A Acadêmicos do Engenho da Rainha definiu quem estará à frente de sua bateria no Carnaval 2027. Patrícia Miranda foi anunciada como a nova rainha da Orquestra de Ouro. A escolha foi divulgada nas redes sociais da escola na tarde do último sábado.
Conhecedora da realidade da agremiação, Patrícia tem uma trajetória ligada à comunidade. Em 2022, desfilou como musa da escola e participou de momentos marcantes. Em 2024, afastou-se temporariamente das atividades para o nascimento de seu filho, João Davi. Mesmo distante da Avenida, manteve o vínculo com a escola. “Eu tive que diminuir um pouco o ritmo com a proximidade do parto. Mas meu coração sempre esteve com a escola, torcendo por essa comunidade que todos os anos transforma as dificuldades em luta e leva um espetáculo lindo para a avenida”, declarou.
De acordo com o presidente Pedro Henrique, a escolha ocorreu de forma natural, considerando o histórico da nova rainha dentro da agremiação. “Patrícia foi rainha da escola de 2023 a 2024, antes disso, musa. A escolha foi natural, de musa à rainha da nossa Academia do Samba e agora como rainha de bateria. Ela é uma daquelas pessoas que se entrega de corpo e alma até o desfile chegar na avenida”, afirmou.
Além de sua atuação no Carnaval, Patrícia Miranda é corretora imobiliária, estudante de gestão empresarial, musa do Parque Acari e passista do Salgueiro. A nova rainha destacou o papel transformador do samba em sua vida. “Eu sou a prova de que o samba pode mudar trajetórias individuais e coletivas. Sou semente de um projeto social, foi lá que me apaixonei pelo Carnaval, tive a oportunidade de aprender mais sobre nossa cultura e me conectar à ancestralidade. Como passista, essa é a realização do sonho de muitas. Prometo não decepcionar a responsabilidade que a comunidade deposita em mim”, afirmou.
A Em Cima da Hora confirmou a chegada de mais um reforço para o seu time de musas visando o próximo carnaval. Trata-se de Carol Padilha, nome já conhecido no cenário carnavalesco e que chega à agremiação em um momento simbólico, após o enredo da escola que exaltou as pombagiras.
A conexão temática com a trajetória da nova musa é vista como um alinhamento natural. Carol passa a integrar o quadro da escola com a missão de acrescentar ainda mais brilho, samba no pé e representatividade ao pavilhão. Com experiência consolidada, a nova musa ganhou projeção ao integrar a Corte do Carnaval como princesa em 2024. Mais recentemente, também ocupou o posto de rainha de bateria da Acadêmicos de Vigário Geral, onde esteve à frente dos ritmistas.
A trajetória de Carol é marcada pela forte ligação com a cultura popular e por anos de atuação nos desfiles, com passagens por diferentes funções dentro do Carnaval. Esse histórico contribuiu para consolidá-la como um dos nomes em evidência no cenário carioca. Na Em Cima da Hora, a expectativa é de que a nova musa escreva mais um capítulo de sua carreira na Marquês de Sapucaí, levando energia, carisma e entrega à Avenida, além de representar a comunidade com destaque.
O CARNAVALESCO ouviu torcedores da Mocidade Independente de Padre Miguel presentes no sorteio da ordem dos desfiles para o Carnaval 2027. Eles vivem um momento de reconstrução e expectativa após o resultado de 2026. Para muitos, a frustração ainda é recente.
“Ficamos um pouco chateados, porque foi um excelente trabalho apresentado e acredito que algumas notas poderiam ter sido melhor julgadas”, afirmou Mayara Nascimento, 32 anos, gerente de restaurante e musa da escola.
Apesar do sentimento, a confiança na retomada passa diretamente pelas mudanças promovidas pela escola. Sobre o retorno do carnavalesco Jack Vasconcelos, Mayara demonstrou entusiasmo. “Tive o prazer de desfilar em 2020, quando ele estava na escola, então estou empolgada com a volta dele e com a equipe que a escola montou para o próximo carnaval”, destacou. A musa também celebrou a chegada do intérprete Evandro Malandro. “Admiro demais o Evandro. Quando tive a surpresa de que ele saiu da escola anterior, fiquei bem esperançosa de que a Mocidade o trouxesse”, completou.
Mayara Nascimento, 32 anos, gerente de restaurante e musa da escola. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO
As novidades no elenco seguem animando a comunidade. Sobre a nova porta-bandeira, Mayara foi direta ao apontar a relevância da contratação. “Uma menina que soma vários 10 na carreira. Acho que ela vai somar muito para a escola. Expectativa de um grande trabalho, um grande enredo para a escola desenvolver na Avenida”, comentou a componente, que desfila pela agremiação há sete anos.
Entre os torcedores, a análise também passa por uma leitura mais crítica do último desfile. “O resultado ainda dói. Não sou daqueles que achavam que tinha que ter voltado para o desfile das campeãs, mas é inegável que o desfile de 2026 foi o melhor da Mocidade desde a pandemia. Acho, sim, que foi mal julgado, que merecia ficar ali no meio da tabela, brigando com Tijuca, Grande Rio e Tuiuti. Dói, sim”, desabafou Raphael Rocha, 39 anos, servidor público.
Raphael Rocha, 39 anos, servidor público. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO
Para Raphael, a volta de Jack Vasconcelos representa um reposicionamento importante. “A volta do Jack eu acho muito boa em um momento em que o maior questionamento é sobre as histórias que a Mocidade decide contar. Ele é um cara que sabe contar histórias, escolher temas e movimentar o mundo do carnaval. Acho uma boa escolha”, avaliou.
Sobre Evandro Malandro, ele destacou o peso da contratação. “Acho que é uma demonstração de força trazer um puxador que, na minha opinião, está no Top 3 dos melhores do carnaval. Acho que vai casar com a bateria da Mocidade, que é mais cadenciada. É um recado de que a Mocidade está pensando grande”.
O olhar atento também se volta para a reformulação do casal de mestre-sala e porta-bandeira. “Acho que a chegada da Rafaela foi uma ótima substituição à Bruna. Se você perde a Bruna, precisa trazer alguém à altura. Ela já foi estandarte, é mais testada, mais gabaritada”, afirmou Raphael. Para o próximo carnaval, a expectativa é de evolução. “Espero que a escola faça um bom desfile, possa voltar às campeãs. Voltar a ser sorteada já é uma grande vitória depois das mudanças promovidas, rumo a uma retomada”, completou.
Já Luciana Conceição, 40 anos, estudante, também demonstrou inconformismo com o último resultado. “Acho que merecia ter ficado em um lugar bem melhor em 2026. Um pecado o que aconteceu, mas vamos esperar por um resultado melhor em 2027”, afirmou.
Luciana Conceição, 40 anos, estudante. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO
Sobre as novas contratações, ela acredita em impacto imediato. “A Rafaela eu conheço há muitos anos na Imperatriz e tenho certeza de que, na Mocidade, ela vai impressionar também o público”, disse.
Para o próximo desfile, a expectativa é clara: “Espero que reconheçam mais o esforço da comunidade com o carnaval levado para a Sapucaí”.
A União da Ilha do Governador definiu o caminho que pretende trilhar no Carnaval 2027. Apostando na valorização de suas características mais marcantes, como a musicalidade, a carioquice, a afro-brasilidade e a irreverência, a escola levará para a Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem a um personagem fundamental da cultura brasileira, mas ainda pouco reconhecido pela história oficial: Getúlio Marinho, o “Amor”. A autoria é do carnavalesco Guilherme Estevão.
Figura central na formação do samba carioca, Getúlio Marinho nasceu na Bahia e foi criado na região conhecida como Pequena África, no Rio de Janeiro. Frequentador dos tradicionais terreiros de Tia Ciata, Bebiana e João Alabá, ele participou diretamente do surgimento dos primeiros acordes do gênero que se tornaria símbolo nacional.
Integrante da primeira geração de bambas da Praça Onze, conviveu com nomes como Donga, João da Baiana e Sinhô. Ao longo da vida, atuou de forma decisiva na organização do carnaval, sendo responsável pela fundação de ranchos, blocos e agremiações, além de ter se destacado como um dos primeiros grandes mestres-sala da história.
Outro marco de sua trajetória foi a criação da União das Escolas de Samba, iniciativa pioneira na estruturação das agremiações carnavalescas. Marinho também inovou no campo musical ao desenvolver o gênero “macumbas” e ao se tornar um dos primeiros artistas a registrar em disco pontos de umbanda e candomblé, ampliando o alcance dessas manifestações religiosas e culturais.
Compositor de marchinhas e referência em diferentes áreas da cultura popular, Getúlio Marinho exerceu forte influência na música, no teatro e até nas manifestações juninas. Admirado por cronistas da época, teve papel relevante na consolidação da indústria fonográfica brasileira, contribuindo para a projeção de diversos artistas negros.
Sua popularidade o transformou em um dos maiores símbolos do carnaval de sua época, chegando a superar a figura do Rei Momo em representatividade popular. Eleito por diversas vezes como “Cidadão-Samba” pelas comunidades dos morros cariocas, consolidou-se como um dos grandes agitadores culturais do Rio de Janeiro na primeira metade do século XX.
Com o enredo, a União da Ilha pretende resgatar e dar visibilidade a essa trajetória, apresentando ao público uma narrativa que destaca a importância de Getúlio Marinho para a construção do samba e do carnaval. O desfile de 2027 promete, assim, unir pesquisa histórica e identidade cultural em uma celebração ao “Amor” que ajudou a moldar a folia carioca.
A Imperatriz Leopoldinense dará início aos preparativos para a disputa de samba-enredo do próximo Carnaval com um encontro voltado aos seus compositores. A presidente da escola, Cátia Drumond, convocou os integrantes da ala e interessados em participar do concurso para uma conversa aberta no próximo dia 9 de maio, sábado, a partir das 9h, na quadra da agremiação, em Ramos.
A programação começa com um café da manhã de recepção aos compositores, seguido por um bate-papo com foco nos processos que envolvem a tradicional disputa de samba-enredo da escola. A proposta é promover uma avaliação coletiva sobre o modelo atual, identificando pontos de melhoria e possíveis ajustes para fortalecer ainda mais o concurso rumo ao próximo desfile.
O encontro contará não apenas com a presença da presidente, mas também com a participação do carnavalesco Leandro Vieira, além de diretores dos segmentos de Harmonia, Bateria, Musical e Carnaval, que terão papel importante nas discussões.
Em declaração, Cátia Drumond destacou a importância do diálogo com os compositores e reforçou o compromisso da gestão com a valorização da ala:
“O samba-enredo é o combustível que faz a Imperatriz brilhar na avenida, e ele nasce da caneta dos nossos compositores. Este encontro não é apenas para apresentar diretrizes, mas para ouvir quem faz a nossa arte acontecer. Queremos construir uma disputa cada vez mais forte, justa e transparente, reafirmando o respeito que a nossa gestão tem por cada poeta do carnaval”.
A União de Maricá vive dias de festa após a conquista do campeonato, um marco histórico não apenas para a agremiação, mas para toda a cidade. O presidente Matheus Santos destacou a dimensão coletiva da vitória e o impacto do resultado na comunidade maricaense. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o dirigente ressaltou a emoção pelo título e a sensação de dever cumprido à frente da escola, além de exaltar o papel do samba como elemento de união entre diferentes setores da sociedade.
“Busquei isso, estando à frente de uma escola, a gente sempre almeja ser o grande campeão do carnaval, mas hoje é um momento muito feliz, muito especial para mim. A ficha só caiu quando eu cheguei na minha quadra. Estou muito feliz, o sentimento ainda está pulsando em cada maricaense, e além de trazer de presente o título para uma comunidade, trazer o título para uma cidade, onde você vê que o povo, as secretarias, porque o samba tem disso, quem é de oposição, da situação, independente do governo, todo mundo está feliz com o samba. Porque o samba não tem bandeira, se é homem, mulher, preto, branco, quando você traz um título do samba para uma cidade, eu ganho três vezes mais”, afirmou.
A conquista reforça o crescimento da escola nos últimos anos e consolida a União de Maricá como uma força emergente no cenário do carnaval. Agora, com o acesso garantido, o foco se volta para o desafio de estrear no Grupo Especial em 2027. Mesmo em meio à celebração, Matheus Santos demonstrou segurança ao falar sobre o planejamento para a próxima temporada, destacando que o trabalho começa imediatamente, mas sem abrir mão da responsabilidade nas decisões.
“Nunca quis ganhar o campeonato trazendo pessoas antes do resultado sair. A União de Maricá é a caçulinha do grupo. É uma emoção e um desafio muito grande, e vamos buscar e tentar manter a Maricá, o elenco é para conseguir isso”, completou.
A escola de samba Morro da Casa Verde realizou sua já tradicional feijoada em homenagem a São Jorge Guerreiro, um evento familiar que reuniu toda a comunidade da Zona Norte de São Paulo, apaixonada pela agremiação. A diretoria da escola esteve presente durante a celebração, e muitos membros da comunidade auxiliaram para que a festa acontecesse. No local, era possível adquirir camisetas da escola, além de garantir brindes em homenagem ao santo. A feijoada, farta, foi servida pelas baianas para todos os presentes. A roda de samba ficou por conta dos grupos Cachasamba SP e Grupo Tudo Azul, além das apresentações especiais do elenco da agremiação, já pensando no Carnaval de 2027. A festa aconteceu no espaço da escola, localizado na Rua Ernâni Salomão Rosas Ribeiro, marcando mais uma edição de sucesso dessa celebração tão querida pela comunidade.
Durante o evento, o presidente da escola, Diego Campos, conversou com o CARNAVALESCO e compartilhou novidades para o próximo desfile. Ele falou sobre as novas contratações e destacou o planejamento cuidadoso da equipe: “As novas contratações foram exclusivamente por conta própria, já que os anteriores quiseram sair. Acho que todo mundo tem que ser livre para escolher. Se você está bem, está legal e, caso não esteja, está tudo bem também. Entrou aí o coreógrafo Carlos, um profissional muito competente, que faz excelentes trabalhos, além do trio de harmonia, que tem bastante experiência e já atua no carnaval há um tempo”, diz Diego Campos.
São grandes novidades na escola, que recebe alguns nomes para somar no Acesso 1. Para o presidente, também é importante manter um legado de respeito e tradição à velha guarda: “Agora, a gente vai anunciar o nosso segundo casal também, que chegou para somar, já que o nosso anterior optou por não continuar no projeto. Para o Carnaval 2027, a gente quer vir com os pés bem no chão, sem fazer nada fora da casinha, para ter tempo de terminar tudo de forma coesa, com muita leitura e acabamento perfeito. Um carnaval grandioso, do jeito que o Morro da Casa Verde merece. Meu bisavô, seu Zezinho do Banjo, e minha avó, dona Guga, vão olhar e se orgulhar, onde estiverem, minha avó aqui em vida, graças a Deus. Queremos fazer um excelente desfile e, com a graça de Deus, alcançar voos maiores no próximo ano”, comenta o presidente da Morro da Casa Verde.
O presidente também ressaltou a importância da escolha do samba-enredo, que ainda não está definida e vem sendo tratada com bastante critério: “Sobre o samba, a gente ainda não sabe, não temos o tema definido. Converso bastante com os compositores. O Celso Modi é o condutor de tudo, e uma das coisas que eu peço, principalmente, é um samba que levante a comunidade, porque, nos últimos três anos, o samba fez com que a nossa evolução acontecesse de forma natural na pista. Quem estava na arquibancada também achou difícil ficar parado. A gente pretende manter essa safra de sambas excelentes, porque temos ótimos compositores. Acho que tem tudo para dar certo”, explica Diego.
O Carnaval de 2027 chega mais cedo no início do próximo ano, mas, para a Morro da Casa Verde, o calendário não terá muitas mudanças. Segundo Diego, o desafio é conter a emoção de uma comunidade animadíssima para o próximo desfile: “Acho que o maior desafio no Acesso 1 é controlar a nossa comunidade, que está muito ansiosa, muito aguerrida, e, às vezes, a ansiedade acaba atrapalhando um pouco o projeto. Então, queremos manter a calma. Geralmente, anunciamos o enredo na nossa festa de São Jorge e, este ano, optamos por fazer diferente, para não escolher precocemente e acabar errando. Sabemos que o carnaval é um pouco mais cedo para as escolas do acesso, mas, para a gente, será na mesma data. Então, não temos essa pressa de lançar o enredo agora, porque ainda temos tempo para trabalhar. Temos um planejamento muito coeso dentro de casa e vamos segui-lo para fazer um desfile bacana e chegar ao dia 7 de fevereiro com um excelente carnaval para apresentar”, finaliza o presidente.
A Unidos de Padre Miguel segue estruturando sua equipe para o próximo carnaval e anuncia que apostará na força de uma dupla de jovens carnavalescos: Allan Barbosa e Ricardo Hessez. Formado em Cenografia pela Escola de Belas Artes, Allan Barbosa iniciou sua trajetória no carnaval ainda na adolescência, na escola mirim da União da Ilha do Governador. Em 2020, fez parte da comissão de carnaval da escola mãe, no período em que a agremiação desfilava no Grupo Especial. Desde então , atuou em diversas agremiações como o Acadêmico do Dendê, Império da Tijuca e Botafogo Samba Clube, onde, em parceria com Ricardo Hessez, conquistou o acesso à Série Ouro. Atualmente, integra equipe de criação do Salgueiro.
Ao seu lado, Ricardo Hessez iniciou sua trajetória em 2017 e construiu um caminho sólido no carnaval, com passagens por escolas como Viradouro, São Clemente, Dragões da Real e Mocidade Alegre, onde foi coautor do enredo campeão “Yasuke”. Como carnavalesco, também se destacou na Botafogo Samba Clube, conquistando resultados importantes, além de também integrar a equipe de criação do Salgueiro.
A presidente Lara comentou a escolha da dupla: “Vamos apostar na força e na criatividade desses jovens carnavalescos. A Unidos de Padre Miguel tem tradição em revelar talentos e confiamos muito no trabalho deles. São profissionais preparados, com boas referências e muita vontade de fazer um grande carnaval”.
Os novos carnavalescos já iniciaram o desenvolvimento do enredo da escola para o próximo carnaval e, em breve, a Unidos de Padre Miguel divulgará o tema que levará para a Marquês de Sapucaí em 2027.
A Prefeitura do Rio de Janeiro promete resgatar e valorizar a região histórica da Praça Onze em moldes similares ao do Porto Maravilha. A empreitada tem foco na requalificação urbana, patrimonial e cultural dos moradores da região. Em evento realizado na Câmara Municipal, na última terça-feira, Gabriel David, presidente da Liesa, participou de um painel com lideranças municipais para discutir as demandas do carnaval no que concerne ao projeto, destacando as conquistas que a Marquês de Sapucaí terá com as obras.
Vindo de um carnaval de altos números, Gabriel destacou o impacto da folia que gerou “186 países com interessados nos desfiles, R$ 5,9 bilhões de reais em retorno para os cofres da cidade, 70 milhões de espectadores em TV aberta e Streaming, 7,9 bilhões em alcance de redes sociais”. O presidente atribui o sucesso as mudanças realizadas na Sapucaí, como o novo sistema de som e iluminação, fiscalizações mais rigorosas, novos serviços oferecidos e reforço do Rio Carnaval como marca.
Entretanto, as mudanças da região abrem novas demandas para o Sambódromo que Gabriel David tem como “urgentes e necessárias” pois “com toda reforma do entorno, não se pode o que esquecer do que está no meio da região”, como a reforma de banheiros ao longo da Marquês, e a construção de banheiros nos setores 12 e 13, mudanças já exigidas pelo público da Sapucaí. Também mencionou reformas que “melhorariam o espetáculo e a segurança das pessoas que vão trabalhar e assistir” como a aquisição de 700 grades, 40m de grades da pista, 10 portões de frisa e novos portões com trilho para o Setor 12.
Já para o entorno da Marquês, que será impactado com as obras da Praça Onze Maravilha, Gabriel David sugere a “Criação de passagens subterrâneas internas e externas para travessia entre os lados par e ímpar, que pouparia 1h de uma pessoa que não conseguisse se localizar e precisasse atravessar para outro lado; Ampliação dos espaços de concentração e dispersão, além de cobertura fixa do Rio da Av. Presidente Vargas”, disse.
Também aponta a “duplicação dos acessos internos às arquibancadas, garantindo fluxo diferenciado entre público e serviço; pois ali passa todo público que vai para os camarotes e arquibancadas, e também toda operação: gelo, lixo, alimentos e bebidas. Se olhar para grandes eventos do mundo, especialmente em questão de segurança, não se vê isso acontecendo. A gente vem discutindo a ideia que o corredor tenha dois andares, um para a circulação do público, e outro para a operação. São desafios que existem por conta do tombamento do Sambódromo”, afirmou.
Como uma demanda levantada por todos os vereadores que passaram pelo painel, Gabriel David também defendeu a instalação do Museu do Samba aberto à visitação na Apoteose e utilização do Terreirão como espaço de convivência e logística. O presidente da Liesa também destacou o uso do Sambódromo ao longo do ano, para além dos desfiles de escola de samba, como ocorreu com eventos relacionados ao Rio Fashion Week neste mês.
“É cartão postal da nossa cidade e do mundo, acho que o arco, obra de Niemeyer é algo emblemático e quanto mais a gente consegue utilizar esse arco, mais a gente mostrar o Rio de Janeiro para o mundo”, disse.
A Praça Onze Maravilha segue os moldes do projeto Porto Maravilha, que revitalizou a zona portuária com a derrubada do Viaduto da Perimetral e transformou a área “abandonada” da cidade em uma zona circulável, com lazer, cultura, empresas, que fomentou o potencial residencial da região. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, afirma que o projeto será feito com investimento privado, e assim como o Porto Maravilha, obtidos por meio dos Certificados de Potencial Adicional de Construção, os CEPACs.
“A gente tem um conjunto de terrenos importantes em toda aquela região, mas principalmente com a retirada do Elevado Trinta e Um de Março surge um conjunto importantíssimo de terrenos. O Elevado é sobre um conjunto de terra armada, são uns morros que ocupam toda aquela parte. Além dos terrenos que a gente já falou sobre hoje, a gente vem com o surgimento de um conjunto de terrenos a serem disponibilizados com a retirada do Elevado. Ali, o mecanismo é diferente. Você pode vender esses terrenos, para conseguir o primeiro recurso e começar a obra. E depois que a obra começar, a região vai valorizando e outros terrenos também vão valorizando e a prefeitura vai fazendo essa máquina girar. Seja vendendo terrenos, seja vendendo potencial construtivo desses terrenos. É um mecanismo que invés de pegar todo esse dinheiro na frente e fazer toda a obra, a gente vai fazendo isso ao longo do tempo. A gente vai fazendo isso ao primeiro esforço inicial, depois a gente segue fazendo essas captações à medida que a região vai melhorando”, explicou.
A vereadora Helena Vieira reforça a importância da fiscalização do uso dos investimentos, e medidas a fim de garantir a empregabilidade e fomentar a economia da região. “Tem que ter vida, tem que ter comércio, tem que ter saúde, tem que ter escola. Tudo referente ao Sambódromo e a Praça Onze, temos que valorizar, pois temos uma quantidade de moradores que vai se multiplicar. Temos que dar a qualidade de vida e a possibilidade de ‘se virar’ sem sair de casa, poder fazer a própria renda dele no local”, afirmou.
Para o vereador Átila Nunes a expectativa é que daqui a dez anos a Praça Onze Maravilha seja considerada um “case de sucesso e referência cultural no Brasil” e também considera importante ter o Porto Maravilha como referência pois “Quando a gente analisa, lá atrás, é importante perceber o que deu certo e o que não deu tão certo e um aspecto que Wellington Dias destacou, é a premissa que temos que partir que este é um projeto de estado e não de governo. É importantíssimo para o Rio de Janeiro”, declarou.
A eleição do Pérola Negra já tem cenário definido: duas chapas foram inscritas para disputar o comando da escola no triênio 2026/2029. O pleito será realizado no dia 11 de maio, na quadra da escola, na Vila Leopoldina. A participação será restrita aos conselheiros com direito a voto e aos integrantes das chapas. Diferente do último processo eleitoral, quando houve candidatura única, desta vez a escolha será feita entre dois grupos. A disputa será entre a Chapa 1 – “Resistência”, encabeçada pela atual presidente Sheila Mônaco, e a Chapa 2 – “União e Tradição”, liderada por Silvia dos Reis. Sheila, que está há nove anos à frente da escola e tem uma trajetória longa dentro da comunidade, tenta a permanência por mais um triênio.
Ao longo desse período, esteve à frente da agremiação em diferentes momentos, incluindo passagens pelo Grupo de Acesso 2 e pelo Acesso 1, consolidando uma relação próxima com os componentes. Já Silvia dos Reis, candidata pela Chapa 2, tem ligação familiar antiga na Vila Madalena, com histórico no meio do samba e dos times de várzea, o que também a conecta com a base da escola. A composição das chapas contempla os cargos de presidente, vice-presidente, secretário, tesoureiro, diretor financeiro, diretor de Carnaval e diretor de patrimônio, além do Conselho Fiscal, formado por três titulares e três suplentes.
Pela Chapa 1 – “Resistência”, seguem nomes ligados à atual gestão, como Giovana Natali Monaco Junges (vice-presidente) e Flavio Amaral Gurgel (secretário). Já a Chapa 2 – “União e Tradição” apresenta uma formação alternativa, com Anderson Aparecido Silva Sona como vice-presidente e Beatriz dos Reis Pereira na secretaria, entre outros integrantes. A movimentação eleitoral acontece poucos dias após a comunidade celebrar, na quadra, o retorno ao Grupo Especial, evento que reuniu componentes e lideranças em clima de comemoração, mas que também abriu espaço para as primeiras conversas sobre o futuro político da escola.
“Eu só espero respeito de todo mundo, porque é o que eu faço com as pessoas. Então, quando a gente dá respeito, a gente tem que receber respeito. E isso é a única coisa que eu tenho para falar da chapa”, disse a atual presidente Sheila Mônaco.
A definição da nova presidência ocorre em um momento simbólico, com a escola de volta à elite do carnaval paulistano após seis anos e diante do desafio de estruturar o próximo ciclo no Grupo Especial. Em nota oficial, a agremiação informou que novas atualizações sobre o processo serão divulgadas oportunamente.