia e Marli Jane foi comandada por Ciganerey. Uma obra com uma pegada nostálgica e passou de forma agradável, com uma boa sustentação durante as duas passadas. Um trecho de destaque está nos versos que preparam para o refrão principal “e agora uma enorme paixão nos devora, numa estrada dessa vida, meu povo vem cantar a sua história”.
Parceria de Marcello Luz: Tem-Tem Jr. e Guto comandaram a obra de Marcello Luz, Fred Lima, Zé Roberto, Wagner Escóssia, Hebinho da Portela, Ricardo Simpatia e Léo Lopes e conseguiram uma boa apresentação. A segunda parte em ovação à trajetória de Monarco na azul e branco é o destaque da obra ao lado do refrão principal que mostrou bom potencial, “Oh! Minha águia abre as asas sobre o céu, traz o Monarco pra Portela de novo, quem é raiz atravessa o véu, e vive eterno no canto do povo”.
Parceria de Noca Neto: Rodrigo Tinoco comandou o samba da parceria de Noca Neto, Queiroga, Maralhas, Luciano Lopes, PC Lopes e Filipe Zizou. A obra alcançou um bom desempenho nas duas passadas, sobretudo com a bateria. Os dois refrãos renderam muito bem, o principal com uma letra sutil e bem feita, o central mais swingado, “Vai à luta num grito de liberdade, faz da vida Estandarte pro samba florescer, madrugada, rainha e companheira, tem festa em Madureira até o amanhecer”.
Parceria de Toninho Geraes: A obra de Toninho Geraes, Paulo Cesar Feital, Eli Penteado, Alexandre Fernandes, Victor do Chapéu, Marcele Salles e Juninho Luang teve Igor Vianna e Dowglas Diniz como intérpretes. O samba tem uma construção bastante poética, principalmente na segunda parte. O refrão de cabeça “Enxugue o pranto, diga a Deus e vem embora, traga seu lenço pra essa gente que lhe adora, viva Monarco, Portela canta feliz, eternamente Hildemar Diniz” é excelente e levantou a apresentação que foi de ótimo nível. Outro ponto de destaque são os versos “comunhão de gente bamba, a fé em Nossa Senhora e São Sebastião, embala toda gratidão nos braços da majestade do samba”.
Parceria de Jorge do Batuke: Zé Paulo conduziu o samba da parceria de Jorge do Batuke, Márcio Carvalho, Luiz Matos, João Menna Barreto, Lucas Alves, J. Ferreira e Araguaci. Outra obra com ótimo rendimento, com um refrão principal que é apenas um verso em bis mas antecedido por um trecho que repete a estrutura melódica com versos distintos. O trecho é um dos destaques do samba, “chamei Casquinha pra versar um bom partido, mestre Candeia para nos iluminar, os batuqueiros de Marçal são atrevidos, deixa a Portela passar, alô, Paulinho, mete a mão nessa viola, lá vem a águia de Paulo e Natal, com Manácea apresentando a velha-guarda, da maior campeã do carnaval, da maior campeã do carnaval” O refrão principal também passou bem e manteve a qualidade da obra. O samba foca quase que integralmente na relação entre Monarco e Portela, aproveitando para lembrar de outros grandes baluartes da agremiação. Mais um desempenho de destaque na noite.
Parceria de Samir Trindade: Uma boa apresentação do samba de Samir Trindade sob o comando de Marquinho Art Samba e Gera. Uma obra com ar saudosista e que retrata Monarco não apenas como um eterno baluarte da Portela, mas como um exemplo a ser seguido, um espelho de comportamento é do que é a própria Portela em sua elegância, como explicita o refrão principal “era a forma de andar, de compor e vestir, no cantar, no sentir, sou a Portela, taí velha guarda pro samba entender, me fiz majestade no jeito de ser”. A melodia adiciona lirismo ao samba e casa bem com a escrita proposta. Outro bonito trecho é ‘Na imensidão desse enredo, brilha o azul que te eternizou, um dia haverá reencontro, Olinda seu grande amor”. O samba teve um desempenho linear nas duas passadas.
Presidente da Viradouro, Marcelinho Calil revelou ao CARNAVALESCO que a decisão de promover Bellinha Delfim ao posto de rainha vinha sendo construída há bastante tempo.
“Belinha não sabia, mas ela vinha sendo preparada para isso. A escolha foi sendo amadurecida. Ela chegou como passista, virou musa, foi vivenciando diversas situações na escola e, há pelo menos um ano, essa decisão já vinha sendo basicamente tomada por mim e pelo meu pai. Estávamos apenas preparando o melhor momento”, explicou.
O dirigente destacou a confiança na capacidade da nova rainha de representar a escola no mais alto nível.
“Ela tem todos os predicados para ser uma grande rainha do carnaval. Estou muito feliz, muito seguro e muito confiante de que o cargo de rainha de bateria da Viradouro está nas melhores mãos que ele poderia estar”, afirmou.
Marcelinho também relacionou a escolha de Bellinha à filosofia adotada pela atual gestão da Viradouro, que busca valorizar personagens formados dentro da própria comunidade.
“Fazer do Ciça enredo, fazer da Belinha rainha, fazer de Dambé enredo, de Rosa Maria, de Ganhadeira de Itapuã, está tudo aí. Escola de samba é isso. Muita gente fala, mas pouca gente faz. Hoje vocês viram uma rainha que não veio da televisão para cá. Ela veio do chão. Vou para casa muito feliz por ter realizado uma noite histórica aqui dentro”, declarou.
A Estação Primeira de Mangueira anuncia Nicole Vieira como nova musa da escola para o Carnaval 2027. Nascida e criada na Candelária, Nicole construiu sua trajetória dentro da Verde e Rosa desde muito cedo, transformando em realidade o sonho que começou ainda na infância, atravessado por gerações de sua família no samba. Aos 28 anos, Nicole celebra uma conquista construída com dedicação, renúncia e amor pela Mangueira. Sua trajetória começou em 2014: desfilou pela primeira vez na Mangueira como baianinha; em 2015, tornou-se passista, função que exerceu até o Carnaval de 2018. Após esse período, se afastou para iniciar sua vivência no candomblé e retornou à escola em 2023, reafirmando seu vínculo com a Verde e Rosa.
“Receber o convite para ser musa da minha escola do coração é uma honra que não cabe em palavras. A Mangueira foi o lugar que me acolheu, me ensinou e me transformou. Realizar esse sonho é abraçar a menina que eu fui e dizer que valeu a pena acreditar”.
Inspirada pela trajetória da ex-musa Angele Miranda, também cria da Candelária, Nicole sempre enxergou no Carnaval um caminho de representatividade e superação. Agora, assume o mesmo posto que um dia foi ocupado por sua maior referência, carregando a responsabilidade de inspirar novas gerações.
A presidenta da Estação Primeira de Mangueira, Guanayra Firmino, celebra a chegada da nova musa. “Ver uma cria da nossa comunidade alcançar esse posto reforça aquilo que a Mangueira acredita: nossos maiores patrimônios são as pessoas. A Nicole representa a força da nossa história, a dedicação de quem cresceu dentro da escola e o orgulho de ser filha da Mangueira”.
Nicole afirma que o novo desafio também representa um compromisso com as meninas da comunidade que sonham em seguir seus passos.
“Quero representar cada menina da minha comunidade, mostrando que a origem nunca limita os nossos sonhos. Agora é a minha vez de retribuir todo esse amor, defendendo esse pavilhão com a alma, com orgulho e com o coração de uma verdadeira filha da Mangueira”.
Ao anunciar Nicole Vieira como musa para o Carnaval 2027, a Estação Primeira de Mangueira reafirma seu compromisso de valorizar mulheres que carregam a identidade da comunidade, transformando suas próprias histórias em inspiração para as futuras gerações.
Oitava escola a desfilar no Grupo de Acesso I em 2027, fechando a noite citada, a Independente Tricolor revelou o vencedor da eliminatória de samba-enredo da agremiação em evento na quadra da agremiação, na Vila Guilherme, Zona Norte de São Paulo. A obra escolhida para embalar o desfile de “Os Três Obás do Rei: Na Bahia da Poesia, dos Traços e das Canções”, assinado pelos carnavalescos Yuri Aguiar e Luiz Marques, era a de número seis no concurso, composto por Marcio André, Thiago Meiners, Myngauzinho, André Valencio, Rafael Aranha, Sergião da Vila, Daniel Rizzo, Fabricio SP, Nederson Iglas e Tubino. Sempre presente em eventos de grande importância para as escolas de samba de São Paulo, o CARNAVALESCO entrevistou figuras importantes da agremiação no evento.
Para escrever o samba-enredo que aborda a religiosidade envolta em Dorival Caymmi, Carybé e Jorge Amado, três artistas bastante identificados com a Bahia, a parceria vencedora precisou encurtar caminhos por meio da internet: “Nossas reuniões foram somente via WhatsApp. Nossa parceria tem gente do Brasil inteiro e utilizamos todas as ferramentas que estão no nosso alcance para construir os nossos sambas. Nesse caso, eu, Marcio André e Myngauzinho do Rio de Janeiro, Rafael Tubino representando o Rio Grande do Sul, Nederson Iglas de Manaus, e o restante de São Paulo. Para juntar todo mundo, o processo foi somente on-line”, afirmou Thiago Meiners, em entrevista via WhatsApp com a reportagem.
A canção vencedora, de acordo com Meiners, é fruto de um texto bastante elucidativo produzido pelos carnavalescos da agremiação: “A sinopse da Independente é bem objetiva, você consegue entender de cara toda a proposta do enredo e do desfile. Foi um dos sambas mais rápidos que a gente fez no ano, foi algo bem intuitivo mesmo. Aliás, quero aproveitar e mandar meus parabéns ao Yuri, ao Luiz e toda a equipe da escola: sinopse e enredo estavam sensacionais”, elogiou.
O compositor também elencou qual trecho da canção composta por ele mesmo é o favorito: “Meu trecho favorito é o refrão principal. Acho que pega muito pela força da melodia e porque todo mundo gosta de uma macumba. Ele consegue aliar força melódica, facilidade de canto (apesar das palavras em iorubá) e energia”, comentou.
Vale destacar que o refrão citado canta duas vezes o mesmo verso: “Airá odô, oba ni sá, airá odô”, uma saudação a Xangô Airá, uma das qualificações do orixá ligado à Justiça, saudado no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, onde Dorival Caymmi, Carybé e Jorge Amado, homenageados no enredo, exerciam cargos religiosos.
Ousadia
Danilo Zamboni, presidente do Conselho Deliberativo da Independente Tricolor (que fiscaliza a agremiação como um todo), deu uma declaração forte sobre a canção escolhida pela escola: “Eu gostei e gostei muito do samba campeão! Para mim, um dos melhores sambas do Carnaval de 2025. Não só do Grupo de Acesso: para mim, até agora, é o melhor samba do Carnaval. Graças a Deus a gente acertou novamente. A gente tem trabalhado bastante e, com certeza, a gente vai apresentar um bom produto, que será um bom desfile; e, com certeza, retornar ao Grupo Especial”, vislumbrou.
Perguntado sobre as próximas datas que a comunidade da Independente Tricolor deve registrar no calendário, Zamboni destacou a labuta contínua da agremiação e o início dos trabalhos com a comunidade em geral: “A gente já está trabalhando desde depois da apuração, na verdade. A escola já está trabalhando a nível de diretoria e de todos os setores. A partir do final de agosto e começo de setembro, a gente começa as atividades na quadra. Mas a gente já vem fazendo esse trabalho com a contratação das equipes e de todo o pessoal que vai formar o Carnaval 2027. A esperança é a melhor e a ideia idem. Nós temos meta e objetivo, e elas estão sendo já cumpridas. Com certeza a Independente fará um grande desfile”, destacou.
Horário determinante
Intérprete da agremiação, Chitão Martins elogiou uma característica importante da canção escolhida pela escola: “A gente tinha três sambas que chegaram na final muito bons, cada um com melodias diferentes. A gente veio fazer uma audição interna aqui, com a comunidade, e o pessoal cantava o Samba 06 com uma força muito grande. Esse refrão é muito forte. A gente optou pelo samba que a comunidade abraçou e é um samba bom, como foi em 2026. A gente tem a responsabilidade de fechar o Carnaval, então é interessante ter um samba forte para poder segurar a galera (como a gente segurou esse ano) e fazer um trabalho que seja ainda melhor do que foi nesse ano”, antecipou.
Ritmo afro
Mestre Higor, comandante da “Ritmo Forte”, bateria da Independente Tricolor, já anteviu como a canção escolhida fluirá no Anhembi: “Gostei bastante da nossa escolha, é um samba muito bom. É um samba que vai nos dar muitas possibilidades para esse novo desfile. A gente acredita que é um samba que vai render bastante na avenida”, comentou.
O fato da Independente Tricolor já ter vindo de “Ngoma, A primeira Festa na Manhã do Mundo”, desfile também com temática africana, fez com que os trabalhos dos ritmistas já estejam adiantados: “Em 2026 nós já trabalhamos com um samba afro, e em 2027 vai ser um outro ano com outro tema afro. A gente já vem trabalhando algumas coisas. Nós já ensaiamos, inclusive, com o pessoal. Hoje mesmo, quem esteve aqui, já pôde presenciar algumas coisas que a gente já tem prontas”, informou.
Novos defensores do pavilhão principal
Allan Mattos e Kihara Costa, que formavam o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira da Independente Tricolor em 2026, foram alçados ao posto de protetores do principal símbolo da agremiação em 2027 após a ida de Jeff Antony e Thaís Paraguassu para o Império de Casa Verde. Ambos comemoraram a eleição na escola: “Era o samba que eu já estava esperando! Desde quando soltaram os sambas concorrentes, eu já estava na torcida do Samba 6! É um samba muito bom, com versos bonitos, que conta muito bem a história dos três homenageados. É um samba muito bom mesmo”, contou Kihara.
Allan trouxe uma informação bastante relevante sobre a confiança que eles próprios depositavam na obra: “A gente, inclusive, já tinha a coreografia já para esse samba! Quando começaram a sair os sambas finalistas aqui no nosso quintal, a gente já tinha a coreografia para esse samba, já tinha montado algo porque a gente já sabia que, muito provavelmente, seria esse o samba escolhido pela escola. A comunidade, de verdade, abraçou a canção. A gente viu isso na apresentação no nosso quintal: a comunidade veio em peso, cantou, berrou, e não tinha como não ser esse”, pontuou.
A dança africana de 2026 também foi tema de palavras da dupla: “São, sim, enredos diferentes. Mas, como a gente já estava ensaiando e fazendo coreografias nessa pegada mais afro, indo numa espécie de ijexá, a gente já está mais acostumado nessa parte. É até mais fácil para a gente criar coreografias em cima do samba”, disse Kihara.
A preparadora do casal também foi tema de palavras de Allan: “Nós temos a nossa preparadora, que é a Ana Reis e que está fazendo um trabalho com a gente já. Ela policia muito a gente em relação a coreografias e etc: porque, se deixar, eu e a Kihara voamos e queremos dar piruetas. Ela nos policia e fala tudo que condiz com o que dá para ser feito, o que não dá para ser feito, o que às vezes fica dúbio na visão do jurado, o que às vezes ele pode interpretar de uma maneira ou de outra. Ela costuma dizer que a gente tem facilidade em fazer movimentos rápidos, mas dificuldade de fazer coreografias mais lentas. Está sendo muito proveitoso para a gente e a gente vai vir na mesma pegada de 2026, cumprindo os critérios do regulamento, é claro, mas na mesma pegada”, finalizou.
Casa cheia
O evento teve uma série de questões interessantes. Após integrantes da comunidade tocarem sambas de roda no meio da quadra, Zamboni recepcionou os presentes com um discurso no palco. A primeira grande atração emocionou muitos presentes: a cerimônia de posse de Allan e Kihara, projetos de longa data da agremiação que chegam para o primeiro ciclo enquanto primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola. Além da emoção natural de ambos, diversos harmonias e presentes debulharam lágrimas no momento.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Os demais casais também passaram por momentos especiais. Mariana Alves e César Augusto, segunda dupla na hierarquia de casais de mestre-sala e porta-bandeira da Independente Tricolor, receberam o pavilhão do enredo. Amanda Vasquez e Caíque Silva (terceiro casal) e Melissa Barazini e Lucas Nunes (quarto casal) também foram empossados.
Outro nome importante empossado para o desfile de 2027 da Independente Tricolor foi Ana Paula França, rainha da Ritmo Forte. Letícia Carolino, segunda princesa da Corte do Carnaval de São Paulo 2026, foi apresentada como nova musa da agremiação, juntando-se a Nathalia Souza e Francielle Salvador.
Após a despedida do samba de 2026, a Independente apresentou o samba campeão à comunidade. Nos últimos anos, a agremiação não realiza shows de finalistas, apenas divulga quem venceu a eliminatória na quadra.
Retornando aos grupos organizados pela Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP), o Brinco da Marquesa apresentou o samba-enredo da escola para embalar o desfile de “O Brinco É Só Felicidade!”, assinado por uma Comissão de Carnaval. Segunda escola a desfilar no Grupo de Acesso II em 2027, a agremiação da Vila Brasilina tem obra composta por Buiu MT, Tuca Maia e Cacá Camargo. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevisto figuras importantes da agremiação da Zona Sul de São Paulo na noite em que o samba-enredo para o Carnaval 2027 foi apresentado à comunidade e aos sambistas paulistanos.
Único responsável por assinar a obra que estava presente no evento, Buiu Muleke Travesso (ou Buiu MT), em referência ao famoso grupo do pagode do qual é vocalista, explica o motivo pelo qual integra o time de compositores do Brinco da Marquesa mesmo sendo intérprete da agremiação: “Pelo fato de eu estar há muito tempo na escola, não que outras pessoas poderiam não fazer com amor, mas a gente tem um carinho diferente, um carinho especial. O Brinco é a primeira escola que eu desfilei. Eu não era do Carnaval, eu estou no Carnaval só que sou do pagode. O Brinco me abriu as portas, me deu a oportunidade de vir fazer parte do time de canto. O intérprete oficial na época, que é meu compadre, o Aleson Reis, saiu e eu fui indo, como quem não quer nada. Fui ficando, ficando, ficando… e já estou há muito tempo. Acho que vou me aposentar aqui!”, brincou.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Buiu fez questão de elogiar os dois companheiros de composição do samba de 2027: “É muito fácil tocar a bola com esses caras. O Cacá Camargo é um gênio, já ganhou sambas em diversas escolas e é um cara de fácil trato. O Tuca Maia, dispensa comentários, é um cara que já está há muito tempo no mundo do samba. O bebezinho da história sou eu, que estou chegando agora. É muito fácil fazer samba com eles. É uma sinopse fácil, a gente vai falar da felicidade da criança, de pessoas que, de repente, ganham na loteria, felicidade do dinheiro, de muitas coisas. É um tema fácil, na verdade é um tema lúdico, como foi em 2017. O presidente só mudou algumas coisas, então foi mais fácil a gente fazer”, destacou, relembrando o desfile de “Desejos, qual é o seu?”, vice-campeão do então chamado Grupo 2 da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP) e que possibilitou à agremiação retornar ao Sambódromo do Anhembi – onde tinha desfilado pela última vez em 2007.
De acordo com o intérprete, a canção inteira foi pensada no próprio terreiro da escola: “Nós fizemos o samba inteiro aqui na quadra, nessa sala em que nós estamos conversando. A gente se reúne, não tem aquele lance do WhatsApp. A gente prefere o presencial, a energia, fazendo e mandando pro presidente. O Bejar é bem criterioso, até porque ele também é compositor, já ganhou em outras escolas. Ele é bem criterioso. Só foi aprovado mesmo na hora que ele vaticinou. Talvez vai ter que mexer em algumas coisas, a gente ficou meio assim para ver primeiro o contato com a escola, com a quadra. O samba gravado, com cavaquinho e violão ou no estúdio, é uma coisa. Com a quadra, com a energia da escola, é uma outra coisa diferente”, pontuou.
Ao fazer um novo elogio a um dos companheiros de composição, Buiu detalhou qual o papel dele na parceria: “O processo inteiro teve duas idas e vindas, apenas. O Cacá é muito gênio, é um cara que vem praticamente com quase tudo pronto. Aí a gente vai pincelando: eu, particularmente, na parceria, sempre sou o cara de limpar a sujeira, no bom sentido, é claro. Quando a gente fala que algo não está legal, eu apareço. Sempre foi assim, desde a primeira composição que eu ganhei o samba aqui em 2017”, disse.
Por fim, Buiu contou qual é o principal ganho em ser um profissional que cantará uma obra escrita por ele próprio no Carnaval: “Quando você pega um filho seu, que é o samba-enredo, já que ele não deixa de ser um filho nosso, a gente educa da nossa forma. É diferente, de repente, de eu pegar um samba de um outro compositor. Os caras têm os trejeitos dele de compor, a forma melódica, e, de repente, querer mudar isso é um processo mais difícil. Agora, quando você participa da criação, você já sabe as coisas, sabe de repente o que você vai implantar na quadra. Tem muita coisa que a gente gravou no estúdio na última terça-feira, que eu fiz diferente aqui, que eu fiz mais para cima. O samba cresce assim, sempre penso em fazer dessa maneira. Vamos ver a aprovação do Bejar, quem manda é o homem”, divertiu-se.
Felicidade em pessoa
Supracitado por Buiu, Adriano Bejar, presidente da agremiação, não escondeu o sentimento em relação à obra: “Estou feliz. O nosso enredo é sobre a felicidade e eu estou muito feliz com o nosso samba. É uma proposta muito adequada para aquilo que a gente pensa tecnicamente para o nosso desfile, um samba muito fácil. Eu tenho certeza que toda a nossa nação marquesense vai cantar muito o samba no dia 31 de janeiro. É aquilo que todo mundo sabe: o samba te dá condições não só para a nota dez de Samba-Enredo e de Harmonia, mas ele motiva para o dez de Evolução, Comissão de Frente, Mestre-Sala e Porta-Bandeira e etc. Em todos os fatores humanos, o sambista se motiva muito com um bom samba-enredo. E eu tenho certeza que todos os nossos irão felizes e vamos fazer desse desfile uma grande obra, se Deus quiser”, pontuou.
Ele, que também é compositor, detalhou em quais momentos ele entra em ação e em quais dá total liberdade para os poetas: “O nosso grupo de compositores já está indo para o quinto desfile. A gente pode até observar que isso também é uma estratégia: a gente tem uma métrica muito semelhante porque vem dando certo a mensagem que eles conseguem passar para os nossos marquesenses. A minha contribuição na construção do samba é muito na adequação da letra à sinopse. A parte melódica a gente tem que deixar o processo livre. Quando eu compunha samba (e até hoje componho), nesse processo de criação a gente tem que respeitar o espaço dos nossos criadores, que são os nossos compositores. A gente vai sugerindo algumas questões na preocupação dessa adequação de letra quanto à sinopse. A melodia é total dos compositores e, como eu disse, se a gente observar o samba de 2024, ‘Entre Sonhos e Pesadelos, a Marquesa Viaja Pelo Reino de Morfeu’, e o de 2026, Evolução Humana: Descobertas e Invenções‘, podemos observar que tem essa mesma métrica, essa mesma dinâmica. Pode até parecer mesmice, mas não é. Cada samba tem o seu brilho particular. É uma questão que vem contribuindo muito com o canto da escola. Da minha parte e da nossa diretoria, que também faz a audição, a gente deixa bem à vontade esse processo de criação”, comentou.
Diretoria satisfeita
Não foi apenas o presidente do Brinco da Marquesa que ficou feliz com a obra. Henrique Poltronieri, que integra a Direção de Harmonia da escola juntamente com Claudio Cimiliano (popularmente conhecido como Baruk) e Luiz Guilherme Almeida (popularmente conhecido como Abdi), fez a mesma pontuação: “Nós da diretoria gostamos bastante do samba-enredo. Na verdade, ele ainda está no processo de construção, ainda podemos melhorar um pouquinho. Eu acredito que o samba será tão bom quanto ou até melhor que o de 2026. O samba-enredo, assim como a bateria, é o coração da escola. Eu digo que o samba-enredo é a alma da escola, que dá o corpo para a escola evoluir e cantar na avenida. O samba-enredo é a parte mais importante da construção do desfile”, pontuou, pouco antes de falar que o refrão de cabeça vai levantar o público durante o desfile.
O diretor de Harmonia também detalhou como está o calendário da escola para o restante do segundo semestre: “Daqui para dezembro, nós faremos vários ensaios. O primeiro ensaio geral está marcado para dia 22 de agosto. Faremos um ensaio por mês, chegando mais próximo do desfile serão dois ensaios até o lançamento do audiovisual da Liga-SP. No dia 19 de dezembro, às 00h, nós vamos fazer o nosso ensaio técnico. Aí já com o samba na ponta da língua, se Deus quiser!”, disse.
Com a cabeça na avenida
Comandantes da Fantástica, bateria do Brinco da Marquesa, Gabriel Bigode e Maurício Camilo também se mostraram satisfeitos com o samba apresentado no sábado: “Eu gostei, sim. É mais um bom samba do Brinco, graças a Deus. É um samba que vai ter bastante oportunidade para a gente trabalhar. É um samba que vai contagiar, é um samba bem para cima, combina com enredo. A gente tem mais um bom samba para um bom Carnaval”, comemorou Bigode.
Maurício foi pela mesma linha: “É isso que o Bigode falou. Os compositores acertaram mais uma vez. Um samba que condiz até com o dia que a gente vai desfilar, véspera do aniversário da escola. Tem que ser uma coisa bem alegre para a gente passar na pista voando, deixar pegando fogo”, disse, lembrando da importante efeméride marquesense.
O que será feito na avenida pelos ritmistas já está sendo arquitetado pela dupla, como aponta Bigode: “A gente fica sabendo do samba um pouco antes, não tem jeito. A diretoria escuta o samba primeiro, gosta de trabalhar com o samba primeiro. Por ter a oportunidade de ouvir o samba primeiro, a gente costuma já começar a trabalhar com ele. A gente já tem uma reunião, um laboratório de criação marcado entre nós dois e os diretores de naipes da Fantástica, onde a gente se junta e costuma fazer o arranjo do ano, fazer as bossas. É uma coisa meio livre para a nossa diretoria de bateria. A gente deixa todo mundo trazer as ideias e, nesse momento, a gente se reúne e costuma criar o arranjo”, refletiu.
Maurício mostrou que prestou muita atenção sobretudo na parte melódica da canção: “Desde quando a gente ouviu o samba, já estava ali no palco maquinando algumas coisas, pensando um pouquinho no que a gente pode fazer. É uma melodia que entrega boas oportunidades para a gente fazer bossa em cima, sem implicar em algo negativo na condução da escola, sempre mantendo o canto, o andamento das alas e do restante. O Brinco da Marquesa mais uma vez vem na avenida!”, comemorou.
Dupla preparada
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Brinco da Marquesa, William Ferreira e Angélica Paiva fizeram leituras semelhantes sobre a composição: “O Brinco vai vir com uma grande surpresa, a gente tem certeza que todo mundo vai gostar do samba. Ele traz bem o que vai ser a essência do Brinco: bastante felicidade, é um samba para cima, que anima todo mundo. Eu tenho certeza que a arquibancada vai levantar”, prometeu o mestre-sala.
Já a porta-bandeira entrou no quesito defendido por eles: “É um samba simples, fácil de pegar, bem chicletinho. Em duas passadinhas o pessoal já está cantando. Isso facilita muito não só na Evolução e na Harmonia, como no nosso trabalho, também”, comentou.
Angélica, por sinal, frisou que o trabalho da dupla está acontecendo de maneira adiantada: “A gente antecipou a coreografia antes do samba, já pensando no regulamento. Como é um tema muito sentimental, não é um tema específico como um enredo afro, que não tem que ter uma movimentação especial, a gente já está com a coreografia para os jurados pronta. Dentro disso, a gente vai mostrar a nossa felicidade que de estar ali executando o nosso trabalho e mostrando o pavilhão do Brinco, principalmente”, revelou.
William foi pela mesma linha: “Com certeza, sempre estamos pensando no regulamento. Mas o samba vai ajudar muito no decorrer da avenida e do desfile. A gente vai fazer uma coreografia muito bacana e com certeza vai emocionar todo mundo”, finalizou.