neguinho musical
Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Após 50 anos de Avenida junto à Soberana de Nilópolis, Neguinho da Beija-Flor se despediu do microfone principal da agremiação em 2025, encerrando a trajetória com um desfile campeão. Entretanto, sua história não poderia se encerrar de qualquer maneira: tornou-se baluarte e desfilou em 2026 com o título no peito, representado em uma faixa bordada, assim como Pinah, Sonia Capeta, Tia Débora e outros nomes importantes da agremiação. Porém, Neguinho conta ao CARNAVALESCO que a experiência não se repetirá em 2027, preferindo apenas assistir ao desfile.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Além da emblemática trajetória à frente do carro de som da escola, compôs clássicos como o hino de exaltação “A Deusa da Passarela” e o samba que rendeu o primeiro campeonato da escola em sua estreia, “Sonhar com Rei Dá Leão”, de 1976. Também assinou os sambas “A Criação do Mundo na Tradição Nagô”, de 1978, e “A Grande Constelação de Estrelas Negras”, em 1983. Enraizado na agremiação e no dia a dia da comunidade nilopolitana, o intérprete compartilha que “desfilar por desfilar”, sem exercer o papel que desenvolveu ao longo de sua carreira, não fez sentido para ele.

“Eu sempre fiz aquilo, sempre cantei. A minha participação com a Beija-Flor era sendo a voz, sendo o canto. E, por mais maravilhoso que o título (de baluarte) possa ser, não foi confortável. Eu amo a Beija-Flor. Se não fosse a Beija-Flor, nada disso estaria acontecendo na minha história. A Beija-Flor é a minha vida, meu amor, como já disse no meu samba, mas não farei de novo. Eu estava aí naquele momento doido para que passassem os vinte e três minutos. Quando se está cantando é uma hora e vinte, mas, quando está desfilando, são 23 minutos. Vinte e três minutos que não passavam nunca. Prefiro assistir”, declarou.

Longe do microfone, explica que o que pesou principalmente na decisão foi a sensação de estar deslocado: “O que me desconforta é que eu me senti um peixe fora d’água. Cinquenta anos ali, sendo o canto da escola, representando o canto da escola, e, de repente, estou numa função por estar… Não foi legal. A gente fica com um sorriso forçado e achando que tinha que passar uma alegria…”, explicou.

O exemplo de seus grandes ídolos fortalece a certeza de que sua história não será apagada dos anais da folia nem dos corações dos sambistas.

“Eu não vou ser esquecido tão cedo, mesmo não participando. É assim como o meu mestre Jamelão, assim como os grandes… Como Paulo da Portela, como Natal, como Osmar Valença, como Laíla, como Joãozinho… Vai passar algum tempo aí até as pessoas esquecerem da minha participação na maior festa audiovisual do planeta”, concluiu.

O artista garante que o amor pela escola não muda e que ainda estará lá assistindo à Beija-Flor, que levará para a Avenida o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro” no primeiro dia de desfiles de 2027.

“Estarei assistindo lá com a camisa da Beija-Flor, torcendo como público. Não como parte do desfile”, afirmou.

Presidente da Beija-Flor diz que prefere acreditar que a saída de Neguinho é mentira

Procurado pelo CARNAVALESCO durante a final de samba da Beija-Flor para o Carnaval 2027, o presidente da escola, Almir Reis, afirmou que tomou conhecimento da decisão de Neguinho pelas redes sociais e disse preferir acreditar que a informação não seja verdadeira.

“Sobre o Neguinho, eu soube pelas redes sociais. Ele não falou diretamente para mim. Prefiro acreditar que é mentira. A nossa escola tem tudo para vir linda em 2027 e vamos, mais uma vez, em busca do título”, declarou Almir Reis.

  • Colaborou Juliane Barbosa