Na contagem regressiva para o Carnaval, o Salgueiro mostra que, além de muito samba, preocupa-se com a responsabilidade social e ações que possam contribuir para ajudar quem necessita. Ciente de que este é um período onde há queda de doadores de sangue por conta das festas de fim de ano e férias, a escola abre as portas de sua quadra neste sábado, para, em parceria com o Hemorio, realizar mais uma campanha de doação e a meta desta vez, é bater a marca de 70 bolsas na coleta. Organizada pelo Centro Médico do Salgueiro, a ação já é tradicional na escola, conforme explica Vilma Araújo, coordenadora do espaço, que funciona dentro da quadra e atende cerca de 800 pacientes/mês, de forma gratuita.
Foto: Ewerton Pereira/Divulgação Salgueiro
“O Hemorio já é um parceiro antigo nosso e consideramos esta, uma das nossas ações mais importantes. Doar sangue é um ato de amor e carinho com o próximo, não tem como prever o futuro, hoje você é doador, amanhã pode ser você ou algum familiar quem precisará deste gesto. A gente sempre se engaja muito nesta campanha, pois sabemos a dificuldade que existe para manter o estoque da instituição. Há muito folclore em torno disto, mas asseguramos que é seguro, não leva tempo e o doador sai daqui feliz por saber que aqueles 05 minutos salvarão a vida de alguém”, comenta a psicóloga.
A campanha vai das 09h às 16h e todas as informações sobre quem está apto a doar podem ser encontradas no site do Hemorio (www.hemorio.rj.gov.br). Entre os principais requisitos para quem quer ser doador estão:
– Portar documento oficial de identidade com foto (identidade, carteira de trabalho certificado de reservista ou carteira do conselho profissional)
– Estar bem de saúde
– Ter entre 16 () e 69 anos, 11 meses e 29 dias () jovens com 16 e 17 anos podem doar com autorização dos pais e / ou responsáveis legais e um documento de identidade original desse responsável.
– Pesar no mínimo 50 Kg
– Não estar em jejum. Evitar apenas alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação
ALGUMAS SITUAÇÕES QUE IMPEDEM PROVISORIAMENTE A DOAÇÃO DE SANGUE:
– Febre – acima de 37°C
– Gripe ou resfriado
– Gravidez atual (90 dias após o parto normal e de 180 dias após a cesariana)
– Amamentação (até 1 ano após o parto)
– Uso de alguns medicamentos
– Anemia
– Cirurgias
– Extração dentária 7 dias
– Tatuagem ou piercing: 01 ano sem doar (Piercing na cavidade oral e/ ou região genital: 01 ano sem doar após a retirada)
– Vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina
– Transfusão de sangue: impedimento por 01 ano
Para mais informações sobre as ações sociais, o telefone é (21) . A quadra do Salgueiro fica na Rua Silva teles, 104 – Andaraí.
Escolas de samba da Zona Leste de São Paulo, tradicionalmente, costumam cantar muito forte no Anhembi. Na noite de quinta-feira, a única escola da região no carnaval de 2023 honrou a tradição da localidade: com um chão bastante forte, a Acadêmicos do Tatuapé se destacou em quesitos ligados ao samba-enredo. Com o enredo “Tatuapé Canta Paraty. Patrimônio da Humanidade!”, a azul-e-branco terá observações a fazer quanto ao recuo da bateria.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
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Samba-Enredo
Em mais um samba elogiado pela crítica e pelo público para o Carnaval 2023, o Tatuapé fez o primeiro ensaio técnico da agremiação com bastante força no canto. A ala musical, capitaneada por Celsinho Mody, intérprete da agremiação, e mestre Higor, comandante da “Qualidade Especial”, como de praxe, elevaram ainda mais o já competente samba-enredo. O resultado foi visto não só na passarela como nas arquibancadas: se o público presente era pequeno, eles corresponderam ao que era proposto na pista.
Um dos destaques da canção é o começo é o “êêêê” antes do verso “bate o sino da capela”, que é marcado pela “Qualidade Especial” com um apagão. Como um período tão simples pode se transformar em algo tão poderoso? Higor explica: “Na verdade, é uma questão que a gente trabalha muito com harmonia da escola e detectamos essa parte como se fosse uma explosão. Estamos apostando muito nessas questões, trabalhando há um tempo. E a gente tem a felicidade de estar desfilando com grandes sambas. Tem partes que nos dá oportunidade de fazer esse tipo de trabalho, da Harmonia mostrar o trabalho que eles fazem que é maravilhoso. É um conjunto: não existe bateria ou Harmonia. É um conjunto e isso levamos muito a sério lá dentro. O resultado está aí. Por sinal, o ponto chave do ensaio foi a junção da nossa escola. Você vê que uma questão que pode passar despercebida, tão simples, um ‘êêêê’ vira uma explosão na avenida. É o conjunto da nossa escola, realmente”, destacou.
Mais emocional, Celsinho destacou o sentimento por cantar tal canção. “Primeira coisa que a gente faz é música com alegria. Em segundo é isso que a gente viu, tentamos dar o nosso melhor soltando o coração. Aí depois só vamos ver o que aconteceu com vídeo, porque a gente solta coração no meio da roda”.
Uma música tão forte pode render ainda mais? Alguns integrantes do carro de som acreditam que sim. “Eu vou dizer o seguinte. A escola tem um canto que é espetacular. Se melhorar, a gente vai para a Lua. Então, vamos melhorar. Vamos chegar na Lua”, brincou André Ricardo. “Só fazendo um adendo em um detalhe que estávamos falando aqui hoje, que a Lua está crescente. Se a gente corta cana, no dia seguinte ela cresce mais rápido. Então amanhã vai crescer muito mais coisas”, completou Douglas Chocolate. André Ricardo prometeu ainda mais para o segundo ensaio técnico da agremiação: “O módulo musical do Tatuapé é realmente bem trabalhado. É uma coisa feita à exaustão, e acredito que nós vamos cantar muito mais dia 05, dobrado, com certeza. Pode ter certeza de que vamos dobrar”, destacou.
Harmonia
Com um time tão afinado no som, a escola correspondeu quase que à perfeição na pista. No primeiro setor, destaque para a Velha-Guarda da escola, que teve bastante força no canto. A escola, que tradicionalmente canta bastante, teve ainda mais força graças a algumas artimanhas da bateria da escola. Marcando algumas partes do samba com bossas e até mesmo apagões, os componentes cantavam ainda mais alto quando tais situações aconteciam. Até mesmo as arquibancadas respondiam.
Após o abre-alas, o canto tornou-se linear e bastante forte de todos os componentes. A resposta foi satisfatória também para Higor: “Nós tivemos um ensaio muito satisfatório. Nós gostamos não só da questão da bateria, mas a escola toda teve um desempenho satisfatório. Agora é afinar os detalhes, temos mais um ensaio para o dia 17. Se Deus quiser, vamos fazer um grande desfile, para a escola ter um grande resultado”, declarou.
Apesar da boa resposta, um detalhe chamou atenção. Logo após a entrada da bateria no recuo, Eduardo Santos, ex-presidente solo e atualmente integrante do comitê de presidência da escola, falou “o canto precisa ser mais alto” para uma integrante do staff. A resposta foi imediata, e todos os componentes tiveram ainda mais força ao executar a canção.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Completando vinte e quatro anos de parceria e desde 2012 na Acadêmicos do Tatuapé, Diego Silva e Jussara Souza, mais uma vez, tiveram boa exibição na passarela. Variando giros nos sentidos horário e anti-horário e com vento razoavelmente fortes, a dupla começou a exibição fazendo coreografias de acordo com o andamento do samba-enredo, aproveitando para girar mais na frente das cabines dos jurados. Um detalhe é que, em comparação aos demais casais de mestre-sala e porta-bandeira, eles ficaram mais distantes um do outro.
Também vale destacar a sincronia entre eles. A parceria de longa data, quase completando um jubileu de prata, certamente ajuda a entender quando o giro começa, quando é hora de bailar ou de desfraldar o pavilhão na hora correta – por sinal, uma única vez, a centímetros da faixa que encerra a passarela, Diego teve uma leve hesitação ao realizar o desfraldamento; como tal local não conta mais com jurados, não é algo que deva preocupar sobremaneira o casal, de atuação segura. Ambos vieram com roupas (e não fantasias) em dourado, com detalhes pretos.
Um detalhe a ser observado que não necessariamente envolve o casal: por vezes, surgia um espaço bem considerável entre eles e a comissão de frente – Diego e Jussara vinham logo depois dos primeiros integrantes da escola. Não foi possível identificar se tal espaço era proposital ou se era o espaço para um tripé.
Na visão de Jussara, o calendário foi bastante amigo com o casal: “Foi dentro das nossas expectativas. Nos sentimos privilegiados, porque os ensaios gerais já começaram e agora, quase chegando em fevereiro, estamos fazendo o primeiro ensaio. Tivemos um tempo para estar acertando dança, postura, tudo dentro do planejamento. Hoje foi satisfatório, dentro do que a gente vem planejando para apresentar no grande dia”, pontuou.
Diego corroborou o que a dupla comentou: “Foi dentro das nossas expectativas, como a Ju falou. Claro que sempre tem uma coisa ou outra para corrigir, mas ainda temos tempo para fazer essas correções. Nós somos muito perfeccionistas, e essas correções são justamente por isso. O tempo a gente tem, mas dentro do contexto geral, foi dentro das nossas expectativas”, destacou.
A autocrítica da dupla, por sinal, é latente. “Nos apegamos muito nas paradas de cabeça, para ficar mais sincronizadinho. A gente gosta dessas coisas. É só mais essas marcações mesmo. Da parada no recuo, o que fazer ali, nós estamos nos preparando. No mais, só nesses pontos mesmo”, destacou Jussara.
“Nós gostamos muito de fazer; virou a cabeça para a direita? Os dois tem que virar para direita ao mesmo tempo. São esses detalhezinhos que a gente se apega muito e que temos para fazer correção, mas nada de muito maior. Graças a Deus a gente viu aqui hoje tudo que propusemos a colocar aqui na pista para fazer no grande dia, conseguimos com êxito”, completou Diego.
Para finalizar, Jussara deixou claro que as condições climáticas preocupam: “Eu vim rezando da concentração até aqui. É difícil, é bem difícil. E é até bom ter de certa forma esse vento, para podermos ensaiar para o grande dia. A Tatuapé é a segunda escola de sexta-feira, então geralmente tem vento. Se Deus quiser não irá chover, mas deu para segurar”, torceu.
Comissão de Frente
Sem tripés e fantasias, os componentes fizeram uma coreografia sem grandes ousadias. Na maior parte do tempo, eles marcaram o samba fazendo coreografias ligadas à canção, mudando de postura diante das cabines de jurados, quando desenvolviam atos mais complexos.
Vestidos com uma camisa relativa ao setor, cada um dos componentes possuía dois adereços: um adorno na cabeça, com uma estrela dourada; e uma espécie de asa para cada um deles – alguns em tons alaranjados, outros com temática azul e branca, cores da agremiação. A exceção era uma integrante com uma espécie de tiara especial e saia longa branca (todos os demais utilizavam calças brancas), que parecia ter destaque na coreografia – que, por sinal, nos dois “atos”, era bastante leve e sem movimentos tão bruscos.
Em alguns momentos após a passagem da comissão de frente pela Arquibancada Monumental, um único integrante destacava-se pelo canto. Os demais ou não cantavam ou não tinham tanta força assim ao executar a canção.
Aproveitando-se do pouco público nas arquibancadas do Anhembi, Leonardo Helmer, coreógrafo do setor, aproveitava para fazer correções diretamente na voz.
Evolução
Certamente o quesito no qual a Acadêmicos do Tatuapé tem mais pontos a se observar no segundo ensaio técnico. E nem foram tantos pontos de destaque (negativo) assim, apenas um que é o calcanhar de Aquiles de diversas agremiações: a entrada do recuo na bateria. A agremiação inteira ficou em suspenso por cerca de três minutos. Em tal tempo, já com a Qualidade Especial inteira recuada, a ala subsequente teve uma evolução bastante morosa para ocupar o espaço – que ficou, por cerca de oitenta segundos, apenas com as destaques. Cada ala tinha um adereço distinto (bexigas, pompons e etc) para trazer dinamismo à movimentação de cada componente.
Outros destaques
– Dois integrantes da escola entraram, um de cada lado, tão logo a agremiação começou o ensaio técnico. Sempre próximos da comissão de frente, eles caminhavam com passos extremamente curtos enquanto a escola cantava forte e diversas cenas aconteceram. Perguntados pela reportagem, eles destacaram que estavam, sim, marcando algo – mas não revelaram o que era.
– As roupas de alas da escola tinham, além da numeração, o nome de cada uma delas. A reportagem agradece.
– “A Qualidade Especial” voltou para a avenida à frente do último carro, de dois casais mirins de mestre-sala e porta-bandeira e de uma derradeira ala.
– Já citado, Eduardo Santos vibrou bastante com os casais mirins da escola.
– O samba da Acadêmicos do Tatuapé caiu nas graças, também, do carro de som da escola. Ao encerrar a entrevista com a reportagem, ao perguntar qual tinha sido o ponto mais alto do ensaio técnico, Celsinho chamou os demais integrantes do carro de som e começou a falar: Vou mostrar para você. Aqui na ala musical da Acadêmicos do Tatuapé todo mundo canta, todo mundo toca corda, todo mundo toca e canta percussão. Canta percussão, bate corda e samba pandeiro. E vamos assim…”, antes de emendar o refrão principal da canção.
– Mestre Higor aproveitou para trazer informações sobre a bateria: “Vamos desfilar com 240 componentes, nós temos duas bossas e dois apagões. As duas bossas acima de dezesseis compassos que é o que pede, então começa fazer a bossa e parece que não acaba mais”, destacou.
– Até mesmo Diego Silva se surpreendeu com o canto da comunidade: “É sempre lindo ver a força que a nossa comunidade tem. Eu sou suspeito em falar, mas para mim o que tem de mais bonito na Tatuapé é a comunidade da Tatuapé. É uma comunidade que se entrega dentro da pista. Você não vê um componente olhando para a Lua, você não vê um componente tirando um barato. É todo mundo focado no objetivo, todo mundo explorando o samba, para que todo mundo tenha o mesmo objetivo no dia do desfile”, finalizou.
A Rosas de Ouro realizou na noite de quinta-feira o seu segundo ensaio técnico visando a sua preparação para o carnaval 2023. O destaque do treino ficou marcado pela ótima apresentação da comissão de frente, levando um grande tripé e encenando uma coreografia de um contexto impactante. Vale ressaltar o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Everson Sena e Isabel Casagrande, que suportaram o forte vento do Anhembi. A dupla teve uma apresentação digna de reconhecimento. A ‘Bateria com Identidade’, comandada pelo mestre Rafa, novamente deu o seu espetáculo à parte com as suas ‘bossas quilométricas’. A Rosas de Ouro levará para a avenida o enredo “Kindala! Que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”, assinado pelo carnavalesco Paulo Menezes.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
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Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
“Conseguimos melhorar o que fizemos no primeiro ensaio. Temos coisas a acertar, a gente acertou algumas coisas. Apareceram outras, e é normal. Já detectamos nas conversas que fizemos depois do ensaio, então é sentar, conversar, tentar arrumar, temos mais um ensaio dia 4, e tem um pouquinho mais de uma semana para nos organizarmos e fazer o que temos que fazer no dia 17. Hoje, não falando de evolução, andamento, acho que a comissão de frente, primeiro ensaio que vieram com a alegoria deles, está uma energia muito bacana, pode ser nosso ponto alto no desfile”, comentou Evandro Souza, diretor de carnaval da entidade.
Comissão de frente
A ala, que é coreografada por Helena Ramos, levou uma coreografia completamente diferente do que fez no primeiro ensaio. Na primeira oportunidade, a comissão fazia alguns passos de break, hip hop e outras coisas ligados à negritude, mas aparentemente estava escondendo. Nesta noite, a ala levou um grande tripé que parece muito com navios negreiros. A coreografia encenada foi muito forte, houve muito sofrimento dos negros e, a maior parte da apresentação teatral, foi realizada em cima do próprio tripé. A coreografia no chão foi feita no ritmo do samba com o objetivo de saudar o público.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Harmonia
É um quesito que a escola deve estudar ainda mais. O samba-enredo para o carnaval de 2023 tem uma ‘pegada’ diferenciada. A arrancada e o início das alas na pista, são de grande valor. A comunidade canta muito bem. Porém, no andar do treino, inevitavelmente o canto teve uma queda. Foi algo que passou despercebido na primeira análise. Claramente é uma missão difícil manter este samba no mesmo andamento por muito tempo. Portanto, a comunidade da Brasilândia teve um canto regular no ensaio. Alguns momentos estavam satisfatórios e outros não. O refrão principal se destaca, são versos cantados rapidamente, mas o corpo do hino é lento e, consequentemente, as escolas têm dificuldades em manter o ritmo do início ao fim do ensaio.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal Everson Sena e Isabel Casagrande soube suportar o forte vento de maneira exemplar. A dupla dançou no ritmo do samba e mostrou movimentos sincronizados. Ao todo, diante das circunstâncias, o casal teve um desempenho satisfatório.
“Pensamento positivo. Gostamos bem mais que o primeiro, teve uma evolução, tem umas coisas a ajustar ainda, não tá ainda nota dez, mas está quase”, comentou a porta-bandeira.
”Analisando assim, é claro que o segundo ensaio técnico geralmente é melhor do que o primeiro. No primeiro sim, tivemos algumas dificuldades de andamento da escola, e aqui conseguimos descer mais tranquilo. Entendemos um pouco melhor qual será o compasso da escola, então viemos trabalhando isso no decorrer da semana, antes de vir o segundo ensaio técnico, e deu para alinhar bem aqui hoje”, completou o mestre-sala.
Isabel falou sobre como é carregar o pavilhão com essa ventania.” Nós temos os ensaios específicos aqui durante a semana, que venta bastante. Mas no dia, não é que não venta, mas tem os carros alegóricos que ajudam. Hoje não tem, mas é normal. Meio que estamos acostumadas, quase quebrando o braço, porque o vento judia, mas no dia temos essa vantagem dos carros, que quebram um pouco o vento”, declarou.
Evolução
Diante das mesmas circunstâncias da harmonia, a evolução da escola dentro das alas acabou diminuindo de ritmo no andar do ensaio. É uma obra musical que não permite o componente ficar evoluindo freneticamente o tempo todo, como se viu a Rosas de Ouro no carnaval de 2022. A agremiação optou por mudar a estratégia de desfile, mas o fato é que o andamento caiu. Assim como a harmonia, é algo para se prestar atenção. No recuo de bateria, houve um desencontro entre as alas e a própria bateria na hora de fazer a entrada.
Naquele momento, houve um descuido e falta de sincronização para preencher os espaços necessários. Vale destacar a ‘Ala Nação’, que além de ser coreografada, foi um dos grupos que mais cantou o samba. Novamente, a escola manteve a ótima ideia de cerrar os punhos no verso “Kindala! É uma questão de resistir e dar valor”. É o nome do enredo e, esse símbolo de resistência da negritude que ficou famoso nos últimos anos, foi colocado dentro da trilha sonora. No refrão do meio os versos “Arrasta pra lá e faz trabalhar… A religião vem beirando o mar”, os componentes de todas as alas evoluíram de um lado para o outro.
Samba-Enredo
Há sempre de se bater na tecla que a obra da Rosas de Oura para 2023 foi resgatada de uma final de eliminatórias de 2006. De lá para cá muita coisa mudou e, devido a isso, a ala musical teve que fazer alguns ajustes no carro de som da Roseira, junto com a bateria. As partes mais cantadas do samba são o refrão do meio e os últimos versos. A ajuda da ‘Bateria com Identidade’ deu uma sustentação maior nessa entrega de andamento.
O intérprete da agremiação, Royce do Cavaco, avaliou o segundo ensaio. “É claro que do ângulo de visão que a gente tem, não dá para ver a escola toda, mas a gente percebeu uma garra maior das alas, o pessoal cantando com muita determinação e cumprindo com tudo que a gente ensaiou tanto na rua como na quadra. Isso já é muito bacana. Com relação a parte musical, eu confio no meu carro de som, a bateria é sem palavras. Agora é reparar as últimas arestas que tem com harmonia e evolução. Muita gente não entendeu esse samba. Não é aquela coisa gritada e acelerada. É um estilo mais cadenciado. Só que agora estamos moldando a melodia dele para jogar mais para cima e tirar aquela impressão de anos 80 e 90. Queremos dar uma cara mais moderna nele”, disse.
Outros destaques
A ‘Bateria com Identidade’, sob o comando de mestre Rafa, novamente manteve a estratégia de fazer o ‘open de bossas’ tão conhecido. A batucada também realizou várias curiosidades, como se virar para a arquibancada, fazer coreografias e comemorar com fervor cada bossa bem feita.
“Da bateria, posso pontuar duas coisas sobre a nossa importância para o canto da escola. A primeira: a gente toca para a escola, que tem um ritmo gostoso. Esse ano nós baixamos o ritmo um pouco porque esse samba é uma pegada mais antiga. E, segundo: nós temos muitas bossas, mas é dentro da melodia toda – então, ela não quebra o canto. Não tem muito contratempo nem muita novidade assim. Desde quando eu estou no comando da bateria, tirando 2017, que era algo bem quebrado e fora do beat, todos os anos nós jogamos totalmente a favor da escola. E, se tiver algo que a gente detecta que a escola está tendo dificuldade para fazer, a gente tira e renova. É assim que é”, comentou o mestre Rafa.
Destaques de chão literalmente se destacaram no ensaio com bastante samba no pé. A rainha de bateria, Ana Beatriz Godoi, sambou com simpatia à frente da ‘Bateria com Identidade’. O intérprete Hudson Luiz vem ganhando cada vez mais destaque ao lado de Royce do Cavaco.
A 6ª DP (Cidade Nova) concluiu, nesta quinta-feira, o inquérito que investigava a morte da menina Raquel Antunes da Silva, de 11 anos. Ela foi esmagada por um carro alegórico na rua Frei Caneca, no dia 20 de abril do ano passado, na saída do Sambódromo. Cinco pessoas foram indiciadas por homicídio doloso.
Foto: Divulgação/Polícia Civil
Os indiciados são o presidente da escola de samba Em Cima da Hora, o engenheiro técnico responsável, o coordenador da dispersão encarregado pelo acoplamento e guia do reboque, o motorista reboquista e o presidente da Liga das Escolas de Samba da Série Ouro (Liga RJ).
A investigação apurou que o cavalo mecânico e o carro alegórico da escola de samba deslocavam-se acoplados no sentido destinado à retirada do veículo da dispersão do Sambódromo. O carro chocou-se contra um poste de concreto, esmagando a vítima.
O relatório do inquérito aponta que o veículo apresentava falta de manutenção, oferecendo riscos severos de acidente e incêndio devido à inadequação de sua construção. Foram descumpridas normas técnicas, assim como cometidas irregularidades no que diz respeito ao Código Nacional de Trânsito, entre outras ilegalidades.
Falhas no acoplamento do carro alegórico, na orientação para o deslocamento do veículo, bem como na permanência de crianças sobre o tablado também constam no relatório final. Além disso, foi apontada a ausência de fiscalização por parte da entidade responsável no dia do evento.
O carnaval deste ano deverá movimentar R$ 8,18 bilhões em receitas, um resultado 26,9% acima do obtido no ano passado. A estimativa foi divulgada hoje (25) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
Segundo o economista da CNC, Fabio Bentes, o setor de turismo vem se recuperando nesse ritmo nos últimos meses, nas comparações anuais. No setor de serviços, especialmente no turismo, por conta da demanda reprimida, a questão da retomada da circulação tem sido forte nesses comparativos anuais. “E isso deve acontecer no carnaval deste ano”, disse Bentes, em entrevista à Agência Brasil.
O carnaval é a data comemorativa mais importante do turismo. “Até quem não gosta de carnaval acaba gastando dinheiro em viagens para o interior, para fora do Brasil”, destacou o economista. Mesmo com o fim das restrições de circulação de pessoas, adotadas no período mais crítico da pandemia de covid-19, o volume de receitas no carnaval de 2023 deve ficar 3,3% abaixo do registrado em 2020, quando o turismo faturou R$ 8,47 bilhões. “É uma evolução que só não igualou o carnaval de 2020 [período anterior à pandemia] porque as condições econômicas pioraram entre o carnaval de 2022 e o de 2023”.
Juros e preços
Um desses fatores é o aumento dos juros, que afeta aqueles que optam por pacotes turísticos financiados, bem como os reajustes de preços, principalmente de passagens aéreas, que subiram 23,53% nos últimos 12 meses encerrados em dezembro, em comparação a 2021. Também aumentaram serviços muito demandados nesta época do ano, como hospedagem (8,21%) e pacotes turísticos (7,16%), cujos reajustes ficaram bem acima da variação do nível geral de preços medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de +5,79%.
“Se a gente estivesse com situação mais favorável ao consumo, seguramente o setor de turismo conseguiria, pelo menos, empatar o volume de receitas no carnaval de 2023”, afirmou o economista.
Com o cancelamento do carnaval em diversas regiões do país nos dois últimos anos, por causa da pandemia, o volume de receitas no carnaval de 2021 caiu 43% em relação ao de 2020, ficando 24% em 2022, abaixo do resultado do carnaval pré-pandemia.
Segundo a pesquisa da CNC, outro termômetro importante do nível da atividade turística foi a entrada de visitantes estrangeiros que, em fevereiro de 2020, ficou em 672 mil, caiu para 254,2 mil em 2022 e 36,1 mil, em 2021, de acordo com dados da Polícia Federal.
Setores
Os setores que responderão por quase 84% de toda a receita a ser gerada no carnaval deste ano são o de bares e restaurantes, com movimentação estimada em R$ 3,63 bilhões; o de empresas de transporte de passageiros, R$ 2,35 bilhões; e serviços de hospedagem em hotéis e pousadas, R$ 0,89 bilhão. “Os dois primeiros, porque são o que chamamos de consumo simultâneo, concomitante ao feriado. Quer dizer, ninguém compra alimento em um restaurante ou viaja muito pagando antecipadamente”.
Na parte de transportes, Fabio Bentes disse que, devido ao aumento dos preços das passagens aéreas, as pessoas estão optando por viagens de ônibus ou de carro próprio. “Isso explica porque alimentação e transporte vão responder por quase três quartos da receita gerada durante o carnaval de 2023.”
Vagas
A pesquisa da CNC mostra que a demanda por serviços turísticos deve responder pela criação de 24,6 mil vagas temporárias voltadas para o carnaval. De acordo com a CNC, cozinheiros (4,4 mil), auxiliares de cozinha (3,45 mil) e profissionais de limpeza (2,21 mil) serão os mais procurados para trabalhar no período. Bentes afirmou que a contratação de temporários neste carnaval segue dinâmica parecida com a do faturamento. “Isso faz todo sentido porque turismo é muito intensivo em mão de obra. Se vai ter um aumento na frequência dos hotéis, eles têm de contratar. O mesmo vale para restaurantes e para o setor de transportes.”
O economista disse que as 24,6 mil vagas esperadas para este ano quase encostam nas 26 mil criadas no carnaval de 2020. “O destaque negativo foi 2021, quando não houve carnaval, e as 6,4 mil vagas criadas foram para serviço de alimentação, em especial, delivery, que movimentou um pouco o mercado de trabalho em fevereiro, mas de forma diferente, e não aquela a que estamos acostumado, com blocos nas ruas.”
Em 2023, o Brasil terá o primeiro carnaval normal após a pandemia.
Na série histórica, o maior número de vagas temporárias durante o carnaval foi criado em 2014, quando a proximidade dos festejos, realizados em março, com a Copa do Mundo de Futebol, em junho, estimulou a contratação de um contingente significativo de trabalhadores, em torno de 55,6 mil pessoas.
Comércio
Animado com o aquecimento do movimento nas lojas especializadas em produtos para o carnaval, principalmente devido ao grande número de foliões que vão desfilar nos blocos, o comércio carioca espera aumento de 3,5% nas vendas até o fim da festa.
É o que mostra a pesquisa do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio), que ouviu 200 empresários da capital fluminense durante a semana de 9 a 13 deste mês.
O presidente das duas entidades, Aldo Gonçalves, disse acreditar que os produtos para o carnaval vão contribuir de maneira significativa para o aumento das vendas nos meses de janeiro e fevereiro.
“O lojista está animado, e a presença do grande número de turistas nacionais e estrangeiros na cidade estimula e movimenta o comércio”. Gonçalves ressaltou que um fenômeno que tem colaborado muito para o aumento da venda de produtos para esse período é o grande número de blocos carnavalescos. “Por não usarem fantasias padronizadas, os blocos contribuem bastante para as vendas de adereços, fantasias, chapéus, fitas, camisetas, bermudas, shorts e sandálias”, afirmou Gonçalves.
Prometendo surpreender a todos por ser a primeira escola de samba a fazer cem anos, Portela resgata seu passado ao levar para a Avenida ícones que fizeram história ao erguer o pavilhão da agremiação. Assim como Vilma Nascimento, Irene 15 e Andrea Machado fizeram história na escola ao conduzirem a bandeira em campeonatos da agremiação.
Foto: Divulgação/Portela
Conhecida por todos como Irene 15, por gabaritar os 15 pontos em seu primeiro ano como porta-bandeira, Irene foi campeã no ano de 1970 com o enredo “Lendas e Mistérios do Amazonas”,
“Ser reconhecida da forma como estou sendo aqui na Portela, é muito gratificante! Normalmente o samba não reconhecia muito as pessoas, e na época de hoje ter esse reconhecimento, é o suprassumo da alegria, da felicidade e do amor que eu tenho pela Portela!”, declara a porta-bandeira.
Com o título de primeira porta-bandeira mais nova na história da Portela e no mundo do samba, Andrea Machado começou sua história na Majestade do Samba com apenas 13 anos de idade, onde dançou com Jerônimo e foi campeã por seis vezes com a escola e levou vários prêmios.
“Entrei na Portela pela Vilma Nascimento. Logo que cheguei fui manchete de todos os jornais e revistas da época, por ter apenas 13 anos e desfilar com o símbolo maior da escola. Pra mim, é uma honra receber esse convite, me sinto milionária de gratidão e amor, por essa gestão lembrar da minha história e a da Irene. Portela é o amor da minha vida, sou muito grata!” afirma Andrea.
Na continuação da série “Barracões” o site CARNAVALESCO visitou o barracão da Mancha Verde e conheceu o projeto da escola para o carnaval de 2023. Diferente dos últimos anos, a agremiação vai seguir uma linha diferente de enredo e apresentará um tema nordestino. A atual campeã do carnaval paulistano tem o enredo intitulado como “Oxente – Sou Xaxado, Sou Nordeste, Sou Brasil”, assinado pelo carnavalesco André Machado. O artista conversou com a equipe e deu detalhes do próximo desfile da agremiação alviverde.
Fotos de Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO
“O enredo surgiu antes de eu chegar na Mancha Verde, tanto é que anunciaram no desfile das campeãs. Eu pensei que não pudesse ter o caminho e liberdade por ter já escolhido, mas graças a Deus o Paulo Serdan me deu liberdade para fazer a pesquisa e seguir o caminho que seria legal na minha visão. Eu apresentei o projeto, ele gostou e foi muito bacana. A gente pegou a ideia do ritmo do xaxado e desenvolveu em quatro partes, que são os quatro carros alegóricos”, explicou.
Pesquisa do enredo
Como o carnavalesco explicou, o xaxado é um ritmo de dança nordestino. Para saber mais sobre, o carnavalesco teve que usar muitos livros e também contou com a ajuda da internet. “O Igor, que está na Terceiro Milênio foi para Serra Talhada, comprou um livro e me deu no museu do xaxado. Eu também tenho muito material da época da Pérola Negra, onde eu desenvolvi o auto da compadecida. Eu sabia que futuramente eu ia precisar. Cabeça de carnavalesco pensa no futuro. Também adquiri outros livros que fala do Nordeste. Inclusive o livro que eu fiz a pesquisa do xaxado, quando a bisneta do Lampião esteve aqui visitando o barracão, eu contei para ela do material, que se chama ‘Maria Bonita do Capitão’. Ela falou para eu pegar e disse que era da tia dela. Mesmo sem eu saber, tenho muitas coisas. Tenho muitos livros afros em casa. Se futuramente a Mancha quiser fazer um enredo afro, posso usá-los. Também tenho a ajuda da internet, que facilita muito. Esse ano eu não tive a oportunidade de ir no museu de Serra Talhada do xaxado por conta do calendário. O Paulo Serdan me propôs, mas eu tinha que fazer o desenho das alegorias, pilotos e que coincidiu com a final do samba-enredo. Nesse dia que a neta de Lampião esteve aqui, eu tive uma aula. É uma coisa ingênua de pegar imagens na internet, de desfiles anteriores e reproduzir achando que o Nordeste é daquele jeito. Quando eu mostrei a fantasia do segundo casal para a bisneta do Lampião ela achou lindo, mas disse que a cor estava errada e eu refiz”, declarou.
Trabalho com investimento e organização
André Machado falou como é trabalhar com um nível de organização maior. De acordo com o artista, a relação com o presidente Paulo Serdan é primordial para o sucesso do andamento da agremiação. “As pessoas falam muito para mim sobre isso, mas que fique bem claro que o carnaval é feito muito por pessoas. Lógico que o dinheiro e a questão financeira, mas a organização é fundamente e o presidente tem a escola na mão. Um super líder que fala com todos os setores da escola e isso é muito legal. Fazia muito tempo que eu não trabalhava com um presidente que tinha essa interação com o carnavalesco. É um enredo que nasceu com ele assistindo um documento e ele me deu esse presente. É muito bacana saber até onde saber quanto você pode gastar. Quando eu fiz o projeto abre-alas, o presidente me chamou e falou para manter o equilíbrio para todos os carros e fantasias saírem dentro do planejado. É tudo calculado. O trabalho tem segmento em cima do projeto sempre pesando os prós e os contras”, disse.
Recepção na escola
O artista vem de um descenso com o Colorado do Brás e, logo após, assinou com a campeã. Segundo André, o receio era de que a comunidade ficasse com um pé atrás devido a isso, mas aconteceu o contrário. “Eu vou ser bem franco. Eu até tinha um certo preconceito com escolas de torcida organizada. Eu fui criado no samba e nasci no carnaval, mas de dez anos para cá, algumas estão desvinculando a torcida da escola de samba e a Mancha faz muito isso. O trabalho que o presidente fez nos últimos anos foi de separar a torcida dos apaixonados por carnaval. Essa recepção, quando eu fui na quadra, eu pensei que a comunidade teria um pé atrás. Eu estou sucedendo um cara que foi bicampeão. O Jorge Freitas tem um nome muito forte aqui em São Paulo e eu sou um cara que acabou de cair com o Colorado, mas eu tento me aproximar o máximo possível dos componentes, trago eles para me ajudar para ter essa conexão. Eu quero estar no meio do povo, cumprimentar as pessoas e ter essa troca de energia, até para ver a emoção das pessoas na avenida. Isso que é carnaval e todo mundo é igual”, comentou.
Carnavalesco André Machado
Almejando o título
A Mancha Verde vem crescendo no carnaval cada vez mais. Desde 2018, a escola se mantém no topo. De lá para cá, foram dois títulos e um vice com desfiles grandiosos e organizados. A parte plástica nos desfiles são de grande investimento e, talvez, no conjunto geral dos últimos anos, a Mancha Verde seja a mais impecável no visual. Em sua estreia, André Machado almeja o tricampeonato de presente para a comunidade. “Queremos o tricampeonato. Aqui a gente só pensa dessa forma. Quero dar esse presente, porque eu ganhei esse presente da Mancha, que é estar aqui hoje fazendo o que eu mais gosto. Eu tenho que retribuir esse carinho que eles têm comigo. É deixar bem claro que o carnaval não é feito apenas pelo André e sim pela comunidade inteira, mas eu tenho que trazer esse campeonato. Se não for também, não tem problema. Eu quero apresentar um carnaval para a escola. Quero fazer com que as pessoas vão para a escola com um sorriso achando que vão para a avenida campeã do carnaval. Se não for, é consequência do projeto e da apuração”, declarou.
Conheça o desfile da Mancha Verde
Setor 1: “A gente vai abrir o nosso carnaval falando onde surgiu o xaxado. Vamos mostrar a Caatinga lá de Serra Talhada. Ano passado a Mancha veio com um passado todo dourado e já tem um tempo que não vem com um carro verde puxando para a cor da escola. Se a gente pensar e pegar referência da Caatinga na internet, vamos ver sempre aquela areia seca, mas pesquisando eu vi que esse cenário existe na época da seca, mas também tem um cenário exuberante que é na época das chuvas. Não é só miséria. Eu busquei fazer da forma mais colorida possível. Vamos falar da lenda ‘Fulozinha’, que quando criança ela ficou perdida e entrou na Caatinga. As únicas pessoas que ela permite entrar lá são os cangaceiros. O abre-alas e a abertura da escola vai mostrar a fauna e a flora da Caatinga. Vamos ver calangos, tatu, onça e ala das baianas vem representando a flor do cacto”.
Setor 2: “O segundo setor a gente fala realmente do xaxado para mostrar que é uma dança que surgiu do cangaço, através da figura do Lampião. Eles dançavam para comemorar as vitórias em cima dos seus oponentes. A gente tem alas de cangaceiros, literatura de cordel, mestre Vitalino e culinária”.
Setor 3: “A gente vai para o terceiro setor com a alegoria falando da religião dos cangaceiros. Tem a figura de Padre Cícero, as alas das crianças vem representando os bonecos de barro e mestre Vitalino em forma de anjo. A parte de trás da alegoria vamos montar uma feira de artesanato e também tem um grupo de 20 adolescentes que vem representando o boneco de mestre Vitalino. Todo o material de artesanato relacionado com a religião a gente vai colocar nesse carro”.
Setor 4: “O último setor da escola a gente vai fazer homenagem aos grupos de xaxado. Primeiro vamos homenagear Luiz Gonzaga, pois o xaxado só era conhecido no nordeste e ele levou para o Brasil. Vamos homenagear também o Arcisão e já tem um tempão que a Mancha não vem com o seu próprio símbolo, que é o ‘Manchão’, onde ele vem com sanfona na parte de trás do carro, mostrando que vai representar a festa junina relacionada com o xaxado”.
Ficha técnica
Quatro alegorias
2300 componentes
Carnavalesco: André Machado
Diretor de carnaval: Paolo Bianchi
Diretor de barracão: ‘Seu Léo’
O Império Serrano e a Universidade Cândido Mendes fecharam parceria no campo educacional. O presidente Sandro Avelar e João Gualberto Teixeira de Mello, diretor da rede de ensino superior, firmaram o acordo em que serão disponibilizadas à comunidade 15 bolsas com 100% de desconto para graduação, sendo cinco presenciais e 10 EAD.
Foto: Nathan Oliveira/Império Serrano
Presidente do Reizinho de Madureira, Sandro Avelar ressalta a importância da cooperação entre as instituições. Para ele, o Império Serrano e a Universidade Cândido Mendes vão poder mudar muitas vidas através do ensino.
“A parceria com a Cândido Mendes nos enche de orgulho. Fiquei muito feliz quando soube que o professor João Gualberto gostaria de conversar conosco e oferecer esse benefício tão importante para os imperianos. A educação é a base de tudo e nós, junto da universidade, vamos poder dar uma nova realidade para muita gente”, destaca Sandro Avelar.
Assim como o presidente imperiano, o diretor da universidade afirma que o ensino é uma grande ferramenta de transformação. João Gualberto salienta que a parceria visa, acima de tudo, dar oportunidades às pessoas da comunidade da escola de samba.
“Acredito que a educação é uma mola propulsora da libertação social. As desigualdades e as injustiças podem ser corrigidas através de uma boa educação. Para muitos brasileiros, falta oportunidade. Dada a minha aproximação ao Império Serrano e a função filantrópica da Universidade Candido Mendes, resolvi fazer esse intercâmbio cultural, onde algumas pessoas da escola vão poder estudar conosco”, completa o diretor.
Em breve, o Império Serrano e a Cândido Mendes vão assinar o termo de cooperação deste benefício. Na parceria, além das 15 integrais, os imperianos terão direito a bolsas ilimitadas de 50% na modalidade presencial e 60% EAD.
Um dos maiores carnavalescos da história, Alexandre Louzada coleciona títulos e grandes desfile na carreira. O artista participou da série “Entrevistão”. Confira abaixo o papo completo com o carnavalesco da Beija-Flor, ao lado de André Rodrigues.
Foto: Augusto Werneck/Site CARNAVALESCO
Maior vencedor da era do Sambódromo, qual balanço você faz da sua carreira?
“Eu não costumo ligar muito para esse aspecto, mas me acho um vencedor porque sou autodidata. Não tive a honra, a oportunidade de trabalhar com nenhum mestre. Seria meu olhar que me fez ser o que sou. Eu não conto somente os campeonatos, mas as experiências que eu vivi. Acho que eu soube esperar o meu momento. Esperei 13 anos para que eu pudesse ganhar. E isso chegou de surpresa, eu não me achava pronto. O que faz um artista ser perene, porque eterno todos nós somos, nós criamos alguma coisa que é para história, não para uma satisfação pessoal. Eu não guardo troféus, realmente não é isso que me move. O que me move é a oportunidade artística que eu tenho de extravasar, de mostrar alguma coisa. Na minha mente eu estou trabalhando em uma coisa que não sei se vai acontecer, eu já estou no terceiro enredo. Aliás, quando as escolas puderam patrocinar para cada carnavalesco, os assistentes, foi muito bom. A minha cabeça é mais rápida que as minhas mãos, mesmo desenhando um figurino, já estou pensando no outro, quero acabar aquele, é a minha forma de expressar… Estou devendo a todos que gostam do meu trabalho um livro, que realmente coloco a minha alma na história. Porque eu me considero um contador de histórias, não um artista maravilhoso. Eu queria contar a minha história, tudo que a gente vive no carnaval… Hoje todos meus assistentes são campeões do carnaval… O balanço que eu faço é esse: acho que a minha contribuição para o carnaval , fora o meu trabalho, é muito maior do que qualquer obra que eu possa ter realizado. Está aí o Gabriel Haddad, Tarcísio Zanon, a Annik que agora está na Mangueira, Roberto Monteiro… Todas as pessoas que eu dei oportunidade de poder caminhar depois com os seus próprios pés. Eu nunca escondi ninguém na minha retaguarda. O balanço que eu faço da minha carreira é a contribuição não só da minha arte, mas dos artistas que revelei para o carnaval”.
O que sente quando falam que você era o carnavalesco ideal para fazer o centenário da Portela?
“Existe uma relação entre eu e a Portela que é só de amor. Mesmo à distância você nunca vai esquecer seu berço. Eu passei a gostar de carnaval, gostando da Portela. Mesmo admirando o trabalho de quem vencia na época, que era o Joãozinho Trinta e tal, entrei no carnaval gostando e vendo a Portela. As pessoas que ainda estão ali do meu tempo de adolescente, desde os 16 anos que eu frequentava, sabem tudo de mim, me viram crescer, viram eu me tornar carnavalesco. Acho que por me interessar tanto pela história da minha escola, por entender a história da Portela em todo seu caminhar, faz na cabeça das pessoas que eu seria a pessoa ideal para reviver isso. Até porque, fora a velha-guarda da Portela, acho que sou o mais velho portelense que está aqui”.
Gosta dessa proposta de trabalho em dupla?
“Eu sou um cara que respeita muito o trabalho de cada um. A Beija-Flor deu a oportunidade de nós dois conversarmos sozinhos, não foi dentro da escola, foi em um bar aonde a gente colocou todas as possibilidades, tudo o que poderia ocorrer com essa junção de duas pessoas. Eu já trabalhei com ele (André Rodrigues), mas ele (André Rodrigues) como assistente, não dividindo um carnaval. Quando você divide um carnaval, todo mundo quer criar. Mas eu me coloquei da seguinte forma: depois do enredo escolhido, se for algo que nós dois construímos juntos, ou que eu tenha uma ideia que foi ela que venceu, ou a ideia dele (André Rodrigues) que venceu, precisa ter o respeito ao criador, ao autor. Levando em consideração que eu estou respeitando os autores desse enredo, o projeto que estava na cabeça deles… Lógico, eu dei minha contribuição, mas eu me coloco em uma contribuição um pouco mais modesta do que foi ano passado onde o projeto era mais visual, era mais meu. Precisa ter um respeito por esse fio condutor, para que você não construa um frankenstein. A gente tem se dado bem até agora por causa desse respeito. Não tenho problema em trabalhar em dupla, acho que até o meu projeto futuro é sempre dar oportunidade a alguém, e depois essa pessoa caminhar com as suas próprias pernas”.
O André Rodrigues vem sendo muito elogiado. Como artista, o que você pode falar do trabalho dele de agora e projetando para o futuro?
“O futuro ele está construindo no presente, ele está criando um estilo próprio. Quando eu estava narrando o que a gente pode esperar da Beija-Flor, passa por ele. A oportunidade, a experiência do André Rodrigues tendo condições em um Grupo Especial. Todo mundo merece tudo de bom nesse meio, e o André é um deles, não é diferente”.
O que pensa sobre os enredos de hoje vão muito além da avenida e passam pelas escolas e pelas ruas?
“Isso é uma questão de estilo. Com tanto que o lúdico continue existindo. Você pode carnavalizar enredos que possam ser carnavalizados. Quando esse enredo foi proposto eu falei: ‘André, a única coisa que eu não quero é que a gente vista gente de gente’. Até porque o André é um artista multimídia, extrapola a questão da prancheta. É uma nova geração que está surgindo… Isso tudo é fácil, quando você perguntou de futuro, eu não posso garantir nem o meu, nem o de ninguém. Já teve a era do Louzada, o maior campeão do Sambódromo, quando eu tive a felicidade de ser tricampeão saindo da Vila e vindo para a Beija-Flor, mas passa, o novo sempre vem. Já teve a era Paulo Barros. O Leandro que ainda está aqui, teve a explosão dele. Agora foi a vez do Gabriel e do Léo. O André, espero que seja agora, porque eu tenho total interesse que seja a era dele se inaugurando. Mas todos nós temos que ter na cabeça que isso passa. Você não vai ser eterno campeão, você vai ser eterno pelo seu trabalho.Você ser bicampeão é muito difícil, porque as escolas estão muito competitivas. A cada hegemonia que foi se criando, a Beija-Flor foi uma delas, por exemplo, forçava as escolas a se aplicar mais para seguir o mesmo caminho. Hoje temos um exemplo que é a Viradouro. A Viradouro é uma escola que com essa nova gestão retornou ao Grupo Especial. Não é a Viradouro que a gente viu lá atrás que já foi campeã lá atrás com o Joãozinho Trinta, tem também hoje uma visão empresarial e com mais vontade de vencer. Hoje não está fácil para ninguém. Acho que o futuro é do novo, se o novo será o André, eu vou adorar. Mas tudo é fase, passa”.
Você deixou o lugar de fala para o André e o Mauro Cordeiro. Como isso aconteceu dentro da sua cabeça?
“Por eles serem os autores. Eu falo mais da parte plástica, mas assim esmiuçar a história é bom que seja o Mauro porque ele fez a pesquisa toda, é um enredo que tem múltiplos personagens… Ano passado eu tinha total autonomia do projeto, mas eu escolhi o André como a minha fala porque qualquer coisa que eu falasse sobre empretecer o pensamento, não seria tão contundente quanto o que o André poderia falar por experiência própria, por experiência de vida. Uma coisa é você ser uma pessoa desprovida de preconceito, mas você não sofre o preconceito na pele, na carne, no coração, na alma”.
Qual é o seu desfile inesquecível da carreira que você fez?
“Os três primeiros carnavais aqui da Beija-Flor. Eu poderia ter escolhido a Mangueira, mas mesmo sendo campeão, não me achava pronto, não tinha atingido aquilo que queria como artista. Eu experimentei um pouco aqui na Beija-Flor com esses três primeiros carnavais, os quatro até ‘Brasília’. Depois que eu saí da Beija-Flor foi quando eu amadureci como artista. Porque quando você tem facilidade, você fica mal acostumado. Eu não me deixei chegar ao inferno, eu encontrei o meu caminho alternativo para que eu possa fazer uma escola com grandes recursos, como uma que não tem. Também nenhum artista consegue trabalhar naquela que não te dá nada, isso eu já passei também”.
Qual carnavalesco foi sua referência profissional e por qual motivo?
“Eu vou citar o Viriato primeiro, porque meu primeiro contato com esse título ‘carnavalesco’ foi com ele. Uma história que pouca gente conhece é que antes de eu me tornar carnavalesco da Portela, eu seria um dos assistentes do Joãozinho Trinta, eu iria desenhar figurinos para ele, para aquele carnaval ‘A Lapa de Adão e Eva’ em 1985. Foi aí que a Portela resolveu me dar a oportunidade de ser carnavalesco, porque estava perdendo um portelense para uma co-irmã (Beija-Flor), mas que disputava. Acho que Viriato teve uma importância muito grande de me deixar olhar o barracão. Eu passava as tardes lá com ele, frequentava a casa dele, via ele desenhando. Ele me falou que deixaria eu ver, mas ensinar ele não ensinar ele não ensinaria, que eu teria que ter minha própria identidade como artista. Ele é para mim uma referência como todos, acho que sou um carnavalesco que é fruto do meio. Tenho uma admiração muito grande pela Rosa Magalhães que como
componente foi a carnavalesca que eu mais tive próximo, depois veio o Viriato e depois me tornei carnavalesco. Com o tempo eu e a Rosa construímos uma amizade, ela para mim é uma referência como artista pela plástica, e como história, ela também gosta de contar casos, e eu também, quando a gente se encontra ela é uma pessoa muito divertida. Minha referência é o Viriato, é o Joãozinho Trinta, é a Rosa Magalhães,é o Max Lopes, é o Renato Lage, todo mundo que estava a minha frente no tempo… Fernando Pinto que já se foi … Eu me tornei carnavalesco admirando as obras deles”.
O Leandro Vieira disse que o carnaval vive hoje um dos melhores momentos na parte de criação artística dos carnavalescos. Concorda?
“Eu já respondi isso de outra forma no meio dessa entrevista. No quadro mais complicado da Beatriz Milhazes não tem tantos detalhes quanto tem no carnaval, no carro do Gabriel Haddad e do Léo Bora. A interpretação, o toquezinho de ironia política do Leandro… Estou citando vários estilos completamente diferentes. O rebuscamento estético, porque tem condições para fazer isso, do Tarcísio ali na Viradouro. O Edson vem em um crescimento também como artista. E o André também, ele coloca muito a identidade dele no trabalho, ele agrega pessoas… Ele também não se limita a pesquisa, ele vai agregando pessoas com afinidade com aquilo que você contar”.
Como você tem visto essa onda de enredos críticos?
“Acho que vai um dia passar. Espero, porque se tiver que criticar a vida toda esse país não vai para frente, vai ser uma droga. Espero que se torne uma Nárnia, que tudo seja lindo, maravilhoso… Nunca vai ser. Dependendo da crítica, é sempre bem vinda. As escolas têm esse papel também, sempre tiveram, de uma forma forma reprimida na época da ditadura, onde sempre havia uma ode a história do Brasil que a gente aprende na escola, fatos históricos. Depois teve uma fase que não podemos esquecer que é a do Luiz Fernando Reis, que era bastante crítico do dia a dia. O Renato Lage teve essa fase também de ‘O que é bom todo mundo gosta’, os enredos dele no Império Serrano… O inconsciente coletivo faz com que a gente coloque para fora, coloque na nossa arte aquilo que a gente está vivendo no momento… Eu acredito que o ano que vem, mesmo tendo críticas, acho que vai ser uma análise daquilo que a gente vai viver daqui para frente. O carnaval tem lugar para todo mundo, para todos estilos, para todos os enredos”.
O Louzada gosta mais de produzir fantasias ou alegorias?
“Hoje eu mudei um pouco. Eu sempre gostei muito de fantasia, sempre foi mais a minha preocupação. Hoje você trabalhar em alegorias depende de ter profissionais na sua equipe. Por exemplo, se essa dupla (Alexandre Louzada e André Rodrigues) se desfizer, eu vou ter que buscar um outro webdesigner para fazer carro. Porque o André é um carnavalesco também, ele vai seguir… Mas eu gosto mais de fantasia. Eu não tenho paciência para fazer um curso de computação, minha mão ainda é mão de artista. Eu faço o esboço de um carro… O André começou assim comigo, cada pecinha que foi colocando no figurino da primeira vez que a gente trabalhou na Vai-Vai. Foi a primeira experiência dele como gestor de barracão. É uma coisa que eu gosto muito, mas deve ser chato para quem faz… Eu gosto mais da parte plástica. Depois que acaba o protótipo, eu já estou ansioso para fazer outro. Fantasia é uma coisa que sempre foi o que me moveu por eu ter sido componente também. As minhas fantasias são verdadeiras alegorias. Eu cheguei em um tamanho que já dá para carregar. Mas eu consigo mentalizar em um corpo de uma pessoa tudo aquilo que quero transmitir, que poderia ser em uma alegoria. Não vou dar spoiler daquilo que eu estou trabalhando, mas é bem complexo. Mesmo que não vá para a avenida, é um exercício muito bom de criatividade… Uma coisa é pegar o figurino de época e transpor para o papel, outra coisa é pegar um objeto e colocar isso como fantasia, e ela continuar sendo vista como objeto. Isso é o melhor exercício para mim, eu já estou no terceiro pacote de papel. Eu desenho uma fantasia umas cinco, seis vezes. Do esboço até ela virar o figurino definitivo”.