A terceira alegoria da Unidos do Viradouro foi batizada de “As guerreiras Mino: proteção mística e lealdade”. Recrutadas para proteger o reino de Daomé, eram as mulheres mais temidas do mundo. Na parte traseira do carro, um barco representou a travessia transatlântica que os daomeanos foram submetidos no processo escravista.

Em tom vermelho forte, o destaque da alegoria era o elefante africano, que se movimentava e ecoava um forte barrido ao longo da Passarela do Samba. À frente do carro, três panteras também se movimentavam pela avenida. Já nas laterais, guerreiras em luta realizaram performances coreográficas no carro e na pista.

O diretor de alegorias Diogo Calixto, 38 anos, explicou os detalhes do carro alegórico. A ideia da performance das guerreiras, segundo ele, foi pensada para contribuir com a evolução da escola.

“É uma alegoria que tem um significado muito forte no nosso enredo – ela é parte da transição da ‘cabeça’ da escola para a continuação do enredo. Com isso, é perceptível a mudança na paleta de cores, além de outros detalhes. As nossas guerreiras (composições) tiveram uma performance na lateral, com subidas e descidas ao longo da avenida. Isso foi um elemento muito forte para o nosso desfile e que contribuiu com a evolução”, detalhou.

Uma das guerreiras do Reino de Daomé, a bailarina Tamara Barcelos, 51 anos, explicou as coreografias feitas na lateral do carro e no chão da avenida. “ Nesta ala, estamos em treinamento. Somos caçadoras de elefantes e de panteras. A nossa coreografia foi muito mais de movimentos sinuosos para o público, representando a luta e a caça. Em alguns momentos, viramos para o público e desenvolvemos a nossa serpente”, explicou Tamara.

Já Duzza Alves, de 57 anos, desfilou como na parte de cima da alegoria. Ela conta que ficou encantada com a fantasia, que era destacada pelo forte tom vermelho e o bom acabamento.

“As fantasias ficaram lindas. Gostei muito das cores, além do conforto e da leveza que elas têm. Ficaram bastante adequadas com a proposta de desfile, que era para fazer performance”, disse a guerreira.

Com o enredo “Arroboboi, Dangbé”, a Viradouro encerrou os desfiles do Carnaval carioca de 2024.