
Os Doentes da Sapucaí realizaram o evento de lançamento do enredo para o Carnaval de 2027. O bloco irá celebrar “Os Carnavais do Brasil”, promovendo uma viagem pelas diversas manifestações da folia no país. A festa aconteceu no Valentina Bar, localizado na Vila Mariana, bairro conhecido pela vida boêmia na cidade de São Paulo. Entre as atrações da noite, esteve o intérprete do Paraíso do Tuiuti e da Mocidade Unida da Mooca, Pixulé. Um dos grandes destaques do Carnaval de 2026, o cantor interpretou diversos sambas marcantes da história do carnaval carioca e levantou o público com “Lonã Ifá Lukumi”, samba do Paraíso do Tuiuti que fez sucesso no último ciclo carnavalesco. Além disso, a banda dos Doentes da Sapucaí apresentou seu repertório de sambas-enredo cariocas, como é costumeiro em suas apresentações. O CARNAVALESCO acompanhou o evento de perto e conversou com os responsáveis pelos Doentes da Sapucaí para conhecer os projetos do bloco e os detalhes do enredo.
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Evento grandioso e expectativa por um grande desfile
O atual presidente do bloco, Marcos Dino Soares, o Dino, exaltou a festa de lançamento do enredo e a presença do renomado intérprete Pixulé.
“Um evento grandioso. A gente trouxe um intérprete que vem se destacando bastante. Ele já era um nome de destaque há algum tempo, mas, no último xarnaval, ganhou ainda mais projeção. É o Pixulé. É uma honra tê-lo aqui com a gente, representando o carnaval do Rio e de São Paulo”.
Dino também explicou como foi definida a temática que conduzirá o desfile do bloco em 2027, uma viagem pelos diversos carnavais e manifestações culturais do país.

“Esse enredo foi definido em conjunto com a diretoria do bloco. Além do presidente, temos mais seis diretores que decidem os rumos do Doentes da Sapucaí. Escolhemos esse tema por causa da importância do Carnaval para o brasileiro. Não quisemos ficar restritos ao samba-enredo; quisemos democratizar essa importância. O Carnaval é uma manifestação cultural de vários sotaques, ritmos, rostos, cores, fantasias e lugares. É um dos eventos mais democráticos do país e representa o povo brasileiro. Assim como, na época da Copa do Mundo, todo mundo se une em torno do futebol, o Carnaval reúne São Paulo, Rio de Janeiro, Anhembi, Sapucaí, Uruguaiana, maracatu, frevo, Manaus, os blocos de rua e o Bumbódromo. O Carnaval é muito mais do que fevereiro. O Carnaval é Brasil”.
Definido o enredo, o próximo passo é a escolha do samba. Nos últimos anos, os Doentes da Sapucaí vêm realizando eliminatórias para definir a obra vencedora. Dino explicou como funciona o processo.

“Daqui a alguns meses, provavelmente entre setembro e outubro, vamos realizar o evento da disputa do samba, embora a data ainda não esteja definida. No nosso caso, não há várias etapas. Fazemos uma disputa menor, inspirada no modelo dos carnavais em geral. Algumas personalidades e entidades ligadas ao Carnaval votam de forma on-line. Enviamos a elas a sinopse e os sambas concorrentes para avaliação. No dia do evento, também contamos com o voto da torcida, pela aceitação popular, além da avaliação de jurados. A soma dessas pontuações define o grande campeão. Adotamos esse formato há quatro anos. Antes, o samba era composto apenas pelos compositores dos Doentes da Sapucaí. Agora, a disputa é aberta. Após o lançamento do enredo, todos recebem a sinopse, compõem seus sambas e os defendem no dia da competição”.
Formato de escola, mas bloco acima de tudo
O enredista Guilherme Cimino afirmou que a proposta para 2027 é apresentar um tema leve e descontraído, respeitando a essência dos Doentes da Sapucaí, que, apesar da inspiração nas escolas de samba, é um bloco carnavalesco.

“A gente, quando começou a pensar no enredo do ano que vem, de 2027, até cogitou outro tema, mais voltado para a história e para a importância cultural do Carnaval, mostrando histórias que a gente não aprende na escola. Mas, de repente, pensamos: ‘Poxa, é um bloco, vamos buscar um enredo mais alegre’. Foi aí que surgiu a ideia de mostrar os diferentes carnavais do Brasil e suas manifestações. No fundo, isso já apareceu bastante na Sapucaí, mas queremos trazer o Carnaval da Bahia, de Pernambuco e de outros lugares, porque a gente também gosta disso. Vamos mexer com as marchinhas, e acho que vai ficar bem legal”.
Apesar de ser um bloco, Cimino ressaltou que a organização do desfile segue o modelo das escolas de samba.
“Nós somos um bloco, mas seguimos muito o modelo das escolas de samba. Temos mestre-sala e porta-bandeira, só não desfilamos com alegorias. Todo ano a gente cogita isso e, quem sabe, neste ano, leve pelo menos um dos nossos bonecos, já que o enredo vai falar sobre o Carnaval e seus símbolos. Também fazemos festa na quadra, samba-enredo e eliminatórias, sempre seguindo o padrão das escolas. Ao mesmo tempo, sabemos que o bloco também é um espaço de diversão, em que as pessoas querem se encontrar para curtir. Por isso, quando compomos o samba, buscamos fazer algo mais enxuto, sem aquele samba enorme que precisa contar tudo. É uma mistura: somos um bloco, mas nossa formação vem muito das escolas de samba. Então, nosso modelo é esse. Não somos um bloco de marchinhas, confete e serpentinas; todo ano temos um enredo e seguimos essa tradição”.
Segundo o enredista, o lançamento antecipado da sinopse é fundamental para orientar os compositores e permitir que as obras sejam desenvolvidas de acordo com a identidade do bloco. Ele também participa do concurso de samba.
“Outra característica do bloco é que, assim como acontece nas escolas de samba, todo mundo participa e ajuda em alguma etapa. Eu também concorro todo ano. No ano passado, o samba foi meu e do meu irmão. Na elaboração da sinopse, a gente procura colaborar porque ela serve justamente para orientar os compositores, indicando um caminho, como acontece nas escolas de samba. Uma coisa acaba ajudando a outra. A gente lança a sinopse cedo, quando ainda ninguém está pensando em compor, e eu tenho essa preocupação de escrevê-la de uma forma que direcione os compositores e ajude a construir um samba com a identidade que o bloco e sua direção desejam”.
Projetos que prometem
Ex-presidente e integrante da diretoria dos Doentes da Sapucaí, Rogério Portos comentou que considera importante manter a tradição das escolas de samba na definição dos enredos e na realização de eventos ligados ao desfile.

“É muito legal a gente seguir essa tradição das escolas de samba de desenvolver um enredo, criar um tema e contar uma história. Desta vez, porém, vamos fugir um pouco do que vínhamos fazendo nos últimos anos, que era contar a nossa história e a história da Sapucaí. Agora vamos expandir um pouco mais e apresentar uma narrativa mais ampla. É isso que vamos anunciar hoje, e acho que vai ser muito legal”.
Ao comentar o enredo “Carnavais do Brasil”, o diretor explicou que a proposta é conectar a Sapucaí às diferentes manifestações carnavalescas espalhadas pelo país.
“Acho que agora a gente vai alinhar um pouco a Sapucaí, sem fugir da nossa origem e daquilo que a gente ama. A ideia é conectar a Sapucaí com os diferentes carnavais que o Carnaval do Rio já retratou. Vamos fazer uma viagem pelo Brasil, contando um pouco da história do Carnaval e tentando reunir tudo isso em um único samba”.
Além dos Doentes da Sapucaí, Rogério Portos também integra o Instituto do Samba, organização voltada ao desenvolvimento de projetos relacionados ao carnaval. Ele explicou a proposta da iniciativa.

“O Instituto do Samba é um projeto que caminha em paralelo aos Doentes da Sapucaí. Sua função é desenvolver iniciativas ligadas ao universo do Carnaval. Um dos projetos que temos é o Sambas Memoráveis, além do Samba Comentado. Todo ano, contamos a história por trás de cada samba-enredo e explicamos os temas que as escolas vão apresentar na Avenida”.









