Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins

Os Gaviões da Fiel realizaram seu segundo ensaio técnico na noite da última quinta-feira no Sambódromo do Anhembi em preparação para o carnaval de 2024. A dança diferenciada do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira foi o grande destaque do treinamento. A “Torcida que Samba” será a quarta escola a desfilar no dia 10 de fevereiro pelo Grupo Especial com o enredo “Vou te Levar pro Infinito” assinado pelos carnavalescos Júlio Poloni, Rodrigo Meiners e Ranyer Pereira.

A Fiel Torcida compareceu em grande número ao Anhembi embalada após o título do Corinthians na Copa São Paulo de Futebol Júnior horas antes, disposta a comemorar a vitória com direito de grito de “É campeão” após o fechamento dos portões ao final do ensaio.

Comissão de Frente

A comissão de frente dos Gaviões veio dividida em dois atos marcados pelo samba e fazendo uso de um grande elemento alegórico ainda não adereçado com uma espécie de pilar centram de onde saem cordas. No primeiro ato os dançarinos fazem referências a movimentos de robôs, enquanto no segundo ato o grupo parece vislumbrar algo e se divide, parte dançando no chão e parte ficando preso às cordas citadas, fazendo movimentos que lembram o flutuar no espaço. Sem as fantasias e o tripé finalizado ocorre um mistério em relação a possíveis surpresas para o desfile oficial. O conflito maior é que ao se dividirem no segundo ato, os dois grupos ficam a uma distância grande um do outro, o que gera dificuldades em acompanhar a coreografia completa a depender da posição do observador.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Levando em consideração o pouco tempo desde o anúncio oficial da formação da dupla, o que pode ser dito da atuação do primeiro casal dos Gaviões da Fiel, formado por Wagner Lima e Carolline Barbosa é que foi algo que vai além do fantástico. A energia jovial do veterano mestre-sala ao iniciar os giros com um salto faz o expectador querer entrar na dança junto, e sua expressividade constante em toda a apresentação só torna a divertida coreografia realizada junto de Carolline, imitando robôs ao apresentar o pavilhão oficial, ainda mais irreverente. A dança do mestre-sala e da porta-bandeira é sempre uma atração à parte nos desfiles, mas o que esses dois fizeram no Sambódromo do Anhembi na quinta-feira merecia um desfile inteiro só para eles de tão surreal.

O curto espaço de tempo separando o ensaio técnico anterior dos Gaviões, ocorrido há menos de uma semana, no último domingo, na opinião do casal serviu para manter o preparo constante e afiado.

“Ensaiamos bastante durante a semana, então para mim foi bom porque estamos com a cabeça fresca do que fizemos. O que precisávamos acertar, acertamos hoje”, disse Carolline.

“Vou na onda dela! Está tudo fresco, o que acertamos e o que precisávamos arrumar. Como é um tempo curto, ficou na cabeça tudo isso. Foi mais simples arrumar tudo isso hoje”, completou Wagner.

A vestimenta diferente do casal no segundo ensaio em relação ao primeiro, combinando nas cortes dourado e preto, chamou atenção da equipe do site CARNAVALESCO. Questionado se seria uma possível dica em relação a fantasia do desfile oficial, Wagner Lima adiantou uma dica para o público.

“Vamos dar um spoiler para ajudar: o dourado e o preto virão. Agora eu não sei qual a porcentagem a ordem. Mas virão preto e dourado, resta saber qual vai ser a predominante”, afirmou o mestre-sala.

Harmonia

A expectativa era que a Fiel Torcida ensaiasse hoje com mais vigor após conquistar a Copinha pela 11ª vez à tarde, mas a realidade se mostrou diferente. Nenhuma ala teve grande destaque ao longo do ensaio, e o canto da escola como um todo foi discreto e pouco presente. Uma ala que fazia movimentos marcados entre os carros três e quatro mal vocalizava, e isso pode ser preocupante caso não seja corrigido até o dia do desfile oficial.

Evolução

A evolução dos Gaviões da Fiel ao longo do ensaio ocorreu sem complicações, dentro do que se espera do quesito. As alas estavam compactas e o desfile aconteceu de forma fluída ao longo de toda a Avenida.

O diretor de carnaval Marcelo Temporini falou a respeito do impacto do curto espaço de tempo entre o primeiro e o segundo ensaios técnicos nos preparativos da escola.

“Esse intervalo curto só nos fez acelerar o processo de ajuste. Nos reunimos, assistimos vídeos dos drones, ajustamos a parte de evolução e harmonia. Deu tudo certinho, não achei que ficou tão corrido assim”, declarou.

Na opinião do diretor, o título corinthiano no futebol favoreceu a participação da Fiel Torcida no ensaio.

“O clima está maravilhoso com o Corinthians campeão. O pessoal saiu da Neo Química Arena e veio para cá e é gostoso. É trabalhoso porque o carro de som vem daquele jeito, e a harmonia tem que trabalhar o dobro, mas tudo isso é felicidade. É a festa do Corinthians e dos Gaviões”, completou Marcelo.

Samba-enredo

Ernesto Teixeira estava só alegrias. Antes de ensaiar com os Gaviões da Fiel, o intérprete foi homenageado pelo colega Celsinho Mody no aquecimento da Tatuapé e tirou fotos com a presidente Angelina Basílio antes da entrada do Rosas de Ouro. Em posse do microfone, o artista calou os críticos que questionam sua capacidade de puxar samba-enredo após 40 anos de serviços prestados ao carnaval com uma excelente apresentação junto da ala musical. O samba funcionou muito bem na voz de Ernesto, que o conduziu ao longo de toda a Avenida com maestria.

O intérprete avaliou positivamente o desempenho da ala musical no ensaio dos Gaviões da Fiel, apontando um imprevisto técnico ocorrido ao longo do treinamento.

“Primeiramente um salve para todo mundo que estiver acompanhando essa entrevista. A avaliação que a gente faz foi mais um bom ensaio. Hoje, não sei se é o meu equipamento aqui, o som ainda deu uma ‘falhadinha’, então a gente foi bem na raça mesmo esse ensaio, mas pelo que a gente vê da animação do pessoal em volta e da própria escola, creio que foi muito bom”, declarou Ernesto.

Questionado se deu para perceber mudanças de desempenho após apenas cinco dias em relação ao último ensaio técnico, Ernesto Teixeira exaltou a atuação da escola como um todo.

“Eu entendo que a gente manteve o mesmo pique, a mesma animação. A gente vem na garra, e aqui a escola vem sem fantasia, vem sem carro alegórico, que aí no dia é o que vai fazer a diferença. Mas essa animação aqui, essa garra, ela já faz muita diferença e a gente está no caminho certo”, afirmou.

Outros destaques

A bateria “Ritimão”, em noite coroada com a presença da rainha Sabrina Sato, que fez questão de se juntar ao povo e cumprimentar os componentes que a rodeavam no aquecimento, teve uma apresentação correta e com bossas bem aplicadas. Mestre Ciro fez uma análise geral do desempenho de seus ritmistas no ensaio.

“Eu avalio como melhor que os outros dois que a gente fez. Em questão de andamento que a gente se preocupa bastante, a escola veio pisando firme e o chão foi bacana. O principal foi a energia positiva pelo título do ‘Coringão’ hoje. Estava legal e hoje acredito que foi ensaio para ficar mais confiante ainda”, avaliou.

O mestre afirmou que o trabalho tradicional da bateria ao cumprir os requisitos regulamentares bastará para que os Gaviões da Fiel alcancem o principal objetivo que possuem no carnaval de 2024.

“Obrigatoriamente a gente tem que fazer quatro apresentações, o que eu entendo que é muita coisa. A gente prioriza também a questão de a escola vir pisando forte na Avenida. A gente acredita que essas quatro apresentações na cabine é o suficiente para dar tudo certo e trazer esse título que a gente está almejando tanto e levar os Gaviões de novo lá para as cabeças”, afirmou.