
Por Allan Duffes, Luiz Gustavo, Matheus Vinícius e Victor Busch
Em uma vitória incontestável a parceria de Ian Ruas, Caio Miranda e José Carlos conquistou a disputa de samba-enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2027. O triunfo ficou claro já na apresentação, quando uma pane no sistema de som fez o povo tijucano cantar firme e forte a composição inteira. Estava nítida o desejo dos presentes. A amarelo ouro e azul pavão levará novamente para Marquês de Sapucaí, como fez em 2026, a parceria entre carnaval e literatura e apresentará na segunda-feira de carnaval, “A Cabeça do Santo”, inspirado no best-seller da escritora cearense Socorro Aciolli, que esteve presente no evento.
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Grande show na final de samba
O grande show da final da disputa de samba da Unidos da Tijuca, organizado pela diretora artística Flávia Leal, exaltou a história tijucana e imergiu no enredo “A Cabeça do Santo” em cinco atos. O espetáculo foi guiado por um mestre de cerimônias trajado de maneira folclórica.
O primeiro ato contou com o samba-exaltação acompanhado por um violinista, conduzindo o 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas. Além disso, teve como ápice a apresentação da comissão de frente inesquecível de “É Segredo”, do campeonato de 2010. Outro samba campeão que não poderia faltar foi “Acelera, Tijuca!”, apresentado junto às passistas.
O segundo ato evocou a tradição e a memória amarelo-ouro e azul-pavão. Aqui, foi possível ver a beleza da velha-guarda evoluindo em uma versão de gafieira de “O Dono da Terra” (1999), cantar ao som do samba sobre o Vasco da Gama, acompanhado de batidas de funk, e ver o 3º casal, Breno Rodrigues e Daphny Mirelly, dançar sob o samba de 1981, “Macobeba, o que dá pra rir, dá pra chorar”.
Para exaltar a brasilidade que tanto será celebrada no enredo de 2027, o Ato 3 trouxe mais um samba campeão: “O dia em que toda realeza desembarcou pra coroar o Rei Luiz do Sertão”, de 2012. “Agudás”, de 2003, contou com a performance de orixás e uma bela apresentação das baianas. O samba de 2025 sobre o orixá Logun-Edé foi apresentado com a participação do 2º casal, Emanuel Lima e Thainara Matias.
Antes de entrar no ato de apresentação do enredo, a escola se despediu de “Carolina Maria de Jesus”, e a quadra celebrou efusivamente o ano que passou. Para finalizar o último carnaval, houve a encenação do emocionante desfile, com pessoas vestidas como trabalhadores, e Marcinho Siqueira e Cris Caldas bailaram lindamente até o encerramento do ato.
A exibição do enredo contou com a apresentação do protagonista Samuel, a cabeça do santo, a fé das mulheres em Santo Antônio e as festas populares. O ato final passou pela música “Força Estranha” para retratar o “dom” de Samuel, pelo sincretismo religioso entre o santo e o orixá Exu e finalizou com um grande arraiá. No fim, o protagonista se apaixonou pela Unidos da Tijuca.
Tijuca paga 100% da premiação
Como iniciativa para valorizar o trabalho dos poetas, a escola reafirma, como justa medida, novamente o compromisso do pagamento de 100% da premiação destinada aos compositores campeões do concurso de samba-enredo. Uma medida pioneira entre as agremiações que realizam disputa de samba no Carnaval do Rio de Janeiro. Outras medidas adotadas a fim de tornar a disputa mais justa economicamente para todas as parcerias foram: a não autorização da produção de vídeo clipe do samba por parte das parcerias; apenas três microfones para os cantores no palco; proibição da confecção e distribuição de camisas próprias dos sambas; proibição de bandeiras, bolas e demais artefatos utilizados nas disputas e entrada das grandes torcidas durante o processo de disputa, exceto na semifinal e na grande final.









