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Ele é cria! Tinga ressalta força da Vila Isabel: ‘escola canta forte, vibra e evolui bastante’

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Cria da Vila e um dos grandes nomes dos carnavais do Rio de Janeiro e de São Paulo, o intérprete Tinga, com apoio da comunidade, promete entoar o Evoé na Marquês de Sapucaí e assim entregar um bonito desfile da Vila Isabel. Na série “Entrevistão” do CARNAVALESCO, o cantor falou sobre sua carreira, a importância da Vila Isabel para ele, as referências que possui no mundo do samba, além da expectativa para o carnaval deste ano.

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Foto: Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO

Após tantas carnavais, qual o balanço que você faz da sua carreira? 

Tinga: “É maravilhoso. Eu sempre procuro fazer o meu melhor. Sempre ajudar a nossa escola e chegar ao nosso objetivo que é sempre ser campeão do carnaval. O meu balanço é esse: sempre dando o meu melhor”.

Qual o seu desfile inesquecível? 

Tinga: “Tenho muitos (risos). Para citar um fica até difícil, mas posso dizer que foi o de 2013, que a Vila Isabel foi campeã do carnaval. Foi um desfile muito lindo, a escola feliz, cantando muito forte e bonito. Graças a Deus, a Vila foi campeã do carnaval – e com um samba maravilhoso. Esse é inesquecível”.

Tem algum desfile que prefere não lembrar muito?

Tinga: “Não. Na verdade, todos os carnavais, para mim, foram muito bonitos e lindos. Até mesmo os que tiveram alguma dificuldade, porque sempre é um aprendizado. É tudo sempre maravilhoso”.

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No desfile de 2017, na Tijuca, você foi fundamental para segurar a comunidade no momento do acidente com a alegoria. O que passou na sua cabeça naquele momento?

Tinga: “Foi justamente isso. 2017 foi uma dificuldade muito grande. Eu procurei sempre ajudar a escola e motivar para que ela não desistisse do desfile. Muita gente já estava chorando, andando, e eu pensei: ‘tenho que fazer alguma coisa aqui para poder mudar essa história’. Graças a Deus a gente conseguiu motivar a escola de novo. A escola continuou, terminamos o nosso desfile e a Tijuca continuou no Grupo Especial – essa era a nossa intenção. Foi maravilhoso. Foi um trabalho muito grande feito pelo presidente Fernando Horta, na época, e eu só lembrava dele, por todo esforço para fazer aquele carnaval. Eu tinha quase certeza que se a Tijuca terminasse o desfile, ela seria a campeã daquele ano. Mas é assim, carnaval é desse jeito: na Avenida”.

Qual seu samba preferido da Vila Isabel?

Tinga: “Angola (2012), com certeza. Angola é um samba sensacional e o samba de 2013, maravilhoso também. Angola e o samba de 2013 são dois sambas realmente muito bonitos”.

Quais são suas referências como intérprete?

Tinga: “Minhas referências como intérpretes são os antigos: Nosso querido falecido Dominguinhos do Estácio, o querido Jamelão. Eles são as minhas maiores referências na área”.

Qual o segredo que a Vila Isabel tem em ter formado você e o mestre Macaco Branco, dois pilares da escola?

Tinga: “A gente começou muito cedo no Herdeiros da Vila, nossa escola mirim. Cantei com o Gera, assim como o Macaco Branco tocou com o mestre Mug. A Vila Isabel, a gente costuma dizer que é uma família – todo mundo ali. Eu conheço todos ali – todos os ritmistas, conheço todas as baianas – todos que estão lá a gente conhece, porque estamos ali desde sempre. Todos os garotos que são da bateria eram da minha época também. Somos todos uma família”.

São dez anos sem título da Vila Isabel. O que está faltando?

Tinga: “Só está faltando ganhar (risos). Acho que a Vila faz sempre um carnaval muito bonito e acredito que já mereceu ganhar em algumas vezes, como no ano de 2019, com Petrópolis, em que a Vila fez um carnaval muito bonito. 2022 também. Claro, não tirando o mérito da Grande Rio, que acredito que a Grande Rio é a merecedora desse título, mas a Vila também fez um grande carnaval. É isso: fazer o nosso melhor sempre e esperar o resultado”.

O ‘evoé’ pegou? Qual o segredo para levantar o samba?

Tinga: “O samba é alegre demais. É um samba maravilhoso. Eu costumo dizer que o samba tem que ser feito com o desfile. Não adianta: ‘ah, o samba é bonito’. O samba tem que acontecer para ajudar a escola, e esse samba da Vila ajuda a escola e a comunidade. Ela está feliz com ele e dá para perceber. A escola canta forte, vibra e evolui bastante. Acho que isso é o importante, porque o samba é para aquele momento. Às vezes o samba é muito bonito, mas ele não ‘acontece’ na avenida. Eu tenho certeza que o samba da Vila vai ‘acontecer’ na Avenida, porque é favorável ao enredo e a escola, que está feliz demais com o samba”.

O ‘abraço da comunidade’ foi fundamental para o samba vencer a disputa e ser impulsionado nos ensaios?

Tinga: “A comunidade tem que ser sempre exaltada. Eles que vão para a Avenida, eles que vão cantar e vibrar. É o que acontece quando escolhem um samba que eles gostam. Eles estão cantando o samba que escolheram. Isso é muito importante, porque eles vão chegar na Avenida e darão o resultado. Evoé vamos com tudo!”

Escolas mirins participam de ensaio técnico no Sambódromo

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As expectativas em relação aos ensaios técnicos das grandes escolas com a proximidade do carnaval, a cada semana aumentam. O público que ansiosamente espera pelas apresentações do Acadêmicos do Salgueiro e Portela, terá um motivo mais do que especial para lotar as arquibancadas do Sambódromo, chegando antes do horário inicialmente programado. No próximo domingo, às 19h, as agremiações que compõem o grupo mirim, estarão com seus componentes e todos os segmentos dando um aperitivo do que mostrarão na Terça-feira de Carnaval, encerrando a grande festa na avenida.

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Foto: Arleson Rezende/Divulgação

O ensaio técnico das escolas infantis será promovido pela Associação das Escolas de Samba Mirins, com apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro, Riotur, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Liesa. A criançada mostrará o autêntico gingado ao som de clássicos sambas que marcaram época.

As dezesseis escolas terão representatividade com casais de mestre-sala e porta-bandeira, passistas, baianinhas e bateria que será formada por ritmistas da Nova Geração do Estácio de Sá e alunos da Escola de Percussão de Mestre Chuvisco, que terão a oportunidade para dar mostras do que estão preparando durante os treinamentos nas quadras, visando o desfile oficial dia 21 de fevereiro.

“Será a oportunidade única de mostrar para essas crianças que o desfile infantil é coisa séria, apesar de ser uma apresentação amistosa. Terão o aprendizado do tempo de apresentação dos segmentos, os espaços para evoluírem e mostrarem aos amantes do carnaval o que eles desde pequenos podem e têm capacidade de mostrar quando o assunto é desfilar na Passarela do Samba”, destacou Alexandre Moraes, Diretor de Carnaval.

A diretoria da Aesm-Rio convoca os admiradores do carnaval e sambistas de todas as idades para prestigiarem as escolas mirins no domingo e ressalta que dia 21 de fevereiro, as entradas são gratuitas nos setores das arquibancadas do Sambódromo.

“Chamo a todos os que amam o carnaval para se emocionarem com as crianças. Eles se superam mostrando samba no pé, alegria e espontaneidade! Conto com a presença de todos”, convida Edson Marinho, presidente da Aesm-Rio.

Império Serrano cuida da saúde dos componentes para o Carnaval 2023

O Império Serrano, além do encontro das bandeiras, na noite desta terça-feira, uma ação social para seus integrantes e os componentes da Beija-Flor de Nilópolis que estavam presentes neste ensaio. Foi feita a medição de a pressão arterial e glicose, além do aconselhamento para cuidados básicos de saúde. A vice diretora de cultura do Império falou um pouco dessa importância dos cuidados da saúde para com seus componentes.

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Fotos: Cristiano Martins/Site CARNAVALESCO

“Estamos fazendo uma ação em prol da saúde dos nossos componentes, onde está sendo verificado a glicose e pressão. Tudo feito gratuitamente. É uma preparação para o carnaval. Parceria do Império Serrano, departamento cultural e o curso Grau”, disse Paula Maria.

A diretora ainda ressaltou a importância desses cuidados e disse que a ação pode acontecer em outros eventos pré-carnaval que acontecem na quadra da agremiação.

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“É importantíssimo ainda mais nesse pré-carnaval onde as pessoas costumam ficar nervosas e esse calor excessivo que está fazendo ajuda a previnir algumas situações. É o Império Serrano cuidando do seu componente, para que ele esteja na avenida cantando o samba rumo a vitória”.

Superliga divulga ocupação dos novos espaços na ‘Nova Intendente’

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Dentre tantas novidades do carnaval da Superliga, na “Nova Intendente”, estão os novos espaços como camarotes, lounges e frisas. Sem perder a essência do carnaval do povo, a entidade divulgou como será a liberação desses espaços na Avenida Ernani Cardoso nos dias dos desfiles do Grupo de Avaliação, Série Bronze e Prata.

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Fotos: Divulgação

Todas as frisas serão liberadas para o público, que as ocuparão por ordem de chegada no local. Já os lounges serão destinados aos convidados de cada agremiação que desfilarão no dia, cabendo a cada escola o repasse desses convites. Já os camarotes serão ocupados pelos patrocinadores do evento.

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“Apesar das novidades, manteremos a essência do carnaval do povo. Teremos os espaços para quem gosta de levar sua cadeira de praia, seu cooler, levar as crianças. O carnaval da Intendente sempre foi familiar e isso jamais mudará. Proporcionaremos um grande espetáculo todos os dias. As agremiações estão dando o melhor de si para essa estreia em um novo local”, revelou o presidente Clayton.

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Além dessas novidades, a Nova Intendente também contará com um novo sistema de som e iluminação, além da pintura da pista. O novo local contará com a capacidade de 5 mil pessoas, número maior que o dobro da antiga estrutura. Também contará com praça de alimentação e segurança.

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Os desfiles do Grupo de Avaliação acontecerão no dia 19 de fevereiro. As agremiações da Série Bronze entram na Nova Intendente nos dias 20 e 21. Já as 32 escolas da Série Prata entram na passarela nos dias 24 e 25, em busca de três vagas na Série Ouro para o carnaval de 2024, na Marquês de Sapucaí.

Governo do Rio libera patrocínio para escolas de samba por meio da Lei de Incentivo à Cultura

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O Governo do Estado do Rio de Janeiro concluiu nesta terça-feira (31/01) o processo que viabiliza o patrocínio das 12 escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval. O investimento será feito pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Sececrj) via Lei Estadual de Incentivo à Cultura e o valor a ser dividido entre as agremiações é de pouco mais de R$ 9 milhões.

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Foto: Rogério Santana/Governo do Estado

“O Carnaval é o principal evento do calendário do Rio de Janeiro, quando todo o estado recebe turistas e viajantes de todo o mundo, fomentando mais que a nossa Cultura, mas todo o setor de serviços, garantindo aquecimento da economia. É fundamental a gente olhar para o Carnaval com esses dois conceitos: valorização da identidade cultural e oportunidade de geração de emprego, renda e arrecadação. A festa será linda e todos são bem-vindos”, diz o governador Cláudio Castro.

A verba destinada ao Carnaval é fruto de pedido da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), que solicitou o apoio, possível a partir da renúncia fiscal com uma Declaração de Patrocínio (DEP). O mecanismo funciona com a concessão de benefício fiscal para empresas contribuintes de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), garantindo a reversão da renúncia dos valores em investimento a projetos culturais e financiamento da arte fluminense. Assim como no ano passado, a Light cumpriu todos os requisitos e mais uma vez será parceira do Estado no financiamento da festa.

“A busca pela democratização do acesso aos recursos da pasta passa diretamente pelo fortalecimento da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Trabalhamos para fomentar, ajudar a estruturar e para celebrar a cultura fluminense. Não podemos deixar de exaltar nossa identidade”, avalia a secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros.

Além do valor que será destinado via Lei de Incentivo à Cultura, o governo lançou, em novembro do ano passado, o pacote Folia RJ 2023, com quatro editais, totalizando investimento de cerca de R$ 12 milhões ao Carnaval. Deste valor, R$ 4.3 milhões são destinados exclusivamente às escolas de samba, por meio da chamada ‘Não Deixa o Samba Morrer RJ 2’. Os projetos estão em fase de envio de documentação, com prazo vigente até o dia 9/02, para posterior pagamento.

Lilian Martins, diretora executiva do Camarote do King, diz que espaço cresceu para o Carnaval 2023

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Os clientes, acostumados a frequentar o Camarote do King durante o carnaval na Marquês de Sapucaí, já podem se preparar para entrar em um camarote completamente diferente das últimas cinco edições. A começar pelo tamanho, o King cresce e passa a ter 2.000 m², uma expansão de 25% quando comparados com o ano anterior. A capacidade aumenta e pode comportar até 2 mil pessoas, mas a organização prevê receber, no máximo, 1.200 pessoas por noite.

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Lilian Martins é a Diretora Executiva do Camarote do King

O terceiro andar ocupou todo o módulo do setor 8 e agora são 60 metros de frente para a Avenida e um robusto crescimento em espaço interno, que contempla um novo lounge, banheiros, áreas de circulação e uma reformulação da boate. A diretora executiva do Camarote, Lilian Martins, explica que essa preocupação de crescer na área interna se dá por conta da possibilidade de chuva.

“Eu quis aumentar o espaço interno por medo de chuva, pois quando chove as pessoas fogem, então quando tem muita frisa e pouco espaço interno e chove, acaba não comportando. Aí já que aumentamos, também colocamos mais banheiros”, explicou.

O buffet também sofreu mudanças. As ilhas para servir a alimentação aumentaram de tamanho e disposição, visando dar mais agilidade para reposição da comida. O sushi bar também cresceu e foi para a nova parte interna do 3º andar. Nas escadarias, dois antigos parceiros: Café Três Corações (entre 1º e 2º andar) e Sorvetes Kibon, que agora ganha um lounge entre os 2º e 3º andares.

“O camarote é muito reconhecido pela gastronomia e nós quisemos valorizar ainda mais, essa marca que atrai nossos clientes”, contou Lilian.

Outra mudança estrutural bastante significativa foi a boate, que teve o palco reposicionado e algumas paredes internas derrubadas, com isso, os shows irão acontecer de modo que o público terá um espaço maior e integrado para aproveitar os shows de praticamente todo o primeiro andar. O Camarote do King reforça o compromisso com os desfiles e assegura que as paredes da boate têm isolamento acústico reforçado.

Durante o carnaval os shows na boate costumam acontecer no intervalo entre as escolas de samba e neste ano não será diferente. No entanto, o King, em 2023, esticará a festa após a última escola, iniciando um show após os desfiles de domingo (19), com Xande de Pilares e também na segunda (20), com Caju pra Baixo. A organização ainda está planejando a atração para fechar o carnaval após o último desfile do sábado das campeãs.

Desde sua fundação o King já proporcionou aos seus clientes algumas viagens por meio da decoração do camarote, que todos os anos tinha um tema, tais como Veneza, Turquia e Marrocos. Em 2023, o King não terá tema, mas terá uma decoração completamente high tech e repleta de sons e luzes automatizadas.

As bebidas alcoólicas do open bar seguem por conta do grupo Petrópolis, que patrocina o camarote com a cerveja Petra, Go Draft e Itaipava 100% e o grupo Pernod Ricard, detentor das marcas patrocinadoras Vodka Absolut, Gin Beefeater e Whisky Ballantines.

E com tantas novidades, o camarote do King também lançou um novo produto: O Pagode da Abelhinha, que vem acontecendo durante todos os ensaios técnicos, na frisa do camarote. O público do evento é convidado e a organização prioriza clientes e parceiros do camarote. Esses foliões vêm aos ensaios já para entrarem no clima de carnaval.

Lilian conta que esse pagode da abelhinha surgiu na casa da família King e se trata de uma homenagem para Dona Eliane, a matriarca. “Estava todo mundo na cozinha de casa e o pessoal estava tocando. De repente ela pediu para todo mundo sair da cozinha para tocar do lado de fora. O João viu aquilo e já falou que o pagode da abelhinha era um produto. Aí agora nos ensaios técnicos começamos a fazer esse evento e queremos que ele continue após o carnaval, pois é uma forma de tratar bem o nosso cliente e de mostrar como é a nossa estrutura”, explicou.

Hoje a quantidade de ingressos vendidos para o carnaval está na casa dos 70%. Confira as atrações do Camarote do King para os dias de desfile:

Sexta (17): Papatinho, Bola Preta, Chacal do Sax e Adriano Ribeiro
Sábado (18): Thiago Soares, Dj Sammi, Dj Netto, Chacal do Sax e Adriano Ribeiro
Domingo (19): Xande de Pilares, Carrossel de Emoções, Chacal do Sax e Adriano Ribeiro
Segunda (20): Pique Novo, Julio Sereno, Dj Sammi, Chacal do Sax e Adriano Ribeiro
Sábado (25): Molejo, Swing e Simpatia, Chacal do Sax e Adriano Ribeiro

Milton Cunha reflete sobre sua carreira e o carnaval na atualidade

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Milton Cunha é um dos sambistas mais relevantes do carnaval carioca. Produtor cultural, organizador de eventos e pensador da nossa festa, ele está presente na cobertura dos ensaios de técnicos do Grupo Especial pelo Rio Carnaval, na função de comentarista dos desfiles do Rio de Janeiro, na Rede Globo, e apresentando diversas lives com o carnaval como protagonista. O carnavalesco reverenciado começou na Beija-Flor, em 1994, e fez sua carreira visando ter espaço como comunicador. Essa última tarefa foi conquistada em 2013 quando pediu um espaço na TV Globo. Milton Cunha explicou para o site CARNAVALESCO a pretensão de mudar de carreira.

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Fotos: Matheus Vinícius/Site CARNAVALESCO

“Era um plano desde sempre. Eu chego no Rio, em 1982, para ser ator e diretor. Aí eu trabalho com a noite, com Chico Recarey e desfiles de moda, conheço Anísio [Abraão David] e ele me bota no Carnaval em 1993. Eu disse assim: ‘Milton, fica uns anos aqui, mas volta a estudar, faz mestrado e doutorado. Quando tu puder, Milton, te manda, porque teu projeto é a TV, a fala’. Por isso eu animava a quadra, eu era um carnavalesco que subia em palco. Eu sempre quis a luz e o microfone. Eu sempre quis essa papagaiada. Mesmo carnavalesco, eu fazia jornal: eu tive uma coluna 6 anos em O Dia, eu fazia rádio, eu fazia Leda Nagle, ‘Sem censura’. Eu nunca saí da comunicação. Quando chegou 2010, eu disse ‘chega’. Fiquei desempregado entre 2010, 2011 e 2012. 3 anos desempregado e eu não desisti. Em 2012, eu bati nas costas do Miguel Athayde, diretor da Globo, e disse ‘Eu quero uma chance’. Eu digo, hoje, passados 60 anos da minha vida, que eu cumpri exatamente os meus tempos, os meus ciclos. Tem a virada de sair de Belém do Pará. Tem a virada de entrar no Carnaval. E tem a virada de 2012 e 2013, eu estou no lugar que eu sempre quis estar”, reflete Milton.

A meta do paraense agora é crescer na televisão. Com um carisma inegável, a pergunta sobre ter mais espaço para um conteúdo autoral e com a sua cara se faz necessária. Cunha sonha em levar o carnaval de escola de samba para outros contextos e outras culturas brasileiras e provocar esse choque cultural positivo.

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“Acredito que o público pode sonhar com um programa de cultura popular, não só de carnaval. Eu vou muito bem com artesãos, com mendigos, com bordadeiras. Eles vão adorar, porque eu sou muito solto, muito brincalhão. Seria um programa de bom humor sobre o povo brasileiro. Claro que eu enfiaria em todo esse programa, sempre, um sambista, uma baiana, um artesão. Eu faria uma linguagem que seria o diálogo dos sambistas com o resto do Brasil e suas festas populares. O samba e o maracatu. O samba e o boi de Parintins. O samba e a polca do Rio Grande do Sul. Eu acho que daria maior pé”, exemplificou ele.

Milton e as lives

Nos tempos de pandemia e indecisão sobre o carnaval, as lives no YouTube e no Instagram foram as responsáveis por manter o coração do folião batendo. Com a inovação dos mini-desfiles e outros eventos ao vivo para o povo do samba, Milton Cunha despontou com uma figura importante para comunicar o Carnaval. Hoje, ele ancora as lives dos ensaios técnicos do Grupo Especial, diretamente no setor 3 da Sapucaí, com uma equipe de repórteres na pista. Isso é a tecnologia em prol da ampliação do alcance do carnaval.

“A tecnologia está nos dando cada vez mais condições de escapar dos grandes canais, porque cada um tem o seu canal. Com essa nova janela, quem ganhou foi o público. Não podendo ir à Sapucaí, não tinha como desligar a TV aberta para ver. Agora a gente tem um leque de olhares sobre o ensaio, sobre a quadra”, comentou Cunha.

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“Essa transmissão dos ensaios é um sonho antigo da Liesa, do Gabriel David e meu. A Globo nunca vai me colocar para ancorar isso, eu ia ficar ali e os jornalistas iam ficar de âncora. Então minha chance era o Gabriel e era isso que ele me deu, porque ali eu imprimo um olhar da minha experiência, eu chamo as minhas repórteres e vou imprimindo um ritmo meu. A Globo, no ano seguinte, já me chamou para fazer o Multishow. Acaba que a live, essa nova tecnologia, é uma porta fantástica para novos comunicadores. Eu fico vendo as lives para catar gente do samba que fale e seja interesse, porque o segredo é colocar alma, não pode ser só técnico e ter boa voz. Sim, as lives podem melhorar, as tecnologias também, mas que bom que já existe esse canal para nós nos colocarmos como sambista e comunicador”.

A volta da “normalidade” e o futuro

Segundo Milton Cunha, o Carnaval passou por anos muito difíceis até chegar ao primeiro carnaval com certa normalidade, que será o de 2023. Na sua retrospectiva, ele aponta a instabilidade da gestão do prefeito Marcelo Crivella (de 2017 a 2020) e a pandemia de Covid-19 que impediu os desfiles em 2021 e os adiou em 2022. Depois de 3 anos, o Carnaval volta a ser celebrado na data correta marcada no calendário. Essa percepção não deixaria de refletir na evolução estética das escolas de samba.

“Nós sobrevivemos à intolerância do bispo, ao vírus e aos cancelamentos. Com esses cancelamentos, surgiram novos produtos que foram ótimos. [Parafraseando Annik Salmon e Gui Estevão] A dor que pariu a pandemia pariu soluções e saídas para fazermos novas coisas. Eu espero uma consciência que essa diversão, esta cultura de bloco, baile e Sapucaí é importantíssima para gente sobreviver enquanto cidade. Na hora que a cidade do Rio perder o ‘tchica tchica bum’, como ela perdeu na pandemia que não tinha quadra, não tinha botequim, ela perde a identidade. Este ano é a retomada da consciência de que esse período momesco define a identidade carioca”, disse.

Para o futuro das concepções de desfile, Milton considera que não há mais espaço para evocar preconceitos como racismo, machismo, homofobia e etarismo e exaltar a branquitude. “Esse Carnaval de museu, de endeusamento da branquitude, já foi. Eu não quero nunca mais que eles tirem 10 em Enredo. É preciso que os enredos e os sambas tragam a modernidade. É preciso que as escolas sejam socialmente observadoras desse estilhaçar de valores. Não dá mais para ficar na Princesa Isabel”.

Nessa esteira, Cunha considera que enredo bom precisa ter uma conexão com o público por sua simplicidade de narrativa. Ele exemplifica por meio da facilidade do entendimento do enredo que Rosa Magalhães e João Vítor Araújo desenvolveram para 2023 sobre a chegada dos búfalos na Ilha de Marajó, no Pará. Para Milton Cunha, os enredos e os sambas precisam ser mais “povão” e mais diretos através de temáticas populares. Outro aspecto que impactou a arte de fazer carnaval foi a abertura maior para entender a comunidade em que as agremiações estão inseridas.

“Houve uma revolução a partir de 2015 quando as escolas caíram em si, primeiro, na importância das comunidades. Houve uma varredura das alas comerciais. Isso esquentou os ensaios de rua e eles passaram a ser um programa da cidade. Com o esquentar das propostas de ensaios e valorização da comunidade, os artistas tiveram a liberdade de propor coisas que tem a ver com a cara do nosso povo. Acho que estamos vivendo uma fase áurea, uma fase dourada, das escolas de samba”, argumentou Milton.

Série Barracões: Viradouro aposta em enredo inédito e forte em trabalho solo de Tarcísio

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Campeã pela última vez do carnaval em 2020, e desde 2019, quando voltou à elite do carnaval carioca, marcando presença no Top 3 do Grupo Especial, a Viradouro quer manter o alto rendimento dos últimos anos, e quem sabe levantar mais uma taça, apostando no inédito enredo sobre a santa brasileira Rosa Maria Egipcíaca. Baseado na obra “Rosa Maria Egipcíaca de Vera Cruz – uma santa africana no Brasil”, de Luiz Mott, o enredo se debruça sobre a história de Rosa Maria Egipcíaca, primeira mulher negra a escrever um livro no Brasil, também criadora do sagrado coração que hoje é adorado no mundo inteiro, entre outras grandes realizações.

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Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

Sua conexão com o cristianismo preto do Brasil é um aspecto que será bastante abordado no desfile da Vermelha e Branca de Niterói. O tema aliás é bem conhecido do carnavalesco Tarcísio Zanon, que contou a história do Cristo Negro na Estácio de Sá campeã do Grupo de Acesso em 2019. A diferença é que aquele enredo era focado no cristianismo preto do Panamá. Neste enredo, o carnavalesco, agora de volta a um trabalho solo na Sapucaí, terá a oportunidade de desenvolver a temática focando nas particularidades que a religião tem no nosso país. Ao site CARNAVALESCO, Tarcísio conta como surgiu a ideia de levar para a Sapucaí essa história riquíssima que é inédita no carnaval e que infelizmente ainda é desconhecida do grande público.

“Eu tenho esse enredo guardado a sete chaves há três anos. Eu gosto muito de pesquisar em sebos, e ler títulos de livros. Eu li o título do livro do Mott que foi lançado há trinta anos ‘Rosa Maria Egipcíaca de Vera Cruz – uma santa africana no Brasil’. Quando eu li o ‘santa africana no Brasil’, eu me interessei pelo livro e comprei, li a história. Eu não imaginava que fosse uma história tão maravilhosa e profunda. E até me admirei de ser uma personagem tão importante para a história do Brasil, e que ainda não foi contada, o grande público não conhece. A primeira mulher negra a escrever um livro no Brasil, primeira mulher a ser mais documentada na diáspora entre a África e o Brasil. É uma personagem riquíssima. Eu guardei e com a renovação na Viradouro, entendendo que a escola gosta de trazer enredos inéditos, femininos, místicos, eu achei que a Rosa tinha tudo a ver. Eu trouxe como uma segunda proposta, mas todos se encantaram com a história da Rosa e definimos como o enredo da Viradouro”, revela o carnavalesco.

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Rosa veio ao Brasil ainda menina e foi feita escrava e meretriz. Depois, já liberta conseguiu fazer grandes realizações por meninas que passaram por destino similar a ela. Neste meio tempo aprendeu a ler, escreveu um livro que foi publicado, o primeiro de uma mulher negra. Com uma história tão profunda e cheia de desdobramentos, o carnavalesco Tarcísio Zanon esclarece como fez o recorte para que a narrativa pudesse caber em um desfile.

“Quando você pega uma história muito densa, você precisa recortar ela e escolher qual é o fio condutor que você vai dar para essa narrativa. A Rosa tem uma parte da história dela que é muito triste, que é muito pesada e que não cabe hoje você colocar histórias tão pesadas e momentos tão pesados na Avenida. Carnaval é felicidade, é alegria, é um momento de extravasar tudo. Não estamos romantizando a história. A gente está usando uma face da Rosa que é a mais importante talvez dessa mulher que lutou, que conquistou e chegou onde ela chegou, a ponto dos senhores que a compraram se ajoelharem aos pés dela pedindo clemência. A gente entendeu essas frestas sociais que a Rosa, com toda a sagacidade, inteligência, conseguiu enfrentar e chegar no ápice para a época dela e nas condições que ela tinha. Era quase que inimaginável para aquele período uma mulher se alfabetizar. Quanto mais uma mulher negra. E deixaram o registro de um livro”.

Registros físicos da história de Rosa ajudaram no desenvolvimento do enredo

Após a sua iniciação no catolicismo e a participação em sessões de exorcismo, Rosa deixou claro que tinha dons especiais. Esse contato com o mundo espiritual, com o paranormal, será bastante retratado no desfile da Viradouro. A relação de Rosa com o catolicismo preto no Brasil, como santa que ajudou a desenvolver e difundir a religião entre o povo preto, é uma das faces da protagonista que mais encanta o carnavalesco Tarcísio Zanon.

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“Os delírios da Rosa são muito ‘carnavalizáveis’, são muito ilustrativos. É claro que ela tinha dons paranormais, inclusive ela dá o nome ao espírito que ela recebia. Duas coisas me deixaram muito intrigado durante o processo de pesquisa. O fato da Rosa conseguir ter liberdade e introduzir a cultura dela, a religiosidade originária do Acotundá, de transes, dentro da liturgia do catolicismo. Aí você começa a entender como que o catolicismo, o cristianismo preto se desenvolveu no Brasil. Hoje o Brasil é o país com maior número de cristãos no mundo, e a maioria negros. Por isso , talvez o catolicismo e o cristianismo como um todo tenha se desenvolvido de uma forma muito particular no Brasil. Aqui a gente adora os santos de uma maneira muito próxima. A gente coloca santo de cabeça para baixo, conversa, isso é muito do panteão africano, de entender a questão dos orixás, que são seres sobrenaturais, mas seres que são errantes também. Isso fez o cristianismo se desenvolver diferente. Eu adoro esses desdobramentos que nunca foram falados no carnaval”, relata o artista.

Ainda se fundamentando na pesquisa de Luiz Mott, o escritor descobriu que havia registros da vida de Rosa na Torre de Tombo em Lisboa, onde fica o arquivo nacional de Portugal, além de registros aqui no Rio de Janeiro. Nesta documentação tem os relatos do depoimento da santa na inquisição quando foi acusada de bruxaria.

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“Foi bacana poder encontrar no Rio de Janeiro um registro físico que a Rosa realmente existiu. No cruzamento de pesquisas, o Luiz Mott, quando pesquisou a vida da Rosa, descobriu todos os registros na Torre de Tombo, inclusive estes registros estão lá, documentados para quem quiser ver. Nos relatos dela na inquisição, ela disse que teve uma grande visão dos sagrados corações e que teria uma capela dentro do Convento de Santo Antônio no Largo da Carioca. E essa capela estaria dentro do claustro dos franciscanos. Essa capela existe e o Frei Roger no cruzamento de informações relatou isso para o Mott. A gente tem o registro físico de uma mulher do século XVIII, aqui no Rio de Janeiro, que de fato existiu e que teve essa visão que hoje é adorada no mundo inteiro. O sagrado coração foi uma visão da Rosa. Hoje é artigo de moda, uma série de artigos de arte no mundo todo”, comemora o carnavalesco Tarcísio Zanon.

Organização da Viradouro 

Na Viradouro desde 2020 e já campeão em seu primeiro ano no Grupo Especial, Tarcísio teve nesse e no carnaval de 2022 a parceira do profissional artístico e companheiro de vida, Marcus Ferreira, que este ano irá desenvolver o desfile da Mocidade. O trabalho solo não é novidade para Tarcísio, pois em 2019, desta mesma forma, foi campeão do Grupo de Acesso pela Estácio de Sá. Mas, agora a responsabilidade subiu um pouco de patamar. Pois, Tarcísio teve a confiança da diretoria para estar à frente do carnaval de 2023 da Viradouro. O profissional contou ao site CARNAVALESCO o que entende como vantagens e desvantagens ao desenvolver um projeto sozinho.

“Dividir, fazer parcerias é você negociar, apesar da nossa parceria, eu e o Marcus( Ferreira), que é meu companheiro de vida, nós tivemos sucesso e uma sinergia muito boa, mas é sempre uma negociação. Por um lado, é melhor e por outro é pior. O melhor é que você tem sempre um apoio para decidir algo. E o outro lado, é que você tem que estar sempre negociando para chegar em um ponto. Voar solo na Viradouro, uma escola que eu já estou indo para o quarto ano, se for contar com a pandemia, é muito bom porque eu já conheço a equipe, é uma escola extremamente organizada, estruturada, tudo isso me traz muita confiança nas decisões e nesse vôo solo no Especial”, acredita o carnavalesco.

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E essa confiança citada por Tarcísio vem muito do apoio que a direção de carnaval dá ao artista. Alex Fab e Dudu Falcão participam bastante do dia-a-dia do barracão da Viradouro. A dupla está na escola desde 2018 quando a Vermelha e Branca ainda desfilava pelo Grupo de Acesso. Voltaram com a agremiação ao Grupo Especial naquele mesmo ano, foram vice-campeões em 2019, e em 2020, já com Tarcísio, foram campeões do Grupo Especial, acabando com um jejum de mais de 20 anos. O carnavalesco Tarcísio Zanon conta que existe muito diálogo no processo de produção do desfile.

“É muita troca o tempo todo e negociando também. É claro que o Alex e o Dudu têm uma visão muito ampla do carnaval que são conhecimentos que eu não tenho, assim como eu tenho conhecimento de arte que eles não têm. A gente está o tempo todo conversando, dialogando, para chegar no melhor. No embrionário do projeto, a gente já teve a conversa com eles para que os dois possam pontuar algumas coisas, de acessório de mão, de volume de fantasia, de ergonometria, para que o componente possa desenvolver melhor. O Alex e o Dudu gostam de vestir as fantasias para entender tudo isso. É uma contribuição muito grande porque não basta plasticamente a escola estar bem se a escola não evolui. O trabalho do diretor de carnaval é também fazer essa engrenagem funcionar. É um apoio e uma direção maravilhosa sempre”, conclui o profissional.

Outro que participou bastante do processo criativo para o carnaval da Viradouro em 2023 foi o pesquisador Gustavo Melo, responsável pelo desenvolvimento do texto da sinopse do enredo.

“Quando eu chamei o Gustavo porque houve uma oportunidade para isso, eu falei pra ele que ele tinha uma missão. O Gustavo ficou me olhando, eu contei o enredo, aí foi muito legal. O Gustavo é uma pessoa extremamente inteligente, extremamente fácil de se lidar. A gente tem uma sinergia muito boa e em todo o tempo a gente sempre trocou com muito respeito e está sendo maravilhoso. É um parceiro, um amigo, uma pessoa que agregou muito a equipe”, revela o carnavalesco Tarcísio Zanon.

Dinheiro não é o segredo da Viradouro, acredita Tarcisio

Com uma estrutura de barracão bastante desenvolvida, e com uma administração que tem injetado muito dinheiro na escola nos últimos anos, a Viradouro ainda conta com apoio financeiro da Prefeitura de Niterói que não tem medido esforços para fortalecer o carnaval das escolas do município. Para a Viradouro, que está no Grupo Especial, o aporte foi de R$ 4 milhões de reais. Para muita gente o dinheiro tem facilitado o bom rendimento da Vermelha e Branca de Niterói nos carnavais recentes, mas o carnavalesco Tarcísio Zanon procura ver as coisas de outra forma.

“Existem os dois lados da moeda. As pessoas gostam de falar que é uma escola rica, mas é uma escola rica de trabalho. Todo mundo aqui trabalha muito e muito. Desde a presidência até todos os funcionários do barracão. Todos nós nos cobramos o tempo todo. É uma escola que hoje é considerada um padrão empresarial, é considerada uma referência para as outras escolas, mas pela organização e trabalho. Não basta você ter o recurso se você não sabe investir esse recurso. Montar esse time foi um trabalho muito sério feito pela nossa presidência, pela nossa direção e muito louvável”, aponta o artista.

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Tarcísio também entende que o estigma de escola rica colocado na Viradouro muitas vezes gera uma expectativa e uma cobrança pouco saudável.

“Existe uma pressão de público, de resultado que é muito grande e, às vezes, até desonesta, pelo fato de a escola estar nesta crescente. Eu acho que era para ser louvável e não depreciada por muitos torcedores, não da Viradouro, e até sambistas, que por conta da competição, deturpam as coisas. Acho que isso precisa ser revisto e a Viradouro precisa ser olhada como um parâmetro, uma referência, e que todas as escola possam se enquadrar em um padrão, não diminuindo as outras escolas de forma alguma, falando de gestão. Que todas as gestões possam chegar em um padrão Viradouro que hoje como profissional desta escola, louvo. E como sambista também louvo. E se estivesse fora daqui também louvaria”.

Para o sucesso desenvolvido pela escola nos últimos anos, Tarcísio acredita que o trabalho da gestão do presidente Marcelinho Calil e do presidente de honra Marcelo Calil tem sido fundamental.

“Eu vejo como uma gestão participativa e humana. Em todo o tempo, eles, como gestores, pensam nas pessoas, no profissional. É claro que tudo visando também um resultado. Todos aqui estamos pelo resultado e isso é sempre discutido, repensado de uma forma franca, sincera, respeitosa e está sendo um crescimento muito grande para mim como profissional, como pessoa e é muito bom estar aqui e viver esse momento como pessoa”, finaliza o carnavalesco.

Arte cinética é uma das grandes apostas da Viradouro para impressionar o público

Sem querer entregar muito do desfile, o carnavalesco Tarcísio Zanon revelou ao site CARNAVALESCO que a Viradouro tem um grande trunfo na parte estética para levantar o público na Sapucaí.

“A gente está investindo em uma coisa que não foi muito utilizada no carnaval. Primeiro que o trunfo, eu já acho o enredo, por ser inédito, e ser incrível. O segundo trunfo, plasticamente que eu poderia dizer, a gente está investindo em algo que foi muito pouco usado, que é a arte cinética. A gente tem muito de arte cinética em uma parceria de um estudo que eu venho fazendo junto aos profissionais de Parintins, que são artífices e incríveis na questão do movimento e agregam muito ao carnaval”.

O artista explicou mais sobre quais as possibilidades que a arte cinética pode trazer para este enredo, principalmente no que cabe a parte mais mística dos delírios da Rosa Maria.

“A arte cinética é quando você alia arte ao movimento. A gente consegue hipnotizar as vezes com a arte cinética. Existem várias técnicas, e esse ano eu estou usando meio que essa hipnose para fechar o desfile e deixar todos enlouquecidos na Marquês de Sapucaí. Eu sempre quis trabalhar mais com arte cinética, só que não adianta você colocar uma técnica artística gratuitamente sem ter relação com o enredo. Quando você consegue é maravilhoso. Eu não penso no efeito antes do conceito. Eu penso o conceito, e alio ao efeito. A arte cinética, dentro do enredo da Rosa é muito positiva porque a Rosa era uma mulher vertiginosa, era uma mulher delirante. E a arte cinética tem um pouco disso, de nos levar para este lugar meio de delírio. Acho que vai funcionar muito no desfile e vai trazer um frescor para as alegorias da Viradouro”, aposta Tarcísio.

Conheça o desfile da Viradouro

A Viradouro vai levar para a Sapucaí em 2023 um total de seis alegorias, um elemento alegórico da comissão de frente e três tripés.O contingente é de 2500 componentes. O carnavalesco Tarcísio Zanon contou um pouco do que pretende levar em cada setor do “Rosa Maria Egipicíaca”. “A gente dividiu a história da Rosa cronologicamente nas faces que ela se revelou”.

Primeiro Setor – A profecia das águas
“A menina da nação Courá. Na abertura, a gente vai ter uma certa liberdade poética porque entendemos que a Rosa já era predestinada ao sobrenatural. Rosa vem para o Rio de Janeiro com seis anos de idade. É uma abertura afro, lúdica e aquática, já que era uma menina ligada às lagoas e ao mar”.

Segundo Setor – Auri Sacra Fames (A Fome de Ouro)
“A rosa é comprada pelas Minas Gerais, a gente está em um período da exploração aurífera. Ela é comprada como uma escravizada meretriz. Ela tinha que cuidar, na fazenda em que ela era cativa, de cerca de 70 homens. Ela vive 10 anos como meretriz e ganha pó de ouro através da mineração. Quando ela tem uma visão e fica doente e se converte ao cristianismo, ela entrega tudo que ela tinha para os pobres. Ela inclui o Egipcíaca ao seu nome, porque ela associa a história dela a uma outra santa egípcia que também foi meretriz e entregou tudo aos pobres”.

Terceiro Setor – Ventanias, visões e possessões
“É quando ela já está introduzida ao catolicismo e ela começa a participar de sessões de exorcismo que era algo que a encantava. Participando dessas sessões de exorcismo ela entra em transe e para aquela sociedade mineira, Rosa passa a ser olhada como uma bruxa, como uma feiticeira porque entrava em transe, era uma das possessas. Só que de fato ela entrava em transe e o espírito que estava nela era real. Ela passa a ganhar fama em Minas Gerais, tanto que incomoda os olhos da inquisição. É o setor do misticismo, da Rosa bruxa, Rosa feiticeira”.

Quarto Setor – A Flor do Rio
“Rosa com mais ou menos trinta e poucos anos volta para o Rio de Janeiro que foi uma visão que ela teve e ela já vem com o padre Antônio Gonçalves Lopes, que compra ela, o padre exorcista, ela é abraçada pelos franciscanos e passa a ser adorada como uma santa. Ela aprende a escrever, escreve um livro, e aí é outra face que eu chamo de Rosa mãe criativa. Ela cria um convento para cuidar de meninas que passaram pela mesma situação que ela passou e se religa com a sua ancestralidade quando ela cria a sua própria família, suas filhas”.

Quinto Setor – A Derradeira Profecia
“No final da vida dela, ela foi para a inquisição. Ela foi presa, ela vai para Portugal e morre lá, sem ter a sentença do destino dela definida. A gente não queria dar um desfecho desse para a Rosa, uma vez que é uma mulher tão importante para a nossa história, tão significativa. A Rosa teve uma profecia que não se cumpriu lá mas que vai se cumprir na Viradouro. A gente não sabe se é uma profecia ou um delírio, mas ela teve uma grande visão de que o Rio de Janeiro iriam se inundar e que o convento que Rosa criou viraria uma grande arca como a arca de Noé, e que as filhas dela seriam salvas e que o “encantado”, Dom Sebastião iria emergir também em uma arca. Eles se casariam e iriam lavar todo o mal do Rio de Janeiro e fundaram aqui um novo império, um império de igualdade e de justiça. Lindo, mas louco. Mas isso é carnaval. É a face da Rosa rainha”.

Sexto Setor – Uma santa negra no céu
“A gente finda a história da Rosa em vida e passa para o legado que seria o nosso último setor. O que ficou de Rosa e o que a gente pode entregar para a Rosa. Seria o legado do cristianismo preto no Brasil. A gente quis fazer nesse final de desfile uma grande procissão de tambores e folguedos populares que estão associados ao cristianismo preto brasileiro, como a Folia de Reis, como a Congada, para aclamação dessa santa do povo. Uma santa que não foi reconhecida pelo Vaticano mas que foi aclamada pelo povo no passado e será aclamada de novo, e a gente entrega a Rosa o nosso símbolo maior, a coroa da Viradouro”.