A noite fria do domingo paulistano não afastou a comunidade do Águia de Ouro da festa julina da escola, realizada na sede da agremiação, localizada na Av. Presidente Castelo Branco. Com um clima extremamente agradável, aparentemente a comunidade da Pompeia e todos os seus segmentos deixaram de lado o resultado do último carnaval e estão fortemente empenhados na busca pela volta ao Grupo Especial. Dentro da festança, a agremiação aproveitou para iniciar o seu trabalho junto à comunidade. Fato é que um discurso dentro da escola é unânime: voltar à elite do carnaval paulistano.

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Primeiramente, as fantasias foram reveladas em um conjunto executado pelo carnavalesco estreante Leandro Barboza e, após, veio o momento aguardado. O samba-enredo, totalmente nordestino, foi anunciado nas vozes dos intermináveis Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto. De primeira, houve uma grande aprovação da comunidade, com destaque para a “Batucada da Pompeia”, liderada por mestre Moleza, que já mostrou total entrosamento com a obra.

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Nos últimos anos, a agremiação realizou eliminatórias internas, mas, desta vez, optou por encomendar o samba-enredo. A parceria que compôs a trilha sonora que irá embalar a comunidade azul, dourada e branca foi supercampeã no Carnaval 2026: Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Lucas Donato, Marcos Vinicius, Chico Maia, Gui Cruz, Fábio Gonçalves, Salgado Luz, Leandro Flecha, Wagner Forte e Cabide.

“A escola deu total liberdade para a gente poder fazer uma coisa dançante, festiva, e eu acho que a gente acertou. O Águia de Ouro tem um grande samba”, disse Aquiles da Vila ao CARNAVALESCO.

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“Concordo. Agradecer também à escola, que deu a oportunidade para a gente fazer o samba por encomenda. No passado, a gente venceu a disputa, e este ano, no Acesso, a gente ficou responsável por fazer o samba junto com a ala musical. É importante falar que a ala musical participou bastante. O samba é alegre, é popular, é regional, tem musicalidade e é para cima, como tem que ser o desfile do Acesso”, declarou Biel.

Componentes felizes, e eles são o termômetro

Contente neste domingo, o presidente Sidnei Carrioulo celebrou a qualidade da obra e das fantasias apresentadas. De acordo com o gestor, a reação da comunidade foi positiva, e essa é a base dele para acreditar.

“Eu estou feliz, porque a plástica das fantasias ficou muito legal. O samba também empurra a escola para a frente, que exige da gente. E, para mim, o mais importante é a reação dos componentes. Eles são o meu termômetro. Estão felizes tanto com as fantasias quanto com o samba. Isso nos dá tranquilidade e faz a gente acreditar em um bom desfile”.

Como citado, o Águia de Ouro, nos últimos anos, escolhia os seus sambas-enredo por meio de eliminatórias internas. Agora, para o Carnaval 2027, encomendou a obra à renomada parceria encabeçada por Aquiles da Vila, que vem sendo campeã em várias agremiações. O mandatário revelou que queria uma música com as características da escola.

“A verdade é que samba não tem mistério: ou você acerta, ou não acerta. Quando não acerta, às vezes é melhor fazer outro do que ficar tentando consertar. A gente também tem uma preocupação muito grande de fazer um samba que tenha a cara da escola. Não adianta ser um samba bonito se, quando você ouve, parece que é de outra escola. Por isso, a gente trabalha bastante em cima dele, até que fique com a nossa identidade”.

Samba com intuito popular e grandioso trabalho do carnavalesco

Rogério Figueira, o Tigues, contou que a ideia foi fazer um samba popular para a escola cantar forte, algo que já é tradição na Pompeia. O diretor também revelou que o Águia de Ouro deu liberdade aos compositores, mas fez algumas ponderações para adequar a letra aos critérios de julgamento.

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“É um samba muito fácil de cantar. Acho que isso era importante, principalmente pela comunidade que a gente tem aqui, que canta demais. A ideia foi fazer um samba popular, com uma linguagem simples, palavras acessíveis e de fácil assimilação. Tenho certeza de que será um samba que vai acontecer bastante na Avenida. Os compositores tiveram total liberdade para trabalhar. Claro que a gente sempre faz algumas observações e dá opiniões pensando no interesse da escola e nos critérios de julgamento, para evitar qualquer problema mais à frente. Depois que o samba ficou pronto, conversamos bastante sobre alguns detalhes, mas, por ser uma encomenda, eles acertaram logo na primeira versão”.

Tigues, que trabalha com Leandro há muito tempo, rasgou elogios ao trabalho feito pelo carnavalesco.

“Nós somos fãs do trabalho do Leandro. Ele trouxe uma temática nordestina com uma abordagem diferente, mais luxuosa, com fantasias volumosas e de grande impacto visual. Temos certeza de que estamos no caminho certo. Se Deus quiser, esse trabalho vai nos colocar de volta no Grupo Especial, que é o lugar onde o Águia de Ouro sempre merece estar”.

Responsabilidade e gratidão dos compositores

Aquiles da Vila falou da responsabilidade que é fazer um samba encomendado, ainda mais no Águia de Ouro, onde vários setores participam da criação.

“Acho que a responsabilidade é maior, porque, quando você vai para uma disputa de quadra, seja de CD ou qualquer disputa de samba, você faz aquilo em que realmente acredita e se reúne com a sua parceria. Agora, quando é uma encomenda, especialmente aqui no Águia de Ouro, fazendo meio que a quatro mãos, o carnavalesco, a escola, a ala musical e o mestre de bateria participam. É uma responsabilidade absurda. É um processo diferente. Tudo tem uma certa responsabilidade, mas esse lance da encomenda, especialmente aqui no Águia de Ouro, é bem específico”.

Biel, outro membro da parceria, detalhou como foram as reuniões e disse que espera que o resultado agrade a todo o povo do samba e à comunidade da Pompeia.

“A gente se encontrou, acredito, três vezes para finalizar tudo: todos os compositores, a ala musical e o mestre de bateria. Teve uma explanação do carnavalesco e do enredista também, desenvolvendo o enredo para a gente, falando da montagem e do roteiro de desfile da escola. E a gente foi seguindo as orientações deles, mas colocando as nossas características como compositores também. Acho que o resultado ficou satisfatório e vai agradar, acredito, não só à escola, mas ao povo do carnaval em geral”.

Questionados sobre as partes favoritas do samba, os dois concordaram que o refrão de cabeça vai fazer o público dançar.

“Tem os trechos alegres que eu gosto, tem os trechos de reflexão que eu curto. Mas eu acho que, no fim, o que vai fazer o povo dançar mesmo é o refrão de cabeça. Acho que é ali o grande mote da festança”.

“É isso. Também, para mim, é o refrão principal. ‘Isso aqui tá muito bom, tá bom demais’. É o que vai pegar”, finalizou Biel.

Samba de qualidade: facilidade de criar bossas

O regente da “Batucada da Pompeia”, mestre Moleza, contou que contribuiu para o samba durante algumas audições. De acordo com ele, dentro de um clima leve, todos saíram satisfeitos com o resultado.

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“Participei por meio de algumas audições. Eles iam apresentando as ideias, sempre em um clima bem descontraído e leve, que os compositores proporcionaram junto com a escola. A gente ficou muito animado desde o primeiro encontro. A melodia é empolgante e as ideias começaram a surgir naturalmente. Estamos muito felizes”.

De acordo com o mestre, as bossas estavam sendo ensaiadas mesmo sem os ritmistas conhecerem o samba. Ele optou por uma forma diferente de trabalhar desta vez.

“A gente sempre procura trazer desafios para os ritmistas, tirando-os da famosa zona de conforto. Mesmo sem eles conhecerem o samba, já estavam participando do processo. Foi um trabalho bem fechado. Em outros anos, o samba vazava cedo. Desta vez, ele já estava pronto havia mais de um mês e só vazou há poucos dias. Nós já levamos essas ideias para os ensaios por meio de contagens, sem que eles soubessem o samba. O objetivo era justamente criar esse desafio. Hoje foi uma surpresa para causar impacto em quem estava assistindo e também para que eles percebessem que eram capazes de executar tudo aquilo”.

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Logo no lançamento, a “Batucada da Pompeia” soltou três bossas de cara. Isso mostra o grau de preparação e o alto nível da bateria. O arranjo do baião nos últimos versos do samba foi o destaque.

“Quando você ensaia primeiro sem o samba, trabalha no grau máximo de dificuldade. Depois, quando coloca a melodia, tudo fica mais fácil. No processo inverso, muitas vezes o músico associa o arranjo apenas àquela palavra ou àquela melodia. Ensaiando antes, ele consegue executar de forma muito mais natural. Então, a gente sai feliz com o resultado. A bateria está feliz, e isso é importantíssimo. Começar um trabalho com todo mundo animado, querendo cantar e fazer acontecer, faz toda a diferença. Agora é trabalhar até o Carnaval”.

Elogiando a obra, Moleza disse que a bateria deve apenas acompanhá-la. “Não é aquele samba em que a orquestra tem que fazer algo diferente para fazê-lo crescer. Esse samba nos proporcionou muitas ideias rapidamente. Existem sambas em que a gente precisa criar uma bossa para levantar a obra. Neste caso, é diferente: a bossa precisa acompanhar o samba, porque ele já traz naturalmente uma intenção de arranjo. Há sambas mais desafiadores, em que você fica pensando no que fazer. Neste, a bateria vai tocar respeitando a melodia e incorporando ritmos nordestinos, mas com uma roupagem mais moderna. Esse é o desafio da nossa diretoria de bateria. Xote e baião já foram utilizados por outras escolas, mas queremos apresentar tudo isso com a nossa identidade, com a nossa característica e com uma proposta bem musical”.

Promessa de um carnaval de Grupo Especial

O estreante carnavalesco Leandro Barboza comentou que o Águia de Ouro irá para a Avenida com um desfile de Grupo Especial. Esse é o maior desejo, principalmente da diretoria, que vem dando todo o suporte, mesmo com a verba menor do Grupo de Acesso.

“O nível da escola me surpreendeu. O presidente e a diretora de carnaval, Jacqueline, me proporcionaram um nível muito alto de fantasias. Desde a primeira conversa, eles disseram que fariam um carnaval de Grupo Especial, e estão cumprindo o que prometeram. Hoje já estou reproduzindo as fantasias e o nível não caiu. Isso nos dá a garantia de que o Águia de Ouro vai colocar na Avenida exatamente o que estamos apresentando aqui. É um desfile no Grupo de Acesso, onde a verba é sempre menor. Mesmo assim, a diretoria prometeu manter o mesmo nível de grandiosidade do Águia de Ouro”.

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Segundo o artista, o presidente está empolgado e quer muito um carnaval grandioso, dando todo o suporte de trabalho. “A primeira palavra do presidente foi: ‘Leandro, quero um carnaval de Grupo Especial’. É isso que estamos fazendo. Claro, com os pés no chão, mas desenvolvendo um projeto de nível especial, com muito trabalho e dedicação. Estamos correndo atrás de materiais para viabilizar tudo, e o presidente está mantendo aquilo que prometeu lá no começo”.

De acordo com Leandro, o samba casou perfeitamente com o que ele preparou para os pilotos apresentados na última noite. É exatamente o que acontecerá na Avenida, o que deixou o carnavalesco muito feliz.

“Para ficar tudo melhor, o samba completa perfeitamente esse enredo. A gente participou junto com os compositores, tivemos algumas reuniões e é uma obra completa. O que você está escutando, você vai estar vendo na Avenida. Isso é muito importante, porque deixa a escola com a confiança de estar trabalhando todos os quesitos de forma correta”.

Confiantes para o desfile

Extremamente confiante, a nova porta-bandeira oficial, Nathalia Guimarães, cravou que este será o hino da volta da Pompeia à elite do carnaval paulistano.

“É um samba que vai marcar o retorno do Águia de Ouro ao Grupo Especial. Na minha opinião, é o melhor samba da escola que eu já ouvi. Gostei muito. É um samba alegre, contagiante e com uma energia enorme. Acho que é exatamente dessa alegria que a nossa comunidade precisa para entrar forte na Avenida e voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído”.

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Com uma análise entre razão e emoção, o mestre-sala Alex Malbec disse: “É um grande samba. Eu trabalho com música e sou apaixonado por isso. Desde a primeira vez que o ouvi, ele me conquistou em todos os os sentidos: pela letra, pela melodia e pelas intenções musicais. Acredito que esse samba vai nos favorecer muito. Ele traz leveza, permite um desfile mais solto e cria oportunidades para interagir mais com o público. Além de ser um samba de excelência, também renova o ambiente dentro da escola. Estamos no Grupo de Acesso apenas de passagem, e acredito que esse samba será um dos principais elementos para nos ajudar a voltar ao nosso lugar, que é o Grupo Especial”.

Dupla de cantores contente com a obra

O intérprete Serginho do Porto elogiou o samba, principalmente a sua melodia. O cantor, que é extremamente identificado com a comunidade da Pompeia, está empolgado com a volta ao Grupo Especial.

“É um samba que não cai e não cansa. Essa foi a ideia dos compositores. Eles formaram essa grande obra para que a gente desfile no Carnaval de 2027. É um samba leve, é um samba chiclete, em que os dois refrãos todo mundo vai cantar. Então, isso, para o desfile de uma escola de samba, é excelente. A gente já tem 80% de um desfile maravilhoso, que é o nosso samba-enredo”.

Douglinhas Aguiar revelou que, dentro da obra, participou apenas de ajustes de melodia, mas a letra ficou exclusivamente com a parceria de compositores.

“A gente não participou diretamente da composição. Eles trouxeram para nós o samba já pronto. A única coisa que a gente fez foi dar aquela remodelada, ajustes normais, junto com eles. E aí acaba chegando a esse resultado final maravilhoso”.

O mestre Moleza soltou várias bossas na apresentação, e isso não foi combinado com a ala musical. Porém, todo o trabalho da Batucada da Pompeia foi elogiado por Serginho do Porto.

“Surpreendeu a gente. Mas foi até legal, porque é o primeiro dia, para a gente ver tudo isso que tem, poder sentir e ajeitar dentro do samba, do jeito que a gente vai cantar. Quando nós fomos gravar o clipe, a energia com essa bateria tocando foi uma loucura. Acho que umas coisinhas a gente vai enxugar, botar no lugar, e vai ficar maravilhoso”.

A esperança de Douglinhas Aguiar é a volta ao Grupo Especial e ver a comunidade cantando forte o samba-enredo. “É porque hoje está todo mundo dizendo: ‘Tem um bom samba, as fantasias são bonitas’. Agora, a gente vai pedir aos deuses do carnaval que, no domingo de carnaval, concedam a nossa volta ao Grupo Especial. Só eles podem conceder isso. E a nossa comunidade também. Todo mundo cantando, com o samba na ponta da língua”.