
Os Gaviões da Fiel apresentaram na semana passada o enredo para o Carnaval 2027. Em um evento reservado à imprensa e a convidados, no Centro Cultural da Fábrica do Samba, a escola realizou uma gira de umbanda para revelar o tema “É noite de gira na casa de Ogum“. Trata-se de um tema que tem tudo a ver com a escola, pois, no sincretismo religioso, a entidade representa São Jorge, santo padroeiro da agremiação e do Corinthians, algo que está bem representado na logo do enredo. Com esse tema, a Fiel busca a tão sonhada quinta estrela, que não veio por pouco no último carnaval, quando a escola ficou com o vice-campeonato. O CARNAVALESCO esteve presente no lançamento do enredo e conversou com os carnavalescos Júlio Poloni e Rayner Pereira, que trabalham juntos pelo quarto ano consecutivo.
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Surgimento do tema
Rayner afirma que o enredo surgiu em 2025, mas a escola optou por desenvolver “Vozes Ancestrais para um novo amanhã”. De acordo com o profissional, o projeto agora está sendo executado na prática, com desenvolvimento de fantasias e alegorias. “A ideia já havia surgido no ano passado. Existia uma possibilidade entre o enredo de temática indígena apresentado e este. Foi possível amadurecer melhor a proposta, que concorria com outra levada à diretoria, mas acabou ganhando força neste ano. Sabe-se que o Gaviões está em um período eleitoral, então havia o desejo tanto de oferecer quanto de receber esse presente: trabalhar São Jorge e Ogum de uma forma diferente, com a identidade da escola. A partir disso, começaram as conversas e o desenvolvimento da ideia. Agora, o projeto está na fase prática, que é a mais divertida: ilustrar o que pode ser apresentado na avenida”, contou.
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Confiança no enredo
Seguindo a linha de raciocínio do parceiro, Júlio declarou que é emocionante apresentar uma gira de terreiro no Anhembi e demonstrou grande confiança no tema. “É emocionante. Cada insight, cada fantasia imaginada, cada detalhe das alegorias já provoca arrepio. É um processo que emociona desde o início. Sempre houve o desejo, como o Rayner mencionou, de abordar Ogum e São Jorge. Encontrar esse fio condutor na Umbanda e levá-lo para a avenida, transformando o sambódromo em um terreiro, conduzindo a gira e vivenciando o rito da casa de Ogum, que é o Gaviões, tem sido muito especial. Há uma grande confiança na força desse enredo e na apresentação que será levada ao Anhembi”, disse.
Sob a proteção de Ogum, Gaviões da Fiel levará a força da Umbanda para o Anhembi no Carnaval 2027
Separando o futebol e o carnaval (somente dentro do desfile)
Há dois carnavais, a entidade não cita o Corinthians em seu desfile, nem no samba nem na apresentação. De acordo com Júlio, essa tendência deve permanecer, embora exista uma ligação natural entre o clube e a agremiação. “Isso não faz parte do enredo; não será levado para a avenida, e não haverá referência direta ao Corinthians. No entanto, o Gaviões é o Corinthians. A casa de Ogum é o Corinthians. Portanto, não há necessidade de inserir essa relação de forma explícita em um enredo ou representação. Trata-se de uma ligação natural da comunidade, que não aparece como um capítulo específico, mas estará sempre presente nos componentes e na arquibancada”, explicou.
Alto investimento no carnaval
Sabe-se que os Gaviões da Fiel têm levado uma alta volumetria em seus carros alegóricos e fantasias. Questionado sobre o projeto, Rayner afirmou que a ideia da diretoria é investir ainda mais. “Acredita-se que não haverá recuo após o que foi apresentado. A intenção é sempre realizar algo maior, que cause impacto na avenida, na escola e no enredo. Portanto, não se deve esperar menos do que já foi visto, mas possivelmente algo ainda mais grandioso. Com o aval do presidente, o projeto ganha liberdade para sonhar e trabalhar em busca do melhor resultado. Os erros foram identificados, corrigidos e seguem em processo de aprimoramento. O trabalho já começou para apresentar, mais uma vez, o potencial da equipe”, afirmou.
Narrativa diferente
Explicando brevemente o enredo, Júlio comentou que ele será desenvolvido de forma atípica. A proposta é apresentar uma gira de terreiro, sem se prender a uma narrativa tradicional. “O formato será totalmente diferente. Não haverá uma narrativa tradicional, nem um conto ou relato de fatos. A proposta é vivenciar uma religiosidade na avenida. Mais do que um desfile, será uma gira, um rito. O desfile ganhará essa forma, permitindo não apenas apresentar, mas também experimentar aquilo que está sendo cantado. Esse formato distinto é o que mais chama a atenção e reforça a confiança na força da escolha”, concluiu.










