
A madrugada de sábado para domingo foi de muito samba em Niterói. Na data, a Unidos do Viradouro, atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, realizou a semifinal de samba-enredo da agremiação para o Carnaval 2027. Além da apresentação dos quatro sambas-enredo concorrentes, o evento também teve um show da coirmã Mocidade Independente de Padre Miguel antes das obras que disputam a honra de embalar o desfile de “Griô”, enredo assinado pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. Abaixo, o CARNAVALESCO analisa as três parcerias finalistas.
Parceria de Claudio Mattos: o samba 13, composto por Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Anderson Lemos, Manolo, Bertolo, Silvio Mesquita, Wilson Mineiro, André Braga, Marcelo Adnet e Thiago Meiners, inaugurou a disputa em grande estilo. Com presença maciça da torcida, de longe a mais numerosa dos concorrentes (e que popularizou até mesmo a camisa que os integrantes vestiam no palco), o samba-enredo foi interpretado por Pitty de Menezes, que se sentiu muito à vontade, a ponto de iniciar a execução da obra no chão, junto com os torcedores. É necessário dar um spoiler desde já: o samba em questão é o que mais destoou dos demais por conta da melodia mais para cima, e talvez até mesmo por conta disso a canção tenha angariado tantos torcedores, com estandartes e bandeiras, o que tornava até mesmo a organização de tanta gente um desafio. O canto forte se fez presente ao longo de toda a execução da obra, algo notável em um samba mais extenso que o normal. O trecho final do samba-enredo, antes do refrão de cabeça, é fundamental para a canção por sustentar muito bem o ânimo e, não por acaso, foi o escolhido para ser a introdução da obra. Curiosamente, o refrão do meio trouxe um canto mais abaixo por não repetir verso algum e pela presença de expressões afro, tornando fundamental o último verso do trecho, “Para espalhar o sentimento de um griô”, e a repetição em tons diferentes do último “o”, para trazer novamente a comunidade para a canção.
Parceria de Lucas Macedo: o samba 15, composto por Lucas Macedo, Dudu Nobre, Rafael Gigante, Hélio Porto, Vinicius Ferreira, Orlando Ambrosio, Miguel Dibo, Jefferson Oliveira, Yannick Nobre e Cabeça do Ajax, foi o primeiro a se apresentar que apostou em um formato comum aos seguintes: melodias mais densas, valentes e graves, com menos explosão. Também foi a primeira obra que trouxe explosivos de papel picado, que assustam e empolgam os presentes, mas se tornam importantes para fazer com que a canção ganhe um tom mais popular. Na obra interpretada por Tinga, em uma canção bastante desafiadora para um cantor conhecido por eternizar refrãos fortes, há um trecho que chama muita atenção: o verso “Sabedoria no tom balafon e korá”, bastante extenso para o ritmo em que a obra é executada e que, até por isso, ganha um swing melódico bastante agradável. Se não era tão grande quanto a do primeiro concorrente, a torcida presente era bastante heterogênea, reunindo pessoas dos mais diversos segmentos da agremiação. Até pela natureza bastante melódica da obra, o canto foi em volume menor, apesar de a canção agradar até mesmo aos ouvidos mais exigentes.
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Parceria de Mocotó: encerrando a noite, o samba 01, composto por Mocotó, PC Feital, Inácio Rios, Igor Federal, Deja, Romério Duarte, André Quintanilha, Chanel, Ronilson Fernandes e Márcio André Filho, trouxe o sentimento niteroiense de volta para o terreiro graças à maciça quantidade de torcedores na quadra. Era possível ver até mesmo pessoas com camisa da coirmã Mocidade Independente de Padre Miguel acompanhando a apresentação da canção, bem como perceber a empolgação de componentes da escola presentes. Em relação ao estilo da obra quando comparada às três concorrentes, há um hibridismo latente: ela é um meio-termo entre a melodia mais popular do primeiro e o rebuscamento do segundo e do terceiro. Antes mesmo de os intérpretes Juan Brigga, Leozinho Nunes e Lissandra Oliveira começarem a cantar, a torcida já chamou atenção com a presença de atabaques no terreiro. Conforme a canção era executada, mais força ela ganhava, algo bastante significativo ao se pensar que o samba foi o último a se apresentar, já com mais de 04h no relógio. Se a obra possui alguns trechos com uma capacidade de explosão bastante significativa, como o primeiro trecho da primeira estrofe (o verso “Agô bate palma de macumba” é um chamamento irresistível), o refrão do meio traz, além da poesia (os versos “Em volta dele mais de mil crianças / A cantar lembranças ao som do korá” são viciantes), a reflexão sobre a citação aos mais jovens em um enredo que se propõe falar justamente sobre a experiência de quem tanto viveu.
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