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Emocionado com a Grande Rio, Perácio diz: ‘ninguém mais segura a gente. O que não falta aqui é vontade de vencer’

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Uma das escolas mais novas do Grupo Especial, a Grande Rio tem uma jornada interessante. Após altos e baixos, a agremiação conseguiu, enfim, chegar ao topo. Com uma vitória incontestável, a Tricolor de Caxias fez 2022 ser não apenas um ano glorioso para seus componentes, mas também um ano que ficaria marcado na história. Para os mais antigos, o sentimento de satisfação é ainda maior. Milton Perácio foi um dos fundadores da escola e segue como presidente até os dias de hoje. Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, o homem de poucas palavras se emocionou diversas vezes e mostrou estar ainda mais motivado com o futuro.

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Foto: Luisa Alves/Site CARNAVALESCO

Estamos indo para o primeiro carnaval pós-título inédito da Grande Rio. Hoje, mais de 8 meses depois o que significou o título de 2022?

Perácio: “Esse título foi uma alegria não só para mim, como também para o povo caxiense. É muito bom agora você enxergar no semblante das pessoas, da comunidade de Duque de Caxias, o sorriso, a alegria… Esse título foi tudo. Eu dizia o tempo inteiro na Avenida, no grito de guerra, que estávamos perseguindo esse título há 33 anos. Conseguimos. Isso tem um significado enorme para a cidade e para os componentes, e sabemos que eleva o nome da nossa escola”.

Nos seus sonhos você imaginava que o desfile campeão da Grande Rio entraria no hall dos melhores da história do carnaval do Rio de Janeiro?

Perácio: “Eu acreditava, sim. Sempre acreditei porque o trabalho que foi desenvolvido pelos carnavalescos, pela diretoria, pela equipe… de todos os envolvidos, foi árduo. As pessoas estavam com esse grito entalado da garganta. Todos queriam evoluir, cantar e realmente vencer o carnaval. Tudo isso foi muito importante para todos nós porque se todos não estivessem empenhados, na mesma energia, não seria um título inédito e incontestável. Até as nossas coirmãs disseram que o nosso título foi merecido e isso é maravilhoso”.

Em todos os anos de títulos perdidos, qual foi o carnaval que mais doeu em você que poderia ganhar e não deu?

Perácio: “Foram vários. Temos quatro vice-campeonatos, muitos terceiros lugares… mas acredito que o que passou, passou. O que valeu foi a luta e a nossa vitória. O nosso pensamento é apenas um: partir já para o bicampeonato. E, se Deus quiser, vamos conseguir, porque a garra dos componentes é forte. Todos estamos trabalhando com afinco para essa onda de alegria continuar”.

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Qual é seu samba-enredo predileto da história da Grande Rio e por qual motivo?

Perácio: “É uma pergunta difícil. O meu preferido é sempre o atual, mas tem um que guardo na lembrança com carinho. É o de 2007, que falava sobre a nossa cidade: ‘Bom de bola, bom de samba, paixão//Com Perácio aprendi a sambar de pé no chão//E com Zeca Pagodinho, deixo a vida me levar//Eu me chamo Grande Rio e qualquer dia chego lá’ e chegamos. Esse samba me deixa muito sentimental”.

As pessoas brincam que a Grande Rio tem muitos caciques. Como é a relação e divisão de tarefas entre você, Helinho, Jayder e Leandrinho? Tem momentos mais  tensos e outros mais tranquilos?

Perácio: “Na verdade, temos um ambiente muito bom. Os nossos presidentes de honra sempre fazem de tudo para que a nossa escola consiga alcançar o melhor resultado. Eles realmente batalham pela Grande Rio, e eu vou junto com eles nessa”.

Hoje, os sambistas enaltecem a Grande Rio como uma escola de samba e de comunidade. Antes, era a escola dos globais. Como aconteceu essa virada de chave?

Perácio: “Tenho uma opinião sobre isso. Acho que a comunidade gosta dos artistas e os artistas gostam de estar com a comunidade. Essa mistura é muito boa e a Grande Rio soube aproveitar tudo isso. Eles gostam muito, você pode assistir no ensaio mesmo. A Paolla Oliveira vibra, as pessoas vibram… Em todos os nossos destaques, os nossos componentes parecem satisfeitos. É uma mistura que funciona”.

Qual é a importância da dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora nessa mudança da Grande Rio?

Perácio: “O Gabriel e o Leonardo são maravilhosos, estão fazendo um excelente trabalho, assim como no ano passado. Somos unidos”.

O Thiago Monteiro, diretor de carnaval, virou peça-chave de vocês. Qual é a importância dele hoje para a engrenagem da escola?

Perácio: “Ele é um grande diretor de carnaval. Está fazendo um trabalho incrível junto com a nossa comissão de harmonia, com o Cacá, o Jefferson, o Clayton Bola… as pessoas que comandam a harmonia de fato. Estamos muito felizes com a nossa equipe”.

Mestre Fafá conduziu a bateria em um ritmo que encanta e que foge aos padrões das baterias. A confiança é total nele e no ritmo que ele adota?

Perácio: “O Fafá é uma joia que moldamos. O garoto é maravilhoso. A prova está aí com os prêmios recebidos por ele”.

Outro gol da Grande Rio foi a chegada do intérprete Evandro Malandro. O que você pode falar da relação do Evandro com a escola?

Perácio: “O Evandro é um trovão na Sapucaí e só isso basta. Um dos maiores intérpretes de samba-enredo da atualidade, sem dúvida”.

Você já foi citado em desfile e em samba, agora foi campeão, o que mais o Perácio quer na Grande Rio?

Perácio: “Uma palavra: bicampeonato”.

O que representa para a Baixada Fluminense ter o título da Grande Rio e o vice da Beija-Flor em 2022?

Perácio: “São escolas da Baixada Fluminense, e escolas maravilhosas. A Beija-Flor, que é a nossa coirmã, é uma escola de samba absurda. Porém, como chegou a vez da Grande Rio, prefiro falar somente da Grande Rio porque sabemos o que estamos fazendo por aqui. Lá, o presidente Almir e o presidente de honra, Anísio, são pessoas que sempre batalharam pelo carnaval. A Grande Rio está aí. Peixinho novo, mas chegando no topo. Acho que a Baixada ficou orgulhosa”.

Ser a segunda a desfilar tão cedo no domingo assusta ou é carnaval para comprovar o momento especial da Grande Rio?

Perácio: “Já foi tempo de algo assim nos assustar. Hoje, com o samba que temos, vamos entrar firmes. A Grande Rio poderia ser a primeira, a segunda, a terceira, a quarta a desfilar… O que vale é o espírito sambista que temos. Agora, ninguém mais segura a gente. O que não falta aqui é vontade de vencer”.

Império Serrano recebe a Beija-Flor para ensaio nesta terça

Nesta terça-feira, o Império Serrano vai realizar mais um ensaio na Estrada do Portela. E será mais do que especial: a escola vai receber a Beija-Flor de Nilópolis, a partir das 20h, numa supernoite em Madureira com o “Encontro de Bandeiras”.

Para o presidente Sandro Avelar, ter a Beija-Flor ensaiando com o Império Serrano será motivo de muita honra. Ele destaca a parceria entre as escolas e garante uma noite de alegria para ambas as comunidades, com muito samba e emoção.

“A Beija-Flor é uma escola fantástica e é sempre prazeroso recebê-la. Será a primeira vez que iremos ensaiar juntos pelas ruas de Madureira, retribuindo o convite que tivemos quando fomos à Nilópolis. Tenho certeza que será mais um dia de confraternização para os apaixonados pelas escolas de samba”, afirma Avelar.

Para a realização dos ensaios, o Império Serrano conta com o apoio da Subprefeitura da Zona Norte e da CET-Rio. As ruas de Madureira terão esquema especial de trânsito, com as seguintes vias interditadas:

– Rua Carvalho de Souza, trecho compreendido entre a Rua Francisco Batista e a Avenida Ministro Edgard Romero;
– Estrada do Portela, trecho compreendido entre a Avenida Ministro Edgard Romero e a Rua Dagmar da Fonseca;
– Rua Dagmar da Fonseca;
– Avenida Ministro Edgard Romero, trecho compreendido entre a Rua Carolina Machado e a Estrada do Portela;
– Rua Maria Freitas;
– Travessas Almerinda Freitas e Travessa Natal.

Sheron Menezzes vai desfilar na Portela no Carnaval 2023

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Sheron Menezzes, que atualmente está no ar na nova novela das sete da TV Globo, “Vai na Fé”, retorna para Avenida em 2023. A atriz, que já foi rainha de bateria da Portela nos anos 2011 e 2012 agora retorna como convidada especial para o desfile do centenário.

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Foto: Divulgação/Portela

No último domingo, 29 de janeiro, Sheron Menezzes visitou o barracão da escola e relembrou momentos especiais vividos na Portela, já que mesmo após deixar o cargo de rainha de bateria participou de diversos desfiles da agremiação.

“Uma sensação de pertencimento. Acho que pertenço a Portela. Cada vez que piso na Portela ou que tenho a oportunidade de desfilar sinto como se nunca tivesse saído daqui. Sinto uma forte emoção, foi assim na primeira vez que desfilei e ela é sempre renovada, a emoção é a mesma de quando estreei”, explica a atriz.

Bianca Monteiro, que está há sete anos como rainha de bateria da Portela, recebeu Sheron Menezzes e falou sobre a expectativa para o desfile.

“O centenário da Portela é algo histórico, um momento marcante. E nada melhor do que trazer de volta pessoas que fizeram parte dessa trajetória linda da nossa escola. Será um prazer contar com a presença da Sheron nesse desfile”.

Localização privilegiada é o ponto chave do Ibis Styles Anhembi

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Com a sua localização estratégica, o hotel Ibis Styles Anhembi tem tudo para atrair novos hóspedes que estão em turismo pela cidade de São Paulo. Em frente, já tem um ponto de ônibus que leva a vários locais da cidade, principalmente, ao Centro. A Avenida Cruzeiro do Sul é movimentada, pois fica perto da Marginal Tietê e tem fácil acesso à Avenida 23 de Maio, que leva direto ao Centro de carro.

Ainda dentro da via, o acesso ao Sambódromo do Anhembi é ótimo. No próprio carnaval, componentes de escolas de samba se hospedam no hotel para facilitar a locomoção, pois muitos moram longe. Em poucos minutos, já está de cara com a folia paulistana. É uma das épocas mais movimentadas do local.

O hotel fica perto do estádio Canindé, onde joga a Portuguesa de Desportos. Mais do que os jogos, o espaço esportivo abriga inúmeros shows e festivais famosos. É outra grande opção estratégica para o hóspede escolher o Ibis Styles Anhembi.

“A nossa localização é muito importante. Se você vier de ônibus, a gente está praticamente na mesma calçada da rodoviária do Tietê. Quem quiser fazer algum passeio aqui na cidade de São Paulo, nós estamos do lado do metrô Portuguesa-Tietê e estamos a três minutos do sambódromo do Anhembi. O acesso é o nosso ponto forte. Estamos realmente em uma localização estratégica. A galera que vier para cá vai ter um custo super baixo. Ônibus e metrô o acesso é bem tranquilo”, explicou Juliana Diniz, gerente de contas do Ibis Styles Anhembi.

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O principal de tudo é que atravessando para o outro lado da avenida do hotel, já tem o Metrô Portuguesa-Tietê, que fica na Linha Azul. Todos sabem da velocidade que as linhas paulistanas têm. Para um turista que não quer ter um alto custo em carros de aplicativo ou táxi, o metrô é a melhor opção. Leva a pessoa de uma ponta à outra da maior capital do Brasil de maneira rápida e prática. O hotel também fica próximo da Rodoviária do Tietê, que recebe milhares de pessoas todos os dias vindo de vários lugares do Brasil.

Dentro de tudo isso, o Ibis Styles Anhembi é o único hotel da redondeza que deixa as pessoas na linha de frente com um metrô e rodoviária. A localização muito bem apurada é o seu diferencial.

João Drumond ressalta o lado social da Imperatriz Leopoldinense no PodCARNAVALESCO: ‘É uma escola de todos os bairros da zona da Leopoldina’

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O diretor executivo da Imperatriz Leopoldinense, João Drumond, trabalha junto com sua mãe e presidente da escola, Kátia Drumond, para restabelecer a Rainha de Ramos novamente no Grupo Especial. Todavia, não basta só o trabalho dos dirigentes para a Imperatriz Leopoldinense voltar aos tempos de glórias, a comunidade também precisa estar engajada nisso. Em entrevista ao PodCARNAVALESCO, João contou como vem sendo esse processo de reaproximação com a comunidade.

Esses projetos sociais já vem surtindo um efeito positivo. Em parceria com o Instituto Bees of Love, a Imperatriz Leopoldinense levou uma turma de crianças de um colégio das redondezas para fazer uma limpeza na praia. “As crianças fizeram a limpeza da praia. Eu fiz isso várias vezes. É um processo de conscientização do cidadão, de oportunidade de ensinar”, disse João. “Com essa proximidade com as crianças, a professora perguntou em uma sala de aula com 30 alunos: ‘O que elas sentiam mais orgulho dentro do bairro delas?’ De 30 alunos, 28 desenharam a quadra da Imperatriz”, completou o diretor executivo.

As recentes polêmicas envolvendo a sigla ‘CPX’ fizeram também ajudaram reaproximar a escola com a população dos complexos da região da Leopoldina. A Imperatriz Leopoldinense abraçou a causa dos moradores, se juntando à luta contra a desinformação.

“A Imperatriz sempre foi uma escola que se identificou com o bairro. Só que a Imperatriz não é uma escola de Ramos, ela é conhecida como a Rainha de Ramos, mas não é uma escola de Ramos. É uma escola de todos os bairros da zona da Leopoldina. E a zona da Leopoldina é a casa de alguns complexos como o Complexo do Alemão, o Complexo da Penha… Enfim, a Imperatriz é a escola de toda essa gente. Não é do João, não é da Cátia e não é do Leandro, é da gestão, da forma que a gente enxerga a vida de fato”, expressou João Drumond.

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Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

O diretor executivo da Imperatriz Leopoldinense sonha em um dia ter uma escola mirim. Porém, seria um projeto mais a longo prazo. A Rainha de Ramos, segundo ele, precisa se consolidar no Grupo Especial primeiro. “Acho que tem algumas complicações em relação às escolas mirins, principalmente, em relação a burocracia. A Imperatriz ainda tem muito a se consolidar como escola hoje no Grupo Especial. Falta muita coisa ainda: falta o título, estabelecer a forma que a gente pensa a Imperatriz, falta uma série de coisas”.

“esmo sem o projeto da escola mirim, João Drumond exalta o trabalho de base já feito pela escola. “A gente faz o trabalho de base. Nós temos a oficina de mestre-sala e porta-bandeira, a oficina do mestre Lolo… A gente tem o trabalho de base. É aquele time que treina, treina e ainda não joga o campeonato. A dificuldade é estrutural e burocrática. Mas é um sonho, só acho que para o curto prazo não vai ser executado”, finalizou.

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Seguindo nessa linha de fortalecer a relação com a comunidade, a Imperatriz Leopoldinense não conta mais com alas comerciais. O intuito da diretoria é priorizar o componente mais próximo à escola. “Qualquer tipo de verba é bem vinda para as escolas, com a Imperatriz não é diferente. Nesse momento, a gente prefere abrir mão dessa verba para valorizar as pessoas da comunidade, para fortalecer o chão”, falou João Drumond.

Liesa, Liga-RJ e Prefeitura do Rio criam Plano de Contingência na dispersão do Sambódromo

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A Prefeitura do Rio, através da Riotur, apresentou na manhã desta segunda-feira, um Plano de Contingência na dispersão do Sambódromo. Haverá um maior bloqueio de circulação em toda área próxima da Marquês de Sapucaí.

“O plano estava sendo planejado pela Liesa. O papel da prefeitura é unir os órgãos. Fazer com quem as determinações da Justiça sejam cumpridas. Fizemos reuniões. Temos um plano de contingência para todo Sambódromo. Foi feito a quatro mãos. A Liesa ainda hoje vai apresentar esse plano para Justiça. O principal é a área de isolamento. Teremos uma área mais reservada. O tipo de fechamento será com grade vazada e vamos trocar a iluminação. Vamos colocar com LED em toda essa área. Vamos aumentar a iluminação pública. Fora a quantidade de pessoas dos órgãos que vamos acrescentar para darmos todo o apoio, incluindo, a Guarda Municipal e a Seop. O isolamento será até a Praça do Estácio. Em ambos os lados da rua. Isolamento será total”, explicou Ronnie Aguiar, presidente da Riotur.

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Representantes da Riotur e Liga-RJ presentes na coletiva no Sambódromo. Foto: Augusto Werneck/CARNAVALESCO

Durante a coletiva, o presidente da Riotur explicou que a Prefeitura do Rio aumentará a presença dos seus órgãos municipais na área de dispersão.

“A Prefeitura estará em maior número na dispersão. É um ponto de atenção. Vamos aumentar o número na área de dispersão. Já começamos o trabalho de informação aos moradores e teremos o apoio da subprefeitura do Centro. A grade é a melhor maneira para o fechamento. Foi identificado tecnicamente”.

X-9 Paulistana repete canto forte em segundo ensaio técnico no Anhembi

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Conhecida nacionalmente como “Terra da Garoa”, a cidade de São Paulo teve, ao todo, quatro ensaios técnicos no domingo. Um deles foi da X-9 Paulistana, com ótimo desempenho do canto da comunidade da Zona Norte paulistana. Com um samba bastante simples, funcional e inspirado, a agremiação fez uma apresentação com diversas semelhanças com a primeira visita ao Anhembi para apresentar o enredo “Dona Ivone Lara, Mas Quem Disse Que Eu Te Esqueço?”.

Harmonia

Tal qual no primeiro ensaio técnico xisnoveano, chamou muita atenção o quanto a escola cantou o samba-enredo escolhido pela agremiação. Mais do que isso: os componentes estavam bastante leves, com a voz tranquila e bastante alta. Também é importante destacar que não foram percebidos grandes problemas com a sincronia entre o carro de som e o restante da escola – problema crônico do Anhembi.

X9 et InterpreteDarlan

A situação é ainda mais especial porque, durante o ensaio, a garoa foi e voltou cerca de duas vezes. Se não tinha muito volume, houve a insistência da precipitação – incapaz de tirar a empolgação dos componentes, afiadíssimos e com o samba na ponta da língua. Os integrantes cantaram em todos os setores da instituição e do próprio Anhembi.

A Pulsação Nota Mil sustentou muito bem o samba-enredo, e apostou em uma grande bossa, que marcou, com a execução de vários naipes distintos, boa parte da canção entre o refrão do meio e o principal.

Curiosamente, uma das raras exceções (se não a única) sobre o canto da escola foi, justamente, a bateria. Se garantiu a sustentação necessária para a canção, os ritmistas pouco cantaram na passarela.

Samba-Enredo

Elogiado por muitos, não falta inspiração para o samba-enredo. Grande baluarte do samba da Império Serrano, do Rio de Janeiro e do Brasil, dona Ivone Lara é o tema de uma canção que, claramente, foi muito bem recebida pela X-9 Paulistana.

X9 et Baiana

Com letra bastante simples, a canção remete a alguns sucessos da carreira da baluarte, que também tem prolífica carreira-solo. Também é exaltado o histórico enredo “Cinco Bailes Tradicionais na História do Rio”, composto por ela, Silas de Oliveira e Bacalhau para o Império Serrano em 1965.

É, entretanto, impossível não destacar os dois refrãos, extremamente simples, populares e de canto altíssimo por parte dos componentes: “Um sorriso negro, um abraço negro/Traz felicidade/A Zona Norte hoje canta/O seu canto que encanta/Dona Ivone que saudade” e “Meu amor por você é joia rara/Eu te amo dona Ivone Lara/Essa homenagem pra você vai ecoar/Dona Ivone Lara iá”.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Tal qual a comissão de frente, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da X-9 Paulistana veio bastante segura e sem muitas ousadias. Gabriel Vullen e Joice Prado executaram menos giros que outros casais, mas interagiam bastante com o samba, entre si e com o público presente no Anhembi. A dança de ambos, por sinal, chamou atenção pela qualidade. Também estiveram presentes muita simpatia e sorrisos da parte de ambos.

X9 et PrimeiroCasal

A reportagem observou a apresentação do casal nas segunda e terceira cabines de jurados e verificou uma dança sem erros e giros seguros. Se as condições climáticas eram instáveis, com uma passarela ainda úmida e rajadas de ventos esparsas, Gabriel e Joice foram impecáveis.

Comissão de Frente

Bastante expressiva, a comissão e frente xisnoveana, mais uma vez, cumpriu o papel de apresentar o que viria pela frente com bastante galhardia. Com uma coreografia curta, os integrantes executavam sempre os mesmos passos de acordo com a execução do samba. Com uma dança que lembrava o samba de gafieira, tão tradicional no Rio de Janeiro, homens e mulheres contracenavam com muitos sorrisos e ginga.

X9 et ComissaoFrente

Ao menos nos ensaios técnicos, a X-9 não levou tripés – e, pela marcação na passarela, nada dá a entender que levará. Vale destacar, também, que os componentes não fizeram grandes saudações às cabines de jurados – algo bastante tradicional. Sem grandes ousadias, os integrantes, certamente, contam com a nota máxima pela segurança na execução dos passos – que foi confirmada no ensaio técnico deste domingo.

Evolução

Bastante leve, a escola apostou em diversos adereços (como bexigas e fitas) para ajudar no quesito. Sempre era possível verificar algo além da roupa se movimentando, criando um belo efeito no Anhembi.

X9 et Comunidade

Alguns staffs, entretanto, não pareciam muito satisfeitos com a apresentação da X-9 Paulistana. No corredor lateral da pista, eles chamavam os componentes e faziam cobranças, sobretudo, de responsáveis pelas alas. Ao menos em dois segmentos da instituição (as alas logo depois do segundo casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira e depois do penúltimo carro), as cobranças foram mais fortes – e, em uma delas, um staff saiu do corredor para ajudar a coordenação na passarela. Pelo observado, algumas alas abriam alguns espaços para o segmento que estava à frente, o que estava desagradando os staffs.

X9 et Destaque

Calcanhar de Aquiles de muitas escolas nos ensaios técnicos, a entrada da bateria no recuo foi bastante rápida, segura e sem contratempos. A ala seguinte à Pulsação Nota Mil, de passistas, merece elogios: além do samba no pé em dia, souberam evoluir com celeridade para impedir o aparecimento de buracos, mas sem configurar uma quebra na Evolução por ritmo acelerado.

Outros destaques

– Quando o cronômetro já estava girando, a escola estava executando um dos seus sambas alusivos. O ensaio técnico começou, de fato, com cerca de quatro minutos, com a execução dos primeiros versos do samba desse ano. A comissão de frente entrou na passarela na segunda estrofe da canção.

– A reportagem estava em frente ao carro de som da X-9 Paulistana e flagrou Darlan Alves, intérprete da escola, cantando alguns refrãos antigos de sambas históricos da agremiação junto com staffs e integrantes do carro de som. Eis que a mesma sequência foi executada na concentração – de acordo com o próprio, criada naquele momento.

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– Um pede-passagem foi colocado na frente do espaço destinado ao carro abre-alas.

– Ao discursar na concentração, Mestre Adamastor, que também é presidente da escola, chamou diversos diretores e até mesmo integrantes de diretorias antigas. No discurso, ele destacou que é para mostrar a união da agremiação.

– Ao encerrar o desfile, a Pulsação Nota Mil tinha agogôs no final da bateria – instrumento que costuma ficar à frente em tal setor de escolas.

– A bateria, por sinal, voltou para o Anhembi à frente de um carro alegórico e de três alas, não encerrando a apresentação – o que é bem comum no carnaval de São Paulo.

Comissão de frente se destaca e Pérola Negra faz ensaio seguro

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A Pérola Negra realizou o seu único ensaio técnico visando a preparação para o carnaval 2023. A ‘Joia Rara do Samba’ teve como destaque a sua comissão de frente. O samba-enredo, conduzido pelo intérprete Daniel Collete também foi de grande destaque, visto que a arrancada foi marcante por ter a presença da família de Jair Rodrigues, que será o homenageado no próximo desfile. A cantora Luciana Mello, que é filha do artista, cantou ao lado de Collete a introdução do hino para o próximo carnaval, cujo a música é um grande sucesso: “Deixa Isso Pra Lá”. O tema da agremiação é intitulado como “Prepare o seu coração: Jair Rodrigues, Festa para o Rei negro”.

Comissão de frente

Foi o principal destaque do treino. A ala dançava e ocupava toda pista sambando bastante. Vestidos de branco, os componentes ocupavam a pista com coreografia remetendo principalmente ao começo de Jair Rodrigues. Todos dançavam, depois se juntavam e surgia um personagem menor, que aparentemente representava o grande homenageado, Jair Rodrigues. A comissão se vestia das cores da agremiação, além do branco que também predominava.

PerolaNegra et Comissao

Mestre-sala e Porta-bandeira

Analisando o casal em frente ao setor B, Kadu Andrade e Camila Moreira, tiveram um desempenho satisfatório no ensaio. A dupla mostrou movimentos sincronizados, sorriso no rosto, coreografia leve dentro do samba e de fácil leitura. Realizaram os protocolares giros horários e anti-horários. A cor preta predominou na vestimenta do casal.

PerolaNegra et PrimeiroCasal

Evolução

A escola evoluiu de forma correta, porém deve se atentar em alguns pontos. Haviam alguns componentes dentro de algumas alas que estavam imóveis. É um erro grave. Mas vale destacar o empenho que a comunidade mostrou no refrão do meio. No verso “Salve o rei da mata, Oxóssi caçador… meu protetor”, os integrantes faziam o movimento de arco e flecha, que é a característica do orixá. A ala “Bora Lá” se mostrou mais ágil em todas as partes da dança e vale um destaque principal.

PerolaNegra et Comunidade

Harmonia

A escola teve um canto satisfatório. Não houve tanta empolgação, mas deu para perceber que os componentes estão completamente entrosados com o samba e está na ponta da língua de todos os integrantes. O canto bem apurado se vale na parte do refrão principal e nos últimos versos da obra. A Pérola Negra tem o reforço do diretor de harmonia Gabiru, que fez um grande trabalho de canto no Acadêmicos do Tucuruvi. A comunidade da Vila Madalena pode colher os frutos até o dia do desfile.

Samba-Enredo

O hino foi cantado pelo experiente intérprete Daniel Collete, que está indo para mais um ano na agremiação. A característica do samba tem a melodia para baixo, mas tem uma grande riqueza, especialmente na segunda parte após o refrão do meio. Na frase “Eu sou o samba”, os componentes cantam mais alto. Vale destacar a arrancada com a introdução do grande sucesso de Jair Rodrigues, que é a música “Deixa isso pra lá”.

Outros destaques

A bateria ‘Swing da Madá’, de mestre Neninho teve um grande desempenho no Anhembi. O destaque principal fica para a bossa dos últimos versos do samba, onde é citada a Estação Primeira de Mangueira. Dentro dela, os surdos de primeira predominam, fazendo referência à identidade da bateria da verde e rosa carioca.

PerolaNegra et InterpreteColete

Nos primeiros versos após o refrão principal, a bateria faz uma bossa no ritmo do som “Deixa isso pra lá”. Outra grande criatividade de mestre Neninho.

Todas as alas levaram bexigões nas cores azul e vermelho, que é da escola. Deram um belo contraste na pista.

Fenomenal! Primeira da Cidade Líder dá ‘salgueirada’ em ensaio técnico histórico

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A Primeira da Cidade Líder realizou no domingo seu único ensaio técnico previsto na temporada, em preparação para os desfiles do Carnaval 2023. O principal destaque do ensaio foi um elemento do quesito Evolução que provavelmente não será visto no desfile oficial, mas que entrará para a história do Carnaval só pela ousadia da aposta feita. A Líder será a quarta escola a desfilar pelo Grupo de Acesso II, no dia 11 de fevereiro, com o enredo “70 anos de uma escola diferente. Lá vem Salgueiro!”.

Comissão de frente

Em uma dança de duas passagens do samba de duração, a comissão de frente da Líder veio formada por 14 dançarinos caracterizados como malandros do Morro do Salgueiro. Em uma apresentação marcada pelo gingado digno da boemia carioca, o grupo fez referência a vários dos nove títulos conquistados pela Vermelho e Branco da Tijuca. A sincronia de movimentos estava caprichada, e serviu como amostra do espetáculo que viria pela frente.

PrimeiraLider et ComissaoFrente

Fica uma observação importante, porém. Antes mesmo da comissão chegar ao primeiro módulo, uma dançarina do grupo teve um problema com sua roupa. A jovem precisou pensar rápido, e com ajuda de funcionários que trabalhavam no camarote em frente conseguiu um pedaço de fita de isolamento para improvisar um cinto para retornar à pista. Jogada esperta, que rendeu aplausos de quem viu seu esforço.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Que apresentação! O primeiro casal da Líder, formado por Fabiano Dourado e Sandra de Jesus, demonstrou em sua dança grande habilidade e sincronia. A felicidade em defender o pavilhão Azul e Amarelo era explicita nas suas expressões, com destaque para o sorriso contagiante de Fabiano, que não saía de sua boca mesmo durante os giros. A dupla foi muito aplaudida pelo público presente durante a passagem da escola.

PrimeiraLider et PrimeiroCasal

Harmonia

Faltam palavras para definir o que foi a harmonia da Primeira da Cidade Líder. Com postura de escola do Grupo Especial, a comunidade cantou o samba a plenos pulmões, formando um coral primoroso junto ao time de canto e a bateria “Batucada de Primeira”. Os componentes brincaram o carnaval na sua essência durante a passagem pela Avenida.

Evolução

Escola passou inteira pelo meio da bateria. Está certo que provavelmente o regulamento não permite tamanha ousadia, mas o momento entrará para a história dos ensaios técnicos do carnaval de São Paulo. Os ritmistas da “Batucada de Primeira”, que vieram logo atrás da Comissão de Frente, pararam em frente ao recuo da bateria, que no Anhembi fica bem no meio da Avenida, mas ao invés de entrarem no recuo, o grupo foi simplesmente dividido em dois e abriram um espaço no centro. Por esse espaço, literalmente todo o restante da escola passou pelo meio da batucada da Primeira da Cidade Líder, que mesmo assim continuou a praticar as incontáveis bossas e paradinhas com referências explícitas a momentos consagrados do carnaval carioca, como foi o caso da batida “funk”, que foi febre nos anos 90 na Marquês de Sapucaí.

PrimeiraLider et Comunidade

Em questão de andamento, a Líder foi impecável até este momento. A partir daí, largaram mão de se preocupar com o relógio, e “salgueiraram” durante todo restante da passagem, brincando o carnaval e ignorando completamente o tempo estourado em vários minutos. Coisa linda de se ver.

Samba-Enredo

Falando em “salgueirar”, o que foi esse desempenho do samba e do carro de som da Primeira da Cidade Líder? Monumental! O samba até parece que foi escrito pela própria escola carioca nos seus melhores tempos. Uma obra fácil de cantar, que começa fazendo referência a três dos maiores carnavalescos da história e que passaram pela Academia do Samba. A primeira parte é um verdadeiro carinho no ego da homenageada, com referências diretas à comunidade e à africanidade salgueirenses.

PrimeiraLider et InterpreteEAlaMusical

Do refrão do meio até o final, é pura referência aos nove títulos que marcaram a história do Salgueiro, mas todas elas encaixadas da forma mais genial possível. Destaque para o versos “E no Tambor da Academia, Chica da Silva foi meu apogeu”, que é cantado no mesmo ritmo do refrão principal do título mais recente da homenageada, de 2009. Com certeza um dos melhores sambas do ano no Grupo de Acesso II, e que funcionou perfeitamente neste ensaio histórico.

Outros destaques

O que não foi destaque no ensaio da Primeira da Cidade Líder? Antes mesmo de entrar na Avenida, o intérprete Thiago Melodiah pediu a namorada em casamento. A bateria “Batucada de Primeira” parece que encarnou o espírito da bateria do Salgueiro, a “Furiosa”, e fez uma das melhores apresentações de toda temporada 2023 de ensaios técnicos. Muitas bossas, apagões, paradinhas clássicas com referências explícitas aos ritmistas do Rio de Janeiro. O conjunto do ensaio em si foi brilhante em todos os aspectos. É como se a escola estivesse fazendo deste ensaio seu próprio “desfile das campeãs”.

PrimeiraLider et MestreBateria

Se a Primeira da Cidade Líder irá ganhar o Carnaval 2023 do Grupo de Acesso II, ninguém sabe. A única certeza que é de que, ao fecharem os portões da sua apresentação no dia 11 de fevereiro, o público estará em êxtase, e a escola nem precisa fazer 100% do que fez neste domingo para isso. Apenas venha, Líder. Aguardaremos ansiosamente por sua passagem.

Quero ver segurar! Samba da Mangueira é destaque em ensaio técnico com forte canto da comunidade

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A Estação Primeira de Mangueira trouxe uma amostra do que vai levar da Bahia para o desfile oficial, no ensaio técnico do último domingo. O aclamado samba-enredo funcionou muito bem no treino, sendo cantado até pelo público que lotou as frisas e arquibancadas. A comunidade mangueirense cantou muito e no final da apresentação, a Verde e Rosa deixou um gostinho do arrastão que pretende fazer encerrando a primeira noite de desfiles do Grupo Especial em fevereiro. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, que teve Cintya Santos em sua estreia ao lado de Matheus Olivério, além da bateria dos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto, foram outros pontos fortes do treino que teve duração de 1h10. Em 2023, a Mangueira vai apresentar o enredo “As Áfricas que a Bahia canta”, que está sendo desenvolvido pelos carnavalescos Annik Salmon e Guilherme Estevão. * VEJA AQUI GALERIA DE FOTOS DO ENSAIO

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Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

“Foi um ensaio bom, acho que a escola, atingiu 70% do desfile, até porque os 100% a escola tem que ter no desfile dia 19. Gostei muito do andamento da escola, gostei muito do canto, da bateria. Fizemos um bom desfile. A gente está sempre buscando melhorar. Os ensaios são pra isso, pra buscar a perfeição”, explicou Amauri Wanzeler, diretor de carnaval, que terá 3500 componentes no desfile.

Harmonia

O samba de 2023 da Mangueira foi bastante aceito pela comunidade desde as eliminatórias, e neste ensaio técnico o que se viu foi um canto dos componentes muito forte, a comunidade chegava a berrar. A escola cantou durante todo o ensaio, e em toda a sua extensão. A arquibancada também não deixou por menos e se envolveu com o samba. O desafio era achar alguém que não estivesse cantando nas alas. Até mesmo no início escola, em que se observou algumas coreografias, os componentes destas alas também cantavam o samba com muita vontade. Um dos destaque foi uma ala em que os componentes pareciam fazer referência ao maculelê com dois pequenos bastões.

Em seguida, já para o meios pode-se lembrar de uma ala logo depois do segundo carro em que os integrantes traziam pequenas imitações de tambores em verde e rosa. Mas há outras tantas alas que poderíamos citar que estavam cantando muito, isso desde os primeiros versos do samba entoados pela dupla Marquinho Art’Samba e Dowglas Diniz, que aliás mostraram que o entrosamento que tem apresentado em outros eventos pode funcionar na Sapucaí. Conduziram muito bem a excelente obra da Mangueira com correção, intensidade e simplicidade, sem inventar muito a troco de atrapalhar um samba que já se destaca por si só.

Samba-Enredo

O samba da parceria de Lequinho e companhia é um dos mais elogiados neste pré-carnaval e se destaca por possuir alguns pontos altos como os dois refrões e o bis após a segunda do samba com o “Eparrey Oyá”. O segundo refrão tem uma leve mudança de melodia na repetição o que dá ainda mais força na segunda vez que é cantado, fato bastante notado na empolgação dos componentes ao proferir estes versos. A obra funcionou muito bem no treino, sendo bastante cantado não só pelos componentes, como já falado, mas inclusive pelo público.

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Em termos de desfile permitiu que a escola tivesse uma fluência satisfatória e indicou para a “Tem Que Respeitar Meu Tamborim” caminhos muito interessantes para colocar um pouco da Bahia na Sapucaí, tanto em bossas que lembravam dos blocos de Axé Música, tanto em toque mais voltado para a religiosidade das crenças de matriz africana. Outra vez destacar o trabalho da dupla de intérpretes que soube compartilhar bastante a obra colocando o toque de cada um no cantar, respeitando a tradição mangueirense de sambas.

“Para mim, por tudo que eu passei no último ano, é uma grande vitória. Todos sabem disso. Não foi fácil. Chegar aqui hoje foi só o primeiro tempo, porque o que conta é o carnaval, mas cantar com o meu filho mais novo de coração significa o mundo. Sentaremos juntos para avaliar e decidir o que mais precisa ser feito para entregarmos o nosso melhor no dia do desfile”, afirmou Marquinho Art Samba.

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“Esse ensaio técnico é um momento muito importante para nós. Conseguimos colocar em prática tudo que viemos construindo durante nossos ensaios de rua. Estamos ensaiando exaustivamente para buscar a perfeição, ainda que ela não exista. Buscamos a melhor forma de mostrar a escola na Avenida. Nosso time está muito satisfeito com o nosso trabalho. Se precisarmos ajustar algo, faremos até o dia do desfile, mas estou muito feliz com o que fizemos hoje. Quando estamos cantando, não conseguimos distinguir bem o que pode ser feito, mas eu vou assistir a gravação e procurar o que for necessário. Pelo que passamos na Avenida, não tenho que reclamar do nosso time do carro de som”, garantiu Dowglas Diniz.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Cyntia Santos fez sua estreia em ensaios técnicos pela Verde e Rosa. A porta-bandeira bastante aclamada pelos últimos carnavais na Porto da Pedra não decepcionou o público que em diversos pontos da pista gritava o seu nome e demonstrava palavras de carinho e incentivo. A dupla, em sua fantasia, fez referência a Oxalá com uma vestimenta em que predominava o branco bem ajustado com alguns detalhes em prata. A coreografia que o casal apostou favoreceu Cintya e seus rodopios com força e intensidade. Desde o início do bailado já entravam no módulo com um pequeno giro. Mesmo com a parceria relativamente recente, pois foi formada para este carnaval, os dois já demonstraram muita sincronia e entrosamento, principalmente, nos passos onde havia alguma distância entre o casal.

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Matheus fez seus já conhecidos passos intensos, velozes e que terminam com um pequeno salto, meio malandreado. E Cintya arrancava aplausos nos rodopios. Já no final da coreografia, a porta-bandeira girou em alta velocidade com a bandeira segurando com as duas mãos. A dupla arriscou alguns movimentos de corpo com um pouco mais do swing e ginga que o enredo pede. Uma grande apresentação no geral.

“O ensaio foi maravilhoso, fantástico, foi a estreia do casal furacão na avenida. Sai de casa falando que ia botar meu furacão para desfilar, viemos e funcionou. Eu falo que encontrei o amor da minha vida, a dança está maravilhosa, estamos em sintonia, com um trabalho muito árduo dia e noite, chuva e sol”, disse o mestre-sala.

“Podemos melhorar muita coisa, pois não existe perfeição na dança, existe trabalho e dedicação. A gente procura sempre a perfeição, vamos ensaiar. É muito importante estar aqui, ver a comunidade, a emoção para preparar o emocional, pois em muitos momentos eu me emocionei, chorei, mas bola pra frente e fazer a coreografia direitinho e fica ainda mais fácil tendo o Matheus do lado”, completou a porta-bandeira.

Evolução

A Verde e Rosa apresentou nesta apresentação uma evolução que começou de forma muito satisfatória, com intensidade, fluência, mas sem correria, brincando o carnaval e impulsionada por um samba já bem trabalhado e com um início de apresentação bastante agudo por conta da comissão, do casal e das primeiras alas com passos mais marcados. Ainda assim, a evolução deve ser o ponto que a escola precisa mais de atentar neste caminho de preparação até o desfile.

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Nas apresentações do casal, a comissão andava demais em seu deslocamento pelo fim de apresentação própria, deixando um pequeno buraco algumas vezes, que depois era preenchido por Matheus e Cintya no início da dança. Outro ponto que a escola também pecou no ensaio, é ter acelerado demais o passo depois da saída de casal e comissão da pista. Talvez, pelo número expressivo de contingente da agremiação que fez um desfile com muitos componentes, algo bem parecido do que deve levar para o desfile, ressaltando um ponto que não se deve esquecer de elogiar, a participação da comunidade. Mas no geral não foi uma evolução comprometida por estes dois detalhes, inspira confiança de que possa ser perfeita no dia.

Comissão de Frente

Agora à frente do quesito na Mangueira, Cláudia Motta levou para este treino oficial uma comissão reverenciando o enredo que homenageia os cortejos afros da Bahia, com um toque feminino. Esta marca feminina estava presente na apresentação deste domingo nas mulheres de vestes douradas que representavam a divindade Oyá. A comissão de frente tinha em sua maioria e em maior destaque mulheres, ainda que houvesse alguns poucos homens que interagiam com as bailarinas.

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A coreografia foi bastante pautada na dança, o que também dialogou bastante com um enredo que tem a música como uma de suas peças centrais. O deslocamento do grupo até os módulos julgadores também trazia bastante intensidade e a ginga baiana por parte dos componentes. Em um momento de grande destaque, uma das bailarinas dançava em uma roda enquanto o restante do grupo agachados fazia movimentos no chão como tocando tambores. Já no final da coreografia, no trecho “O samba foi morar onde o Rio é mais baiano”, os integrantes da comissão sambando para os jurados antes de partir para o deslocamento.

Outros Destaques

A “Tem Que Respeitar Meu Tamborim”, agora reunindo no comando a dupla de mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto, veio com seus componentes todos pintados com marcações tribais e levantaram um público ao se agachar e realizar bossas. Em alguns momentos pararam junto com o carro de som para fazer o samba se destacar na voz dos componentes, principalmente no refrão principal.

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“Estou extremamente emocionado. A gente fica até sem graça de falar do nosso trabalho, sou crítico dele, mas hoje foi sensacional. A rotina do ensaio foi puxada para os ritmistas – terça, quinta-feira, sábado e domingo. Esse ano o carnaval está muito nivelado. Sabemos como é difícil organizar uma bateria, mas, Graças a Deus, deu tudo certo. Sempre tem alguns ajustes para corrigir, mas são mínimos detalhes. Vamos desfilar com 270 ritmistas. Estamos com três paradinhas para o desfile e o paradão da bateria e escola no refrão para ecoar o samba na avenida”, comentou mestre Rodrigo Explosão.

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“O balanço do ensaio é o melhor possível. O ensaio foi bastante produtivo e conseguimos executar tudo que a gente vem ensaiando ao decorrer do ano. Agora são os mínimos detalhes, como o andamento, para a gente vir perfeitos para o desfile. Por hoje, acho que se melhorar, estraga. Agora vamos analisar os vídeos para ver se houve algum erro. Acho que deu tudo certo”, comemorou mestre Taranta Neto.

A rainha Evelyn Bastos estava fantasiada de Oyá Tope, senhora do Eco e do fogo, uma das denominações de Oya-Yánsà, e mais uma vez brindou o público com muito samba no pé e com a sua presença majestosa que impressiona, sambando inclusive no ritmo das bossas e convenções.

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A presidente Guanayra Firmino em seu primeiro ensaio como mandatária da Verde e Rosa acompanhou o treino à frente da comissão de frente e do tripé em verde e rosa com os dizeres”Oyá por nós”. Antes do esquenta, o carro de som da Mangueira, acompanhado da bateria, cantou algumas músicas de ícones do carnaval baiano. A ex-bbb Thelma Assis, vencedora de uma das edições do programa, mostrou muito samba no pé completamente à vontade na agremiação.

Colaboraram Gabriel Gomes, Luisa Alves, Raphael Lacerda, Rhyan de Meira