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Vigário Geral apresenta samba e sonha repetir coirmãs que permaneceram na Série A

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Uma das máximas mais cruéis do carnaval nos tempos recentes é aquela de que escolas oriundas de grupos inferiores estão fadadas ao rebaixamento. Na Série A pelo menos não tem sido assim e é apostando nisso que a Acadêmicos de Vigário Geral apresentou seu samba à sua comunidade na quadra na noite desta sexta-feira. A escola quer repetir os feitos de Em Cima da Hora (2014), Rocinha (2016), Sossego (2017), Unidos de Bangu (2018) e Unidos da Ponte (2019), que não caíram após vencerem a Série B no ano anterior. Durante o evento, Egili Oliveira foi coroada rainha de bateria da escola.

O carnavalesco Rodrigo Almeida recebeu a incumbência de com a Vigário Geral buscar essa permanência na Série A, repetindo histórias de sucesso das últimas campeãs da Série B. Almeida conta detalhes do enredo à nossa reportagem e ressalta que a dificuldade financeira das escolas está trazendo o povo de volta para as escolas de samba.

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“O enredo é uma crônica sobre o porque do Brasil não deu certo. Começamos com uma lenda do Eldorado e a partir daí contamos as tramoias, passando pelo barroco mineiro. Terminamos com os contos atuais, os golpes, a questão política. O samba encomendado deixa a gente um pouco tenso, mas como o samba ficou muito bom eu fiquei bastante tranquilo. Eu considero que o maior desafio é pisar na Sapucaí com a escola duas décadas depois. Mas a escola está se preparando muito bem. Colocar carnaval na avenida pela Série A é uma façanha, mas por outro lado é tanta ajuda e garra, que essa dificuldade se torna até esquecida. A falta de dinheiro está trazendo o povo de volta para o carnaval”.

Compositores buscaram linha diferente dos sambas da São Clemente

Uma autêntica seleção de compositores foi convidada pela escola para fazer o samba que a Vigário Geral apresentará em seu desfile no ano que vem. Os 12 poetas escalados: Renan Diniz, Orlando Ambrosio, Richard Valença, Jefferson Oliveira, Fernandes, Domenil, Professor Laranjo, Serginho Rocco, Denis Moraes, Dr. Rodrigo Sampaio, Gigi da Estiva e Carlinhos Ousadia.

Um dos compositores convidados a fazer o samba da Vigário Geral foi Domenil. O experiente poeta, que possui vitórias marcantes pela Mocidade, de onde é presidente da ala, falou ao CARNAVALESCO sobre a primeira vez fazendo samba encomendado em tantos anos de carnaval.

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“Na verdade, eu não gosto muito disso, fui convidado e fiz. É a primeira vez que participo. Chegou o convite da escola e participei junto da rapaziada. Achei o samba muito bom para a escola. A comunidade adorou. Se é melhor pra a escola que assim seja. Cada um é que sabe onde o calo aperta. Agradeço imensamente o convite”.

Richard Valença complementa a opinião de Domenil e aponta que os compositores buscaram outra linha de composição, que não criasse qualquer tipo de semelhança com a São Clemente, que levará pra a avenida um enredo com o mesmo título, mas outra abordagem.

“Tivemos uma preocupação em separar a linha de raciocínio do enredo da Vigário aos sambas da São Clemente. O nosso lado vi pra um aspecto mais sério, uma pegada mais crítica. Eu destaco a maneira que conseguimos desenvolver a cronologia dos contos do vigário. Tem uma crítica intrínseca ao atual governo da prefeitura do Rio. O ponto forte é nosso refrão principal. O samba encomendado te permite uma conversa direta com a escola. Em todo momento recebemos informações para desenvolver. O feedback é o próprio samba. No começo criamos uma opção e eles deixaram claro que a linha deveria ser outra. A escola ficou super feliz”.

Presidente se emociona ao lembrar das duas décadas longe da Sapucaí

Presidente da Vigário há dez anos, Elizabeth da Cunha, a Betinha fala da importância de poder ver a escola novamente na Marquês de Sapucaí, depois de 22 anos. A dirigente entretanto não se esquece das dificuldades e responsabilidades para colocar o carnaval na avenida.

“O sentimento de estar na Série A não tem nem como descrever. Eu estou ainda tão maravilhada e nem acredito. O povo da escola ajudou muito na produção desse evento na quadra. Estou com muita fé. Acredito que viemos para ficar. Já estamos trabalhando muito para um bonito carnaval. O barracão estamos vendo, provavelmente iremos ocupar o antigo barracão do Império da Tijuca, em frente ao Into. Fazer carnaval sem dinheiro eu estou acostumada, desde a Intendente. Agora é Sapucaí, mas graças a Deus estamos adiantados. Um ajuda ao outro aqui. A encomenda foi uma decisão conjunta. Foi uma maneira que encontramos para ajudar a própria escola”.

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O diretor de carnaval Ney Lopes reconhece as dificuldades do carnaval da Vigário, mas afirma que a agremiação realizará ensaios de comunidade normalmente.

“Será um ano bastante desafiador, não apenas por subirmos depois de muitos anos. Temos ciência das dificuldades financeiras, mas em dezembro vamos começar a ensaiar a comunidade. Vamos desfilar com 1.700 componentes. Reforçamos o nosso elenco, trouxemos um casal muito talentoso de São Paulo. Acredito em um grande desfile”, pontuou.

Oriundo de São Paulo, casal estreia no Rio de Janeiro

O mestre-sala Jefferson Gomes é oriundo do carnaval de São Paulo. Primeiro da Mocidade Unida da Mooca, ele conta à reportagem do CARNAVALESCO que a oportunidade de estrear no Rio de Janeiro veio após dirigentes da agremiação carioca o verem dançar no carnaval de Uruguiana. Ele relata ainda que a oportunidade no carnaval carioca era um antigo projeto seu e elogia a parceira, Paula Penteado.

“Fiquei muito feliz com esse convite; Eu venho tentando há muito tempo vir para o Rio. Foi em Uruguaiana que pintou esse convite. Esse era um objetivo meu. A Paula é uma amiga antiga. Nos conhecemos do carnaval de São Paulo, mas nunca havíamos dançado juntos. Quando veio a chance de dançar em Uruguaiana, pensei imediatamente em formar essa parceria com ela. Com o convite da Vigário, decidi repetir essa parceria. Acho que para o casal a diferença é que há uma assimilação mais demorada, pois não houve uma disputa, quele contato com a obra. Mas da mesma forma montamos a coreografia a partir do samba”.

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Paula Penteado, também vem da folia de São Paulo. Porta-bandeira do Vai-Vai, ela se encontrou com Jefferson em Uruguaiana e quando ele foi convidado pela Vigário Geral, prontamente a convidou para repetirem a parceria, que nunca havia ocorrido na capital paulista. Paulinha afirma que seu parceiro é uma pessoa muito determinada.

“Estreando no Rio de Janeiro eu estou bastante ansiosa. A responsabilidade é bem maior, acredito que seja o dobro. Mostrar para as pessoas a sua capacidade e porquê tivemos esse voto de confiança. O Jefferson é um cara muito comprometido. Ele já me escolheu com um objetivo. Além da escola preciso fazer jus à essa oportunidade que ele me proporcionou. Eu me sinto muito protegida e resguardada por ele”, destaca.

Tem-Tem Jr diz que samba tem a sua cara

Tem-Tem Jr. depois de receber sua primeira oportunidade na Série A pela Unidos de Bangu em 2019, vai novamente passar na avenida, agora defendendo as cores de Vigário Geral. Ele revela que o samba tem a sua cara, que nem sempre foi à favor de encomenda de samba, mas que se deixou levar pela qualidade da obra.

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“Agora eu costumo dizer que o sonho era cantar como primeiro cantor. Mas foi em um trio essa minha estreia. Aprendi muito com eles. Agora a responsabilidade é maior, mas a vontade é gigante. A realização de um sonho de 12 anos, passa um filme pela minha cabeça. Eu tenho muita humildade e sei do talento que tenho, com os pés no chão. Eu acho que a gente ser julgado no quesito harmonia pede um capricho e uma atenção maior. Vou mostrar o que sei fazer e tenho certeza que muita gente espera isso. Sapucaí é diferente. No início eu era contra encomenda, sempre participei de disputas. Mas quando escutei o samba fiquei muito feliz. É uma linha que tem a minha cara. A galera da caneta foi muito feliz”.

Escola repete aposta no jovem Luygi para a bateria

O mestre de bateria que foi um dos responsáveis por um dos melhores momentos da Vigário Geral em seu desfile campeão na Intendente Magalhães este ano vai receber sua primeira oportunidade na Sapucaí este ano. Ele chegou a dividir o comando da bateria da Unidos da Ponte com Vitinho, mas não foi para o desfile. Luygi agradece a oportunidade e fala da boa safra de mestres da nova geração.

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“Eu acho muito importante essa valorização de nós que somos mais jovens. Vigário é uma escola de comunidade, estamos ensaiando forte. A intenção é deixar uma excelente impressão nessa estreia”, destaca o mestre.

A Acadêmicos de Vigário Geral será a primeira escola a desfilar pela Série A na sexta-feira de carnaval em 2020. A escola apresentará enredo ‘O Conto do Vigário’, de autoria do carnavalesco Rodrigo Almeida.

Galeria de fotos: apresentação do samba da Vigário Geral para o Carnaval 2020

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Papo de Redação: final de samba da Mocidade para o Carnaval 2020

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Parceria de Paulo César Feital larga na frente na preferência dos internautas para final da Mocidade

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A Mocidade Independente de Padre Miguel escolhe neste sábado seu samba-enredo para o Carnaval 2020. A disputa promete uma grande noite no Maracanã do Samba. Na enquete feita pelo site CARNAVALESCO, que recebeu mais de 2500 votos, a preferência dos internautas ficou para a parceria de Paulo César Feital, Domenil Santos, Denílson do Rozario, Léo Peres, Marcelo Casa Nossa, Alex Saraiça, Carlinhos da Chacará e Thiago Castro com 47% dos votos.

Em segundo lugar ficou a parceria de Sandra de Sá, Igor Vianna, Dr. Márcio, Solano Santos, Renan Diniz, Jefferson Oliveira, Professor Laranjo e Telmo Augusto com 32% dos votos.

Com 13% dos votos terminou a parceria de Jefinho Rodrigues, Diego Nicolau, Marquinho Índio, Ricardo Simpatia, Jonas Marques, Richard Valença, Orlando Ambrosio e Cabeça do Ajax. E a parceria de Zé Glória, J.Giovanni, Fabiano Alcântara, André Baiacu, Paulo Ferraz, Beto Br, Dr. Castilho e Igor Leal fechou com 7%.

Mocidade faz ‘super-final’ para escolher samba-enredo para 2020

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O apelido de Maracanã do Samba nunca fez tanto sentido para designar a quadra da Mocidade, localizada na Avenida Brasil. Na noite deste sábado um duelo que promete ser épico entre quatro grandes sambas vai definir o hino oficial da Estrela Guia para o Carnaval 2020. Uma safra apontada por muitos como a melhor da história recente na escola para contar a vida de Elza Soares, sonho de dez entre dez independentes.

Sempre lúcido em suas ponderações, o diretor de carnaval Marquinho Marino se permitiu embalar na onda de empolgação gerada pela safra e destacou os motivos pelos quais a escola vem conseguindo realizar grandes disputas desde 2017.

“Eu acho que foi a melhor dentro de no mínimo 10 anos. Mais importante que a safra, é conseguir levar os sambas mais qualificados para a grande final. Eu credito isso a quatro pilares básicos: enredo, texto, ala forte e percepção de que realmente de 2017 em diante a escolha tem sido técnica. Isso tudo gera credibilidade e faz com que as pessoas tenham vontade. É uma super-final com certeza”, diz.

Usando da mesma premissa do futebol, de que pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente, a escolha do samba na Mocidade é uma decisão do presidente Flávio Santos. Marino explica os motivos.

“É claro que ele escutará a área técnica da escola, o departamento musical, o carnavalesco. Mas a palavra final deve ser sempre do presidente. O comandante precisa ter essa prerrogativa, pois faz parte das funções de comando”, destaca Marino.

Forma de apresentação de cada finalista

Cada samba terá 8 passadas (cerca de 25 a 30 minutos para se apresentar). As duas primeiras serão sem bateria, duas com, mais duas apenas com o canto da quadra e outras duas novamente com o ritmo. A expectativa para o horário do anúncio é por volta das 05h da manhã de domingo.

Os ingressos podem ser adquiridos pela internet, através do link – https://www.aloingressos.com.br/elza-deusa-soares-final-de-samba.html – e nas bilheterias da quadra da escola. Os camarotes já estão esgotados, mas ainda há mesas disponíveis pelo preço de R$ 200 e com direito a quatro lugares. Há também a opção do espaço com mesa bistrô, sem cadeiras, e dois ingressos a R$ 100. Além da entrada para a pista, que antecipado sai a R$ 40, e na hora do evento custará R$ 50. A classificação etária é 18 anos.

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A quadra da Mocidade fica na Avenida Brasil, 31.146, em Padre Miguel. Em 2020, a Estrela Guia da Zona Oeste será a quinta escola a desfilar na segunda-feira de folia com o enredo ‘’Elza Deusa Soares’’, que será desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos.

Veja o ranking das audições dos sambas finalistas da Mocidade

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A Mocidade Independente de Padre Miguel escolhe neste sábado seu samba-enredo para o Carnaval 2020. O site CARNAVALESCO revela o ranking até agora das audições dos quatro sambas finalistas. Vale lembrar que utilizamos os acessos os links de cada samba como forma de contagem das audições.

Confira abaixo e ouça todas obras que estão na disputa.

Parceria de Sandra de Sá: 14.135 audições – OUÇA AQUI O SAMBA
Parceria de Zé Glória: 11.939 audições – OUÇA AQUI O SAMBA
Parceria de Jefinho Rodrigues: 8.088 audições – OUÇA AQUI O SAMBA
Parceria de Paulo César Feital: 7.365 audições – OUÇA AQUI O SAMBA

Diretores avaliam que corte de uma parada traz dinamismo e facilita o componente que desfila em ala

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    Após a plenária na Liesa decidir pela redução do tempo de desfile de 75 para 70 minutos, a reportagem do CARNAVALESCO conversou com diretores de harmonia e de carnaval das escolas do Grupo Especial para saber em que a medida impactaria no trabalho de preparação para o carnaval 2020. E, entre os diretores ouvidos, uma conclusão foi unânime. A redução do número de paradas para apresentações na frente dos jurados contribui em muito para evitar que as escolas possam estourar o tempo de desfile.

    Fábio Pavão, vice-presidente da Portela e membro da comissão de carnaval da escola, confessou que a agremiação já esperava a medida e, portanto, já se movimentava para que a decisão não pudesse impactar no desfile.

    “A Portela já esperava essa decisão. A gente já havia começado o nosso projeto considerando essa possibilidade. Isso não vai afetar diretamente o nosso trabalho de planejamento. O que a gente tem que fazer com a redução de 5 minutos? Primeiro que a gente vai ter uma cabine a menos o que significa que vamos ter uma parada a menos de comissão de frente e de casal de mestre-sala e porta-bandeira. O que por si só já apresenta uns 4 minutos. Uma outra medida por segurança vai ser reduzir a quantidade de componentes para cada ala. A Portela vem com a mesma quantidade de alas que o ano passado, porém uma quantidade ligeiramente menor de componentes, para diminuir a escola sem comprometer sua parte artística”.

    Thiago Monteiro, diretor de carnaval da Grande Rio, revelou que a própria crise financeira do carnaval já havia levado a escola a uma adaptação no planejamento.

    “A partir do momento que você tira uma cabine, isso (diminuição do tempo máximo de desfile) não vai influenciar em nada. Pois o tempo de parada de um casal por exemplo em uma cabine dava quase 5 minutos. Na prática não influencia muito para nós. Reduzir tamanho de escola, depende de cada agremiação. A gente já estava se adaptando a nova realidade há algum tempo, inclusive em função de dificuldades financeiras”.

    Dudu Azevedo, diretor de carnaval da Beija-Flor, concordou com os dois colegas de que a redução do número de cabines ajuda a resolver o problema do tempo.

    “Eu fico muito tranquilo em relação ao tempo, pois com o número de cabines menor, acaba por equilibrar está questão. A nossa estratégia segue a mesma até porque nós já tínhamos o entendimento de ter uma contingente menor, trabalhando com um tempo menor até para que os foliões aproveitem mais”.

    Se os diretores concordam com a questão da redução no número de cabines ajudando a reduzir o risco de estouro, há o temor por uma desvalorização da parte tradicional e cultura da folia com as novas ações acordadas na Liga.

    Thiago Monteiro, por exemplo, entende a necessidade das medidas do ponto de vista mercadológico, mas se mostra preocupado em relação a valorização cultural da folia.

    “Lógico que como amante do carnaval, apreciador da tradição das escolas de samba, nunca é bom você ter aquilo que você ama, o seu espetáculo reduzido. Em contrapartida, a gente tem de entender que a Liga precisar atender as necessidades do mercado, precisa ouvir os seus parceiros comerciais. E para isso, essa decisão de ir para 70 minutos, acabou sendo inevitável”.

    Fábio Pavão vai pelo mesmo caminho que Thiago Monteiro e aponta o dinamismo da festa e sua capacidade de adaptação como combustíveis para que as mudanças possam ajudar o carnaval a evoluir.

    “Pessoalmente, como amante do carnaval, não me agrada ver o desfile encolhendo, mas eu entendo que é necessário torná-lo mais dinâmico. Historicamente, as escolas de samba sempre se transformaram atendendo às demandas da sociedade. Neste caso, atende as demandas do mercado. Cabe a nós, dirigentes, conciliar estas mudanças aos aspectos culturais, fazendo com que as escolas de samba também atendam aos anseios de sua comunidade”.

    Já Dudu Azevedo viu as medidas com um olhar diferente, acreditando que elas possam atender aos anseios do público e dos foliões.

    “Eu acho que diminuir o número de cabines, privilegia quem desfila. Dá um equilíbrio, deixa mais tempo para o folião brincar. Com tantas cabines, não dá para o folião curtir muito. E para o público, fica mais dinâmico pela redução do tempo também”.

    Compositores da Mocidade falam sobre ‘super final’ e destacam pontos favoráveis de cada samba

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    A Mocidade terá um doce problema para resolver na madrugada deste sábado. Com quatro grandes sambas na final, a escola define seu hino para homenagear Elza Soares no Carnaval 2020. A reportagem do site CARNAVALESCO conversou com um representante de cada parceria que está na final. Eles falaram sobre o enredo e claro sobre as qualidades de cada obra nesta grande final.

    Denilson do Rozário, da parceria de Paulo Cesar Feital, campeã em 2017 e 2018, destaca que a obra da autoria de seus amigos desenvolve a homenagem à Elza de forma mais objetiva e ressalta que a Mocidade possui o melhor enredo do carnaval.

    “Temos um samba que retrata a vida de Elza de uma maneira clara e objetiva, uma melodia muito bacana e uma cadência que vai proporcionar à escola fazer um grande desfile, contribuindo com o andamento que a nossa bateria costuma tocar e contribuir para a harmonia fazer um grande trabalho. O DNA do nosso trabalho é que as estrofes se completam e torna uma harmonia homogênea, mas o refrão do meio é maravilhoso, precisamos dar continuidade ao legado de Elza, levantando a bandeira contra a violência feminina. Na minha opinião como independente, temos o melhor enredo do carnaval 2020, (minha opinião), falar de uma mulher com as características e história de Elza, por si só já é o diferencial, mas levantar a bandeira em defesa das Elzas, espalhadas em todo Brasil é muito importante, já passou da hora das pessoas entenderem que mulher é um ser mágico, é uma combinação de força, coragem, simplicidade e amor”, diz.

    Diego Nicolau, atual campeão na Mocidade, e também vencedor em 2012 e 2014, elogia as obras concorrentes mas aponta que o samba de sua parceria entendeu a história de vida de Elza Soares de uma forma como um manifesto.

    “Acho que merecimento todos tem mas acredito que nosso samba se diferencia no sentido de entender profundamente a história de vida da nossa querida homenageada e em forma de manifesto nos colocar junto a ela nessa luta pelos sem voz. Queremos que cada um dos desfilantes possa ser par da Elza nesse grito pelas causas que ela já defende em sua vida e carreira. Acredito que essa forma que escolhemos de cantar Elza nos fez ter por todo samba versos marcantes como o Preta sim, Medo não, Menina Magrela manchou aquarela do homem e o bordão Ninguém solta a mão de ninguém. Fora isso acho que os refrãos ajudam o samba a ecoar na quadra. Sem dúvidas ser uma homenagem em vida já o destaca, além disso é pra uma personagem de vida e carreira ricas e que tem relação direta com a agremiação. Entendo que seja o melhor dos cenários pro torcedor independente. Daí os diferenciais desse enredo”, destaca o compositor.

    A parceria de Sandra de Sá também vai em busca de uma vitória. Integrante do time e filho do lendário Nei Viana, Igor Viana aponta à nossa reportagem os motivos pelos quais ele acredita que o samba pode se consagrar campeão ao fim da disputa.

    “Eu e meus parceiros buscamos a vitória, por ser um sonho de todos e também por termos a impressão que o nosso samba junto a todos os que estão na final, tem plena condição de representar muito bem a Mocidade. O meu trecho predileto da obra é ‘Se acaso você chegar’, com a mensagem do bem, o mundo vai despertar, deusa da vila vintém. És a estrela…meu povo esperou tanto pra revê-la’. Na minha opinião o diferencial do enredo da Mocidade é ser um enredo forte, contando a luta de uma mulher forte, nascida nos braços da comunidade, um enredo esperado pelo povo independente, povo este que sonha em rever a Elza, em um lugar de grande destaque dentro da Mocidade, brilhando junto com a agremiação e o pavilhão. Daí o diferencial na minha opinião. E o melhor de tudo, é que a Mocidade atendeu o chamado do seu povo, com a sua grande homenageada em vida, apta a cantar na avenida a sua vida, a plenos pulmões”, define.

    Zé Glória é mais um compositor nesta final com histórico recente vencedor na Mocidade. Para chegar lá mais uma vez, o experiente poeta aponta que o samba conseguiu expressar de maneira lúdica a trajetória de luta na vida de Elza.

    “O nosso samba é candidato à vitória na minha opinião por conseguir expressar poeticamente a trajetória de luta da nossa homenageada Elza Soares. Nosso diferencial no meu ponto de vista foi mostrar para as pessoas que apesar de todas as dificuldades que a vida pode colocar no nosso caminho é possível vencer, como ela. O meu trecho predileto da obra é ‘Sou a Deusa dessa gente tenho a cor que incomoda, o revide inteligente dos que estão fora de moda. Sou a Deusa dessa gente que das cinzas toma rumo. O poder em verde e branco pra sambar no fim do mundo'”, opina.

    Sambistas alertam para injustiças em nova divisão de cotas de TV no Grupo Especial a partir de 2021

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      Portela Desfile2019 133Uma das principais novidades apresentadas pela Liesa na plenária que definiu mudanças no regulamento não entrará em vigor em 2020, mas para 2021 pode promover uma reconfiguração no Grupo Especial. As cotas de TV serão distribuídas de acordo com a classificação das escolas no ano anterior, em uma escala de proporcionalidade como já é feita a distribuição da renda de ingressos.

      Para o carnavalesco da São Clemente, Jorge Silveira, a medida institucionaliza a injustiça e pode aumentar ainda mais a diferença entre escolas de menor aporte financeiro e aquelas que possuem maiores receitas para seus respectivos desfiles.

      “Eu acho que esse tipo de manobra regulamenta e oficializa a injustiça. Quem tem um maior poder de fogo sai beneficiada, recebendo uma premiação melhor. Abre inclusive um precedente perigoso. Todas as escolas se empenham, apresentam um espetáculo e por isso todas precisam receber de forma igual. Considero preconceito com quem tem menor poder de fogo, aumenta as diferenças”, diz.

      Carnvalesco campeão pela Mangueira em 2019, Leandro Vieira argumenta de uma forma mais ampla acerca de todas as mudanças propostas pela Liesa em seu regulamento. Leandro considera que qualquer modificação na estrutura da festa sem ouvir os artistas envolvidos se torna paliativa.

      “Eu acho que qualquer decisão da Liesa que não reúna os artistas que pensam a festa é um paliativo. Todos precisamos pensar juntos, uma reunião onde os artistas (e não é só o carnavalesco) opinem. Os envolvidos precisam contribuir. Determinar quantas cabines, carros, e se isso não for melhor para quem de fato faz a festa? Quem sabe o que é melhor são os artistas. Dirigente vai para lá contar dinheiro e tomam decisões baseadas a partir disso. E não estou dizendo que ser mais barato vai piorar. Quando eu proponho esse pensamento penso em diversidade artística, de propostas. Não é só economia. As mudanças são superficiais”, define Leandro.

      Outro importante integrante da festa que faz ponderações é o diretor de carnaval do Tuiuti, Junior Schall. Ele apoia a medida de se valorizar quem trabalha melhor, mas faz um adendo de que para isso é preciso tornar iguais as condições financeiras das escolas de samba.

      “Eu acho que é um fato interessante enquanto provocar as escolas a realizarem um carnaval competitivo. No entanto não vejo que há uma consistência nivelada para que essa divisão seja justa. Hoje há um desequilíbrio. É um passo interessante mas vejo um alicerce inconsistente para projeção de um carnaval mais equilibrado. A partir daí poderíamos dar esse salto”, destaca.

      Mestres e especialista divergem sobre mudança na obrigatoriedade de parada das baterias para os jurados

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        Mangueira Campeas2019 086Dentre as mudanças no regulamento par o Carnaval 2020 uma delas atinge diretamente um dos quesitos mais importantes de um desfile, a bateria. A partir do ano que vem os ritmistas estão desobrigados a pararem em frente aos módulos de julgamento para apresentar a bateria. Em tese nunca ouve esta obrigatoriedade no julgamento, mas alguns jurados retiravam décimos quando mestres não paravam. A novidade é que de 2020 em diante eles não poderão alegar isso nas justificativas.

        A reportagem do CARNAVALESCO ouviu mestres de bateria, os maiores interessados na mudança e o jornalista e especialista no segmento, Rodrigo Coutinho. De acordo com Coutinho, as direções de harmonia precisam se conscientizar da importância de apresentar a bateria nos módulos. Segundo ele é preciso deixar claro no regulamento e no curso de jurados a não obrigatoriedade da parada.

        “Importante ser frisado textualmente no regulamento e deixado claro no curso. Julgadores tem tirado ponto desse aspecto alegando falta de criatividade, mas às vezes é porque a bateria não para no módulo. Por outro lado eu acho uma pena, pois as baterias realizam um trabalho de um ano inteiro e se não contar com a boa vontade da direção de carnaval e de harmonia, não consegue mostrar o trabalho. Andando é muito pouco para se mostrar o desempenho. Tem de haver essa conscientização dos dirigentes. Vale lembrar que a parada nunca foi obrigatória. O principal neste ponto é o trabalho da Liga junto aos julgadores e a conscientização dos dirigentes. Alguma parada na altura da cabine é importante”, opina.

        Mestres de bateria divergentes com relação à novidade

        A não obrigatoriedade de parada nos módulos para exibição da bateria desagrada um dos principais nomes da nova geração. Para o mestre da Grande Rio, Fafá, o trabalho dos mestres pode ficar desvalorizado sem a exibição correta nos módulos de julgamento.

        Salgueiro Convida 2019 Imperatriz Grande Rio 103“Eu como mestre vejo esse lance de não parar muito ruim. Se você analisar que o casal e comissã param, os jurados vão observando com atenção. Só a bateria não parar acho complicado. Se com 75 minutos já tinha diretor de carnaval que obrigava a bateria a andar, com 70 será mais difícil ainda. Acho muito importante uma reunião com os jurados para deixar tudo muito claro. Afinal obrigado a parar nunca foi. Não vejo com muitos bons olhos não”, opinou.

        O mestre Rodney, da Beija-Flor, um dos mais experientes do Grupo Especial, é favorável à medida. Ele lembra que já foi punido por não parar e não considera fundamental esse aspecto para o julgamento de bateria.

        Beija Flor desfile2019 056“Eu já fui penalizado. Eu acho que alguns julgadores penalizavam, agora não tem como penalizar, eu acho melhor. Está definido dessa forma. Isso na teoria é bom, vamos ver na prática. Eu sou à favor da transparência sempre. Isso deixa mais claro. Em condições normais, fazemos ensaios para fazer convenções andando. Particularmente acho melhor dessa forma. Não tendo essa obrigação é melhor. Isso atrasa o andamento do desfile”, destaca.