
A Mocidade Alegre revelou os protótipos das fantasias para o Carnaval 2027. Após o show do cantor Salgadinho, na quadra da escola, a presidente Solange Cruz abriu a festa e celebrou a presença de Vilma Nascimento, histórica porta-bandeira da Portela. Em seguida, o ator Cássio Scapin comandou a apresentação cênica das fantasias do enredo ‘Sete Anos de Mar, Sete Léguas de Encanto: A Nau que Venceu o Diabo sob a Bênção do Sagrado Manto’ para a comunidade.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp
Verde, vermelho e branco sempre. E o que mais a Mocidade vai trazer?
Ao detalhar a construção cromática escolhida pela Mocidade Alegre para contar e colorir seu desfile em 2027, o carnavalesco Caio Araújo explicou ao CARNAVALESCO como projetou e desenhou a escola para a avenida.
“A gente tem uma construção de cor que começa usando xilogravura como uma linguagem para a abertura da Mocidade. Temos a coisa da madeira que cria uma imagem matriz, e a partir disso, essa imagem é reproduzida de diversas formas. A gente pensa a própria lenda da catarineta dessa maneira. Uma lenda que tem uma matriz, mas que a partir do momento que ela foi inserida na nossa cultura, ela foi reproduzida de uma maneira diferente. Trazemos na xilogravura um conceito dentro da abertura da escola. Com uma Mocidade que virá, nesse início, toda em preto e branco nessa inspiração do Gilvan Samico. Depois da terceira ala, que estará logo atrás do nosso abre-alas, explodiremos em cor. Fomos explorar o contraste de cores, no sentido de que o nosso enredo fala muito sobre contraste; do bem e do mal, do certo e do errado. Procurei trazer isso para as cores da escola também. Uma Mocidade muito colorida, mas que é muito organizada. Sempre vai ter uma cor que será a espinha dorsal do setor, e com ela, eu vou explorando as combinações que ela tem. Uma ala sempre vai dar uma dica para a outra. Por exemplo, eu tenho a ala cinco, que é laranja e azul, mas ela tem um pouquinho de rosa. Quando entrega para a ala seguinte, vem rosa, vermelho e com um pouquinho de azul em um outro tom. Sempre vou trabalhando essa coisa da ala anterior dar a dica do que vem depois”, explicou.

Mar de Nordeste
Um dos principais desafios de Caio Araújo na elaboração das fantasias foi fugir dos estereótipos associados à região Nordeste e explorar o universo fantástico que norteia o desfile. Segundo o carnavalesco, há um Nordeste marítimo que precisa ser contado.
“Quando a gente traz de volta um pouco dessa questão lúdica, da Mocidade do início dos anos 2000, foi um processo gostoso e um desafio, porque a gente tinha que fugir do estereótipo do ‘Nordeste, sertão e seca’. O nosso enredo não é nada disso; é um nordeste marítimo. Eu e o Léo, nosso enredista, buscamos essas referências; quem seriam os artistas, escritores e poetas que poderiam trazer esse nordeste marítimo para nós. Aí encontramos o trabalho do Gilvan Samico, por exemplo. Um xilogravista incrível, harmônico e que pensa esse nordeste marítimo das sereias e dos monstros marinhos. Isso funciona como inspiração visual para toda a nossa abertura. Ao mesmo tempo, foi um processo muito gostoso e desafiante correr atrás dessas referências, e entender como poderíamos reimaginar o Nordeste”, articulou.

Para navegar, é preciso direção
Diretor de carnaval da Mocidade Alegre e referência na função no carnaval paulista, Junior Dentista destacou a dinâmica entre o carnavalesco e a diretoria para transformar o conceito do enredo em fantasias.
“Quando a gente teve a ideia do enredo, o Caio já veio conversar com a gente por uma proposta diferenciada. Escutamos e a partir daí ele fala: ‘Ó, vamos fugir de tudo que a gente fala; sair do DNA da Mocidade’. Ele e o Léo (enredista), propuseram. A partir desse momento, nós falamos: ‘Agora, Caio, a gente precisa ver a plástica’. Gostamos da história e precisávamos pensar na plástica. Quando ele desenha, a gente gosta muito, mas a gente sabe que o desenho no papel aceita tudo. Na prática, sempre ponderamos se vamos conseguir reproduzir, e quando começou a reprodução, ainda mais a presidente, sempre dá uns pitacos. É um tema original! Não é luxo; é original, diferente e irreverente. Deixamos eles criarem a nossa equipe de ateliê, tirar do papel e apresentar. E hoje está maravilhoso”, refletiu.

Com a palavra, a capitã
À frente da Mocidade Alegre, a presidente Solange Cruz explicou como funciona o processo de decisões da agremiação. Ela também destacou sua fantasia favorita e avaliou o conjunto de indumentárias preparado para o Carnaval 2027.
“Eu sempre ponho a mão em tudo, na realidade. Mas a gente trabalhou muito em conjunto. O Caio é uma pessoa superaberta e super cabeça. Estou muito feliz com o trabalho que ele executou. Muito feliz com o trabalho que o Fabson desenvolveu. Tirar do papel não é fácil. Ainda mais o efeito que a gente espera. O enredista também ajudou muito na história, e assim tudo vai se encaixando. Trabalhamos em conjunto e isso é muito bacana. Não ficamos com opinião só da presidente, ou só do carnavalesco, não. A gente trabalha em conjunto! Mas quase não tive que mexer, porque o Caio, graças a Deus, já conhece a escola e nosso sistema de trabalho. Eu sempre gosto das baianas! Eu gosto das baianas pelo diferencial que essa ala é; e com a história que ela vai contar. Tudo que eles conseguiram desenvolver para fazer a baiana acontecer. As minhas baianas topam as coisas e isso facilita o nosso trabalho. Mas tudo é uma estratégia. Fantasia de bateria é uma coisa mais leve e tranquila, para eles poderem tocar. A gente vai criando aspectos nas alas: coreografadas, sequinhas. Porque a gente tem toda essa aparição. Tudo tem um pouquinho de alguma coisa. A fantasia da ala das crianças, que são sempre um uma cerejinha no nosso bolo. Gosto de lidar e de trabalhar com a Mocidade, porque somos uma grande família”, comentou.











