
A Grande Rio realizou sua semifinal de sambas-enredo para o Carnaval 2027, na última terça-feira. Seis obras se apresentaram na quadra da agremiação, em Duque de Caxias, com destaque absoluto para a parceria de Deré, que entregou o samba mais completo da noite. As parcerias de Anitta e de Ailson Picanço também chamaram atenção e despontam como concorrentes a uma vaga na final, marcada para o próximo domingo. A seguir, o CARNAVALESCO analisa todas as parcerias.
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Parceria de Denilson Sodré: Charles Silva e Mateus Gaúcho abriram os trabalhos da noite com um samba consistente. O refrão principal “Ekomee femo Kabecile Xangô, reluzi costa do ouro, sou chama que acende o pavio, imponho sou Grande Rio, sangue de crioulo” foi o ponto mais forte da apresentação. Já o refrão do meio, “Bate no costeiro, é calunga, chama Justiceiro, faz macumba, concha dessa areia de não se entregar, povo do dendê chegar, vai trovejar”, passou muito bem na quadra. A obra fecha com um momento de destaque em “Evoco Zambi, Deus Nyami, Olorum e Oxalá, pro machado da justiça toco o alujá, tempos novos, tantos povos, com a mesma identidade, por reparação humana, africana liberdade”, verso sustentado por uma melodia que acompanha bem sua força.
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Parceria de Henrique Bililico: Tem-Tem Jr. comandou a apresentação da parceria de Henrique Bililico, Xande de Pilares, Marcelinho Santos, Ricco Espuma, Charlie Menezes e Gilson Bernini. O refrão principal “Obanixé! Kaô Kabecile Orixá, vi meu destino nas asas de Sankofa, eta povo macumbeiro, firma ponto no tambor, voa alto Grande Rio, na justiça de Xangô” veio com força e foi bem cantado pela torcida, sendo o momento de maior energia da obra. Em outro trecho de melodia bem explorada, aparecem os versos “o chão Akan emana virtude, nação Ashanti glória e poder, pertencimento ga em plenitude, na paz que o Fanti ensina a defender”. Apesar da regularidade em letra e melodia ao longo das três passadas, o samba não chega a decolar: cumpre com segurança, mas fica devendo um momento que o faça, de fato, acontecer.
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Parceria de Deré: Juan Briggs e Leozinho Nunes defenderam o samba de Derê, Robson Moratelli, Licinho Junior, Rafael Ribeiro, Igor Federal e Gustavo Clarão. O refrão principal “Oh estrela, estrela de toda negrura, na bandeira, a Grande Rio traz de Gana a bravura” veio forte e muito bem cantado, com canto fácil e grande significado, apesar da construção simples. O refrão do meio, “Meu olhar marejou, mareja, no encontro que Nyame abençoou, o clarão da velha lua cheia, na pedreira do meu pai Xangô”, também se destacou, sustentado por uma melodia dolente de ótimo resultado. O principal destaque da noite.
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Parceria de Anitta: Wantuir e Igor Vianna foram as vozes principais do samba de Anitta, Igor Leal, Arlindinho, Fred Camacho, Diego Nicolau e Fabian Juarez. O refrão principal “Você já sabe quem chegou, pelo toque do tambor, incorporei pra resgatar, sangue de preto, realeza africana, a Grande Rio na alma tem Gana” foi muito bem cantado e levantou a quadra, talvez o mais potente da noite. Por outro lado, é um samba que esbarra em soluções melódicas: a segunda parte apresenta trechos que não se conectam bem entre alguns versos, dando impressão de menor fluidez, recuperando-se apenas no refrão. A narrativa também cai de qualidade nesse ponto, com versos que soam genéricos. Um samba de força pontual, mas irregular na construção. No entanto, pelo refrão chiclete, tem chances de chegar à final.
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Parceria de Ailson Picanço: Lissandra defendeu o samba de Ailson Picanço, Marcelo Moraes, Marco Suárez, Xande Pieroni, Ricardo Construção e Hugo da Grande Rio. O refrão principal “Awa Dupe Ô oba dobe, Awa dupe ó Kabecile, sou Grande Rio e venci a travessia, filho da rebeldia de sangue male” traz um canto iorubá que flui bem numa melodia interessante. A primeira parte chega com boas variações melódicas e letra aguerrida, como no exemplo: “Abre o terreiro que o povo já vai voltar, abre a porta do terreiro, o povo já vai chegar, ventania levou, virou, ventania levou, quem é de guerra não se curva pra Sinhô”. A qualidade melódica segue firme no refrão central, “Ô risca brasa no Oxê, aê Kaô, Tabon ressoa seu agbe, relampiou, ele bradou, ele bradou N’aldeia, o que são pedras pra quem vem da pedreira?”, enquanto a segunda parte é correta, mas impressiona menos. Um bom samba, ainda que seu andamento, mais contido que o dos concorrentes anteriores, talvez não seja o suficiente para segurar uma Sapucaí que, àquela altura da noite, começará a olhar para o fim do Carnaval.
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Parceria de Mariano Araújo: A composição de Mariano Araújo, Moisés Santiago, Chacal do Sax, Márcio André e Rodrigo Feiju emenda dois refrãos consecutivos logo de largada “Xangô, kabecilê kaô, Obanixirê Kaô, com a força do Oxê pra guerrear, sou Grande Rio na Gana de libertar” e, na sequência, “Viva a vida, viva a memória, liberdade para sempre, é tempo de glória, África, clama por reparação, rufam os tambores do povo Tabon” que se completam bem e dão um início potente à obra. O refrão central, “Toca o agbê Malinwo ê Á, trago na voz a magia do canto ioruba, meu povo preto e da ginga, é de arerê, sinto o cheiro no ar do dendê”, passa sem muita empolgação. A segunda parte recupera o samba, mas sem grandes destaques melódicos. No todo, uma passagem irregular, como já havíamos apontado na semana anterior.
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