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Carnavalesco Nicolas Gonçalves e presidente Rodrigo Delduque

A Acadêmicos do Tucuruvi realizou, na quadra da agremiação, a Festa dos Pilotos da escola. O Zaca, como a instituição é popularmente conhecida, encerrará os desfiles do sábado do Grupo Especial de São Paulo, já na manhã de domingo, com o enredo “Ogbódirin, Ògbóni”, assinado pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves. Ao ser perguntado sobre o caminho criativo para conceber as fantasias, Nicolas expandiu a resposta e falou do projeto artístico em geral da escola.

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“Hoje, o carnaval criou um método muito funcional das coisas estarem todas casadas: a sinopse. Quando a gente escolhe o enredo, a gente já faz a pesquisa e lança a sinopse para tudo se apegar a ela. A gente teve a felicidade de ter um samba-enredo muito fiel à sinopse assim como eu sou muito fiel à sinopse. Eu construo o meu carnaval lado a lado com o Cleiton Almeida, o enredista da escola. Tudo que eu faço que foge da sinopse ele já está sabendo ou ele mesmo já altera. Mas não foi o caso desse ano: a gente conseguiu seguir muito à risca a sinopse porque eu também gosto de participar de todo o processo. Toda a pesquisa eu faço ao lado do Cleiton. Todas as conversas com os compositores a gente faz junto. Eu gosto, eu tenho essa mania de querer centralizar muitas coisas no artístico, mas é justamente por isso: para estar todo mundo chegando no desfile e ver que está tudo conversando. O quesito Conjunto faz falta nessas horas”, lamentou.

A densidade do enredo também foi tema de uma resposta do carnavalesco, que iniciou a fala com muito bom humor: “Eu brinco com o meu presidente que, ano que vem, eu quero fazer um enredo super leve e fácil! Desde que eu estreei como carnavalesco eu só pego enredos muito densos. Mas eu também, confesso, não conseguiria não fazer assim. Hoje, eu vejo a escola de samba e eu vou, sempre que puder e ter uma agremiação que me apoie nisso, seguir dessa forma. E, hoje, eu estou numa escola dessas. É muito legal quando tem esse encontro e esse casamento, e está acontecendo isso no Tucuruvi. Desde que eu conheci o Rodrigo, nessa nova gestão, ele falava que queria uma escola que estivesse toda amarrada, que estivesse densa, que tivesse esse chão forte. E, aí, rolou esse casamento incrível. É o meu terceiro ano de Tucuruvi e, novamente, com um enredo denso. Eu quis muito passar isso para as fantasias. Claro que cada enredo é um enredo, cada ano tem a sua particularidade, mas eu entendo que meu trabalho e o trabalho do Tucuruvi segue denso. Na verdade, não sei se a palavra é ‘denso’, mas segue nas complexidades que devem ser tratadas nos enredos que a gente traz. Se a gente traz enredos que exigem mais precisão, que exigem mais aprimoramento, não à toa a gente está fazendo esse trabalho. As fantasias devem ser assim, as alegorias devem ser assim, o samba deve ser assim. Até o nosso trabalho com a imprensa também mudou! Hoje, a gente acredita nesse projeto e quer muito que isso passe para todo mundo. Não adianta a gente também fazer isso internamente e não passar”, comentou.

Materiais e cores

Ao falar de maneira mais prática sobre as indumentárias que vestirão o Zaca em 2027, Nicolas destacou uma característica muito marcante da sociedade que será o enredo da Tucuruvi no próximo desfile: “Uma parte do meu trabalho que eu gosto muito de fazer é mergulhar de cabeça no enredo e transformar tudo isso em materialidade. Desde que eu comecei a estudar a sociedade Ilé-Ifè eu me apaixonei por como eles eram organizados e tinham um conhecimento muito grande da metalurgia. Se a gente pensar que isso era anos atrás e eles já tinham todo esse conhecimento, é muito incrível. Eu tentei passar isso para as fantasias. No trabalho, eu usei muito essa materialidade dos metais e fui brincando com o próprio material. O próprio Delduque pode comprovar, ele quase me matou quando viu o orçamento da placa. Um acetato, que a gente usa muito no Carnaval, eu derreti, eu furei, eu colei… eu brinquei muito com essa fundição do metal, mas na versão carnavalesca. E, claro, também pensando no horário de desfile, no casamento com enredo e tudo mais”, destacou.

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Já em relação à cromia da escola da Zona Norte, o carnavalesco pontuou que cada setor terá uma paleta de cores bastante característica: “Em relação às cores, o trabalho foi idêntico ao pensado em relação aos materiais. Eu prezo muito pelo conjunto, eu gosto de pensar no tapete da escola, eu gosto de pensar na visualidade completa da escola, não só o fantasia a fantasia. Eu gosto muito de pensar o setor completo, pensar nisso como um quadro que se forma quando a gente assiste na avenida. As cores têm os seus blocos: agente inicia com cores mais quentes, nessa saudação à Onilè e à Terra. A gente passa para o segundo setor, fazendo muito essa brincadeira com a metalurgia, essa fundição do Edan. Quando chega no terceiro setor, que são os mistérios, tudo se passa na noite e as cores vão abaixando para explodir no final, no brilho: muito brilho, muita luz, essa luz da sabedoria Ògbóni, que vai nos iluminar. O Sol, que vai estar apontando lá no Anhembi para a gente encerrar o desfile novamente, assim como foi com Ifá, com aquele lindo nascer-de-Sol, aquele desfile que arrepiou. A gente tem certeza que está no caminho para nos arrepiar mais ainda nesse novo desfile que está vindo aí”, prometeu.

Presidente confiante

Mandatário da Acadêmicos do Tucuruvi, Rodrigo Delduque brincou ao ser perguntado sobre o que tinha achado do conjunto de fantasias da escola comandada por ele em 2027: “Eu gostei muito das fantasias apresentadas pelo Nicolas, mas, quando eu vi o valor de cada uma delas, eu desgostei! Eu estou muito feliz com o trabalho dele e de toda a equipe de Criação. Foi muito criativo e está tudo muito dentro do enredo. É muito diferente do que o Tucuruvi está acostumado, do que eu realmente também estou acostumado. Vai ser um presente para a Tucuruvi e para o Carnaval como um todo”, comemorou.

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Outro motivo que despertou o bom humor de Delduque foi o aproveitamento dos materiais feito pelo carnavalesco do Zaca: “Eu brinquei com o Nicolas: disse que não queria gastar, mas não dá para ir de novo no saco de lixo. Ele respondeu que era a nossa temática, nós tínhamos que, realmente, representar o trabalho da arte, sempre sem desmerecer nada nem ninguém. Claro que o material te dá um custo maior, mas o Nicolas tem trazido para nós e para mim, como um gestor de Carnaval, conhecimentos do quanto a cabeça desses carnavalescos estão muito além das nossas. A criatividade que ele tem usado com o material tem me surpreendido muito e tem dado um efeito diferente. Eu tenho certeza, mais uma vez, que vai ser um presente para o Tucuruvi e para o Carnaval tudo o que ele criou junto com a equipe. Não posso deixar de já parabenizar tanto o Nicolas quanto toda a equipe de Criação de Pilotos, que me surpreendeu muito. Tenho certeza que todos os apaixonados por Carnaval também vão gostar”, finalizou.

Canção

O samba-enredo da Acadêmicos do Tucuruvi para 2027 é composto por Thiago Meiners, Thiago Morganti, Claudio Mattos, Sukata, Wilson Mineiro, André Valencio, Ítalo Pires, André Aranha, Serjão Português, Thiago Piccirillo, Don Souza, Daniel Tubino e Rafael Tubino.

Veja abaixo fotos das fantasias (Felipe Araujo/Divulgação Tucuruvi)

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