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Série Barracões: Com carnaval grande, Vila Isabel quer mostrar as diversas faces de Martinho no aguardado enredo para o carnaval de 2022

Sem fugir de suas características, Edson Pereira monta grandioso carnaval para homenagear maior símbolo e presidente de honra da escola

Não há como falar da Unidos de Vila Isabel, sem falar de Martinho José Ferreira, que se consagrou carregando o bairro e escola no nome, como o Martinho da Vila. Após anos de espera da comunidade, Martinho, que é o presidente de honra da escola, será o enredo da Vila para o carnaval de 2022. Com um gigantesco projeto para o desfile, característica do carnavalesco Edson Pereira, a Vila pretende mostrar a multiplicidade de Martinho na avenida: o artista, o escritor, o partideiro, o intérprete e o poeta de Vila Isabel.

Foto: Site CARNAVALESCO

Em entrevista ao Site CARNAVALESCO, realizada no barracão da escola, Edson Pereira conta que a grande surpresa positiva que teve na pesquisa do enredo foi se deparar com as diversas faces de Martinho como artista, muito além de ser apenas um cantor e compositor de alta qualidade. Além disso, segundo o carnavalesco da escola, na pesquisa, ele pode constatar ainda mais a importância de Martinho para a moldagem da identidade da Vila Isabel como escola.

“O mais surpreendente na pesquisa do enredo foi concluir como a Vila Isabel se coloca, diante da chegada do Martinho, como uma escola com uma forte negritude, com um poder de fala muito grande quando se trata de negritude e também a multiplicidade do Martinho como artista, porque muitos conhecem ele com o partideiro, o músico, o interprete, mas não conhece muito o Martinho como um grande escritor e grande poeta. Então, isso foi algo que me surpreendeu muito, além da simplicidade dele”.

Escolha do Enredo

Aguardado pela escola há muitos anos, o enredo sobre Martinho quase ocorreu no carnaval de 2010, mas o artista declinou da ideia por julgar mais pertinente, à época, homenagear o Noel Rosa, outro histórico compositor do boêmio bairro de Vila Isabel, em seu centenário. Logo após o fim do carnaval de 2020, o último antes da pandemia, a escola anunciou que homenagearia o artista no carnaval subsequente. Ao carnavalesco, Edson contou que a tomada de decisão partiu da escola e que a ideia foi prontamente acatada por ele.

“O Martinho é um enredo que é almejado pela comunidade da Vila Isabel, há muitos anos e esse é meu terceiro carnaval na escola, primeiro, eu fiz Petrópolis, depois, eu fiz Brasília e agora, veio esse presente que é fazer Martinho da Vila. O enredo não é autoral meu, a construção do enredo, sim, é minha e partiu da escola essa ideia de fazer a homenagem ao Martinho, que eu acho super justa”.

Foto: Site CARNAVALESCO

Plástica da escola

No projeto, Edson Pereira não fugiu de suas características e montou mais um desfile grandioso, com muito volume e riqueza de detalhes no conjunto alegórico.

“Eu acho que a plástica por si só e falando sobre mim mesmo, o maestro que conduz essa ópera, é o que todo mundo já sabe, uma grande escola, uma volumetria grande, com momentos muito específicos e especiais durante o desfile e a gente vai fechar o carnaval, um carnaval de redenção e a gente pretende que ele não termine ali, como diz a música, que não se acabe na quarta-feira de cinzas”.

Lado Político do homenageado

O carnavalesco também comentou sobre a cobrança, a qual considera não existir, por parte de algumas pessoas, para que a veia política de Martinho, como militante e ativista, entre no enredo da escola. Ao falar sobre o assunto, Edson afirmou que essa parte da vida do artista estará no desfile, porém sem ser o foco ou o fio-condutor do desfile da Vila Isabel.

“Eu não considero que exista essa cobrança porque, se você vai falar de um enredo e de uma pessoa que viveu esse momento tão político da nossa história, obviamente, isso tem que estar presente. Mas, não precisa ser o foco do enredo, até porque a gente não está fazendo um enredo biográfico, a gente não quer falar de tristeza e de momentos ruins, a gente simplesmente vai citar esse momento porque é importante não só na história do Brasil, mas também na história do Martinho da Vila. Então, é um momento que vai estar presente e tem que estar presente, mas não obrigatoriamente ele tem que ter toda essa evidência e essa cobrança que as pessoas colocam”.

Grande Trunfo do desfile

Como não poderia ser diferente, o grande trunfo da Vila Isabel para o carnaval de 2022 é o seu enredo. Embalada pela emoção de homenagear o grande ídolo e representante da comunidade, a escola espera encerrar a segunda noite de desfiles do Grupo Especial com Martinho aclamado pelo povo.

“O grande trunfo desse enredo é o próprio Martinho porque, a partir do momento que você tem um bom enredo, você tem um bom samba e você tem uma boa comunidade para abraçar esse ícone da escola. Eu acho que o Martinho é o grande trunfo”.

Entenda o desfile

A Unidos de Vila Isabel encerrará a segunda noite de desfiles do Grupo Especial, em 23 de abril, com 9 alegorias( o máximo são 6, porém serão três acopladas no abre-alas), 1 tripé/chassi da comissão de frente e cerca de 2.900 componentes. Edson explicou um pouco de como estão divididos os setores da escola.

Primeiro Setor: “Todo o carnaval será sintetizado a partir da plástica do abre-alas porque a gente fala do grande pensador negro, como formador de opinião, que deixa como herança para Vila Isabel, que se constroi a partir do Martinho também. É uma história que se comunga, que fala das mesmas questões, o Martinho consegue dar cara para Vila Isabel. Então, isso está no abre-alas, o morro dos macacos agradecendo, como o samba mesmo já diz, “ o dono do palco, zumbi lá do morro”. É isso que ele representa para o morro dos macacos e para a Vila Isabel”.

Foto: Site CARNAVALESCO

Segundo Setor: “Eu abro as porteiras da parte mais singela da vida do Martinho, que foi a infância dele, em Duas-Barras, onde ele morava, numa roça, e foi alfabetizado, já ali com sua veia artística e aí, eu coloco ele como um pequeno passarinho, livre, com toda inocência de poder cantar e escrever. Ele foi alfabetizado pelo pai, a mãe era lavadeira e a avó era cozinheira. Então, isso a gente consegue sintetizar isso diante de um cenário mais de roça, de sua origem humilde”.

Terceiro Setor: “Eu falo da voz de expressão do Martinho como negro e a liberdade de expressão, quando ele faz essa contrapartida de Brasil e Angola e vira o embaixador negro, na época nem se existia esse título, ele vai pra Angola e é reconhecida, dali, como Martinho para o mundo, não somente o Martinho da Vila. Então, nesse setor, a gente está falando de Martinho para o mundo”.

Quarto Setor: “Eu coloco como setor de Gbalá pela importância da criança e a herança que Martinho deixa como um grande Griô, o griô da esperança, comunicando-se com as crianças, que são a esperança do futuro de um futuro melhor. E, aí, a gente coloca um baobá e todo esse ambiente africana porque, no nosso conceito de enredo, ele é o nosso griô, da sapiência, da esperança e do conhecimento”.

Quinto e último setor: “A gente fecha o carnaval falando que o Martinho, com tudo isso que ele constrói e sua história, desce o morro de chinelo de dedo e vai levar todo seu conhecimento para a 28 de setembro, para o asfalto, como está no trecho do samba e para fazer dali, o carnaval do povo porque, até então, o carnaval era burguês e era sintetizado somente na favela e ele traz isso para o asfalto. Então, essa importância de hoje, de reconhecimento e de valorização, está no fechamento do carnaval da Vila”.

 

 

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